MENSAGEM ao LEITOR
BIO

BEM-vindo!

          EU gostaria que minha vida tivesse sido inteiramente dedicada às viagens. E também a escrever sobre elas. Viver das palavras, fotografias e leitores. Mas reconheço que tenho sorte: posso viajar pagando por minhas viagens e escrever sem que tenham que me dar dinheiro por isso. Sobretudo poder compartilhar aqui com vocês sem qualquer compromisso não legítimo.

         Sou brasileiro e empresário, casado com a doce Emília do blog "A Turista Acidental". Desde que a conheci e antes mesmo de nos casarmos, tornou-se a mais-que-perfeita companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais. Era de esperar que também se revelasse uma encantadora e inspiradora companhia de viagens e aventuras. Com ela passei a compreender o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e motivações viajeiras. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" dela, assim como "antes e depois" da Índia. Não por outro motivo percebi o que quis dizer Érico Veríssimo quando definiu que "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." 

      Passei a escrever também ainda mais inspirado e com maior entusiamo. Agora, que estamos grávidos de gêmeos - uma menina e um menino que nascerão em julho próximo -, embora nada tenha isso a ver com um blog de viagens, provavelmente terá muito com o futuro deste aqui. Ou porque teremos que "dar um tempo" nas viagens ou porque se viagens nos motivam e inspiram, agora com os gêmeos ainda mais. Sabemos que entre intenção e atitude há um mundo a separá-las. Mesmo assim sonhamos levá-los a destinos interessantes tentar neles despertar e cultivar o interesse pelas viagens. Como todos os pais, também queremos o melhor para nossos filhos, e também temos nossas dúvidas. Sobretudo do que efetivamente seja o "melhor" para eles. Inclusive viajar. Mas se seus pais divertem-se e aprendem tanto viajando, se as viagens representam tanto em nossas vidas, natural pensarmos em levá-los conosco. Esperamos encontrar idéias criativas para destinos incomuns e aproveitarmos as oportunidades para despertar-lhes a curiosidade e o entusiasmo com as viagens.

        Tenho 63 anos, boa parte deles dedicados à família e ao trabalho. Aos 35 comecei a viajar internacionalmente. Desde então visitei 60 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e que abrigam sítios dos mais admiráveis do planeta. Felizmente para alguns deles quando ainda estavam a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, ele era um meio de comunicação. Pensava que se limitaria aos amigos e familiares, mas tomou outro rumo, provavelmente porque muitos achavam que meus textos e fotos eram bons, porque os destinos que visitava eram atraentes. DEsses países que visitei, para alguns países retornei tantas vezes que tornei-me íntimo. Para outros, uma ou duas mais apenas, freqüência que todavia ainda não me esgotou deles. Em cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países. Segundo o Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo que já esteve em 160 países -, fazendo o teste "Viajologia" em seu site (que considera não só países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações em viagens), alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada, ou quase nada diante de gente que tem pós-doutorado em viagens. Se eu conseguisse resumir o que esses quase trinta anos viajando me proporcionaram em termos de aprendizado, diria que perceber que quanto maior a flexibilidade de adaptação aos ambientes, mais e melhor consigo extrair deles foi o mais útil. Incontáveis marcas as viagens me deixaram, entre elas a simpatia e a humildade legítima dos birmaneses e dos uzbeques, entre os povos mais doces e inesquecíveis com quem tive o privilégio de conviver.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização

        O que me motiva? Muita coisa me motiva. Viajar uma das maiores. Mas e aqui? O que me motiva neste blog? Fazer diferente e com qualidade. Incentivar, motivar e inspirar o leitor, o que pra mim escrever é puro prazer. Eu acho o mundo muito, muito bacana. O que há de mais atraente nele é justamente ser tão diferente. E quanto mais geográfica e culturamente distante de casa, maior minha curiosidade por ele. Culturas estranhas não me estranham, atraem. Quanto mais difíceis, maior atração me despertam. Mas é curiosidade saudável, respeitosa, responsável, não consumidora.

         Ainda que nada me pareça mais excitante do que viajar, também gosto bastante de fotografar e escrever. Desde a infância e juventude. Fazê-los sobre viagens tornou-se natural, ainda que o blog tenha sido tardio. Foi em março de 2006, quando o criei como meio de comunicação com amigos e familiares. Depois tomou outro rumo, sobretudo o principal: inspirar e motivar leitores a viajarem. Mas jamais me atraiu ganhar dinheiro se isso significasse ter que escrever textos dirigidos por publicidade, compromissos financeiros ou em troca de viagens e hospedagens gratuitas. É a captulação à ambição, interesse e vaidade cegas. Propagandas são muito bem-vindas, claro. Mas continuo firmemente acreditando que os que escolhem o caminho mais fácil (a monetização sem critérios e a qualquer custo, sobretudo a enganação de leitores) e os que fazem igual à maioria têm efetivamente resultados mais rápidos, mas nem sempre melhores e mais duradouros.

         Não escrevo guias extensos e técnicos, postais sem conteúdo, algo para caber no Twiter mas histórias que, tento, sejam envolventes, que estimulem o eitor seguir adiante na leitura. Se funciona? Para osmeus leitores, sim

Agradeço a visita e os comentários. E desejo boa viagem!

Em tempo: não importa o estilo, admiro quem mostra iniciativa e paixão escrevendo um blog. Aqueles que descrevem ao seu jeito suas viagens e que refletem sobre os destinos que visitam. No outro lado, lamento os muitos que foram mordidos pelo bicho da monetização dos blogs, sobretudo os que "monetizaram-nos" irrefletidamente,  a qualquer custo, especialmente com perda de qualidade, credibilidade e admiração. Dos blogs amadores aos profissionais, muitos transformaram-se em exemplos lamentáveis de má gestão e amadorismo. Onde abundam os relatos de viagens pagas, patrocinadas e convite de órgãos oficiais de turismo. O que era um prazer de ler, tornou-se falso, comprometido, sem personalidade, Vendido. Tornaram-se escravos do que plantaram e defendem ardorosamente o conceito "monetizar custe o que custar".

Eu não viajo de graça. E não sou puxa-saco de destino algum porque ganhei dinheiro pra fazer isso. E não sou baba-ovo de blogueiro da "rede". E não vivo pagando-pau pra hotéis e companhias aéreas na esperança de ficar bem com o trade e conseguir gratuidades, vantagens, benefícios e privilégios pra viajar. Nada tenho quem ganha dinheiro com blog, desde que não iluda seu leitor. Este blog não aceita publicidade e press trips. Então, caro leitor, saiba que todas as viagens descritas aqui foram auto-financiadas, sequer  ocasionalmente viabilizadas através de parcerias com organizações de turismo, agências de viagens e afins.

Então, não tenho obrigação de falar bem do que quer que seja. A não ser legitimamente. Por isso é bom saber, caro leitor, que não aderi ao "esquema" corporativista da blogosfera que se protege e se incentiva mutuamente, aqueles que jogam no time da vulgarização das matérias em troco de dinheiro ou de convites para viajar. Nunca estive preocupado com a audiência deste blog se ela significasse a perda de credibilidade. Optei por ter poucos leitores, mas dos que gosto: espertos, que não caem nas lorotas de blogueiros vendidos, que sabem diferenciar enganadores que escrevem porque fizeram uma viagem gratuita. Sou admirador da enorme comunidade de blogueiros que escreve legitimamente e sem compromisso comercial.

Agradeço aos leitores que por aqui passaram. Em dobro aos que retornaram e em triplo aos que, como você leram até o fim do texto, provavelmente porque reconhecem e valorizam blogs como este aqui. Vocês todos são o único motivo de eu ainda estar por aqui. 

Este blog não integra nenhuma associação. Mas quando fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem.

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De onde chegam os visitantes
Sábado
Jul272013

YELLOWSTONE - Um gigante adormecido

               UMA área de incrível atividade geológica, onde discretos mas freqüentes terremotos criam os caminhos para que o núcleo fundido chegue à superfície. O caldeirão de combustível geotérmico, guardado há milhões de anos no imenso porão do parque, emerge de suas entranhas e chega à tona em várias formas de expressão. Das mais graciosas às mais assustadoras: fontes termais, piscinas escaldantes, poços de água sulfurosa mais ácida do que solução de bateria, gêisers delicados ou escandalosos, lama borbulhante e crateras fumegantes.

 

               TUDO em quantidade e diversidade que não se vê em nenhum outro lugar do planeta. Apenas aqui, neste vulcão adormecido, que se resolvesse explodir em toda sua potência, levaria pelos ares não apenas o parque natural mais emblemático do país, mas boa parte do oeste americano. Ainda assim, tudo é belíssimo. Escandalosamente belo. Em cada metro desta imensa área.

                 Geológicamente falando, Yellowstone é uma caldeira de vulcão ativo. Com 17 milhões de anos. Felizmente, os dois últimos sem alterações destruidoras. Na superfície, grandes lagos e rios serpenteiam entre pradarias e montanhas, riachos recebem pescadores em fly-fishing com suas linhas dançantes, e animais pastam plácidamente ou caçam suas presas entre florestas de juníperos. Rios caudalosos despencam cascatas estrondosas. Tudo de uma beleza tão grande que seus visitantes se esquecem de que estão sobre um vulcão.

                 Uma belíssima, complexa, variada, intrigante paisagem. Ninguém parece lembrar-se de que o vulcão poderia explodir com toda sua força potencial. E nós éramos apenas dois entre os milhares de turistas igualmente iludidos por tamanha beleza cênica, pisando naquela gigantesca cratera de vulcão, felizmente com remotas chances de erupções catastróficas: uma em 730.000. Ou 0,00014%.  

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Do Grand Teton ao Yellowstone, por uma incrível rota cênica

                 Seguimos as estradas US-191 N e U.S. 89 N em direção à John D. Rockefeller Memorial Parkway, desde o Snake River Lodge, em Jackson Hole, até o Old Faithful Geyser, dentro do Yellowstone, pelo Portão Sul, para ver nossa primeira atração no parque. E a sua mais emblemática e concorrida. A distância não é curta, são cerca de 155 km. E a estrada, que segue margeando o Jackson Lake e depois o Snake River, por todo o percurso tem enorme oportunidade de paradas para fotos.  

 

 

                 Sabendo disso, se não controlássemos o tempo, chegararíamos à noite ao Lake Yellowstone, depois de visitarmos o Old Faithful Geyser. Foi assim que a caminhada ao longo da passarela de madeira que serpenteia a bacia do Old Faithful Geyser marcou o fim de nossa atividade naquela dia. O caminho tem muito a oferecer ao visitante, por isso atrai multidões. Especialmente no Verão.

 

                 Se o Grand Teton é um parque pequeno comparado ao Yellowstone, também mais sereno e contemplativo, Yellowstone requer paciência, certo esforço físico e mais tempo de visitação. Nesta época, Verão, quando mais da metade dos 3 milhões de visitantes anuais visita o parque, enche as estradas e atrações, disputam um pedaço e muitos momentos para fotografias, é preciso certa paciência e resignação. Mas é divertidíssimo.  

                  Todos os visitantes são educados e civilizados. Muitos americanos, com suas pick-ups enormes rebocando RVs que cabem a família inteira, cuidam de estacioná-los nos lugares a eles reservados, evitando atrapalhar os demais veículos. O Verão tem algumas desvantagens, ainda que a temperatura seja agradável de dia e fria à noite: encontrar animais selvagens durante os dias quentes e ensolarados do verão pode ser mais difícil do que durante o Outono e Primavera. As multidões quase sempre os assustam, afastando-os para longe das estradas.  

 

                  Ainda faltavam 83 quilômetros dali até Lake Village, onde nos hospedaríamos no rústico, simplíssimo e básico Lake Lodge Cabins, às margens do Lake Yellowstone. Foi a única opção com vagas para a alta temporada, ainda que seis meses antes de nossa viagem tenhamos procurado por elas.

 

 

                  Sobre o Old Faithful, devo dizer: não é tão impressionante quanto se possa esperar, por isso a expectativa não deve ser exagerada. E o melhor é que ele não é o único geyser que vale a pena ver. Nem o maior, mais alto e mais regular. Todavia, a combinação de seu tamanho, o intervalo e a freqüência de suas erupções, além de sua localização, que o tornaram tão popular. Há outras erupções bastante interessantes que uma caminhada ao redor do Old Faithful revela. E vale tão a pena quanto observar o velho gêiser inrrompendo.

