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<!--Generated by Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/) on Mon, 21 May 2012 07:51:02 GMT--><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><title>FATOS &amp; FOTOS de viagens</title><subtitle>Fatos &amp; Fotos de viagens</subtitle><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/</id><link rel="alternate" type="application/xhtml+xml" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/"/><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/atom.xml"/><updated>2012-05-18T13:26:41Z</updated><generator uri="http://www.squarespace.com/" version="Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/)">Squarespace</generator><entry><title>Córdoba. O esplendor de al-Andalus</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/5/18/cordoba-o-esplendor-de-al-andalus.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/5/18/cordoba-o-esplendor-de-al-andalus.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-05-18T12:22:16Z</published><updated>2012-05-18T12:22:16Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20ANDALUZIA%20Crdoba%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%2001.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335898758399" alt="" /></span></span> </strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A hist&oacute;ria &eacute; cheia de exemplos</strong> de novas sociedades impondo-se sobre&nbsp;antigas, especialmente as de&nbsp;visigodos, romanos, mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os.<strong> </strong>Na <strong>Andaluzia</strong>,<strong> </strong>foram os mouros construindo mesquitas sobre funda&ccedil;&otilde;es visigodas, cat&oacute;licos aproveitando um mesquita para construir sua catedral&nbsp;para simbolizar a nova ordem, e pal&aacute;cios mouriscos das mil e uma noites que depois da Reconquista serviram&nbsp;de resid&ecirc;ncia &agrave; realeza crist&atilde;.&nbsp;Quem conquistava&nbsp;mantinha o patrim&ocirc;nio&nbsp;encontrado,&nbsp;assumia-o, num&nbsp;raro, feliz, nobre exemplo de intelig&ecirc;ncia, reconhecimento&nbsp;de que&nbsp;o tesouro&nbsp;era maior do que a pr&oacute;pria humanidade.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Numa&nbsp;viagem&nbsp;&agrave; Andaluzia</strong>, especialmente&nbsp;pelo <strong>Tri&acirc;ngulo Dourado</strong> - <strong>Granada</strong>, <strong>Sevilha</strong> e <strong>C&oacute;rdoba</strong> - o visitante permanentemente ser&aacute; surpreendirdo&nbsp;por novas e sucessivas atra&ccedil;&otilde;es: a impressionante arquitetura mourisca, as <em>tapas</em>, os vinhon, o jerez, as <em>tascas</em>, o passional e emocionante <em>flamenco</em>, as belezas naturais, as serras escarpadas, as&nbsp;magn&iacute;ficas vistas, o discreto encanto das aldeias brancas, a curiosa posi&ccedil;&atilde;o de cidades verdadeiramente encarapiadas nas rochas&nbsp;dos despenhadeiros,&nbsp;o esplendor dos pal&aacute;cios e mesquitas, a comida.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20ANDALUZIA%20Crdoba%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%2002.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335898804555" alt="" /></span></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Mas &eacute; o esplendor do magn&iacute;fico patrim&ocirc;nio</strong> deixado pelos mouros, inacreditavelmente grandioso, que faz da Andaluzia um mundo &agrave; parte - no planeta&nbsp;e na Espanha -&nbsp;quase inalterado h&aacute; s&eacute;culos. A hist&oacute;ria &eacute; cheia de exemplos de novas sociedades impondo-se sobre as antigas: visigodos, romanos, mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os. Mouros construindo mesquitas sobre funda&ccedil;&otilde;es visigodas, cat&oacute;licos aproveitando um mesquita para construir uma catedral que simbolizasse a nova ordem, pal&aacute;cios mouriscos servindo de resid&ecirc;ncia &agrave; realeza crist&atilde;, alguns dos felizes, nobres exemplos de intelig&ecirc;ncia a servi&ccedil;o da manuten&ccedil;&atilde;o de um tesouro anterior, insubstitu&iacute;vel e maior que a pr&oacute;pria humanidade. Neste cen&aacute;rio, a outrora capital do Al-Andalus, <strong>C&oacute;rdoba</strong>, foi uma das cidades mais importantes da Europa, com um milh&atilde;o de habitantes, 200.000 casas, 600 mesquitas, banhos p&uacute;blicos, escolas e bibliotecas, ruas iluminadas e campos servidos por uma rede de canais de &aacute;gua. Na cidade velha, enquanto durou o dom&iacute;nio &aacute;rabe, mu&ccedil;ulmanos, judeus e crist&atilde;os visigodos viviam em harmonia, produzindo alguns dos mais preciosos momentos da hist&oacute;ria da humanidade.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20ANDALUZIA%20Crdoba%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%2003.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335898870400" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Variado e extremamente bem conservado, o conjunto</strong> da obra &eacute; t&atilde;o espetacular, a influ&ecirc;ncia da arte mourisca t&atilde;o soberba que por vezes parece irreal. Em <strong>C&oacute;rdoba</strong> talvez tenha o maior &iacute;cone deste patrim&ocirc;nio, a <strong>Grande Mesquita</strong>. A pequena cidade &eacute; um grande destino para quem vem de Sevilha e segue um roteiro para o Sul da Espanha. Basta caminhar pela cidade velha para compreender que <strong>C&oacute;rdoba</strong> &eacute; um dos melhores lugares da regi&atilde;o para se compreender a verdadeira dimens&atilde;o do dom&iacute;nio mu&ccedil;ulmano na Espanha. E de sua ascens&atilde;o e queda. A cidade talvez seja uma das que melhor conzuda o pensamento do visitante a reflex&otilde;es rom&acirc;nticas e po&eacute;ticas t&atilde;o comuns &agrave; Andaluzia. E de quanto foi espetacular aquele per&iacute;odo de sofistica&ccedil;&atilde;o cultural. T&atilde;o grandiosa que apenas Constantinopla, Damasco e Bagd&aacute; rivalizavam com al-Andalus. &nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20Crdoba%20Andaluzia%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%2002.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335898947502" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A C&oacute;rdoba do S&eacute;culo 21 ainda</strong> &eacute; t&atilde;o brilhante quanto a do S&eacute;culo 10, quando estava sob dom&iacute;nio do Califado de Al-Hakan II, soberano de maior destaque do per&iacute;odo al-Andaluz. Por isso a cidade merece um dia bem dedicado a ela. E ainda que poucos lhe destinem uma noite, eu a recomendo vivamenge. A cidade &eacute; pequena, s&atilde;o apenas 350 mil habitantes. E do ponto-de-vista tur&iacute;stico &eacute; ainda menor. Quase todos que planejam&nbsp;uma viagem pela Andaluzia cortam&nbsp;a noite que seria dedicada a C&oacute;rdoba, uns por falta de tempo, outros por&nbsp;desconhecimento do qu&atilde;o prazerozo &eacute; passar uma noite ali, para ent&atilde;o seguir cedo na manh&atilde; seguinte seu roteiro.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O jeito, ent&atilde;o, &eacute; sair</strong> cedo de <strong>Sevilha</strong> em dire&ccedil;&atilde;o a <strong>C&oacute;rdoba</strong>, vencer os 143 quil&ocirc;metros que as separam - de carro ou de trem - e ter o m&aacute;ximo de tempo para visit&aacute;-la. Fomos de Sevilha a C&oacute;rdoba de carro. E retornamos no mesmo dia. O dia foi perfeito e nos possibilitou conhecer a pequena cidade, almo&ccedil;ar muit&iacute;ssimo bem, passear pelas ruas da juderia e retornar ao fim da tarde com a bagagem cultural ainda mais recheada. Um dia basta, mas fica o desejo de mais.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20Crdoba%20Andaluzia%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%2003.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899021968" alt="" /></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Agrave; margem do Rio Guadalquivir, um</strong> mapa, um guia tur&iacute;stico (no nosso caso o <em>Lonely Planet</em>), alguma disposi&ccedil;&atilde;o e sapatos confort&aacute;veis nos levaram direto &agrave; <strong>Puente Romano</strong>, entrada do <em>Casco Antiguo</em> - como chamam o centro hist&oacute;rico da cidade. &nbsp;Ali perto est&aacute;vamos ansiosos por visitar a <strong>Mesquita de C&oacute;rdoba</strong>, um dos mais impressionantes patrim&ocirc;nios do legado do al-Andaluz, um exemplo de arquitetura e tamb&eacute;m uma bela e inteligente demonstra&ccedil;&atilde;o de respeito e reconhecimento dos reis Fern&atilde;o e Isabel de Castela, que ao reconquistarem o Sul da Espanha aos mouros mantiveram intactos o fabuloso patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico expresso nas in&uacute;meras mesquitas, pal&aacute;cios e tudo mais.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20Crdoba%20Andaluzia%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%2004.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899116680" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Provavelmente a</strong> <strong>Mesquita de C&oacute;rdoba</strong> <strong>estar&aacute;</strong> entre as mais not&aacute;veis e inesquec&iacute;veis lembran&ccedil;as que o turista levar&aacute; de seu roteiro pela Andaluzia. E n&atilde;o &eacute; pra menos. Este grandioso templo isl&acirc;mico que hoje abriga uma catedral em parte de seu interior, mandado construir pelo emir Abderrahman I em 785, resulta num monumento arquitet&ocirc;nico de beleza inigual&aacute;vel.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/3%20Andaluzia%20-%20Mesquita%20de%20Crdoba%20interior%2001.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899212919" alt="" /></span></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong> O interior &eacute; de perder o f&ocirc;lego</strong>: uma "floresta" de colunas cor&iacute;ntias suportanto arcos em ferradura em tijolos vermelhos e brancos, m&aacute;rmores e granitos, 19 naves sustentadas pelas centenas de colunas, &nbsp;arcos de tijolos, pedras vermelhas e brancas, uma ilumina&ccedil;&atilde;o natural celestial, tudo o que em conjunto resulta num deslumbrante efeito. No centro desta "floresta" de pilares, surge - primeiro discretamente, depois com impon&ecirc;ncia -&nbsp;a magn&iacute;fica catedral g&oacute;tica&nbsp;de arcos gigantescos lan&ccedil;ando-se muito acima do telhado original&nbsp;da mesquita, projetando-se fora dela e marcando a nova ordem religiosa.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/3%20Andaluzia%20-%20Mesquita%20de%20Crdoba%20interior%2002.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899261172" alt="" /></span></span> <span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/3%20Andaluzia%20-%20Mesquita%20de%20Crdoba%20interior%2003.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899284580" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O observador atento notar&aacute; variada evolu&ccedil;&atilde;o</strong> arquitet&ocirc;nica e estil&iacute;stica.&nbsp;Notar&aacute;&nbsp;que ela vai do hispano-mu&ccedil;ulmano ao greco-romano, do renascentista&nbsp;ao barroco. A&nbsp;raz&atilde;o disso,&nbsp;os dois s&eacute;culos de acr&eacute;scimos e modifica&ccedil;&otilde;es levadas a cabo desde Abderrahman I, em 785, passando por Abderrahman II em 848 - que mandou construir um novo minarete -, por Al-Hakam II, que ampliou a mesquita em 961 e decorou&nbsp;seu espl&ecirc;ndido <em>mihrab</em>, e, finalmente, por Almanzor, que implementou nova amplia&ccedil;&atilde;o. Depois, na Reconquista, os crist&atilde;os acrescentaram-lhe uma obra-prima da arquitetura e ornamenta&ccedil;&atilde;o, a Catedral crist&atilde;, talvez&nbsp;a mais incr&iacute;vel integra&ccedil;&atilde;o entre estilos t&atilde;o diferentes em harmonia t&atilde;o exemplar.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/3%20Andaluzia%20-%20Mesquita%20de%20Crdoba%20interior%2004.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899346140" alt="" /></span></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong> Para al&eacute;m dos mosaicos bizantinos, do</strong> estuque, pinturas e desenhos &aacute;rabes, na parte central da mesquita foram constru&iacute;das a <strong>Capela Maior</strong> e a <strong>Capela Real</strong> assim que os crist&atilde;os retomaram <strong>C&oacute;rdoba</strong> aos mu&ccedil;ulmanos. A obra da <a href="javascript:MM_openBrWindow('a04-00-08.shtml','','width=300,height=265')"></a><strong>Catedral</strong> resultou num impressionante contraste de estilos, tornando a mesquita-catedral num dos mais impressionantes templos do planeta. No exterior o simp&aacute;tico <strong>P&aacute;tio de Los Naranjos</strong> &eacute; um lugar tranquilo onde outrora faziam-se as ablu&ccedil;&otilde;es, hoje de onde&nbsp;melhor se podem notar os contrastes entre as diferentes arquiteturas, e onde claustros e laranjeiras misturam-se a temas mu&ccedil;ulmanos.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/3%20Andaluzia%20-%20Mesquita%20de%20Crdoba%20interior%2005.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899427002" alt="" /></span></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>_________________________&nbsp;</p>
<p><strong>Juderia</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>C&oacute;rdoba tem um antigo bairro judeu</strong> que consiste numa rede de ruas estreitas extremamente atmosf&eacute;ricas, bem menos movimentadas&nbsp;que seu similar&nbsp;de Sevilha e com bem menos lojas comerciais. Os judeus estabeleceram-se em C&oacute;rdoba muito antes do dom&iacute;nio &aacute;rabe, mas foi neste per&iacute;odo, ap&oacute;s o s&eacute;culo VIII, que a cultura judaica floresceu. Ali destacou-se <em>Hasfai Ibn Shaprut</em>, um m&eacute;dico judeu, diplomata e acad&ecirc;mico, que respeitando as regras dos mouros conseguiu desenvolver-se e acumulou poder e riqueza, atraindo uma vibrante comunidade judaica para C&oacute;rdoba.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/4%20Crdoba%20ANDALUZIA%20Juderia%2001.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899509644" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Maim&ocirc;nides tamb&eacute;m se destacou </strong>em<strong> C&oacute;rdoba </strong>na <strong>Juderia</strong> como&nbsp;um dos mais famosos fil&oacute;sofos judaicos. Foi o&nbsp;autor da <em>Mishneh Torah</em>, nascido em C&oacute;rdoba em 1125. Sua est&aacute;tua fica na <strong>Pra&ccedil;a de Tiberiadus</strong>, na Juderia. A est&aacute;tua deste rabino representa toda a cultura e sabedoria judaicas. O port&atilde;o de entrada, <strong>La Puerta de Almodavar</strong>, tem tamb&eacute;m uma est&aacute;tua de Seneca, mas a principal atra&ccedil;&atilde;o da Juderia &eacute; antiga <strong>Sinagoga de C&oacute;rdoba</strong>, na <strong>Calle de los Judios</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/4%20Crdoba%20ANDALUZIA%20Juderia%2004.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899557767" alt="" /></span></span></p>
<p><strong><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se puder, visite o</span></strong><span style="color: black;"> <strong>Museu Municipal Taurino</strong>, na <strong>Pra&ccedil;a Maimonides</strong>, no cora&ccedil;&atilde;o da <strong>Juderia</strong>, onde tamb&eacute;m est&aacute; o hotel <em>NH Amistad</em>, talvez a melhor op&ccedil;&atilde;o de hospedagem da cidade, seja por estar dentro da juderia, seja pelo clima delicioso de hospedar-se num pr&eacute;dio hist&oacute;rico que abriga um hotel moderno e confort&aacute;vel. </span></p>
<p><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O bairro caracteriza-se tamb&eacute;m</strong> pelos p&aacute;tios das casas. Atr&aacute;s do museu h&aacute; uma pra&ccedil;a onde antigamente ficava o <em>souk</em> mu&ccedil;ulmano, ou <strong>Zoco</strong>, um lugar agrad&aacute;vel que merece uma caminhada e uma olhada nas lojinhas onde ficam artes&atilde;os de cer&acirc;mica, couro, madeira e filigranas em ouro e prata.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/4%20Crdoba%20ANDALUZIA%20Juderia%2005.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899624428" alt="" /></span></span>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/4%20Crdoba%20ANDALUZIA%20Juderia%2006.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899645593" alt="" /></span></span> </span></p>
