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Palmira, Síria 

Posted on Ago 13, 2009 at 15:27 by Registered CommenterArnaldo Interata | Comments14 Comments

    

                SUA pele era morena, bem morena, e seus dentes, brancos como pérolas, destacavam ainda mais os grandes olhos negros, que brilhavam acentuando ainda mais sua beleza. Sua voz era forte, possante como convinha a uma líder. Sua cultura era apropriada à de uma rainha, que falava mais dois idiomas além do seu.                                           

         FOI assim que o historiador Edward Gibbon descreveu Zenóbia - a rainha guerreira de Palmira - uma mulher meio grega, meio árabe, temida politicamente, grande estrategista política e bélica, tida como sanguinária. Ela notabilizou-se por enganar o imperador Aureliano ao dividir o Império Romano, auto-proclamando-se rainha de seu reino em Palmira.  

         COM o assassinato de seu marido - o nobre palmiriano Odenato, que em 258 foi promovido ao posto de cônsul de Roma, por sua bem sucedida campanha contra a Pérsia - liderou batalhas que resultaram no domínio do Egito e na conquista de parte da Ásia Menor. Mas foi apenas quando declarou a independência de Palmira que o imperador Aureliano deu-se conta e derrotou suas tropas e sequestrando-a para Roma.  

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Palmira, rodeada de deserto 

 

   

                       OS árabes a chamavam Tadmor - denominação pré-semítica ainda em uso nos tempos modernos -do aramaico "tadmorto", que significa "cidade prodigiosa". Os romanos a chamavam Palmira. E se havia uma parada vital para os caravaneiros da rota do Oriente Médio, esta era em Palmira.Hoje, a maior atração turística da Síria é um conjunto fabuloso de templos de uma cidade romana em ruínas, dramaticamente cercada de areia dourada, mas também povoada por história e contos em cada pedaço de pedra das ruínas, daquela que foi um oásis na época das caravanas e das rotas comerciais.

 

   

                       DE longe a colunata coríntia denuncia sua espetacular grandiosidade. A chegada a Palmira é um fabuloso choque entre o deserto e a abrupta imagem que se abre, um imponente conjunto de ruínas, das maiores e mais importantes do planeta, só muitos séculos depois perdeu importância para Damasco e Aleppo. A moderna Tadmor, no mesmo local da antiga Palmira, situa-se junto ao oleoduto Kirkuk-Trípoli, no cruzamento das rodovias que cortam o deserto da Síria.

  

 

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                       Cercada de areia dourada

                       NOVE e meia da manhã.  Já estavam longe, para trás, a cidade de Damasco e seu incessante movimento.  Com a velocidade do possante BMW 350 chegando a 170 Km por hora, a paisagem rapidamente passava pela janela lateral, tornava-se ainda mais árida e anunciava que o deserto rasgado pela estrada que leva a Palmira estava próximo. Assim que se aproxima do sítio histórico de Palmira as ruínas começam a se mostrar discretamente, uma ou outra coluna solitária, partes de antigas construções que restam numa ou noutra parede.

 "Aproximavam-se tanto as ruínas daquela que foi uma das mais importantes

cidades da Rota da Seda quanto o acesso à fronteira da Síria com o Iraque"

    

                       Aproximavam-se tanto as ruínas daquela que foi uma das mais importantes cidades da Rota da Seda quanto o acesso à fronteira da Síria com o Iraque. Aqui o Iraque fica a 150 Km. Aliás, se o deserto sírio tem um coração, ele está em Palmira, e se tudo se aprece com um deserto, é aqui, na beira da fronteira com o Iraque que ele melhor se caracteriza. E as ruínas de Palmira são indubitavelmente um grande prêmio para os olhos depois de uma viagem tão longa pelo deserto.

   

                        DEPOIS de ter conhecido Jerash, na Jordânia, não imaginava que alguma outra ruína de cidade romana da antiguidade haveria de me impressionar tanto. Tirando a magnífica Pompéia (já que esta fica no território italiano), Palmira - na Síria, Éfeso - na Turquia, e Jerash - na Jordânia, conseguem marcar a vida de um visitante, imprimem-se na memória de maneira espetacular, seja lá em que ordem forem conhecidas.

    

                      ALGUMAS aventuras e epopéias humanas mudaram a história e marcaram as civilizações. A Rota da Seda é uma delas. As estradas que ligavam o Oriente ao Ocidente, pela qual milhões de pessoas passaram entre os séculos 2 a.C. até o 16 d.C. e mercadorias transportadas em camelos e em embarcações que iam por 12 mil quilômetros, desde a China até os portos de Antioquia, na Síria e Istambul, na Turquia. As viagens duravam meses e até anos. Uma gigantesca quantidade de pessoas, para os padrões da época, viajavam e circulavam por Palmira, especialmente pessoas relacionadas com o comércio e o transporte de mercadorias. 

