Mosteiro de Alcobaça - Portugal
Um roteiro a Óbidos, Alcobaça, Batalha e Fátima - Tour de Um Dia
Viajar pelos arredores de Lisboa é muito fácil, tanto de carro quanto de trem. O melhor, claro, é ir de carro, o que proporciona total independência, liberdade e conforto, além de otimização de seu tempo.
Alcobaça pertence ao Distrito de Leiria, região Centro e subregião do Oeste de Portugal, a cerca de 109 km de Lisboa...
... entre Caldas da Rainha, Marinha Grande e Leiria, banhada pelos rios Alcoa e Baça , cuja junção deram nome à cidade, elevada a esta categoria muito recentemente, em 1995.
Eu já havia lido que o Mosteiro de Alcobaça - o maior mosteiro do país e um dos maiores da Europa - é considerado uma espécie de macrocefalia da cidade do mesmo nome...
...o povoado foi cercando o mosteiro e, à medida que este perdia importância, cresceram as indefinições quanto ao que poderia ser o mosteiro no futuro, debate que até hoje persiste.
A Abadia de Alcobaça, reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, é uma das mais importantes abadias européias, fundada em 1153, por doação de D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval.
A abadia só começou a ser construída, todavia, em 1178, e segundo prática corrente na época, a obra era iniciada pela cabeceira, esta com três naves à mesma altura, o transepto de duas naves e o deambulatório, formando um conjunto que impressiona pela simplicidade, grandeza e austeridade.
É a maior e primeira grande obra do gótico primitivo português, depois substancialmente alargada e enriquecida com as sucessivas doações reais.
Em 1308, D. Dinis manou construir o Claustro do Silêncio e mais piso, já no reinado de D. Manuel, que mandou também construir a Sacristia Manuelina, obras do arquiteto João de Castilho.
A partir do Abade Comendatário Cardeal D. Henrique começaram as grandes alterações espaciais, com a construção do Palácio Abacial...
...no extremo Norte da Ala Norte e do Claustro do Cardeal, seguindo-se, no séc. XVII, a Hospedaria, a Sala dos Reis e o Noviciado.
Há um notável altar , o Altar da Morte de S. Bernardo dos finais do séc. XVII, em terracota, assim como a grande cozinha do séc. XVIII.
Na Sala dos Túmulos, em neo-gótico, ficam os túmulos de algumas rainhas e príncipes. No transepto da Igreja encontram-se duas das mais belas obras da arquitectura tumular do séc. XIV: os túmulos de D Pedro e D. Inês de Castro.
A fachada monumental deste mosteiro mede 221 metros e compõe-se de 3 corpos distintos: Ala Norte, Igreja e Ala Sul. As alterações no séc.XVII incidiram principalmente na fachada principal, perdendo a sua simplicidade original.
O pórtico de 7 arquivoltas foi a única parte que ficou da fachada medieval. Sobre o pórtico existem 4 estátuas decorativas simbolizando as 4 virtudes, Força. Justiça, Prudência e Temperança.
No final do século X organizou-se em Cluny, na Borgonha, um novo mosteiro beneditino que procurava renovar a regra de S. Bento.
As igrejas cluniacenses eram cheias de belos elementos decorativos. Contra estas manifestações de gosto pela beleza natural, insurgiu-se Bernardo de Claraval, que se recolhera em 1112 em Cister, donde saíra para fundar a Abadia de Claraval e animar mais uma reforma que restituísse à ordem de S. Bento todo o rigor inicial.
Os religiosos de Cister deviam viver do seu trabalho, não acumular riquezas, e os mosteiros seriam edificados em lugares ermos, sem qualquer decoração.

Enquanto D. Afonso Henriques se empenhava na Reconquista, chegaram ao território português os monges de Cister que fundaram o Mosteiro de São João Baptista de Tarouca em 1140. Diz a lenda que o primeiro rei de Portugal doou parte das terras da região de Alcobaça a S. Bernardo, em cumprimento da promessa feita quando da conquista de Santarém. Se se comparar a planta do Mosteiro de Alcobaça com o da segunda igreja de Claraval, ambas apresentam o mesmo desenho base.

É preciso compreender o motivo de tanta simplicidade interna desta igreja emforma de cruz latina. A atual fachada é do século XVIII, restando do gótico primitivo o portal de arcos ogivais e o arco da rosácea. A concepção arquitetônica deste notável monumento, desprovida de decoração e sem imagens, como ordenava a Ordem de Cister, apresenta grandiosidade e beleza indiscutíveis.

