Alexandria الإسكندرية - Egito
Introdução: A perfeição é a meta.
DIZEM os especialistas que a tentativa de atingir a perfeição é uma limitação psicológica, simplesmente porque a perfeição não existe. Para definir os obstinados com a perfeição sem fazer com que pareçam seres psicologicamente, digamos...deficientes, outros especialistas chamam de METACOMPETENTES aqueles que buscam - e conseguem - ir além da sua própria competência. O prefixo META vem do grego, metá, e significa transcender, ir além.

Parte da cidade de Alexandria vista do navio pouco antes de atracar. Palácio real ao fundo.
E o que essa tal de metacompetência tem a ver com um blog de viagens? Eu explico: há estreita relação entre a metacompetência e os meus objetivos com este blog, meus ideais de torná-lo metacompetente. Essa condição de desempenho é tão almejada, me dedico tanto a ela, a ir além da minha própria competência em torná-lo um exemplo de qualidade nesse universo da blogosfera - tarefa para a qual decididamente não me julgo competente - que me torno um eterno insatisfeito e auto-crítico de todo o seu conteúdo. Quanto menor for o talento, maior será a dedicação.

Placas de carro
TUDO isso é decorrente do respeito à veracidade e à credibilidade das informações aqui contidas. Assim é que sempre que publico alguma matéria a "meta" é o que público leitor, responsável pelo sucesso retumbante deste blog. Por favor, não me julgue pretensioso! Quando olho as estatísticas do blog e verifico que a freqüência foi de cerca de 3.000 a pouco mais 100.000 visitas por mês em um ano e alguns meses - não há como pensar diferente em termos de aperfeiçoamento, melhorias. O blog vai melhorando aos poucos, a cada nova matéria. E eu não tenho dúvidas de que todo leitor espera sair daqui mais bem informado do que quando entrou.
"A perfeição é a meta. Ainda que ela não exista. E você a merece!"

Mesquita Abu Abbas al-Mursi
EU estava me preparando para inicar o trabalho de escrever a introdução a esta matéria e não conseguia sair daquela fase em que nada parecia estar bom, nada passava pela ‘malha-muito-fina’ de minha auto-crítica. O que eu escrevia ora aparentava não estar bom o suficiente para ser publicado no FATOS & FOTOS de Viagens, ora não exprimia o que eu de fato tinha em mente transmitir. Escrever para este blog tem sido tão difícil quanto prazeroso.

Forte Qait Bey
ESCREVER para cerca de 100 mil visitantes por mês - marca na qual o FATOS & FOTOS de Viagens vem se situando nos últimos meses (ver “Tráfego no Blog” http://interata.squarespace.com/trfego-no-blog/) - recomenda abordagem madura, séria, responsável, imparcial, não preconceituosa e com alguma profundidade no trato dos assuntos, temas e destinos abordados, ainda que possam ter um olhar crítico e opiniões de gosto pessoal. Com base nesses fundamentos o objetivo deste blog é o leitor identificar credibilidade, encontrar guias confiáveis e sem superficialidades e banalidades, ainda que resumidos.

Forte Qait Bey
CONSTITUI-SE verdadeiro atrevimento tentar discorrer sobre lendas egípcias, egiptologia e história do Egito. Reconheço minha mais completa ignorância acerca do tema. E não consigo dissociar história e cultura, de turismo. Especialmente quando escrevo aqui no blog. Não tenho dúvidas também de que algum conhecimento prévio acerca da história, geografia, sociedade e cultura de um destino turístico é a base para a sua melhor compreensão e aproveitamento.

Rua Ahmed Orabi, uma das avenidas principais do Centro da Cidade de Alexandria
NÃO é por menos que em “Objetivos deste Blog” eu discorro sobre tal assunto, que me permito reproduzir aqui, em parte:
“VIAJAR enriquece o espírito, aprimora a cultura e acentua a educação. Conhecer outros países, cidades e povos amplia para o bem a nossa maneira de enxergar o mundo e compreender as pessoas. Viajando - e sobretudo observando com sensibilidade o que vemos - tornamo-nos mais complacentes, deslimitamos nossos horizontes e atenuamos aquela tendência natural à pretensão e ao preconceito que (quase) todo ser humano carrega consigo.

