Castelo Ajlun, Jordânia
"Insondáveis são os desígnios do Senhor!"
ASSIM diziam os cavaleiros cruzados em 1099, enquanto empreendiam sua marcha pelo Oriente Próximo em direção à Palestina. E para lá seguiram (era esse o seu destino) ao sairem de Alepo, na Síria, em direção à Cidade Santa. Seu longo caminho passava através do deserto onde só pedra e areia encontraram. Eram movidos pelo desejo enorme de “libertarem” a Palestina dos domínios muçulmanos. Nada os demovia, nem mesmo o deserto e suas agruras.
DE natureza cristã, aqueles cavaleiros sem moinhos eram tão famintos de Deus que partiram da Europa Ocidental com um único objetivo, custasse o que custasse: pôr a Terra Santa (nome cristão dado à Palestina) e a cidade de Jerusalém sob o domínio e soberania de cristãos.
TAIS movimentos estenderam-se pelos séculos XI a XIII, época em que a Palestina estava sob controle de turcos muçulmanos. Sim, custou, e muito: os Cavaleiros Cruzados empreendiam sua "Terceira Cruzada" e terminaram por massacrar a população civil judaica e árabe de Jerusalém. Mas tudo era em nome Deus, tudo orientado pelos "desígnios do Senhor", apenas mais um exemplo da estupidez humana, mais uma guerra como tantas que o mundo viveu (e viverá) orientadas e motivadas por crenças religiosas.

NO ano de 1095 os habitantes de Jerusalém não tinham motivos para grandes preocupações. Lá, muçulmanos, judeus e cristãos viviam em relativa harmonia, ainda que a Palestina tenha sido palco de conflitos entre potências muçulmanas rivais durante décadas, e que a própria Jerusalém mudara de mãos três vezes desde 1060. Mas a cidade estava bem guarnecida e era um local com defesas naturais, além de bastante fortificado. Ninguém imaginava que a 3 mil quilômetros de distância, uma eminência eclesiástica se preparava para dar curso a um massacre por multidões armadas comandadas pelos Cavaleiros Cruzados. Era a era das Cruzadas que eclodiu sobre o Oriente.
"Pelas muralhas e portas, derrubando, destruindo, ou prendendo fogo no que se lhe opunha, o exército vencedor penetra então na cidade. O ferro semeia por todas as partes a desolação e a morte, o luto e o horror, suas companheiras. O sangue forma lagos ou corre em arroios que arrastam no seu curso cadáveres e moribundos." - Torquato Tasso - Jerusalém Libertada, Canto XVIII, 1575.

ERA a época da “Terceira Cruzada”, empreendida pelo Papa Gregório VIII após a tomada de Jerusalém pelo sultão Saladino em 1187. Chamada de Cruzada dos Reis, por conta da participação dos três principais soberanos europeus da época: Filipe Augusto - da França, Frederico Barbaruiva - Sacro Império Romano-Germânico, e Ricardo Coração de Leão - da Inglaterra.
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Castelo de Ajlum - Na maravilha da natureza, a genialidade da arquitetura
NAS redondezas da Reserva Natural de Ajlum, no alto da Colina de Jabal, o Castelo Ajlum é uma das paisagens mais incomuns e inesperadas que se pode encontrar nesta parte do mundo. Ruínas romanas, construções islâmicas sim, mas castelo medieval no Oriente Médio - entre a cidade e o deserto - é mesmo surpreendente. É claro que depois de buscarmos as razões na história entenderemos que os Cruzados andaram por ali oito séculos atrás. Decerto que os árabes tinham que proteger-se.


EM árabe chama-se Qal'at Ajlun. Escreve-se قلعة عجلون. É um castelo islâmico construído sobre uma colina na cidade de Ajlum, nordeste da Jordânia. Fica a apenas 73 km ao norte de Amã e a meio caminho de uma viagem de um dia a Jerash. O percurso é todo por uma estrada de asfalto, de mão dupla, que após deixar para trás a Capital, passa por uma floresta rala de pinheiros e oliveiras, alguns sítios antigos, outras ruínas de fortes e uns moinhos e vales cultivados entre colinas. Vai-se de taxi mesmo, a partir de Amã.

