Para entender o Barroco mineiro - Capítulo 2

Abóboda, Ábside, Cunhal, Coluna, Capitel, Cimalha, Querubim, Terracota, Frontispício, Óculo, Transepto, Voluta
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O Barroco foi um movimento cultural brasileiro extremamente rico e profícuo. Basicamente caracterizou-se por marcar o início da urbanização e da civilização do Brasil no século XVII. O ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste deu lugar ao ciclo do ouro nas Minas Gerais e a riqueza do metal atraiu para colônia portuguesa uma elite política e religiosa que carregava consigo as influências daquele movimento artístico em pleno vigor na Europa.
Horizontes magníficos: arquitetura e montanhas integram-se em delicada harmonia
Dizem os estudiosos que o barroco surgiu inspirado na Contra-Reforma da Igreja Católica, e que tentava proporcinar um sentido mais emocional e espiritual ao Renascentismo, o estilo até então predominante nas artes plásticas, cujo fundamento era acadêmico e científico, completamente diferente do Barroco, que era espontâneo, artesanal, multifacetado.


O romantismo está no olhar de quem vê, mas se revela em cada detalhe decorativo
No litoral havia nítida separação entre brancos e negros, em Minas Gerais a falta de mulheres brancas motivou uma ampla miscigenação, o que ocasionou grande quantidade de mulatos que aos poucos destacaram-se nas artes, demonstrando sensibilidade para as artes em geral e definindo e personalizando o desenvolvimento artístico da região durante o século XVIII.

Janelas em arcos, ladeiras, pedras, janelas, sacadas...
Era uma sociedade sem grandes raízes as tradições, as quais organizavam-se em grupos de Ordens Terceiras, Irmandades, Confrarias e associações religiosas leigas, uma vez que havia a proibição do estabelecimento de grandes ordens religiosas em Minas Gerais. Até mesmo a presença de padres seculares não era bem vista e inúmeras Cartas Régias os indicavam como prejudiciais à ordem pública.

Na verdade, a coroa portuguesa, diretamente vinculada ao Vaticano, não queria que a Santa Sé soubesse, pelos religiosos, da imensa riqueza encontrada em sua colônia, evitando possíveis reivindicações. A organização social deu-se, portanto, de forma natural. As classes mais abastadas reuníam-se nas duas principais Ordens Terceiras - do Carmo e de São Francisco de Assis - e as dos mais humildes e dos negros congregavam-se em irmandades e confrarias, sendo que a escolha dos seus padroeiros fazia-se de forma lógica, com os mais ricos escolhendo o Santíssimo Sacramento ou as Ordens Terceiras carmelita e franciscana, enquanto que os pardos e negros identificavam-se com Nossa Senhora das Mercês, Santa Efigênia e São Benedito, os mais populares.

Capela do Padre Faria
Assim, o quadro da arquitetura religiosa em Minas Gerais foi extremamente personalizado e diferente do restante do país, já que não havia os conventos e colégios das grandes ordens religiosas. Todavia as intensas rivalidades entre as Ordens Terceiras e as imandades resultaram na construção de inúmeras capelas que procuravam cada vez se apresentarem mais ricas e decoradas.

Restaurante Bené da Flauta e a Casa dos Contos
Todas as obras religiosas mineiras foram construídas pelo povo e sem auxílios ou contribuições oficiais, o que resultou uma arquitetura religiosa peculiar e de grande vulto resultar da cobiça pelo ouro, já que todas as manifestações artísticas de importância foram produzidas fundamentalmente no século XVIII, a grande época do ciclo do ouro, o terceiro ciclo econômico que marcaria a colonização brasileira.

Ladeira abaixo: uma das capelinhas dos Passos da Paixão
Além dessas características tão específicas, o fato de que não havia modelos definidos ou “escolas” que determinassem estilos decoreu grande liberdade das composições que evoluiram com muita personalidade e desenvolveram-se junto com a mineração. Nessa seqüência lógica as primeiras e mais primitivas aglomerações que se formaram para a exploração do ouro geravam capelas menores e mais simples, de fachadas mais primitivas, com uma só torre sineira e mas de elegantes proporções.
Detalhes das cantarias da Casa dos Contos: a elegância do Barroco mineiro
Todavia os interiores apresentavam grande riqueza decorativa, seguindo linhas mais contidas e de gosto romântico, refeitos mais tarde com a exuberância dos elementos barrocos. Entre essas destaca-se uma das obras mais significativas do Barroco Mineiro, a Capela de Nossa Senhora da Expectação do Parto - ou Nossa Senhora do Ó, como é popularmente denominada - em Sabará, cuja fachada é chanfrada e a torre é única e central, muito simples mas de proporções perfeitas, surpreendendo por seu magnífico interior recoberto de talha dourada e painéis pintados com motivos orientais decorrentes da vinda de jesuítas portugueses provenientes de Macau, colônia portuguesa na China.


