MENSAGEM ao LEITOR
COMENTÁRIOS
RSS - Quer subscrever?
AddThis Feed Button

Share/Bookmark

VIAJE neste blog

Fotos de viagens
PROCURA
Quer ler outras viagens?
Sexta-feira
Ago172012

Ásia Central - Nos caminhos da ROTA da SEDA

 A Nostalgia do desconhecido e a escolha de um destino

   

 Eu te recebo...

                 CERTA vez li numa das revistas de viagens que costumo consumir (*) que o principal a ter em conta na escolha de um destino é optar pelo que melhor nos provoque emoções. Boas, claro. E que viagens são necessárias a qualquer indivíduo. E para qualquer lugar. Qualquer lugar que não conheçamos já é um bom destino em si. Para mim tudo isso funciona naturalmente e desde muito jovem, mas viagens desafiantes, para países incomuns, são as que mais tem atraído nosso olhar viajante, despertado nosso desejo, motivado-nos a ir mais além do que já fomos. Para mim tais conselhos soam tão naturais quanto respirar: já visitei 41 países, centenas de cidades e repeti vários. Mas algo tem me tomado ultimamente: a nostalgia do dsconhecido, de lugares para onde jamais fui.

  

 Eu te recebo...

                  E ainda que no campo da vida pessoal de quem vos escreve estas mal traçadas linhas seja um prazer potencializar a simplicidade em tudo, no das viagens tem ocorrido o inverso: não creio que minha cultura e prazer serão saciados nem recompensados gastando sete dias num resort. A complexidade neste caso - seja na forma ou no conteúdo - tem nos proporcionado os mais incomparáveis sabores em viagens. Ao visitarmos lugares que sequer sei direito pronunciar o nome, sítios que apenas de citá-los já soam como lendas, têm nos proporcionado as melhores emoções. Imaginá-los e programá-los tem inflamado nossas idéias. Queremos viagens para descobrir, mais do que para o lazer. Para viver experiências. De outro lado, mas na mesma mão, certos desafios andam faiscando minha mente: compreender melhor a história da humanidade, conhecer etnias distantes, passear por culturas, linguas e dialetos exóticos, viver sociedades e costumes ainda pouco conhecidos e visitar destinos pouco explorados turisticamente. Isso tem sido tudo o que preciso para conhecer melhor a mim mesmo e o lugar onde vivo.

     

                  SOU um turista, afinal. E um bom turista. Daqueles que sabem onde vão, informam-se, documentam-se, preparam-se e acompanham-se de planos. Saio à rua sabendo sobre o destino, todavia sem idéias pré-concebidas e sem me empapar deles. Sou humilde nas situações, tenho mente aberta, reafirmo minhas convicções acerca do exercício da bondade, respeito aos que me servem e os gratifico, desprezo a mesquinhez tanto quanto o desperdício,...

  

... me aproximo das crianças, admiro a singeleza da sua inocência.

  

...misturo-me à gente para compreender sua cultura, provo sua gastronomia (mesmo as apimentadas), respeito a natureza e os animais (mesmo aqueles que não gosto), quando regateio, sou flexível e educado, sempre que posso me aproximo das crianças, admiro a singeleza da sua inocência, reconheço minha pequenez e insignificância diante da magnífica complexidade e dimensão do mundo, não olho equivocado, sou realista, não me imponho sobre nada, compreendo que perder-se faz parte de qualquer caminho (ainda que deteste quando isso acontece),

 

 ...perder-se faz parte, qualquer que seja a viagem, mesmo que eu deteste quando isso acontece.

...valorizo o conforto ainda que nem sempre ele seja possível, não assumo metas que não possa alcançar, aprendo “por favor” e “obrigado” na lingua local, aceito que a concepção de espaço e de tempo em certos lugares é inútil, dou valor à diversidade e admiro toda a bagagem cultural que minhas viagens já proporcionaram. Ah, também não esqueço o adaptador de tomadas.

  

 ...respeito as normas (mesmo as mais esdrúxulas) e a quem nos serve

                   AINDA que um turista urbanóide (desses que jamais foi à Amazônia), sou um viajante atraído por destinos incomuns. Quanto mais raros, “mosca branca”, melhores. Sou um turista ateu que já visitou boa parte dos países islâmicos, descrente das religiões que já foi até a Fátima (!) e entrou em toda a sorte de templos, anti-jogador que adora Las Vegas, anti-comunista atraído pela arquitetura marxista,

 

...valorizo o conforto, mas não me aborreço quando ele não é possível

...apavorado das altura que já escalou o Pão de Açúcar e subiu trilhas e precipícios no Arizona, um medroso de lugares apertados que já entrou em cavernas que só seres rastejantes conseguem. E o melhor que trouxe na bagagem foi a vontade de voltar à maioria esmagadora dos lugares que já fui.

 

 ...respeito as religiões, ainda que discorde delas.

                  POIS nos encontrávamos há meses procurando um destino para comemorarmos a oficialização civil de nossa união. Nosso Casamento, resultado primeiro do encantamento, depois da paixão, fora nada mais natural que um desejo depois de três anos vivendo juntos. Nosso imenso amor - que não deixou de crescer um só dia - determinou que nos casássemos, obedecia ao nosso desejo. Assim o fizemos. E ainda mais felizes e apaixonados, como só ocorre todo novo dia, oficializamos nossa união, em 11 de agosto de 2012, em nossa residência, às 17:30h, aproveitando o lindo Pôr-do-Sol e a belíssima vista que desfrutamos de nosso apartamento.

  

                  A cerimônia civil, em nome da lei, proferida por uma Juíza de Paz, foi assistida por nossos queridíssimos parentes, uns poucos (mas melhores) amigos, meus queridos sócios-irmãos e suas doces esposas, nossas preciosas auxiliares domésticas, nossas jóias-secretárias profissionais (ou braços-direitos), assim como a equipe de cerimonialistas. A introdução de nossa intensa e profunda história de amor sucedeu graças aos acasos da vida, descritos em detalhes no post “Istambul. Os acasos da vida e um grande amor”, aqui mesmo no Fatos & Fotos de Viagens. Agora, eu e minha doce Emília somos casados de direito, pois de fato já éramos.

  

                  FOI assim desse jeito, atraídos pelo incomum e por desafios, que ficamos entre a Ásia Central (Casaquistão, Usbequistão e Quirguistão, com Istambul (“A nossa cidade”) entre a Tanzânia (com Zanzibar) ou Myanmar (com Cingapura) para escolher como próximo destino de viagem. Ficamos com o primeiro.

 

  Eu te prometo, estarmos juntos, em qualquer circunstância.

  

                   SÓ não faço viagens no tempo, apenas porque ainda são mera ficção. Todavia, viagens longíquas, na distância do tempo da história, na lonjura do espaço, são realidades possíveis e instigantes. E quanto mais desafiadoras, mais atraentes. Se fosse possível retornar 300 anos e seguir os passos de Marco Polo (*1) através das planícies arenosas, desertos e cadeias de montanhas da Ásia Central, por certo me surpreenderia com o encontro de tantas similaridades entre o passado e o presente naquele lugar do mundo. Mesmo os mais recentes, os restos soviéticos. Todavia hoje, numa só viagem, já não é mais possível fazer o percurso original (*2) do viajante veneziano em sua Rota da Seda (*3). E mesmo vivendo no século das viagens e da Internet, ainda não é fácil ir a certos destinos sem uma complexa e trabalhosa programação, burocráticas obtenção de vistos e reservas em hotéis. Ainda assim, seguimos nossos desejos: viajaremos ao  Usbequistão e Quirguistão até Istambul para conhecermos os trechos da mais fascinante e importante rota comercial já empreendida pela humanidade, e que ainda hoje atrai e fascina viajantes, constitui-se um dos roteiros mais fantásticos do mundo. E há muitos outros motivos para enfrentarmos os obstáculos desta viagem.

  

                  BASTOU lançarmos um olhar sobre o mapa para vermos que os países ao longo da rota, que na época nem existiam, mais parecem espaços vazios. Para os não familiarizados, nomes de cidades como Bukhara e Samarcanda parecem de fantasias. Ou de contos. Ler sobre estes lugares tem transbordado nossas mentes de magias, acelerado nossa imaginação, aprofundado nosso desejo. Tapetes voadores e gênios da lâmpada ainda permanecem românticas estórias fantásticas, mas é possível encontrar uma exótica variedade de etinias e tradições, viver parte de uma história que ainda não se perdeu no tempo, presenciar uma cultura islâmica russa e viver as curiosidades da rica história da Ásia Central, passar por um dos mais belos pedaços do planeta, viver lugares entre a pura natureza, fazer caminhadas por lagos e montanhas incríveis e fazer um mini-trekking voltando diariamente para o nosso hotel no Lago Issuk Kul, que propicia uma vivência de montanha inigualável mas sem exigir grande esforço físico, todavia um dos objetos de desejo de qualquer aventureiro.

  

Todos os direitos reservados a Fire_eyed 

http://www.flickr.com/photos/fire_eyed/2762726427/sizes/m/in/photostream/

                  A desintegração da União Soviética foi mais um capítulo na longa história da Rota da Seda. Nele as antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central - Casaquistão, Usbequistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão - tornaram-se independentes e passaram a figurar no mapa como fronteiras abertas ao mundo, as quais hoje são possível visitarem-se livremente. O riquíssimo passado cultural e o que sobrou dos grandes monumentos dos séculos em que a Rota se manteve ativa onde cidades como Samarcanda e Bucara, no Usbequistão, por si já valem toda a viagem, quer pelo patrimônio arquitetônico islâmico de tirar o fôlego, quer por sua cultura e sua gente.

