MENSAGEM ao LEITOR
BIO

BEM-vindo!

        Sou brasileiro, empresário, casado com a doce Emília do blog "A Turista Acidental". Estamos grávidos dos gêmeos - menina e menino - que nascerão em julho próximo. Embora isso nada tenha a ver com um blog de viagens, tem muito com o futuro deste aqui. Tenho 63 anos, boa parte deles dedicados à família e ao trabalho. Aos 35 comecei a viajar internacionalmente e desde então visitei 60 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes, que abrigam sítios dos mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns desses lugares fui quando ainda estavam a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Tornei-me blogueiro há nove anos quando descobri que não agradava aos amigos e familiares ao entupir-lhes as caixas postais com e-mails recheados de textos e fotos. O blog foi a maneira de compartilahr notícias, fotos e textos de minhas viagens para quem quisesse e quando desejasse.

        Para alguns países retornei tantas vezes que tornei-me íntimo. Para outros, uma ou duas mais apenas, freqüência que ainda não me esgotou deles. Em cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países. Segundo o Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo que já esteve em 160 países -, fazendo o teste "Viajologia" em seu site, que considera não só países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações em viagens, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada. Ou quase nada diante de gente que tem pós-doutorado em viagens. Se eu conseguisse resumir definindo o que esses quase trinta anos viajando significaram em termos de aprendizado, diria que foi perceber que quanto maior a flexibilidade de adaptação aos ambientes, mais e melhor consigo extrair deles, melhores tornam-se minhas viagens. Muitas, incontáveis marcas as viagens me deixaram. A simpatia e a humildade legítima dos birmaneses e dos uzbeques estão entre as mais inesquecíveis.

         Ainda que nada me pareça mais excitante que viajar, fotografar e escrever gosto desde a infância. Então, fazê-los sobre viagens foi algo natural. Este blog todavia passou a ser um lugar onde além de comaprtilhar nossas viagens com amogos e parentes, tem a intenção de inspirar e motivar leitores a viajarem, conferirem com os próprios olhos, viverem suas experiências e concluir com suas próprias opiniões. Boa viagem!

        Muito obrigado pela visita e comentários.

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Quarta-feira
Abr172013

INLE LAKE, Mianmar - A serena beleza de um lago

O incrível Pôr-do-sol no Lago Inle

                 O Sol se põe e torna o anoitecer no lago uma cena tão bela que depois dela não seria razoável esperar por nada igual. Eis que então surge o céu do Lago Inle. Não aquele céu urbano a que estamos acostumados, senão o mais escandalosamente limpo, claro e cravejado firmamento que se possa almejar. E onde todas as constelações revelam-se ao alcance do mais simples olhar.

                 A tarde terminava e o bimotor ATR 72-210 da Yangon Airways pousava no Aeroporto de Heho. Vínhamos de Mandalay. Em quinze minutos estávamos no carro em direção a Nyaung Shwe, o portão de entrada para Inle Lake. E 45 minutos depois, por uma estrada esburacada, chegávamos ao porto do Lago Inle, onde tomaríamos nossa embarcação até o hotel. Em pouco mais de cinco minutos embarcávamos na longa canoa motorizada, infernalmente barulhenta e incrivelmente rápida. Sentamo-nos em duas poltrona de madeira, postas em fila, e cobrimo-nos com um providencial cobertor de lã. Seguimos ao nosso destino, o Paramount Resort.

  Yangon Airways e o Resort palafita 

                 Com olhos arregalados eu tentava enxergar o que vinha à frente. Mas não via dois metros adiante da proa. Eu ainda desconfiava da capacidade do barqueiro encontrar seu caminho. A escuridão total me desencorajava o relaxamento. Com o tempo - e a segurança transmitida pelo condutor - deixei a preocupação e passei a concentrar-me no mais límpido e magnífico céu que já presenciara. Chegamos à noite ao resort. No meio do lago, sobre palafitas. Um hotel-ilha, cercado de água por todos os lados. A tranquilidade absoluta, como tudo mais no lago, nos permitiu dormir profundamente e nos preparar dedo para um dia seguinte inteiro de exploração do Lago Inle. Mal sabíamos que havia tanta beleza e experiências a nos aguardar...

Incrívelmente rápidos, infernalmente barulhentos


                 O Lago Inle é mundo que não parece deste mundo. É inesperado. E lindo, sereno, incomum. Tem um dinamismo que não impede sua incrível tranquilidade. É enorme, são 500 quilômetros quadrados, onde num labirinto de canais laterais vivem 70 mil pessoas de diferentes etnias. Moram em casas sobre palafitas, com jardins, hortas e plantações suspensas. Trafegam sobre canoas e barcos, criam animais e vivem na mais perfeita ordem e sintonia com a natureza e suas comunidades.