As naves central e laterais são inteiramente abobadadas, praticamente da mesma altura, dão a sensação de amplo espaço, a que o processo de iluminação, românico ainda, dá pouca luz e o torna maior. As naves laterais prolongam-se pelo deambulatório, e irradiam nove capelas que acompanham a ábside circular, iluminada por frestas altas, o que realça o altar-mor.
Arcos-botantes sustentam a parte alta da ábside, pouco comuns nas abadias de Cister, talvez por ser um monumento de transição entre o românico e o gótico. As inovações típicas da arte gótica aparecem ainda com o aspecto de um ensaio, como por exemplo a subida das naves laterais até à altura da central.

O transepto apresenta-se com duas naves, mas quando olhamos a planta da igreja, reconhecem-se três, nos alicerces e no corpo central.

Contíguo à sacristia fica o Jardim das Murtas, onde em 1690 foi construída a capela de Nossa Senhora do Desterro, com uma bela fachada barroca. A parte térrea do claustro foi mandada construir por D. Dinis e é o mais antigo claustro cisterciense de Portugal. Do lado norte do claustro, e ligado a ele, situam-se o refeitório com um púlpito, com uma escada na parede, e a ampla cozinha onde se assavam reses inteiras.
Deambulatório
O Deambulatório é uma obra complexa, a sua estrutura interior - o presbitério, propriamente dito - articula-se com a nave por intermédio de duas paredes opostas, retas, marcadas por dois pilares nos extremos e de cada lado. Oito colunas de grande diâmetro e robustez com capitéis ornamentação vegetalista muito simplificada, sustentam arcos quebrados. A abóbada, nervurada, parte de meias colunas cuja raiz se situa acima daqueles capitéis. A parte exterior do Deambulatório é dotada de uma abóbada mais pesada e de acordo com os sistemas mais simples utilizados no restante edificio.
O Dormitório dos monges é constituído por três naves e ao fundo aínda existe uma escada que se prolongava até à igreja onde eles iam rezar durante a noite, de duas em duas horas.
Sala do Capítulo
A sala do Capítulo, uma das dependências mais importantes na hierarquia funcional da Abadia, é de um período em que o templo já existia - meados do século XIII - e revela um estado mais avançado dos trabalhos, sendo estruturada por quatro pilares centrais, com seis colunas enfeixadas, capitéis de cesto mais alto ornados com temas vegetalistas. A sala do capítulo é onde o monge mais importante lia um livro onde estava escrito como devia de ser o comportamento dos monges dentro do mosteiro
Claustro de D. Dinis
O Claustro de D. Dinis constituído por dois registos com quatro alas de tramos marcados por contrafortes de andares. No registo inferior arcada rebaixada contendo arcos plenos, tribolados, e quebrados, sobre colunas grupadas com capitéis vegetalistas, encimados por óculos; galerias abobadadas com cruzarias de ogivas apoiadas em mísulas. O registo superior abre para a quadra por arcos plenos duplos e triplos sobre colunas assentes no parapeito. Este claustro foi mandado contruir pelo próprio D.Dinis.
Claustro de D. Afonso VI
O Claustro de D. Afonso VI tem dois andares, uma sala rectangular procedida por galeria com cinco arcos e duas salas abobadadas em aresta. O interior do edifício demonstra a existência de um gótico avançado, o exterior exprime a austeridade cisterciense. Não existem torres e as fachadas, especialmente o frontispício, tem apenas uma parede lisa com empena triangular. As paredes são contrafortadas, excetuando-se a cabeceira, na qual surgem pela primeira vez arcobotantes na arquitetura portuguesa.

fotos em 360 graus do Mosteiro de Alcobaça


Reader Comments (18)
Oh trem bão ver suas fotos! Não é brincadeira, agente viaja mesmo nelas.
um abraço
estão totalmente, completamento magnificas, um espectáculo!!!!!!!
Adoro o mosteiro de alcobaça!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ao lado destas fotos as minhas estão super mal
E o texto, uma verdadeira aula.
Obrigada
Voce preecisa viajar de novo....Estamos carentes de um post novo!!!
Yo he estado en Trancoso y en Praia do Forte, pero nunca pude hacer unas fotos con tanta luz, tan luminosas. Me encantan y me asombra la nitidez de las imágenes.
Enhorabuena por las fotos del Parque Güell de BCN, nunca lo había visto tan bonito como a través de tus fotos.
Seguro que es un orgullo haber hecho esas fotos.
Ate logo.
Ernesto, eu estou nos preparativos finais para minha próxima viagem: Dubai, Istambul e Budapest, agora em maio.
Espero que não me faça pagar direitos de autor mas estou a copiá-las para uns diapositivos de power point (espero que seja este o nome que dão no Brasil) para mostrara aos alunos nas aulas quando dou esta matéria.
Obrigada.
Bom retorno e boa vida de casado!
OBRIGADO
Moro em Alcobaça/Ba no Brasil. Gostei muito das fotos, pretendo quando tiver oportunidade ir até essa bela cidade e conhecê-la pessoalmente.