1) BANGKOK – Introdução
- Um pouco de Tailândia e muito de Bangkok -


Guarda Real do Grand Palace e mulher bangkokian num dos "klongs" os canais de Bangkok vedendo seus produtos
DA paixão ao horror, Bangkok é um dos bons exemplos de megalópole turística capaz de deixar marcas tão extremas em seus visitantes. E de um extremo a outro a distância pode ser tão maior ou menor quanto forem o planejamento ou a superficialidade com que abordamos Bangkok, com que planejamos uma viagem a esta cidade. Assim - sem preconceitos e sem fantasias - a Capital da Tailândia será apresentada no FATOS & FOTOS de Viagens em matérias que pretendem proporcionar ao leitor um abrangente guia de viagens.

Detalhes arquitetônicos dos tmplos do Grand Palace
NÃO é possível encontrar linearidade em Bangkok, cidade com tantos e tão descomunais extremos. Diferentemente de Dubai - onde a homogeneidade é lugar-comum - Bangkok apresenta contrastes muito atraentes: das zonas limpas e elitistas à autêntica pobreza e cativante simplicidade.

Pastilhas de ouro e muitos metros de cerâmica chinesa ornam paredes, colunas e fachadas dos templos
SE no seu imaginário Bangkok é uma cidade apenas exótica e misteriosa, esqueça. Você verá nesta série "A Sagrada e Profana Bangkok" muito sobre esta cidade e um pouco sobre o país e sua cultura.

A beleza sagrada dos templos e o frenetismo das ruas
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INSETOS fritos, fumaça, trânsito, barulho, calor, gente, muita gente, mais gente ainda, cheiros exóticos, fedores nem tanto, riquichás motorizados, taxis psicodélicos, trens aéreos, carrocinhas, camelôs, barraquinhas, prostitutas, mercados de flores, mercados populares, produtos falsificados com qalidade que enganam até seus fabricantes rigiais, elefantes, espertezas, poluição, templos, altares, budas, muitos budas, monges, riqueza, pobreza, simpatia, sorrisos, comida estranha, comida deliciosa, comida repugnante, shoppings..., enfim, bem-vindo a Bangkok! Para além de um prazer turístico, esta cidade é uma orgia sensorial.

A delicadeza nos gestos e atitudes diante de um altar e no trato com as pessoas
É até possível que Bangkok já tenha sido um dia uma cidade extremamente exótica e com alma absolutamente oriental como no filme Anna e o Rei *, aquele em que uma viúva inglesa viaja até o Sião para ser tutora dos 58 filhos do Rei Mongkut. Mas isso foi em 1862. Todavia, a Bangkok de 2008 é uma metrópole pulsante, vibrante, efervescente e...moderna! Sim, moderna e completa, uma das maiores cidades do planeta.

O ar poluído de Bangkok obriga a quem trabalha nas ruas ao uso de máscaras cirúrgicas
E com tudo aquilo o que há de bom e de ruim, desejável e desprezível, adorável e odiável que se pode encontrar em qualquer metrópole ocidental: trânsito engarrafado infernal, arquitetura moderna contrastando com a antiga, sujeira, poluição visual, sonora e do ar, modernos shoppings, aeroporto arrojado e high-tech, free-ways elevadas, ruas estreitas, skytrains, metrô e muita, muita gente. Tudo isso é Bangkok, a adorável Bangkok. A cidade mais Yin e Yang que conheci.

Uma das pontes que cruzam o Rio Chao Phraia (diz-se "cháo playáa") e seu tráfego intenso por cima por baixo
A maioria dos visitantes que chega à Capital da exótica Tailândia não está muito certa e informada do que encontrará pela frente. E muitos se desapontarão. Este guia pretende mostrar como é a Bangkok de fato. Sem preconceitos e sem fantasias. A Bangkok de verdade, que se vê pelas ruas e que se percebe em todos os sentidos. A "simplesmente Bangkok".