Religiosa, militar e civil, a arquitetura é sempre magnífica

Sofisticada e delicada
Outra capela do mesmo tipo, em Ouro Preto, é a de Nossa Senhora do Rosário, mais conhecida como Capela do Padre Faria, que também apresenta um exterior muito despojado, com a torre sineira como elemento separado, mas que tem seus altares - o altar-mor e dois laterais – entalhados e decorados em belíssima policromia dourada.
O interior da Casa dos Contos

O Barroco resgatou as cores fortes na escultura e na pintura, as curvas e os arabescos na arquitetura e a decoração de interiores baseados nos ritos e costumes da Igreja Católica. Contemplava tradição e folclore, costumes locais e um pouco do estilo importado da Itália, Espanha e Portugal. Os Estados da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul receberam a influência do Barroco, mas foi em Minas Gerais que o estilo teve seu apogeu, tanto na arquitetura quanto na escultura. O período Barroco mineiro, iniciado na segunda metade do século XVII, dominou todo o século XVIII e parte do século XIX, e até hoje influencia o estilo brasileiro de viver e morar.
Sacada da Casa dos Contos: arte até no ferro fundido
O uso de santos e móveis antigos na decoração, o gosto pelos telhados de várias águas nas construções das casas, os tapetes de lã com motivos florais, os pontos de cruz nos bordados dos panos de cozinha, a preferência pela madeira e a opção pelas cores fortes, mesmo na arquitetura contemporânea, traduzem a força do estilo Barroco na formação da cultura brasileira.

Detalhe de fixação das peças em pedra
Com a expansão da mineração e dos grupamentos sociais e vilas teve início a construção das grandes matrizes que seguiam as soluções portugueses tradicionais, isto é, com plantas retangulares de nave única e fachadas singelas, com uma porta encimada por duas janelas e o frontispício arrematado por um frontão simples, entre duas torres. A estrutura podia ser em madeira e mais tarde em pedra, marcada por cunhais e cimalhas. Apesar dessas linhas externas contidas os interiores eram enriquecidos por talha dourada de excelente qualidade. Assim são as matrizes do Caeté, de Mariana, de Ouro Preto e de Sabará, sendo essa última um raro exemplo de planta com três naves.
A Igreja do Rosário, projeto de Aleijadinho: fachada redonda planta em forma de oito
Em Ouro Preto havia duas matrizes: a mais antiga, de Nossa senhora da Conceição, de Antônio Dias, e a mais nova, de Nossa Senhora do Pilar. Esta última a igreja oficial da vila onde se realizavam-se as cerimônias mais solenes ligadas à administração portuguesa. A Matriz do Pilar tem uma solução peculiar e curiosa, já que é retangular externamente e elíptica internamente. O rico interior é definido por uma talha dourada de incrível beleza.

Pernas pra que te quero
Todavia, consideram-se os mais importantes exemplos do Barroco e do Rococó em Minas Gerais as capelas das Ordens Terceiras e das irmandades, nas quais trabalharam tanto os mestres portugueses quanto a primeira geração de artistas mineiros mulatos, que empregavam nova e mais livre interpretação dos elementos formais, cujo nome mais importante foi Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, artista disputado pelas duas mais poderosas Ordens Terceiras - a carmelita e a franciscana - que, nele reconhecendo uma imensa capacidade criativa, o requisitam para a construção de suas mais importantes capelas.


Segundo o arquiteto colombiano-brasiliense César Barney, o qual integrou a equipe de Lúcio Costa e de Oscar Niemayer na construção de Brasília, o Barroco é um estilo que só vale para aquela época: “Ele é bonito e tem seu valor, mas naquele ambiente específico, como em Ouro Preto, onde o movimento que nascia na Europa encontrou os materiais propícios para se expandir, como a pedra sabão, muito fácil de ser esculpida, e o ouro em grande quantidade”, diz o representante da moderna arquitetura da capital federal.