 

Povo do Uzbequistão 

Todos os direitos reservados a Winfried Scherle e maligoj

http://www.flickr.com/photos/scherle_winfried/ e http://www.flickr.com/photos/maligoj/

                  Exploraremos uma região recém aberta ao turismo ocidental, viajaremos pelos mesmos caminhos trilhados pelas caravanas da seda, Marco Polo, Alexandre O Grande e por Gengis Khan. Conheceremos uma geografia exótica que vai de grandes lagos a grandes desertos e de algumas das maiores montanhas do planeta. Viveremos uma diversidade étnico-cultural tão própria que só a Ásia Central pode oferecer.

 

Todos os direitos reservados a Wanbro 

 http://www.flickr.com/photos/43052206@N00/36084400/ 

                 Tashkent, Khiva, Bukhara e Samarkand (Uzbequistão), Bishkek, Karakol, Lago Issuk Kul e um mini-trekking na cordilheira Tien Shan (Quirguistão) e Almathy (Cazaquistão), aqui vamos nós! (*4)

  

  Tim! Tim!

________________________

(*) Mucho Viaje, Lonely Planet, Rotas & Destinos, Volta ao Mundo e Viajes NatGeo.

(*1) No século XIII, Veneza era a cidade das especiarias, sedas e pedras preciosas transportadas do Oriente por caravanas. Os Polo eram uma família de mercadores venezianos, com sucursais em Constantinopla e na Crimeia. Os irmãos Maffeo e Nicolo Polo possuíam mesmo a sua própria frota de galeras mercantes e também tinham interesses no comércio com a Rússia, o Mar Negro, a Tartária, e nas caravanas que percorriam os desertos da Mesopotâmia. Em 1253, Nicolo casa-se com uma nobre veneziana, e seis meses mais tarde parte com o irmão numa expedição comercial, internando-se na Tartária com uma caravana de ricas mercadorias. Quando conseguem regressar, em 1269, Nicolo encontra um filho de 15 anos, Marco, e descobre que a esposa já tinha morrido. Claro que a próxima expedição, dois anos depois, inclui Marco no rol da caravana. Os Polo tinham estabelecido excelentes relações com o Kublai Khan, que até os tinha nomeado seus embaixadores junto do Papa. Depois de anos de viagem evitando guerras e locais hostis, conseguem finalmente chegar à corte e Marco aparece encarregado de várias missões pelo Khan; era muito comum os mongóis contratarem estrangeiros para supervisionarem os funcionários chineses, e o jovem veneziano conhecia “várias línguas e quatro escritas e letras”, talvez o persa, o mongol, provavelmente também o turco e o árabe, as mais úteis para as actividades político-comerciais na Ásia. Nas boas graças do Khan, chega a ser governador de Yangzhu durante três anos. Apesar de o Khan não os querer deixar partir, os três aventureiros conseguem aproveitar uma das missões – entregar uma noiva a um súbdito do imperador mongol –, para regressar a casa. Marco, Nicolo e Maffeo chegam a Veneza em 1295, 24 anos depois da partida, quando a família já os tinha dado como mortos e feito as partilhas. Foi preciso um grande banquete com familiares e amigos e uma excelente performance teatral, com Marco a distribuir presentes e a tirar da bainha da roupa pérolas e pedras preciosas orientais, para que, enfim, todos acreditassem que eles tinham voltado vivos. Em 1296, os Polo fretaram uma galera de guerra para ajudar Veneza numa guerra contra Génova. Marco, que a comandava, foi feito prisioneiro e encerrado numa cela com um cavaleiro e homem de letras, Rusticelo. É este que escreve o seu “Livro das Maravilhas”, a “Descrição do Mundo” ditada por Marco onde finalmente nos dá a conhecer parte das suas aventuras de 24 anos. Curiosamente, como aponta Jacques Heers, nada nos diz da sua actividade de mercador, não fala de negócios ou de qualquer acção comercial. Libertado em 1299, é recebido com pompa e honrarias em Veneza. Casa-se tardiamente, tem três filhas e morre aos 70 anos de idade, em 1324. (FONTE: Revista “Rotas & Destinos”)

(*2) Países da Rota da Seda: China, Quirguistão, Casaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Irã, Azerbaijão e Geórgia.

(*3) Rota da Seda: no final do século XIX o geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen batizou com o nome "Rota da Seda" a rede de comunicações que ligava a China ao Ocidente. A expressão consagrou-se, abrangendo toda a história das trocas entre o Extremo Oriente e a Europa a partir do século I a. C. A história registra vários testemunhos de viajantes da era medieval, todavia nenhum com tamanha notoriedade como o do mercador Marco Polo em “A descrição do mundo”, também conhecido como “O livro das maravilhas”.

(*4) Viajaremos de Turkish Airlines e faremos um roteiro personalizado e individual, elaborado pela Highland Adventures

 _______________________

Disclaimer

Todos os produtos e serviços aqui citados não têm o conhecimento dos mesmos e não são recompensados de qualquer forma, anterior ou posteriormente à sua publicação. Nossas viagens são escolhas pessoais, pagas com recursos próprios e aos preços de mercado. Cada link citado, cada produto mencionado, cada recomendação dada é feita com a suposição de que o leitor saiba identificar os objetivos do blog, pressupondo o autor que o leitor as verificará com o fabricante, o fornecedor ou o prestador do serviço em questão. O autor deste blog valoriza e preserva a honestidade no relacionamento com o leitor, razão porque renuncia, desaprova e repudia qualquer menção ou associação que comprometa esta integridade, confiabilidade e honestidade de suas opiniões.

Quarta-feira
Ago012012

ISTAMBUL, a nossa cidade 

 

 A Ponte de Galata e a Mesquita Rüstem Pasha vistas do mirante da Torre de Galata      

                     Escandalosamente belo, o céu de Istambul anunciava o fim de um dia glorioso. Não um dia qualquer, mas aquele que vivíamos juntos, pela primeira vez, a "nossa" cidade. As nuvens estavam em alvoroço, as estrelas cravejavam o céu ainda tímidas, e os tons de rosa tingiam toda a paisagem. Do alto da Torre de Galata assistíamos a tudo, vivíamos aqueles nossos momentos absolutamente especiais, evocando em silência nossas melhores lembranças: o dia em que nos conhecemos, nosso primeiro encontro, nossa paixão por aquela cidade, nosso amor imenso, nossa união. Vivíamos ali as mais incríveis e insondáveis sensações. De amor, de paz, de serenidade e felicidade. Só mesmo Istambul consegue nos proporcionar aquilo e com tal virtude.

                    As silhuetas agudas dos minaretes de Sultanahmet pareciam lápis apontando o céu. Era Outono, vivíamos quase perplexos aquele belíssimo momento em que a teimosia do dia enfrenta a força da noite e torna tudo tão absolutamente lindo. Hoje, três anos depois, a dez dias de oficializarmos nossa união em Casamento Civil, presto essa homenagem à minha doce Emília.

 

 A Ponte de Galata

                    Jamais a essência de Istambul e todo o esplendor no império otomano revelaram-se em tal sintonia conosco. Em nenhum outro momento cativou-nos com tal perfeição, entregando a nós tão belas e maravilhosas sensações. Além do exotismo óbvio e da beleza exagerada que víamos do alto da Torre de Galata, tudo estava em perfeita sincronia: nós, a natureza, a monumentalidade de Istambul.

                   Celebramos a felicidade de nosso encontro com olhares que revelavam mais do que palavras, festejávamos "nossa" cidade. Istambul mais uma vez nos arrebatava. Para nós, sofrer de amor por Istambul é um ato contínuo, mas viver a cidade ao lado de um grande amor é um privilégio incomparável, nosso encontro um dOs acasos da vida e um grande amor. 

 

 A luz morria acentuando as silhuetas elegantes e agudas dos minaretes de Sultanahmet...    

                    As cúpulas e as torres da Mesquita Azul e da Ayasofia tornavam-se negras, vistas dali do outro lado do Corno de Ouro chocavam em igual proporção à sua inigualável beleza. Olhar Istambul do mirante da Torre de Galata é uma deliciosa vertigem emocional. 

                   Em silêncio, e extasiados, alternávamos olhares entre a cidade e nós mesmos.  Em silêncio, sorríamos discretamente, nos admirávamos óbviamente, nos amávamos explícitamente, mesmo ali, ao lado de tanta gente expremendo-se na balaustrada do mirante da torre. Provavelmente éramos os que contemplavam aquela paisagem com a maior exaltação, com emoção e reconhecimento. Só nós sabiamos o significado de estar juntos ali e naquele momento.

                     A natureza nos tocava, parecia retribuir os sentimentos, celebrava conosco a ocasião. A exuberância de seu mais belo momento - o Pôr do Sol - unia-se à arquitetura de uma cidade misteriosa e encantadora, e mais uma vez arrebatava nossos corações. Ambas, natureza e arquitetura, com inegável competência, mancomunadas, conspiravam na tentativa de nos roubar lágrimas mal contidas.  Ali no mirante da Torre de Galata, estávamos certos de que o mundo conspirara a nosso favor. 

___________________________________________________________________

As muitas razões para amar Istambul

                        VISTO assim, do alto, o bairro de Sultanahmet é mais que um convite, é um chamado encantado para seguirmos os passos daqueles que fizeram a cidade durante séculos.  Cada qual com sua grandeza, todos com igual riqueza, os mesmos passos de homens e mulheres da era de Bizâncio, de Nova Roma e da otomana Constantinopla. Por centenas de anos, diferentes poderes deixaram registrados em letras, pedras, madeira, tijolos, ferro, cerâmica, histórias, lendas, pinturas e esculturas um fabuloso, imponente patrimônio. E ainda que Istambul demonstre sua moderninade do outro lado do Estreito de Bósforo, seus arranha-céus e um certo caos, é inigualável observá-los entre telhados das construções antigas.

