Templo Expiatório de la Sagrada Familia
Eu construía “sagradas famílias” e não sabia.

Na minha infância , no Leblon, na Cidade do Rio de Janeiro, ir à praia era como hoje ir ao “play-ground” dos edifícios modernos das grandes cidades brasileiras.
- “Mãe, tô indo pro play”, gritam as crianças já segurando a porta do elevador aberta.
As crianças da minha geração (década de 50) e que tinham o privilégio de morar na Zona Sul do Rio de Janeiro, a uma ou duas quadras da orla marítima, substituiam o “play” pela praia.

Não existiam prédios com o PUC (Pavimento de Uso Comum), como tecnicamente se denomina o andar onde fica a área de lazer desses edifícios. Muitos sequer possuiam garagem, quanto mais, pavimento de lazer. Brincávamos na rua mesmo, tanto nas calçadas quanto nas ruas, porque eram poucos os carros. Subíamos nas amendoeiras das calçadas, as árvores mais comuns do paisagismo urbano daquela época (e que ainda hoje dominam as calçadas do Rio de Janeiro).

Nosso “play” era mesmo a calçada em frente ao prédio e, depois, a praia. A praia era nosso quintal. E assim foi da pré-infância à adolescência. Aliás, já frequentávamos a praia na barriga das nossas mães.

Quando crianças, a principal brincadeira na praia consistia em cavarmos buracos na areia, bem próximos à linha da água do mar, enchê-los de água para juntarmos neles a matéria prima para esculpirmos nossos castelos de areia. Juntávamos os cindo dedinhos para buscar areia “líquida” e a deixávamos escorrer entre eles. Escorrendo lentamente e, ao final, pingando, a areia ia acumulando-se e formando torres como as estalagmites. Já adulto conheci a fabulosa Gruta de Maquiné, em Minas Gerais e suas formações milenares fizeram-me também recordar dos castelos de areia. Fazíamos castelos e igrejas sem sequer saber onde ficava Maquiné e a Espanha.

A Catedral Sagrada Família , projetada por Gaudi, é o cartão postal de Barcelona. Por mais maduros que sejamos, é impossível deixar de associarmos sua fachada posterior àqueles castelos de brincadeira feitos na areia da infância.
A obra mais emblemática de Gaudí - interrompida após sua morte e por falta de verba - é impressionante por três motivos principais: o primeiro, evidentemente, por sua grandiosidade monumental; o segundo, igualmente impactante, por sua inusitadíssima arquitetura; a terceira, por estar em permanente construção desde 1.882, o que lhe confere uma particularidade curiosa e intrigante, pois não foram deixadas plantas do projeto total. Dizem que se não houver interrupção no cronograma de obras, segundo o ritmo atual e histórico, elas estariam concluídas daqui a 50 anos.

Suas torres com 107 metros de altura dominam de qualquer ângulo que as olhemos. Numa delas pode-se subir até o topo, por um elevador, até certo ponto, e depois por uma estreita escada em caracol.

A curiosidade acerca da igreja não termina aí: iniciada por outro arquiteto, Gaudi fez seus primeiros desenhos e conceitos fundamentais mas só assumiu a obra um anos após iniciada. Além da lentidão, em razão da complexidade e dificuldade de conseguir recursos para sua construção, algo trágico marcou sua interrupção: Antoni Gaudi morreu atropelado por um bonde em 1.926. Ali na cripta da Sagrada família estão os restos mortais de Gaudí.

O projeto prevê a continuação dos fundamentos deixados por Gaudí e o término da obra com o dobro das torres qua atualmente se vêm e o fechamento do tempo, que hoje é parcialmente aberto e cujo interior ainda não possui altares nem capelas, apenas máquinas e gruas.

O interior dificilmente terá tanto impacto quanto as fachadas. A posterior, que dá para uma praça com um lago é o melhor ponto para observar-se a igreja, ainda que dependendo da época você tenha que disputar um palmo de espaço com outros turistas igualmente ávidos por uma foto do tipo cartão postal. Formam-se filas, acredite!
É nesta parte que fica a fachada denominada do Nascimento, que foi concluída apenas em 1930.
Na parte frontal, a fachada principal dá também para uma praça grande, de onde não se tem uma vista boa, porque sua calçada é tomada por barraquinhas de suvenires. Esta fachada é completamente diferente da posteror, chama-se da Paixão e foi concluída em 1.977, com arquitetura cubista.

A fachada da Paixão é mais imponetne, mas eu não acho a mais bonita, porque descaracterizou o estilo gaudista, pois seu arquiteto resolveu dar um toque pessoal. Ainda que belíssima, é cubista, não modernista, portanto, não é puro Gaudí.
O interessante aqui é olhar longamente por toda esse lado da igreja procurando inúmeras alegorias e adereços, figuras e símbolos que formam um curioso conjunto. Do chão ao topo das torres você poderá passar um bom tempo surpreendendo-se.

Uma visita à Sagrada Família deveria ser precedida de uma à imponente Catedral de Barcelona, que fica no Bairro Gótico, no centro histórico da cidade, para que você identifique na igreja de Gaudí elementos góticos da catedral gótica e neogótica de Barcelona e perceba a mesma imponência de ambas. Todavia, dependendo da época do ano, chegar mais tarde à Sagrada Família significa ficar horas numa fila para conseguir comprar ingresso para visitas ao seu interior e às torre, além do pequeno museu com maquetes e desenhos originais do projeto de Gaudí.

A Catedral de Barcelona estará no próximo “jornal” desta minha viagem à cidade.


Reader Comments (4)
Depois direi o que achei
Estou indo a Barcelona passar 2 dias! Quero conhecer oq tem de melhor e ficar bem localizada, achei um hotel em las ramblas com preço bom, é perto da sagrada familia? e outros pontos turísticos?
Grata,
Bárbara Andrade
Estive em Barcelona em 2004 e me impressionei com a igreja da sagrada família.
Fomos com alguns amigos americanos que a principio não queriam conhecer o local. Porém quando chegaram se impressionaram tanto que compraram quase USD 500,000 em souveniers referente à igreja.
Um abraço
Rogério
vou a barcelona em setembro e ja estou fascinada com o que vejo na net!