“O Barroco nasceu numa época em que sobravam dinheiro e tempo, e não havia preocupação com as habitações populares. É um estilo para igrejas, com toda aquela pompa. As casas brasileiras da época, mesmo as grandes fazendas, eram mais simples e despojadas, e definiram um outro estilo do século XVIII, o colonial, muito mais presente na arquitetura brasileira contemporânea”, segundo Barney.
Os estudiosos definem que o barroco mineiro tem quatro fases nítidas, bem distintas. E elas todas podem ser com alguma facilidade observadas em Ouro Preto através da visita às suas igrejas e capelas:
A PRIMEIRA FASE
A Primeira fase do barroco foi caracterizada por altares e retábulos bem altos e muitos painéis e ornamentos de influência renascentista, o chamado barroco jesuítico, o qual todavia não chegou a Minas, mas deixou margníficos exemplos no Nordeste.

Os belíssimos "caixotes" do teto da nave da Igreja de N. Sra. do Pilar
De Platibandas e Baldaquinos a Botaréus e Cartuxas, o barroco mineiro se mostra em cada detalhe
A SEGUNDA FASE
A Segunda fase do barroco apareceu nos anos 1700, ou o chamado período da antiguidade mineira, é na verdade a primeira fase do barroco mineiro. Caracterizavam-se fundamentalmente por fachadas simples e inteiores requintados. É o mais belo estilo do barroco, se analisados sob o ponto de vista da ornamentação interna, pois seus retábulos possuem com magníficas arquivoltas (2) concêntricas e esplêndida ornamentação com motivos fotomorfos e zoomorfos de brilhantes dourados, tudo formando um conjunto extraordinariamente harmonioso e impressionante. Um dos mais notáveis exemplos desta fase é a suntuosa Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em Cachoeira do Campo, orgulho máximo da arte colonial brasileira barroca. Além de tudo, esta igreja foi palco de importantes fatos históricos: a sagração de Manuel Nunes como governador na Guerra dos Emboabas (1709) e a prisão de Felipe dos Santos (1720).

As colunas salomônicas do altar mór da Capela do Padre Faria
A TERCEIRA FASE
A Terceira fase do barroco - a segunda que surgiu em Minas - é aquela que se caracteriza pela inserção de um dossel no alto dos retábulos e fachadas um pouco mais elaboradas e com a inserção de trabalhos de cantaria em ainda discretas volutas. Muitas das belas igrejas têm este retábulo, como por exemplo as da Matriz de Santo Antônio, de Tiradentes, e a notável Nossa Senhora do Pilar, de Ouro Preto, construída quase ao mesmo tempo que a outra matriz, a de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, e inaugurada em 1733, por ocasião do Triunfo Eucarístico. É considerada a expressão máxima de opulência e dramaticidade do barroco. Desde maio de 2000 abriga o Museu de Arte Sacra de Ouro Preto.

As cantarias do chafariz do Museu da Inconfidência
A QUARTA FASE
A Quarta fase do barroco - a terceira em Minas - é aquela que se caracteriza pela modificação dos retábulos, isto é, o desaparecimento dos dosséis, maior harmonia dos ornatos, os quais são bem mais simplificados. Nesta fase as fachadas tornam-se mais elaboradas e é nelas que Antônio Francisco Liboa - o Aleijadinho - demonstrou seus mais belos exemplares de ornamentação externa, como se vê na Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, obra-prima do período rococó no Brasil. Além dele, há nesta bela igreja trabalhos de pintura e douramentos de Manuel da Costa Ataíde.