    Seguimos os passos daqueles que fizeram a cidade durante séculos...

  

...e deixaram registrados em letras, pedras, madeira, tijolos, ferro, cerâmica. 

                    Palácios, igrejas, mesquitas e monumentos formam um fabuloso, memorável conjunto, um impressionante acervo da humanidade.  Seguimos os passos daqueles que fizeram da excitante, rica, misteriosa Istambul, um monumento de tocante beleza, instigante conteúdo e marcante memória. 

                       Suas obras são um legado, estão por toda parte. Não é preciso esforço para encontrá-las. Os exemplos magníficos do esplendôr arquitetônico otomano de autoria do arquiteto Koca Mimar Sinan Ağa - nome em turco otomano do popularmente conhecido Mimar Sinan, em turco moderno - projetista do Império otomano durante os reinados dos sultões Selim I, Suleiman I, Selim II e Murad III. Sua obra mais relevante é a Mesquita de Selimiye, em Edirne. Todavia é a Mesquita de Suleiman a mais famosa. Em Istambul, Sinan significa exuberância, talento, grandiosidade e imponência em arquitetura otomana. Nenhum outro nome teve a projeção de Sinam. Seus trabalhos povoam a cidade e contam a história de 50 anos de atividades ininterruptas durante os reinados dos quatro sultões otomanos. São mesquitas, hammans, e medersas rojetadas por ele para a Capital mais imponente e importante do mundo no século 16. Qualquer um pode seguir os passos de Sinan e encontrar suas obras fabulosas, cujo conjunto é um legado espetacular de importância mundial. Segundo escritor turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel em literatura, as mesquitas desenhadas por Sinan são um perfeito elo de ligação da arquitetura com o sagrado, a mais que perfeita união da monumentalidade arquitetônica a serviço da proclamação do império otomano, cujos espaços interiores das mesquitas foram desenhados com maestria para conectar diretamente a fé dos fiéis com Deus. Centenas de seus projetos ainda existem espalhados pela cidade, alguns em ruínas, outros em estado apreciável e uns poucos ainda imponente restaurados com fidelidade aos seus desenhos originais. 

                         Istambul tem corpo, alma e personalidade.  O corpo fica às duas margens do Bósforo, metade na Europa, outra na Ásia. O coração em Sultanahmet, os olhos na Torre de Galata e a mente nos Derviches ou talvez num Hamam - o revigorante, curioso banho turco.  Istambul é assim, tem corpo e alma. É toda encontro - a cada canto - de cultura e de genteSurpreendente em cada inesperada esquina, em cada minarete e nas cúpulas da grande igreja - depois mesquita e museu - Hagia Sophia -, ou Santa Sofia; no otomano, enorme Palácio Topkap; no Grand Bazaarnos lindíssimos azulejos Iznik;  nos fascinantes e  intrincados desenhos florais da Mesquita Rüstem Pasha, nos poucos passos que a separam do Bazar Egípcio; no movimentado e moderno lado da cidade e seus cafés, butiques e galerias das ora largas, ora labirínticas estreitas ruas dos Bairros Taksim e Beyoglu; nos hotéis design; nos bares descolados e em todas as suas tribos. 

                        De um lado a Ásia, do outro, a Europa.  O que separa os dois continentes não é a grandiosidade de um oceano, mas um estreito - o de Bósforo - e um braço ainda mais estreito dele, o Corno de OuroO que os une são algumas pontes, como a de Galata, que se vai por cima e se volta por baixo. O canal liga o Mar Negro ao Mar de Mármara. De um lado a islâmica herança olha para o outro, o da Europa cristã.  E todo o patrimônio que nos encanta está nas ruas, nos sons da cidade, na boca do povo, no sabor da comida, no cheiro das especiarias, na fumaça dos narguilés, nos doces das vitrines, nas cores dos killins e nas sedas que de tão finas, tão finas, só podem ser tecidas por dedos de meninas. E ainda que bem próxima da Europa e ocidentalize-se, sua essência muçulmana permanece.

                       Os empolgantes monumentos do bairro Sultanahmet - memórias bizantinas e otomanas, heranças islâmicas - e mais a Ponte de Galata, o moderno e o chique, o estreito navegável, o bairro de Beyoglu e Taksim, com seus à primeira vista improváveis prédios em estilo eclético, art-decô, art-nouveaus e neo-clássico que abrigam cafés, butiques e restaurantes, o Grand Bazaar, o Bazar de Especiarias, os bondes, as águas que correm lentas no Estreito de Bósforo e no Corno de Ouro, a praça monumental de Sultanahmet, as lendas do harém do Palácio Topkapi e a modernidade do Bairro de Taksin tudo faz de Istambul uma cidade que não se pode perder, um destino imprescindível para qualquer viajante com muito o que ver e sentir. 

                        Exotismo e modernidade para gostos exigentes, corações apaixonados e mentes com brilho. Istambul é assim, excitante para a mente e o coração, por isso mesmo um destino a ser compartilhado com quem se ama. Istambul é uma das cidades para onde gosto de retornar, onde visitar resulta grandes prazeres.

    

                   Para além de conhecer novas e rever conhecidas atrações, ela também satisfaz naquilo que mais gosto em viagens: hospedar-me e comer bem. Visitar Istambul acompanhado de um grande amor que também ama esta cidade, hospedados num hotel com classe e serviço impecáveis e mundialmente reconhecidos - o Fours Seasons at the Bosphorus -, explorar o que ela tem de melhor em comida e compras é multiplicar por mil os já excepcionais prazeres que Istambul nos proporciona. Istambul alimenta mentes, corações e estômagos nas mesmas proporções. 

 The Four Seasons at the Bosphorus

    

                         muitas razões que tornam Istambul uma importante metrópole mundial. Uma das mais curiosas é sua situação geográfica: única cidade do mundo situada em dois continentes ao memso tempo: o lado europeu - uma península histórica ao sul do Corno de Ouro, na Cidade de Galata ao norte -, noutro a Cidade Nova, do lado asiático. No lado europeu ficam os negócios, o comércio e boa parte das atrações turísticas. O lado asiático é residencial, moderno. Istambul se estende pelos dois lados do Bósforo, um estreito que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro e que ao mesmo tempo separa os lados europeu e asiático.

                         Istambul é uma cidade que não precisa de clichês, entretanto sua imponência natural atraiu a criação de muitos deles. Alguns são pouco criativos, outros justas homenagens. São adjetivos e slogans como "Cidade dos Sete Montes", "Rainha das Cidades", "Cidade de Constantino", "Porta para a Felicidade" (Dersaadet, originalmente Der-i Saadet), “Ponte entre a Ásia e a Europa”, “Lugar onde o Oriente encontra o Ocidente”, enfim, seja com que apelido for, Istambul é o melhor resumo do que são o país, seu povo e sua cultura. Tão histórica quanto romântica, Istambul atrai pela riqueza de uma das mais poderosas cidades do planeta. Constantinopla, chamam-na os historiadores; “Cidade Romântica”, apelidam-na os agentes de viagens, não sem motivos.  A cidade inspira corações e mentes, sobretudo as apaixonadas. Mas mesmo um coração solitário não fica indiferente ao assistir a um por do sol fascinante, sobretudo ao contemplá-lo entre as imponentes belezas das duas majestosas mesquitas da Praça de Sultanahmet. As luzes que se vão trazem outras que se projetam sobre a fachada da Mesquita Azul, numa performance enternecedora. Até mesmo nas fachadas de madeira das mansões ao longo do Bósforo encontrará romantismo um expectador atento. Situada numa espécie de periferia do Oriente, esquina com a também periferia da Europa, Istambul tem no Bósforo, no Chifre de Ouro, na Ponte Gálata, na Hagia Sofia e seus minaretes, na Mesquita Azul, nos seus bazares e em toda Sultanahmet, no cruzeiro do Bósforo e suas inúmeras estações, nas  yalis de madeira impecáveis ou do que sobrou de algumas delas, algumas de suas principais atrações.

                         Mas não pense que a cidade é apenas um belíssimo sítio histórico com monumentos imponentes construídos pelo homem. Saia de Sultanahmet - o bairro onde fica a maior parte deles, também o mais histórico e antigo de Istambul - e vá a Beyoglu para conhecer uma Istambul européia, moderna, cosmopolita e internacional, aquelas com características que se encontram em qualquer cidade do Velho Mundo, hoje plano e globalizado.

   

                    O bairro Beyoglu - em solo europeu -, “olha” para uma Ásia que está logo ali do outro lado, bem à vista, que é para não nos esquecermos de que o país e sua maior cidade ocupam os dois continentes, a maior e mais peculiar curiosidade de Istambul.  No moderno Beyoglu os prédios do Século 19 e a Avenida İstiklal (İstiklal Caddesi, ou  Independence Avenue) - a mais popular rua de pedestres - dão o tom,  as cores e a essência do lugar.

  

                   Boutiques, restaurantes, cafés, patisserias, livrarias, cinemas, escritórios e consulados. E gente, numa rua de pedestres que começa na estátua de Ataturk - na Praça Taksim - o marco zero da parte moderna de Istambul. Por ela passam nostálgicos bondes antigos e barulhentos sobre trilhos assentados no centro da avenida. São apenas 3 quilômetros ladeados por elegantes construções neoclássicas e ecléticas. Por ela caminham adolescentes, idosos, turistas. 