 

  

 

                Qualquer trilha é bem menos disputada do que as estradas. Dizem que 97% dos visitantes não vai além de 100 metros além delas. Ou das calçadas ao redor das atrações. Mas explorar a Norris Gêiser, uma das bacias mais incríveis de todo o parque, revela todos os demais recursos geotérmicos do parque num só passeio. É o primeiro grande programa para quem entra no parque pelo Sul. Entre eles o Grand Geyser, extremamente menos concorrido, mas bastante curioso. Dizem que vale a pena esperar por suas erupções, a intervalos entre 7 a 15 horas.   

 

 

 

                 Ou o Daisy Geyser, muito previsível, com intervalos menores, entre 2 a 4 horas, cujas erupções duram entre 3 e 5 minutos. O Riverside Geyser, único do parque com erupções em diferentes ângulos de trajetória, tem intervalos de 7 horas. Todas as previsões constam de uma tabela disponível no Visitor Center e os mais importantes em avisos colocados diante das próprios atrações.  

 

 

 

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O primeiro da América 

                 Por trás do parque há uma história vibrante. Ou melhor, várias histórias. De exploradores, comerciantes de pele, topógrafos, pintores e fotógrafos. Como William Henry Jackson e Thomas Moran, pioneiros que influenciaram o Congresso americano a estabelecer o primeiro parque nacional da América, em 1872. Foi o primeiro pedaço de deserto que alguém achou por bem proteger. Décadas depois, o Grand Teton uniu-se ao Yellowstone, passando a formar um chocante complexo de belezas naturais.  

 

 

                 Os visitantes hoje não enfrentam as dificuldades de John Colter para explorar o parque. Membro da Expedição Lewis and Clark, uma das mais famosas da América, entre 1807e 1808, permaneceu meses explorando a natureza e a vida selvagem de Yellowstone. Por isso ganhou o apelido de "mountain man". Hoje há infra-estrutura perfeita: grande oferta de hotéis de todos os padrões, de lugares para comer, de lojas de conveniêcia, mercados e uma perfeita rede de estradas e trilhas. 

 

 

                 São 2,2 milhões hectares  que ganharam status de Reserva da Biosfera e Patrimônio Mundial da UNESCO. Um parque gigantesco, um espetacular programa para qualquer um, de anônimo apreciador da natureza a famílias inteiras. Mas Yellowstone não é a Disneylândia. Animais selvagens - bisões, lobos, ursos e coiotes - podem atacar. Alguns estão agrupados, outros isolados, escondidos, podem surgir repentinamente. Até mesmo os chifrudos, "inofensivos" alces e cervos podem ser muito perigosos na época do acasalamento. Lobos também podem ser vistos, e são perigosos, mas a maioria dos que o visitante verá são na verdade coiotes, que podem ser vistos em qualquer parte, estação e hora no parque. Enfim, pessoas podem morrer neste parque se facilitarem a favor do perigo. Algumas de fato já perderam a vida assim.

 

                 O perigo não ronda a todos todo instante, mas é real. Há lugares onde os animais podem surgir repentinamente. Os enormes, peludos, assustadores bisões caminham entre os carros pelas estradas ou bem próximos dela e até podem sugerir serenidade. Mas aproximar-se é um perigo. Ursos também são, mas são bem mais difíceis as chances de vê-los. Há regras de segurança no parque de comportamento em relação aos animais, especialmente para quem for embrenhar-se por suas florestas fazendo trilhas. Uma delas é levar um spray de pimenta desenvolvido para afastar ursos mal intensionados. Populares, vendem-se até nas mesas de restaurantes. 

 

                 Não foi o primeiro parque nacional da América que conheci, mas o que me inspirou um dia visitar todos do oeste americano. Impressionado como a Terra pode ser violenta, evocando as mais incríveis imagens selvagens e naturais, de manadas de bisões a jatos d´água saindo das entranhas da terra, suas histórias de pioneiros, caravanas, casas rústicas, animais e diversidade natural nunca mais sairam da mente desde que o vi na infância num documentário de TV. Se eu tivesse que resumí-lo, seria: "uma geologia fascinante e incomum, beleza enorme e rústica, santuário de vida selvagem e incrível diversidade de paisagens naturais." 

 

                 Para os da minha geração não será fácil visitar o Yellowstone sem recordar-se do Zé Colméia. Um dos desenhos animados preferidos daquela infância, um dos clássicos de Hanna-Barbera. Protagonizados pelos simpáticos ursos Zé Colmeia (ou Yogi Bear) e Catatau (ou Boo Boo Bear ), passava-se no imáginário Jellystone, referência intencional o Yellowstone. Os dias de alimentar os ursos com geléia e sanduíches, todavia estão distantes. E provavelmente fizeram parte apenas dos desenhos animados. Desde 1970 o Parque proíbe alimentar animais.  E também determina que não se pode aproximar a menos de 100 metros dos ursos e dos lobos, e a 20 metros de quaisquer outros animais.  

 

                 Mas nem todo visitante vem ao parque por causa da vida selvagem, ainda que esta seja um atração encantadora. A maioria vem ver os gêiseres, além das as piscinas de lama borbulhante e os poços água escaldante exalando enxofre. Que o digam Old Faithfull - o gêiser - e Grand Prismatic Spring, o maior e mais espetacular exemplo de piscina termal de todo o parque. Não há como não impressionar-se com suas cores vibrantes, resultado de bactérias pigmentadas que crescem nas bordas da água mineral e dos minerais que a colorem. Especialmente vista de cima, por uma trilha não oficial, não sinalizada, íngreme, poeirenta, difícil e cheia de troncos de pinheiros caídos. Mas a recompensa é notável.

 

 

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Grand Loop Drive - 300 milhas de estradas cênicas

                As rotas e as atrações do Parque Yellowstone seguem um percursoem forma de "oito", com cerca 300 milhas de extensão total. São estradas perfeitamente asfaltadas e muito bem trafegáveis, com velocidades máximas entre 35 e 45 milhas por hora, dependendo do trecho. Algumas são secundárias, mas em perfeito estado. A maior parte das atrações é adjacente a elas. O roteiro - denominado Grand Loop - tem 140 milhas (aproximadamente 225 quilômetros) e estradas secundárias que saem dele para outras atrações. O Verão é a temporada mais movimentada, não apenas pelo fluxo de turistas, mas pelas possibilidades de atividades como a pesca, caminhandas, acampamentos e até passeios de diligência à noite.

 

 

                Os gêiseres irrompem com mais vigor e as piscinas termais parecem ferver mais. Os dias são quentes, as noites são frescas, e embora a temporada seja de alta ocupação, é tambem para relaxamento e contemplação impossíveis nos meses de Inverno e nos mais frios das outras estações. 

 

 

                No loop há rotas com diferentes nomes. São eles que identificam as atrações principais em seus trechos: Old Faithful to Mammoth Hot Springs, Old Faithful to Madison, Norris Junction to Mammoth Hot Springs, To Tower Roosevelt and Canyon Village, Tower-Roosevelt to Northeast Entrance, Tower-Roosevelt to Northeast Entrance, Tower-Roosevelt to Canyon, Canyon Village, Hayden Valley, East Entrance to Fishing Bridge Junction (The Lake Area), Yellowstone Lake e West Thumb and Grant Village  

 

 

                Há outras, menos concorridas e não menos atraentes, mas para quem sobra o tempo: a Old Gardiner Road, que começa em Mammoth e percorre os prados, proporcionando vistas excepcionais, que termina em Gardiner, já no Estado de Montana. Também há a pequena Blacktail Plateau  Drive, com oito milhas, outra maneira de ir ao nordeste do parque, a partir de Mammoth Hot Springs, possibilitando vistas das florestas de aspen e de boa parte da vida animal do parque. 

 

 

                 As principais áreas (e suas respectivas atrações) também têm nomes: Mammoth Hot Springs Terraces,  Upper Geyser Basin (onde fica o Old Faithful Geyser), o  Grand Canyon of the Yellowstone (onde ficam Upper e Lower Falls), Norris Geyser Basin (onde observam-se as mais quentes atividades termais do parque), Fountain Paint Pot (outra área muito ativa, estão as mud pots, fontes borbulhantes, único lugar onde se podem observar todos os quatro tipos de características térmicas do Yellowstone), Mud Volcano (com suas curiosas fontes de lama termal borbulhante), West Thumb Geyser Basin (onde avistam-se as incríveis crateras cheias de água em plena atividade vulcânica)... 

 

 

               ...além dos diversos Visitors Centers espalhados por todo o parque (Old Faithful Visitor Center, Albright Visitor Center, Canyon Visitor Center, Fishing Bridge Visitor Center e Grant Village Visitor Center) e os museus do parque (Norris Geyser Basin Museum, Museum of the National Park Ranger, Madison Museum).   

 

 

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Yellowstone. Um exagero o que se fala dele ou vale a pena visitá-lo?

                É difícil imaginar um lugar como Yellowstone ser considerado um exagero. Superlativos para descrevê-lo são nada mais do que o resultado efetivo do que ele provoca  em seus visitantes. Não consigo imaginar algum que retorne decepcionado. É apropriado para famílias, casais, solitários ou não, de todas as idades.  

 

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(*) Nota: um geyser nunca pode ser considerado adiantado ou atrasado em suas previsões de erupção. Na verdade ela é apenas uma previsão. Na maioria dos casos simplesmente baseada em informações e observações de erupções anteriores, especialmente seus intervalos, mas também seu comprimento e tamanho. Outras características mais complexas tornam impossível prever o tempo exato e a regularidade das erupções dos gêiseres porque são interações complexas entre fatores geológicos e físicos que mudam com freqüência.

Quando a pressão torna-se muito grande, a água que penetrou pelas fendas volta à superfície. Em forma de gêiseres, os imponentes jorros de água e vapor. As rachaduras na crosta também conseguem canalizar a água à superfície, sem tanta pressão, e formam piscinas de água fervente.  Dependendo do caminho que as águas subterrâneas fazem até a superfície, algumas piscinas podem ser confortáveis para o banho. Todavia, as mais curiosas são as panelas com barro fumegante e borbulhante, criadas com a mistura de água quente a outros minerais e argila derretidos.

1) Um ótimo guia virtual para os parques Grand Teton e Yellowstone está na série de matérias (extensas, completas e bastante informativas) do blog do MauOscar Blog de Viagens. (http://mauoscar.com/2012/01/21/guia-para-o-grand-teton-national-park/)

2) Mapa: http://mauoscar.files.wordpress.com/2012/01/grte_park_map_2011.pdf

 

 

 

 

Quarta-feira
Jul102013

GRAND TETON, Wyoming - Beleza selvagem no Oeste americano

                 EM tempos de talheres de plástico, de raio x pra sapatos e bagagem de mão, malas abertas pela TSA, scanner de corpo e strip tease virtual, voar nos Estados Unidos deixou de ser um prazer faz tempo. Precisamente desde 2001. Todavia, pousar no Jackson Hole Airport - JAC, para os íntimos - é uma experiência que todos esperam desde o embarque. Um dos mais cênicos do mundo, a aproximação e o pouso ali converte o aborrecimento em algo encantador.

 Desenho correto e moderno, inspirado nas pioneer log cabins 

                  A experiência é única: em nenhum outro lugar pousa-se nos limites de um parque nacional, especialmente ao lado de montanhas como as da Teton Range. Poucos lugares na América têm esta beleza tão mística, tão dramática e selvagem quanto no Grand Teton National Park. São alguns dos mais emblemáticos cenários de montanhas, lagos, rios, flores, florestas, animais e pássaros que se podem encontrar neste lado do mundo. Pousar neste cenário é a primeira de uma série interminável de experiências que o visitante terá. Elas começam no pouso, seguem no desembarque do avião estacionado a poucos metros do terminal, os passageiros descem na pista e poucos passos depois estão defronte à esteira bagagens. Com vistas para as montanhas!

Aeroporto com vista - Foto: Matt Hintsa (http://www.flickr.com/photos/matt_hintsa/)

                   O terminal é agradável, no conceito e na arquitetura, cujo desenho correto e moderno inspirado nas pioneer log cabins, integra-se à paisagem, tira proveito do que ele tem de melhor: a vista para a Grand, a Middle e a South Tetons, as três montanhas coração da Teton Range  

Grand, Middle e South Tetons, as três montanhas formam o coração da Teton Range 

                  Volto ao Grand Teton doze anos depois (*). E ainda me deslumbro com a beleza pura, em estado natural, generosamente distribuída por cada metro de sua extensa área. Encontro a mesma dificuldade ao descrevê-las. Um post como este jamais arranhará a superfície da profunda complexidade geológica, de tamanha beleza e de tão fabulosas experiências que tivemos neste lugar.

