EU ainda era pré-adolescente nos anos 60. Na escola, admirava os intrépidos exploradores que as incríveis aulas de história do Professor Emir Amed me apresentavam. Não por acaso a matéria tornou-se predileta. De Charles Darwin a Fernão Dias, todos os desbravadores e suas epopéias, que eu passava a conhecer a cada nova classe, me encantavam. Uma ponta de inveja me tomava à medida que os estudava. Aprofundar-me nas suas investidas exploratórias, suas descobertas e incríveis aventuras significava ir ainda mais fundo na atração pelos lugares onde suas história se desenrolavam. Eram emoções intraduzíveis aquelas minhas aulas de História...
A certa altura fui apresentado à Rota da Seda, à Ásia Central, à Pérsia e ao mundo islâmico. Sem saber que mais tarde seria lugares que eu visitaria. As novidades tornavam-se encantamentos à medida que as conhecia. E a fantasia, cada vez mais inclemente. Não seria de estranhar que Marco Polo fosse meu primeiro super-herói. E que Alexandre Magno e os Selêucidas os inimigos a combater. Nada conseguia ser tão intrépido, mágico e místico quanto os relatos daqueles viajantes pioneiros e exóticos. Tampouco os lugares que percorriam. Nenhuma outra região do planeta aparentava ser tão atraente aos meus olhos adolescentes. Do mundo, aquele lugar parecia ter roubado todo o exotismo. Passei então a sonhar com ela. E a desejar especialmente a Pérsia, a Babilônia, Persépolis e Esfahan, lugares que exerciam um poder extraordináriamente atraente que as memoráveis aulas de História me despertavam. Contadas com entusiasmo por um dos mestres que marcaram minha vida, vivíamos então uma época romântica: a educação se valorizava, as escolas públicas eram ótimas e os alunos respeitavam, admiravam e tinham seus professores como ídolos.
TORNAVAM-SE viagens extraordinárias, aquelas aulas de história no ginásio. E agiam de maneira inclemente potencializando meu fascínio pelo Oriente Médio, naquela altura, um lugar absolutamente inalcançável: minha idade e a mais completa falta de meios e recursos não deixavam o desejo ultrapassar a barreira dos sonhos. E assim permaneceram por muito tempo. Mas volta e meia alimentando-se em minhas viagens pelos livros e filmes. Todavia, fisicamente, o mais perto que eu conseguira chegar da Pérsia foi da fruta: a Lima da Pérsia, que meu pai expremia todas as manhãs. Afortunadamente, já adulto (e bem mais privilegiado), comecei minhas viagens internacionais. E a realização dos sonhos de visitar países islâmicos, especialmente os que mais me encantavam: Egito, Síria, Jordânia, Marrocos, Tunísia, Emirados de Dubai e Qatar, Usbequistão e Quirguistão. Assim como outros na Ásia, como Turquia e Malásia, e mais especialmente a multi-religiosa Índia. Todos tornando-se profundamente inesquecíveis à medida que os conhecia. Cada qual resgatava ao seu jeito um pouco de tudo o que li e aprendi nas aulas do meu inesquecível professor. Visitando-os aprendi a complexa e exuberante cultura islâmica. E passei a admirá-la. Mas foi apartir de uma viagem em especial - à Síria - que passei a desejar imensamente o Irã.
O tal fascínio do ocidente pelo Irã não é privilégio meu. E também não é novidade. A realidade é secular: viajantes estrangeiros seduzem-se até mesmo pela palavra "Pérsia". E arrebatam-se pela história extraordinária que excede a tudo que possa estar contido nela. Até mesmo no que nossas mentes criativas podem produzir. Todos encantam-se. Dos intrépidos exploradores de outrora a nós, os simples, anônimos turistas ocidentais da atualidade. Todos retornam fascinados de suas visitas ao Irã. Por tudo o que há de exótico, oriental e místico. Especialmente por ser um país tão incomparável que é impossível estabelecer paralelos. Até mesmo entre seus vizinhos. O território é tão grande, a geografia tão variada e a história tão longa e rica que não é possível a um viajante experiente resistir tanto tempo ao Irã. Seus três mil anos de história e quinze Patrimônios da Humanidade, suas montanhas cobertas por neve durante meses, seus desertos incandescentes, arquitetura e cultura fascinantes, enfim, é uma riqueza que preciso conhecer antes que eu acabe.
