Somos turistas ou viajantes?

Não importa como classificam os que viajam: "turistas" ou "viajantes", somos todos UM.
(somos únicos, assim como o pombo acima que olha pra um turista (eu) que o fotografa em Valleta, Malta)
Turista (eu) fotografando o pombo acima
É comum que alguns seres humanos classifiquem outros seres humanos segundo os diferentes modos de conduta social de cada grupo. Nada de errado.
Acontece que nem sempre o intuito de enquadrar e definir pessoas segundo seu comportamento se justifica. Pior, frequentemente cria estereótipos e esbanja superficialidades.
Classificar a complexidade humana em apenas duas categorias - seja lá em que gênero for - quase sempre dá nisso.
Há, todavia, um tipo específico de classificação que me interessa discorrer: são os "turistas" e os "viajantes", aqueles estereótipos criados pela sócio-antropologia, aquela que define o ser humano em viagem segundo seu comportamento e atitudes e opõe o caráter do turista ao do viajante, resumidamente atribuindo ao primeiro o título "de massa" e ao segundo o de "individual". E de sobra ainda distingue fortemente "viagem" de “turismo”.
Um dos autores mais citados na produção acadêmica sobre turismo é Malcolm Crick, um estudioso que escreveu que a literatura sobre viagens do século XIX retrata uma "viagem" como sendo uma “experiência restrita e valorizada”. Já os relatos do século XX, ao contrário, descrevem o "turismo" como "de massa", classificando-os como uma "descendência degenerada" da "viagem".
De acordo com o autor, essa “inferiorização” (aspas minhas) se reitera em parte da produção acadêmica, na qual se assinala a conexão etimológica do termo viajar (travelling) com a noção de trabalho (travail), enquanto no turismo o indivíduo almeja a passividade, não a atividade. Sentido faz.
"Turistas procuram na cultura local aquilo que se ajuste às suas necessidades.", está é uma das definições mais comuns ao "turista". Segundo o personagem Port - em "O céu que nos protege", de Bertolucci, (1) - “o turista pensa em voltar para casa assim que chega”. O turista é tido invariavelmente como aquele que desembarca de um ônibus turístico de dois andares com ar condicionado, compra souvenir em lojas turísticas, anda em grupo, carrega câmeras filmadora e fotográfica, usa roupa de turista (camisa florida, chapéu de safari e chinelos com meia), carrega mapas, come no McDonalds, não se esforça em falar palavras no idioma local e jamais se senta ao lado de um local, mas sempre com seus “semelhantes”. Faz sentido.
Os ônibus " não turísticos" de Malta são os mais turísticos do Mundo
No espetacular filme de Bertolucci, os personagens Kit e Port buscam na vastidão do Saara um sentido para suas vidas, novas experiências na esperança de reconstruir as suas próprias vidas e, com isso, salvar um casamento de dez anos, em crise. Daí, o casal não se considera turista, mas viajante. Diferentemente, o amigo Turner se considera um turista, pois não vê a hora de retornar para casa.
Turístico turista (eu de novo) bem típico
Pode ser. Mas se aceitarmos essa distinção entre "viagem" e “turismo” como algo estabelecido, por certo o assunto se encerra e não cabem discussões.
Todavia eu acredito que tal classificação adquire conotações bem mais amplas e particulares, que ela vai muito além da oposição entre o caráter individual vinculado à viagem e o caráter de massa atribuído ao turismo.
Creio mesmo que deveria haver ao menos duas novas categorias a somarem-se à dos “viajantes” e dos “turistas”, a dos “turisjantes” e a dos “viajistas”, o que decerto além ampliar o espectro aceitaria que uns podem encerrar características de outros. Eu mesmo frequentemente me enquadraria em todas as quatro.
Pessoas são diferentes. E em viagens não fogem à regra. Os espertos tentam categorizar os seres humanos em viagens em apenas duas espécies: a de pessoas “viajantes” e pessoas “turistas”. Baseadas fundamentalmente na maneira como elas se comportam em viagens. É algo que vejo como uma tentativa de enquadrar o universo em um cubo e colocá-lo sobre a mesa.
Sem dúvidas é possível não apenas definir como classificar grupos humanos, contudo é definitivamente impossível encarar a complexidade dos seres humanos e seu comportamento social de maneira tão simplista e ter sucesso. O resultado disso serve apenas para gerar discussão e criar estereótipos.
Os ônibus turísticos de Barcelona são uma forma econômica de circular
que viajantes dispõem para conhecer os pontos turísticos da cidade

Os estereótipos "turistas" e "viajantes" são assim definidos: de um lado, os "turistas" seriam aqueles que esperam que suas viagens sejam o mais parecidas com seu jeito de viver, aqueles que tendem a levar a casa nas malas, que preferem não ter que tomar decisões no destino, para quem as variações inesperadas tendem a ser mais estressantes do que o normal. Frequentemente são aqueles que se encontram nos resorts bacanas cuja estrutura é tão completa que não precisam sair deles. Ou as que optam incondicionalmente por viagens em grupos. Seriam os típicos viajantes de excursão. Turistas viajariam por ociosidade. Faz sentido.

