« Passeio pela Baía de Guanabara - Rebocador Laurindo Pitta. | Main | Ilha Fiscal - Baia de Guanabara, Rio de Janeiro »

Forte de Copacabana - Rio de Janeiro

Posted on Mai 11, 2007 at 22:19 by Registered CommenterArnaldo Interata | Comments3 Comments

Forte%20de%20Copacabana%2000.jpg

Construído em 1914, com o objetivo de reforçar a defesa da Baía de Guanabara, o Forte de Copacabana é aberto à visitação pública e, posso assegurar, é um passeio muito recomendável, gostoso e atraente,com uma das vistas mais bonitas e menos conhecidas da Cidade do Rio de Janeiro.

Forte%20de%20Copacabana%2001.jpg

Além da bela vista panorâmica da costa, o Forte de Copacabana tem um interessante Museu, o Histórico do Exército, que apresenta interessantes e bem montados cenários, fatos marcantes registrados nas de exposições, exibições de vídeo, maquetes e um setor interativo, original.

Forte%20de%20Copacabana%2002.jpg

Desde 1986, o Forte, além de passar a ser sede do Museu Histórico do Exército, com atividades educacionais e culturais, preservou as primitivas instalações, com as galerias, os refeitórios, os lavatórios em estilo art-nouveau, paiol das munições, a câmara de tiro e as quatro cúpulas dos canhões de trajetória retilínea.

Forte%20de%20Copacabana%2003.jpg

O lugar preserva a memória de algumas passagens da história da Cidade do Rio de Janeiro, desde o Plano de defesa da Baía de Guanabara (1763 - 1908), por conta da transferência da capital do Brasil para a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1763, o que provocou a necessidade de serem reforçadas as defesas da Baía da Guanabara, através das Fortificações de Artilharia.

Forte%20de%20Copacabana%2004.jpg

Seis anos depois, foi iniciada a instalação de um Forte na "Ponta da Igrejinha", em Copacabana, nome pelo qual era conhecido o Cabo onde hoje se situa o Forte de Copacabana. Foi necessária a demolição da antiga Igrejinha, que deu origem ao nome do bairro, e sempre viveu ligado à santa, cujas origens remontam ao antigo Império Inca e ao Santuário da Virgem do Lago Titicaca, na Bolívia.

Forte%20de%20Copacabana%2006.jpg

Depois de várias tentativas não concluídas o projeto só foi retomado em 1908, durante o governo de Afonso Pena, com o lançamento da pedra fundamental, enterrada junto a uma caixa lacrada contendo coleções de selos nacionais, moedas de ouro, de prata, de níquel, de cobre e jornais do dia.

Forte%20de%20Copacabana%2007.jpg

A construção foi de 1908 a 1914 e sua execução utilizou mais de 2 mil operários civis. O armamento fabricado pela Krupp e trazido da Alemanha pela marinha Brasileira, foi transportado em 6.414 volumes, guindastes elétricos de 80 toneladas desembarcaram os canhões, que foram instalados em quatro cúpulas.

Forte%20de%20Copacabana%2008.jpg

Uma das cúpulas tem dois canhões de 305 mm, com alcance máximo de 23 Km, a outra tem dois canhões de 190 mm, com máximo de 18 Km de alcance e mais duas com um canhão de 75 mm cada uma, com alcance máximo de 7 Km.

Forte%20de%20Copacabana%2009.jpg

A energia elétrica necessária à iluminação, aos movimentos das armas e ao sistema de ventilação era fornecida por uma usina composta de dois grupos eletrogêneos contruidos pela AEG, alemã.

Forte%20de%20Copacabana%2010.jpg

Protegidos por uma casamata abobadada com muralhas externas voltadas para o mar de 12 metros de largura, os militares podiam enfrentar o inimigo durante semanas, isolados do exterior. Essa construção, dificultada pelas condições do terreno e do mar, e agravada pelo tamanho e peso do armamento, representou um desafio para as engenharias militares brasileira e alemã.

Forte%20de%20Copacabana%2012.jpg

O Forte de Copacabana foi o sucessivamente por seis Baterias de Artilharia, até a instalação, em 23 de outubro de 1934, do 3º Grupo de Artilharia da Costa (3º GACos) e seus modernos canhões, para a época, eram dotados de grande potência de fogo e avançada tecnologia, tornando-o por muito tempo baluarte de defesa da entrada da Baía. Suas atividades, voltadas para a procura de novas técnicas e para o aprimoramento da instrução militar viabilizaram a execução das primeiras Escolas de Fogo, que foram realizadas a partir de 1935, além de ser o pioneiro, no Brasil, em exercícios noturnos de levantamento de rota com apoio de holofotes, em 1937.