 

                         Perder-se nas ruas de Istambul deve fazer parte de uma jornada pela cidade. Impossível não se perder ao explorar as riquezas do império bizantino: passear de ferry pelo Bósforo, comprar tapetes e sedas no Grand Bazaar (Kapali Carsi), cruzar por cima e voltar por baixo da Ponte de Galata,  subir ao mirante da torre do mesmo nome, andar de bonde, viver a moderna Turquia, visitar palácios sultanescos, contemplar longamente as cúpulas da Mesquita Azul e da Santa Sofia, rodar com os derviches, dançar com os ventres, banhar-se turcamente num hamman, carregar pra casa um tapete turco, trazer um amuleto - o olho de vidro azul -, regatear numa loja dos bazares, percorrer os haréns do Topkapi, comer e ter uma bela vista panorâmica no hype 360o (*) e provar da cozinha otomana autêntica. 

 Não a destruam, transformem-na numa mesquita.”

Mehmet II, o Sultão, assim que conquistou Constantinopla, diante da Santa Sofia.

                 As melhores épocas para visitar Istambul são na a primavera e no outono, de abril a maio e de setembro a outubro. É quando o clima torna-se perfeito, equilibrado, sem o calor exagerado de julho e agosto ou o frio polar e do inverno.

                 Esta é uma homenagem à nossa cidade e à minha doce Emília, agora esposa, amiga, companheira e amor da minha vida.

________________________ 

Nota *1: “Poucas coisas são tão interessantes quanto “as voltas que o mundo dá”. Numa delas, sem saber que o fazia, minhas matérias sobre Istambul publicadas no Fatos & Fotos de Viagens em Setembro de 2007 influenciaram a tantos leitores, despertaram tantos desejos. Na caixa de comentários do primeiro capítulo daquela série havia um em especial no qual notava-se que uma semente fora plantada, a do desejo inesperado, súbito, de conhecer a cidade. Anos depois tive o privilégio e a honra de rever esta espetacular cidade ao lado justamente daquela leitora que as circunstâncias levaram ao meu blog e mais tarde o acaso a colocou em minha vida. Fabuloso acaso que tornou-se no maior dos maiores privilégios que a vida já me proporcionou. Aquela fora uma viagem excepcional com que mais tarde tornou-se minha doce, encantadora mulher, com quem espero que a vida me dê a sorte de que seja minha eterna companheira.”

Nota *2: A Torre de Galata é um dos mais proeminentes e visíveis marcos da cidade, onde quer que se esteja. No alto de uma colina a 35 metros do nível do mar, ela mesma tem 67 metros de altura, o que de seu topo proporciona uma vista de 360 graus. Seu mirante fica a 51,65 m de altura e está aberto de 9:00 às 18:00 horas. Sobe-se por um elevador e depois por dois lances de escada. Situada em Beyoglu, o antigo bairro Pera, fica do lado europeu Há um restaurante onde se pode almoçar e jantar. À noite há uma programação tradicional, chamada “Turkish Night”. A torre foi construída em estilo italiano genovês em 1.348, e na época era a construção mais alta da cidade, condição que manteve até o século 20. Seu primeiro nome foi “Christea Turris” e era parte das obras da colônia genovesa em Constantinopla. A torre atual difere da original bizantina, chamada “Megalos Pyrgos”, que controlava o extremo norte do mar para a entrada do Corno de Ouro, que ficava noutro lugar e fora destruída durante a Quarta Cruzada, em 1204.

Quinta-feira
Jul192012

Malta - Três ilhas e muitos tesouros 

 

 Verdadeira estrela turística do Velho Mundo, Malta ainda é quase um segredo

                      NÃO há nada que me empolgue mais como viajante do que presenciar brasileiros vivendo seu “Século das Viagens”. Me agrada muito vê-los viajando como nunca, em grupos, sós, a dois, em excursões ou por conta própria, de navio, trem ou avião, enfim, a seu jeito e segundo suas possibilidades. Percebo cada vez mais sua presença e isso me alegra muito. Nesta viagem à Sicília e Roma - com uma esticada a  Malta - , encontrei tantos brasileiros em Roma quanto só havia presenciado em Orlando, Miami ou Nova York. Que máximo! 

 

Curiosa, incomum, bonita, quente, calorosa, simpática, exóticoa, segura, atraente, confortável...

                   TODAVIA, mesmo sendo a hora dos brasileiros viajarem, ainda há muitos lugares no mundo aparentemente muito distantes, remotos e exóticos para eles. É compreensível. Afinal, há muito pouco estamos exercendo nosso legítimo, saudável direito de viajar em massa. Espero viver a época em que seremos um povo de grandes viajantes, notadamente como os europeus, mais especialmente como os franceses. Entretanto, ainda há destinos tão próximos e com tamanho potencial turístico, tão inesperadamente atraentes, que me surpreendo ainda não atraí-los.

 

  Monocromatismo brilhante, arquitetura curiosa... 

                   MALTA é um deles. Uma verdadeira estrela turística do Velho Mundo, no entanto uma quase desconhecida dos brasileiros no Mediterrâneo, mesmo estando tão perto de Roma. Nesta curta matéria do Fatos & Fotos de Viagens espero que os leitores percebam os motivos que sobram para visitarem Malta, um lugar a pensar, tão precioso para uma escapada quanto para umas férias prolongadas.

  

  Valletta, Vitoriosa, Conspicua e Senglea

_________________________________

MALTA, quase um segredo. 

                        PARECE um casulo. Tão bem guardado que mesmo seu enorme potencial turístico ainda não atraiu os brasileiros. E não pense que os tesouros deste país-arquipélago ficam apenas no mar, incrivelmente cristalino, azul e quente. O mar serve primeiro para quebrar a aparente austeridade da ilha, revelada em suas fachadas monocromáticas e imponentes, quase intimidadoras. Monocromatismo brilhante, todavia. Ainda que aparentemente áspero. Só depois o mar se revela uma atração a explorar.

 

Valletta

                        E as atrações vão mesmo muito além, excedem-se nas influências externas que moldaram sua incrível personalidade, no seu caráter tão único, na sua face tão extraordinária e curiosa, no resultado de séculos de influências e intervenções de variadas raças e culturas, como a grega, a semita, latina e árabe a moldarem povo e cultura. Tudo temperado com uma pitada anglo-saxã.

As Três Cidades, vistas do mirante do Upper Barakka Gardens, Valletta

                       Essa rica diversidade revela-se já no tipo físico maltês, de cujo sangue árabe e siciliano o povo herdou o jeito ardente de conversar e gesticular, e do britânico uma calma e discilina notáveis, sobretudo no trânsito. O idioma aparenta ser 85% arábico, mas nem seria preciso mencioná-lo para caracterizar sua personalidade tão exótica e exemplar. De origem púnica, o idioma é uma fusão de dialetos árabes tunisianos com o inglês e o italiano, provavelmente incorporando algo de todos os idiomas que já se falaram por ali.

 

Valletta e o onipresente Mar Mediterrâneo 

                        Em poucos lugares do mundo há tanta concentração atrações históricas e culturais tão significativas num espeço tão pequeno. Este parece ser o maior benefício de Malta: o turismo é sua única saída e não seria exagero afirmar, sua fonte de renda indispensável á sobrevivência. Malta é toda uma surpresa só: geografia diferente, relevo diferente, beleza diferente, povo, cultura e tudo mais incrivelmente próprios e sem paralelos. Além de tudo é descontraída, é quente, calorosa, cheia de história e atrações. Tudo isso tão “encostado” na Sicília e a meio caminho do Oriente Médio que, volto a dizer, não pude deixar de me surpreender não ter encontrado sequer uma alma brasileira, só raríssimas referências a eles. Malta, portanto, ainda é um destino quase obscuro para nós.

 

Comino, entre Malta e Gozo (ao fundo) 

                        A cor do mar é comum ao Mediterrâneo. Belíssima, quero dizer. Varia entre o azul-turquesa e o verde-esmeralda, mas sua melhor propriedade é acompanhar o visitante por quase todo o tempo, onde quer que passe. O ar, a claridade, o clima, a luminosidade e especialmente seus contrastes com os tons das construções são muito particulares. O conjunto é sempre um espetáculo. Por tudo isso e muito mais Malta é um destino extremamente recomendável para brasileiros. Curioso, incomum, bonito, quente, caloroso, simpático, exótico, seguro, atraente, confortável, enfim, sobram adjetivos para classificá-lo.

   A cor do mar e a transparência comuns ao Mediterrâneo

                        Para começar a exploração turística de Malta, a capital - Valletta - parece óbvia. E tem mesmo a maior concentração de atrações que começam já nas portas da cidade, onde se chega à Republic Street, a principal, que conduz a ruas laterais e caminhos para diversos monumentos históricos.  As influências estão em tudo, do comportamento à cultura, da arquitetura à culinária.

  

                        Por toda a ilha, uma farta exibição de seus  efeitos, seja nas fachadas das igrejas e palácios medievais e barrocos, seja nas principais cidades antigas ou nas pequenas vilas do interior. Mas é na St John’s Co-Cathedral, em Valletta, uma das igrejas mais incríveis do mundo, que o período dos Cavaleiros de Malta mostra-se em melhor plenitude. Poder e glória a serviço da religião, cujo legado histórico é impressionante.

Mdina, misteriosa, encantadora 

Uma incrível, exclusiva identidade

                        A cada nova esquina, a cada nova paisagem me surpreendia com as associações que minha memória visual fazia de Malta com e outros destinos. Com freqüência eu relacionava o que via com a Espanha moura, com Alexandria, com a Índia, com Damasco ou Amã, com o Marrocos, com uma Vila italiana, uma cidade medieval na Provence, com Verona de Romeu e Julieta e suas sacadas, todavia com muita personalidade, uma incrível e exclusiva identidade. Malta é fotográfica, fotogênica, um parque de diversões para amantes da fotografia de arquitetura, detalhes e paisagens.