<p><span style="color: black;">&nbsp;</span><strong><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para comer h&aacute; &oacute;timas op&ccedil;&otilde;es.</span></strong><span style="color: black;"> </span><span style="color: black;">Seguindo as certeiras recomenda&ccedil;&otilde;es do <em>Lonely Planet</em>, almo&ccedil;amos no <strong>El Churasco</strong>, cuja especialidade da casa &eacute; a <em>parrillada mista</em>, mas foi um irrepreens&iacute;vel <strong>rabo de toro</strong> o que comi, ao sabor de uma ta&ccedil;a de um delicioso vinho de Rioja.</span></p>
<p><span style="color: black;">_________________________________________</span><span style="color: black;">&nbsp;</span></p>
<p>&nbsp;<strong>Alcaz&aacute;r de los Reyes cristianos</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Ao sul da mesquita, na margem</strong> do rio, o <strong>Alc&aacute;zar de los Reyes Cristianos</strong> era o pal&aacute;cio dos monarcas crist&atilde;os, uma fortaleza medieval, com torres e muralha, jardins e fontes de &aacute;gua. O Alc&aacute;zar foi constru&iacute;do por Alfonso XI em 1328. Fernando e Isabel ocuparam-no durante oito anos no s&eacute;culo 15, preparando-se para a reconquista de Granada, &uacute;ltimo reduto dos mouros na Espanha. Foi aqui que a Rainha Isabel ouviu Crist&oacute;&atilde;o Colombo falar sobre sua viagem para as Am&eacute;ricas.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/4%20Crdoba%20ANDALUZIA%20Juderia%2010.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899967693" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Alc&aacute;zar tem forma quadrangular not&aacute;vel</strong>, pared&otilde;es poderosos e tr&ecirc;s torres com nomes de Torre de le&otilde;es, Torre da Fidelidade e Torre do Rio. Na Torre dos le&otilde;es os tetos s&atilde;o primorosamente decorados com alguns dos mais not&aacute;veis exemplos de arquitetura g&oacute;tica da Andaluzia. O castelo tamb&eacute;m &eacute; ornamentado com mosaicos romanos, tem arc&oacute;fagos dos s&eacute;culos II e III, salas de banhos mouros.&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/3%20Andaluzia%20-%20Mesquita%20de%20Crdoba%20interior%2010.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335899772011" alt="" /></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>_____________________________</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A seguir:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Sevilha, a Musa da Andaluzia</strong></p>]]></content></entry><entry><title>Andaluzia - Espanha moura, branca, romântica e épica</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/4/28/andaluzia-espanha-moura-branca-romantica-e-epica.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/4/28/andaluzia-espanha-moura-branca-romantica-e-epica.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-04-29T02:01:41Z</published><updated>2012-04-29T02:01:41Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p><strong><span class="full-image-block ssNonEditable" style="text-align: center;"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Arcos%20de%20la%20Frontera%209%20Maro%202011%201.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334512122850" alt="" /></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 90%;"><em>Paisagem da janela - Parador de Arcos de la Frontera</em> </span></strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ENTRE olivais e estradas sinuosas, despenhadeiros </strong><em>e serras escarpadas, seguimos&nbsp;os&nbsp;caminhos de&nbsp;almor&aacute;vides e almoadas, os povos&nbsp;&aacute;rabes, s&iacute;rios, b&eacute;rbereres e&nbsp;eg&iacute;pcios que dominaram o Sul da Espanha durante o&nbsp;imp&eacute;rio&nbsp;</em><strong>al-Andalus</strong>.<strong>&nbsp;</strong><em>Tamb&eacute;m nos innspiramos na&nbsp;h&aacute;bil narrativa de&nbsp;</em><strong>Washington Irving</strong><em>,&nbsp;o norte-americano que esteve na Espanha em 1829 e&nbsp;empreendeu uma excurs&atilde;o a p&eacute; de <strong>Sevilha</strong> a <strong>Granada</strong>. Marcado&nbsp;profundamente pelas&nbsp;paisagens e pela cultura andaluzas,&nbsp;o&nbsp;encantamento&nbsp;est&aacute;&nbsp;nos "</em>Contos da Alhambra<em>", escrito enquanto viveu&nbsp;nas depend&ecirc;ncias da Alhambra, em <strong>Granada</strong>.</em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>Ali, no Sul da Espanha,</strong>&nbsp;<strong>os</strong> "viajeros&nbsp;romanticos<em>"</em> do S&eacute;culo XIX<em>,&nbsp;tamb&eacute;m fascinados pela civiliza&ccedil;&atilde;o hispano-mu&ccedil;ulmana,&nbsp;encantavam-se com as paisagens enquanto percorriam&nbsp;as estradas&nbsp;que cortam os vales do&nbsp;Guadalquivir,&nbsp;sobem as serras de</em> <strong>Grazalema</strong>, <em>de&nbsp;</em><strong>Serrania de Ronda</strong> <em>e</em> <em>de</em> <strong>Los Alcornocales</strong>,&nbsp;<em>levam</em> <em>a&nbsp;<strong>Sevilha,</strong> <strong>C&oacute;rdoba,</strong> <strong>Granada, Ronda, Arcos</strong> e <strong>Jerez de la Frontera</strong>,<strong>&nbsp;</strong>assim como&nbsp;aos&nbsp;vilarejos da </em><strong>Ruta de los Pueblos Blancos</strong><em>. </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Blog%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_3804.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1335664696313" alt="" /></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;<span style="font-size: 90%;"><strong>A quietude das ruas estreitas&nbsp;de&nbsp;casas brancas&nbsp;com floreiras nas janelas</strong></span></em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>Agora n&oacute;s,&nbsp;rom&acirc;nticos do S&eacute;culo XXI</strong><em>,&nbsp;viajamos n&atilde;o apenas atrav&eacute;s do tempo e do espa&ccedil;o, mas da cultura e da natureza,&nbsp;presenciando&nbsp;uma Espanha&nbsp;sedutora e emblem&aacute;tica,&nbsp;visitando&nbsp;mesquitas e&nbsp;igrejas monumentais,&nbsp;pal&aacute;cios incr&iacute;veis,&nbsp;experimentando a quietude das ruas estreitas&nbsp;e de&nbsp;casas brancas&nbsp;com floreiras nas janelas. Entre uma e outra cidade vimos&nbsp;paisagens verdes&nbsp;e cinzas, de florestas e&nbsp;despenhadeiros rochosos.</em>&nbsp;</p>
<p><em></em><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011%201_MG_9427ab.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334512732203" alt="" /></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp; <strong><span style="font-size: 90%;"><em>O Bairro Albaicin, no topo da colina, visto da Alhambra</em></span></strong></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O nome <em>Washington Irving</em> situa-se na hist&oacute;ria</strong><em> americana como um dos primeiros grandes escritores a conseguir reconhecimento fora de seu pa&iacute;s. Embora conhecido por suas muitas hist&oacute;rias e contos baseados na cultura americana </em>-<em> como </em>Rip Van Winkle<em> e </em>Legend of Sleepy Hollow -<em> </em>Irving<em> foi um dos primeiros americanos a escrever sobre destinos tur&iacute;sticos, a viajar e encantar-se com o esplendor de uma Espanha extremamente rica, cultural e etnicamente: a <strong>Andaluzia</strong>. </em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em><strong> Fascinado com a heran&ccedil;a cultural, com </strong><em>o legado da civiliza&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana,</em> Irving<em> mergulhou na hist&oacute;ria e escreveu suas reflex&otilde;es enquanto viajava. Usou um estilo de narrativas curtas, baseadas na experi&ecirc;ncias pessoais, nos resultados de suas pesquisas em bibliotecas da Andaluzia, na leitura de contos populares espanh&oacute;is, especialmente os andaluzes. Seu trabalho resultou numa mistura de passado e presente, fic&ccedil;&atilde;o e realidade, e definiu com precis&atilde;o a ess&ecirc;ncia do car&aacute;ter andaluz:&nbsp;metade espanhol, metade mu&ccedil;ulmano.</em></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011_MG_9476.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334512812890" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><strong><span style="font-size: 90%;"><em>A Alhambra, Granada</em></span></strong></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desde</strong><em> <strong>Irving</strong> </em><strong>a rota</strong> <strong>tornou-se</strong> <strong>um</strong><em> patrim&ocirc;nio cultural nacional e ainda hoje encanta viajantes, artistas, escritores, poetas, fot&oacute;grafos, jornalistas, entusiastas, turistas e curiosos. O roteiro, que abrange as rotas do <strong>Legado al-Andalus</strong> passa por grandes cidades e pequenos vilarejos das prov&iacute;ncias de M&aacute;laga e C&aacute;diz, exp&otilde;e a ass&ecirc;ncia daquilo que denominou-se o<strong> S&eacute;culo de Ouro</strong> da Espanha, como se conhece&nbsp;o per&iacute;odo entre o Renascimento&nbsp;e o&nbsp;Barroco.</em> <strong>&nbsp;</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA_MG_7719.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334531494210" alt="" /></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><strong><span style="font-size: 90%;"><em>Estradas escarpadas, sinuosas, paisagens deslumbrantes</em></span></strong></strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas</strong><em> </em><strong>os campos ocres da Andaluzia </strong><em>e seus castelos de pedra n&atilde;o nos trazem &agrave; lembran&ccedil;a apenas os contos rom&acirc;nticos das Mil e Uma Noites. Tamb&eacute;m Dom Quixote, o esqu&aacute;lido Rocinante e o gorducho Sancho Pan&ccedil;a surgem no imagin&aacute;rio. Por vezes, parecem estar nos esperando numa curva de estrada sobre uma colina pitoresca. Felizmente o viajante que &ldquo;aventurar-se&rdquo; por essas paragens n&atilde;o mais encontrar&aacute; os </em>bandoleros<em>, assaltantes que eram o terror dos antigos viajantes que atravessavam as campinas e as </em>serranias<em> daquelas paragens.</em></p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20estradas%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%201.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334531723697" alt="" /></span>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20estradas%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%202.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334531750033" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<strong><span style="font-size: 90%;"><em>Pelas estradas dos Pueblos Blancos</em></span></strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Sol, ainda n&atilde;o &eacute; forte</strong> <em>no fim do Inverno. Aqui as &aacute;guas de Mar&ccedil;o fecham o Inverno, ainda caem e podem acompanhar o viajante por um bom tempo, como&nbsp;nos aconteceu. Todavia, aproveitamos as luzes t&ecirc;nues que j&aacute; tingem de laranja o amanhecer e o anoitecer, pintam as paisagens e constru&ccedil;&otilde;es, atraem a aten&ccedil;&atilde;o do olhar. Entranhados pela a atmosfera andaluza, &agrave;quela sua dimens&atilde;o t&atilde;o tuniversal, mostrarei aqui no <strong>Fatos &amp; Fotos de Viagens</strong> o conjunto t&atilde;o fabuloso de atra&ccedil;&otilde;es, tentando transmitir sua ess&ecirc;ncia, motivar viajantes a conhecerem a regi&atilde;o. </em></p>
<p><em>&nbsp;</em><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA_MG_7784.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334512630422" alt="" /></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ______________________________________________________________________________</em></p>
<p><strong>A Andaluzia dos <em>Pueblos Blancos</em>, o </strong><strong>legado <em>al-Andalus</em></strong> <strong>e o <em>Tri&acirc;ngulo Dourado</em></strong><strong>&nbsp;</strong></p>
<p><span style="color: #666666;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><strong>Por</strong><em> </em><strong>estradas boas e dist&acirc;ncias</strong> <strong>curtas</strong>, grandes rodovias<strong> </strong>e pequenas estradas c&ecirc;nicas, cruzamos cidades e vilarejos, campos dourados, ovelhas, bosques, olivais, carvalhos centen&aacute;rios, paisagens verdejantes e rochosas, vales f&eacute;rteis e riachos lentos. Vimos castelos e pal&aacute;cios, touros e mouros, vinhos e cavalos, antigos moinhos e modernos geradores de energia e&oacute;lica.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Andaluzia%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_5189.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532263605" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Sentimos o sabor da deliciosa comida</strong> - do <em>Rabo de Toro</em> ao <em>Gaspacho Andaluz</em> -, ouvimos o som da paix&atilde;o flamenca entre leques e castanholas, enfim, vivemos o que foi poss&iacute;vel e intensamente nesta curta viagem pelo interla Andaluzia momentos que nos levaram a paisagens magn&iacute;ficas, a cidades e aldeias encantadoras, a presenciar a vida rural e montanhosa.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Andaluzia_MG_7459.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532414440" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Passamos por</strong> <strong>Bornos, Algodonales, Espera, Benaocaz, Villaluenga del Rosario, Olvera, Antequera, Arriate, Setenil, Ronda, Benao-j&aacute;n, Ubrique, Grazalema, Benamahoma, El Bosque, Prado D&rsquo;El Rei</strong>, <strong>Grazalema</strong> e <strong>Setenil</strong>, algumas das cidades desta regi&atilde;o, de onde chegam as imagens mais conhecidas da Espanha, sen&atilde;o as mais emblem&aacute;ticas: <em>flamenco</em>, <em>toros</em>, olivais, castelos, <em>corridas</em>, festas, prociss&otilde;es e a impon&ecirc;ncia monumental de <strong>Sevilha</strong>, de <strong>Granada</strong> e de <strong>C&oacute;rdoba</strong>. Mas tamb&eacute;m nos encantamos com a singeleza das vilas de casas brancas, com tudo o que molda o car&aacute;ter mais peculiar ao pa&iacute;s.&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O legado dos mouros </strong>-<strong> expresso na</strong> riqueza art&iacute;stica, cultural e arquitet&ocirc;nica - coloca a Andaluzia no imagin&aacute;rio coletivo do resto do mundo como um lugar m&aacute;gico e m&iacute;tico. Viajar pela regi&atilde;o equivale a mergulhar nessa sucess&atilde;o de hist&oacute;rias, de fantasias, de contos de fadas, a ver imagens que por vezes encobrem uma identidade mais complexa, escondida em camadas mais profundas, ou seja, as ra&iacute;zes forjadas pela civiliza&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana, uma das mais avan&ccedil;adas da antiguidade, e sua profunda influ&ecirc;ncia na regi&atilde;o. O legado cultural &eacute; t&atilde;o dram&aacute;tico quanto &eacute; encantador.</p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Granada%20Maro%202011%201_MG_0091.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532498258" alt="" /></span>&nbsp;&nbsp; </em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A </strong><strong>fabulosa infraestrutura tur&iacute;stica</strong> <strong>da Andaluzia</strong> proporciona uma confort&aacute;vel, sedutora possibilidade de viagem, de conhecimento de ra&iacute;zes bem preservadas, de tesouros impec&aacute;veis, de impressionante patrim&ocirc;nio, de inigual&aacute;vel riqueza arquitet&ocirc;nica, de tudo o mais que se extende para al&eacute;m da <strong>Alhambra </strong>e do <strong>Generalife</strong>, da <strong>Mesquita de C&oacute;rdoba</strong>, do <strong>Alcazar </strong>e da <strong>Giralda </strong>de<strong> Sevilha</strong>. &Eacute; dif&iacute;cil recordar de outro lugar com igual conjunto de obras t&atilde;o numerosas e monumentais, revestidas de tamanha personalidade e romantismo ressaltadas por tantos escritores, poetas e compositores do s&eacute;culo 19.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011_MG_9541.