Forte%20de%20Copacabana%2013.jpg

A intensa ligação com a comunidade e o brilho alcançado nas competições desportivas tornaram o Forte de Copacabana uma amizade de escola e orgulho dos militares que por ele passaram.

Forte%20de%20Copacabana%2014.jpg

O evento mais famoso denominou-se "Os 18 do Forte", ocorrido em 1922, cuja origem foi a crise política dos pleitos eleitorais, estando o Governo Federal atuando ostensivamente na política partidária dos Estados.

Forte%20de%20Copacabana%2015.jpg

O Corpo Militar era usado como instrumento de ordens ou missões incompatíveis com a sua função. Uma crise econômica assolava o país e o clima era de intranquilidade para os novos governantes.

Forte%20de%20Copacabana%2016.jpg

O Tenentismo surgiu como movimento de jovens oficiais inspirados pela filosofia positivista, os quais decidiram romper com as bases governamentais reivindicando reformas militares e políticas.

Forte%20de%20Copacabana%2018.jpg

O Forte de Copacabana revoltou-se no dia 2 de julho, quando seu comandante era o Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal Hermes da Fonseca. Uma ordem do Ministério da Guerra precipitou a rebelião e o 3º Regimento de Infantaria tomou posição contra o forte. Os portões foram abertos aos que não queriam lutar e o Capitão Euclides Hermes da Fonseca foi ao Palácio do Governo negociar, tendo sido preso e comnicado por telefone ao Tenente Siqueira Campos que o Governo exigia a sua rendição. Siqueira Campos tomou a decisão de resistir até o fim. De 301 revolucionários, ficaram apenas 18.

Forte%20de%20Copacabana%2019.jpg

Durante toda a manhã do dia 5 o Forte de Copacabana sustentou fogo cerrado e diversas casas foram atingidas dezenas de pessoas foram mortas pelos batalhões do I Exército. A certa altura dos acontecimentos, Euclides Hermes e Siqueira Campos sugeriram que os que quisessem abandonassem o forte: restaram 29 combatentes. Por estarem acuados, o Capitão Euclides Hermes saiu da fortaleza para negociar. Os 28 que permaneceram, decidiram então "resistir até a morte", partindo em marcha pela Avenida Atlântica rumo ao Leme.

Forte%20de%20Copacabana%2021.jpg

Durante os tiroteios, dez deles dispersaram pelo meio do caminho e os tais 18 passaram a integrar o pelotão suicida.

Forte%20de%20Copacabana%2020.jpg

Após a morte de um cabo, ainda no asfalto com uma bala nas costas, os demais saltaram para a praia, onde aconteceram os últimos choques.

A despeito dos que tombaram mortos na areia, os remanescentes continuaram seguindo em frente. Os únicos sobreviventes foram Siqueira Campos e Eduardo Gomes, embora tivessem ficado bastante feridos. Hoje existe na Avenida Atlântica uma estátua embronze representado a morte de um desses soldados. 

Enclosure

PrintView Printer Friendly Version

EmailEmail Article to Friend

Reader Comments (3)

eu adoro o fote ja fui la no dia 27/9/06 e amei,tenho planos de voltar algum dia de deus permitir pos amo,amo de coração o rio de janeiro inteiro
um bj e espero o mes breve possivel voltar pra matat as saudades
Sábado, Junho 23, 2007 at 14:52 | Unregistered CommenterRenan
Acredita que mesmo morando no Rui há anos eu nunca fui no Forte? Quem sabe agora, com a Colombo la, isso não vira uma desculpra pra minha primeira visita? :-)
Quinta-feira, Agosto 16, 2007 at 09:49 | Unregistered CommenterClarissa
Por favor ajudem Moçambique a persevervar a sua história,mesmo anterior à Independência, pois também é História. O não aproveitamento de materiais históricos, como artilharia da guerra de 1939/45, não favorece a historia de qualquer país. Refiro-me à ilha fortificada da Xefina perto do Maputo, que já está quase toda dentro do oceano.O exemplo d vosso forte de Copacabana pode servir para algo.
Segunda-feira, Agosto 20, 2007 at 14:56 | Unregistered CommenterSousa Cruz

PostPost a New Comment

Enter your information below to add a new comment.

My response is on my own website »
Author Email (optional):
Author URL (optional):
Post:
 
Some HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>