  

                       Em Mdina - a capital original de Malta - a 20 minutos de carro de Valletta, é possível sentirem-se os ares vindos do norte africano: ainda que remonte à época romana, foram os árabes que a influenciaram, e não é difícil imaginar-se numa medina de Marrakech ao percorrer suas estreitas ruas. Como tudo em Malta, há muitas evidências culturais vizinhas, nas casas de inspiração espanhola andaluza, nos palácios italianos, no fosso seco e nas ruas estreitas ladeadas por edifícios de arenito, tudo o que torna uma visita a Malta, especialmente a Mdina, um retorno no tempo.

 

 St John’s Co-Cathedral, em Valletta, uma das igrejas mais incríveis do mundo

  

                        São os ventos Scirocco que marcam o quentíssimo Verão de Malta, ainda que os Cavaleiros Templários estejam por toda parte, registrados na face arquitetônica mais evidente do país, as fortalezas, auberges, muralhas e bastiões de personalíssimo desenho. O conjunto resulta numa incrível e complexa cultura, uma lingua incomprensível, costumes únicos e uma antiquíssima história de sucessivas ocupações que vão à pré-História, tudo felizmente aparentemente intacto e bem preservado. Não bastasse tanto patrimônio cultural e arquitetônico, tantas e tão distintas influências, Malta está cercado pelo fabuloso Mar Mediterrâneo, de impressionante transparência e tonalidade.

 

Olhando Malta desde Valletta  

                        É especialmente por suas enormes riquezas históricas que Malta deve ser visitada, por tudo o que molda o caráter marinho e peculiar deste país-arquipélado formado por Malta, Gozo e Comino, além das minúsculas Cominotto e Filfla. Malta é surpreendente. É atraente, cativante. Comparável em exotismo a muitos destinos norte-africanos ou asiáticos, definitivamente não há outro lugar como Malta, ainda que um olhar experiente encontre muitas similaridades com outros destinos.

 Valletta, como toda a ilha, um paraíso fotográfico arquitetônico

  

                        Em Malta tudo é feito na pedra calcárea de monocromático ocre. Construída em torno de uma geografia intricada e recortada, de uma desconcertante profusão de enseadas, a Ordem de São João, no século XVI levantou imponentes fortificações e bastiões de pedra calcária. A monumentalidade impressiona esplêndidamente. Ainda mais ao entardecer, quando a ‘luz perfeita” dos fotógrafos acentua toda a beleza, quando o Sol encontra seu ponto ideal para refletir a própria cor. O ocre calcáreo e monocromático é um espelho perfeito nas imponentes fachadas e muralhas grandiosas das cidades de Valletta, Vitoriosa, Conspicua e Senglea.

  

 Senglea, uma das Três Cidades

                        Estas encantadoras cidades velhas tem ladeiras e ruas estreitas, uma estética e vida tão peculiares quanto exóticas, o que torna passear por elas um dos maiores prazeres. O Mar não nos deixa, é um fato. Mas é o antigo que nos acompanha todo o tempo, que reforça o forte senso histórico que nos segue os passos. O que aconteceu há séculos está presente em cada pedra, em cada esquina, em cada rua estreita, em cada muxarabi. Tudo parece esconder os muitos eventos de bravura e conquistas, onde abriga-se um vasto conjunto de história que nem mesmo um maltês parece conhecê-la.

   

 Mdina 

                       Viajar a Malta em Julho pode ser um pouco desconfortável. O Verão maltês de 40 graus, 15% de humidade relativa do ar e pouca sombra nos acompanha todo o tempo, mas não há dúvida ao fim do dia esticado na piscina de algum hotel, que o Verão é a melhor estação do ano para se visitar a ilha. Ou, então, nos desperta um forte desejo de embarcarmos num dos veleiros, iates, lanchas ou mesmo nas simples e simpáticas embarcações de pesca. São incontáveis, dos mais variados estilos e padrões, dos mais simples aos muitos privilegiados iates de 85 pés. Como o Sol, elas são onipresentes, avistam-se sempre que estamos diante do mar, o que afortunadamente ocorre tantas vezes que num mesmo dia. 

 

 Upper Barrakka Gardens, em Valletta

  

                        De qualquer viagem volta-se enriquecido, mais completo no conteúdo histórico, no conhecimento humano, cultural e social. Não poderia ser diferente com Malta. Todavia, ela nos proporciona um adicional: a vantagem de termos passado uns dias sobre um enorme abrigo histórico, sob o especialíssimo clima mediterrâneo, presenciando 7200 anos de história, ainda que tão escassos sejam os quilômetros quadrados de território. Continuamente habitada desde 5200 a.C., no período Neolítico, tempos depois da civilização pré-histórica os fenícios a batizaram de Malat, ou “refúgio seguro”. Sua história pode ser resumida em três períodos importantes: o da ocupação árabe, entre os anos 870 e 1090; o da chegada da Ordem dos Cavaleiros de São João (mais tarde, Cavaleiros de Malta), em 1530 até 1798; o do período britânico, desde 1801 até 1964, quando Malta tornou-se independente. Todas essas civilizações impunham suas influências, a tal ponto que ao fim das diferentes e sucessivas ocupações Malta tornou-se um país incomparável na geografia, na cultura, na arquitetura e na comida.

 

A Baía de Vitoriosa e Senglea, com Valletta ao fundo 

___________________________________

Conhecendo Malta

                        É Julho em Malta, as temperaturas situam-se entre os 38 e os 21 graus. Chuva? Zero! Chegamos a pegar temperatura de 46 graus e humidade relativa de 14%. Valletta é a Capital de Malta, ainda que a maior cidade seja Birkirkara. Seu nome honra o grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros de Malta, Jean Parisot de la Vallette. Geograficamente, a cidade é uma península. Fortificada, extende-se em cada lado até os portos de Marsamxett e Grand Harbour.

                        Uma das mais particulares características é que Valleta fica elevada, e por isso há numerosos mirantes de onde se apreciam diferentes e belas vistas panorâmicas da ilha. Dentre tantos, destaco as Upper Baraka Gardens, do outro lado da baía, um jardim público de onde se tem uma visão privilegiada do Grand Harbour e das cidades fortificadas de Vitoriosa, Copiscua e Senglea. Nós as visitamos, e ainda que não sejam tão turísticas, foi uma experiência inesquecível passearmos por suas ruas residenciais, experimentarmos a vida cotidiana maltesa e conhecermos alguns dos primeiros albergues dos Cavaleiros de Malta, isto é, a área mais antiga daquela época.

 

Em Malta, como aqui em Mdina, as vistas são sempre surpreendentes 

                        As vistas são surpreendentes. E belas. São para as baías que banham a península. Mas há muito mais o que ver em Valletta. Começa-se pela Estação de Ônibus, uma grande rotunda com a Triton Fountain no centro. É também o ponto de partida para quem pega o transporte para toda a ilha. Não fica própriamente em Valletta, mas fora do Portão da Cidade, isto é, antes de seus muros, em Floriana. O portão é entrada principal através dos muros que protegiam Valletta.

  

Senglea, Malta 

                       Uma boa vista do grande fosso que circunda a muralha pode ser da ponte que leva ao portão, construído em 1853 pelos britânicos e reformado em 1964. Há quiosques de informações sobre as diversas linhas de ônibus e quiosques de bebidas e comida neste ponto cental dos ônibus. Num dos pontos da praça fica o Hotel Phonenicia, extremamente icônico e decadente. Infelizmente já não há mais os antigos e curiosos ônibus de Malta, que tive o prazer de conhecer e usar em minha primeira viagem à ilha. Hoje são modernos e refrigerados, mas infelizmente sem nada que lembre o charme e a curiosidade dos antigos, uma de suas mais simpáticas e curiosas atrações turísticas. A frota de ônibus vintage, comprados dos ingleses depois da segunda guerra, foi inteiramente substituída por modelos mais modernos e eficientes, fabricados onde? Como os tempos mudam, não mais na Inglaterra, mas na China!

  

  Sem o charme dos ônibus ingleses vintage, os novos todavia são bem mais eficientes

                        Valletta, além da exótica e personalíssima arquitetura, tem na arquitetura belíssima, de formas retilíneas, de cor ocre, nos faz lembrar da outra margem do Mediterrâneo, a costa árabe da África. Construídas em calcário, a rocha abundante no arquipélago, por vezes é possivel um olhar atento notar fósseis marinhos incrustrados nelas. Vista de qualquer um dos mirantes de Valletta a paisagem revela um conjunto arquitetônico incomum, quase insólito. Há tantas cúpulas sobressaindo-se entre muralhas e edifícios baixos, sobrados e casas, que a imensa religiosidade maltesa fica definida. Dizem que há mais de 360 igrejas nos país, o que é difícil para um turista verificar. Já o fervor católico o acompanhará por toda e estada: 98% da população é católica fervorosa. 

   Vitoriosa, Conspícua e Senglea - Três Cidades - MALTA

  

                       Em Valletta caminha-se por ruas de pedestres e por vezes a uma multidão de turistas. As feições predominantes dos turistas são européias, mas as dos locais nos faziam lembrar de gregos, árabes, espanhóis e italianos. Dos dois lados avistam-se edifícios geminados, sobrados com balcões meio muçulmanos, meio espanhóis, andaluses, com janelas e portas de madeira trabalhadas, lindos muxarabis, alguns nichos para um santo protetor e roupas estendidas em varais nas janelas.