Detalhe da fachada da Igreja do Pilar: demorou tanto para ser construída que tem dois estilos de fases diferentres
NOTA 1: nesta classificação das fases do Barroco mineiro cabe a explicação de que não tendo sido os jesuítas que construíram as igrejas setecentistas de Minas, estas não são comumente classificadas nos tipos “puros” de cada uma dessas fases do Barroco brasileiro. Cabe ainda lembrar que como muitas das igrejas mineiras levaram muitos anos para serem construídas, por vezes até um século, é natural observarmos ocasionalmente a mistura de dois estilos do barroco mineiro em uma só igreja, e que algumas vezes até mesmo os altares laterais são de uma fase e os principais de outra. Em certos casos é até mesmo difícil a classificação do altar de uma igreja, como no caso da Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Padre Faria, em Ouro Preto. Assim, as igrejas de Ouro Preto (e evidentemente as das cidades que fizeram parte do Ciclo do Ouro e do Diamante, em Minas Gerais) são classificadas tanto pelos três tipos clássicos do Barroco brasileiro, quanto pelos do Barroco mineiro. Os das 2a, 3a e 4a fases do Barroco brasileiro são, fundamentalmente, os que ocorrem em Minas.
NOTA 2: igreja que melhor exemplifica altar com arquivoltas em Ouro preto: Capela de São José de Ouro Preto; igrejas que melhor exemplificam altares com dossel em Ouro Preto: Capela de São José e Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar; igrejas que melhor exemplificam retábulos simples (3a fase mineira) em Ouro Preto: Igreja de São Francisco de Assis e Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
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O acervo arquitetônico
Nenhuma outra cidade do período colonial brasileiro teve tamanha expressão na manutenção da imagem arquitetônica setecentista, seja nas construções em alvenarias de pedra, adobe e pau-a-pique, seja nas igrejas, chafarizes e edifícios públicos. As casas de Ouro Preto ficam nas ruas tortuosas e íngremes e destacam-se na arquitetura da cidade, onde as casas geminadas eram construídas para se evitarem-se as correntes de ar entre elas. O Chafariz dos Contos, ao lado da Casa dos Contos, como ficou conhecida a Casa Real dos Contratos de Vila Rica, um palacete de arquitetura colonial brasileira que foi utilizado como prisão de alguns inconfidentes, construído para residência de João Rodrigues Macedo, cobrador de impostos, formam um conjunto dos mais bonitos e representativos em Ouro Preto. A Casa dos Contos foi também sede da Infantaria Portuguesa, além de 'Casa de Fundição'. Hoje é um importante Centro de Estudos do Ciclo do Ouro e abriga uma interessante exposição de numismática e de objetos em sua sensala.

No Centro, dois prédios fronteiriços destacam-se na Praça Tiradentes: a Casa da Câmara e Cadeia, atual Museu da Inconfidência, e o Palácio dos Governadores, atual Escola de Minas e Museu de Mineralogia, Ciência e Técnica. O Museu da Inconfidência é também túmulo dos inconfidentes e abriga grande acervo documental de importante fase da história brasileira. Lembrando o poderio colonial, o Palácio dos Governadores tem desenho que se assemelha ao de uma fortaleza. Foi construído por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, passando por várias modificações até 1781. Aos dois lados da praça o casario emoldura os dois palácios. Pelas ladeiras da cidade pode-se ver diversas capelinhas usadas durante a procissão dos Passos da Paixão de Cristo. E é na construção de capelas de fachadas singelas e nas maravilhosas igrejas que o barroco e rococó marcou definitivamente presença em Ouro Preto.
Uma arquitetura religiosa muito peculiar e de alto nível de qualidade
A Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar é a que tem o mais rico interior, nave octogonal, altares entalhados e dourados e púlpitos esculpidos. A monumentalidade buscada pelas irmandades para concorrer umas com outras na disputa de quem faria a mais linda igreja, fez com que a monumentalidade da outra Matriz, a de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, fosse mais um destaque na cidade, com o nobre estilo da talha do retábulo do altar-mor e com a nave cuidadosamente decorada, lindos altares laterais. Nela fica o túmulo do Aleijadinho.
Matriz de Antonio Dias
A de São José, Senhora das Mercês a Misericórdia, além da ovóide Senhora do Rosário dos Pretos fazem parte do conjunto de igrejas de Ouro Preto que valem ser conhecidas. Também a famosa e singela Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Padre Faria, uma das mais antigas de Ouro Preto. Não é só pelo trabalho de Aleijadinho ou pelo douramento de Mestre Athaíde que se deve conhecer a Igreja do Carmo, mas por todo o seu conjunto arquitetônico e decorativo, acrescidos pelo Museu do Oratório implantado na Casa do Noviciado, que fica no seu adro.