  A vida no Lago Inle demonstra a notável capacidade do ser humano adaptar-se ao meio ambiente

                 Uma incursão pelo Lago Inle, especialmente pelos canais vicinais, é mais que um deleite para os olhos ou um curioso passeio turístico, senão uma experiência antropológica. Ele nos leva às reflexões sobre a notável capacidade do ser humano adaptar-se ao meio ambiente, àquele estranho, encantador modo de vida. Para tudo olhávamos admirados com os 360 graus de beleza e quietude.  Não resisto a escrever e mostrar em fotos o singular modo de vida do Lago Inle. Neste e num próximo capítulo.

Moram em palafitas de madeira e bambú, vivem e produzem flutuando sobre as águas do Inle

  

                  Mas não é fácil escolher entre as milhares de fotos que fiz como um louco. Tampouco descrever o impressionante lago com fidelidade à sua incrível vida flutuante, as aldeias inteiras com escolas, casas, plantações, restaurantes, hotéis, templos, comércio e fábricas. Passeios de barco nos levam a assistir, conhecer e visitar tudo: pescadores remando com um pé, fábricas de cigarros, de guarda-chuvas tradicionais, de seda, forjas e mercados não flutuantes às margens do lago e templos.

O dinamismo do lago não impede a incrível atmosfera de tranquilidade

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As misteriosas stupas de Shwe Indain Pagoda

                   Uma floresta de stupas escondidas. O Complexo de pagodas Indain (também chamado Indein) no lado oeste do Lago Inle, é chamado popularmente de "stupas de selva", ou, oficialmente, Shwe Indain Pagoda. O ponto de partida é o porto de nosso hotel. O trajeto de barco até Ywama village, no centro de Inle, de onde caminhamos um quilômetro por estrada de terra e margeando lindo canal com cenas de vida cotidiana. É um prazer a experiência de observar ambas as margens do canal enquanto estamos no barco. Há escolas, templos, residências, campos.

  

             Búfalos banham-se enquanto as mulheres lavam roupa e um grupo de homens reforçam um dique no canal.

                 Chegando à vila, aportamos num pequeno cais onde há barracas que vendem artesanato e lembranças, de chapéus de bambu a estatuetas de monges. O lugar é uma típica armadilha para turistas, mas à frente passamos por um mercado mais autêntico, onde o povo da aldeias das montanhas vende os produtos que cultivam e artesanato.

 

                Foram os vendedores mais persistentes que a maioria dos outros que já vi em Inle Lake, talvez porque essa área não receba tantos turistas, o que explica tornarem-se os mais insistentes do lago .

                    Ao lado da estrada de terra até os templos há um interessante mercado cujo telhado de zinco é suportado por 403 pilares antigos. Seguimos por nosso caminho até o morro, enquanto turistas seguiam por dentro do mercado. A história de Shwe Indain é misteriosa. Não há registros de sua construção, senão algumas estórias do povo de Shan. A colina de pagodas é tranquila e calma. É fascinante o lugar.

                    Indein Village é uma atração excepcional para quem está no Lago Inle.  Uma floresta de antigas stupas que se extende por uma colina vale a leve subida. A colina é coberta por muitas stupas e pagodas de vários tamanhos, cujo inventário de 1999 contabilizou 1054. A amioria das stupas é alta e delgada, decorada com um chattra, construídas entre os séculos 14 e 18, em diferentes desenhos e estilos arquitetônicos. Observados detalhadamente, alguns revelam belíssimos trabalhos artísticos de entalhes em pedra e em decorações em stucco.

  
Algumas stupas e pagodas revelam belíssimos entalhes em pedra e decorações em stucco


                  Alguns estão sendo infelizmente restaurados com doações de estrangeiros que colocam placas com seus nomes. O resultado final será lamentável, pois não aparentam ter o cuidado de recuperar os aspectos originais. Não estão sendo restauradas apenas pelos moradores, mas por fiéis de toda a Ásia, da América e da Europa, que doam dinheiro para reconstruí-las.

                 O que é particularmente interessante no complexo Shwe Indein são os diferentes graus de ruína das stupas: algumas parecem ter realmente a idade original, enquanto outras restauradas parecem ter sido acabadas de construir, ainda com a cor do cimento fresco. Algumas são recentemente caiadas de branco, outras douradas, umas sem reboco. As mais interessantes efetivamente são as arruinadas, ainda que seja louvável sua restauração.     

A seguir:

 

Sexta-feira
Abr122013

IRÃ, o último segredo do Oriente

                        EU ainda era pré-adolescente nos anos 60. Na escola, admirava os intrépidos exploradores que as incríveis aulas de história do Professor Emir Amed me apresentavam. Não por acaso a matéria tornou-se predileta. De Charles Darwin a Fernão Dias, me encantavam todos aquels desbravadores e epopéias que eu passava a conhecer a cada nova aula. Uma ponta de inveja me tomava. À medida que os estudava, aprofundando-me nas suas investidas exploratórias, descobertas e incríveis aventuras, ia mais fundo na atração pelos lugares onde aquelas histórias se desenrolavam. Ainda hoje não consigo traduzir as emoções daquelas minhas aulas de História...