(*) Nota:  em 7 de Setembro de 2001 eu começava uma viagem rodoviária pelo Oeste americano. Percorreria os Estados do Utah, Wyoming, Montana, Idaho e Nevada. Meus objetivos turísticos eram primeiramente alguns dos parques nacionais mais belos e emblemáticos dos Estados Unidos, entre eles o Grand Teton e o Yellowstone National Parks. Os secundários, Washington, DC e Nova York. Entre estes destinos permaneci dos dias 7 a 21 de Setembro, precisamente durante o olho do furacão do fatídico "11 de Setembro", como chamaram o ataque terrorista que mudaria o mundo. 

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Grand Teton National Park – Beleza selvagem no Oeste americano

                 O Grand Teton é yin, o Yellowstone é yang. Foi a melhor, mais precisa e curta definição que já encontrei sobre ambos. Uma linda prosa, bem apropriada, que usa o conceito do taoísmo ao definir a dualidade de tudo o que há na Terra. Enquanto um é tranquilidade o outro é energético. O Grand Teton - irmão mais novo do parque Yellowstone - é para muitos apenas o caminho obrigatório para o Yellowstone. Numa road trip, alguns turistas cruzam o parque, sacam algumas fotos (inquestionavelmente belas) e sequer saem da beira da estrada. Não se pode negar que o Grand Teton vive à sombra do Yellowstone, que o irmão mais novo seja discreto e contemplativo, que não tem o traço energético que o poder geológico do primogênito lhe confere. Quase sempre é "apagado" diante da potência do Yellowstone. Entretanto, "passar" por ele é uma insensatez. 

  Scenic Drive no Grand Teton. Passar sem parar, uma insensatez

                Ainda que aparentemente seja apenas um belíssimo caminho obrigatório para o glorioso Yellowstone, cuja energia explosiva o faz brilhar tanto mais, quem decide explorar seus meandros encontrará um conjunto de trilhas, lagos, florestas e paisagens que para além de belíssimas, definem sua personalidade yin: placidez, serenidade, sossego, tranquilidade. É a beleza selvagem que faz desta parte do Wyoming uma importante parte da história da América.  

  Chapel of the Transfiguration - Moose, Grand Teton National Park

                As características do Grand Teton nos tornam possível melhor compreender o Yellowstone, com sua energia explosiva e fumegante que vem dos subterrâneos. E, então, descobrirmos que o irmão mais expressivo não coloca o outro em cheque, que a energia "contemplativa" de um acentua a "performática" do outro. É nesta região, não em qualquer outra, que entre montanhas, pradarias, florestas e rios sinuosos encontra-se o maior santuário de vida selvagem natural dos Estados Unidos.  Na boca de um vulcão ativo e fumegante, num conjunto de paisagens das mais emblemáticas da América, área gigantesca de 8.980 km² onde habitam lobos, búfalos, ursos, cervos, alces e outros bichos. Muitos bichos.

 John Moulton Barn, “Mormon Row” Grand Teton National Park

                  O mau gosto do seu nome não faz justiça à sua beleza. Sua origem é controversa, mas Mount Hayden, seu primeiro nome, foi dado pela expedição Washburn-Langford-Doane, em 1870. A montanha mais alta, a Grand Teton, tem 4.197 m de altitude. A explicação mais comum para "grand tetons" - ou grandes tetas  em francês -, é que o nome foi dado por um franco-canadense, membro de uma expedição liderada por um tal de Donald McKenzie. Entretanto, alguns historiadores discordam, afirmando que a montanha foi nomeada pelos nativos Sioux. Outros dizem que caçadores e comerciantes de peles da região no século 19 focavam sua atuação especialmente na área dos três maiores picos -  Grand, South and Middle  - às quais se referiam como "les trois tétons", por corruptela, as três grand tetons.  Ainda que uma curiosidade, que seu valor esteja bem acima do seu nome, o mau gosto vale a menção.

   Oxbow Bend Turnout - Grand Teton National Park

                    A majestosa cadeia de montanhas, as flores silvestres, as florestas de pinheiros e de aspen trees, os lagos glaciais no sopé, as trilhas e um simples observar de tanta beleza das montanhas e da natureza que a rodeia já vale a visita ao Grand Teton.

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O Grand Teton e a longa Marcha para o Oeste

                 Índios Shoshone viveram nestas planícies há pelo menos 11 mil anos. Parentes dos Comanches, eram pacíficos, compartilhavam a vasta região com outros índios das nações Bannock, Blackfeet, Gros Ventre, Nez Perce, Arapaho, Arikara, Cheyenne, Kiowa, Sheep Eater, Sioux, Ute e Crow. Seus costumes e cultura ainda permanecem vibrantes na história, mas foi o homem branco - europeu, sobretudo inglês e francês, e euroamericano - que escreveu a parte mais atraente dessa história.

                 Primeiro eram caçadores de peles europeus que vinham em busca do que era a última noda na Europa: pele de castor. Depois, exploradores e pesquisadores. Por fim, rancheiros e fazendeiros pioneiros, logo depois que os Estados Unidos compraram da França, em 1803, o território então chamado Louisiana, uma vasta área de terra na mais remota porção de terra dos Estados Unidos.  

                  Thomas Jefferson enviou a expedição Lewis and Clark para explorar a nova área e criar uma ligação entre o Leste e o novo território no Oeste. Em longas jornadas chamadas “Marcha para o oeste”, percorriam trilhas que passavam pelo Estado do Wyoming e levavam exploradores que resolviam estabelecer-se como pioneiros à procura de oportunidades. Em 31 de agosto de 1803, Lewis saiu da Pensilvânia, a porta de entrada para o oeste, com uma tripulação de treze homens e um cão. No caminho, pegou Clark em Ohio e seguiram para o que seria o Estado do Wyoming.  

Lewis e os Shoshone 

                 A relação entre Lewis e Clark e a tribo Shoshone era de dramas e tensões. Mas ainda que ao longo dos primeiros encontros houvesse grande desconfiança, ambos os lados foram capazes de ajudarem-se mutuamente e contribuirem quada qual com seu conhecimento. Eu consigo imaginar como viajavam os primeiros visitantes destas rotas primitivas, viagens feitas a cavalo ou mula, atravessando as mesmas florestas, rios, montanhas e pradarias que hoje visitamos. Eram tão difíceis e extenuantes que só se venciam dois a três quilômetros por dia. Foi John Colter, membro da expedição Lewis e Clark,  jovem voluntário da expedição, que decidiu não retornar da região, fixando-se por ali. Por isso historiadores consideram-no o primeiro homem branco a fixar-se na região, o primeiro a explorar as vasta área onde hoje estão os parques Grand Teton e Yellowstone.

  

Clark e os Shoshone e John Colter

                 Entre 1807 e 1808 Colter foi seguido por outros homens brancos. Mas não eram exploradores ou turistas aventureiros, senão caçadores de peles. Um dos primeiros indivíduos que empreendeu incursões turísticas, isto é, que não vinha à caça, chamava-se Warren Angus Ferris. Explorava por prazer, admiração. Consideram-no então o primeiro turista de Yellowstone. 

Rancho pioneiro com vista para as tetons 

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As Scenic Routes do Grand Teton N.P.

                 As estradas U.S. 191 e 89 estão entre as mais belas scenic drives da América, com vistas panorâmicas tanto para a serra quanto para o vale. Consideram-nas uma das Top 10 Scenic Drives das montanhas rochosas. As cenas são tantas que não caberiam aqui. E talvez a do Mount Moran refletido nas águas do Snake River, em Oxbow Bend, seja uma das mais populares, memoráveis, disputadas por fotógrafos de paisagens e reconhecidas no mundo.  A Highway 89, ou Scenic Teton Park Road, por onde passam os visitantes que vão ao Yellowstone pelo Portão Sul, se estende do centro de visitantes e passa pelo Jenny Lake. As vistas da Cordilheira Teton acompanham todo o trajeto. A opção é sempre do viajante, mas ele deveria parar em cada um dos inúmeros turnouts. Os mirantes são perfeitamente projetados para que o visitante tenha altura perfeita e distância ideal para observar a vista. E ter a melhor perspectiva para fotos. 

Na Scenic Teton Park Road, se puder pare em todos os turnouts 

                  Os overlooks da Highway 89, de norte para o sul, são: Elk Ranch Flats Turnout, Cunningham Cabin, Snake River Overlook, Teton Point Turnout. Schwabacher Landing, Glacier View Turnout e Blacktail Ponds Overlook. 

                  Com uma parada no centro de visitantes para um rápido aprendizado, útil introdução cultural ao parque, seguimos para explorá-lo por um dia inteiro. Do amanhecer ao anoitecer. E só ao final descobrimos que um dia é muito pouco para o Grand Teton. E à noite, ao passar as fotos do dia no parque, percebi que elas capturam com precisão a sensação de serenidade de beleza e de encantamento que sentimos no parque. 

Visitor Center Grand Teton NP 

  

                  No Jackson Lake Lodge o almoço tem uma incrível vista para o Jackson Lake. Se quiser seguir a rodovia 89-191, que margeia a costa do Lago Jackson, há diversos pontos para piquenique. Se na cidade tiver se preparado, trazido comida e refrescos, será um belo programa. É possível fazê-lo observando-se as aspen trees, coloridas flores silvestres, prados e florestas que costumam atrair cervos, alces, patos e gansos do Canadá. Com sorte é possível até ver águias perto de Colter Bay

Trilhar seus caminhos e fotografar suas paisagens, uma das melhores experiências desta viagem 

                  Em Moose Junction entramos no Grand Teton National Park. A primeira parada, no Moose Entrance Station and Visitor Center, e seguimos pela rodovia que sobe uma colina e vai revelando aos poucos a cadeia de montanhas Teton, com seus incríveis picos cobertos de neve a maior parte do ano, mesmo no Verão. Cercado por densas florestas e lagos cintilantes em sua base, conecta-se à John D. Rockefeller Jr. Memorial Parkway, que liga o Grand Teton ao Yellowstone. É preciso sair do carro para explorar, caminhar pelas trilhas e observar sempre algumas das cenas mais lindas do parque.  

A beleza rústica do Oeste americano como via Ansel Adams

                Apesar de ter apenas 18 milhas (30 Km) de estradas em seu interior, são tantas as paradas para fotos e apreciação das paisagens que gasta-se um dia inteiro no parque apenas contemplando-o. Aliás, observação da natureza e contemplação da paisagem é o melhor programa aqui. Todas as áreas visitáveis do parque são recomendáveis, mas Jenny e Jackson Lakes têm as paisagens mais emblemáticas e são as indispensáveis. 

String Lake

                 Uma das curiosidades, marca registrada do parque, são as cercas características do vale de Teton, denominadas "buck-and-rail", de estrutura incomum, em forma de ‘A’, onde os moirões apoiam-se sobre cavaletes. A particularidade engenhosa deve-se ao fato de que com o terreno tão pedregoso é extremamente onerosa a construção de cercas convencionais, de moirões fincados na terra, firmes o suficiente para receberem arames farpados.

 Buck-and-rail fences

                 Logo após ter entrado no parque a primeira entrada à direita leva ao Menor-Noble Historic District e ao Menor's Ferry. É um lugar interessante, da época dos pioneiros, com réplicas, cabanas e o ferry que pertenceu a William D. Menor.  Vindo para Jackson Hole em 1894, foi um dos pioneiros da área, construindo uma casa ao lado do Rio Snake. Aqui ele construiu uma balsa que tornou-se  vital para os primeiros colonizadores do Vale de Jackson Hole, até então foi isolado pelo rio.  

Beleza selvagem no Oeste americano

                 Menor-Noble Historic District também é onde fica a Chapel of the Transfiguration. Depois de visitar Menor-Noble Historic District, voltando, seguimos à frente pela estrada Teton Park Road para ver as montanhas. Nesta estrada, de Moose Junction a Jenny Lake, é onde se conseguem as mais belas vistas das montanhas Teton, de diferentes ângulos. Na altura de Taggart Lake, olhando para as montanhas, é possível as marcas do incêndio de 1985. Paramos no turnout Teton Glacier para uma vista mais de perto das montanhas.

                  Seguindo para o norte, pela Teton Park Road, em direção a South Jenny Lake Junction, à esquerda está a entrada de uma side trip, um caminho secundário de mão única que margeia o Jenny Lake, passa por toda a margem leste e pelo Jenny Lake Lodge, segue até String Lake, onde tem-se uma das vistas mais fotografadas do parque. Seguindo em frente saímos novamente na Teton Park Road.