Pessoas são diferentes ou não são? Crianças Pataxós na Praia do Espelho - Bahia
Do outro lado estão os "viajantes", aqueles com espírito mais aventureiro, os que procuram situações novas e mergulham mais profundamente na cultura local. São os que viajam com maior autonomia e optam por comer em lugares mais comuns aos locais, não turístics, os que invariavelmente usam transportes públicos e evitam grupos. Faz sentido.

Viajantes aceitam e se ajustam à cultura local da melhor maneira possível. Segundo o personagem Kit, do mesmo filme, “o viajante pode nem voltar”. Estes esforçam-se para comunicarem-se no idioma do país que visitam, sentam-se ao lado dos locais e comem sua comida. Tiram fotos discretamente e não usam guias locais, consultam seus guias de viagens. Viajantes viajariam por curiosidade.
OK, as definições correspondem à realidade, não se pode negar. Mas todos nós nos identificamos com um pouco de ambas as classes, certo? Portanto, não podemos ser classificados apenas como “viajantes” ou “turistas”, já que frequentemente podemos nos comportar como um e como outro, até mesmo durante uma mesma viagem.
A maior parte das pessoas em viagem foi, é ou será um pouco "turista" e um pouco "viajante". Todos acharão quehá algo de “errado” em ambas as categorias, que não se enquadram na suacategoria, mas igualmente todos se indenficarãocom algumas de ambas. Não há nada de errado em nenhuma delas, ainda que eu alguém seidenfique mais com uma ou outra categoria.
Por vezes me sinto mais “viajante” do que "turista", noutras me enquadro em ambas. No problem! Sem preconceito. Sou turista tanto quanto sou viajante.
Numa viagem de conhecimento, fundamentalmente me considero um turista:com câmera, mapa e tudo mais o que caracteriza umvisitante num país estrangeiro ou noutra cidade que não a minha.
Em viagem de conhecimento e exploração,não é porque pegamos umônibus turístico com ar condicionado que devamos nossentir “menos” viajantes do que qualquer outra pessoa. Você foi lá tanto quanto ela, somos todos visitantes.
O que nos difere fundamental e incontestavelmente é: disponibilidade financeira, modo de vida, idade, grau de aceitação de desconforto, aptidões físicas, saúde, capacidade de locomoção, grau de medo, despreparo e desconhecimento. CErtamente o leityor encontrará outras tantas e as registrará na caixa de comentários.
Ruas e janelas de Valleta - Malta (vistas sob a ótica fotográfica de um turista comum: eu)
Não se pode definir que apenas o "viajante individual" viaja com autenticidade e que o "turista” não tem esssa experiência, ainda que seja verdade que o “turista” tende a cumprir uma programação previamente definida por agentes, cujo roteiro é escolhido pelo viajante segundo suas possibilidades financeiras e pessoais.
Será que não é possível haver turistas que viajam por curiosidade e viajantes que viajam por ociosidade? Não será possível aceitarmos que para além de turistas e viajantes haja outras classes? Será que apenas turistas têm poder aquisitivo para desfrutar de conforto e segurança, desejo de planejar para que riscos de erraos se minimizem? Será que todas as pessoas que pertencem à elite financeira que faz turismo é necessriamente turista, não pode ser viajante? Será que viajanets não podem ser turistas ocasionalmente, e vice-versa? Será que apenas viajantes sentem o prazer da descoberta, o encantamento da novidade, a alegria do inesperado?
Eu sou turista, viajante, turisjante e viajista! E você?
Boas viagens, que é o que interessa!
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Muito já se escreveu sobre o tema. Abaixo, algumas boas matérias sobre ele:
Paul Theroux: "Se você não está sofrendo de verdade, então você não está viajando"
Ricardo Freire - 23/01/2009 em Viaje na Viagem http://viajeaqui.abril.com.br/blog/143345_comentarios.shtml?1311328
Viajantes contra Turistas Concierge - O turista razoável http://viajeaqui.abril.com.br/vt/materias/vt_materia_418026.shtml
Evoluindo de turista para viajante, uma mudança necessária - Jul/05 Revista Turismo http://www.revistaturismo.com.br/artigos/viajante.html
Turista ou viajante? Vida de Equilibrista
http://equilibristas.wordpress.com/2008/10/30/turista-ou-viajante/
Turista ou viajante? Eis a questão... Coisa Parecida
http://coisaparecida.blogspot.com/2009/02/turistas-e-viajantes.html
Turistas ou Viajantes? O Estado de S.Paulo – Caderno Viagem - 31 de julho de 2007
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup27343,0.htm
Turistas & Viajantes Pelo Mundo – Mari Campos
http://pelo-mundo.blogspot.com/2007/08/turistas-viajantes.htmlNão
Não sou turista, sou viajante – Overmundo
http://www.overmundo.com.br/overblog/nao-sou-turista-sou-viajante



Reader Comments (24)
Ai meu Deus do céu. Deu um nó na minha cabecinha!