                        A certa altura fui apresentado à Rota da Seda, à Ásia Central, à Pérsia e ao mundo islâmico. Sem saber que mais tarde seria lugares que eu visitaria. As novidades tornavam-se encantamentos à medida que as conhecia. E a fantasia, cada vez mais inclemente. Não seria de estranhar que Marco Polo fosse meu primeiro super-herói. E que Alexandre Magno e os Selêucidas os inimigos a combater. Nada conseguia ser tão intrépido, mágico e místico quanto os relatos daqueles viajantes pioneiros e exóticos. Tampouco os lugares que percorriam. Nenhuma outra região do planeta aparentava ser tão atraente aos meus olhos adolescentes. Do mundo, aquele lugar parecia ter roubado todo o exotismo. Passei então a sonhar com ela. E a desejar especialmente a Pérsia, a Babilônia, Persépolis e Esfahan, lugares que exerciam um poder extraordináriamente atraente que as memoráveis aulas de História me despertavam.  Contadas com entusiasmo por um dos mestres que marcaram minha vida, vivíamos então uma época romântica:  a educação se valorizava, as escolas públicas eram ótimas e os alunos respeitavam, admiravam e tinham seus professores como ídolos.

                       TORNAVAM-SE viagens extraordinárias, aquelas aulas de história no ginásio.  E agiam de maneira  inclemente potencializando meu fascínio pelo Oriente Médio, naquela altura, um lugar absolutamente inalcançável: minha idade e a mais completa falta de meios e recursos não deixavam o desejo ultrapassar a barreira dos sonhos. E assim permaneceram por muito tempo. Mas volta e meia alimentando-se em minhas viagens pelos livros e filmes. Todavia, fisicamente, o mais perto que eu conseguira chegar da Pérsia foi da fruta: a Lima da Pérsia, que meu pai expremia todas as manhãs. Afortunadamente, já adulto (e bem mais privilegiado), comecei minhas viagens internacionais. E a realização dos sonhos de visitar países islâmicos, especialmente os que mais me encantavam: Egito, Síria, Jordânia, Marrocos, Tunísia, Emirados de Dubai e Qatar, Usbequistão e Quirguistão. Assim como outros na Ásia, como Turquia e Malásia, e mais especialmente a multi-religiosa Índia. Todos tornando-se profundamente inesquecíveis à medida que os conhecia. Cada qual resgatava ao seu jeito um pouco de tudo o que li e aprendi nas aulas do meu inesquecível professor. Visitando-os aprendi a complexa e exuberante cultura islâmica. E passei a admirá-la. Mas foi apartir de uma viagem em especial - à Síria - que passei a desejar imensamente o Irã.

                        O tal fascínio do ocidente pelo Irã não é privilégio meu. E também não é novidade. A realidade é secular: viajantes estrangeiros seduzem-se até mesmo pela palavra "Pérsia". E arrebatam-se pela história extraordinária que excede a tudo que possa estar contido nela. Até mesmo no que nossas mentes criativas podem produzir. Todos encantam-se. Dos intrépidos exploradores de outrora a nós, os simples, anônimos turistas ocidentais da atualidade. Todos retornam fascinados de suas visitas ao Irã. Por tudo o que há de exótico, oriental e místico. Especialmente por ser um país tão incomparável que é impossível estabelecer paralelos. Até mesmo entre seus vizinhos. O território é tão grande, a geografia tão variada e a história tão longa e rica que não é possível a um viajante experiente resistir tanto tempo ao Irã. Seus três mil anos de história e quinze Patrimônios da Humanidade, suas montanhas cobertas por neve durante meses, seus desertos incandescentes, arquitetura e cultura fascinantes, enfim, é uma riqueza que preciso conhecer antes que eu acabe.

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IREMOS ao Irã em Outubro 

                        PARA além de tantos clichês e estereótipos, o que é o Irã de hoje? A revolução que impôs estritas regras sociais teria mudado a essência do romantismo, da poesia e do exotismo de outrora? Reeleito Obama, continuará a deixar-se pressionar pelo poderoso lobby judeu (que comanda os EUA) e deseja um ataque imediato militar e arrasador ao Irã? Notícias assustadoras não faltam. Mas se Israel e os EUA atacarem o Irã esse ano, terão demonstrado insanidade ainda maior do que seus inimigos lhes atribuem. Se o mundo pode considerar Mahmoud Ahmadinejad doido, o que dizer de Avigdor Lieberman e Benjamin Netanyahu? Por isso, sempre que pensávamos no Irã não nos parecia um bom momento para visitar o país. Centro de grandes controvérsias, de relações conflitantes com os vizinhos, o interesse pela energia nuclear e seu suposto papel naquilo que o presidente Bush chamou de "eixo do mal", um país arqui-inimigo dos Estados Unidos e de Israel e as frequentes ameaças de ambos, tudo contribuia para barrar nossos sonhos. Ainda assim os mantivemos na lista das grandes prioridades. Mesmo com freqüência posto na coluna do "talvez". E que por graça volta e meia "pulava" para a lista original, a dos grandes desejos turísticos. E ali permanecia faiscando na mente.  