 

 

                  Na altura de North Jenny Lake Junction começa a segunda etapa do passeio pelo parque, a região de Jackson Lake. Continuando em frente, em direção norte e pela Teton Park Road, a duas milhas e meia de North Jane Lake Junction vale dar uma paradinha no Mount Moran Turnout. A vista compensa. Dirigindo nesta estrada até a entrada da Signal Mountain Summit Road, outra side trip, saímos da Teton Park Road na altura do Signal Mountain Lodge e seguimos através do vale, com mais e novos belos ângulos das montanhas Tetons e de Jackson Lake

Snake River Overlook, como Ansel Adams 

                  Por falar em fotografias, os melhores pontos são: Snake River Overlook (U.S. 26-89-191 ao sul da ‘Moran Entrance’), cenário que inspirou o grande fotógrafo americano Ansel Adams a tomar sua célebre foto das montanhas Teton; Oxbow Bend (entre Jackson Lake Junction e Moran Junction), onde muitos fotógrafos profissionais e amadores posicionam-se para captura de imagens do Mount Moran refletido nas águas do Oxbow Bend.

 Oxbow Bend Turnout, uma das mais clássicas vistas do Mount Moran

                O Monte Moran e as aspen trees refletem-se nas águas do Snake River, em Oxbow Bend. E produzem uma das cenas mais belas que se podem ter. Não me surpreendi com a quantidade de fotos que fiz da paisagem. Este também costuma ser o local ideal para fotos de alces; Jenny Lake Turnout (na  estrada entre Jenny Lake Lodge e South Jenny Lake), com uma grande vista de Cascade Canyon e dos picos das redondezas com o lago glacial ao fundo.

                 O Verão é excelente para conferir as construções históricas e pioneiras do parque, especialmente suas primeiras fazendas e chácaras. Seguindo pela Mormon Row chega-se ao Moulton Barn, o melhor exemplo, um dos celeiros mais fotografados da América. Sua fotogenia é fabulosa, especialmente por causa da Cordilheira Teton por trás dele. A primeira luz da manhã é a que melhor o ilumina.  

  Moulton Barn - Grand Teton

                  Muitos edifícios históricos no Grand Teton são anteriores à fundação do parque. Alguns estão bem preservados, e ainda funcionam, como o Triangle X Ranch, aberto o ano todo, com uma variedade de atividades e hospedagem.  Construída em 1925, a mais delicada construção entretanto é a Chapel of the Transfiguration, uma pequena capela rústica, feita de troncos de árvores, localizada e construída para enquadrar uma exibição do grupo de  picos numa grande janela de vidro por trás de seu altar.

 Chapel of the Transfiguration

                  A Cunningham Cabin é a mais rústica e simples das contruções. Mas conta bem a história no parque, e merece uma visita. A velha chacára guarda uma fascinante história do velho oeste, inclusive de ladrões de cavalos. É a que melhor proporciona uma visão do “antigamente” nesta parte dos Estados Unidos. John Pierce Cunningham o construiu enquanto vivia como caçador em Jackson Hole e depois como criador de gado. Em certa altura permitiu que dois homens desconhecidos ficassem na rústica cabine, descobrindo mais tarde tratarem-se de ladrões de cavalo tentando esconderem-se ali.

Cunningham Cabin

                 Um tiroteio resultou na morte dos dois bandidos, quando Cunningham estava fora. Mais tarde a cabine foi usada como forte, em 1895. A polêmica sobre o tiroteio perdura, e pode-se ler sobre ele ao visitar a cabine de Cunningham. Fica na parte norte na rodovia 191, perto da fronteira leste do Parque, numa estradinha que leva o nome do lugar: Cunningham Cabin Historic Site. Há indicações na estrada, fundamental para se encontrar o lugar, porque a construção fica escondida sob o plano da estrada.  

 

  Cunningham Cabin Historic Site

 

                 Voltando de Oxbow Bend para Jackson Lake Junction, vale a pena uma parada em Willow Flats Tournout. Depois das fotos, seguimos em direção ao Jackson Lake Lodge e demos uma espiada no interior do hotel, particularmente em seu lobby, nos vitrais e nos murais de cenas históricas.

 

Almoço com vista, no Jackson Lake Lodge

  

 

                 Depois, seguimos pelas margens de Jackson Lake até Colter Bay Village, onde há um Visitor Center e o Indian Arts Museum. Terminando o dia de visita ao Grand Teton NP, pode-se seguir em direção ao Yellowstone, pela John D. Rockefeller Memorial Parkway, uma scenic byway bonita e agradável, ou retornar para Jackson ou Jackson Hole.

 

John D. Rockefeller Memorial Parkway 

 

                  Para quem tem apenas um dia no parque, as atrações mais interessantes são observar as Teton de vários pontos de observação, visitar a Chapel of Transfiguration, passear pela Signal Mountain Road, visitar o Moulton Barn e o Jenny Lake.

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Notas:

1) Um ótimo guia virtual para os parques Grand Teton e Yellowstone está na série de matérias (extensas, completas e bastante informativas) do blog do MauOscar Blog de Viagens. (http://mauoscar.com/2012/01/21/guia-para-o-grand-teton-national-park/)

2) Mapa: http://mauoscar.files.wordpress.com/2012/01/grte_park_map_2011.pdf

3) Página oficial: http://www.nps.gov/grte/planyourvisit/trip.htm

 

A seguir:

Yellowstone National Park - Um gigante adormecido

 

Domingo
Jun232013

Para ser um bom escritor de viagens

                 ALGUÉM já disse que a “perfeição é uma raridade, um evento esporádico”. Para viajantes isso pode soar como grande verdade: toda viagem, por melhor que seja planejada e programada, estará sujeita a contratempos e à ocorrência de eventos negativos supervenientes à sua vontade.  Para escritores que miram a qualidade, também. É um pesadelo. Sob sua perspectiva, toda matéria escrita também será um evento com possibilidades de ocorrência de erros. Para eles, que perseguem a “perfeição” (a qualidade excepcional), a sujeição a resultados indesejáveis sempre é frustrante.

                 O que aprendi de mais importante com o tempo que me dedico a tentar aprender a escrever bem (sem ainda ter conseguido) foi que não há regras infalíveis para tornar alguém sem talento um bom escritor de viagens.  Só os com talento nato não sofrem as gigantescas dificuldades de quem não o tem. Para estes, o que precisam são de excercício, suor, persistência e sobretudo leitura.  Escrever muito, todos os dias.

               Antes da Internet, escrever e publicar um livro dava impulso e credibilidade instantâneos na carreira de um escritor. Hoje em dia qualquer um pode publicar o que desejar. Na web, e-books e até impressos em máquinas print-on-demand. Mas para produzir algo verdadeiramente significativo e que alcance sucesso (de verdade, não meia dúzia de livrinhos vendidos) as dificuldades continuam as mesmas.

                Então, qualquer bom viajante pode tornar-se um bom escritor? Em princípio, sim. Ao menos razoável. Focar-se nos detalhes, de todas as coisas, ao viajar e escrever, também resulta bons efeitos ao final. Quem vê detalhes, cheira, prova, ouve e toca em suas explorações, o curioso explorador, terá bem mais o que contar ao seus leitores do que os meramente contemplativos. O “novo” e o “diferente”  recheiam melhor de conteúdo bons relatos de viagens. O resto deve vir do capricho dedicado ao trabalho, para que se consagre num bom editor de blog.

                A maior parte dos relatos de viagens é incrivelmente enfadonha. Não me refiro aos amadores. Tipo "viagem com a família para a Disney", ou os diários pessoais de viagens tipo "tomamos café, saímos do hotel, entramos no trem, chegamos no museu...". São tão chatos quanto aquela seção de slide shows e de filmes domésticos. Ser superficial não é um defeito, apenas uma característica pessoal. Poucos conseguem ir além do não óbvio: cativar, emocionar, fazer rir ou chorar. Há mil truques e dicas para alcançar o objetivo, mas nenhuma tão eficaz quanto ser autêntico, ter personalidade, compartilhar com emoção, trabalhar, trabaçhar, trabalhar. Truques e dicas podem até ajudar, mas se o conteúdo de um relato fortão lamentávelmente ruim quanto todo o entulho que polui o universo de blogs de viagens, as revistas de viagens brasileiras e a seção de literatura de viagens das livrarias, nada feito.

                  Aqueles que não estejam focados na audiência e na possibilidade de conseguirem alguma propaganda em seu blog também alcançarão o objetivo mais rapidamente.  Se a praga da “monetização” já arrasou muitos bons e prestigiados blogs, imagine o que fará com um iniciante. Os focados na rentabilização não percebem que seus relatos tornam-se cada vez mais suspeitos. O mercantilismo baseado num marketing que os orienta os recheia de linguagem vendedora, relatos de “viagens” e produtos sem compromisso com o leitor, senão com o anunciante. Não consigo identificar sei que tipo de leitor pode atrair-se por eles.

                 Se você pretende começar a escrever sobre viagens com objetivos simples e honestos de compartilhá-las livremente, não de ganhar dinheiro, tem aqui meu incentivo e apoio. É pra você que escrevo estas reflexões, sugerindo-lhe modelos, exercícios e caminhos a seguir.

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O que é preciso para ser um bom escritor de viagens?

                Primeiramente saber que não há formula mágica. Depois, reconhecer que o elemento pessoal é indispensável. Ainda que ler outros escritores de viagens seja fundamental, um escritor de viagens precisa estar empolgado com o que ele mesmo escreverá. E sentir que precisa fazê-lo ainda melhor do que o fez da última vez. Ter consigo o compromisso a cada nova matéria, ser um inconformado com o anterior, ter sua auto-crítica em plena atividade e jamais achar que o que faz etá bom. Um bom escritor de viagens usa tanto o coração e a mente quanto os dedos ao escrever. O leitor precisa ser captado pela emoção de quem escreve, independentemente de seu estilo. 

             Muitos "especialistas" na Internet já tentaram. Conselhos são abundantes neste meio e até mesmo em livros. Mas não é possível transformar qualquer indivíduo num grande escritor. Pelo menos não de uma hora pra outra e com uma leitura. São precisos prática permanente, maior quanto menor o talento. Pense em anos de exercício, não em semanas. Podem-se (e devem-se!) ler a todos os que "ensinam" a escrever, mas com cuidado. Há blogs que abordam o tema, associações que publicam dicas de como escrever bem sobre viagens e outras que sugerem caminhos para ganhar dinheiro com eles. Todavia saiba que não há magia capaz de tornar qualquer indivíduo num gênio literário, muito menos num blogueiro de viagens rico e que viva exclusivamente disso. Mas se seu objetivo é ganhar uns trocados, vá em frente, siga os conselhos e exemplos desta blogosfera, transforme seu blog num carro alegórico e não se preocupe em ser um bom escritor.

               Um bom relato de viagem de quem não tem o dom de escrever é sobretudo o resultado de um enorme esforço pessoal. Pessoal, entende?  Isso quer dizer seu, não das idéias de outros. Ou, então, que é preciso ser diferente, ter personalidade. O que significa ser você abordando o seu destino relatando a sua viagem ao seu modo.

              Ter simplicidade e cortar palavras desnecessárias também funciona. Exercite o corte. Elimine palavras, depois frases e por fim parágrafos. Se não fizerem falta, descarte-os. Experimente com este meu texto: copie e cole, edite-o e tente reduzí-lo. Se o fizer e não perder seu sentido, parabéns! Mesmo tendo feito isso antes de publicá-lo, tenho a impressão de que ainda há "coisas" sobrando.  Volta e meia venho aqui e as edito. 

              Também não escreva seu blog tentando fazer um "guia de viagens". Você sabe, já há muitos, e tão bons que sua tentativa será inglória. E inútil. Um leitor precisa ser inspirado, jamais guiado. E ler um blog que forme opinião, lance idéias, motive-o e instigue-o, que esteja francamente focado em elevar a qualidade da blogosfera, não em ganhar dinheiro.

                Por mais que um destino já tenha sido abordado, sempre haverá a possibilidade de encontrar um jeito novo e diferente, criativo e inovador de mostrá-lo. O seu jeito. Mas aqui também é preciso ter cuidado: personalidade não significa ser pessoal, pelo menos não no sentido de ser "impositivo", egocêntrico, pretensioso. Isso é cafona. E chato. Servem apenas aos egos inflados de seus autores e aos puxa-sacos que os seguem. Admiração e respeito você conseguirá de outra maneira: sendo independente, não vendendo sua alma, sendo maduro, franco, ponderado, equibrado e centrado no leitor, não em você.

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Escritores de viagens precisam focar mais nos destinos do que em seus egos

                    Experiências pessoais em viagens são muito válidas, relevantes e bem-vindas. Fazem a diferença em relação aos guias impressos e virtuais de viagens. São úteis para o leitor porque mostram o ponto de vista do viajante, não de um guia impessoal e comercial de viagens. Isos, claro, se o objetivo do seu blog for efetivamente informar o leitor, não promover sua imagem e personalidade.