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532626804" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Nascidas da imagina&ccedil;&atilde;o de seus autores</strong>, os personagens rom&acirc;nticos e passionais que forjaram esse car&aacute;ter num cen&aacute;rio t&atilde;o glorioso e &eacute;pico &ldquo;vivem&rdquo; at&eacute; hoje: a oper&aacute;ria espanhola Carmen, da &oacute;pera &ldquo;Carmen&rdquo; - do compositor<em> Georges Bizet</em> -<em>, </em>o barbeiro &ldquo;F&iacute;garo&rdquo; - de<em> Rossini </em>- e sobretudo<em> &ldquo;</em>Don Giovanni<em>&rdquo; </em>-<em> </em>de<em> Mozart</em>. &nbsp;Assim a Espanha sempre surpreende o visitante, por seu conjunto de paisagens e monumentos impecavelmente, tamb&eacute;m atrai por sua irrepreens&iacute;vel infra-estrutura tur&iacute;stica: com alguns dos hot&eacute;is mais rom&acirc;nticos de todo o pa&iacute;s: o<em> </em><strong><a href="http://www.starwoodhotels.com/preferredguest/property/overview/index.html?propertyID=88"><span style="color: windowtext;">Alfonso XIII</span></a></strong>, em Sevilha, o <strong><a href="http://www.paradores.es/en/cargarFichaParador.do?parador=008"><span style="color: windowtext;">Parador de Arcos de la Frontera</span></a></strong>, o <strong><a href="http://www.paradores.es/en/cargarFichaParador.do?parador=105"><span style="color: windowtext;">Parador de Ronda</span></a></strong> e o<em> </em><strong><a href="http://www.paradores.es/en/cargarFichaParador.do?parador=039"><span style="color: windowtext;">Parador de Granada</span></a></strong>, este &uacute;ltimo situado dentro do complexo da <strong>Alhambra</strong> e do <strong>Generalife</strong>.<strong> </strong><em>&nbsp;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011_MG_9729.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532546167" alt="" /></span> </em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O</strong> <strong>ano 711 foi a chave da hist&oacute;ria</strong> antiga da Andaluzia, quando ocorreu a entrada do primeiro contingente &aacute;rabe na regi&atilde;o, facilitada pelos 14 km que separam o Norte da &Aacute;frica da Espanha, ponto inicial para oito de s&eacute;culos de ocupa&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana e difus&atilde;o do islamismo. Ali o per&iacute;odo do Califado de C&oacute;rdoba foi o mais florescente, o que tornou a regi&atilde;o o centro do Isl&atilde; no Ocidente. Todavia, sua desintegra&ccedil;&atilde;o foi a oportunidade para que os reis crist&atilde;os do norte - ap&oacute;s a unifica&ccedil;&atilde;o de Castela e Le&atilde;o liderada por Fernando III - dessem curso &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o crist&atilde; da Andaluzia.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Maro%202011%20Granada%20Bairro%20Albaicn_MG_2085.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532692597" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Os monarcas cat&oacute;licos encerraram aquele ciclo</strong> isl&acirc;mico colocando no passado o espl&ecirc;ndido per&iacute;odo de <strong><em>Al-Andalus</em></strong> com a queda de Granada em 1492. Todavia, s&aacute;biamente, cat&oacute;licos reconquistadores souberam manter o rico patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico isl&acirc;mico e assumir naturalmente sua cultura, talvez a mais exemplar demonstra&ccedil;&atilde;o de uma intelig&ecirc;ncia t&atilde;o incomum na era das invas&otilde;es t&atilde;o destruidoras.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011%201_MG_8468a.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334532826537" alt="" /></span></p>
<p><strong>_________________________________</strong></p>
<p><strong>A Rota dos Pueblos Blancos</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong><strong>Um</strong><strong> dos roteiros mais bonitos da Andaluzia </strong>&eacute; o que<strong> </strong>abrange as grandes cidades e as pequenas aldeias das prov&iacute;ncias de <strong>M&aacute;laga</strong> e <strong>C&aacute;diz</strong>, com &ecirc;nfase especial nas&nbsp; paisagens, natureza e tranquilidade da vida rural. As aldeias caiadas de branco resplandecem com a luz do sol da Andaluzia, e ainda que esta seja sua caracter&iacute;stica mais aparente, o patrim&ocirc;nio &eacute; o mais not&aacute;vel. &nbsp;As montanhas que se estendem ao norte de Gibraltar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Andaluzia e ao Mediterr&acirc;neo destacam-se no cen&aacute;rio do roteiro, especialmente na regi&atilde;o entre <strong>Arcos de la Frontera</strong> e <strong>Ronda</strong>, nas<strong> serras de</strong> <strong>Grazalema</strong>, <strong>Serrania de Ronda</strong> e <strong>Los Alcornocales</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Andaluzia%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_7447.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533029608" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;A melhor maneira de fazer a</strong> rota dos <strong>Pueblos Blancos</strong> &eacute; conduzindo um carro e passando por algumas das estradas que t&ecirc;m algumas das paisagens c&ecirc;nicas mais empolgantes da Espanha. Quase todo viajante gosta de independ&ecirc;ncia em viagens e de intercalar o &oacute;bvio com o incomum, sair um pouco dos roteiros convencionais, de ter flexibilidade, algo poss&iacute;vel alugando um carro. A viagem pelos <strong>Pueblos Blancos da Andaluzia</strong> &eacute; um mergulho de profundidade na hist&oacute;ria e na cultura, e a passagem por incr&iacute;veis paisagens rurais, onde destacam cidades-monumentos como <strong>Arcos de la Frontera</strong> e <strong>Ronda</strong>, encarapitadas nas encostas, com ruas estreitas e rom&acirc;nticas.&nbsp; Arcos &eacute; a mais acess&iacute;vel delas a partir de Sevilha, fica a 90 minutos de carro. <strong>Ronda</strong> &eacute; uma das maiores cidades do circuito, tamb&eacute;m uma das mais espectaculares.</p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Sevilha%20Dom%2006%20Mar%202011%20Catedral%20la%20Giralda%2001.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533129085" alt="" /></span> </em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nosso</strong> <strong>roteiro pela Andaluzia </strong>come&ccedil;ou em <strong>Sevilha</strong>, onde ficamos tr&ecirc;s dias revendo uma das cidades mais encantadoras do mundo, que tamb&eacute;m nos serviu de base para uma viagem de um dia a <strong>C&oacute;rdoba</strong>. &nbsp;O roteiro de <strong>Jerez de la Frontera</strong> a <strong>Ronda</strong> contemplou uma noite em <strong>Arcos de la Frontera</strong> - marcando o in&iacute;cio da jornada pelos <strong><em>Pueblos Blancos</em></strong> - e outra em <strong>Ronda</strong>, ao final do intiner&aacute;rio. &nbsp;De <strong>Ronda</strong> fomos a <strong>Granada</strong>, onde ficamos tr&ecirc;s dias, encerrando ali nossa viagem &agrave; Andaluzia. &nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011_MG_9394.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533224503" alt="" /></span></p>
<p><strong>_________________________________________________________________</strong></p>
<p><strong>As dist&acirc;ncias de nosso roteiro entre as cidades</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As pequenas cidades s&atilde;o bastante pr&oacute;ximas</strong> entre si, conforme indica o quadro de dist&acirc;ncias abaixo. De <strong>Sevilha</strong>, em dire&ccedil;&atilde;o ao roteiro dos <strong>Pueblos Blancos</strong>, pela estrada A-4 (que em certo ponto passa a ser N-IV), continuamos at&eacute; o desvio para a rodovia C-343. Nossa primeira escala foi em <strong>Arcos de la Frontera</strong>, &oacute;tima cidade onde h&aacute; o<strong> Parador de Arcos de la Frontera</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Granada%20Maro%202011%201_MG_0899b.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533336184" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Ap&oacute;s esta seguimos em dire&ccedil;&atilde;o</strong> a <strong>Ronda</strong>, um percurso de num dia que passou por pequenos vilarejos. Em<strong> Ronda</strong>, h&aacute; in&uacute;meras op&ccedil;&otilde;es de hospedagem, a mais not&aacute;vel delas no <strong>Parador</strong> <strong>de Ronda</strong>. Se tiv&eacute;ssemos mais tempo far&iacute;amos um roteiro cde 3 dias, parando e dormindo em pequenos hot&eacute;is em algumas cidades do caminho, tamb&eacute;m com &oacute;timas op&ccedil;&otilde;es para comer:</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20GRANADA%20Maro%202011_MG_9580.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533396243" alt="" /></span>&nbsp; </em></strong></p>
<p><strong>1) Jerez </strong><strong>de</strong><strong> la Frontera a Medina Sidonia: </strong><span class="datocabejecutivo">36,9 Km; </span><strong>2) Medina Sidonia </strong><strong>a</strong><strong> </strong><span class="bold8"><strong>Arcos de la Frontera: </strong></span><span class="datocabejecutivo">37,9 Km; </span><span class="bold8"><strong>3) Arcos de la Frontera </strong></span><span class="bold8">a<strong> Espera: </strong></span><span class="datocabejecutivo">15,8 Km; </span><span class="bold8"><strong>4) Espera (</strong></span><span class="bold8">via <strong>Villa Mart&iacute;n) a El Bosque: </strong></span><span class="datocabejecutivo">38,5 Km; </span><span class="bold8"><strong>5) El Bosque </strong></span><span class="bold8">a<strong> Algodonales: </strong></span><span class="datocabejecutivo">30,1 Km; </span><span class="bold8"><strong>6) Algodonales </strong></span><span class="bold8">(via<strong>&nbsp; Benaocaz, Villaluenga del Rosario, Olvera</strong> e <strong>Arriate</strong>) a<strong> Setenil de las Bodegas: </strong></span><span class="datocabejecutivo">24,7 Km </span><span class="bold8"><strong>7) Setenil de las Bodegas </strong></span><span class="bold8">a<strong> Ronda (noite): </strong></span><span class="datocabejecutivo">22,6 Km.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="datocabejecutivo"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Sevilha%20Dom%2006%20Mar%202011%20Rio%20Guadalquivir%20e%20Torre%20del%20Oro%2004.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533465834" alt="" /></span>&nbsp;&nbsp; </span></p>
<p><span class="datocabejecutivo"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste roteiro, voamos do Rio</strong></span><span class="datocabejecutivo"> a <strong>Sevilha</strong> pela IBERIA (via Madri), ficamos 4 noites em <strong>Sevilha</strong>, 1 noite em <strong>Arcos de la Frontera</strong> (a 85 Km de Sevilha), 1 noite em <strong>Ronda</strong> (a 65 Km de Arcos) 3 noites em <strong>Granada</strong> (a 175 Km de Ronda).</span></p>
<p><strong>____________________________________________________________________</strong></p>
<p><strong>Breve nota sobre a arte e arquitetura mu&ccedil;ulmanas na Andaluzia</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A arte mu&ccedil;ulmana andaluza</strong> foi em parte influenciada por elementos gregos, romanos e crist&atilde;os. Uma nova express&atilde;o art&iacute;stica, foi especialmente percept&iacute;vel na decora&ccedil;&atilde;o de interiores e de monumentos. Como em toda arte decorativa isl&acirc;mica, h&aacute; quatro elementos b&aacute;sicos: caligrafia e padr&otilde;es de vegetais, geom&eacute;tricos e figurativos. Conceitualmente &eacute; uma decora&ccedil;&atilde;o profusa, caracterizada pelo <em>horror vacui</em> - o medo do espa&ccedil;o vazio &nbsp;A geometria &eacute; muito importante no Isl&atilde;, pois atrav&eacute;s dela &eacute; que determina-se a indivisibilidade de Deus. Nela, a forma perfeita &eacute; um c&iacute;rculo. Norma utilizada para criar outras raz&otilde;es. O projeto decorativo &eacute; simples: a aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da simetria repetidamente, multiplicando ou dividindo. &Eacute; uma arte mais intelectual, matem&aacute;tica, do que emocional, usando tran&ccedil;adaos, sinuosidades, zigue-zagues, xadrez, la&ccedil;os e estrelas.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/FATOS%20e%20FOTOS%20de%20Viagens%20ANDALUZIA%20Granada%20017.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533629726" alt="" /></span>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Os motivos decorativos s&atilde;o obtidos atrav&eacute;s</strong> da repeti&ccedil;&atilde;o simples de linhas bloqueadas ou de elementos sobrepostos,&nbsp; simetria que d&aacute; aos desenhos um efeito din&acirc;mico e harmonioso.&nbsp; O detalhe n&atilde;o prevalece sobre o conjunto.&nbsp; N&atilde;o h&aacute; tens&atilde;o entre os motivos, tudo &eacute; um equil&iacute;brio s&oacute;.&nbsp; A repeti&ccedil;&atilde;o infinita dos temas &eacute; uma met&aacute;fora da eternidade que preenche tudo e uma forma de capturar a mutabilidade do universo. <strong>Fonte: Elena Sarnago Notivolo</strong>, <em>A Decora&ccedil;&atilde;o na Arte Isl&acirc;mica</em>: clio.rediris.es.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/ANDALUZIA%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Maro%202011%201Granada%2003.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533703065" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contrariamente &agrave; cren&ccedil;a popular, o Isl&atilde;</strong> n&atilde;o pro&iacute;be a representa&ccedil;&atilde;o de figuras humanas e animais, exceto em locais sagrados, como nas mesquitas.&nbsp; Por exemplo, os grandes pal&aacute;cios s&atilde;o cobertos por v&aacute;rias cenas de ca&ccedil;a em mosaicos e afrescos, os banheiros possuem cenas er&oacute;ticas e h&aacute; diversas outras cenas simb&oacute;licas.</p>
<p><strong>Fonte: </strong>Arte &Aacute;rabe: <a href="http://www.artehistoria.com/">www.artehistoria.com</a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/FATOS%20e%20FOTOS%20de%20Viagens%20Mesquita%20de%20Crdoba%20Segunda-feira%207%20Mar%202011%2008.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1334533843212" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>_____________________________</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A seguir:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>C&oacute;rdoba e o esplend&ocirc;r de Al-andalus</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>____________________________________</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOTAS</strong></p>
<p><strong>&nbsp;</strong><strong>(*1)</strong><strong>&nbsp; </strong><span style="font-size: 90%;">A respeito da cultura mu&ccedil;ulmana hispano-ar&aacute;bica, o autor escreveu "Cr&ocirc;nica de la Conquista de Granada" (1829) e a vers&atilde;o "Hist&oacute;ria de la Conquista de Granada" (Barcelona, Subirana,1861). Mas a obra mais conhecida desse tema certamente &eacute; "The Alhambra: a series of tales and sketches of the Moors and Spaniards", cuja primeira edi&ccedil;&atilde;o o autor dedicou ao pintor ingl&ecirc;s David Wilkie, seu amigo e companheiro de uma viagem &agrave;s antigas cidades espanholas, em particular as cidades de Sevilha e Toledo,&nbsp; estimulado pelo amigo a escrever algo que pudesse ilustrar as rel&iacute;quias dos tempos &aacute;rabes que os faziam recordarem-se dos&nbsp; contos das "Mil e uma Noites".&nbsp; Em "Cuentos de la Alhambra" revela-se todo o interesse do autor nos temas isl&acirc;micos e na cultura &aacute;rabe-espanhola, em especial a que se relaciona com o Pal&aacute;cio da Alhambra, antiga moradia da disnastia nazar&iacute; e um dos monumentos da arquitetura &aacute;rabe-hisp&acirc;nica mais bem conservadas de toda a Andaluzia. Atrav&eacute;s de sua profunda observa&ccedil;&atilde;o e h&aacute;bil narrativa, o autor transp&otilde;e para o texto liter&aacute;rio as informa&ccedil;&otilde;es coletadas de suas investiga&ccedil;&otilde;es em arquivos hist&oacute;ricos e junto &agrave; outros escritores e cronistas da &eacute;poca, sobretudo as lendas coletadas junto aos moradores com os quais conviveu no per&iacute;odo em que habitou o pal&aacute;cio.</span></p>
<p><span style="font-size: 90%;">&nbsp;</span><strong>(*2)</strong><strong>&nbsp; </strong><span style="font-size: 90%;">A <strong>Reconquista</strong> - ou <strong>Conquista crist&atilde;</strong> - foi o movimento cat&oacute;lico ocorrido in&iacute;cio no s&eacute;culo VIII que visava retomar dos visigodos crist&atilde;os das terras perdidas para os &aacute;rabes durante a invas&atilde;o da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Os mu&ccedil;ulmanos n&atilde;o conseguiram ocupar a regi&atilde;o montanhosa das Ast&uacute;rias, onde resistiram muitos refugiados; a&iacute; surgiria Pel&aacute;gio (ou Pelaio) que se p&ocirc;s &agrave; frente dos refugiados, iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o territ&oacute;rio perdido. A guerra tinha um objetivo: reapoderarem-se das terras e de tudo o que nelas existia. A ocupa&ccedil;&atilde;o das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: <em>cum cornu et albende de rege</em>, isto &eacute;, com o toque das trombetas e a bandeira desfraldada. A ideia de &laquo;cruzada&raquo; s&oacute; veio a surgir na &eacute;poca das Cruzadas (1096). A reconquista de todo o territ&oacute;rio peninsular ocorreu por cerca de oito s&eacute;culos, s&oacute; conclu&iacute;da em 1492 com a reconquista do reino mu&ccedil;ulmano de Granada pelos Reis Cat&oacute;licos Fern&atilde;o e Isabel de Castela.</span></p>