                        POR que então sempre deixamos o Irã pra depois? Se é um dos países mais originais do mundo, envolto em tantos mistérios, e mesmo assim porque é tão negligenciado por viajantes? Sabemos que nem sempre é por bons motivos. E também que é preciso uma viagem para derrubar preconceitos e conhecer o "outro" Irã. Será que todos que deixam de ir ao Irã é porque o país é fechado? Ou a religião é ortodoxa, os costumes conservadores, as leis rígidas e as mulheres não valorizadas? Ou por ser tão demonizado pela mídia ocidental, ainda que soubéssemos que injustamente? Todo turista de bom senso, lúcido, pensante e razoável é levado a deixar o Irã pra depois. Não foi diferente conosco. Todos questionam: "Se há tanto pra ver no mundo, se é real e pernamente a ameaça de guerra com Israel, se é mantido em segredo o programa nuclear iraniano, se apedrejam mulheres, por que então não dar ouvidos à apreensão? Para nós a resposta foi simples: porque tudo sempre tem dois lados! 

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TUDO sempre tem dois lados 

                       NOSSO desejo é antigo. E nos fez questionar por quê boa parte do mundo deliberadamente alimenta forte sentimento anti-Irã. Por que são tão abundantes os estereótipos, tão desgastada a imagem do país e tão demonizado ele é pela mídia internacional? Mas se há este lado que afasta o turista, também o que atrai imensamente boa parcela deles. E por que não ouví-los? Para uns, viajar ao Irã é uma insanidade, para outros uma oportunidade. Para nós, um sonho antigo, um incrível conjunto de atrações de um dos mais espetaculares destinos turísticos do planeta. E se é tão interessante, se é verdade que seu povo é sabidamente tão amável, receptivo, educado, civilizado e culto, por que não pensarmos no Irã? Tivemos então obom senso de nos perguntarmos: se dizem que são tão notáveis a hospitalidade e gentileza iranianas, que nem mesmo dá pra sabermos de fato até onde ela vai, se são tantas as riquezas arquitetônicas e culturais, se é enorme beleza natural, sé é tão seguro e tão excepcional a receptividade, por que então não viajarmos ao Irã?

                 NÃO há dúvidas de que o país pode ser um desafio para o turista, que requerer árduo planejamento, doses não modestas de desprendimento, que não se podem ignorar as possibilidades de incidentes políticos. Mas também sabemos que é um país extremamente seguro, especialmente para o brasileiro, que todos são tão bem recebidos (até mesmo norte-americanos!) e que podemos viajar com padrões muito razoáveis de serviços turísticos, de transporte e de hotéis, de luxuosos a econômicos. Sobretudo com elevada simpatia e receptividade. Sabemos que não é uma inconseqüência irresponsável viajar ao Irã. E que os turistas não devem assustar-se com os ferozes cartazes políticos contra os Estados Unidos uma vez circulando pelo país. Um viajante informado saberá que a América apoiava incondicionalmente o governo corrupto do odiado monarca Xá Mohammad Reza Pahlevi, aquele que a Revolução Islâmica de 1979 derrubou, pondo fim a uma monarquia autocrática, que abusava de práticas brutais e toda sorte de excessos, de um despótico e sanguinário regime que governava um país de miseráveis camponeses e favelados. E que mesmo a despeito de toda a animosidade política com o ocidente, sabemos que no plano individual há ótima e incondicional acolhida aos viajantes estrangeiros. Portanto, não nos parece haver outra maneira de satisfazer nossos desejos e curiosidade senão enfrentá-los. E viajar para o Irã. Não creio que estarão errados os turistas estrangeiros que viajam ao Irã e surpreendem-se com seu esplendor, patrimônio cultural, belezas naturais e sobretudo com seu povo tão agradável. Decidimos "enfrentar" o "problema".

                       O Mauro Chwarts - da Highland Adventures - mais uma vez nos deu não apenas as dicas mas o incentivo final. Com a sua operadora Highland estamos montando nosso roteiro personalizado, abrangendo as cidades, hotéis e tempo de permanência que desejamos. Mais uma vez minha doce Emília desenvolveu minuciosamente todo o planejamento estratégico, dos lugares que visitaremos aos que nos hospedaremos. Além de excepcional cia. de viagem, minha esposa é competente planejadora e organizadora. Com a Highland e pela Emirates (via Dubai) iremos ao Irã, oficialmente, República Islâmica do Irã, um país geograficamente asiático, situado do Oriente Médio, com divisas compartilhadas com a Armênia, o Azerbaijão, o Turquemenistão e o Mar Cáspio, com o Afeganistão e o Paquistão, com o Iraque e a Turquia, e com o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Para lá iremos em outubro de 2013. Visitaremos Tehran, Tabriz, Kandovan, Kerman, Yazd, Shiraz, Isfahan, Kashan, Persépolis e Pasárgada. 