Forte Qait Bey
NÃO há nada melhor do que viajar conhecendo antecipadamente um pouco da cultura, da história e dos costumes dos lugares que visitaremos. É a maneira mais eficaz de potencializarmos os prazeres de uma viagem. Quando as planejamos adequadamente, tudo tende a correr bem e as surpresas revelam-se agradáveis. Todo o nosso tempo é naturalmente dispendido em conhecer, ver, absorver e aproveitar. Já o tempo gasto na resolução de contratempos decorrentes da falta de planejamento, é tempo perdido, desperdiçado. Por isso, costumo dizer que programar uma viagem é quase tão bom e importante quanto vivenciá-la.” Arnaldo Interata

Os típicos táxis bicoloridos e o jardim central de uma avenida
PORTANTO, não estranhem, leitores, e relevem a superficialidade com que abordarei Alexandria, históricamente uma das cidades mais importantes do Mediterrâneo e que já viveu extremos tanto de esplendor quanto de involução. Uma cidade que levou o nome de Alexandre Magno, seu fundador em 331, não pode ser abordada sem seriedade.

Pilar de Pompéia e Esfinge - Anfiteatro Romano (Kom El Dekka)
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Alexandria الإسكندرية
ESTA cidade sempre desempenhou papel privilegiado na história da humanidade e progrediu além de todas as expectativas, tornando-se uma proeminente metrópole cultural, intelectual e econômica, cujos restos ainda hoje são encontrados em suas ruínas e registros históricos. Foi a famosa capital de Ptolemies e a cena do drama emocionante com Cleópatra, Júlio César, Marco Antônio e Otávio.

Anfiteatro Romano (Kom El Dekka)
UMA das inúmeras lendas é a de que no delta do Nilo - exatamente onde foi fundada Alexandria - os deuses egípcios esconderam toda a sua sabedoria, que passou, desde então, a ficar disponível aos homens. Para além das lendas e crenças, o fato é que - favorecida por sua posição geográfica no Mar Mediterrâneo - Alexandria tornou-se uma cidade comercialmente importante, um dos mais fortes motivos que determinaram seu progresso, o qual motivou tantos outros desenvolvimentos na arte, na cultura, ciência e filosofia. Além de ser uma cidade organizada, com notável infra-estrutura administrativa, financeira e comercial para os padrões da época.

Anfiteatro Romano (Kom El Dekka)
ALEXANDRIA esteve sob domínio romano mas foi sob o árabe que ocorreu o primeiro período de conflitos decorrentes de tensões religiosas, conflitos estes que contribuiram fortemente para a destruição de boa parte de seu patrimônio daquela que já foi Capital do Egito e conquistada gregos entre 332 e 32 a. C. Por mais de 700 anos o Egito teve uma das civilizações mais importantes da humanidade e foi sucessivamente invadido por gregos e romanos. Alexandria chegou a ser considerada por centenas de anos a capital cultural do mundo.

Sarcófago de múmia no Museu de Alexandria
ATÉ mesmo os franceses andaram por Alexandria, sendo mesmo um território francês de 1830 a 1930 esta cidade que além de ficar às margens do Mediterrâneo também situa-se no delta do Nilo. É a segunda maior cidade do Egito e tem cerca de 3 milhões de habitantes e com um dos maiores portos do Mediterrâneo. Alexandria começou a entrar em decadência durante o século I a.C., quando Roma começou a intervir nos assuntos egípcios e sua última governante ptolomaica era Cleópatra, filha de Ptolomeu XII.

Detalhes de algumas peças do Museu Nacional de Alexandria
"O turismo é uma das mais importantes fontes de receita do país,
tanto quanto a taxa cobrada pela permissão de tráfego de navios no Canal de Suez."

ESTA breve visita à cidade ocorreu a partir de seu porto, uma das paradas do excepcional cruzeiro pelo Mediterrâneo com o navio Costa Atlântica – que além de Alexandria, no Egito, foi a Limassol, no Chipre, Marmaris, na Turquia e Santorini e Katakolon, na Crécia, além da Sicília, na Itália - num roteiro de 10 Noites, de 13 a 23 de Outubro de 2007, portos, cidades e lugares que estão sendo mostrados aqui no FATOS & FOTOS de Viagens nesta série de matérias em que Pompéia e Taormina foram os primeiros destinos publicados.

Museu Nacional de Alexandria
O cruzeiro, por si só, foi uma experiência fabulosa em todos os sentidos, irrepreensível em todos os aspectos (da reserva ao desembarque tudo foi absolutamente impecável), com uma frequência excepcional, alto padrão e sem aquilo tudo de péssimo gosto e das experiências anteriores extremamente negativas que tive com cruzeiros pelo Brasil, pela Grécia e às Bahamas. Elegante, classudo, ótima freqüência, bom-gosto.