<p class="Blockquote">&nbsp;<strong>(*3) <span style="font-size: 90%;">Emirado e Califado de C&oacute;rdoba</span></strong><span style="font-size: 90%;">: Abd el-Rahman III foi o l&iacute;der s&iacute;rio que estabeleceu o Califado de al-Andalus. <strong>Al-Andalus</strong> (em &aacute;rabe: </span><strong>الأندلس</strong>) <span style="font-size: 90%;">foi o nome dado &agrave; pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica pelos seus conquistadores isl&acirc;micos do s&eacute;culo VIII, tendo o nome sido utilizado para se referir &agrave; pen&iacute;nsula independentemente do territ&oacute;rio politicamente controlado pelas for&ccedil;as isl&acirc;micas. De in&iacute;cio integrado na prov&iacute;ncia norte-africana do imp&eacute;rio om&iacute;ada, o Al-Andalus seria um emirado (756&ndash;929) e posteriormente um califado independente do poder ab&aacute;ssida (929&ndash;1031). Com a dissolu&ccedil;&atilde;o do califado em 1031, o territ&oacute;rio pulverizou-se em v&aacute;rios reinos Taifa. Com a reconquista dos territ&oacute;rios pelos crist&atilde;os, descendentes dos godos, que se refugiaram na regi&atilde;o das Ast&uacute;rias, no norte da pen&iacute;nsula, num processo que ficou designado historicamente por &ldquo;Reconquista&rdquo;, o nome <em>Al-Andalus</em> foi-se adequando ao cada vez menor territ&oacute;rio sob ocupa&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe-mu&ccedil;ulmana, na metade sul da pen&iacute;nsula, aproximadamente a mesma &aacute;rea da antiga prov&iacute;ncia romana Hisp&acirc;nia B&eacute;tica, cujas fronteiras foram progressivamente empurradas para sul, at&eacute; &agrave; tomada de Granada pelos Reis Cat&oacute;licos. A regi&atilde;o ocidental da pen&iacute;nsula era denominada Gharb Al-Andalus ("o ocidente do Al-Andalus") e inclu&iacute;a o atual territ&oacute;rio portugu&ecirc;s. De uma maneira geral, o Gharb Al-Andalus foi uma regi&atilde;o perif&eacute;rica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vida econ&oacute;mica, social e cultural do Al-Andalus. No entanto, o maior contingente de mu&ccedil;ulmanos na Espanha era de berberes do norte africanos rec&eacute;m-convertidos ao Isl&atilde;, hostis aos sofisticados burocratas governadores de Damasco. Eram&nbsp; fundamentalistas religiosos e definiam o padr&atilde;o das comunidades isl&acirc;micas na Espanha. Os &aacute;rabes da S&iacute;ria constitu&iacute;am a aristocracia.</span>&nbsp;</p>
<p class="Blockquote"><strong>FONTE: Wikip&eacute;dia</strong></p>]]></content></entry><entry><title>Katmandu, Nepal - O velho esquecido</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/4/4/katmandu-nepal-o-velho-esquecido.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/4/4/katmandu-nepal-o-velho-esquecido.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-04-04T23:27:06Z</published><updated>2012-04-04T23:27:06Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2006.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492776276" alt="" />&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2007.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492804978" alt="" /></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="full-image-inline ssNonEditable">&nbsp;<em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Vida cotidiana em&nbsp;</span></em></span><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Bhaktapur e Katmandu</span></em></strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;SERENDIPTY</strong> <strong>n&atilde;o &eacute; apenas&nbsp;a palavra</strong> mais dif&iacute;cil de traduzir, tamb&eacute;m&nbsp;&eacute; a mais bonita e rom&acirc;ntica da lingua inglesa. Demonstra como nenhuma que todo idioma tem suas dificuldades. E que algumas palavras simplesmente n&atilde;o encontram correspond&ecirc;ncia&nbsp;noutras linguas. <em>Serendipity</em>&nbsp;&eacute; uma delas:&nbsp;n&atilde;o h&aacute; um sin&ocirc;nimo,&nbsp;sua defini&ccedil;&atilde;o &eacute;&nbsp;quase po&eacute;tica,&nbsp;mais do que uma palavra,&nbsp;uma&nbsp;express&atilde;o,&nbsp;um sentimento. Explic&aacute;-la significa dizer que&nbsp;equivale &agrave;&nbsp;imensa alegria que sentimos quando&nbsp;encontramos algo t&atilde;o inesperado quanto fabuloso, exatamente porque <span style="text-decoration: underline;">n&atilde;o</span> o est&aacute;vamos procurando.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2012.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492337123" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span style="font-size: 90%;"><em><strong>A</strong> </em><strong><em>Durbar Square de Bhaktapur</em> </strong></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Felizmente a tal "serendipiticidade" tem me</strong> ocorrido com alguma freq&uuml;&ecirc;ncia, talvez mais not&aacute;vel depois que conheci seu significado. A mais surpreendente das vezes que me ocorreu&nbsp;o&nbsp;"acaso auspicioso", conheci minha doce Em&iacute;lia. Hoje, novamente,&nbsp;<em>serendipity</em> me aconteceu enquanto lia &ldquo;<strong>A arte de viajar&rdquo;</strong>, de<strong> </strong><em>Alain de Botton. </em>E desta vez me salvou de um conflito ao escrever sobre <strong>Katmandu</strong>, Capital da distante terra do Nepal.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492148669" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H&Aacute; dias vinha tentando encontrar</strong> <strong>um</strong> caminho para descrever minhas impress&otilde;es sobre <strong>Katmandu</strong>. Todas sem sucesso. Chegara a abandonar a inten&ccedil;&atilde;o, mesmo que tivesse o destino enorme potencial. A despeito de seu poder de impulsionar mentes e estimular escritores, a dificuldade morava em mim,&nbsp;nada mais&nbsp;do que uma entre as tantas pe&ccedil;as que escrever me prega: <strong>como dizer responsavelmente ao leitor que n&atilde;o gostei de Katmandu? </strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;COMO fazer isso sem influenci&aacute;-lo negativamente?</strong> Seria poss&iacute;vel transmitir-lhe opini&atilde;o desfavor&aacute;vel sem contudo depreciar o destino? Como dizer ao leitor que n&atilde;o gostei de uma cidade, mesmo que seu&nbsp;patrim&ocirc;nio&nbsp;seja t&atilde;o espetacular que a humanidade n&atilde;o poderia prescindir? "Inigual&aacute;vel", "incompar&aacute;vel" e "personal&iacute;ssima" eram apenas tr&ecirc;s dos adjetivos que eu tentava selecionar para definir o lado positivo da <strong>Durbar Square</strong>. O outro lado da moeda, na velha <strong>Katmandu</strong>,<strong> </strong>n&atilde;o era nem tanto&nbsp;seu&nbsp;lastim&aacute;vel estado de conserva&ccedil;&atilde;o,&nbsp;mas o pior de todos os desleixos que pode lhe reservar o nepal&ecirc;s: a falta de valor. O desvalor que ele d&aacute; ao seu patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2002.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492203358" alt="" /></span> <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2003.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492226596" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; EU me perguntava: &ldquo;Que utilidade pode ter um <em>blog</em></strong> que influencia negativamente seu leitor, assim&nbsp;ao ponto de desmotiv&aacute;-lo?&rdquo; Sobretudo com t&atilde;o pouca informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel sobe o destino? N&atilde;o consigo encontrar vantagem em transmitir opini&atilde;o que de ante-m&atilde;o eu saiba induzir&aacute; &agrave; desmotiva&ccedil;&atilde;o. Seria um pre&ccedil;o muito alto&nbsp;a pagar o&nbsp;leitor que&nbsp;entra&nbsp;aqui esperando encontrar&nbsp;inspira&ccedil;&atilde;o, mas&nbsp;esbarrar com tal leviandade.&nbsp; Eu temo&nbsp;leviandades, todos sabem. Elas&nbsp;e as banalidades e superficialidades que abundam na Internet. Nada me desagrada tanto quanto demolir o desejo de um leitor em conhecer um lugar. Que dir&aacute; <strong>Katmandu</strong>!</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_7400.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333492930894" alt="" /></span>&nbsp;&nbsp;</p>
<p><strong><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;VIAGENS s&atilde;o as parteiras do pensamento</em></strong>,<strong> </strong>dizia<strong> </strong><em>Alain de Botton</em> na minha leitura de <strong>A arte de viajar.</strong> Longe de ser um guia tur&iacute;stico, o livro &eacute; um tratado sobre viagens. &Eacute; filos&oacute;fico, mas compreens&iacute;vel. Nele <em>de Botton</em> diz que <em>Se nossa vida fosse dominada pela busca da felicidade, talvez poucas atividades fossem t&atilde;o reveladoras dessa din&acirc;mica quanto nossas viagens. </em>A frase me bateu como uma fa&iacute;sca cerebral, desencadeou deliciosas reflex&otilde;es, quase umas tormentas cerebrais. N&atilde;o sem motivo: <strong>viajar</strong>, <strong>ler</strong>, <strong>escrever</strong> e <strong>fotografar </strong>tem sido o que me proporciona as melhores recompensas no lazer. <strong>Viajar,</strong> especialmente para destinos ex&oacute;ticos e incomuns - tal qual <strong>&Iacute;ndia </strong>e <strong>Nepal</strong> - tem me ensejado maravilhosas experi&ecirc;ncias de vida, prazeres bem mais al&eacute;m do que mundanos. <strong>Ler </strong>- pr&eacute;-requisito inevit&aacute;vel ao bom viajante - remunera ainda mais quando &eacute; &agrave; luz dos que brilham na arte de faz&ecirc;-lo&nbsp;bem.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2009.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493035107" alt="" /></span> <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2010.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493057442" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;POIS foi lendo</strong> os livros <strong>&ldquo;A arte de viajar&rdquo;</strong> e &ldquo;<strong>Tr&ecirc;s cidades perto do c&eacute;u</strong> - <strong>Srinagar, Rishikesh, Katmandu&rdquo; </strong>-<strong> </strong>de <strong>Luciana Tomasi</strong>, um divertido, bem humorado relato de viagem &agrave; &Iacute;ndia e ao Nepal - onde encontrei o caminho para vencer as dificuldades de escrever sobre Katmandu. Os dois t&iacute;tulos foram, &agrave; sua ordem, minha &ldquo;serendipiticidade&rdquo;, o &ldquo;feliz acidente&rdquo;, a &ldquo;agrad&aacute;vel surpresa&rdquo;, o &ldquo;encontro acidental&rdquo; que fez a diferen&ccedil;a, tornou o &ldquo;encontro casual&rdquo; algo pra l&aacute; de bom e &uacute;til. No divertido livro da autora brasileira, daquelas tr&ecirc;s cidades que visitou, amou as duas primeiras e detestou a &uacute;ltima, precisamente <strong>Katmandu</strong>. Eu o li antes de viajar. E ainda que me acendesse a luz amarela de aten&ccedil;&atilde;o,&nbsp;me fazer reduzir&nbsp;expectativas at&eacute; ent&atilde;o elevadas,&nbsp;todavia opini&otilde;es contr&aacute;rias costumam ter um efeito contr&aacute;rio em mim: em vez de afastar, atraem.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2004.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493163014" alt="" /></span>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Opini&otilde;es negativas curiosamente funcionam&nbsp;como um </strong>estranha compuls&atilde;o&nbsp;em conhecer aquilo que outros <span style="text-decoration: underline;">n&atilde;o</span> gostaram.&nbsp;Eu <span style="text-decoration: underline;">preciso</span>&nbsp;ter minha pr&oacute;pria conclus&atilde;o, afinal,&nbsp;j&aacute; n&atilde;o me surpreendo ao gostar muito daquilo que os outros detestaram.&nbsp; Freq&uuml;entemente o &ldquo;n&atilde;o-gostar&rdquo; de <span style="text-decoration: underline;">outros</span> me prepara para que <span style="text-decoration: underline;">eu</span>&nbsp;goste. Tem sido assim. E foi precisamente <span style="text-decoration: underline;">este</span> o motivo de minha hesita&ccedil;&atilde;o&nbsp;em escrever sobre <strong>Katmandu</strong>.&nbsp; Sempre o que mais desejo&nbsp;transmitir ao leitor sobre um destino, seja qual for minha impress&atilde;o, &eacute;&nbsp;&nbsp;&ldquo;<strong>N&atilde;o acredite piamente no que <span style="text-decoration: underline;">eu</span> escrevo. V&aacute; em frente com seu desejo, confira com seus pr&oacute;prios olhos, viva a <span style="text-decoration: underline;">sua</span> experi&ecirc;ncia e conclua tudo com suas leg&iacute;timas e pr&oacute;prias opini&otilde;es!</strong>&rdquo;<em>. </em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2013.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493225698" alt="" /></span>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2014.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493251755" alt="" /></span>&nbsp; </em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;CONSIDERO&nbsp;meus leitores&nbsp;</strong>seletivos, diferenciados,&nbsp;exigentes, experientes. Ou, como se diz na g&iacute;ria,&nbsp;"safos". Noto que&nbsp;eles reconhecem que boa parte do que se l&ecirc; na Internet &eacute; f&eacute;rtil<strong> </strong>em injusti&ccedil;as, exageros, egocentrismos e esnobismos. , a&nbsp;t&ocirc;nica dos que escrevem amadoristicamente sobre destinos tur&iacute;sticos: sobram opini&otilde;es superficiais, inconseq&uuml;entes, primitivas e at&eacute; mesmo toscas. S&atilde;o um verdadeiro desservi&ccedil;o tur&iacute;stico quando&nbsp;abusam de afirma&ccedil;&otilde;es egoc&ecirc;ntricas e herm&eacute;ticas, tais&nbsp;como "<strong>N&atilde;o v&aacute;!</strong>" (como se dissesse "<strong>porque eu n&atilde;o gostei!</strong>").&nbsp;&nbsp;No lado oposto est&atilde;o as sugest&otilde;es ponderadas,&nbsp; as que mais aprecio e valorizo, do tipo "<strong>V&aacute; sim, mas...</strong>". S&atilde;o as&nbsp;maior valor, que melhor preparam o leitor, que&nbsp;o induze a ir ao encontro,&nbsp;a tere&nbsp;<span style="text-decoration: underline;">sua</span> (dele) pr&oacute;pria opini&atilde;o, ainda que eventualmente igual.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%20FATOS%20e%20FOtos%20de%20Viagens_MG_8039.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493446803" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E ent&atilde;o, afinal, como ficamos? </strong>Como dizer que n&atilde;o gostei de <strong>Katmandu?</strong> &nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>MINHA primeira tentativa foi tentar sair</strong> &ldquo;pela esquerda&rdquo;, atenuando minha irrita&ccedil;&atilde;o com o que vi, dizer algo como &ldquo;n&atilde;o gostei mais ou menos", mas, convenhamos, n&atilde;o d&aacute; pra dizer algo t&atilde;o ruim assim. Pensei ent&atilde;o em definir um &ldquo;n&atilde;o-gostei&rdquo; menos concreto ou efetivo.&nbsp; Pensei&nbsp;"Que tal dizer que n&atilde;o gostei &ldquo;conceitualmente&rdquo;? &nbsp;Por certo uma invencionice,&nbsp;no m&iacute;nimo falta de opini&atilde;o e coragem de assumir posi&ccedil;&atilde;o, desisti prontamente ao imaginar que&nbsp;o leitor acreditaria que ca&iacute; na esparrela do <em>twitter</em> e passei a definir tudo superficialmente, s&oacute; porque &eacute; moda.&nbsp; Como n&atilde;o estou a fim de demolir <span style="text-decoration: underline;">minha</span> credibilidade constru&iacute;da a duras penas e confian&ccedil;a do leitor, digo que&nbsp;mesmo um escritor med&iacute;ocre como eu <span style="text-decoration: underline;">precisa</span> ter opini&atilde;o e se posicionar, especialmente quando se trata de &ldquo;prazer&rdquo; e &ldquo;desgosto&rdquo;, ou de &ldquo;amor e &oacute;dio&rdquo; em rela&ccedil;&atilde;o a um destino.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001_MG_7945.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333494377049" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;Devemos ir ou n&atilde;o a um</strong> destino que desejamos porque algu&eacute;m teve impress&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; nossa?