Jordânia em Abril - Dias arábicos, noites mediterrâneas
É Primavera na Jordânia. E nesta estação do ano (1*) o gelado inverno já se foi e o rigoroso verão ainda não chegou. É a época das temperaturas agradáveis, mas que ainda variam consideravelmente do dia para a noite. São os dias quentes e as noites frescas. Dias arábicos, noites mediterrâneas.

Em Jerash elas nascem entre as pedras da Cidade Romana

Sobre uma das sete colinas de Amã - na Cidadela - a primavera forrou o chão árido com essas florezinhas amarelas....
ABRIL e maio são as melhores épocas do ano para se viajar para esse lado do mundo: a humidade relativa do ar fica em torno dos 48%, há apenas um dia de chuva por mês e as temperaturas máximas de 27 e mínimas de 16 graus e o sol brilha por nove horas diariamente. Um espetáculo em termos turísticos. Entre Outubro e Março chove e é frio, ocasionalmente pode nevar. Junho e Julho são os meses mais quentes e secos. Por isso, Abril e Maio são bastante agradáveis para uma visita ao país, já que as temperaturas são mais amenas e há dias ensolarados.
A Jordânia não é interessante apenas do ponto de vista turístico e social, mas também do cultural e histórico. Os altos contrastes vão da riqueza à extrema pobreza, da modernidade ao antiquíssimo, dos novos ricos de Amã aos camponeses parados no século XV, do mar ao deserto, da fertilidade dos vales aos cânions áridos, dos mais antigos feitos do homem à moderna capital do país - tudo é imensamente forte.

ACIMA e ABAIXO: Mesquita do Rei Abdullah, a maior da Jordânia:
5000 fiéis podem orar ao mesmo tempo

CERCA de 80% do território jordaniano é coberto por desertos. O maior e mais famoso deles o Wadi Rum, um dos destaques turísticos do país e uma das paisagens desérticas mais bonitas do planeta, onde montanhas de calcário e granito surgem em vales arenosos cortados por cânions. As cores do deserto em seus diferentes tons monocromáticos acompanham o turista onde quer que ela vá por este país, cujas 10 principais atrações são:

Detalhe decorativo com motivos islâmicos de uma das portas da Mesquita do Rei Abdullah
1. Petra, a top attraction do país, cidade encravada e esculpida na rocha de arenito, cenário do filme Indiana Jones e a Última Cruzada; 2. Wadi rum, o deserto; 3. Jerash, uma das maiores e mais espetaculares ruínas romanas do Oriente Médio; 4. “Betânia além Jordânia”, o lugar onde João Batista batizou Jesus, a leste do Rio Jordão; 5. Amã, a Capital do país, centro comercial e industrial do país, ideal para começar e terminar uma viagem, para compras e para visitar antigas ruínas romanas; 6. Aqaba, localizada no Golfo de Aqaba, Mar Vermelho, um grande lugar pra ficar e extender por mais tempo uma visita ao Wadi Rum e ao Mar Vermelho e seus resorts e spas; 7. Kerak, a cidade fortificada que abrigou as Cruzadas; 8. Madaba, a Cidade dos Mosaicos, a apenas 30 quilômetros ao longo da estrada de 5000 anos, a Kings´ Highway; 9. Ajloun, um impressionante castelo do século 12; 10. Mar Morto, o ponto mais baixo e o mar mais salgado do planeta.

Defronte à mesquita, bem ali, do outro lado da rua, uma imponente igreja católica. Na Jordânia é assim: convivência pacífica de credos. Ninguém joga pedra em ninguém.
“É pouco, 3 dias é pouco para o que a Jordânia tem a oferecer”,
disse o "nosso" jordaniano, Faris
A maior parte da população jordaniana é de origem árabe (2*). As principais minorias étnicas correspondem à dos armênios e a um reduzido grupo de origem cáucasa. Quase a totalidade dos habitantes são muçulmanos sunitas, embora existam pequenas comunidades de muçulmanos xiitas e de cristãos - das quais um terço pertence à Igreja Ortodoxa Grega.

CRUZAMENTO natural de rotas do Oriente Médio, o território da Jordânia é um verdadeiro prêmio geográfico para um país. Serve e serviu como conexão estratégica entre os continentes Ásia, África e Europa. Por isso desde os princípios da civilização a geografia da Jordânia teve importante função no comércio e nas comunicações entre o Ocidente e o Oriente, o que ainda mantém. Ainda que tenha trocado de mãos várias vezes desde a antiguidade - parte do território jordaniano esteve sob domínio de iraquiano, sumérios, babilônios, assírios, cruzados cristãos, turcos otomanos e, finalmente, os britânicos - a cultura do país passa também por influências de gregos, romanos, persas (iranianos) e por diferentes dinastias árabes e islâmicas, amonitas, amorreus, moabitas e edomitas.
Nas ruínas da cidade romana de Jerash, no norte da Jordânia, elas nascem entre as pedras...
NO nordeste da Jordânia outras antigas cidades que pertenceram à Decapolis (3*) são Jerash, Umm Qays, Tabaqat Fahl (Pella), Bayt Ras (Capitolias) e Quwayliba (Abila).