O Porto de Alexandria deveria ser exemplo para os portos do Rio de Janeiro e de Santos. Moderno, bonito, impecável.
O passeio pela cidade começou a partir do belo porto de Alexandria e dirigiu-se ao Museu Nacional de Alexandria. Um ônibus escoltado por um carro e uma moto da polícia egípcia o tempo todo. Será tão perigoso assim o Egito? Naquele interessante museu estão expostas quarenta mil relíquias de valor incalculável, algumas datadas desde o século III A.C., até outras do século VII d.C. As estátuas de Tanagra são um dos tesouros de valor inestimável que podem ser vistos neste museu, além de múmias e sarcófagos, apetrechos, moedas, utilitários, ferramentas, manuscritos, objetos artísticos e religiosos.. É uma pequena amostra do acervo do Museu do Cairo.

Alexandria e o Mar Mediterrâneo
DEPOIS do museu visitamos aquela que considero a melhor atração da cidade - o Anfiteatro Romano - descoberto em escavações realizadas na área de Kom El Dekka, que fica próxima ao Museu Romano. São doze terraços de mármore que formam um semicírculo, planta considerada o única com esta característica no Egito.

Letreiros de lojas na Rua Abol Kassem El Shabi, no Centro da Cidade de Alexandria
EM seguida fomos pela estrada à beira-mar até os Jardins de Montaza, cujas lindas palmeiras formam um cenário bastante típico desta área da África e onde fica Palácio de Verão do Rei Farouk, ex rei do Egito. No caminho de volta para o porto, passamos pelo Forte de Qait Bey, na área onde havia o Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo.

Detalhes de rua
TAMBÉM visitamos a Mesquita de Abu El Abbas, um dos mais famosos monumentos islâmicos do mundo e que fica nesta cidade dedicada ao patrono dos pescadores e marinheiros – Santo Alexandre.

Palácio de Verão do Rei Farouk - Jardins de Montaza
AINDA que seja um edifício moderníssimo, a principal atração de Alexandria é mesmo sua biblioteca, já que o famoso Farol de Alexandria, uma lendária construção de 280 a.C. que diziam ter 120 metros de altura e cuja luz era visível a 100 milhas de distância da costa foi destruída pelo terremoto e jamais reconstruído.

El Salamlek Palace Hotel & Casino - Jardins de Montaza
A primeira Biblioteca de Alexandria foi fundada em 306 a. C., por Ptolomeu I, sucessor de Alexandre, o Grande, e tinha cerca de 700 mil volumes. Tal acervo foi crescendo progressivamente porque os responsáveis pela biblioteca tinham autorização para comprar todos os pergaminhos existentes da época.

El Salamlek Palace Hotel & Casino - Jardins de Montaza
CHAMADA de A Grande Biblioteca para distinguí-la da pequena biblioteca de Serapis, foi inaugurada por Ptolomeu Sóter II (309-247 a. C.), o Filadelfo, segundo rei (282-247 a. C.) dessa dinastia, com o propósito de firmar a manutenção da civilizacão grega no interior da conservadora civilizacão egípcia. Provavelmente idealizada a partir da chegada de Demétrio Falero (350-283 a. C.), levado a Alexandria (295 a. C.) para este fim e atendendo a um projeto elaborado por Ptolomeu Sóter I (367-283 a. C.) cuja obra ficou completa com a construção de sua conexão com o Museu, a obra máxima de seu sucesor, Ptolomeu Filadelfo, que a fez para “reunir os livros de todos os povos da Terra"

A moderníssima, belíssima Biblioteca de Alexandria
CONTA a lenda que todos os navios que aportavam na cidade tinham seus pergaminhos confiscados e aos donos eram devolvidas cópias. Essas e outras façanhas contribuíram para fazer de Alexandria o mais famoso centro do saber da humanidade e para lá iam estudiosos e pensadores como Arquimedes e Euclides. Durante sete séculos - entre os anos de 280 a.C. a 416, a biblioteca de Alexandria reuniu o maior acervo de cultura e ciência da antigüidade, mas não era apenas depósito de rolos de papiro e livros, mas fonte de instigação e pesquisa para os homens de ciência e de letras interessados no desenvolvimento cultural e científico da humanidade. Uma das maiores tragédias da humanidade, o incêndio da Biblioteca de Alexandria, pôs fim a todo seu conteúdo.