O moderno e o antigo convivem em harmonia
DOS graciosos templos aos ofuscantes edifícios de vidro, dos tranquilos museus aos estridentes bares, Bangkok é a poluída Capital da Tailândia, com tráfego chocante, ruas efervescentes, mas absolutamente amigável, receptiva e que não se esconde nem um pouco em revelar suas evidentes contradições. É franca. O turismo é uma importante fonte de renda, mas Bangkok é também um dos mais importantes centros financeiros do sudeste asiático e importante hub da aviação comercial.
"Bangkok é justa: dá ao turista tanto quanto suga dele."
POUCAS cidades no mundo são tão excitantes e exaustivas quanto Bangkok. A Capital da Tailândia pode ser tão fabulosa e charmosa quanto brutal e extenuante. E de fato é. Seja no tráfego estressante, seja a bordo de um tuk-tuk kamikaze, seja nas figuras dos 'ladyboys' das esquinas dos bairros suspeitos, nas pimentas bombásticas, esta é uma cidade que demanda sua atenção o tempo todo. Todavia isso tudo pode ser o lado bom da moeda. Bangkok, decididamente, não é uma cidade para se gastar tempo em museus ou galerias, mas nas ruas, compartilhando a efervescente, vibrante vida das ruas, tão colorida, tão densa que se pode dispender um dia inteiro perambulando por ela apenas para observá-la, smente para perceber ao fim ele uma sobrecarga sensorial. Bangkok é justa com o turista: dá a ele tanto quanto suga.

Tuk tuk, o mais turístico e elerizante meio de transporte de Bangok
APENAS numa cidade budista e zen - com 10 milhões de habitantes e com aquele trânsito tão infernal e visível poluição - as pessoas poderiam ficar retidas três horas num congestionamento sem quererem matar umas às outras. E apenas nela você pode ver, no mesmo dia, monges budistas, prostitutas de rua, travestis, bares de sexo ao vivo, relicários nas calçadas, lutas de boxe tailandês e um outrora cidadão norte-americano do serviço secreto dos estados Unidos tornar-se um dos mais importantes empresários de seda (Jim Thompson).
"Numa definição bastante simplista Bangkok é uma mistura de Índia com China"
HÁ várias "primeiras coisas a saber" antes de viajar a Bangkok. A primeira das "primeiras coisas a saber" é que com o mundo globalizado aquela exótica Bangkok que habitava seu insconsciente deixou de existir. O seu inconsciente e o coletivo. Você verá anúncios de multinacionais escritos em inglês, uma cidade em processo de modernização e ocidentalizando-se progressivamente. O coração ainda é Thai - você perceberá isso nos templos - mas fica num peito cheio de arranha-céus e shopping centers que não se encontram assim tão facilmente nem mesmo nas mais modernas metrópoles ocidentais.

O frenetismo da cidade pode estar tanto no tráfego do Rio Chao Prhaia quanto nas efervescentes ruas por trás dele
"Em Bangkok desligue o Piloto automático e adote a Lei de Murphy "
ALGUÉM já disse que a “perfeição é uma raridade, um evento esporádico”. Para viajantes isso soa pode soar como uma grande verdade. Sob a perspectiva de um viajante, toda viagem a um país estrangeiro é, por si, um evento com grande chance de ocorrência de erros, de eventos indesejáveis. Para Bangkok, isso soa como uma verdade ainda mais evidente. Todavia, não importa o quanto as coisas possam dar errado, os tailandêses - especialmente os bangkokians - sempre se comportam de maneira zen, sempre adotam a filosofia budista “mai pen rai”, o que traduzindo ao estilo “ministra” de se expressar, significa “relaxa e goza”. Segundo a Lei de Murphy, “Se alguma coisa pode dar errada, dará.”. O jeito thai de ser e agir - aos olhos de um ocidental - é uma mistura de “Lei de Murphy” com “Desligue o piloto Automático”, o seja "A melhor maneira de encarar a adversidade é sorrir dela, “dar de ombros”.
"Em Bangkok, procure sempre o Nirvana. Mesmo que você não o encontre."
E desligue o piloto automático. Ainda que esta recomendação seja apropriada para qualquer viagem a qualquer país, para Bangkok ela é altamente recomendável. As locomoções são sempre lentas e cansativas. Provavelmente muitos de nós já ligamos o piloto automático: temos uma atração a ver depois de outra e saimos correndo pelas ruas em direção à próxima, todavia absolutamente alheios ao que está no caminho. O piloto automático não permite registramos nada do que ficou durante o percurso, simplesmente pelo fato de que nossa atenção fica toda concentrada no próximo ponto. E em Bangkok nenhum piloto automático pode ser acionado, até porque a gente nunca alcança a velocidade mínima necessária para acioná-lo.