É na Igreja de São Francisco de Assis onde a plenitude da beleza do rococó mineiro se destaca. Projetada e decorada por Aleijadinho, cada detalhe de sua ornamentação interna e externa é belíssimo. Oo altar-mor, o arco-cruzeiro esculpido em pedra-sabão, os púlpitos, o retábulo, o altar-mór e o forro da nave, de Mestre Athaíde, são todos obras-primas.
(2) Glossário de Arquitetura e Ornamentação:
ABÓBADA — Texto côncavo ou cobertura curva de uma superfície, existindo com variados tipos. ABSIDE — Área semicircular, ao final da nave de uma igreja, é limitada pelo transepto e destina-se ao altar-mor, geralmente. ADRO — Espaço livre e sem cobertura, na frente de uma igreja. AFRESCO — Técnica de pintura mural, à base de cal úmida sobre o reboco fresco, permitindo que as cores se impregnem na cal, tornando a pintura indelével. Originada na Itália, donde seu nome. ÁGUA DE TELHADO — Superfície inclinada de um trabalho, limitada ao alto pela cumeeira e, em baixo, pelo beiral. ALÇADO — Denominação antiga do desenho de umas fachada em arquitetura. ALVENARIA — Parede em geral de tijolos. ARCO — Elemento construtivo curvo, que cobre um vão, exercendo funções estruturais. Há arcos de diversos tipos. ARCO BOTANTE — Elemento de construção, externo, para reforçar estruturalmente paredes submetidas a fortes cargas, típico da arquitetura gótica. ARCO CRUZEIRO — Arco que separa a nave da capela-mor, nas igrejas.

ARQUIVOLTA - termo de origem latina - arco + volta, é um elemento arquitectônico decorativo utilizado em conjunto (várias arquivoltas) a emoldurar uma abertura em arco, referindo-se geralmente à sua aplicação em portais de entrada de igrejas ou catedrais em estilo românico ou gótico. ATLANTE — Figura humana masculina que é usada em uma construção como elemento de sustentação. O nome, tem origem as figura mitológica de Atlas, que era representado sustentando o mundo. ÁTRIO — Grande vestíbulo ou pátio que, aos palácios, vai da entrada até a escadaria principal que leva ao segundo pavimento. BALDAQUINO — Elemento construtivo que, como um dossal, cobre o altar principal de uma igreja. BEIRAL — Parte do talhado que fica saliente em relação à parede, protegendo-a da chuva. BOTARÉU — Reforço estrutural colocado na parte externa de uma parede sujeita a fortes cargas. CAPELA-MOR — Área de uma igreja onde fica situado o altar-mor. CAPITEL — Parte superior de uma coluna.
CARIÁTIDE — Coluna formada por uma figura feminina, usada inicialmente na Grécia Clássica. CARTUXA — Ordem religiosa medieval de grande austeridade ou sua capela. CHANFRO — Corte em diagonal, ou enviesado, de uma parede ou superfície. CHINESICE — Elemento decorativo de inspiração chinesa (do francês, chinoisene). CIMALHA — Elemento horizontal de terminação de uma construção; espécie de moldura que serve de boas ao frontão. COLUNA — Peça vertical de sustentação em uma construção. COLUNA TORSA ou SALOMÔNICA — Coluna cuja área central, é helicoidal ou em espiral.COLUNATA — Série de colunas com espaçamento regular e simetricamente dispostas. CORNIJA — Parte mais elevada de um entalbiamento clássico ou conjunto de molduras que arrematam a parte superior de uma construção. CORO — Área em uma igreja destinada aos que cantam durante os ofícios religiosos. CUNHAL — Quina ou encontro de duas paredes, em ângulo externo. CÚPULA — Abóbada esférica. DOSSEL — Cobertura colocada à meia-altura no interior de uma peça ou sobre um elemento, como um púlpito, por exemplo. ENCARNAÇÃO — Pintura feita sobre imagens ou estátuas de pedra ou madeira. ENTABLAMENTO — Conjunto de molduras que formam a parte superior de uma construção. ENTORNO — área adjacente ou próxima a uma construção. ESTUQUE — Argamassa de revestimento ou acabamento de grande resistência, feita com gesso para decorações internas. FRONTÃO — Parte superior das construções, acima da corrija ou da cimalha, pode ter forma triangular ou com desenhos caprichosos. FRONTISPÍCIO — Fachada de uma construção. FUSTE — Corpo da coluna, ou sua parte central, que fica entre o capital e a base. GALILÊ — Galeria geralmente aberta em arcos e situada na fachada de uma construção. IMAGINÁRIA — Conjunto de imagens religiosas ou de figuras de santos. JANELA RASGADA — Janela na qual o peitoril é rebaixado até o nível de soleira ou do piso, como uma porta. LIOZ — Tipo de pedra calcária encontrada em Portugal e muito usada nas construções, sendo, inclusive, enviada para o Brasil. NAVE — Área onde ficam os fiéis em uma igreja.
ÓCULO — Janela ou abertura de formas circular. ORDEM ARQUITETÔNICA — Conjunto formado pela coluna e o entablamento que mantém unidade entre as peças. As ordens arquitetônicas clássicas são cinco: a dórica, a jônica, a coríntia, a compósita e a toscana, que é considerada uma forma simplificada da dórica. PARAPEITO — Peitoril ou elemento construtivo de meia-altura que protege os vãos. PARTIDO — Disposição básica, em planta, de uma construção. PÉ-DIREITO — Altura de um cômodo ou distância entre o forro e o piso de um pavimento. PILASTRA — Elemento de sustentação de formas quadrada ou retangular e que é incorporado à parede que sustenta. PLATIBANDA — Pequena parede elevada sobre o topo das paredes de uma construção para encobrir o seu telhado. PORTADA — Grande porta decorada. PORTAL — Estrutura vertical de um vão onde são colocadas as folhas para o seu fechamento. PÓRTICO — Vestíbulo aberto ou entrada de uma grande construção ou portal de um edifício. PUTTI — Vocábulo italiano que designa os cujos (ou cabeças de anjos) usados na decoração interna de construções religiosas. (Singular, PUTTO.) QUERUBIM — Pintura ou escultura de um pequeno anjo. RETÁBULO — Parte do fundo do altar-mor, geralmente pintada ou decorada, e que forma uma espécie de nicho, sempre ornamentado. RISCO — Expressão usada antigamente para designar um projeto arquitetônico. “ROCAILLE” — Expressão francesa que significa concha e que é um elemento decorativo: o mesmo que ROCALHA. TARJA — Faixa esculpida ou pintada, usada como elemento decorativo. TERRACOTA — Tipo de cerâmica feita com uma pasta porosa sem uso de esmalte. TRAÇA — Desenho ou projeto de arquitetura (expressão arcaica). TRANSEPTO — Árrea transversal nas igrejas que se situa entre a capela-mor e a nave. “TROMPE L’OEIL” — Expressão francesa usada para as pinturas ilusionistas e cuja tradução literal seria “engana o olho”. VOLUTA — Elemento decorativo em espiral usado em capitéis e fachadas.
Fonte: MELLO, Susy de, BARROCO, Col. Primeiros Vôos, Ed. Brasiliense, S.P., 1983, pp: 105-118
PRÓXIMO CAPÍTULO
Alguns destaques - As igrejas em detalhes