 Valletta

  

                      Aqui as principais atrações são a St. John co-Catedral, igreja da ordem dos Cavaleiros de São João, de exterior relativamente simples que contrasta com um interior barroco esplendoroso. É uma das igrejas mais bonitas do mundo. O National Museum of Archaeology, exibe elementos pré-históricos dos sítios megalíticos e de outros locais históricos. O National Museum of Fine Arts, tem uma exposição cronológica da arte maltesa desde o século 12 ao 20. O National War Museum - Fort St. Elmo. Exhibits - tem coleções do período britânico, especialmente da II Guerra Mundial. O Grand Master’s Palace, atualmente o palácio presidencial e Parlamento, merece uma visita mais pela arquitetura do que pelo conteúdo. Há também o Manoel Theatre, construído em 1731, a Casa Rocca Piccola, do Século XVII, com uma coleção de mobiliário antigo, a St. Paul’s Church e a Carmelite Church.

 Triton Fountain

                        Na Palace Square (ou St. George Square (Misrah San Gorg) já não fica mais o ponto das Karozzin, tradicionais carruagens maltesas para passeios por Valletta. Agora elas extendem-se por vários pontos da cidade. Toda Malta é antiguidade mas o novo se revela nas muitas gruas que demonstram a rápida construção de edifícios modernos. Também os cafés e bares de Valletta e os restaurantes e casas noturnas de St. Julian não deixam esquecer que estamos a um pulo da Europa e de suas influências.

 

 Valletta

                       Há muita história marítima em Malta. Nada que surpreenda, afinal trata-se de um pequeno país-arquipélago mediterrâneo. Mas as influências do mar estão em tudo, da comida ao jeito de viver. O mais tradicional e perceptível todavia, são os luzzu, barcos de pesca multi-coloridos em tons vibrantes, onipresentes em todos os porto das três ilhas, mais especialmente em Malta. Depois de suas cores e formato, são os "Olhos de Osíris" pintados em cada lado da proa sua maior identidade. Simbolizam o Deus da fertilidade e dos mortos, que na crença maltesa sugere a proteção contra os maus espíritos e os perigos do mar.

 

Mdina, Malta 

  

_________________________________________

GOZO, COMINO e a LAGOA AZUL

 

                Nos limitamos a Gozo, segunda ilha do arquipélago. Comino não é turística, escassamente habitada: apenas meia dúzia de famílias sem carros. Tem um único hotel, ainda que de frente para uma baía paradisíaca, distante e isolado demais. É muito própria para o mergulho e para esticadas à movimentada e cheia Lagoa Azul, um espetáculo, uma experiência que não posso descrever, só recomendar.

 

                 Gozo nos decepcionou, talvez por a termos visitado no dia mais quente que experimentamos na ilha - 46 graus! - e por não a encontrarmos tão bem cuidada quanto Malta. Além disso, é excessivamente tomada por lojinhas de bugigangas turísticas, tomada de barracas de produtos chineses de quinta categoria e por excessiva decoração de bandeiras e alegorias próprias às procissões religiosas que ali rolam.

 

O Porto de GOZO, visto do ferry que liga a ilha a Malta 

                 Gozo é menor, mais serena, tranquila, verde e silenciosa do que Malta, todavia mais suja e mal cuidada, perde personalidade e em charme pela profusão de alegorias e adereços que não fariam feio em nenhuma escola de samba do primeiro grupo. Todavia, quero deixar bem claro que seria injusto, um grande desserviço transmitir ao leitor qualquer motivação para deixar de conhecer Gozo estando em Malta. Leitor, por favor, não faça isso, você não sabe o que estará perdendo!

  

                  Visitamos rapidamente a Citadela e tomamos o ótimo ferry de volta a Malta para aproveitarnos um mergulho recondicionador na piscina e no mar do hotel. Lamentamos não termos mais tempo para visitar os sítios arqueológicos pré-históricos e outras cidades de Malta.

  

                  Já o passeio de barco privado à Lagoa Azul foi provavelmente nosso melhor momento de toda a viagem à Sicília e Malta. Foi difícil resistir aos apelos do mar azul, de mergulharmos tentando tocar o fundo aparentemente alcançável. Que Mar!

                  Obrigado pela visita. Viaje bem e leve as crianças.   

Terça-feira
Jul172012

Viver é bom. Viajar também!

REFLEXÕES da vida e viagens de um viajante vivo

                       EU não sou um homem simples, mas ando com muita vontade de ser, ao menos bem mais do que tenho sido. Simplicidade é algo admirável, bacana mesmo. É como um presente que devemos dar a nós mesmos em certas fases da vida. Percebo que a vontade chega com a maturidade. Seu exercício pode trazer de volta o que perdemos no dia a dia ao complicarmos as coisas mais simples e essenciais, tais como caminhar, comer, dormir, ouvir, rir, observar e compartilhar o que vimos e sentimos.

                      TENHO percebido um verdadeiro prazer em potencializar a simplicidade, simplesmente identificando onde e como complicamos as coisas. Isso nos rejuvenesce. E tem acendido minha mente. Simplicidade pressupõe crer que separando o que é complexo em partes, encontramos os elementos simples de todas as coisas. Ou que é preciso separar as partes para entender o todo. Ou, ainda - como definem filósofos e cientistas -, que o microscópico é simples, que a falta de simplicidade pode prejudicar a compreensão plena de tudo, especialmente no plano social, comportamental, cultural. Faz parte desta perspectiva minha relação com o blog e com a Internet.

                       ME permita, exemplificar, caro leitor. Ando meio desligado. Da Internet. Na proporção e direção inversas, minha vontade de escrever só aumenta. Sei que faço um blog pra quem gosta de ler. E de ler bem mais do que os 140 caracteres do Twitter. E que não escrevo para quem gosta de ver figurinhas e ler textinhos. E adoro que me reconheçam assim. Já andei falando nisso aqui. Muitas vezes. Aliás, não tenho falado noutra coisa: que passei a régua no Twitter - o site de relacionamento mais “Ilha de Caras” de toda a Internet - o paraíso das frivolidades, superficialidades, banalidades e cafonices. No âmbito dos temas relacionados às viagens e turismo, cansei de postagens completamente inúteis tais como “estou no taxi pro aeroporto”. Muita gente boa tornou-se chatíssima ao tentar obrigar-se a produzir algo interessante em 140 caracteres. E a cada cinco minutos, pra ter seus segundos de fama no Twitter.  Ando desgostando até mesmo da vida inteligente na Internet. A dedicação excessiva à virtualidade é o mal do século. E nos torna uns chatos. Eu acordei pra isso faz tempo, mas ainda tento deixar de ser chato falando nisso. Ah, não sei se já diosse que não sigo a tendência de virar um "blog-jabá". É a moda, eu sei, mas tou fora dessa. Tem até associação de blogueiros com membro honorário que copia blog alheio!

                       DIA desses li uma matéria no Yahoo, cujo título resumia em si o que penso dos vícios da dedicação excessiva à Internet, sobretudo da hiper-exposição pessoal nas redes sociais: “Charlie Sheen usava o Twitter durante o sexo, diz ex-namorada”. Charlie Sheen era tão viciado no Twitter que postava na rede social até mesmo enquanto estava transando, revelou Bree Olson, ex-namorada do ator. A atriz pornô fez a revelação ao jornal "New York Post", um dia depois do ator ter encerrado sua conta no microblog.

                       TAMBÉM sei que não ando escrevendo aqueles posts "lindos-pra-chamar-de-seu", caro leitor. E que tampouco ando satisfazendo-o em suas expectativas. Nem lindos, nem pra chamar de seu. E para piorar as coisas (pro lado do leitor), sem uma foto sequer. Eram cerca 60 em cada matéria. Já cheguei a publicar 90 fotos numa só. Lamento muito a desfeita com os leitores que consegui. E com o nome do blog também. Reconheço que abri um campo vasto para reclamações do tipo “E aí? Agora são apenas fatos? E as fotos?”

                       BEM, leitor, são perguntas assim que têm me levado a refletir sobre o tema. Meus pensamentos sobre o assunto têm me levado a verdadeiras tormentas cerebrais, coisa típica de seres cerebrotônicos, com larga predominância das atividades intelectuais sobre as físicas, do pensamento sobre a ação. Nesta fase de aparente abandono, de textos sem fotos, ando pensando numa alternativa para manter o blog vivo, a despeito de todo meu desejo contrário. E por quê? O que me faz dedicar um derradeiro esforço para mantê-lo? Provavelmente uma homenagem à minoria que comenta.

                       NOUTRO dia uma leitora escreveu na caixa de comentários sobre minhas fotografias, “Suas fotografias são simplesmente sensacionais! Parabéns pelo blog. Se vc não tiver tempo para escrever, nunca deixe de postar as fotos de suas viagens, elas falam por si!”. Um outro leitor também escreveu, desta vez sobre os textos, “Sempre supreendendo. Gostei do texto, porque deu uma "sacodida" aqui no BLOG”. É impossível não levar em conta tamanha simpatia, gentileza e consideração.

                       A respeito da possiblilidade de encerramento do blog tenho ouvido de alguns amigos presenciais, familiares e leitores que formam o conjunto de 3 mil indivíduos que visitam o blog diariamente, que o fim do Fatos & Fotos de Viagens seria uma grande perda para o ambiente virtual relacionado às viagens. Alguns até afirmam que não tenho noção de sua verdadeira dimensão, de sua importância, do patrimônio que ele representa. Eu sei das coisas, especialmente que a gente deve considerar (e aceitar) que os fãs sempre exageram, que são extremamente parciais, e que dois terços do que dizem não é relevante, nem mesmo significativo, a não ser para o ego de quem ouve. Ainda assim, agradeço.