Taxis hiper coloridos ajudam a dar o clima eletizante e picodélico das ruas de Bangkok
COM o piloto automático ligado o alvo é algo a ser alcançado no menor espaço de tempo e pelo caminho mais curto. Tudo o mais que ficou pelo caminho - mesmo o mais curto - é irrelevante e desconsiderado. Às vezes até tão insignificante que nos tornamos inteiramente alheios, pois nosso alvo é o que importa. É como se nossa visão se tornasse embaçada para o que está à nossa volta e se tornasse em foco apenas o alvo. Quando chegamos a ele não registramos nada do que ficou pelo caminho. Simplesmente saimos de um ponto A para B no piloto automático. O que ficou entre os dois pontos foi um espaço vazio.

Riquíssima em cultura e tradições, há muito o que se ver em Bangkok
EM Bangkok devemos desenvolver nossa natural habilidade em fazer algumas coisas sem pensar muito nelas. Pode parecer estranho, mas por analogia viagens devem ser como a vida: devemos ter um alvo, mas não nos concentrarmos exclusivamente nele. Nossas vidas, assim como nossas viagens, por mais planejadas e orientadas que sejam (eu sou um ferrenho defensor de programar intensamente viagens), por melhor que enxerguemos o alvo, uma natural sucessão de fatos e acontecimentos pelos quais passamos durante o trajeto da vida-viagem é repleta de atrações paralelas, ocorrências secundárias, acontecimentos imprevisíveis e supervenientes à nossa vontade, fatos independentes e sem nenhuma relação entre si, eventos ocasionais não programados, atalhos, recuos e retornos. É bom pensar assim em viagem: ter um alvo, sempre. Mas enxergar para além dele e ao seu redor com o mesmo grau de acuidade.
"Bangkok é um caso de amor à segunda vista."

Os ônibus, taxis, motos e tuk tuks circulam frenética mas organizadamente na aenida em frente ao Grand Palace
LIDERAR nossas vidas, tê-las sob comando, significa estarmos atentos aos nossos projetos de vida (o que eu chamo de "alvos") tanto quanto às oportunidades e vicissitudes não programadas, inconstantes e adversas (o que eu chamo de "caminhos"). Ter atenção, cuidado e diligência é o oposto de “ligar o piloto automático”, é “liberdade de escolha”. No modo automático não escolhemos. Nele apenas concordamos e nos submetemos a um padrão habitual. Estando atentos, acautelados, cientes e informados do “em torno” e amplamente sintonizados com o “mundo à nossa volta” - o conjunto de informações percebidas e registradas momento a momento, metro a metro do nosso percurso até atingirmos nosso alvo, de certo contribuirá em muito para que nossas sensações, pensamentos, sentimentos sejam ainda mais ricos e satisfatórios ao atingirmos o objetivo.

Os contrastes podem estar no rococó das decoraçõesdos carros e na elegante arquitetura européia do Parlamento
BANGKOK - ou Krung Thep, a "Cidade dos Anjos" - é uma metrópole fascinante em toda a sua essência e conteúdo. Uma cidade com duas faces. Eu diria até mesmo com “dupla personalidade”. É um caso de amor à segunda vista. Mas no bom sentido: a primeira, uma cidade velha - com palácios e templos budistas extremamente ricos e exóticos; a segunda, moderna e vibrante - com todas as mazelas de qualquer grande centro urbano do mundo ocidental, onde além do trânsito caótico e barulhento, dos moderníssimos edifícios comerciais, hoteleiros e de compras, co-habitam - em extravagante alto-contraste mas em perfeita harmonia - o budismo e a prostituição, e as antigas belezas monumentais e seus moderníssimos arranha-céus. Nesta série de matérias vamos conhecer muito de Bangkok e um pouco da Tailândia. BOA VIAGEM!
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* Anna e o Rei é um filme de 1999 que conta a história de Anna Leonowens, protagonizado por Jodie Foster e Chow Yun-Fat, e que recebeu 2 indicações ao Oscar, mas que foi proibido na Tailândia por ter sido considerado desrespeitoso à família real.
Polêmicas à parte, é um belo filme passado em 1860, quando a inglesa Anna Leonowens, uma viúva, que viaja até o Sião para desempenhar o papel de tutora dos 58 filhos do Rei Mongkut, período no qual ocorrem as inevitáveis divergências e choques entre culturas que culminam com um romance entre Anna e Mongkut.
O filme é a refilmagem de Ana e o Rei do Sião (1946) e O Rei e Eu (1956). É uma história atraente, ainda que o filme seja meio bobo na parte final. Salva-se pela fotografia espetacular e pelos figurinos.
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Próximo Capítulo:
2) Bangkok – กรุงเทพมหานคร-
Krung Thep Maha Nakhon
Uma cidade, dois nomes, duas faces