Melhor é não pensar, viajar e pronto!
Ótimo post!
Sensacional o post. Um estudo sobre viagens, turismo e estereótipos.
Vou aqui citar um tema que adoraria ver abordado por aqui: as diferenças entre os estereótipos que você tinha antes de conhecer determinado país e a impressão que ficou depois de conhecê-lo. Tenho certeza que você pode falar sobre isto com muita propriedade.
Abraços meus e da Lu
RENATA, parafraseando Chacrinha, eu NÃO vim pra confundir, vim pra acrescentar! Obrigado pela visita e pelo comentário.
ALCIDES, taí um ótimo tema! Anotado.
Ao responder as classicas perguntas : o que gostas de fazer , qual é o teu hobby ,
o que fazes nos momentos de lazer , só tenho uma resposta : viajar !
As viagens são muito diferentes umas das outras e em cada uma delas posso usar um crachá .
SYLVIA, seja lá para onde for, que seja pra onde queremos ir e que possamos voltar! Grande abraço!
Excelente texto. E concordo contigo que em diferentes viagens nos comportamos de maneiras diferentes. Depende muito do contexto e a dicotomia da classificação entre "turista" e "viajante" apenas serve de ponto de partida.
Eu ainda extrapolaria o conceito de viajante, estendendo o espectro daquele que se estabelece em um local particular por mais tempo. Torna-se um "morante", um morador viajante, que fica meses num local, viajando pelos arredores e passa a se inserir no mesmo, não apenas visitá-lo.
Ser um "morante", para mim, é a melhor das experiências ao viajar. Desconheço melhor maneira de conhecer a cultura e as pessoas de uma região senão morando nela por um tempo.
Muito bom o tema. Definiu bem como as definições se entrelaçam. Diria que pendemos mais para um lado ou para o outro dependendo da insegurança (medo do desconhecido ou de imprevistos) ou dos recursos financeiros. Um abraço
Penso que conceitualizar não será mesmo o mais importante. Fazendo jus à sábia frase de Marcel Proust, penso que o importante, independentemente da caracterização de uma definição, é mesmo isto:
"A verdadeira viagem, ou as verdadeiras descobertas, não consistem em encontrar novas paisagens, mas sim em arranjar novos olhos.".
Saudações do Marreta.
Saudações do Roadrunner, quis dizer, lá estou eu a pensar no Marreta...
ROAD, eu concordo especialmente com "não adianta contestualizar" (ou ao menos que é "desimportante" fazer isso neste caso!) Saudações do seu amigo brasileiro viarista (ou turisante?) pra esse lado maravilhoso do Atlântico! Grande abraço aos portugueses.
RICARDO, é verdade, eu nem havia pensado no termo "morante" nem na categoria de viajante residente temporariamente. Por isso que blog é muito melhor que site, pois possibiliata a que leitores enriqueçam os textos e matérias com sempre algo interessante. Valeu! Grande abraço e obrigado.
BEATRIZ, é exatamente isso, depende até mesmo do estado de espírito de cada um e do motivo (tema) da viagem, além das outras citadas por você. Obrigado pelo complemento. Abraço.
Humm, que post!
Para mim ser turista e/ou viajante não é tanto uma questão do eu quero ou do eu posso,financeiramente falando, claro que muitos fatores estão inseridos no contexto, mas o que vejo é o reflexo da vida de cada um, de ser um turista/ou viajante em sua própria vida. Como você bem diz, a gente é de tudo um pouco, mas se você for um turista em sua vida não conseguirá ser um viajante no mundo.Penso que por aí começa a viagem.
Quisera ser um morante como o Ricardo :)
Passo sempre por aqui. Seus relatos e fotos são encantadores. Parabéns!
Abs,
Ana Mendes
ANA MENDES, obrigado pelo comentário e acréscimo. Mas...por que SEMPRE por aqui e NUNCA comenta? Seja sempre bem-vinda e comente! Obrigado.
Estou pasmada! Essa foto das janelas de Valleta é certamente impressionante!!!
Sou turista, viajante e alguma vez eu acho que sou morante, mas para os morantes autênticos eu sou somente uma "guiri". Sempre que viajo eu penso que sou de ali onde estou. Em Cuba, cubana; em Brasil, brasileira; em Puerto Rico, portorriquenha...