                     A meia distância entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, sua localização tornou-a especialmente adequada a ser um ponto de parada para as caravanas que seguiam sua rota comercial.

                      QUANDO o império seleucida tomou a Síria em 323 aC, Palmira permaneceu autônoma e passou a florescer como importante parador para as caravanas comerciais. Em 41 a.C., Marco Antônio tentou ocupar Palmira mas falhou porque os palmirianos foram avisados préviamente.

   

                       TODAVIA uma enorme atividade cultural e intelectual surgiu em decorrência das escolas de pensamento trazidas com religiosos, intelectuais, artistas e pensadores da época. A Rota da Seda foi, além de importante entreposto e rota comercial, em Palmira um poderoso centro de troca de culturas chinesa, indiana, iraniana, árabe, turca, egípcia, grega e romana.

   

                         QUANDO Roma invadiu a Síria durante o reinado de Tibério (14 d.C - 37 d.C.), a imponência do império romano se fez ainda mais notável em Palmira, fazendo com que a região experimentasse uma prosperidade sem precedentes no Oriente Médio e, tendo em vista sua localização remota, uma autonomia incomum para as cidades romanas.    

  

                          A cidade continuou a desenvolver-se e adquirir importância até tornar-se cidade livre, durante o império de Adriano, em 129. Alguns dos fabulosos exemplos de imponência arquitetônica, típicas das cidades do império romano, hoje são visíveis e permanecem impressionando por sua espetacular grandiosidade, seja a colunata de um quilômetro, seja o incrível anfiteatro.

 

    

                      FATOS curiosos marcaram a história de Palmira, como o que ocorreu no Século III, quando a Rainha Septímia Zenóbia autoproclamou-se rainha do reino de Palmira, situação então embaraçosa para o império romano, o que levou o imperador romano Aureliano a sequestrá-la e levá-la para Roma no ano 272, chegando com a rainha deposta numa parada triunfal e acorrentada a correntes de ouro.

 

                        PALMIRA é famosa pela beleza de suas ruínas ao pôr-do-sol e pelo silêncio e paz que se experimenta no meio do deserto. O que contrasta com essa calma do presente é seu passado tumultuado, movimentado, rico e permeado por demonstrações de poder, por traições e guerras. A Rainha Zenóbia, personagem principal dessa trama, acabou os dias muito longe e entre antigos inimigos.

   

 

                      É da colunata que tem-se a exata dimensão da opulência de Palmira, mas do alto de sua colina a perfeita noção do nada ao redor, do pleno deserto que a rodeia. As ruínas revelam o traçado original da cidade, com sua ágora, o senado e anfiteatro, o principal santuário - dedicado a Bel (Baal, o "Senhor") e aos deuses do Sol, Yarhibol, e da Lua, Aglibol. A arquitetura apresenta influências orientais, mas é de inspiração grega.

   

                        A ordem clássica da arquitetura, coríntia, marca quase todos os monumentos, todavia a influência da Mesopotâmia e no Irã são é também evidentes na ornamentação e no desenho dos monumentos, assim como as artes dos impérios romano e persa.

   

     

 

                   UM dos mais bem preservados monumentos de Palmira é o Templo de Bel, a estrutura mais completa e impressionante de todas as ruínas de Palmira, cujo complexo é composto de um grande jardim murado, de um caminho que liga o templo com o exterior da muralha margeado de estátuas de deuses e de símbolos do Zodíaco na cúpula. Rivaliza com a colunata e os arcos monumentais em imponência.

    

                   EM todo o sítio há inúmeras ruínas, o Vale das Tumbas, o Museu de Palmira, outros templos e os Banhos Romanos, além do anfiteatro, ao longo da grande Colunata, uma avenida de colunas que atravessa a cidadeaté ao templo Funerário, com um arco Monumental e a vista do castelode Qala'at ibn Maan, situado numa colina que domina a cidade.

 

                  NÃO é preciso hospedar-se em Palmira, mas se quiser ou estiver em viagem adiante, o Zenobia Cham Palace é uma ótima opção tanto para dormir quanto para comer. Fica situado defronte às ruínas e você pode ir e voltar de camelo!

   

 

  

   

http://www.chamhotels.com/zenobia_palace_services.html

    

                  SAINDO de Palmira e retornando a Damasco não deixe de abastacer no posto de combustível logo após a saída do sítio histórico porque a estrada é longa, desértica e as opções de abastecimento, poucas. Um dos melhores postos do percurso é esse aqui.  O banheiro é cheio de moscas, mas é a única opção antes da próxima parada decente. Se estiver "apertado", vale a visita.