                        RELATOS de viagens podem ser inspiradores, esclarecedoras, emocionantes, assustadores, trágicos, tristes, felizes, maravilhosas, encantadores ou terríveis. Todos os que li em livros e na Internet foram sempre extremamente positivos em relação ao Irã. Espero que também assim sejam os nossos. Com eles esperamos emonstrar  quanto os visitantes podem sentir-se confortáveis no país e entre a sociedade iraniana. Afinal, "Iran keshvar-e jadouyi-e", ou "O Irã é um país mágico", como o povo se refere ao seu país. 

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NOTAS: o governo iraniano não tem boas relações com os Estados Unidos e com Israel. Aqui entre nós, eles têm lá suas razões. Mas aqui entre nós, também não é lá muito fácil, não sendo judeu ou israelense, conseguir ficar inteiramente ao lado de Israel. Embora geralmente seguro, o Irã evidentemente não é um país digamos apropriado para norte-americanos. E considerando ser proibido o ingresso de qualquer indivíduo de qualquer nacionalidade que exiba um carimbo no passaporte de visitante ao belo paós que é Israel, suponho que também o seja aos cidadãos israelenses. Mas também não é adequado a cidadãos de países com os quais o Irã tenha relações frias. Ou não as tenha. Mas eles têm lá suas simpatias com os brasileiros. E há embaixadas nos dois países.

 

O país é orgulhoso de sua história. E nenhum estrangeiro deveria visitá-lo sem alguma compreensão do seu passado. A maioria dos iranianos consideram-se descendentes diretos dos persas, que cnstruíram o grande império há cerca de 2500 anos. É muito tempo e muita história. Mas talvez a que mais esteja presente seja a da Revolução Islâmica de 1979, a que derrubou o odiado monarca Xá Mohammad Reza Pahlevi, pondo fim à monarquia autocrática pró-Estados Unidos, corrupta politicamente, que abusava de práticas brutais e toda sorte de excessos, um despótico e sanguinário regime que suscitava cada vez mais protestos internos - especialmente dos que viviam miseravelmente, camponeses e favelados, - e internacionais. Assim, encerrou-se um regime nonárquico 2500 anos e foi instauranda uma república islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.

 

A história do Irã registra os acontecimentos históricos no território correspondente aos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão e outras áreas vizinhas, ao longo de um período de tempo que começa com as primeiras civilizações pré-arianas (como a civilização de Jiroft e a elamita), passa pelo Império Persa em todas as suas fases (aquemênida, selêucida, arsácida, sassânida e outras) e prossegue até os dias atuais, com a República Islâmica do Irã. Em suas várias formas, trata-se de uma das mais antigas entre as grandes civilizações de existência contínua. Fonte: Wikipédia

 

Primeira leitura: "Iran - The essential guide to customs & culture", Culture Smart! - Editora Kuperard, de Stuart Willians - ISBN-10: 1857334701. O guia fornece informações essenciais sobre atitudes, crenças e comportamento no país, assegurando que o visitante chegue ao destino ciente das maneiras básicas, cortesias comuns e questões sensíveis, evitando ao visitante erros e gafes constrangedores.

Segunda-feira
Abr082013

Viajar muito não é viajar bem

                        NUMA crônica na revista Volta ao Mundo seu autor - o português José Luiz Peixoto - mencionava que quando a ignorância é acompanhada de esnobismo, torna-se desagradável. Ele referia-se ao fato de um viajante ter-lhe dito, numa conversa, que "colecionava" países. Espantado com a afirmação, o interlocutor explicou-lhe prontamente: "Tenho uma meta: 'conhecer' 100 países!". Aquele viajante efetivamente já havia viajado a muitos, mas no contexto de sua afirmação havia apenas uma preocupação: a contabilidade. Na sua lista, os que visitara figuravam como "despachados". E assim ele os classificava. Cada novo país era marcado como "um a menos" na lista, não como um destino visitado. Quantidade era o que importava. 

                    SEM perceber, demonstrava que o maior inimigo de um turista é pensar que viajar muito significa viajar bem. Não. Ao menos não necessariamente. Achar que ter pisado em muitos países apenas para somar o maior número deles à sua lista, não significa tê-los conhecido, tampouco que seja um bom turista. Isso é perder a essência do que seja viajar e ser turista. "Colecionar" países é fazer perder o sentido das viagens. Viajar implica no desejo de "conhecer", descobrir e explorar, ainda que não seja possível e apropriado afirmar "conheço" tal país. Estive, ou visitei, será sempre melhor. Viajar implica antes de tudo numa série de grandes esforços: intelectual, financeiro, físico e emocional. Não é, então, a quantidade de países visitados o que  conta, mas a qualidade do olhar do turista enquanto os visita.