A imponente fortaleza de pedra, construída por Izz al-Din Usama, um comandante militar sobrinho de Salah ad-Din al-Ayyubi (Saladin) em 1184, na verdade é uma incomum construção medieval no Oriente Próximo, usada para proteger o país das ações das Cruzadas. Do alto da colina a fortificação controlava as três principais passagens para a região: Wadi Kufranjah, Wadi Rajeb e Wadi al-Yabes, além de proteger a comunicação e as rotas entre a Jordânia e a Síria. Por extensão também protegia as minas de ferro de Ajlum.
DO topo do castelo tem-se uma vista deslumbrante do vale jordaniano. Com binóculos é possível avistar-se Jerash. A olho nu, num dia ensolarado (o que é absolutamente comum nesta parte do planeta), a vista é bonita e inesquecível, pra lá de agradável e surpreendente.
ESTE é um belo exemplo de arquitetura militar árabe em forma de retângulo e com quatro torres quadradas e uma entrada principal e constituia-se numa cadeia de castelos fortificados entre a Síria e a Jordânia. Todavia, dois anos após ter sido concluída sua construção, tornou-se desnecessária, já que Salah ad-Din al-Ayyubi (Saladin) acabou com a intenção dos Cruzados em 1189, o que marcou o início do fim de sua ocupação na Cidade Santa.

O castelo de hoje é uma atraente construção muito bem cuidada e pReservada, restaurada e reconstruída, onde escadas, túneis, estruturas medievais, torres e galerias formam um bonito cenário emoldurado por uma belíssima vista aérea de 360 graus. O castelo e a vista que se tem dele cativam tanto jordanianos quanto estrangeiros. E nós, turistas e estrangeiros, somos cativados pela extrema simpatia, pelo sorriso e alegria genuínos, pela curiosidade do simpático, hospitaleiro e agradável povo jordaniano.


O Corpo original do castelo tinha 4 torres e um fosso de 16 metros de largura, com cerca de 10 de profundidade o cercava. Depois da morte de Osama o castelo foi aumentado e incrementado por Aibak ibn Abdullah, o governador mameluco (1). Ele construiu a quarta torre e o portão.
EM 1260 os Mongóis (2) destruiram partes do castelo mas logo, após a vitória dos mamelucos sobre os mongóis, na Batalha de Ain Jalut, o Sultão ad-Dhaher Baibars restaurou todo o castelo e limpou o fosso que o circundava. O castelo foi usado basicamente para a guarda de provisões e de tropas. Quando Izz ad-Din Aibak foi nomeado governador, segundo inscrições encontradas no castelo, todo o edifício foi profundamente reformado e renovado.


São TÃO simpáticos, curiosos e receptivos os jordanianos que é possível
até que te convidem para um café na porta do Castelo de Ajlum. Café à moda turca, é claro.
DURANTE o período otomono um contingente de 50 soldados abrigava-se no castelo e durante o século 17 o Príncipe Fakhr ad-Din al-Ma'ni II usou-o em sua primeira luta contra Ahmad ibn Tarbay. Em 1812 o viajante e explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt encontrou o castelo habitado por cerca de 40 civis.

DOIS grandes terremotos demoliram parte do castelo em 1837 e 1927. Recentemente o Departamento de Antiguidades da Jordânia iniciou um programa de restauração e consolidação de suas muralhas e a construção de acessos para turistas, como a ponte e a escada de seu portão principal, sobre o fosso.


(1) Os mamelucos (da palavra árabe مملوك, plural: مماليك ) eram escravos que geralmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano para os seus exércitos e que em algumas situações também no Egito detiveram o poder. Os primeiros mamelucos serviram os califas abássidas em Bagdad no século IX. Os Abássidas recrutaram-nos das famílias não muçulmanas capturadas em áreas que incluem a actual Turquia, Europa de Leste e o Cáucaso. FONTE: Wikipédia
(2) Os Mongóis eram um conjunto de tribos da Ásia Central, até à sua unificação por Gengis Khan (Temudjin). Com habilidade política e força de vontade, Gengis Khan pouco a pouco uniu as tribos mongóis sob sua autoridade, processo que se completou em 1206 aonde foi coroado como o grande khan dos mongóis.