  

    

 

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Reader Comments (14)

Arnaldo, o que é que é isso?!?! É pra deixar qualquer um de queixo caído com essas fotos! O relato além de super explicativo está com bastante história (coincidência?!)...Adorei!!! Está D+!

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 16:05 | Unregistered CommenterPaula*

Faço minhas as palavras da Paula* - quando a gente acha que não dá para melhorar seu post...a gente se engana. Você realmente se superou. E somos nós que ganhamos com isso.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 16:09 | Unregistered CommenterMarcie

Paula* e Marcie, vocês duas estão se tornando minhas melhores amigas virtuais com tantos elogios e incentivos. Obrigadíssimo.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 16:11 | Unregistered CommenterArnaldo

Oba! Arnaldo, eu ja estava com saudades dos seus posts! :-)
Damasco sempre esteve na minha (enorme) lista de places to go; agora Palmira definitivamente entrou tambem.
Lindo, lindo, lindo, como sempre - eu amei mesmo, alem de tudo, o ceu das suas imagens, sempre perfeito: parece puro efeito Photoshop de taaaao lindo!

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 16:32 | Unregistered CommenterMari Campos

Palmira deve ser mesmo uma miragem, aparecendo no meio do deserto...e ainda por cima tem o apelo da Rota da Seda, que nos faz imaginar as caravanas percorrendo áreas tão apaixonantes como a Ásia Central, o que são hoje Irã e Iraque e chegando até a cidade...Bem, esse é um assunto que pode ir muito longe, rs...
É inacreditável como algumas construções estão bem preservadas! E o final de tarde deve cair muito bem nestas pedras douradas :-)

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 16:45 | Unregistered CommenterEmília

Estou adorando esta fase - clima - romance , Arnaldo !
Delicious :)))

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 18:11 | Unregistered CommenterSylvia

Posso falar...não sabia nem que existia!
Adorei aprender mais um pouquinho e de mais um lugar!

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 20:27 | Unregistered CommenterCarlaZ

Arnaldo, que belíssimo registro! Fotos incríveis, uma leitura linda da viagem... Congrats! ;-)

Quinta-feira, Agosto 13, 2009 at 22:32 | Unregistered CommenterFabio NG

Arnaldo,

Confesso ter ficado apreensiva com seu silêncio tão longo. Como adoro seus relatos, mais de uma semana sem eles foram uma eternidade. Parabéns, mais uma vez. São belas as histórias.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009 at 18:10 | Unregistered CommenterAnna Francisca

Arnaldo impressionante a qualidade dessas construções! Ja tinha ouvido falar que o sitio arqueologico de Palmira era um dos mais bem preservados do mundo, mas vendo as fotos não imaginava que seria tanto assim! Tem alguns entalhes absurdamente perfeitos!!! E a aula de história que vc deu hein?! Mto bom!
Lindo post!

Sábado, Agosto 15, 2009 at 18:40 | Unregistered CommenterGuta

Confesso a minha ignorância. Só conhecia o queijo Palmira, aquele da lata (nham!). Que belas ruínas e que lindas fotos.

Sábado, Agosto 15, 2009 at 19:44 | Unregistered CommenterBeto

Arnaldo, eu também admito que nunca tinha ouvido falar de Palmira e adorei! Seu relato, como sempre, é uma cultura só e as fotos são excelentes. Parece até que estamos lá ao vivo. Parabéns!

Segunda-feira, Agosto 17, 2009 at 09:36 | Unregistered CommenterAlessandro A.

Beleza!
Um lugar impresionante e muito bem conservado, sobre todo e anfiteatro. Lindíssimo!!!
Eu não pode creer a incrível dimensão dos edifícios de Palmira, as pessoas parecen formigas.
Gostei das fotos e dos cores ocres das construçãos.Sublime.

Parabéns e obrigada por compartir com nós suas experiências.
(bonito hotel)

Quarta-feira, Agosto 19, 2009 at 05:11 | Unregistered CommenterCarmen

Acabei de chegar desta viagem!!!
Adorei e ainda continuo sem entender como construções tão grandiosas em todos os sentidos surgiram numa época de tão poucos recursos... é inacreditável e simplesmente MARAVILHOSO!!!

Abraço e parabéns pelas fotos... as minhas não saíram tão boas assim... rsrsss

Quarta-feira, Novembro 11, 2009 at 22:42 | Unregistered CommenterMarcia

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