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IREMOS ao Irã em Outubro
PARA além de tantos clichês e estereótipos, o que é o Irã de hoje? A revolução que impôs estritas regras sociais teria mudado a essência do romantismo, da poesia e do exotismo de outrora? Reeleito Obama, continuará a deixar-se pressionar pelo poderoso lobby judeu (que comanda os EUA) e deseja um ataque imediato militar e arrasador ao Irã? Notícias assustadoras não faltam. Mas se Israel e os EUA atacarem o Irã esse ano, terão demonstrado insanidade ainda maior do que seus inimigos lhes atribuem. Se o mundo pode considerar Mahmoud Ahmadinejad doido, o que dizer de Avigdor Lieberman e Benjamin Netanyahu? Por isso, sempre que pensávamos no Irã não nos parecia um bom momento para visitar o país. Centro de grandes controvérsias, de relações conflitantes com os vizinhos, o interesse pela energia nuclear e seu suposto papel naquilo que o presidente Bush chamou de "eixo do mal", um país arqui-inimigo dos Estados Unidos e de Israel e as frequentes ameaças de ambos, tudo contribuia para barrar nossos sonhos. Ainda assim os mantivemos na lista das grandes prioridades. Mesmo com freqüência posto na coluna do "talvez". E que por graça volta e meia "pulava" para a lista original, a dos grandes desejos turísticos. E ali permanecia faiscando na mente.
POR que então sempre deixamos o Irã pra depois? Se é um dos países mais originais do mundo, envolto em tantos mistérios, e mesmo assim porque é tão negligenciado por viajantes? Sabemos que nem sempre é por bons motivos. E também que é preciso uma viagem para derrubar preconceitos e conhecer o "outro" Irã. Será que todos que deixam de ir ao Irã é porque o país é fechado? Ou a religião é ortodoxa, os costumes conservadores, as leis rígidas e as mulheres não valorizadas? Ou por ser tão demonizado pela mídia ocidental, ainda que soubéssemos que injustamente? Todo turista de bom senso, lúcido, pensante e razoável é levado a deixar o Irã pra depois. Não foi diferente conosco. Todos questionam: "Se há tanto pra ver no mundo, se é real e pernamente a ameaça de guerra com Israel, se é mantido em segredo o programa nuclear iraniano, se apedrejam mulheres, por que então não dar ouvidos à apreensão? Para nós a resposta foi simples: porque tudo sempre tem dois lados!
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TUDO sempre tem dois lados
NOSSO desejo é antigo. E nos fez questionar por quê boa parte do mundo deliberadamente alimenta forte sentimento anti-Irã. Por que são tão abundantes os estereótipos, tão desgastada a imagem do país e tão demonizado ele é pela mídia internacional? Mas se há este lado que afasta o turista, também o que atrai imensamente boa parcela deles. E por que não ouví-los? Para uns, viajar ao Irã é uma insanidade, para outros uma oportunidade. Para nós, um sonho antigo, um incrível conjunto de atrações de um dos mais espetaculares destinos turísticos do planeta. E se é tão interessante, se é verdade que seu povo é sabidamente tão amável, receptivo, educado, civilizado e culto, por que não pensarmos no Irã? Tivemos então obom senso de nos perguntarmos: se dizem que são tão notáveis a hospitalidade e gentileza iranianas, que nem mesmo dá pra sabermos de fato até onde ela vai, se são tantas as riquezas arquitetônicas e culturais, se é enorme beleza natural, sé é tão seguro e tão excepcional a receptividade, por que então não viajarmos ao Irã?
NÃO há dúvidas de que o país pode ser um desafio para o turista, que requerer árduo planejamento, doses não modestas de desprendimento, que não se podem ignorar as possibilidades de incidentes políticos. Mas também sabemos que é um país extremamente seguro, especialmente para o brasileiro, que todos são tão bem recebidos (até mesmo norte-americanos!) e que podemos viajar com padrões muito razoáveis de serviços turísticos, de transporte e de hotéis, de luxuosos a econômicos. Sobretudo com elevada simpatia e receptividade. Sabemos que não é uma inconseqüência irresponsável viajar ao Irã. E que os turistas não devem assustar-se com os ferozes cartazes políticos contra os Estados Unidos uma vez circulando pelo país. Um viajante informado saberá que a América apoiava incondicionalmente o governo corrupto do odiado monarca Xá Mohammad Reza Pahlevi, aquele que a Revolução Islâmica de 1979 derrubou, pondo fim a uma monarquia autocrática, que abusava de práticas brutais e toda sorte de excessos, de um despótico e sanguinário regime que governava um país de miseráveis camponeses e favelados. E que mesmo a despeito de toda a animosidade política com o ocidente, sabemos que no plano individual há ótima e incondicional acolhida aos viajantes estrangeiros. Portanto, não nos parece haver outra maneira de satisfazer nossos desejos e curiosidade senão enfrentá-los. E viajar para o Irã. Não creio que estarão errados os turistas estrangeiros que viajam ao Irã e surpreendem-se com seu esplendor, patrimônio cultural, belezas naturais e sobretudo com seu povo tão agradável. Decidimos "enfrentar" o "problema".