&nbsp; Foi <em>Alain de Botton</em> que me fez compreender que nem todas as respostas &agrave;s nossas d&uacute;vidas alcan&ccedil;amos ficando em casa: &eacute; <span style="text-decoration: underline;">preciso</span> viajar, ir ao destino: "<em>Estamos familiarizados com a id&eacute;ia de que em viagens nossa realidade n&atilde;o corresponde &agrave;s nossas expectativas</em>." Bingo!</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_8059.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493554560" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; POR que ent&atilde;o, mesmo presenciando exemplos</strong> t&atilde;o fabulosos de patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico nas pra&ccedil;as<em> </em><strong>Durbar </strong><em>de </em><strong>Katmandu</strong><em> e </em><strong>Baktapur </strong><span style="text-decoration: underline;">n&atilde;o gostei</span> do que vi? Simplesmente porque h&aacute; destinos que ao exercerem uma atra&ccedil;&atilde;o quase sobrenatural, tamb&eacute;m desencadeiam fortes expectativas. Ainda que perigoso, &eacute; uma verdade. Foi assim com a <strong>&Iacute;ndia</strong>. S&oacute; que ali, desde o primeiro encontro, ela tornou-se o melhor de todos os destinos que j&aacute; visitei<em>.</em> <strong>Katmandu</strong>, todavia, exigir&aacute;<strong> </strong>mais de meu tempo, sobretudo para n&atilde;o ser injusto. Esse tempo ainda n&atilde;o passou o bastante para que eu aceite o estado deplor&aacute;vel de seus not&aacute;veis templos e pal&aacute;cios, o pouco caso que nosso guia fez ao ser perguntado porque tratam aquilo daquele jeito. Sua resposta&nbsp;sonsa, foi me perguntar tempos depois se eu estava menos "nervoso". Para n&atilde;o mand&aacute;-lo tomar chai no meio do Everest, assumi que sim, "estou mais tranquilo".</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%20FATOS%20e%20FOTOS%20de%20Viagens_MG_8075.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493673630" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;AINDA que em viagens meu olhar</strong> sempre esteja mais complacente, receptivo, simples e doce, n&atilde;o consegui &ldquo;engolir&rdquo;<strong> Katmandu.</strong> Desceu mal. Ficou um gosto amargo. N&atilde;o digeri o futuro incerto que o tempo, descaso, sujeira e pombos costumam reservar a patrim&ocirc;nios t&atilde;o antigos e fr&aacute;geis. N&atilde;o me reconciliei com<em> </em><strong>Katmandu</strong>. T&atilde;o logo comecei a escrever, a rever fotos, a ler anota&ccedil;&otilde;es, s&oacute; resgatei melancolia. A mesma que senti presenciando algo t&atilde;o magn&iacute;fico quanto deprimentemente desleixado. Sa&iacute; do Nepal como se tivesse visitado um velho pobre e doente. Deixei o pa&iacute;s profundamente irritado com o fato do velho ter sido largado, esquecido, desvalorizado que &eacute;. Triste ao olhar pra ele e perceber que n&atilde;o resistir&aacute; muito. A polui&ccedil;&atilde;o visual esconde a heran&ccedil;a espetacular, a sujeira de pombos corr&oacute;i as pedras, madeiras e o metal. Mas ningu&eacute;m acredita que sejam seus templos e pal&aacute;cios o maior patrim&ocirc;nio do pa&iacute;s, sen&atilde;o o <strong>Everest</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001_MG_8032.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493859604" alt="" /></span> <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001_MG_8053a.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333493880151" alt="" /></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ARDE no est&ocirc;mago a hist&oacute;ria</strong> <strong>de</strong> sofrimento que elvolve o<em> </em><strong>Kumari Bahal</strong>, uma das atra&ccedil;&otilde;es de <strong>Katmandu</strong>. A &ldquo;Casa da Deusa Viva&rdquo; h&aacute; s&eacute;culos abriga menina-deusa, eleita aos 4 anos, sob m&eacute;todos e crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o esdr&uacute;xulos. A crendice estabelece que o <em>status</em> divino ter&aacute; dura&ccedil;&atilde;o definida: apenas at&eacute; a puberdade, quando os &ldquo;fl&uacute;idos impuros&rdquo; da primeira menstrua&ccedil;&atilde;o lhe roubar&atilde;o a condi&ccedil;&atilde;o de deusa. Desqualificada, a ent&atilde;o mulher ex-deusa voltar&aacute; pra casa, a mesma de onde foi retirada na inf&acirc;ncia, a contragosto. N&atilde;o sem muito trabalho a nova sele&ccedil;&atilde;o de candidatas a deusas se iniciar&aacute; obedecendo a um roteiro de esquisitas a&ccedil;&otilde;es. &nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001_MG_7869.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333494001116" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>FOI preciso retornar, reler anota&ccedil;&otilde;es e </strong>concluir a leitura de<em> <strong>Kathmandu Valley</strong>, de Robert &amp; Linda Fleming </em><strong>(*)</strong> a fim de reordenar os pensamentos, aplacar a indigna&ccedil;&atilde;o, acalmar os &acirc;nimos e reaver minha vontade de escrever sobre<em> </em><strong>Katmandu</strong>. <strong>Escritores, poetas e historiadores n&atilde;o se</strong><em> </em>cansam de elogiar este not&aacute;vel espa&ccedil;o urbano e seus in&uacute;meros monumentos, todavia cobertos de sujeira e fezes de pombos, de ervas daninhas nos telhados e fendas, tudo com lastim&aacute;vel apar&ecirc;ncia. Mesmo com toda a sua originalidade, impon&ecirc;ncia e personalidade arquitet&ocirc;nica, &eacute; tudo &ldquo;quase-feio&rdquo;, fruto da desordem urbana e civil, da falta institucional de peocupa&ccedil;&atilde;o com sua manuten&ccedil;&atilde;o e do apre&ccedil;o de seu povo pelo patrim&ocirc;nio. Foi por esta falta de amor que &ldquo;n&atilde;o gostei&rdquo; de<em> </em><strong>Katmandu</strong><em>. </em>Ao menos conceitualmente.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001_MG_7826.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333494175357" alt="" />&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20KATMANDU%20Nepal%2001_MG_7852.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1333494198022" alt="" /></span></span>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Grande abra&ccedil;o, leitor.</strong> E <strong>n&atilde;o</strong> deixe de ir a <strong>Katmandu</strong>!</p>
<p><em>_______________________</em></p>
<p><span style="font-size: 90%;"><strong>(*) </strong>&nbsp;<strong>O curioso processo de sele&ccedil;&atilde;o e</strong> escolha das candidata a deusas &eacute; rigoroso. A escolhida, acredita-se, &eacute; a encarna&ccedil;&atilde;o da Deusa Taleju, vers&atilde;o nepalesa da deusa Durga indiana. Ser&aacute; deusa at&eacute; sua primeira menstrua&ccedil;&atilde;o, doen&ccedil;a grave ou perda de sangue proveniente de alguma les&atilde;o. A atual deusa foi escolhida aos quatro, em outubro de 2008. Para ser reconhecida como deusa a menina deve vir de uma fam&iacute;lia budista, al&eacute;m de cumprir outos quatro crit&eacute;rios, entre eles ter um corpo impec&aacute;vel e sem marcas, um rosto perfeito com caracter&iacute;sticas e crit&eacute;rios &ldquo;t&eacute;cnicos&rdquo; insond&aacute;veis de avalia&ccedil;&atilde;o. Em terceiro lugar s&atilde;o dados a ela um conjunto de objetos bem semelhantes ente si a fim de que ela aponte um que tenha sido usado pela &uacute;ltima deusa. Finalmente, as jovens candidatas permanecem numa c&acirc;mara fechada para que passem uma noite com os restos de 108 b&uacute;falos decapitados. A crian&ccedil;a que n&atilde;o chorar ou demonstrar medo ser&aacute; escolhida como deusa. Uma vez selecionada a menina &eacute; removida da sua fam&iacute;lia e levada para a casa de Durbar Square, onde viver&aacute; na clausura e ser&aacute; cuidada por uma fam&iacute;lia de sacerdotes, que acreditam que assim que ela derrame qualquer sangue, a deusa deixar&aacute; seu corpo. Normalmente as meninas s&atilde;o cercadas de cuidados at&eacute; atingirem a puberdade, quando nenhum cuidado as impedir&aacute; de menstruarem. Embora privilegiada a vida, depois que deixam de ser deusas, tornam-se infelizes, porque &eacute; raro encontrarem um homem disposto a se casarem com uma ex-deusa.</span></p>
<p><em>_______________________</em></p>
<p><strong>&ldquo;A arte de viajar&rdquo; </strong>-<strong> </strong>Alain de Botton<strong> </strong>-<strong> Editora Rocco </strong>-<strong> </strong>ISBN 85-325-1578-9</p>
<p><strong><span style="color: #131313;">&ldquo;Tr&ecirc;s cidades perto do c&eacute;u</span></strong><span style="color: #131313;"> - <strong>Srinagar, Rishikesh, Katmandu<strong>&rdquo;</strong></strong> - Luciana Tomasi (Editora Artes e Of&iacute;cios) - </span>ISBN: 978-85-7421-192-3<strong></strong></p>
<p><strong>&ldquo;Kathmandu Valley&rdquo; </strong>-<strong> </strong>Robert &amp; Linda Fleming<strong> </strong>-<strong> </strong>Allied Publishers - ISBN 0-87011-328-3</p>
<p style="text-align: center;">__________________________________________</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 110%;">A seguir </span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 110%;"><strong>A Katmandu</strong> <strong>no S&eacute;culo 21</strong></span></p>]]></content></entry><entry><title>Varanasi. Morte, um evento positivo</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/29/varanasi-morte-um-evento-positivo.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/29/varanasi-morte-um-evento-positivo.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-03-29T12:33:09Z</published><updated>2012-03-29T12:33:09Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 50%;"><strong><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20098%20A.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332694418363" alt="" /></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Varanasi, bons momentos para&nbsp;medita&ccedil;&atilde;o e fotografias&nbsp;&nbsp;</span></em></strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O BARCO escorregava silencioso&nbsp;nas</strong> &aacute;guas leitosas do Ganges. &Iacute;amos em dire&ccedil;&atilde;o ao <strong>Ghat Manikarnika</strong> e de longe v&iacute;amos as fogueiras&nbsp;refletindo&nbsp;na superf&iacute;cie calma do rio. Junto a outros barcos,&nbsp;estacionamos a alguns metros da margem do rio. Passamos&nbsp;ent&atilde;o a exercer&nbsp;aquilo para o qual todos&nbsp;v&atilde;o ali: o voyerismo das crema&ccedil;&otilde;es. Sentimos o peso da experi&ecirc;ncia, mas n&atilde;o&nbsp;foi&nbsp;desagrad&aacute;vel,&nbsp;tampouco inc&ocirc;modo, sen&atilde;o incrivelmente bonito e digno, ainda que triste. Tudo &eacute; pesado e solene, mas natural e corriqueiro. At&eacute;&nbsp;o sil&ecirc;ncio dos expectadores. Sentimos no m&aacute;ximo uma&nbsp;pervers&atilde;o&nbsp;&agrave;s nossas faculdades de percep&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o, como se&nbsp;estiv&eacute;ssemos num mundo paralelo.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong> Os grandes e altos edif&iacute;cios por</strong> tr&aacute;s do flanco do rio s&atilde;o cremat&oacute;rios, <strong>ghats</strong>&nbsp;elevados, extremamente antigos, assombrosos, cobertos por centenas de anos de&nbsp;fuligem e cinzas&nbsp;da queima dos mortos.&nbsp;O&nbsp;aspecto desses ghats elevados &eacute; espantoso, extraordin&aacute;rio, maravilhoso. Por todo lado a<span style="color: black;">ssist&iacute;amos eventos em diferentes est&aacute;gios, de corpos sendo trazidos sobre macas de bambu - marcando&nbsp;o in&iacute;cio do processo - &agrave;s cinzas despejadas solenemente no rio - definindo seu&nbsp;fim. </span></p>
<p><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Parentes e amigos circulam ao redor</strong> das fogueiras e observam&nbsp;o corpo que ser&aacute;&nbsp;reduzido a cinzas, &uacute;ltima homenagem necess&aacute;ria &agrave; que sua&nbsp;alma alcance o t&atilde;o almejado <em>moksha</em>, a liberta&ccedil;&atilde;o do ciclo de vida, de morte e de renascimento. </span><em>Rama nama hai satya</em> .... <em>rama nama hai satya</em> ... <em>rama nama hai satya</em>...&nbsp;O mantra &eacute; cantado enquanto d&atilde;o&nbsp;voltas ao redor da pira, o fogo ainda n&atilde;o foi aceso, o cad&aacute;ver est&aacute; embrulhado em chita.&nbsp;N&atilde;o nos aproximamos ao ponto de&nbsp;sentirmos o odor de carne humana queimando,&nbsp;n&atilde;o ficamos horrorizados, nem mesmo desconfort&aacute;veis, sequer com nosso&nbsp;voyerismo. Mas n&atilde;o poderia supor que assistir aquilo me deixaria&nbsp;t&atilde;o fascinado, experimentando um&nbsp;encantamento estranho. De todo modo o que sobrou foi&nbsp;um&nbsp;privil&eacute;gio&nbsp;imenso de ter podido&nbsp;presenciar algo t&atilde;o dram&aacute;tico e comovente, digno e incr&iacute;vel. Que experi&ecirc;ncia!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dasaswamedh</strong>,&nbsp;<strong>Manikarnika</strong> e&nbsp;<strong>Harischandra s&atilde;o </strong>os&nbsp;3 mais proeminentes&nbsp;dos&nbsp;84 <em>ghats</em> de Varanasi. Palcos das mais incr&iacute;veis demonstra&ccedil;&otilde;es e extravag&acirc;ncias,&nbsp;de f&eacute; e&nbsp;cren&ccedil;as de&nbsp;atividades cotidianas e comerciais.&nbsp;Por tr&aacute;s deles&nbsp;h&aacute;&nbsp;incr&iacute;veis constru&ccedil;&otilde;es mog&oacute;is e contempor&acirc;neas. Ainda&nbsp;mais&nbsp;atr&aacute;s&nbsp;ficam os <strong>galis</strong>,&nbsp;os becos labir&iacute;nticos e estreitos,&nbsp;bastidores dos <strong>ghats</strong>.&nbsp;Olhando-os desde o rio eles&nbsp;s&atilde;o cont&iacute;nuos, podemos caminhar por eles sem interrup&ccedil;&otilde;es. Ao menos at&eacute; onde os olhos podem ver. Cada qual tem sua pr&oacute;pria utilidade e hist&oacute;ria. Alguns&nbsp;s&atilde;o impressionantes em grandiosidade e beleza, outros bem mais simples.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<strong>Uma das&nbsp;curisidades mais interessantes&nbsp;do</strong> <strong>Marnikarnika Ghat</strong> &eacute; que ao contr&aacute;rio dos lugares de crema&ccedil;&atilde;o do resto da &Iacute;ndia,&nbsp;as outras s&atilde;o&nbsp;localizadas nos limites das cidades. Em Varanasi n&atilde;o, a crema&ccedil;&atilde;o &eacute; feita no centro da cidade,&nbsp;no seu lugar mais importante, central e auspicioso. Vem da&iacute; a natureza t&atilde;o especial que esta cidade&nbsp;tem, al&eacute;m de&nbsp;sua enorme import&acirc;ncia para os hindus.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2017.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332694863653" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;"> Atr&aacute;s dos ghats, de frente para o rio, h&aacute;&nbsp;incr&iacute;veis constru&ccedil;&otilde;es</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>VIMOS&nbsp;vacas,&nbsp;sadus<em>,</em></strong> <strong>gente de todos os tipos, simples,&nbsp;trabalhadores,&nbsp;</strong>donas de casa,&nbsp;escolares,&nbsp;mendigos, moradores de rua, al&eacute;m de vacas, c&atilde;es e&nbsp;macacos. Todos pisam (ou deslizam) no ch&atilde;o ora marcados por fezes de vacas, ora coberto de lixo ou&nbsp;da sopa milenar, o&nbsp;misto daquilo&nbsp;tudo.&nbsp;O momento que antecede ao&nbsp;do encontro com&nbsp;um <strong>ghat</strong>, o mais auspicioso lugar de Varanasi, diante do&nbsp;mais auspicioso rio da &Iacute;ndia, &eacute; energ&eacute;tico,&nbsp;penetrante. Fomos de barco a primeira vez, a p&eacute; e sozinhos, na segunda. Caminhamos seguindo&nbsp;a margem do rio, sempre importunados por&nbsp;<em>touts</em>. Ouvimos sinos, vozes de crian&ccedil;as, jovens em divers&atilde;o, m&uacute;sicas, vendendores, mulheres fazendo suas atividades dom&eacute;sticas, desocupados, contempladores, yogues.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2042.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332695057469" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;">Presenciar&nbsp;crema&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foi&nbsp;dram&aacute;tico,&nbsp;mas comovente, digno,&nbsp;incr&iacute;vel</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong><strong>N&atilde;o houve&nbsp;espanto,&nbsp;ang&uacute;stia ou&nbsp;dor</strong>, mas&nbsp;curiosidade leg&iacute;tima, respeitosa. E reconhecimento,&nbsp;admira&ccedil;&atilde;o, ainda que tudo acompanhado de uma breve subvers&atilde;o &agrave;s no&ccedil;&otilde;es de tempo e de espa&ccedil;o, de l&oacute;gica e cren&ccedil;a, de fantasia e realidade. Como num estado alterado de consci&ecirc;ncia, sobretudo porque&nbsp;a morte aparentava&nbsp;ser&nbsp;muito familiar e positiva.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2015.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332695208847" alt="" /></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <span style="font-size: 90%;"><em>N&atilde;o houve espanto,&nbsp;ang&uacute;stia&nbsp;nem&nbsp;dor. Apenas&nbsp;curiosidade respeitosa,&nbsp;admira&ccedil;&atilde;o</em></span></strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Talvez esta seja&nbsp;a &uacute;nica cidade</strong> do mundo onde turismo e morte n&atilde;o se op&otilde;em, assim como ci&ecirc;ncia e religi&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o em toda a &Iacute;ndia.&nbsp;Varanasi nos proporcionou mil sensa&ccedil;&otilde;es,&nbsp;uma quase incr&iacute;vel&nbsp;diversidade de sensa&ccedil;&otilde;es, especialmente&nbsp;as que sentimos nos&nbsp;<em>ghats</em>. De serenidade a &ecirc;xtase,&nbsp; circulando por eles ou simplesmente os observando e &agrave; sua gente bebendo <em>chai</em>, orando, "lavando" roupas, jogando cr&iacute;quete, meditando,&nbsp;cortando&nbsp;cabelos, limpando&nbsp;ouvidos, varrendo&nbsp;cinzas, tudo fluindo naquela naturalidade bastante indiana. Aparentemente&nbsp;ca&oacute;ticos, s&atilde;o na verdade&nbsp;extremamente organizados, funcionais.</p>