                        UM turista não "conhece" um país, o visita. Para "conhecer" é preciso morar. E nem mesmo esta é necessariamente uma condição para que um indivíduo possa assegurar que conhece um país. Uma visita a um país não o torna um país "conhecido". Pisar num destino não acrescenta qualidade ao currículo do viajante. Ao contrário, apenas uma ingênua contabilidade. Todos nós turistas quando viajamos "estamos" num lugar, visitando-o, o que não nos confere condição para afirmarmos que o "conhecemos". É por isso que os bons viajantes preparam-se, pesquisam, informam-se para então terem melhor capacidade de observar, e por fim "captar", o país que visitam, tirando o melhor de suas viagens. Por vezes há lugares que a gente só começa a "compreender" depois de três ou quatro visitas. Mas "conhecer" já é outra história.

                        BOA parte do meu fascínio por viagens vem das leituras. E a possibilidade de realizá-las vem do meu trabalho. Acho até que sou bem mais entusiasmado com o trabalho porque afinal é ele que financia meu desejo de conhecer o mundo (ops, de visitá-lo!). ainda que também o faça com todos os meus outros prazeres. A leitura então é fundamental ao preparar-me para um destino. Intelectual e tecnicamente falando. Mas por vezes ela me desperta curiosidades da maneira mais incomum, inesperada e verdadeiramente surpreendentemente. Eu explico. Comecei a ler um livro sem a menor relação com o tema viagens. Sequer com qualquer lugar. O livro é extraordinário, chama-se "Como a mente funciona". Nele o autor - o psicólogo e cientista cognitivo Steven Pinker - conduz o leitor com genial competência a viajar, não por qualquer destino no mundo, mas por duas grandes teorias: o evolucionismo - de Darwin - e pela moderna ciência cognitiva, isto é, o estudo científico da inteligência. São assuntos que me atraem mais que moscas às frutas. Usando exemplos cotidianos e argumentos acessíveis ele demonstra como estamos próximos de compreender uma das últimas fronteiras do conhecimento humano: nossa própria mente.

                       NUM determinado trecho do livro ele menciona que a humanidade nunca foi tão pacífica. E argumenta, baseado em estatísticas, que mesmo com  toda a brutalidade e intolerância nos espreitando, vivemos nosso período mais pacífico da história da humanidade. Se o leito "olhar" apenas para hoje, rirá da afirmação. Mas se o fizer encarando o passado, toda a história da humanidade, concordará: vivemos bem menos conflitos violentos no mundo do que em qualquer outro período.  Um dos bons lados dessa realidade é que também podemos viajar para bem mais lugares no mundo. Todavia ainda haja alguns destinos que mesmo pacíficos estão muito fora dos padrões. Ao menos do que podemos chamar de "destino de férias e relaxamento". São os destinos absolutamente incomuns. E pouquíssimo explorados. Sobretudo os que exigem certo grau de coragem e desprendimento. E que não são especialmente recomendados aos amantes do conforto e do luxo. Eu adoro ambos, mas também lugares para onde é preciso ter o que se costuma chamar "coragem" e disposição. Eu ainda me surpreendo como reúno ambos na minha idade. Salvo para destinos como Iêmem e Timbuktu - que apesar de encherem minha área cerebral onde arquivo os desejos - ainda terão que esperar por mim.

                     MAS confesso, andamos pensando muito no Irã. Muito. Tanto que não paro de ler sobre o país.

Terça-feira
Abr022013

AVA, Mandalay. Uma jornada à antiga Capital

DOIS grandes chinthes, os leões mitológicos birmaneses, guardam o Maha Aung Mye Bon Zan

POR uma estrada esburacada, em cerca de uma hora chegamos de Mandalay às margens do Rio Myitnge, afluente do importante Rio Irrawady. Paramos próximos à barranca do rio, onde num porto precário e improvisado um barco de madeira com motor de rabeta longa, barulhento e rústico esperava seus passageiros. O destino, a outra margem do rio. Uma travessia de poucos minutos, carregando sobretudo turistas, mas também motos, animais e mercadorias.

NADA atrai muito na curta travessia. Talvez a vista para a bonita ponte de ferro construída pelos britânicos em 1934. Curiosamente destruída parcialmente por eles mesmos, cujos dois vãos centrais foram derrubados na tentativa de impedir o avanço japonês durante a Segunda Guerra Mundial.  Passaríamos por ela ao fim do dia, na volta da colina Sagaing. Até 1998 esta era a única que atravessava o Rio Ayeyawaddy, até que um chinês construiu uma nova ponte de concreto. Comum e feiosa, bem ao seu lado.

NOSSO destino era Ava (ou Inwa, que pronuncia-se "angwa"), outrora a poderosa capital do país, cuja coleção de templos e mosteiros antigos, diferentes de todos os que já vimos na Ásia, são a principal atração. Agora Ava nada mais é do que uma sonolenta aldeia, cujos habitantes se especializaram em fabricar peças em laca. Mas um passeio por Ava é um prazer em si mesmo. E um jornada através do tempo.

JÁ na outra margem subimos a pé a íngreme barranca do rio. Caminhamos uns quinhentos metros até o ponto de parada das charretes turísticas. Tomamos a nossa, e fomos explorar as relíquias de Ava. O roteiro segue estradas arenosas e passa por vestígios do que foi Ava. Sobretudo pelas muralhas, que ainda permanecem aqui e acolá, embora em acelerada decadência. Tudo no meio de um emaranhado de plantações.