Reader Comments (12)
Parabéns pelas fotos, detalhes, pesquisa de campo, trabalho do post. Tudo muito bem integrado.
Arnaldo,
É um post magnífico. Um sonho muito real pra uma pessoa que adora o Barroco e o Rococó ( um arte poco entendido, devaluado, pero riquíssimo pra todas las artes: escultura, arquitectra, pintura e pra as artes complementarias e os gremios)
Eu gosto muito a nivel artístico da época Barroca, porque los logros mayores fueron realizados bajo ese periodo histórico, pintores magníficos como Rubens, Velázquez, Ribera, Murillo, Rembrandt, de La Tour...Arquitectos, urbanistas, escultores como Bernini, Borromini, J-B Neumann, Guarino Guarini uno de mis preferidos...en Europa y el Barroco Iberoamericano como expresión del mestizaja artístico y cultural. El Barroco de la ciudad de Cuzco, o de Potosí en Bolivia, la Catedral de San Pedro de Buga o de Santa Marta en Colombia.
Parabéns, pra mi, é um post muito gostoso.
Parabéns pelo texto e pelas imagens. Muito bom trabalho.
Isabel
Sensacional, Arnaldo! ; )
Lindo post, Arnaldo! Lindíssimo mesmo, por tudo: fotos, informações, pesquisa... um deleite! Parabéns!
Arnaldo
Show, texto requintado, otimas fotos. Ja ouvi falar de Catas Altas, voce já foi?
ERNESTO, já ouvi sim mas nÃo fui. Me disseram que já está extremamente descaracterizada....mas quando eu for de novo para visitar novas cidades do Cilco do Ouro, vou pesquisar catas Altas. A próxima será para Tiradentes e SÃo João del Rei. Obrigado pela visita!
MARI CAMPOS, bom ter sua visita! Obrigado pelo comentário! Dá trabalho, mas dá prazer!
Eu amo o "Fatos e Fotos de Viagens".
mt bom, lindoooooooooooowwwww
mt bom o seu site. irei viajar mes q vem c a minha turma da faculdade p ouro preto e estou a desenvolver um trabalho sobre a arquitetura e o barroco mineiro. me minhas pesquisas encontrei o seu blog.
Imagens lindas!!!!!!!!