<p>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2023.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332695593512" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable">&nbsp;</span><em><strong><span style="font-size: 90%;">Fomos de barco a primeira vez, a p&eacute; e sozinhos, na segunda&nbsp; </span></strong></em></p>
<p><strong>_____________________________________</strong></p>
<p><strong>SAMSARA</strong><strong>, o &uacute;ltimo sacrif&iacute;cio</strong>&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ENTRE as muitas cren&ccedil;as populares hindus h&aacute;</strong> a de que sua alma passa por um processo de sucessivas vidas, chamadas <strong>samsara</strong>. E que uma reencarna&ccedil;&atilde;o reflete a vida passada, ou <strong>karma</strong>, n&atilde;o a presente. E que cada indiv&iacute;duo &eacute; respons&aacute;vel por suas a&ccedil;&otilde;es na vida (bem, nisso eu acredito!), ou seja, deve assumir as conseq&uuml;&ecirc;ncias de seus bons e maus karmas. E que o pobre coitado que vier depois&nbsp;pagar&aacute; pelos maus atos&nbsp;na pr&oacute;xima vida.&nbsp;&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Gath%20de%20cvremao_DSC1616%202.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332696108412" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">Crema&ccedil;&atilde;o, o &uacute;ltimo sacrif&iacute;cio&nbsp;</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>O &uacute;ltimo sacrif&iacute;cio do ciclo da vida</strong>, ou <strong>samsara</strong>, &eacute; o alcance do <strong>moksha</strong>, precisamente <strong>o fim</strong> deste ciclo de nascimento, morte, renascimento, remorte. &Eacute; o quarto e &uacute;ltimo <strong>artha</strong>, que transcende a todos os demais arthas. Se poss&iacute;vel um hindu prefere morrer em casa, quando ent&atilde;o o membro mais velho da fam&iacute;lia acende uma vela, coloca-a sobre o corpo posto na entrada da resid&ecirc;ncia e com a cabe&ccedil;a voltada para Sul, quando ent&atilde;o &eacute; banhado, ungido com s&acirc;ndalo, raspado na cabe&ccedil;a e na face, se for homem, e finalmente envolto num pano de algod&atilde;o e conduzido para a crema&ccedil;&atilde;o que deve ocorrer no dia seguinte ao da morte.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Cremao_DSC1617%202.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332696315993" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <em><strong><span style="font-size: 90%;">O fogo cresce e jamais perde pot&ecirc;ncia</span></strong></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; TODOS ent&atilde;o posicionam-se ao redor da</strong> pira no flanco elameado do rio. A terra adquiriu a cor das cinzas. Deve ser desta cor&nbsp;h&aacute; s&eacute;culos, desde que Varanasi existe, antes de Babil&ocirc;nia, de Roma e de Atenas, cidade mais antiga do mundo que &eacute;.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<strong>Ajeitam&nbsp;o corpo embrulhado num pano</strong> laranja e dourado. Colocam-no sobre a pira funer&aacute;ria&nbsp;os parentes masculinos.&nbsp; Entoam-se ora&ccedil;&otilde;es para Yama, o Deus da morte. O fazem caminhando tr&ecirc;s vezes ao redor da pira, sempre no sentido anti-hor&aacute;rio. Na cama funer&aacute;ria os p&eacute;s do morto devem apontar para o Sul,&nbsp;dire&ccedil;&atilde;o do reino de Yama. A cabe&ccedil;a,&nbsp;para o norte, aponta para o reino de Kubera, Deus da riqueza. Acesa a pira, o corpo passa ent&atilde;o a ser uma oferenda a Agni, Deus do fogo.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Cremao%20em%20Varanasi_DSC1627.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332696444347" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">&nbsp;Se uma n&atilde;o for suficiente&nbsp;h&aacute; 15 crema&ccedil;&otilde;es por&nbsp;hora</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong> O fogo cresce e jamais perde</strong> pot&ecirc;ncia, alimentado pelos Dom, os trabalhadores da casta mais inferior, encarregado de manter a crema&ccedil;&otilde;es, depois colocar as cinzas em potes e entreg&aacute;-las a um dos parentes do morto, que ent&atilde;o as soltar&aacute; no rio, marcando o t&eacute;rmino da cerim&ocirc;nia e do processo de reencarna&ccedil;&atilde;o. As mulheres n&atilde;o participam do funeral. Dizem que por serem mais sens&iacute;veis que os homens, pois choram e suas l&aacute;grimas, assim como qualquer fl&uacute;ido corp&oacute;reo, s&atilde;o impuras e inadequadas &agrave;quele momento.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Mas a verdade n&atilde;o &eacute; essa,</strong> e nada como conhec&ecirc;-la: os brit&acirc;nicos proibiram-nas nos funer&aacute;is no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, quando j&aacute; n&atilde;o podiam controlar as vi&uacute;vas inconsol&aacute;veis e descontroladas que suicidavam saltando sobre as fogueiras, queimando-se com seus maridos. A pr&aacute;tica era muito comum, um ato de devo&ccedil;&atilde;o final, a imola&ccedil;&atilde;o a que se chamava <em>sati</em>. O folclore diz&nbsp;que mulheres n&atilde;o participam&nbsp;porque&nbsp;choram demais. N&atilde;o acredite nisso. Presenciamos um funeral hindu no Nepal onde a vi&uacute;va sofria e chorava abra&ccedil;ada ao seus filhos e debru&ccedil;ada sobre o corpo do marido, permanecendo todo o tempo ao lado da pira.</p>
<p style="text-align: justify;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Varanasi%20cremao%20em%20Pashupatinath%20Katmandu_MG_9972a.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332697342614" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Ritual hindu de crema&ccedil;&atilde;o em Pashupatinath, Katmandu - Nepal</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>EM <em>rigor mortis</em> o corpo espera</strong> a crema&ccedil;&atilde;o sobre a pira. Embaixo dela&nbsp;ficam os troncos mais grossos, acima os mais finos. Espirra-se a &aacute;gua sagrada do rio, lavam-se os pecados, purifica-se a alma. Retira-se o tecido enfeitado revelando um corpo esguio envolto num pano de algod&atilde;o fino e branco ou laranja. Outras piras queimam em diferentes n&iacute;veis do ghat. Quanto mais perto do Ganges, mais barata a crema&ccedil;&atilde;o, pr&oacute;prias para as castas mais baixas. Quanto mais alta a casta, mais ao alta ser&aacute; a pira, at&eacute; mesmo em terra&ccedil;os, lages de concreto, plataformas onde tamb&eacute;m queimam-se corpos com&nbsp;a mais alta qualidade da madeira.&nbsp;Outros corpos v&atilde;o chegando. Cerca de trezentos ser&atilde;o cremados durante todo o dia. O c&eacute;u ficou enegrecido acima do ghat&nbsp;e nosso barco come&ccedil;ou a retornar ao <strong>ghat</strong> de embarque. Observamos as luzes nos pr&eacute;dios antigos e as velas flutuantes lan&ccedil;adas ao longo do rio. Tamb&eacute;m lan&ccedil;amos nossos pujas, um doce momento em que lan&ccedil;amos nossa ofenrenda ao rio e fizemos&nbsp;nosso pedido &agrave; Deusa Ganga, segundo nos orientou nosso guia. Ao fim, curiosos um com o pedido do outro, n&atilde;o nos surpreendemos por terem&nbsp;sido o&nbsp;mesmo.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2024.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332696840892" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 50%;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><span style="font-size: 90%;"><em><strong>N&atilde;o h&aacute; quem n&atilde;o saiba as regras: &eacute; proibido fotografar.</strong></em><strong>&nbsp;</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 90%;"><em><strong>Mas o voyerismo muitas vezes n&atilde;o &eacute; suficiente, ent&atilde;o disparam-se c&acirc;meras.</strong></em><strong></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">O que nem todos sabem s&atilde;o as s&eacute;rias conseq&uuml;&ecirc;ncias disso.</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 50%;"><strong><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></strong>&nbsp;</span><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os cerca de 80.000 restos carbonizados</strong> s&atilde;o lan&ccedil;ados no rio anualmente, al&eacute;m de corpos inteiros de gr&aacute;vidas, crian&ccedil;as, leprosos e dos que por motivos hindus morreram e n&atilde;o podem ser cremados. Peregrinos nadam e bebem desta sopa de cad&aacute;veres e cinzas humanas, leitosa e espumante, com milhares de vezes mais coliformes fecais e metais pesados do que recomenda a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de da ONU <strong>(*)</strong>. E acreditam na cura do corpo, na purifica&ccedil;&atilde;o da alma e nos milagres da sopa.<span style="color: black;"> </span>Muitos dos que assistem sabem que estar&atilde;o ali em breve, protagonizando, em vez de assistirem, mas nenhum deles acredita que por conta de ter bebido aquilo. E assim segue Varanasi o seu ciclo milenar de vida e morte, confundindo quem espera encontrar espiritualidade em estado puro, o &ldquo;encontro consigo mesmo&rdquo; ou outras procuras e sentido para suas vidas. Estes devem sair mais conturbados, do que quando chegaram, creio eu. Penso que se Varanasi tem pot&ecirc;ncia de agir assim na cabe&ccedil;a dos n&atilde;o espiritualizados, imagino o que deve provocar nos que acreditam em tantos deuses, santos e vivem eternamente em busca do que n&atilde;o se prova nem se explica.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2012.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332707864135" alt="" /></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">O Sol nascendo no Ganges&nbsp;</span></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; OBSERVO a tudo e me pergunto: &ldquo;Quantas &Iacute;ndias h&aacute; na &Iacute;ndia?&rdquo; </strong>A da er&oacute;tica<strong> Khajuraho</strong>, a da imponente e hist&oacute;rica<strong> Delhi</strong>, a<strong> </strong>da magn&iacute;fica<strong> Udaipur</strong>, a da gigantesca <strong>Mumbai</strong>, a da sagrada <strong>Varanasi</strong>? H&aacute; muitas mais do que eu possa imaginar, talvez menos quantas meus olhos consigam enxergar e tantas quanto eu gostaria de conhecer.&nbsp;</p>
<p><strong>_________________________________</strong></p>
<p><strong>UM</strong><strong> passeio de barco no Ganges</strong></p>
<p>&nbsp;<strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S&Atilde;O 5 e meia da manh&atilde;. Faz quase frio.</strong> &Eacute; fevereiro, estamos em<em> </em><strong>Varanasi</strong><em>, </em>no t&iacute;pico inverno indiano, prestes a entrar no barco para o passeio pelo Ganges. Nosso primeiro destino &eacute; o <strong>Manikarnika Ghat</strong>, maior e mais importante cremat&oacute;rio de toda a &Iacute;ndia, cerca de 2 km rio acima desde o <strong>Dashashwamedh Ghat</strong>, principal e mais espetacular de Varanasi, nosso ponto de embarque. &nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20006.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332708224609" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">S&atilde;o&nbsp;6 e meia da manh&atilde;, estamos no Ganges, em Varanasi&nbsp;</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>VARANASI</strong><strong>, chamava-se Benares, e antes disso, Kashi</strong><strong>.</strong> O <strong>Rio Ganges </strong>&eacute;<strong> </strong>seu maior patrim&ocirc;nio. Para os hindus, se a &Iacute;ndia &eacute; o corpo, o Ganges a alma. Eles referem-se assim ao rio, a &ldquo;Alma da &Iacute;ndia&rdquo;, e adoram-no com uma deusa que traz prosperidade e serve de lavat&oacute;rio dos pecados humanos, n&atilde;o tanto como um irrigador de campos ou um lavanderia de roupas e animais, abastecimento de cidades e destino de esgotos. Mas para todos Varanasi tem seus efeitos: acentua a humildade, despe vaidades, faz refletir, leva ao entendimento e perturba egoc&ecirc;ntricos.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20004.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332708470188" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">&Agrave;s oito e meia da manh&atilde;, est&aacute;vamos voltando a p&eacute; por um dos galis&nbsp;</span></strong></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A imagem panor&acirc;mica do<em> </em>horizonte &eacute; incr&iacute;vel </strong>nos<strong>&nbsp;</strong>4 km de ghats ao longo do lento rio. S&atilde;o mil&nbsp;detalhes e movimentos, s&atilde;o dezenas de&nbsp;edif&iacute;cios antigos. &Eacute; uma&nbsp;hist&oacute;ria milenar, al&eacute;m da&nbsp;melhor e mais bonita seda de toda a &Iacute;ndia. S&atilde;o&nbsp;os passeios de barco, o anoitecer na beira do Ganges, o cuidado solene com que lan&ccedil;amos nossas pujas ao rio, as velas acesas seguindo o ritmo lento das &aacute;guas leitosas, os estreitos, labir&iacute;nticos <strong>galis</strong> ora pujantes, ora des&eacute;rticos. S&atilde;o momentos tensos,&nbsp;s&atilde;o os macacos, as vacas agressivas, as matilhas de c&atilde;es vadios assustadores disputando territ&oacute;rio, &eacute; o lixo milenar, o com&eacute;rcio da morte, s&atilde;o os homens sagrados e outros nem tanto, s&atilde;o os&nbsp;aproveitadores, s&atilde;o&nbsp;corpos cremando, s&atilde;o&nbsp;cinzas lan&ccedil;adas.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20003.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332708569613" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">H&aacute; muito mais vida na cidade da morte&nbsp;</span></strong></em></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>S&atilde;o as lenhas empilhadas, as fogueiras enormes</strong>, as chamas luminosas, os jogos de <em>cricket</em>, os touts, os peregrinos, os desocupados, estrangeiros, convertidos e observadores, <em>hippies</em>, p&oacute;s-<em>hippies</em>, neo-<em>hippies</em>, peregrinos no banho sagrado, gente em contri&ccedil;&atilde;o, as &aacute;guas sagradas putrefatas, os lavadores de len&ccedil;&oacute;is um dia brancos, o misticismo, a realidade, o exotismo, a simplicidade, a vida e a morte. O sol ainda n&atilde;o nasceu, mas<strong> </strong>j&aacute;<strong> </strong>amea&ccedil;a no horizonte.<strong> </strong>Os becos de Varanasi j&aacute; come&ccedil;am seu movimento, ainda que longe do burburinho do dia pleno.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong>
<p><span class="full-image-block ssNonEditable" style="text-align: center;">
<h4><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Passeio%20de%20barco%20no%20GANGES_MG_5005a.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332708687827" alt="" /></h4>
</span></p>
</p>