                   Certa vez li que a escrita é algo que nasce no ego. Invariavelmente. E que não há nenhum mal nisso, pois é assim que  a coisa funciona e flui. Eu concordo, pelo simples fato de estar aqui compartilhando isso com você. Mas quando um escritor percebe que seu ego sobrepõe-se ao contexto do que escreve, é hora de aplacá-lo. Sobrepôr o ego ao destino é cafona. Ter opinião é uma coisa, escrever bons relatos opinativos e não impositivos também. Tentar ser uma "personalidade" no meio é outra. São insuportáveis os “caga regras” (*), os "conselheiros" de viagens que dizem “não vá em hipótese alguma”. Não seja um. E não dê ouvidos a eles.

                   Quase ninguém está mais interessado nos restaurantes que você comeu, nos hotéis que dormiu, nas cias. aéreas que voou do que nas verdadeiras atrações do destino que você abordou. Sabe por que? Por que estas são que devem ser tratadas como complementares. É preciso ser muito hábil para descrever experiências pessoais sem parecer superficial. Ou, então, pior, aparentar mais importantes que o destino ou atração. É claro que todas as experiências pessoais relatadas são válidas, mas apenas quando inseridas no contexto da matéria. Afinal, foi a sua viagem.

                  Todas as dicas e reviews só serão notáveis, úteis e válidas se sevirem de exemplo para outros viajantes, não para promoverem o ego do autor. Por exemplo: citar que você comeu num restaurante econômico é tão bom e útil quando mencionar que teve uma espetacular experiência num caríssimo e luxuoso. Ou o contrário. Ambas as menções valerão para quem desejar experimentá-las, mas fotografar-se na classe executiva e postar a foto é tão cafona quanto inútil. Coisa de deslumbrado. Descrever um hotel magnífico e sua boa experiência hospedando-se nele é tão apropriado e válido num blog de viagens quanto mencionar as más experiências. Fotografar-se diante do carro alugado e do hotel em que se hospedou também só vale pra mostrar em reunião familiar. Num blog de viagens para um universo de leitores isso não é relevante. Mencionar sua experiência com o carro, sim. 

                 Postar fotos pessoais diante de uma atração também é válido, bacana e que proporciona personalidade ao seu blog. Ainda que seja uma questão de gosto pessoal e de estilo. Mas lembre-se!, este post é para quem como eu pretende ser um bom escritor de viagens, não um bom blogueiro pessoal de viagens. Para os que pretenden focar-se bem mais no destino e no texto do que em si mesmos. Isto só vale se você não for uma personalidade, senão um indivíduo comum e sem expressão. Como eu, sem a menor importância e reconhecimento, feliz por focar-se no destino.

                Outro pré-requisito que se atribui aos bons escritores de viagens (aos amadores, porque dos profissionais não espero outra coisa) é não abusarem de adjetivos. Especialmente os superlativos. Ainda que para nós - amadores que não pensam em dinheiro, senão na qualidade do que escrevem - este talvez seja o caminho mais fértil de maus exemplos e armadilhas. Todos somos afetados por elas. Como é difícil relatar uma viagem tão empolgante a países tão grandiosos quanto o Irã e a Índia sem exagerarmos nos adjetivos. Por isso, cuidado!

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Concisão não é laconismo. E Twitter não é pra escrever relatos de viagens

                É mais difíci ser conciso do que expansivo. E a a necessidade de ser breve quase sempre provoca frustração e conflitos. Isto é, entre os mandamentos de quem pretende ser um bom escritor de viagens é não perder tempo com a prolixidade. Claro que também correr como o diabo da cruz da cultura do curto prazo, abominar as meias palavras tanto quanto a prolixidade. Concisão não é laconismo. 

                Não usar as redes sociais para “relatar” viagens em 140 caracteres pode parecer óbvio, mas é a moda que, junto com postar fotos de viagens no Instagram está dizimando os blogs de viagens. Os “mimimis” e a superficialidade já nem deveriam fazer parte dos mandamentos de um bom blogueiro de viagens, já que ninguém com maturidade e focado em escrever decentemente jamais se preocuparia com isso. Parece óbvio, mas não é.

                 Ao contrário, é a leitura, associada ao exercício da escrita, o melhor caminho para evoluir em qualidade. Pensam assim os que miram na “perfeição”, ainda que saibam que jamais a alcançarão. Se eu tivesse que recomendar apenas uma atitude direcionada a escrever bem, ela seria: não se deixe corromper pelo populismo da cultura do curto prazo. Mas não consigo! Farei outras:  

1) não se deixe influenciar pela banalidade e superficialização das mídias sociais, 2) pelo “capitalismo” que assola os blogs, 3) pela mesmice das revistas de viagens brasileiras, 4) por escritores que trabalham dirigidos por posts publicitários, 5) pelo gosto pelo mau gosto quando desclassifica um destino que não gostou, sem saber pesar opinião pessoal com universal, 6) pela não procura do genuíno, isto é, pelo que é mais fácil de "vender", 7) não "jogue pra platéia", isto é, não deixe de ter e emitir opinião simplesmente poruq tem medo de discordâncias. De gente que usa máscara de "boazinha", de "lucianos huks" arrumadinhos e corretinhos, já estamos de saco cheio, 8) seja independente, fuja de "entidades de classe" que digam como você deve agir.

                De um bom escritor de viagens espera-se dedicação à escrita. Ao menos igual à sua capacidade de viajar, isto é, que escreva tanto quanto viaja.  E que tenha desejo por lugares incomuns, pouco visitados, isto é, aqueles com bom manancial de inspirações para bons relatos. Nas livrarias há muita coisa boa escrita por gente comum que empreendeu grandes aventuras e escreveu grandes relatos de viagens.

                Países como Índia, por exemplo, nos fazem compreender na porrada que nenhum povo e país se iguala a outro. E consequentemente, que nenhum indivíduo pensa e deseja as mesmas coisas. E também que nenhum relato tornará o próximo mais fácil, porque exercitar a escrita é laborioso, toma tempo, mas cujo bom resultado é inegável. Eu comecei escrever há anos. E-mails para amigos e familiares enquanto viajava. Aos poucos eles tornaram-se mais relatos do que notícias. E em 2006, dez anos depois, ercebendo que enchia as caixa postais com minhas mensagens, comecei este blog.

               Se o leitor destas (ainda) mal traçadas linhas passar os olhos nos primeiros posts notará a evolução qualitativa. Enorme e notável. E também o quanto reconheço que tenho muito a aprender. Ao voltar a este texto, notará que a falta de talento é ricamente compensada pela auto-noção, do bom senso de saber que buscar qualidade é o único caminho para colher bons resultados.

               Também se espera que um escritor de viagens não tente ser engraçadinho. Especialmente se efetivamente ele não for. Porque fazer piadinhas é para redatores de comediantes, apropriadas a quem prentende escrever um blog de piadas. é preciso perceber que a linha entre parecer babaca e engraçado é muito tênue. Cuidado! De escritores de viagens espera-se maturidade, seriedade, o que não significa que não possa ser divertido. Ser diverido é outra coisa. O que um escritor de viagens conseguirá num blog fazendo piadinhas tolas? Dois ou três puxa-sacos comentando que riram muito das babaquices? Não chegarão à mínima parte dos que te acharão tolo. Ou dos que terão vergonha alheia de suas babaquices sem no entanto comentarem-nas. Linguagem infantilóide também não funciona. Só é apropriada para fofocadas no Twitter. Caso contrário soarão ridículas. E imaturas.

                Se ainda assim pretender ser divertido, inspire-se em quem é de verdade: o dublê de blogueiro e jornalista Beto Pachoalini ( do blog “O meu lugar” ), antológico na blogosfera, cujos textos são incomparáveis e divertidos de verdade, com maturidade e bom gosto, e o “Gabriel quer Viajar, do Gabê Britto, publicitário e viajante-escritor, outro exemplo do que é ser divertido naturalmente, claro sem sequer resvalar no que eu atribuo como escritor-babaca.  Ambos são notáveis presenças na Internet, portanto, altamente recomendáveis para quem procura vida inteligente no mundo dos blogs, estejam eles produzindo ou não. São um verdadeiro patrimônio. Inspire-se neles!   

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Ter gosto pela escrita ajuda muito

                O gosto pela escrita eu tenho. Desde a infância. “Simancol” também: sei que habilidade é outra história. Ainda moleque eu exercia o prazer de escrever. Cartas, historinhas, bilhetes e redações. Mas talentoso já sabia que não era. Talvez porque eu também me dedicasse à leitura. E aí sim, percebia o que significava "saber escrecer". Que quando não se tem talento, a leitura é seu “simancômetro”.

                Escrever com um dicionário ao lado, e recorrer a ele, é um mandamento tão óbvio para um escritor não culto, como eu, que já ia me esquecendo de mencionar. Interessar-se por cultura também. Mas ao contrário dos dicionários, o interesse deve ser empregado com moderação, pra não tentar parecer culto. Aqui o "simancol"  se faz necessário também: um bom escritor reconhece que ninguém é suficientemente culto que justifique parecer besta. Citar autores reconhecidos pra parecer que os leu é brega. É papo jacu. Só recomendo isso quando for absolutamente indispensável, inserido no contexto e que não tenha a mais remota pretensão de mostrar-se culto.

                Também é preciso evitar os erros de digitação, gramaticais, de concordância, de composição e ortográficos. Mesmo com todo meu empenho, insisto neles. Volta e meia estou a publicar absurdos. Num dias desses escrevi “intinerário”! Mas saiba, sempre haverá um leitor atento para corrigir. É o tipo que nunca escreveu para para elogiar, mas está presente. Saber lidar com rejeições e comentários ásperos, implicantes, também é um mandamento para quem pretende escrever e publicar. Tornar suas idéias públicas atrai de tudo. Bons e maus. Felizmente os primeiros em maior quantidade, talvez porque falte coragem aos outros.

                 Eu nem me surpreendo mais com a quantidade de coisas erradas que escrevo, do que esqueci das aulas de português no ensino médio. Mas sempre é recorrente a lembrança de como é difícil provocar emoção, inspirar e motivar um leitor. Sobretudo arrancar dele um comentário.

               Nada é mais arrasador para um bom artigo do que uma palavra mal escrita, uma frase mal construída, um exagero nas palavras. Um bom meio de treinar foi submeter meus artigos a revisores amadores, a amigos e a familiares. Evidentemente não sem antes pedir-lhes plena franqueza. Já não faço mais isso. E quanto mais arrasadoras as críticas, melhor construo o próximo trabalho. Melhor me situo para defender o que penso. Isso não significa que a gente não deva responder a quem se dá ao trabalho de vir aqui, ler e criticar. Especialmente os chatos. Ao contrário, quem quer escrever um bom blog e ter audiência deve ficar feliz com o fato de ter irritado um chato que nunca passou pra elogiar, mas tá sempre de plantão pra descer o sarrafo. Felizmente comentários positivos e construtivos têm sido bem mais representativos na história dos 7 anos de vida do blog. E isso deve ser algo que também motive o leitor a fazer seu blog de viagens, contar suas experiências compartilhando-as com o público.

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É fácil escever para inspirar, emocionar, motivar?

              NÃO! Lembrei-me disso neste fim-de-semana. Dediquei-me intensamente à escrita e à pesquisa de nossas próximas viagens: ao Grand Teton e ao Yellowstone National Parks, em Jackson (Wyoming), em julho, e depois a Sabi Sands, na África do Sul, para um Safari fotográfico em agosto. Mas especialmente ao Irã, que visitaremos em Outubro. A complexidade e a profundidade cultural iraniana exige uma abordagem madura, leitura e pesquisa substanciosas, atitudes responsáveis. Não é fácil alcançar mínima qualidade sem dedicação a estes fundamentos.