Reader Comments (19)
Arnaldo, parabéns pela dedicação e pelo belo texto. Você alia sensibilidade a um conteúdo palpável e fascinante.
Foi muito bom "descobrir" você aqui. Aguardo notícias fresquinhas! Beijos, Rachel
Abração,
Diogo
E as malas chegaram com tudo dentro?
Não deixe de ir numa das lojas das redes japonesas de departamento. Um poco do Japão em Bangkok. No subsolo tem sempre um supermercado e um food court.
Ana e o Rei tem uma versão mais antiga com o Yul Brynner; http://www.imdb.com/title/tt0049408/
Se você gosta do sorvete do Mac Donalds, Ai ele é muito barato. Combina com o calor! Outra coisa interessante é que junto do Ketchup tem um molho apimentado adocicado. Vi uma menina de uns 4 anos comendo esse molho...Eles começam cedo na pimenta..rsrs Testamos um frango no KFC, mas tinha tanta pimenta que só deu para comer a metade...
Um abraço e uma ótima viagem!
Proposta: estou introduzindo mudanças no Conexão Paris. Você teria, entre suas maravilhosas fotos, uma que seria a foto do meu template?
Uma foto de Paris "en dehors de sentiers battues".
Abraços
Maria Lina
Abraços
Carmen
A Mari e o Rodrigo são entusiastas desta cidade e eu estou curiosa para 'viajar' aqui no seu texto. Um abraço!
Quando você chega em Amsterdã? Bangkok é demais né!!!
As coisas continuam muito baratas por aí?
Tô te esperando para tomarmos uma cerveja Holandesa!
Abração!
Você relata suas impressiones da cidade de tal forma que eu a miles de quilômetros puedo olhar a cidade sem problema. Tudo Ying e Yang e Nirvana autêntica!!!.
Você é um artista dos viagens!!!. Boa sorte e muito ying e yang!!!.
Sensacional!!! Estava ansioso pelo que vinha, mas mais uma vez, voce superou as minhas epxectativas ! Excelente narrativa,fotos maravilhoasas.... Acho que vcoe merecidamente tem muitos fãs que vem todos os dias aqui... Boa viagem, e muitas emoções boas!!!
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É uma l-o-u-c-u-r-a !!!
BANGKOK
Krung Thep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Ayuthaya Mahadilok Phop Noppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit.
A cidade dos anjos, a enorme cidade, a residencia do Buda de Esmeralda, a impreganavel cidade (de Ayuttaya) do Deus Indra, a grande capital do mundo envolta em nove pedras preciosas, a cidade feliz onde se localiza o enorme palacio real, cheio de beleza e poderes celestiais, onde reinam deuses reencarnados. A cidade ofertada por Indra e construida por Vishunakam.
As fotos muito bem tomadas.
Mas tem muito mais coisas aqui em bangkok, coisas impressionantes.
Bem, devo dizer que estou impressionado. Também tenho um blog de viagens há cinco meses e antes de começar andei à procura de blogs/sites de viagens. Encontrei o fatos & fotos de viagens e adicionei-o aos favoritos sem prestar grande atenção. Agora voltei e acho muito bom. As fotos, a descrição com um romantismo característico. Parabéns. Quem sabe um dia eu chego aqui. Mas no meu estilo.
Um abraço
Excelente texto. Vc expressou muito bem como é esta cidade. O transito é impossível, as calcadas sao sempre lotadas, muitas ruas sao sujas e o ar é poluído, mas apesar de tudo é uma cidade fascinante. Sem falar no povo - como sao polidos. Conhecer Bangkok foi uma das melhores experiencias.