<h4 style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">A vida tur&iacute;stica come&ccedil;a cedo em Varanasi</span></em></h4>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>OS passeios de barco s&atilde;o comuns, tur&iacute;sticos,</strong> extremamente divertidos e interessantes. Fizemos o nosso num barco privativo onde al&eacute;m de n&oacute;s, estavam apenas nosso guia, um indiv&iacute;duo incr&iacute;vel, e o condutor, no comando dos remos. N&atilde;o h&aacute; outra maneira de conhecer os ghats nesta dimens&atilde;o, com o enquadramento visto do rio. Desliza-se pelo Ganges e cenas incr&iacute;veis desfilam diante de n&oacute;s, algumas que jamais esquecerei, especialmente a impon&ecirc;ncia dos&nbsp;edif&iacute;cios antigos, as fogueiras ardento, os banhos sagrados e toda a vida que segue h&aacute; mil&ecirc;nios da mesma maneira.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2041a.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332709059419" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">Nos ghats h&aacute; vida, bem mais do que morte. At&eacute; joga-se criket&nbsp;</span></strong></em>&nbsp;&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O</strong>&nbsp;<strong>Manikarnika Ghat</strong>&nbsp;tem <em>status</em> mais elevado entre os ghats de crema&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o mais caro. Presenci&aacute;-lom desde o rio &eacute; intoxicante, n&atilde;o pela fuma&ccedil;a, mas&nbsp;pela complexidade que &eacute; assistir corpos humanos cremando a c&eacute;u aberto. Foi&nbsp;uma da melhores atividades em<strong> Varanasi.&nbsp;</strong>Mas tamb&eacute;m gostamos das&nbsp;cenas diferentes n&atilde;o relacionadas &agrave; morte, como&nbsp;a dos <em>dhobi wallahs,&nbsp;</em>homens e mulheres que "lavam" roupas nas mesmas &aacute;guas.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Todavia, uma vez na &Iacute;ndia, muitos</strong> conceitos e valores s&atilde;o revistos. Especialmente os ocidentais. Observa-se, por exemplo, que a limpeza n&atilde;o est&aacute; associada ao sagrado como no ocidente. Ao contr&aacute;rio, parece ser a sujeira. H&aacute; esterco de vaca e b&uacute;falo, fezes de c&atilde;os, macacos, humanos nas ruas. Os homens santos s&atilde;o sujos, as ruas s&atilde;o sujas, os ghats s&atilde;o sujos, os templos s&atilde;o sujos, os homens sagrados s&atilde;o sujos, os mendigos, sujos, t&ecirc;m seu valor, n&atilde;o s&atilde;o afastados para as periferias. Leiteiros lavam seus gal&otilde;es, lavadeiras suas roupas, crian&ccedil;as mergulham, pessoas escovam os denets. E mesmo convivendo com tanta sujeira os indianos n&atilde;o s&atilde;o um povo doente, ao menos mais do que qualquer outro.&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2039a.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332709144952" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>_____________________________________</strong></p>
<p><span><strong>Notas para quem quer saber mais:</strong><strong>&nbsp;</strong></span></p>
<p><strong>(*) </strong><span style="font-size: 90%;"><strong>Contraem-se de Febre tif&oacute;ide e poliomielite</strong> a icter&iacute;cia e in&uacute;meras outras s&eacute;rias doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua do Ganges. Por normas oficiais suas &aacute;guas apresentam, na m&eacute;dia, mais de 500 bact&eacute;rias coliformes fecais por 100 ml de &aacute;gua, o que o torna considerado impr&oacute;prio at&eacute; para se tocar, que dir&aacute; beber. Mas no trecho de 6,5 km dos ghats de Varanasi o Ganges chega a apresentar 60.000 bact&eacute;rias por 100 ml. Em Varanasi o governo do Estado de Uttar Pradesh construiu tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es de tratamento com capacidade total de cerca de 100 mil litros de esgoto por dia. Mas Varanasi j&aacute; produzia 150 mil litros quando elas foram constru&iacute;das e j&aacute; agora produzem duas vezes esse montante. Al&eacute;m disso, as plantas raramente operam em plena capacidade, em raz&atilde;o dos freq&uuml;entes cortes de energia e dos fluxos de &aacute;guas residuais n&atilde;o tratados no Ganges. Durante a esta&ccedil;&atilde;o chuvosa, que dura em torno de cinco meses cada ano, o rio inunda e traz de longe ainda mais dejetos.</span></p>
</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20036.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332709453593" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 50%;">&nbsp;</span><span style="font-size: 90%;"><strong>H&aacute; oficialmente 84 </strong><em><strong>ghats</strong></em> - as escadarias em forma de arquibancadas - em Varanasi para diferentes finalidades. Constru&iacute;dos ao longo<strong> </strong>dos s&eacute;culos, alguns est&atilde;o relacionados &agrave; eligi&atilde;o hindu&iacute;sta, isto &eacute;, aos banhos sagrados dos rituais hinduistas, ou <em>pujas</em>, assim como outros usados para lavar roupaso gado, e para &ldquo;higiene&rdquo; pessoal. Os cremat&oacute;rios, ou <em>Shmashan ghats</em>, s&atilde;o destinados &agrave; crema&ccedil;&atilde;o. Crian&ccedil;as e mulheres gr&aacute;vidas (por que crian&ccedil;as s&atilde;o puras e mulheres que as levam no ventre tamb&eacute;m), leprosos (pois h&aacute; risco de cont&aacute;gio), e pessoas que morreram por picadas de cobras venenosas n&atilde;o s&atilde;o cremados, apenas lan&ccedil;adas no rio, assim como os restos dos corpos incinerados, que por nunca se queimarem por completo, n&atilde;o raro encontram-se boiando nas &aacute;guas imundas do Ganges. Alguns dos mais importantes s&atilde;o os ghats <em>Assi, Dasaswamedh, Manikarnika, Tulsi</em> e <em>Panch Ganga</em>. Os <em>ghats</em> s&atilde;o de longe os lugares mais coloridos, fascinantes e surpreendentes de Varanasi. Entre os mais populares est&atilde;o o <strong>Dashaswamedha ghat</strong>, o <strong>Manikarnika ghat</strong>, o <strong>Harishchandra ghat</strong>, o <strong>Assi ghat</strong> e o <strong>Lalita ghat</strong>, cada qual com sua hist&oacute;ria e import&acirc;ncia. Cada ghat foi constru&iacute;do por um rei medieval diferente e foram inspirados segundo cada pr&oacute;pria mitologia.&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p><span style="font-size: 90%;"><strong>Um funeral completo custa entre</strong> 12 e 70 d&oacute;lares. O filho mais velho ent&atilde;o raspa a cabe&ccedil;a e barbeia o rosto, no caso de ser seu pai, obt&eacute;m a certid&atilde;o de &oacute;bito do governo e combina a crema&ccedil;&atilde;o o ghat, compra madeira para a queima do corpo - entre 200 a 300 quilos -, mais incenso ou s&acirc;ndalo para amenizar o cheiro terr&iacute;vel de queima a carne e o cabelo. Nem todos podem pagar pela melhor, e mais cara, madeira para toda a fogueira, o s&acirc;ndalo. O ideal de uma crema&ccedil;&atilde;o perfeita &eacute; que ocorra em at&eacute; no m&aacute;ximpo 12 horas depois da morte ou, o mais tardar, antes do Sol se p&ocirc;r no dia seguinte, caso a morte tenha ocorrido no final de uma tarde. Normalmente o filho mais velho realiza os ritos funer&aacute;rios, o que inclui acender a pira funer&aacute;ria ap&oacute;s a coloca&ccedil;&atilde;o de uma vara ardente na boca do falecido. Somente filhos podem realizar ritos f&uacute;nebres. H&aacute; pouco luto quando morre um hindu, porque acreditam que uma vez que uma pessoa nasce nunca morre, r&atilde;o porque n&atilde;o se v&ecirc;m muitas pessoas chorando nos funerais, mas tamb&eacute;m porque os indianos querem demonstram respeito, n&atilde;o tristeza, ou, ainda, porque acreditam que os mortos estar&atilde;o a partir dali num mundo muito melhor do que aquele que viveu. Tradicionalmente as mulheres n&atilde;o participam das crema&ccedil;&otilde;es porque eles podem chorar, e suas l&aacute;grimas, assim como todos os fluidos corporais, s&atilde;o consideradas impuras, portanto, elas v&aacute;o at&eacute; ajudar a arrumar o corpo para a crema&ccedil;&atilde;o, mas nada al&eacute;m disso. As piras funer&aacute;rias muitas vezes cont&ecirc;m c&acirc;nfora, s&acirc;ndalo e outros perfumes. Uma t&iacute;pica pira &eacute; feita com cerca de 300 quilos de madeira. Fam&iacute;lias ricas usam mais madeira e em geral de melhor qualidade. As pobres usam esterco de vaca em maior quantidade que madeira. Um corpo demora de tr&ecirc;s a quatro horas para queimar. O fogo &eacute; deixado queimando a madeira e durante esse tempo espera-se que o cr&acirc;nio exploda para liberar a alma ao c&eacute;u. Quando o fogo esfria e o cr&acirc;nio ainda n&atilde;o se rachou o cr&acirc;nio, o filho mais velho o golpeia, abrindo-o.</span></p>
<p><strong>(*)</strong> <span style="font-size: 90%;"><strong>Galis s&atilde;o as ruas estreitas de Varanasi</strong>, por tr&aacute;s dos ghats, labir&iacute;nticos, com resid&ecirc;ncias e com&eacute;rcio, escolas e templos, venda de alimentos, vida urbana, albergues, lojas de especiarias e de apetrechos para as crema&ccedil;&otilde;es e cultos. Vacas misturam-se &agrave;s bicicletas, gente e c&atilde;es. Por vezes ficam &ldquo;estacionadas&rdquo; defronte &agrave;s casas de seus propriet&aacute;rios, j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; quintais para cri&aacute;-las. Algumas parecem n&atilde;o ser de propriedade de ningu&eacute;m. Vira-se uma uma esquina de um beco estreito e depara-se com uma vaca e um pequeno santu&aacute;rio sem saber ao certo para qual devemos prestar aten&ccedil;&atilde;o. H&aacute; muito o que ver neles. Explor&aacute;-los pode ser t&atilde;o ou mais incr&iacute;vel do que aos ghats. Os mais indicados a explorar s&atilde;o o Vishwanath Gali, Kachauri Gali, Thatheri Bazar Gali e Khoa Gali, entre outros.</span></p>
<p><strong>A Day in Varanasi </strong>(<em>by</em> <a href="http://vimeo.com/svendreesbach">Sven Dreesbach</a>) - Document&aacute;rio n&atilde;o narrado, com 10 minutos de dura&ccedil;&atilde;o, o qual - bem filmado - que mostra a vida cotidiana ao longo do rio Ganges. <a href="http://vimeo.com/4098527">http://vimeo.com/4098527</a></p>
<p style="text-align: center;">_____________</p>
<p style="text-align: center;">A seguir: <strong>Um passeio a Sarnath</strong></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
</p>]]></content></entry><entry><title>Varanasi. Retratos da vida na cidade da morte</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/15/varanasi-retratos-da-vida-na-cidade-da-morte.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/15/varanasi-retratos-da-vida-na-cidade-da-morte.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-03-15T14:48:38Z</published><updated>2012-03-15T14:48:38Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: black;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20004.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332028642318" alt="" /></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black;"><strong>&nbsp;</strong><span style="font-size: 90%;"><em>Dashashwamedh Ghat</em><em>,&nbsp;principal e mais espetacular lugar de Varanasi</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;AO contr&aacute;rio do que imagin&aacute;vamos, h&aacute;</strong> bem mais vida que morte nos <strong>ghats</strong> (*1)<strong> </strong>de<strong> Varanasi.</strong> Presenciamos muito mais&nbsp;celebra&ccedil;&otilde;es&nbsp;&agrave; vida, ao hinduismo e ao Ganges do que&nbsp;&agrave; morte.&nbsp;A cidade &eacute;&nbsp;movimento,&nbsp;festa,&nbsp;peregrina&ccedil;&atilde;o, f&eacute;. At&eacute; mesmo quando assistimos crema&ccedil;&otilde;es, notamos um certo car&aacute;ter festivo nos eventos.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A morte &eacute; coadjuvante,&nbsp;definitivamente&nbsp;n&atilde;o</strong> <strong>est&aacute;</strong> em tudo nem espalhada por todo canto como se pode supor. Varanasi foi reveladora e&nbsp;surpreendente,&nbsp;n<span style="color: #131313;">&atilde;o foi&nbsp;dif&iacute;cil </span><span style="color: black;">compreender a moral e o car&aacute;ter de todos os eventos que se desenvolvem nos&nbsp;<strong>ghats</strong>,&nbsp;perceber seus sentidos e encar&aacute;-los&nbsp;de&nbsp;forma &eacute;tica,&nbsp;alinhando-nos&nbsp;na tentativa&nbsp;sen&atilde;o de compreend&ecirc;-los, aceit&aacute;-los.&nbsp;&nbsp;"Aceita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afinal&nbsp;j&aacute; sab&iacute;amos&nbsp;ser a chave para&nbsp;se gostar da &Iacute;ndia. Ainda que as extravag&acirc;ncias sejam de matar qualquer pretens&atilde;o de entendimento -&nbsp; especialmente&nbsp;a moral religiosa hindu -&nbsp; presenciar os eventos nos <strong>ghats</strong>&nbsp;&eacute; uma experi&ecirc;ncia complexa do ponto-de-vista da sociedade em que fomos criados.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A cidade &eacute; repleta de vida</strong> e&nbsp;misticismos, de peregrina&ccedil;&atilde;o&nbsp;religiosa, de antiguidades e vibra&ccedil;&otilde;es, de todas as energias que&nbsp;apenas a <span style="text-decoration: underline;">vida</span> pode proporcionar.&nbsp; E mesmo quando o tema &eacute; a morte, <strong>Varanasi</strong> prop&otilde;e&nbsp;ao visitante sua compreens&atilde;o&nbsp;sob um&nbsp;ponto-de-vista diferente do que se&nbsp;tem&nbsp;aqui deste&nbsp;lado ocidental e crist&atilde;o do mundo. Quando&nbsp;se visita um <strong>ghat</strong><em>&nbsp;</em>de crema&ccedil;&atilde;o, pratica-se&nbsp;o&nbsp;voyerismo.&nbsp;Afinal,&nbsp;quase&nbsp;todos v&atilde;o ali para isso. Mas&nbsp;o turista&nbsp;que o faz&nbsp;bem abastecido de informa&ccedil;&otilde;es, sabendo o que observar&aacute;, e acompanhar-se&nbsp;de um bom guia, poder&aacute;&nbsp;compreender que <strong>a morte&nbsp;&eacute;&nbsp;um evento positivo&nbsp;em</strong> <strong>Varanasi</strong>.</p>
<p><span style="font-size: 50%;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2001.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332073333930" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Todos segu&iacute;amos&nbsp;na mesma dire&ccedil;&atilde;o, ombro a ombro,&nbsp;com igual frenesi...</span></em></p>
<p><strong><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Caminh&aacute;vamos prestes a entrar</span></strong><em><strong><span style="color: black;"> </span></strong></em><strong><span style="color: black;">num dos</span></strong><span style="color: black;"> mais ca&oacute;ticos lugares do planeta, de onde n</span>&atilde;o se sai&nbsp;inc&oacute;lume e sem marcas. No trecho mais velho da cidade &iacute;amos em dire&ccedil;&atilde;o&nbsp;ao&nbsp;<strong>ghat</strong>, o lugar mais auspicioso da &Iacute;ndia,&nbsp;situado &agrave; margem do Ganges. Alinhados&nbsp;&agrave; multid&atilde;o, todos&nbsp;na mesma dire&ccedil;&atilde;o e&nbsp;com igual frenesi,&nbsp;pass&aacute;vamos entre edif&iacute;cios decr&eacute;pitos e&nbsp;a maior gama de exotismos&nbsp;e extravag&acirc;ncias que jamais supomos presenciar. O&nbsp;clima era&nbsp;vibrante. E todos pareciam compartilh&aacute;-lo. Entretanto,&nbsp;para&nbsp;n&oacute;s por vezes aparentava&nbsp;pouco mais do que poder&iacute;amos suportar, ainda que jamais tenhamos chegado a&nbsp;tal ponto. Nosso destino era o <strong>Dashashwamedh Ghat</strong>,<strong>&nbsp;</strong><span style="color: black;">principal e mais espetacular</span> lugar de <strong>Varanasi.</strong>&nbsp;&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/5%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20063.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332028460394" alt="" /></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;<span style="font-size: 90%;">&nbsp; N&atilde;o h&aacute;&nbsp;melhor maneira de conhecer os <em>ghats</em>&nbsp;em toda dimens&atilde;o que&nbsp;num passeio de barco</span></em></p>