SOBRAM poucos indícios de que Ava tenha sido capital do Reino de Mianmar por quatrocentos anos. Fundada pelo príncipe Thadominphya, do Estado de Shan, em 1364, numa ilha entre os rios Ayeyarwaddy e Myitnge, destruída em 1752, perdeu seu status ao ser substituída por Amarapura, em 1841. Um terremoto em 1838 destuiu os edifícios reais e alguns templos.

A partir do ponto em que tomamos a charrete a paisagem e sobretudo a atmosfera mudam substancialmente. Seguimos por campos, plantações, aldeias e ruínas onde monges complementam o cenário. A atmosfera rural é quase idílica. E todas as cenas se passam em silêncio, quebrado vez por outra pela voz do charreteiro ao comandar seu cavalo e pelo ranger da suspensão da ruidosa charrete. Sentado no banco dianteiro, 360 graus de cenários incríveis que tento fotografar sem sucesso: o sacolejante veículo tem que seguir seu destino.

   

PRA lá de simpático e agradável, o passeio é todavia extremamente desconfortável, ao menos bem mais do que aparenta ser antes de subirmos na carroça. E eu ainda não havia experimentado as carroças de Bagan!

AS tentativas de sacar algumas fotos sobre a carroça foram inúteis. Com ansiedade, como se fosse acabar logo a primeira paisagem rural que encontamos em Mianmar, depois da urbaníssima Yangon, nossa primeira parada. Estávamos finalmente onde queríamos: no interior do país.

 

A Torre de Observação do antigo Palácio de Innwa

A Torre de Observação de Innwa parece prestes a desmoronar. É curiosa (e assustadora) sua teimosia em manter-se de pé. Único remanescente em alvenaria do palácio de Baggidaw, construído em 1822, conseguiu manter-se depois do terremoto devastador de 1832. Desde então, ali está. E assim hoje se vê, escorada por colunas de cimento, decrépita e imponente. Ficar sob ela, ainda que interessante, é incômodo. Parece que tombará sobre nós.

COM uma enorme varanda e pilares cambaleantes, ninguém se sente confortavelmente seguro olhando-a desde sua base. Dizem que a vista de seu topo é fabulosa. Eu acredito. Tive ímpetos de subir suas escadas de madeira, evidentemente fui desencorajado por meu próprio bom senso. A paisagem ao redor é dominada por árvores, arbustos, caminhos de areia e de terra, palafitas de bambú e animais pastando. O silêncio é quebrado apenas por trinados de pássaros e a brisa nas copas das árvores.

  

O Mosteiro Bagaya Kyaung

O mosteiro Bagaya Kyaung é um dos incríveis do país. Provavelmente o mais bonito da área. Feito inteiramente em madeira teca, seu nome oficial é Maha Way Yan Bontha Kyaung Taw Gyi, que significa literalmente "o maior mosteiro real". Construído em 1834, tem 267 pilares de madeira teca.  Além da beleza arquitetônica e ornamental, fica no meio de um belíssimo cenário, onde havia o grande campo real de arroz. Enquanto caminhamos descalços por ele, suas tábuas rangiam. A sensação de visitá-lo, tocá-lo e ouvir wseus ruídos foi deliciosa. Especialmente ao caminharmos descalços por seu interior e exterior. Vimo monges noviciados em plena aula, uma das inúmeras escolas monásticas gratuitas do país, para muitas crianças a única oportunidade de estudarem. A visita ao mosteiro foi um dos momentos marcantes de toda a viagem, através de um dos lugares mais bonitos de Mianmar.

MAS a natureza efêmera da madeira, o clima tropical úmido, os insetos vorazes, o risco de inundações, de incêndios e terremotos, sobretudo a falta de recursos para mantê-lo, nos faz pensar que o Maha Way Yan Bontha Kyaung Taw Gyi não ficará para a posteridade.

 

O Mosteiro Maha Aung Mye Bon Zan

O Mosteiro Maha Aung Mye Bon Zan (ou Me Nu Oak Kyaung) é o mais incomum dos mosteiros de Ava. Inteiramente construído em alvenaria de tijolos, foi o que melhor conseguiu sobreviver à passagem do tempo, pelo menos comparado aos seus contemporâneos de madeira teca. Construído em 1818 pelo Rei Bagyidaw, sua cor amarelo pálido e os finos relevos com animais míticos, gárgulas e belos arcos tornam o conjunto extremamente interessante. DOIS grandes chinthes, os leões mitológicos birmaneses, guardam a entrada deste templo bastante ornado, construído em 1818 pela Rainha do Rei Bagyidaw, depois doado ao abade Nyaungyan Sayadaw, que tinha a reputação de ser seu amante.