A história recente do país começa com a independência e ao fim da administração britânica, em 1946. A Jordânia passou a ser controlada pelo Rei Hussein, um homem pragmático que circulou com sucesso entre os poderes da época, Rússia, Estados Unidos e Grã-bretanha, asism como em vários Estados árabes, Israel e Palestina.
O Rei Abdullah II – filho mais velho do Rei Hussein e da Princesa Muna – assumiu o trono depois da morte de seu pai em Fevereiro de 1999. Desde então ele consolidou seu poder e estabeleceu suas prioridades domésticas que passam por uma agressiva política econômica de reformas que fizeram com que o país tivesse acesso ao World Trade Organization em 2000, assinado vários acordos bi-laterais com os Estados Unidos e a Europa.
(1*)
(2*) A maior parte dos cerca de 6 milhões de habitantes é de origem árabe e as principais minorias étnicas são de armênios e um reduzido grupo de casucasianos. Quase todos os habitantes são muçulmanos sunitas, mas existem pequenas comunidades xiitas e cristãs - das quais um terço pertence à Igreja Ortodoxa Grega. Há uma elevada taxa de imigrantes da Cisjordânia.
(3*) As Dez Cidades (do grego Decapolis), no Novo Testamento, referem-se a dez cidades próximas, encontradas no lado leste do Mar da Galiléia. Seus moradores eram não-judeus que se interessavam na pregação de Jesus Cristo. Dssas dez cidades seis estão no território atual da Jordânia. Eram elas: Jerash, Umm Qais, Gadarana, Pella, Filadelfia, (atual Amã), Dion (Capitolias), Raphana (Abila), na Jordânia. Scythopolis (Beth-Shean), em Israel (a única delas do outro lado do Rio Jordão), Canatha (Qanawat) e Damasco, na Síria.
Jordaniano saindo da Mesquita Rei Abdullah, a maior da Jordânia, no bairro Abdali
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Reader Comments (14)
Um país extremamente sedutor com paisagens e locais míticos. Que experiência não será atravessar o Wadi Rum montado num dromedário com 1/4 de litro de água!
Que sensação extraordinária não será apreciar o pôr-do-sol em Aqba olhando o mar no horizonte e fumando um bom tabaco!
Este é certamente um daqueles países que está na minha lista de espera. Exótico quanto baste com cultura e costumes completamente diferentes do ocidente: É DISTO QUE EU GOSTO! Quanto mais diferente melhor!
Saudações do Roadrunner!
ROAD!, meu amigo português viajante! Como estão as coisas "do outro lado do atlântico"?
Grande abraço e continue acompanhando....
As flores brotando em meio às ruínas estão belíssimas. Nada como viajar na primavera...
Uma paisagem tão diferente do que a gente está acostumado a ver!!! Lindo post, riquíssimo em imagens e textos, como sempre!
Beijos
Traz uma braçada destas flores pra gente , Arnaldo !
"Dias arábicos, noites mediterraneas " .. lindo !
Podia ser uma letra de música !!
Olá Arnaldo. Td bem?
Vou para Los Angeles em Outubro e estou em duvida sobre região e hotel. Eu não achei aqui no seu bloq nada sobre LA, vc já foi? Ficou em que hotel? Pois acho suas escolhas parecidas com as minhas.
Abraços
CAIO, se for a turismo, fique em Santa Monica, no litoral, e aproveite par avisitar além de Sta Monica, Beverly Hills, Hollywood e passar ao largo de Los Angeles (se fizer questão, entre e saia da cidade, que fica ao lado da Santa Monica Boulevard.
SYLVIA, obrigado! Bem, letras de músicas eu tenho algumas escritas há uns trinta anos. Só resta alguém fazer a melodia!
Realmente os dias são bem ensolarados, quentes e secos - tipicamente arábicos - e as noites bem frescas e agradáveis, mediterrâneas.
Abraços!
A primavera em o Mediterrãneo é uma beleza! Em os lugares mais insuspeitos aparece uma flor...
Bonito
Olá Arnaldo!
Descobri recentemente seu blog e tornei-me fã e frequentadora assídua. Amo viajar, e adorei ler seus relatos e suas fotos. Como você consegue captar bem a essência de cada lugar que visita! Desde que encontrei o blog, passo horas lendo os relatos de posts anteriores. Estou indo para Paris, Roma, Milão e Veneza próximo mês. Destas cidades, só fui anteriormente a Paris e suas dicas são muito úteis. Abraços!!! Aleksandra.
ALEKSANDRA, fico muito feliz com seu comentário e agradeço a gentileza. De fato fico especialmente satisfeito quando consigo transmitir a " essência" de um lugar e deixar o leitor com vontade de conheçê-lo e descobrir por si as suas preferências e também confirmar ou não o que eu escrevi.
Seja bem-vinda e sempore que vier comente,. Se precisar de perguntar algo, fique à vontade que responderei com prazer aquilo que estiver ao meu alcançe.
Obrigado e ótima viagem!
Olá Arnaldo !! Admiro muito seu blog. Estou indo para Israel em dezembro/2009 e vou aproveitar para visitar Siria, Jordânia e Egito. Quantos dias vc sugere em cada lugar ? E quais lugares visitar, inclusive em Israel ? abraços, Eros
É fascinante as ruinas e as fores, seduzem, encantam um lugar para sentir a energia mediterrânea.
EROS, recomendo 5 dias em cada.