                       PARA que o leitor não ache que é apenas preguiça, vamos lá: preciso explicar o trabalhão que dá pra manter o Fatos & Fotos de Viagens nos moldes atuais (com capricho). Escrever jamais foi sacrifício, mesmo que eu o faça sob um rígido compromisso com a qualidade (ainda que muito distante dela para o meu gosto), e sobretudo para que o resultado seja útil, tenha conteúdo inspirador, seja cuidadoso e interessante, atraente e divertido, sobretudo que faça o leitor pensar por si, motivá-lo a conhecer um destino, inspirá-lo a comprar um bom guia de viagens e seguir seu rumo.

                       UMA idéia de todo o trabalho a que me refiro: cada foto publicada recebe ao menos cinco ou seis correções. São reparos fundamentais para que eu mesmo as classifique como “publicáveis”. São correção elementares no contraste e no brilho, a redução de tamanho para caber no blog e cortes e reenquadramentos. Também há algumas mais complexas: atenuação de sombras, correção de perspectivas e distorções harmônicas provocadas pelas lentes grande angulares. Ainda que elementares, são intervenções que não vejo nem mesmo em blogs de fotógrafos profissionais. Eu, que sou amador, jamais publicaria sem elas, para não ser mais um a contribuir para a profusão de fotos com horizontes inclinados, com prédios caindo, fachadas distorcidas e fotos super ou sub-expostas. Isso sem falar nas fotos mal enquadradas e nas composições mal feitas que nenhum fotógrafo profissional poderia permitir-se. 

                       TÁ aqui um exemplo sem e com intervenções:

 SEM intervenção:

COM intervenção:

  

 

                      VOLTANDO ao trabalho, todo ele só ocorre depois de uma seleção entre duas a três mil fotos que trago de cada viagem. Não consigo contabilizar o tempo e o trabalho que dá inserir cada uma das 60 a 90 fotos por vez, e posicioná-la corretamente no lugar escolhido no corpo do texto. Segundo o Dicionário Aulete, a isto chama-se “diagramação” (*), ou a “disposição gráfica do que fará parte de uma publicação (texto, ilustrações, legendas, etc.), tomando por base a programação visual”.

                   OUTRA idéia do trabalhão que dá isso aqui é: pode parecer pretensioso (e tem tudo para ser), mas o leitor atento já deve perceber que eu sigo regras próprias de diagramação (*). Sim, eu tenho meu próprio "Manual de Redação e Diagramação", ainda que elementaríssimo.

                    E o que isso significa? Ter roteiros para a publicação de qualquer coisa no blog. Ele vai da escolha da fonte e de suas dimensões até a escrita de palavras estrangeiras em itálico, das seis primeiras de cada parágrafo em negrito, da primeira palavra em MAIÚSCULA, da colocação de legendas em corpo menor do que o do texto, assim como das notas de roda-pé. Enfim texto e fotos obedecem a padrões pré-definidos, relativamente complexos, mas extremamente trabalhosos. E tudo o que aqui publico só ocorre depois de eu checar todas as informações obtidas em pesquisas na Internet, livros, guias ou informalmente, de confrontá-las com o que eu mesmo presenciei, equilibrando informações que qualquer um consegue na Internet com o que vi e assimilei, na tentativa de publicar um texto pessoal inspirador, evitando a todo custo opiniões pretensiosas, que não correspondam à realidade ou, ainda, que prevaleçam sobre a do leitor e sua capacidade de depreender.

                       ALGUM tempo atrás contratei uma revisora, à qual pagava algum dinheiro para corrigir os textos que publicava aqui, e só depois disso é que compreendi o quanto a gente escreve mal. "Gente", significa "eu". Todavia, jamais produzi coisas no estilo "copiar-colar" textos da Wikipédia, tampouco publiquei nada apenas para constar, para figurar, fazer número e manter o blog ativo. Tento escrever textos confiáveis e não impositivos, pessoais mas sem vaidades, que invadam a mente do leitor e o faça inspirar-se. Ainda assim, com todo esse cuidado, ainda erro.

                       RECLAMO do trabalho? Absolutamente. Não mesmo. É um prazer pessoal. Trabalho arduamente há mais de 40 anos. E sempre fui muito focado em qualidade e coisas boas, ainda que navegue na contra-mão da realidade: boa parte parece muito mais preocupada com ganhar dinheiro com blogs do que ganhar qualidade. A moda agora é querer viabilizar ganhar dinheiro com blog de viagem, ainda que seja necessário puxar o saco da indústria turística, de aviação e hoteleira. Todos os que assim pensam escrevem sobre destinos batidos e basiquinhos. E não se preocupam com inspiração, cuidados elementares, qualidade visual, personalidade. Tornam-se páginas feias, poluídas e excessivamente carregadas de alegorias e adereços propagandísticos e comerciais. Todos parecem querer ser mais uma Viagem & Turismo no mercado, ainda que muitos tivessem potencial para serem uma "Volta ao Mundo" ou uma "Rotas & Destinos".

                       PARA quem se preocupa com fazer direito, produzir fotos boas, cuidar da escrita, diagramar o texto com capricho, formatar sua estética e conteúdo, tudo isso é um verdadeiro desestímulo. Ainda assim, tenho prontinhas um monte de matérias esperando apenas a publicação, dependentes só da seleção de fotos e de subí-las ao blog. Se as irei publicar, ninguém sabe:

Nepal - A Katmandu do Século 21; Tailândia - Bangkok - Imensos e intensos prazeres; Tailândia - Chiang Mai - Uma inesquecível escapada; USA - Arches N.P. – Utah; USA - Do Capitol Reef ao Zion National Park; USA - On the road: custos, na estrada, hospedagem e dicas; USA - De Moab a Torrey, Utah. - Capitol Reef National Park; USA - Zion National Park; USA - Las Vegas - Onde o original é não ter originalidade; Rep. Tcheca - Praga. Era outono; Índia - O Taj Rambagh Palace, Jaipur; Turquia - Istambul, a nossa cidade; Ilhas Maurício: república-arquipélago, país-paraíso; Índia - Jaipur, primeiro destino no Rajastão.

                       ISSO pra não mencionar Sicília e Malta, dois destinos de onde acabamos de voltar, que dão um bocado de assunto. A Sicília, dos sabores que vão além da mesa, de sua ligação histórica com a Máfia, a "Cosa Nostra, que não compromete nem um tiquinho com sua má reputação as imensas atrações da ilha. A Máfia existe sim, mas ela e nós não estávamos nem aí um pro outro: seguimos tranquilos nosso roteiro pela Sicília passando por Palermo, cidade animada e movimentada e com muitos monumentos históricos, pela vizinha Monreale, com sua bela igreja românica na encosta do Monte Caputo e com uma bela vista para o vale de laranjais, azeitoneiras e amendoeiras, pela incrível Cefalu, a cidade medieval com vista pro mar, por Segesta, um belo cenário com ruínas gregas, Erice, bonita e medieval no topo de uma montanha, com vista impressionante, uma história de deuses e famosa por suas massas, por Mazara del Vallo, um dos lugares mais importantes da Sicília para a pesca e para a produção de legumes, frutas cítricas, azeitonas, uvas de mesa e de vinho, um antigo porto fenício, por Piazza Armerina, bem no centro da ilha, com os mosaicos romanos em da Villa Romana di Casale, por Agrigento e seu excelente complexo de templos gregos, o Vale dos Templos, mais um centro medieval e com influências árabes, por Ragusa e seu deslumbrante centro velho e a deliciosa e vizinha Noto, belas cidades barrocas e com sítios patrimônios mundiais, pela incrível Siracusa e suas ruínas clássicas, um teatro grego, um bom lugar para comer, pela graciosa Taormina, encantadora e atraente, ainda que excessivamente turística e comercial, e sua excelente vista para o mar e para  o Etna, até Catania, ponto final de nosso roteiro, nem bonita, nem pitoresca, apenas ponto final para nosso vôo até Malta, a quase desconhecida do Mediterrâneo e, finalmente,  Roma.  

                       ASSUNTO bom é que não falta: depois destes aí em cima e já escritos, por certo irei gostar de escrever sobre um dos destinos de nossa próxima viagem - Outubro ou Novembro de 2012 - ainda a escolher: Ásia Central (especialmente Casaquistão, com Istambul), ou então Tanzânia (com Zanzibar) ou, então, finalmente, Myanmar (com Cingapura ou Bangkok).  Levando em conta o ritmo atual (um post suado e sofrido por mês), é só fazer a conta: dá pra manter o blog por um ano e meio e sem posts repetitivos:  pra falar de Buenos Aires, Orlando e Praias do Nordeste é só comprar todo mês a revista Viagem e Turismo.

                       UMA das opções que imaginei seria mudar de nome. Não o meu, caro leitor, mas o do blog. Declinei da intenção porque, convenhamos, "Fatos de Viagens" seria uma escolha muito sem imaginação, zero no quesito criatividade. 

                        ASSIM, ao ponderar que a criatividade é um dos combustíveis que impulsiona o pensamento de seres cerebrotônicos como eu, concluí: o que ficou pra trás ainda justifica manter o nome original Fatos & Fotos de Viagens. Afinal, são milhares de fotos já publicadas, e mesmo que me custe algum dinheiro mantê-lo, (sim, o Squarespace é pago!) pretendo deixá-lo vivo. e, quem sabe (?), vez por outra (quando me der na telha), publicar matérias de viagens (claro que com muitas fotos). É só um ter desejo, disponibilidade e paciência. Abandoná-lo jamais foi uma alternativa, encerrá-lo a mais dolorosa que já me ocorreu. Mantê-lo, uma intenção viva.