                Como descrever o esplendor do Irã e transmitir ao leitor uma inigualável sensação do que é o país, no que consistem sua arte, cultura e caráter de seu povo? Especialmente sendo a aspiração bem mais pretensiosa que a minha capacidade! Uma atitude curiosa do iraniano, por exemplo, é o fato de que absolutamente todo mundo se aproxima de você para falar alguma coisa. Curiosos genuínos, que falam de sua cultura, jovens extrovertidos, educados e descontraídos que param os turistas nas ruas perguntando-lhes sobre sua vida pessoal, seu dia, de que país estão visitando o Irã, sobretudo o que acham deles. Alguns querem saber mais, como já experimentamos na Índia e no Uzbequistão: se somos casados, onde estamos indo, o que compramos, se temos filhos e por aí.  Isso pode até comprometer a percepção de alguns, porque nossa personalidade ocidental é obcecada por privacidade. Normalmente nossas questões pessoais jamais são comentadas publicamente com desconhecidos. Mas para eles não. É uma das maneiras legítimas de começarem uma apresentação. Sobretudo de demonstrarem hospitalidade e receptividade. É um costume, ou um critério, difícil de aceitar para alguns, mas extremamente divertido para nós. E que resulta eficiente. Mas o fato é que como tudo no Irã, como é difícil escrever definindo tal característica, sobre um povo que herdou uma das mais duradouras civilizações. Seria necessário muito mais cultura, conteúdo e habilidade do que tenho para abordar a civilização persa sem superficialidades em tão poucas palavras. Para mostrar como suas antigas tradições ainda afetam a vida e os costumes do Irã moderno. E em quase todas as esferas das atividades sociais, culturais e humana de seu povo, especialmente na escultura, na pintura, na poesia, nas jóias, nos tapetes, na arquitetura, na ornamentação, na ciência, na filosofia e no folclore.

                Fazer anotações pessoais durante a viagem também é um bom exercício. Todavia deixar de aproveitá-la para blogar ao vivo é um erro infantil. Eu mesmo já o cometi. É um exibicionismo explícito e desnecessário. Corro dele. Além de tudo, uma perda de tempo, a desconcentração naquilo que é efetivamente importante: explorar o destino. Se eu não tivesse evoluído deste mal provavelmente hoje seria mais um “escritor de viagens” que conta cada minuto das suas ao vivo no Twitter. E enche a mídia social de informações inúteis, pessoais, infantis e superficiais: "tou no taxi pro aeroporto".

                Também não me preocupeo em fazer anotações exageradas de endereços e recomendações, salvo aquelas que resultaram experiências efetivamente brilhantes. Ou pessoais, que não serão publicadas, porque são irrelevantes para o leitor. Muito cuidado com o egocentrismo! 

                Tentar escrever um guia de viagens cheio de informações úteis num blog é inútil. E chato. Quem precisar delas deve comprar um Lonely Planet. E pesquisar na Internet em páginas oficiais. Um guia de viagens impresso é o mais interativo dos objetos, com o qual pesquisamos e nos guiamos in loco. Como faz minha doce Emília, que o folheia com rapidez, o consulta antes, durante e depois, marca e acentua seus interesses, o que pesquisaram seus autores, os escritores profissionais que viveram meses nos lugares levantando dados. Mas é bom fazer neles suas anotações pessoais, correções de eventuais discrepâncias e alterações. Leve um guia. E uma caneta!

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Como recomendar, sugerir e opiniar sem ser impositivo

                    Não sendo. Nem chato, nem presunçoso. Há recomendações que servem para todos. A maioria não. Um escritor de viagens deve saber disso. E ter em conta que experiências pessoais, resultam de um universo que não é necessariamente a condição do outro. Coisas do tipo "não vá em hipótese alguma" ou "vá mesmo que esteja morrendo" revelam egocentrismo, simplismo, individualismo, ignorância, pretensão. Ainda que um relato deva ter personalidade, levar em conta o leitor e reconhecer a sua necessidade, para então adaptar sugestões à realidade dele, sem desqualificar sua vontade de ir, como ir, onde ir e quando quiser ir.

                  Para conquistar o leitor, é fundamental ter opinião, originalidade e personalidade. Sobretudo para compreender que um leitor, seja anônimo, desconhecido ou amigo de infância, tem suas particularidades. Bogs de viagens e perfis de viajantes "conselheiros" nas redes sociais são férteis em injustiças, exageros, egocentrismos e esnobismo. Recomendações impositivas, imperativas e professorais são um verdadeiro desserviço turístico. Afirmações como “não vá em hipótese alguma” serão sempre pretensiosas, pois jamais levam em conta o seu desejo, as suas características, a sua personalidade e a sua disposição. O bom senso que falta a estes exagerados sobra aos que recomendam “Vá se...”. São estes os úteis, os providenciais que um leitor deve considerar e um escritor inspirar-se.  Em resumo, evite ser chato. Como todos os demais chatos que abundam na Internet: os eno-chatos, os google-chatos, os eco-chatos e sobretudo os travel-chatos. Também cuidado com os que copiam citações e parágrafos de romances literários, os tomam para si modificando-os e os publicam como se fossem seus. Copiar coisa dos outros é a mais cafona das cafonices que um escritor e conselheiro de viagens pode praticar.

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Conclusão

                 Seja positivo. Escreva e compartilhe suas viagens e fotos. Tenha em mente que jamais será um bom escritor de viagens, a melhor condição para que eventualmente um dia possa ser. Ao menos sob o meu critério de avaliação, eu sei que não sou. E se o leitor teve coragem de chegar até aqui, muito obrigado!  E parabéns pela paciência. Acho até que vou começar a pensar que sou um bom escritor amador de viagens. Um grande abraço!

                Segundo minha doce Emília, do "A Turista Acidental", que também pensa como eu em termos de independência e busca da qualidade bloguística,  "A questão de escrever é espinhosa, considerando tudo: a escolha do tema, do seu ponto de vista original, do encadeamento de assuntos/idéias, corte de supérfluos, revisão gramatical...Mas uma coisa que eu sinto ultimamente é a dificuldade de realmente trazer um aspecto ou visão novos do lugar, tendo tanta coisa já sido escrita em papel e na internet. Como ser relevante em meio a tanta informação é o desafio." Obrigado pelo comentário.

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Notas:

1) Ler boas revistas de viagens também inspira e contribui. “Volta ao Mundo”, “Rotas e Destinos”, “Nat Geo”, “Meridiani”, “Lonely Planet”,  “Caderno Viagens” do Jornal O Globo e do New York Times, por exemplo. E assistir a bons progamas de TV. Do Olivier Anquier, do Anthony Bourdain, do Andrew Zimmern, da BBC HD, do Travel Channel. Pra citar alguns.  Ler boa literatura escrita por quem sabe escrever sobre viagensm, então, é um grande aprendizado. Entre eles (mas a eles não me restrigindo) destaco o Haroldo Castro, o Alain de Boton, Bruce Chatwin, Paul Bowles, Paul Theroux, Jack Kerouac, Bill Bryson, Gonçalo Cadilhe, Gustave Flaubert, Edward Hopper, Baudelaire, Van Gogh, George Orwel, Bruce Chatwin, Isabella Tree, Charles Dickens, Ernest Hemingway e Marcopolo. São exemplos de bons viajantes e escritores exemplares.

2)  Guias de Viagens: usamos sobretudos os guias Lonely Planet, que mais agregam informações efetivamente úteis, substanciais, conceituadas, confiáveis, francas e sobretudo não impositivas. São de longe os que melhor informam o leitor, todavia não são indicados para quem não procura muito aprofundar-se nem busca o incomum. Os DK (Guia Visual), são muito bons, bem resumidos e ilustrados, mas perdem em conteúdo e dicas de quem "morou" nos lugares que descrevem, como os autores do  Lonely Planet. Mas o importante é encontrar o seu guia: Rough Guides, Insight Guides, Fodor's, DK Eyewitness, Time Out ou Frommers. 

3) "Cagar regras" é o ato de achar que todos devem seguir um só comportamento, considerar que uma experiência pessoal é única e vale para todo o Universo. Esse tipo é muito comum nos relatos de viagens e entre os conselheiros do Twitter. É um tipo bem mais nocivo, perigoso, prejudicial e ruinoso do que um ingênuo pode avaliar. Ele acredita que a sociedade é linear. E imagina que só há um jeito de arrumar malas. O seu (dele) jeito. Supõe que todas as necessidades e gostos são iguais aos dele. E que todo mundo tem os mesmos orçamentos, afinidades e interesses.  

Quarta-feira
Jun122013

IRÃ - Reflexões sobre uma viagem e um país

                  A melhor virtude de envelhecer bem é não perder a curiosidade. Ela é uma característica própria aos jovens. Eu sei, já fui jovem. E ainda me recordo bem dos meus 21 anos. E também de que faz muito tempo que passei da marca. Muito tempo. Entretanto, quanto mais ele passa pra mim, maior a alegria ao perceber que não perdi algumas das boas características das mentes juvenis. Então, afortunadamente não deixei de ter curiosidade, justamente o que me conduz às descobertas, ao conhecimento e, finalmente, me impulsiona a viajar.

                 Como posso ser tão óbvio, perguntará o leitor? Nada pode ser mais claro e intuitivo, ele concluirá! Posso até concordar com o leitor, mas apenas se ele tiver 21. Para ele digo: refiro-me ao fato de que na minha idade boa  parte dos indivíduos imagina já ter visto tudo, compreendido o suficiente. E então deixa de impulsionar-se em direção à verdadeira sabedoria: compreender que jamais saberemos tudo, especialmente as pessoas e seus comportamentos.

                  Mas é nas viagens que em mim a curiosidade melhor se manifesta. Após cada nova, reconheço o quanto melhor percebo o mundo (como ele é, não como o imaginava). E que ainda aparentemente paradoxal, quanto mais o visito, "conhecê-lo" torna-se mais distante. Tem sido assim: quanto mais curiosidade, melhores as descobertas. São as premissas que nos fazem escolher destinos de viagens. Quando não são por lazer ou para destinos comuns, miramos olhares para lugares onde o medo de visitá-los limita a curiosidade em conhecê-los. Índia, Uzbequistão, Mianmar, Cambodia e Quirguistão que o digam. Etiópia, em janeiro, e Eritréia algum dia, que nos venham a dizer. Evidentemente que não precisaremos de coragem para ir a alguma ilha do Caribe, ou ainda Seychelles, destinos desejados e bem prováveis para 2013.

                 Sendo assim, não seria exagero afirmar que em minha vida de viagens posso considerar as que fiz antes e depois de perder o medo. E de potencializar a curiosidade. Foi assim com a Índia. Mas tenho lido depoimentos que deverá ser assim também com o Irã.  Afirmações assim podem soar exageradas, mas provavelmente apenas para quem nunca pisou naquelas terras. Os que já as exploraram sabem o quanto marcaram-se e foram afetados em suas perspectivas como viajantes. Tenho lido muitos depoimentos e notado que o país costuma influenciar as pessoas até mesmo como indivíduos. Sobretudo o seu modo de encarar suas próximas viagens. As minhas serviram para muito, sobretudo para perceber que eu estava errado acreditando que não há gente genuinamente generosa. Tenho especial inclinação para acreditar que a humanidade está definitivamente comprometida. Seja pela falta de honestidade e princípios, seja pela de generosidade. Sou dos que têm a coragem de assumir a ciência, o conhecimento e a cultura como os únicos meios de verdadeiramente compreender a vida. Não nos dogmas religiosos. Foi justamente a religião que me fez compreender que justamente ela não se pode contestar livremente, expressar sensatez discordância, exercer honestidade de pensamento e discordar de seus dogmas. Desde moleque não acredito em dogmas religiosos. E creio profundamente que este foi um dos meus caminhos para a felicidade.

                 Sobre a humanidade, minhas convicções podem mesmo estar equivocadas, e deixar de crer que sua maior parte está bem mais comprometida com receber do que dar, com ter do que ser. Reconheço a ranzinisse. Mas depois de visitar o Uzbequistão, o Cambodia e Mianmar  -  lugares onde a generosidade é tão legítima, a receptividade tão  e natural -  foi desconsertante perceber como sua gente demoliu meus, digamos, preconceitos. Segundo tenho lido, provavelmente também o Irã, que visitaremos em outubro próximo, comprometerá ainda mais gravemente tais convicções, a de que a humanidade é medíocre. 

                  Independentemente do grau de fascínio de seus autores, os relatos de viagens que tenho lido sobre o Irã, Índia e Uzbequistão têm revelado emoções incomuns, que apontam justamente para esta realidade, a de que a humanidade não é toda medíocre. Talvez apenas a menor parte dela. Grandes escritores de viagens já o fizerem. Anônimos e simples contadores de histórias também. Não por menos. Estes lugares costumam influenciar mentes brilhantes.