O Mauro Chwarts - da Highland Adventures - mais uma vez nos deu não apenas as dicas mas o incentivo final. Com a sua operadora Highland estamos montando nosso roteiro personalizado, abrangendo as cidades, hotéis e tempo de permanência que desejamos. Mais uma vez minha doce Emília desenvolveu minuciosamente todo o planejamento estratégico, dos lugares que visitaremos aos que nos hospedaremos. Além de excepcional cia. de viagem, minha esposa é competente planejadora e organizadora. Com a Highland e pela Emirates (via Dubai) iremos ao Irã, oficialmente, República Islâmica do Irã, um país geograficamente asiático, situado do Oriente Médio, com divisas compartilhadas com a Armênia, o Azerbaijão, o Turquemenistão e o Mar Cáspio, com o Afeganistão e o Paquistão, com o Iraque e a Turquia, e com o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Para lá iremos em outubro de 2013. Visitaremos Tehran, Tabriz, Kandovan, Kerman, Yazd, Shiraz, Isfahan, Kashan, Persépolis e Pasárgada.
RELATOS de viagens podem ser inspiradores, esclarecedoras, emocionantes, assustadores, trágicos, tristes, felizes, maravilhosas, encantadores ou terríveis. Todos os que li em livros e na Internet foram sempre extremamente positivos em relação ao Irã. Espero que também assim sejam os nossos. Com eles esperamos emonstrar quanto os visitantes podem sentir-se confortáveis no país e entre a sociedade iraniana. Afinal, "Iran keshvar-e jadouyi-e", ou "O Irã é um país mágico", como o povo se refere ao seu país.
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NOTAS: o governo iraniano não tem boas relações com os Estados Unidos e com Israel. Aqui entre nós, eles têm lá suas razões. Mas aqui entre nós, também não é lá muito fácil, não sendo judeu ou israelense, conseguir ficar inteiramente ao lado de Israel. Embora geralmente seguro, o Irã evidentemente não é um país digamos apropriado para norte-americanos. E considerando ser proibido o ingresso de qualquer indivíduo de qualquer nacionalidade que exiba um carimbo no passaporte de visitante ao belo paós que é Israel, suponho que também o seja aos cidadãos israelenses. Mas também não é adequado a cidadãos de países com os quais o Irã tenha relações frias. Ou não as tenha. Mas eles têm lá suas simpatias com os brasileiros. E há embaixadas nos dois países.
O país é orgulhoso de sua história. E nenhum estrangeiro deveria visitá-lo sem alguma compreensão do seu passado. A maioria dos iranianos consideram-se descendentes diretos dos persas, que cnstruíram o grande império há cerca de 2500 anos. É muito tempo e muita história. Mas talvez a que mais esteja presente seja a da Revolução Islâmica de 1979, a que derrubou o odiado monarca Xá Mohammad Reza Pahlevi, pondo fim à monarquia autocrática pró-Estados Unidos, corrupta politicamente, que abusava de práticas brutais e toda sorte de excessos, um despótico e sanguinário regime que suscitava cada vez mais protestos internos - especialmente dos que viviam miseravelmente, camponeses e favelados, - e internacionais. Assim, encerrou-se um regime nonárquico 2500 anos e foi instauranda uma república islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.
A história do Irã registra os acontecimentos históricos no território correspondente aos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão e outras áreas vizinhas, ao longo de um período de tempo que começa com as primeiras civilizações pré-arianas (como a civilização de Jiroft e a elamita), passa pelo Império Persa em todas as suas fases (aquemênida, selêucida, arsácida, sassânida e outras) e prossegue até os dias atuais, com a República Islâmica do Irã. Em suas várias formas, trata-se de uma das mais antigas entre as grandes civilizações de existência contínua. Fonte: Wikipédia
Primeira leitura: "Iran - The essential guide to customs & culture", Culture Smart! - Editora Kuperard, de Stuart Willians - ISBN-10: 1857334701. O guia fornece informações essenciais sobre atitudes, crenças e comportamento no país, assegurando que o visitante chegue ao destino ciente das maneiras básicas, cortesias comuns e questões sensíveis, evitando ao visitante erros e gafes constrangedores.