                       CHEGUEI a pensar em fazer um novo blog, idéia que já não me deixa a cabeça faz tempo. Uma faísca cerebral que está para virar chama: manter o blog original e abrir outro para a publicação de textos mais coloquiais, sem necessariamente atender ao compromisso com o tema viagens, todavia ligando viagens a reflexões pessoais, a opiniões relacionadas a elas, com a Internet, com o que penso da vida e essas minhas filosofias baratas. O novo blog já tem até mesmo um nome: "Viver é bom. Viajar também! Reflexões de vida e viagens de um viajante vivo".

                      ENQUANTO fico aqui refletindo sobre isso, escrevendo, viajando, trabalhando e fiolosofando e novidades não chegam, mando um abraço, desejo boas viagens e recomendo: leve as crianças! 

Sexta-feira
Jun222012

Sicília e Malta

Uma rua da Palermo antiga 

                      Envelhecer é bom. Quer dizer, tem uns malucos aí que dizem que é bom. Mas bom, bom mesmo acho que não seja não. Não vou mentir pra vocês não. Nem fazer discursinho pra galera, que vocês sabem que tenho horror a isso. Mas já posso falar de cadeira: passei dos cinquenta faz tempo e acho que envelhecer é ruim pra caramba, ainda que necessário, já que a outra opção é partir dessa pra melhor. Ou pior, dependendo do sujeito. Mas isso é coisa que não tou nem aí pra saber.

                      Outro dia mesmo ouvi uma senhora na mesa do lado dizendo que chegou aos 70 e se sentia na “melhor idade”. Se eu não fosse educado, discreto, odiasse me meter na vida alheia e dar conselhos intrometidos, teria falado em alto e bom som pra mesa vizinha escutar: “Ei, tou fora dessa, senhora!”. Pelo menos eu pensei, que pensar não ofende. Pelo amor de todos os deuses! Se isso é a melhor idade, prefiro ficar na pior! Em sã consciência, que vantagem tem perceber que a morte anda atrás da gente e começa a apertar o passo? Isso sem falar nas dores nas juntas. Vá lá que é bom envelhecer, mas apenas no sentido de que a outra opção é a morte, mas daí afirmar que tá achando o máximo, é soda!, como já dizia Fócrates, (me desculpe, Rosa).

                        Ainda falta muito pra eu chegar na casa dos setenta, mas como já passei dos cinquenta faz tempo também não tou achando graça nenhum nesse papo de começar a enxergar sem óculos a porta pro “outro lado”.  Se o sujeito for normal, não vai gostar disso não. Viver é bom. Mas ando percebendo que nem todo mundo pensa assim. Aqui do meu lado eu ando fazendo o que posso, botando umas armadilhas pra Dona Morte, falando “Alô, pretinha, dá um tempo!”, dando um jeito de retardar sua chegada: tou comendo melhor, indo mais ao médico, olhando mais pros lados e dirigindo com mais cuidado. Faço musculação, dou minhas caminhadas e ando segurando mais forte o guidão da minha Harley Davidson. Passar dos 100 agora é só na idade.

 

Quatro Canti - Palermo, Sicília - Itália 

                       Até andei lendo uns artigos sobre a boa relação ente envelhecimento e felicidade. Não era livro de auto-ajuda não. Detesto isso também. Era um excelente artigo publicado na revista britânica The Economist. Os caras diziam que somos bastante felizes na juventude, despencamos no despenhadeiro com a crise da meia idade e depois dos 50 tudo começa a ficar melhor até chegar ao topo da escala de felicidade. Não é que os caras deram uma sacada porreta nessa história? Tá certo que pra mim desmistificaram o que eu já sabia faz tempo: que o curso da vida não segue (ao menos necessariamente) uma linearidade que começa numa juventude sempre perfeita e termina numa velhice sempre decadente e miserável. Tão certíssimos os caras, mas vou falar por mim, eu pulei a tal “crise da meia-idade”. E não vou entrar nessa de “melhor idade”. Aliás, a sacada é essa: outra vantagem de ficar coroa é entrar na fase da vida que a gente tem coragem de discordar da maioria, de quebrar mitos, detonar paradigmas e especialmente dizer umas verdades que incomodam. Ainda que alguns achem que isso é ranzinice. Tão precisando ficar mais velhos!

                        Também ando fazendo bem mais do que gosto do que não tou a fim. Isso tudo porque não tenho dúvidas de que morrer é uma droga. Mesmo que não doa. E eu não tou nem aí pra saber se tem mesmo vida depois da morte. Trocando em miúdos (que também faz tempo não como mais), a única vantagem de ficar velho é que a gente fica com mais dinheiro, mais sabido e mais feliz. Ah, tem outra: a gente não precisa mais engolir sapos. Especialmente de qualquer um que cai de para-quedas acidentalmente na vida da gente. É um bom pretexto pra não precisar ouvir conselhos intrometidos e indelicados e ter que ficar calado: a gente pode dizer as verdades que merecem aos quem nos entregaram o batráquio sem noção.

Monreale - Sicília 

                         Mas porque tou falando isso tudo? Isso ainda é um blog de viagens ou não? É que eu andava justamente pensando na próxima. Viagem, meu caro leitor, não na vida! É na semana que vem. Estamos com o pé no aeroporto pra uma viagem à Sicília e Malta. O melhor de tudo é que será com nossos queridíssimos cunhados, que pra lá de boas cias., adoram viajar e têm lá uma boa experiência no negócio. Mas também andava a pensar (ainda estou com Lisboa na cabeça!) nessa coisa toda de felicidade, maturidade, ponderação, pretextos e todas as outras que mencionei na minha filosofia barata aí encima. Desculpe, mas são coisas que a gente começa a pensar quando passa (bem ou mal) pela tal “crise-da-meia-idade" ("que-eu-não-passei”). 

                         Pensava na felicidade porque são muitos os caminhos para se chegar a ela. Viajar é apenas um deles. Quando eu era bem pequeno - talvez aos sete, oito anos - já sabia disso, e viajava o mundo da maneira virtual que a época me permitia. Mas viajava. E muito. E de muitas maneiras: pela janela de nosso apartamento no Leblon, pelas revistas Seleções do Readers Digest que meu pai colecionava, pelos relatos de um casal de tios sem filhos que viajava o mundo, depois o mostrava à família em deliciosas projeções de slides. Eles viajavam o mundo de navio e de avião, como jamais imaginei poder um dia, mas foram eles, os saudosos tios Roberto e Zuleika Hatab, meus primeiros inspiradores.

                        Mais tarde, viajei nos livros. Especialmente nos de Monteiro Lobato. Mas também fui nos Atlas que tínhamos em casa, nas enciclopédias de meu irmão mais velho, nos livros de nossa estante no quarto dividido com mais dois irmãos. Era ali que guardávamos títulos dos quais me lembro bem. Entre eles, “Três Garotos em Férias no Rio Tietê, de 1951”, "Os meninos da Rua Paulo" e "Reinações de Narizinho".

                       Também viajei muito na música e no cinema. Estes me proporcionaram algumas de minhas mais memoráveis viagens virtuais. Numa delas visitei as savanas africanas - em Hatari, de 1962, com John Wayne e Elsa Martinelli. Poderia recordar-me sem esforço de uma centena de filmes rodados em locais incríveis, mas pouparei o leitor. Ah, me lembrei. Peço licença pra mais um, que não me larga a vontade de relatar: foi o que assisti com meu pai num cinema à beira mar no Leblon, o Miramar. O filme era Moulin Rouge, de 1952, dirigido e roteirizado por John Huston, uma biografia-drama-romance-musical de Toulouse-Lautrec, um filme inglês que me fez sonhar com uma Paris que já não há, mas que também habita o consciente de minha doce Emília.

  

Palermo antiga - Sicília 

                       Quanta curiosidade eu tinha pelo mundo lá fora naquela idade. Me lembro do nosso sobrinho Lorenzo. Eu era bem como ele, adorava globos terrestres, mapas e nomes de países e suas capitais. Como era atraente ver além das fronteiras de minha janela. Tudo o que podia me fazia viajar, mas eu mal sabia que viajar, um sonho de infância, me traria tanta felicidade depois de adulto. Foi indo para lugares onde todos vão e outros onde quase ninguém pensa ir que percebi as muitas lições que uma viagem dá.

                       Não preciso de pretexto para viajar, apenas idéias. Todavia, quando pretextos e idéias juntam-se, viagens podem tornar-se ainda mais atraentes. E se eu soubesse que esta poderia ser tão boa, a teria feito antes. O pretexto, uma viagem com nossos queridíssimos cunhados. A idéia, um roteiro de carro pela Sicília. Se perfeição era a meta, a atingimos: viajaremos de carro com o adorável casal, compartilhamos nossas alegrias e afinidades pela Sicília, uma aliança perfeita entre natureza e história, para além da boa cia. e de momentos memoráveis que viveremos, mais os prazeres que passarão também pelo conhecimento de vestígios das civilizações gregas, romanas e árabes, que na Sicília têm a vantagem adicional de alternarem-se com paisagens naturais. São lugares bem legais, coisa de ilha com um carácter singular, por sorte ainda relativamente intocada pelo turismo de massa. E ainda que para nós nada pudesse parecer mais perfeito - viajar com independência e de carro pelas ótimas autostrade italianas e vez por outra por vias regionais - ao final de nosso roteiro esticaremos até Malta, a quase desconhecida do Mediterrâneo, tão pertinho que não conseguimos evitar o chamado. É hora de aproveitar!  

                        Fomos os quatro para a Itália e Malta. Um beijo pra todos. Dias desses volto aqui pra contar “Sicília - De Palermo a Catania, uma volta na ilha”.