 

                   Aqui deste lado ainda me surpreendo com o que me leva a escrever. E também no quanto entro em conflito toda vez que o faço. Primeiro ao perguntar-me se o que faço terá alguma relevância para o leitor. E para a blogosfera turística decente. Se contribuirá para elevar seu nível. Ou, ainda, se será mais um relato insosso. Depois, se alguma utilidade encontrará nele o leitor, mesmo que não pretenda visitar o lugar que descrevo. Finalmente, se o inspirará, se conseguirá transmitir-lhe conteúdo, responsabilidade na abordagem dos temas, maturidade, correção e imparcialidade, virtudes que tanto defendo nos relatos de viagens. Tudo  evidentemente sem parecer impositivo. Pretensão aqui só existe uma: atrair o leitor até a última linha do texto. Mais ou menos como conseguem os blogs efetivamente criativos, sérios e interessantes. Nesta hora (boa hora!) me ocorre mencionar um, ainda que tantos outros eu pudesse:

 

1) o Gabriel quer Viajar.  Exemplo notável para quem procura vida inteligente no mundo dos blogs, para os que alinham-se com autores que não sucumbiram à superficialidade ou àquele jabázinho descarado (*).

 

2) a viajadíssima blogueira e gente boa Fê Costta, do Viaggio-Mondo, que acaba de comentar aqui no blog (no post Irã, o último segredo do Oriente) informando que viajará ao Irã em agosto! Mais dois bons relatos na blogosfera brasileira estão por vir. É aguardar e conferir. E então, deliciar-se.

 

                  Ainda teimo na pretensão de escrever. E agora, sobre o Irã, de maneira ainda mais preocupada com a positividade e a imparcialidade. Sobretudo sem preconceitos. Seguindo estes valores, a tarefa será bem complexa, porque relatar uma viagem ao Irã - sob o ponto-de-vista de um ocidental - não é algo simples se a intenção não for uma abordagem superficial. Como os leitores mais antigos já reconhecem, não escrevo um guia de viagens. Já há muitos extensos e bons. Então, fazê-lo seria uma pretensiosa inutilidade. E nada mais ne desagrada tanto quanto pensar na possibilidade de escrever sobre futilidades, inútil e superficialmente. Portanto, para quem precisa de um guia de viagens excepcional, recomendo o Lonely Planet. E para visitar o país com um bom conteúdo hitórico, uma boa bagagem de conhecimentos político e cultural, recomendo a literatura mencionada nas notas ao fim deste post. São as leituras a que me entrego neste momento de mergulho no Irã. E ainda que outras viagens estejam a caminho antes desta, não paro de consumir o Irã enquanto isso. Iremos ao Grand Teton e ao Yellowstone National Parks, em Jackson (Wyoming). E depois faremos um Safari fotográfico em Sabi Sands, na África do Sul.

 

                  Meu objetivo será contar uma viagem surpreendente à República Islâmica do Irã, revelar em fatos e fotos suas belezas naturais e arquitetônicas, mostrar seu povo, seu caráter, seus costumes e também suas contradições. O resultado será imensamente compensador se o leitor inspirar-se e motivar-se a conhecer o país. Se para mim uma viagem vale mais quanto maiores os prazeres que ela me proporciona, transmitir isso ao leitor vale o trabalho de ter escrito e publicado seu relato. E ter leitores que já testemunharam isso consagra-se num grande privilégio. O exemplo mais recente foi de um leitor que decidiu viajar com sua esposa ao Uzbequistão e Quirguistão após ter lido nossos relatos e ver nossas fotos aqui no Fatos & Fotos de Viagens e no A Turista Acidental, de minha doce Emília. E já tendo ido ao Irã, gentilmente ofereceu-nos suas dicas. Obrigado, Nelson Laskowsky (*).

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IRÃ - Um país mal conhecido, um lugar nada comunzinho

                   Estereótipos.  E uma realidade bem mais complexa e diversificada do que supõe a vã filosofia ocidental. É tudo o que basta para atribuir o caráter violento e belicoso ao seu povo. E acreditam num arraigado e generalizado sentimento anti-ocidental. Ainda que este último não fosse injusto, muito, mas muito longe disso, o Irã tem um povo extremamente gentil, culto, bem informado, que cultua a poesia, a família e a hospitalidade. E não se podem relacionar tantos povos assim tão genuinamente interessados em atender aos viajantes, em serví-los bem e cativá-los. Ainda que politicamente o governo não incentive o turismo internacional e suas más influências. As atitudes de seus governantes e líderes religiosos e seu programa nuclear "suspeito", todavia, não representam o que pensa toda a sociedade civil. Ainda que seja uma República islâmica, ao contrário do que acontece com os paíese da "Primavera árabe", Egito, Síria e Tunísia os exemplos mais evidentes, a religião não é a chave da vida do povo.

                  Jomhuri-ye Islami-ye Iran, ou República Islâmica do Irã, é um país geograficamente asiático, situado do Oriente Médio. Faz divisas com a Armênia, o Azerbaijão, o Turquemenistão, o Mar Cáspio, o Afeganistão, Paquistão, Iraque e Turquia, além de com os Golfos de Omã e Pérsico. Há cinqüenta anos os Estados Unidos derrubaram o governo de Mohamed Mossadegh, primeiro-ministro eleito democraticamente eleito. O golpe de Estado foi também uma lição importante e definitiva sobre os perigos de intervenções estrangeiras em países islâmicos. A conspiração que depôs reconduziu o xá Mohamed Reza Pahlevi ao poder deu lugar à Revolução Islâmica de 1979 e à subida ao poder do aiatolá Khomeini. Estava começando uma virada histórica que abriu caminho para o fundamentalismo islâmico e que influenciou profundamente a história do Irã, do Oriente Médio e do mundo. Durante 25 anos o tirânico regime pró-ocidental do xá desenvolveu sem saber a revolução Islâmica de 1979, hoje uma forte fonte de inspiração de fundamentalistas de todo o mundo islâmico. Especialmente dos talibãs e dos terroristas sob a sua proteção. Mas o Irã tem mantido uma personalidade distinta do restante do mundo islâmico. É justamente este o ponto mais importante a seguir para se compreender o país e suas enormes contradições.

                  Menos de uma década depois dos USA invadirem o Iraque, depois de um processo fraudulento que revelou falta de informação e intenções escusas, estão tentanto empurrar a América em direção a uma guerra com o Irã. Porque Israel não tem coragem de fazer isso sózinho. O que qualquer indivíduo isento espera é que Obama inspire-se. E perceba que o Irã não é a caricatura que lhe parece, e faça a potência perder um pouco de sua prepotência, distender-se e aproximar-se do Irã.

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Uma eterna sedução    

                   E por que o Irã nos seduz assim?  Convenhamos, não é tão fácil encontrar no mapa um destino incomum, não óbvio, genuinamente original e exótico como o Irã. Me refiro aos destinos possíveis, para onde se pode viajar com segurança. É justamente por esta razão que lamento que este país jamais tenha sido capa de uma revista de viagens brasileira. Apesar do território tão grande, da geografia tão variada e da história tão longa e rica. Para mim não seria possível imaginar que as revistas de viagens brasileiras de grande circulação não saissem um milímetro de sua costumeira obviedade e olhassem para o Irã. Não por outro motivo deixei de ler a Viagem & Turismo, da Editora Abril. Questão de princípios. No universo da imprensa nacional, não curto mesmice, superficialidade e falta de criatividade. Assim como não curto no mundo virtual o estilo "cagação de regras" (*) dos que acreditam que haja apenas um jeito de arrumar malas de viagens, um bom modelo de malas, uma maneira de viajar, que só haja um tipo de ser humano, que a humanidade seja linear, que não existam outros lados, gostos, opiniões, conceitos, afinidades, interessses, disponibilidades.

                    A não ser pela revista Terra (edição de abril de 2005), de uma jurássica Revista Geográfica Universal de 1975, da National Geographic (que afinal não é brasileira), nem mesmo nas excepcionais revistas portuguesas Volta ao Mundo e Rotas & Destinos encontrei matérias de capa sobre o país.  Acho incrível que a imprensa especializada não tenha se motivado pelos três mil anos de história, pelos milênios de sabedoria acumulada, pelos treze Patrimônios da Humanidade e por uma cultura tão soberba num país tão acolhedor e com enorme potencial turístico. Além de tudo, no Irã há montanhas onde a neve cobre os topos durante meses, desertos incandescentes, arquitetura fascinante e um povo educado e profundamente acolhedor. Parece muito, mas é pouco se comparado a tudo mais que o país tem a oferecer ao turista.

                  Por que então deixar o Irã pra depois? Porque o país é fechado, a religião é ortodoxa, os costumes conservadores, as leis rígidas e as mulheres não valorizadas?  Porque Irã apóia terroritas? Porque é real e pernamente a possibilidade de guerra com Israel? Porque é mantido em segredo seu programa nuclear? São fatos incontestáveis, polêmicos e sobretudo aparentemente assustadores. Então, por que duvidar da apreensão universal? Se é verdade que de um lado há muito o que conhecer antes do Irã, há outro. Para mim a resposta a todas estas questões foram simples: porque tudo sempre tem dois lados.  

                  Contra o Irã já basta ser injustamente demonizado pela mídia e abordado com banal superficialidade. Em viagens turísticas somos apolílitos. Separamos bem o que é governo do que são o povo e o país. Turistas de bom senso, lúcidos e razoáveis não deixariam o Irã pra depois baseados apenas nestas premissas. Afinal, a desinformação e o preconceito são irmãos gêmeos. Univitelinos.  O Irã é um dos países mais incompreendidos no mundo ocidental. E seu povo um dos mais injustamente temidos. Mas poucos sabem efetivamente algo consistente sobre ambos.  Pelo menos aquilo que vá além da política e da religião. Ainda assim, quase sempre superficialmente. Nossa experiência em lugares tidos como inseguros - Mianmar e Uzbequistão dois exemplos mais recentes - nos fez compreender que elas podem ser muito diferentes daquilo que se avalia quando nos baseamos apenas no que encontramos na mídia. Porque frequentemente o que acontece nos poderes não é o que se vê e se experimenta nas ruas. Foi pensando assim que nosso desejo antigo nos fez questionar por quê boa parte do mundo deliberadamente alimenta forte sentimento anti-Irã.  Eu me perguntava: "Se há dois lados - um que afasta e outro que atrai a maioria dos turistas -, se todos os livros e revistas que li e estou a ler, se tudo o que consultei com conteúdo decente na Internet foi sempre extremamente positivo, por que então não ouví-los?". Para uns viajar ao Irã aparenta ser uma insanidade. Ou um perigo. Para outros é uma enorme oportunidade. Para nós o Irã é um desejo antigo que nos seduzia com freqüência como um dos mais espetaculares destinos turísticos do planeta. Ainda que viajar até lá seja um desafio, requeira árduo planejamento e boa dose de desprendimento, felizmente tem dois lados: sabemos que viajaremos a um país extremamente seguro para o turista. Especialmente o brasileiro. E com razoável padrão de serviços turísticos. Que nos hospedaremos em hotéis medianamente luxuosos e outros muito econômicos, que encontraremos um povo civilizado, educado, culto, acolhedor, simpático e gentil.

                   É o que pretendo mostrar numa série de relatos que tenho a intenção de escrever sobre esta nossa viagem ao Irã. Por quinze dias viajaremos por um dos países mais fechados e enigmáticos do planeta, herdeiro da cultura e do patrimônio milenares do Império Persa, através de um estado profundamente teocrático e conservador, cuja autoridade suprema é de um chefe religioso, indicado por um alto clero xiita, onde os preceitos do Alcorão são seguidos rigidamente. Provavelmente também ao país mais demonizado pela mídia ocidental, mas cuja percepção é tambpem uma das mais ignorantes. O Irã não é a terra de malfeitores, pelo menos não da maneira generalizada que alguns prentendem. Ao contrário, é de gente educada, boa, culta, generosa e hospitaleira.  Aliás, o iraniano é um artista da hospitalidade. Nada mais que uma viagem ao país pode ser feito para tornar mais limpo o olhar ocidental sobre ele e seu povo. E, dizem as boas linguas, qualquer viajante se surpreende com o Irã. Até mesmo o mais conservador e fechado norte-americano do Texas. Não seremos os primeiros. E espero que muitos brasileiros possam ter a mesma experiência, não apenas a turística, que por si já é fabulosa, mas a dos encontros e descobertas que só a curiosidade nos possibilita. 