TAMBÉM danificado pelo terremoto em 1838, foi reparado em 1873 pela Rainha Sin Phyu Ma Shin. Mesmo sendo uma construção incomum na época, em alvenaria, tem o mesmo estilo dos mosteiros de madeira de seu tempo, com o telhado de multiplas camadas, ornamentos em profusão, esculturas uma passagem que leva ao seu interior, onde há várias imagens de Buda. AO fim de nossa visita a Ava, almoçamos no turístico Ava Small River Restaurant, defronte ao ponto de parada das charretes, e perto do "porto", a simplíssima e deliciosa (ainda que única) opção do lugar. Sentamos num jardim com chão de terra, refrescados pela sombra de uma árvore Banyan e pela onipresente (e única) cerveja do país. Comemos bem, muito bem, como aliás em toda nossa viagem. Retornamos no mesmo rio para a outra margem em direção às Colinas de Sagaing.

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 A seguir: "As colinas de Sagaing"

Segunda-feira
Abr012013

Viva o povo brasileiro! (e seu século de viagens) 

                       AMEAÇA de guerra na Coréia, de bombardeio do Irã, de invasão da Palestina e sequestro de turistas franceses no Timbuktu. Sem contar a crise econômica mundial, já seria o bastante para deter o crescimento do turismo no mundo. Mas não é o que acontece. Sobem tanto a quantidade quanto a variedade de pessoas que viajam no mundo. Nada que me surpreenda. O ser humano é naturalmente inquieto e curioso. Mas não há dúvidas: o fato das viagens tornarem-se cada vez mais acessíveis influencia nos resultados. O Brasil não fica atrás. Felizmente. E por iguais motivos: viagens tornam-se mais democráticas, personalizáveis, ágeis e flexíveis. E ao mesmo tempo, confiáveis, seguras e confortáveis.

                      NÃO há na estatística algo que me alegre mais do que saber que o brasileiro vem quebrando seus récordes a cada ano. Nunca se viajou tanto ao exterior. E nem se gastou como agora em nossas viagens. As estatísticas nacionais, todavia, demonstram apenas que seguimos a tendência mundial: a Organização Mundial do Comércio contabiliza desde 1995, e estima que até 2020, as taxas médias anuais de crescimento das viagens internacionais permanecem em torno dos 6%.

                       MAS há algo que me atrai melhor a atenção nessa história de estatíticas de viagens: o fato de que também entre os brasileiros que contabilizam considerável milhagem, assim como destinos na bagagem, agora viajam para lugares cada vez menos comuns. Faz todo sentido. É normal que viajantes tornem-se mais aventureiros à medida que adquirem mais e novas experiências de viagens. Acho que é assim na vida de todo mundo. França, Espanha e Estados Unidos são os países mais visitados do mundo. Não há nenhum mal em ser um marinheiro de primeira viagem.  E começá-las por estes países. Ao contrário. Todo mundo começa por onde deve, pode e quer. E geralmente é para estes. Todo turista brasileiro provavelmente iniciou sua "carreira" esquadrinhando cada canto de encantadora Buenos Aires, andando por cada palmo dos parques de Orlando, explorando cada quarteirão da incomparável Paris e assistindo a todos os musicais de Nova York.

                       INCLUO-ME na lista. E mais que humildemente, o faço com orgulho. Sempre que posso dou uma escapada a estes lugares "mais-do-que-(deliciosamente)-comuns". E neles exerço meu legítimo, delicioso direito de sentir prazer revisitando o que já conheço muito bem. Tão naturalmente quanto todo principiante, como veterano já me atraem mais as viagens "diferentes": para destinos incomuns e distantes. É natural para quem tem o gosto pelas viagens sonhar com os destinos "inexplorados", onde ainda é possível viver "descobertas", presenciar o "desconhecido", absorver culturas "estranhas" e ter sua vida marcada por estas viagens. Possivelmente tão fantástico quanto retornar aos lugares que já esteve muitas vezes, e reviver neles o especial prazer de revê-los. Como todo bom turista, afinal.  

                       MAS me refiro aos verdadeiros turistas. Não aos que se acham melhores que os outros só porque não estão mais fazendo sua primeira viagem de excursão à Europa. Orgulho-me de não distinguir “viajantes” de “turistas”. Pelo menos da maneira cafona e pretensiosa como os que tentam fazer os ingênuos acreditarem que um “viajante” é melhor que um “turista”. Quero dizer, um bom turista! Aquele que compreende que numa viagem quanto maior sua capacidade de adaptar-se às circunstâncias, quanto mais tirar dela, melhor viajante será. E também possivelmente um indivíduo mais feliz. Na minha opinião, quem classifica alguém como "viajante" atribuindo-lhe qualidades melhores do que outro classificado como "turista", é antes de tudo um cafona pretensioso.

                       MAS nenhum tipo de turista é pior que o brasileiro que adora menosprezar o Brasil lá fora. E falar mal de tudo e de todos de nosso país. E que se envergonha de encontrar seus conterrâneos no exterior. Acho essa gente que se percebe e olha mal pra si mesma - desconfiada e envergonhada - é super blasé e cafona.

                       Viva o povo brasileiro! (e seu século de viagens).