Após unificar as tribos mongóis, o próximo alvo de Gengis Khan foi a China, na época dividida em vários reinos, dentre eles o império Jin ao nordeste, os Xixia ao norte e os Song ao sul. Em 1215 Pequim foi conquistada, após um longo cerco. A região ficou ao cargo do general Muqali. Em seguida foi a vez do império da Corásmia, cujos domínios incluíam os atuais Uzbequistão, Quirguistão, Turcomenistão, Tajiquistão e Afeganistão. Contra o qual empreendeu uma sangrenta guerra entre 1219 a 1221. Cidades como Samarcanda e Bucara foram arrasadas.
Em perseguição ao xá Maomé da Corásmia, um exército liderado por Jebe Noyon e Subedei invadiu o norte do Irã, atravessou o Cáucaso, derrotando vários exércitos locais, e alcançou a região sul da Ucrânia, onde em maio de 1223 derrotou um exército de 80 mil homens composto por soldados de diversos principados russos na batalha.
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COMO chegar

Vá de Taxi, beba água, use um chapéu e protetor solar
PARA ir de Amã à Cidade de Ajlum, que fica a 3 km do castelo, pode-se ir de ônibus ou taxi. Recomendo o passeio a Jerash passando antes por Ajlum. A cidade é servida por transporte público e miniônibus saem de Amã - da Estação Abdali - para Ajlum e Jerash.

Quando chegar de ônibus em Ajlum, pegue um taxi até o castelo e combine para que o espere. Acerte o valor e volte no mesmo taxi. Se preferir ir a pé, saiba que é uma longa subida de 3 km.
Há dois hotéis em Ajloum, recomendáveis também pra quem quer ficar uma noite em Jerash: Al Rabad Castle Hotel (tel 02.642.0202) e o Ajloun Hotel (tel 02.642.0524)

SE quiser saber mais sobre a ORDEM DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS, visite o Blog e leia a matéria de Silas Andrade, da qual foram extraídos alguns dados contidos nesta matéria:



Reader Comments (8)
...E a Quarta Cruzada acabou por ser desviada para Constantinopla, já que os bizantinos não quiseram participar da Terceira, mencionada aí no seu post. A Quarta Cruzada saqueou toda a riqueza da cidade e deixou o Império Bizantino cambaleante aé a sua queda no século XV...
Ótimas fotos, como sempre!! :))
Acabei não indo à Jodânia, como havia previsto, mas na próxima semana estarei nas Repúblicas do Báltico. Já esteve por lá?
Abraços,
FÊ COsta, obrigado pelo "complemento" ao texto das Cruzadas, pelo comentário e pelo elogio às fotos.
Não, nunca estive, mas por certo que as Repúblicas do Báltico ainda serão conhecias por mim.
Grande viagem e depois nos conte.
Um castelo medieval, mas árabe e no caminho para o deserto...muito original, sem dúvida!
E belo, mesmo em ruínas, além de oferecer essa visão fantástica do topo...mas o que o deixa mais interessante ainda (além da iluminação interna muito bem-feita) são esses estudantes jordanianos que posaram para você com tanta simpatia - e com certeza curiosidade com quem estava atrás das lentes também :-) Essas fotos têm um brilho extra!
EMÍLIA, tanto os jordanianos quanto os sírios são assim, curiosos acerca dos ocicentais que visitam seu país, simpáticos, receptivos, educados e gentis.
De certo que os países deles são fascinantes e mesmo sem aquela receptividade toda já seriam dois destinos muito recomendáveis a qualquer turista, mas aquela simpatia genuína só deixou ainda mais saudades e as melhores impressões de um povo magnífico.
É mesmo muito curioso visitar castelos europeus contruídos por europeus no Oriente Médio para protegerem-se dos povos muçulmanos quanto visitar castelos muçulmanos construídos por muçulmanos para proteção contra a invasão de europeus.
Ainda que em ruínas, o sítio todo está bem mantido e foi instalada uma iluminaçãop embutida e que valoriza muito as curvas das estruturas internas do forte.
Foi uma visita não planejada mas extremamente interessante e curiosa a caminho do detino principal: Jerash.
Mais um destino interessantissimo que tivemos o privilégio de conhecer pelas suas lentes e pelo seu texto.
Que beleza que são estas descobertas ao longo do caminho .
Concordo com a Sylvia: como as descobertas ao longo do caminho sao sempre surpreendentes e inesqueciveis, nao? E que fotos espetaculares!!!!
Obrigado, Mari!