Um saludo (e bonitas pernas)
Ha ha ha, Carmen! Bonito é o pombo!
Também escrevi há um tempo um post sobre o mesmo assunto:
http://coisaparecida.blogspot.com/2009/02/turistas-e-viajantes.html
Para mim, rótulos são para geléias...
Ótimo texto, parabéns!
Paul Theroux: "Se você não está sofrendo de verdade, então você não está viajando"
Eu retiro o 1º NÃO: "Se eu estou sofrendo de verdade, então eu não estou viajando"
Eu sempre estou feliz viajando!
Vixe, eu nunca consegui chegar a um consenso sobre o tema! Mas acho que deve ter suas nuances, suas diferenças. Por mais que digam que turista e viajante são duas coisas diferentes - querendo ou não - no imaginário social não são! Turista é um ser de "férias", que gosta de tirar mais fotos dele do que dos lugares. Não arrisca desbravar ruas e becos e quase sempre traz histórias óbvias para contar. O conceito de viajante (repito, no imaginário social) é de uma pessoa descomprometida com os paradigmas pré-estabelecidos dos destinos que vão visitar. Arriscam mais, gostam de sabores diferentes e tentam esmiuçar a CULTURA... e por cultura entendem-se não só arte, gastronomia e história, mas o MODUS OPERANDI do lugar! No fundo, todos temos nosso "momento turista" e o nosso "momento viajante". Depende da hora, do lugar e do grau de interesse. O certo é que todos - turista ou viajante - geram empregos e deixam muito dinheiro por onde passam! Abraços!
Aiai..
Realmente é dificil decidir o que ser..
Mas por experiência propria tem uma frase que me define bem..
""O turista sabe exatamente quando será, e até anseia o dia de sua volta.. o viajante nem sabe se voltará um dia""
Virei uma viajante que so Deus sabe o dia da volta..
Vim pra França ficar 11 meses.. prorroguei 6 meses.. e jà to quase nos 3 anos.. isso sem voltar ao Brasil.. nem à passeio..
Mas amo turistiar.. e muito..
=)
O blog é um verdadeiro documentário!
Parabéns!
me visite no:
http://jeitinhobrasileirodeviajar.blogspot.com/
Adorei o texto e as fotos! Eu realmente me sinto um pouco do dois! Acho que como vc mesmo disse, uma mesma pessoa pode ser ao mesmo tempo turista e viajante. O que vai definir para qual dos dois lados a balança irá pesar mais são o lugar que visita, os recursos disponíveis, o tempo que pode desfrutar...enfim...viajante ou turista, o que gosto é de experimentar lugares, ver como as pessoas se comportam, sentir o cherio e o gosto dos lugares que vou conhecer. Arnaldo, sem abusar muito da sua boa vontade, eu sei que vc adora Praga. Estou indo pra lá agora em maio, já estou lendo os seus post, do VNV e dos d+ tripulantes, mas vc teria alguma dica especial da cidade, ou mesmo a indicação de um restaurante para comemorar niver da casamento?! Super obrigada, viu?! ;)
Ai meu Deus do céu. Deu um nó na minha cabecinha!
Melhor é não pensar, viajar e pronto!
Ótimo post!
[2]
Arnaldo, que saudades de ler seus textos, sempre tao incriveis! Apesar da proposta de ser um periodo sabatico, ando fazendo tanta coisa por aqui que mal sobra tempo para entrar nos blogs dos amigos, infelizmente (sem falar na internet carissima-carissima!). Mas, please, continue nos brindando com esses seus textos geniais, sempre!
Um abraçao pra vcs, direto de Florença
PAULA, eu estou lendo seu pedido em plena viagem e infelizmente não tenho dica de restaurante especial, ainda que a cidade tenha excelenets restaurantes, mas nenhum assim que eu conheça para jantar numa comemoração especial. Eu recomendaria que vc procurasse na Internet e perguntasse na Recepção de seu hotel e antes de reservar, tentar ver se o restaurante tem site explorar melhor. Eu faria isso com muito prazer se não estivesse em viagem (que pena!). Se rpecisar de dica de hotel eu tenho. Minha dica especial é além de tudo que está relacionado como ponto turístico mais óbvio, não deixar de ir a Ingreja de Loreta (tem um post sobre ela).
MARI, eu que agradeço a gentileza de deixar seu comentário e eu que acho uma pena vc não poder ler todos os posts anteriores e deixar seus comentários sempre bacanas e gentis. Deixei recados no Twitter e no seu blog desejando maravilhosa viagem e aproveitar MUITO Florença!
Arnaldo, obrigada pela atenção! O Hotel já está reservado. Mas, vou procurar o restaurante como vc sugeriu! Obrigada, viu?! Aproveita bastante aí e tira muitas fotos lindas pra compartilhar conosco depois! ;)