A iluminação zenital economiza energia e protege os originais
A NOVA Bliblioteca de Alexandria foi inaugurada em outubro de 2002 num belo edifício projetado e planejado pelo governo egípcio e pela UNESCO, hoje uma impresisonantemente moderna e equipada instituição pública de pesquisa e informação inspirada na antiga Biblioteca de Alexandria e com os mesmos propósitos da original. A idéia de reerguer a mais formidável biblioteca de todos os tempos surgiu no final dos anos 70, na Universidade de Alexandria, e em 1988 o presidente egípcio, Hosni Mubarak, assentou a pedra fundamental, tendo as obras começado em 1995. É hoje um suntuoso edifício de 11 andares que custou US$ 212 milhões, boa parte dos quais pago pela Unesco e com a contrubuição de diversos países. Só a sala de leitura da biblioteca principal tem 38.000 m2, a maior do mundo, com acervo de 5 milhões de livros.

Biblioteca de Alexandria
MAPAS de Alexandria (aéreo e dinâmico):
http://www.wikimapia.org/#lat=31.22&lon=29.95&z=11&l=9&m=a&v=2
http://encarta.msn.com/map_701510014/Alexandria_(Egypt).html
Página oficial da Biblioteca de Alexandria


Reader Comments (12)
O mais interessante é que uma cidade daquelas recebe muito menos navios de cruzeiros do que Rio de Janeiro - que chegou a ter DOZE navios - e Santos na alta temporada, mas tem uma estrutura decentíssima e de país rico e que dá atenção ao turismo. Um amigo meu foi num cruzeiro da Costa antes do Reveillon e ficou impressionado com a bagunça que é embarcar e desembarcar num porto no Rio de Janeiro e em Santos.
Interessantissimo e bem diferente do que eu imamginava... Quem sabe voce nao repete mais uma Viagem e Turismo, pois eu nao me lembro de ter lido qualquer reportagem sobre Alexandria. Quanto a sua audiencia, com certeza deve estar havendo uma muito justificada propaganda boca a boca, que voce merece!
Eu fiquei positivamente surpreendida com a beleza das construções de Alexandria: apesar de já ter lido sobre ela, inclusive em travelogues, não tinha visto tantas fotos para ter uma idéia melhor formada. Difícil escolher uma entre tantas fotos incríveis, mas com certeza a foto de abertura, do palácio real, é uma das preferidas. Mas a do Forte e da Mesquita também! E da nova biblioteca, que bela construção...Enfim, mais um destino que se materializa na minha cabeça através do Fatos e Fotos.
Chego aqui vejo mais um post digno de vijar sentado na frente do pc e um anúncio de que a viagem a Bangkok está chegando. Vou ficar aguardando março chegar ansiosamente. Se pudesse dava uma viajada para a tailândia e Cingapura todo ano para visitar um lugar diferente.Phi-Phi, Krabi e Samui vão acabar um dia nos seus roteiros!
Um abraço
Rodrigo
fiquei besta com a beleza de Alexandria, que não conhecia, mas achei bem interessante mesmo essa impressão que você passou para o JorgeGira, de que a cidade em si não é bem cuidada. Acho que esses detalhes e impressões pessoais contribuem muito!!!
Abraços,
Carla
Falando nisso, que vista ao chegar em Alexandria de navio. Nossa, linda mesmo! Dá vontade de comprar aquela panorâmica da Hassel para fazer as imagens dessa chegada.
Abração!!
Como não sabia um lugar mais genérico para postar, resolvi postar aqui mesmo para desejar uma ÓTIMA VIAGEM e que o terceiro ano do Blog seja assim mesmo: cheio de muitas viagens!!!
Parabéns pelos dois anos já completados!!!
(En Egipto han habido muitos atentados contra os turistas. Durante un tempo as pirámides fecharon, porque hubo um atentado com rifles contra ônibuses turísticos em Luxor, também recuerdo outro em el Hotel Europa e em o Museo Egipcio. O turismo é essencial para a economia, assim que não é estranho ir protegido por polícias. Ya sabe, vocè que em Espanha,infelizmente, tenemos experiência en atentados terroristas. Isso é doloroso.)
Além do belo post de Alexandria, suas palavras iniciais sobre a importância de uma viagem me deixou encantada! Você soube dizer, de maneira clara e poética o que está no âmago da minha alma em relação ao turismo.
Gostei, gostei muito!
Bjs pra vc e continua viajando (e levando a gente junto!)
Postei um novo destino hoje, vai lá conhecer: www.viaggiomondo.blogspot.com