                  Dizem que o país é surpreendente por mais que nos preparemos para ele. E que o turista brasileiro terá a garantia de um tempo bem passado, de experiências fabulosas, de encontros inesquecíveis, de tranquilidade e segurança, do conhecimento de um patrimônio encantador e de uma das civilizações mais antigas do planeta. Provavelmente, como nós, esse turista estará satisfeito por cada centavo investido a viagem ao país. De Tabriz - no extremo norte do Irã - até Shiraz, no extremo sul, nosso roteiro contemplará algumas maravilhas da antiguidade. Visitaremos  cidades com os mercados mais antigos e tradicionais do oriente, caravanserais, jardins magníficos, mesquitas e praças gigantescas. Conheceremos cidades onde se tecem os melhores tapetes orientais do planeta, uma de minhas paixões materiais: Tabriz, Shiraz, Isfahan e Kashan, cidades produtoras de alguns dos tapetes persas mais reconhecidos no mundo. Começaremos por Teerã, a Capital, cidade enorme e movimentada, que à primeira vista não aparenta ser tão amigável quanto as demais do interior. Mas também iremos a Kandovan, Kerman, Yazd, Persépolis e Pasárgada. Ao Irã voaremos pela Emirates. E no país viajaremos de carro e de avião, pela Iran Air.

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(*) Notas:

(*) "Cagação de regras" é o ato de achar que todos devem seguir um só comportamento. E considerar que a experiência pessoal do "cagador de regras" é única que vale para todo o Universo. Esse tipo é muito comum. Mas o "cagador de regras" é bem mais nocivo, perigoso, prejudicial e ruinoso do que se possa pensar. Ele acredita que a sociedade é linear,  pensa por exemplo que só há um jeito de arrumar malas, que todas as necessidades e gostos pessoais são iguais às suas e que todo mundo tem orçamentos, afinidades, interesses semelhantes. É o sujeito que diz "não vá e hipótese alguma" (a determinado lugar) ou então "vá a qualquer custo".  É o tipo que aconselha o que você deve ver ou não. Ou melhor, "deve" não, tem que ir, tem que comer, tem que se hospedar,  tem que voar (pela cia. aérea). E por aí vai.

 

Dar ouvidos ao "cagador de regras"  (o que diz "não vá em hipótese nenhuma"), em vez de a quem sugere e indica "vá se...",  costuma ter suas conseqüências. Afinal, a pretensão do "cagador de regras" é impôr limites às de quem ele "aconselha". O "cagador de regras", antes de ser um chato, é presunçoso. O tipo imagina que suas opiniões têm nobreza, que tornam a vida das pessoas melhores, mas impondo-lhes conselhos e desclassificando os desejos, circunstâncias, anseios e personalidade dos outros, na verdade o que faz é um  "cagador de regras" tornando a vida dos outros mais complicada e limitada. "Cagadores de regras" sempre existiram. A Internet só deu mais palco a eles. E as redes sociais amplificaram suas vozes. E também lhes deram oportunidade de fofocar, de intrigar, de opinar pretensiosamente e intrometer-se nas vidas alheias. Adoram criticar as vidas e os gostos alheios. Antes das redes sociais eles faziam sucesso nas caixas de comentários dos blogs. Mais tarde nas reuniões sociais presenciais da blogosfera. Os "cagadores de regras", ou "donos da verdade",  não têm idéias.  É bem comum que vivam de copiar as idéias dos outros apenas modificando-lhes para parecerem próprias. Ter idéia e opinião é uma coisa. "Cagar regra" na Internet (em blogs, Twitter e Facebook) é outra. Ambos são lugares férteis na produção desses malas, dessa gente que vive verborrejando suas babaquices turísticas como se o mundo fosse igual e as pessoas idem.

Adoro gente com opinião, especialmente as experientes e balizadas. Ainda mais as opinativas, as que têm coragem de se manifestar. São elas que respeitam as opiniões contrárias, sobretudo que opinam sem "cagar regra". Não é lá muito fácil identificar um "cagador de regras". Aliás, é bem difícil diferenciá-lo de um sujeito bem intencionado. O segundo tem “sugestões”, sabe que suas dicas podem ser utéis ou não. Já o "cagador de regras" em geral começa falando sobre o que não tem relevância. É o carinha que explica demais, expressa-se em verdades absolutas, copia frases da literatura e as toma como suas e recebe o aplauso da sua turma de seguidores desinformados e incultos que acham o máximo suas citações chupadas. Geralmente o "cagador de regras" é um cara de pau. Todo mundo tem seu lado "cagador de regras". A diferença está entre reconhecer isso e parar de fazê-lo ou continuar "cagando regras" a vida inteira. Para identificar um "cagador de regras" basta perceber se ele tem modéstia ou não. Ainda que se fantasie de bem intencionado, ele usa uma verborragia que convence multidões com suas dicas que parecem interessantes mas que revelam uma personalidade pretensiosa. O "caga-regras" não é um cara com idéias e opiniões, mas aquele que dita regras a torto e direito. O Twitter e o Facebook está cheio deles. E do excesso de compartilhamento, das cutucadas alheias, da incrível capacidade e desejo de evadir sua privacidade (sobretudo "cagando regra"). Passam a sua vidinha on line tentando provar que detém toda a sabedoria universal. O "caga regras" virtual é um grande comentarista nos blogs e gigantesco flooder das redes sociais. Sempre têm opinião sobre tudo. Mesmo quando não têm, vão buscar no Google e inventar uma. Adoram postar links de matérias, vídeos do Youtube e sugerir aplicativos. Sabe-se que esse tipo se alimenta de likes dados por seus amigo-seguidores. Como o "cagador de regras" não precisa ter muita profundidade ou conhecimento sobre a regra que está cagando, porque sabe que quem lê sua opinião também não, ele costuma fazer o maior sucesso.a

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1) Hotéis em que nos hospedaremos no Irã: Tehran: Espinas, KandovanLaleh, KermanPars hotel, YazdMoshir, ShirazChamran, IsfahanAbbasi, KashanManouchehri, DubaiRadisson Blu Dubai Creek.

1.1) Montamos nosso roteiro individual e personalizado com a operadora Highland (*)

(*) todos os produtos e serviços aqui mencionados não têm o conhecimento dos mesmos e não são recompensados de qualquer forma, anterior ou posteriormente à sua publicação. Foram descritos por liberalidade minha. Nossas viagens são escolhas pessoais. Pagas com recursos próprios e a preços de mercado. Viajamos independentemente. Assim como com independência emito opiniões e faço escolhas. Seja de um hotel, cia. aérea, atração. Cada link citado ou produto mencionado é feito com a suposição de que o leitor já saiba identificar os objetivos do blog. Sobretudo que as verificará com o fabricante, fornecedor ou prestador do serviço em questão. 

 

2) Leitor: Nelson Laskowsky: http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagens/2013/5/17/dois-mil-templos-sob-o-ceu-de-bagan-mianmar.html#comment20042308

3) Livros que lemos e estamos lendo (além do Guia Lonely Planet Iran):

 “A revolução iraniana”, de Osvaldo Coggiola e Emília Viotti da Costa (Editora UNESP, 2007) ISBN 8571398267

“Todos os homens do Xá” – de Stephen Kinzer  (Bertrand Brasil, 2003)

“O Irã sob o chador” -  de Adriana Carranca e Marcia Camargos (Globo Livros) ISBN: 978-85-250-4879-0)

 “The Valleys of the Assassins: and Other Persian Travels” – de Freya Stark (Modern Library, 2001) ISBN-10: 0375757538

“In the Land of the Ayatollahs Tupac Shakur Is King: Reflections from Iran and the Arab World” – de Shahzad Aziz (Amal Press, 2007) ISBN-10: 0955235928

"Iran - Culture Smart!: the essential guide to customs & culture" - de Stuart Williams (Kuperard - 2008) ISBN-10: 1857334701

"El país esquizofrénico (Un retrato de irán) - de Jordi Pérez Colomé [Kindle Edition] - ASIN: B0089N3VPQ

 

4) Revistas:

https://www.dropbox.com/s/svxfuov0relk3ty/Revista%20Geogr%C3%A1fica%20Universal%20-%20maio%20de%201975.pdf

https://www.dropbox.com/s/an9517csilmf4le/Revista%20Terra%20-%20abril%20de%202005.pdf

https://www.dropbox.com/s/aley8yvve6lbg3f/Revista%20Hist%C3%B3ria%20Viva%20-%20mar%C3%A7o%20de%202009.pdf

5) Blogs e sites:

Coordenada XY http://www.coordenadaxy.com

Gabriel quer Viajar http://gabrielquerviajar.com.br

Samy Adghirni - Um brasileiro no Irã http://samyadghirni.blogfolha.uol.com.br/

João Leitão http://www.joaoleitao.com/viagens/irao/

Chá de Lima da Pérsia http://azizamiran.blogspot.com.br/

Obamaworld.es http://www.obamaworld.es/category/los-viajes-de-obamaworld/2012-04-iran/

Domingo
Mai262013

PROVENCE - Portas e janelas 

                  A França é um país autênticamente sofisticado onde pode. E genuinamente simples onde deve. São precisamente as características que mais me atraem. Autenticidade, com requinte e sofisticação, encontra-se até mesmo naquilo que é rústico. Da culinária à cultura, da arquitetura aos costumes. Mas jamais imaginei que as presenciaria nas portas e janelas da Provence. Especialmente porque ali revestem-se de sua característica mais notável: a rusticidade.

 

  

                    JANELAS antigas, rústicas e belas há em qualquer vilarejo mediterrâneo. Todavia, não encontrei alguma com a personalidade das provençais. Elas me conquistaram nesta viagem à Dordonha e Provence. E mostraram-se tão insinuantes ao meu olhar quanto à virtude genética dos artistas plásticos locais. É imensa a quantidade de pinturas influenciadas pelo tema e expostas por todas as galerias da região. Felizmente os artistas de hoje são bem mais compreendidos que o genial Van Gogh, que tão magnificamente retratou em telas as paisagens da Provence

 

                         ELAS são assim mesmo, têm esse poder de iluminar a admiração de qualquer um, a despeito de toda sua rusticidade, justamente por estarem recobertas por incontestável sofisticação. Por isso gosto tanto delas. E de tê-las fotografado. Para os fotógrafos, aliás, são um deleite. Para escritores, um desafio.

 

                  ENTÃO nada me pareceria mais singular que meu desejo em registrá-las. Um desejo enorme. Por certo não fui o primeiro a percebê-las assim. E também não o último a notar seu poder de atrair, de surpreender tanto quanto as outras incríveis atrações da Provence.

     

                    EU encontrei um livro na primeira lojinha de badulaques turísticos, e depois invariavelmente em todas as outras de qualquer museu ou atração da região. Seu título, Portes et fenêtres en Provence - a monografia da fotógrafa Marie Etienne que tornou-se livro da série "Secrets de Provence" (Editora Equinox, ISBN 2841356388). Foi o bastante para me fazer “descobrir” que não havia nenhuma novidade na minha pretensão de escrever sobre as janelas da Provence. O livro encerrou a bom tempo e de maneira apropriada meu suposto direito de escrever algo novo, útil e criativo sobre o tema. 

                    MAS nem assim elas deixaram de me inspirar. E como me atraíam aquelas portas e janelas da Provence. Tornaram-se quase uma obsessão fotografá-las. Freqüentemente emolduradas por flores, de cores suaves, nas grandes cidades ou nas pequenas aldeias são tantas e tão formosas e atraentes que invariavelmente captavam meus olhares. Pesquisando, encontrei um mundo de fotos e de matérias em revistas e blogs abordando o tema. Tornou-se tema tão corriqueiro e tão bem explorado que cheguei a pensar em desistir de minha “luminosa idéia”: publicar algo novo e assertivo sobre as portas e janelas da Provence.

                   A pá de cal na pretensão veio depois de reler o post do dublê de blogueiro e jornalista Beto Pachoalini. Em seu “O meu lugar”, um dos blogs mais antológicos na blogosfera, cujos textos eram sempre incomparáveis, acordei para o fato de que não sou capaz de escrever algo tão bom sobre o tema, sobretudo com tamanha simplicidade. Ainda mais com alguma novidade criativa. Se o caro leitor quiser constatar o que eu defino como "escrever bem", sugiro dar uma passada em "Você já foi à Provence nega? Então vá!".

                   AS janelas são de muitas cores, ainda que os azuis tenham tomado pra si a representação do estilo provençal. De simples caixas de janela às decoradas mais elaboradamente, a variedade parece infinita. Abertas, fechadas, com ou sem cortinas de rendas, rodeadas por alvenarias de pedras rústicas ou emboçadas, simétricas ou não, grandes, médias, pequenas e minúsculas, de madeira maciça e ferragens brutas em ferro forjado, pintadas, cruas, bem mantidas ou descuidadas, em casas elegantes ou simples casinhas rurais, com ou sem vasos de flores, algumas abandonadas, outras cheias de vida, de tantas e tão belas formas que vêm atraindo fotógrafos, pintores, escritores e simples turistas.  

                SÃO notáveis, verdadeiras obras de arte primitiva as janelas da Provence. E eu as capturava com mais admiração e encantamento do que como fotógrafo.