<p><em>&nbsp;</em><em>&nbsp;</em><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>A&nbsp;ansiedade&nbsp;nos </strong><span style="color: black;"><strong>provocava </strong><strong>confus&otilde;es mentais</strong><strong>&nbsp;</strong>imposs&iacute;veis&nbsp;de aplacar, o que jamais sentimos n</span>em mesmo em nossas outras andan&ccedil;as pela &Iacute;ndia. Esperiment&aacute;vamos&nbsp;tantas e t&atilde;o novas&nbsp;experi&ecirc;ncias&nbsp;nesta&nbsp;segunda&nbsp;visita &agrave; &Iacute;ndia, mas jamais pod&iacute;amos supor&nbsp;como seria o primeiro encontro com&nbsp;o mais vibrante&nbsp;<strong>ghat&nbsp;</strong>de Varanasi,&nbsp;um universo paralelo.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A peregrina&ccedil;&atilde;o aos</strong> <strong>ghats</strong> <strong>&eacute; ao</strong> mesmo tempo emocionante e desconcertante. Como num ritual, sua aproxima&ccedil;&atilde;o&nbsp;exerce efeitos incr&iacute;veis e complexos&nbsp;aos que chegam e permanecem mesmo depois que chegarmos, parecem&nbsp;perdurar&nbsp;at&eacute; o fim do dia,&nbsp;j&aacute; na&nbsp;volta ao&nbsp;hotel.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20040a.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332079106302" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="font-size: 90%;">Nas &aacute;guas sagradas do Ganges,&nbsp;lava-se&nbsp;roupa, o gado, faz-se&nbsp;a &ldquo;higiene&rdquo; pessoal e celebra-se o hinduismo</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span></em><strong>A experi&ecirc;ncia dura pouco mais de</strong> dez minutos, mas &eacute; transcendental. <span style="color: black;">Ao menos n&atilde;o est&aacute; quente. &Eacute; </span>Inverno na &Iacute;ndia. <span style="color: black;">Melhor assim. Afinal t</span>udo o que vemos, sentimos e vivemos no percurso at&eacute; o ghat &eacute; ora controverso, ora contradit&oacute;rio, mas sempre obscuro, improv&aacute;vel, compreens&iacute;vel, por vezes at&eacute; inaceit&aacute;vel. S&atilde;o os efeitos estranhos que, <strong>Varanasi </strong>provoca, fruto da inspira&ccedil;&atilde;o que absorvemos a cada passo do caminho, das imagens que vemos a cada esquina, das contradi&ccedil;&otilde;es que percebemos a cada passo. E<span style="color: black;">stamos, n&atilde;o sem surpresa, na mais espiritual e sagrada cidade da &Iacute;ndia, e sabemos que ela &eacute; toda de espantos, de vida e de morte, de peregrina&ccedil;&atilde;o e de excessos. Tamb&eacute;m sabemos, e sentimos na pele,&nbsp;que o turista &eacute; insignificante, peregrinos s&atilde;o a maioria e o mais importante para a cidade.</span><em><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;</span></em><span style="color: black;"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em><strong>&nbsp; </strong></span></p>
<p><span style="color: black;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Caminho at&eacute; o <em>ghat</em> &eacute; chocante</strong>, mas n</span>&atilde;o h&aacute; tempo para frescuras,&nbsp;s&oacute;&nbsp;lugar para as ansiedades, talvez para um pouquinho de nervosismo, apreens&atilde;o, nada mais. Para os hindus<strong> Varanasi </strong>&eacute; o "portal para o<strong> </strong>C&eacute;u", t&atilde;o sagrada a cidade&nbsp;quanto o Vaticano e Mecca para&nbsp;os crist&atilde;os e&nbsp;mu&ccedil;ulmanos, ou como <strong>Sarnath</strong> para os budistas, cidadezinha que visitamos depois de 3 dias em Varanasi. Para n&oacute;s&nbsp;tudo n&atilde;o passou de&nbsp;uma experi&ecirc;ncia memor&aacute;vel, uma das mais penetrantes e ador&aacute;veis&nbsp;que tivemos em viagens,&nbsp;mesmo na &Iacute;ndia.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-block ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2002.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332074093593" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span style="font-size: 90%;">&nbsp;<em>Peregrinos, religiosos, turistas,&nbsp;mendigos e&nbsp;touts ocupam seu lugar num degrau do</em>&nbsp;<span style="font-size: 90%;"><em>Dashashwamedh Ghat</em></span>&nbsp;</span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Todos - turistas,&nbsp;peregrinos, mendigos,&nbsp;leprosos -</strong>, definitivamente a mais complexa e variada gama de indiv&iacute;duos e ra&ccedil;as,&nbsp;com as mais isond&aacute;veis inten&ccedil;&otilde;es,&nbsp;al&eacute;m das bicicletas, de motonetas, de animais, de&nbsp;sujeira, mercadorias e carrocinhas seguia disputando&nbsp;o&nbsp;mesmo ex&iacute;guo espa&ccedil;o. O caos &eacute; apenas&nbsp;aparente&nbsp;caos,&nbsp;h&aacute; aquela&nbsp;ordem subliminar que s&oacute; ocorre na &Iacute;ndia. A dire&ccedil;&atilde;o? O lugar mais sagrado de <strong>Varanasi</strong>, a cidade mais sagrada da &Iacute;ndia,&nbsp;um pa&iacute;s j&aacute; sobrenatural. Estar&nbsp;ali&nbsp;equivale ao que deva ser a experi&ecirc;ncia de&nbsp;viver noutra dimens&atilde;o, a subverter&nbsp;compreens&otilde;es de como&nbsp;as coisas&nbsp;funcionam. Ali se&nbsp;vive e tudo segue&nbsp;ritmos, formas, for&ccedil;as e modos diferentes.</p>
<p style="text-align: center;"><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2002.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332032507172" alt="" /></span>&nbsp;&nbsp; </em></p>
<p>&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H&aacute;&nbsp;84 ghats em Varanasi</strong>. Eles t&ecirc;m a forma&nbsp;de escadarias, s&atilde;o&nbsp;como arquibancadas,&nbsp;servem a diferentes finalidades. Constru&iacute;dos ao longo dos s&eacute;culos, muitos est&atilde;o relacionados &agrave; religi&atilde;o hindu&iacute;sta, isto &eacute;, aos banhos sagrados e tantos outros rituais. Mas tamb&eacute;m h&aacute; os ghats utilit&aacute;rios,&nbsp;&nbsp;usados para lavar roupas, o gado e para &ldquo;higiene&rdquo; pessoal <strong>(*2)</strong> . Os <strong>ghats </strong>cremat&oacute;rios chamam-se <em>shmashan ghats</em>. Neles apenas crian&ccedil;as e mulheres gr&aacute;vidas n&atilde;o s&atilde;o cremados: crian&ccedil;as s&atilde;o puras e mulheres que as levam no ventre tamb&eacute;m. Os leprosos&nbsp;n&atilde;o se cremam&nbsp;porque sup&otilde;em-se&nbsp;haja riscos de cont&aacute;gios, assim como pessoas que morreram&nbsp;picadas por cobras venenosas tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o cremadas:&nbsp;seus corpos s&atilde;o lan&ccedil;ados no rio, assim como as cinzas e&nbsp;os restos de corpos n&atilde;o inteiramente cremados.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Alguns dos mais importantes s&atilde;o os</strong> ghats <strong>Lalit, Assi, Dasaswamedh, Manikarnika, Tulsi</strong> e <strong>Panch Ganga</strong>. S&atilde;o de longe a melhor atra&ccedil;&atilde;o, os lugares mais coloridos, fascinantes e surpreendentes de Varanasi, cada qual com sua hist&oacute;ria e import&acirc;ncia, constru&iacute;do por um rei diferente e inspirado cada qual em uma pr&oacute;pria mitologia.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span style="font-size: 9pt;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2001.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332032527159" alt="" /></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span class="full-image-inline ssNonEditable">&nbsp;&nbsp; <span style="font-size: 80%;">A dire&ccedil;&atilde;o? O lugar mais sagrado de Varanasi: um ghat</span></span><span style="font-size: 80%;">&nbsp;</span></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong><strong>A</strong><span style="color: black;"><strong>inda que uma tentativa ing&ecirc;nua eu </strong>procurava compreender a moral e o car&aacute;ter dos eventos que se desenvolvem nos <strong>ghats</strong>. Ou ent&atilde;o procurar seu sentido, a fim de que de uma forma mais &eacute;tica me alinhasse a eles. Mas as extravag&acirc;ncias eram de matar qualquer pretens&atilde;o de entendimento das regras da moral religiosa, de uma vida de experi&ecirc;ncias aparentemente sem limites, especialmente sob o ponto de vista da sociedade em que me criei. S&oacute; consegui alcan&ccedil;ar a acenita&ccedil;&atilde;o, jamais a compreens&atilde;o de tudo t&atilde;o paradoxal, que depois de tamanha evolu&ccedil;&atilde;o a humanidade ainda me surpreendessem&nbsp;cren&ccedil;as e mecanismos t&atilde;o esdr&uacute;xulos, tais como pingar gotas do rio putrefado na boca de um rec&eacute;m nascido a fim de assegurar sua&nbsp;sa&uacute;de, banhar-se e beber daquela sopa imunda. Nenhuma quest&atilde;o moral me abatia, apenas a perplexidade, que afinal acompanhou-me por todo o tempo, tanto quanto encantou-me a estada em <strong>Varanasi</strong><em>.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/1%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2003.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332032637537" alt="" /></span> </em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Talvez por isso Varanasi seja um</strong> perigo para os desavisados, uma inconseq&uuml;&ecirc;ncia para os fracos. A mais incomum das cidades do planeta n&atilde;o &eacute; um destino t&atilde;o recomend&aacute;vel e distinto, tampouco um lugar para se cair de amores. Visitar a cidade n&atilde;o &eacute; uma experi&ecirc;ncia rom&acirc;ntica, muito menos relaxante. E ainda que memor&aacute;vel, &eacute; desconcertante. Como em toda a &Iacute;ndia, para uns &eacute; deplor&aacute;vel, para outros ador&aacute;vel. Para quase todos, todavia, &eacute; desoladora, porque abala conceitos, dissolve paci&ecirc;ncias, exige resigna&ccedil;&atilde;o, o que nem sempre est&aacute; t&atilde;o dispon&iacute;vel em todos. N&atilde;o se indica aos viajantes mal informados, sen&atilde;o aos experientes. Tampouco aos est&ocirc;magos fracos e &agrave;s mentes melindrosas.</p>
<p><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2035.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332032977075" alt="" /></span></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Engana-se quem acha que a cidade </strong>atinge apenas aos m&iacute;sticos e religiosos. Ao contr&aacute;rio, exerce influ&ecirc;ncias iguais nos c&eacute;ticos, agn&oacute;sticos e ateus. Todavia &eacute; fortemente contra-indicada aos inocentes, aos ing&ecirc;nuos, aos desatentos e despreparados. Para estes reserva s&eacute;rios efeitos colateriais. De todos, indistintamente, requer senso de humor e olhar abrangente. Cair&aacute; melhor em quem assumir o voyerismo da morte e a observa&ccedil;&atilde;o de extravag&acirc;ncias sem culpas, mas ainda assim ser&aacute; cruel e implac&aacute;vel. <strong>Em Varanasi</strong> <strong>a morte n&atilde;o &eacute; tr&aacute;gica nem surpreendente</strong>.</p>
<p><em><span class="full-image-block ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2029.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033050614" alt="" /></span></em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em><strong>Ao contr&aacute;rio, trivial e aguardada, &eacute; </strong>corriqueira, ainda que solene. Tirar&aacute; mais proveito aquele que se preparar para os<strong> ghats</strong> - mas os que s&atilde;o palcos da vida, n&atilde;o da morte. Assim como para os<strong> galis</strong>, seus coadjuvantes. Ambos s&atilde;o desnorteantes, os primeiros amplos, os outros labir&iacute;nticos. Por eles jamais se caminha placidamente, corpo e mente seguem quase sempre em desvario. S&atilde;o mundos paralelos, por vezes sombrios demais, &aacute;speros e opressivos. Noutras s&atilde;o extremamente vibrantes, amplos, claros, cheios de vida. Ambos - <strong>ghats</strong> e <strong>galis (*3)</strong>&nbsp;- exigem bem mais do que muitos conseguem suportar. Mas s&atilde;o uma j&oacute;ia rara para quem se atrai por mist&eacute;rios, quem se encanta com exotismos, quem aceita bem os contrastes, digere excentricidades e admite diversidades.</p>
<p><em>&nbsp;<span class="full-image-block ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2025.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033084297" alt="" /></span></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Varanasi</strong><em> </em><strong>d&aacute; trabalho. E que trabalho </strong>d&aacute; ao c&eacute;rebro! Exige preparo, talvez o maior que j&aacute; se requere para a &Iacute;ndia. Precisa-se muito dele para observar e compreender o fim da vida ao modo hindu, especialmente quando observada de um ghat de crema&ccedil;&atilde;o. Ali, aquele que encarar as crema&ccedil;&otilde;es como um simples espet&aacute;culo, estar&aacute; incorrendo em ingenuidade e inconseq&uuml;&ecirc;ncia. N&atilde;o se tratam de simples queima de corpos, mas algo para se compreende e aceitar a inexorabilidade do fim da vida.&nbsp;</p>
<p><em><span class="full-image-block ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2026.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033201569" alt="" /></span></em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>Tanta</strong> <strong>concentra&ccedil;&atilde;o pode tornar raros os </strong>momentos de relaxamento, mas ser&aacute; viver momentos de reflex&atilde;o e encantamento, ainda que possam representar o desgaste de energias vitais, o desalinhar de pensamentos, prova aos sentidos, questionamento de convic&ccedil;&otilde;es, especialmente as n&atilde;o muito convictas. Para quem j&aacute; gosta da &Iacute;ndia, recompensa mais do que cobra, vale mais do que custa. E&nbsp;faz o visitante perceber a&nbsp;complexidade&nbsp;da humanidade e da vida. N&atilde;o deixa pedra-sobre-pedra sobre o que seja a &Iacute;ndia e at&eacute; adiciona sabedoria ao visitante.</p>
<p><em><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2027.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033243987" alt="" /></span></em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em><strong> Somos alvos veementes da a&ccedil;&atilde;o dos</strong> touts e de suas tentativas de ganhar algumas r&uacute;pias dos visitantes estrangeiros. S&atilde;o os mais insistentes da &Iacute;ndia. Jamais aceitam &ldquo;n&atilde;o&rdquo; como resposta. E n&atilde;o desgrudam. Nem mesmo quando os ignoramos. S&atilde;o criativos. Como Shiva, s&atilde;o onipresentes. Os <strong>ghats</strong> s&atilde;o seu ninho, mas nos <strong>galis</strong> se dispersam. Aproximam-se com o papinho de sempre, &ldquo;informam&rdquo; gratuitamente que &eacute; muito bom pro o karma pagar por um quilo de lenha aos que n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro pra compr&aacute;-la. E olha que nem &eacute; t&atilde;o caro assim o custo de limpar a barra de seu karma: cerca de 200 r&uacute;pias. Convenhamos, &eacute; muito econ&ocirc;mico liberar seu caminho pro c&eacute;u em Varanasi. Qualquer cidad&atilde;o decente n&atilde;o exitaria em doar uns trocados para fam&iacute;lias paup&eacute;rrimas comprarem a lenha para cremar seus mortos. Caso contr&aacute;rio, teriam que jogar o corpo diretamente no rio. Entretanto, se a doa&ccedil;&atilde;o vai chegar ao destinat&aacute;rio e, mesmo chegando, se ser&aacute; usada para ao fim proposto, a&iacute; j&aacute; s&atilde;o outras quinhentas r&uacute;pias. Para a crema&ccedil;&atilde;o gastam-se cerca de 360 quilos de madeira. Custam at&eacute; 7 mil rupias. &Eacute; muito dinheiro para muitos indianos. Alguns ganham essa quantia por um m&ecirc;s de trabalho duro. N&atilde;o quero nem me referir &agrave;s interfer&ecirc;ncias assustadoras dos touts que flagram turistas fotografando uma crema&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2028.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033272185" alt="" /></span></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por ali n&atilde;o h&aacute; o romantismo</strong>, tampouco as cores<strong> </strong>do Rajast&atilde;o. Nem a dan&ccedil;a sensual, a eleg&acirc;ncia indiscreta de suas mulheres. S&atilde;o parcos os prazeres que ela concede, ao menos nos aspectos tur&iacute;sticos. &Eacute; mais cheia e suja do que todas as cidades do Rajast&atilde;o e de Uttar Pradesh juntas. Respira-se o mais complexo misto de cheiros desagrad&aacute;veis que se possa sonhar produzir. Qualquer curtume de Marrakech parecer cheirar a &aacute;gua de col&ocirc;nia comparado aos de Varanasi. Mas se a autencidade &eacute; o foco, se o apelo tur&iacute;stico &eacute; aut&ecirc;ntico, tudo poder&aacute; ser t&atilde;o deslumbrante quanto pode ser o sobrenatural, t&atilde;o excitante e perturbadora, feia e bela como s&oacute; ela consegue ser.&nbsp;</p>
<p><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20081.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033546597" alt="" /></span></em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>As &aacute;guas do Ganges - o rio</strong> mais sagrado da &Iacute;ndia e maior patrim&ocirc;nio de <strong>Varanasi </strong>- t&ecirc;m a cor e consist&ecirc;ncia de uma sopa de ervilhas. Silencioso, o caldo segue seu curso testemunhando a hist&oacute;ria e os incr&iacute;vei, variados eventos que se desenrolam nos ghats. Para ali os hindus v&atilde;o encontrar a morte, ou para apress&aacute;-la, a julgar os que bebem dela. Aqueles que j&aacute; a encontraram s&atilde;o levados &agrave; crema&ccedil;&atilde;o. Suas cinzas, assim como o resto que o fogo n&atilde;o consumiu, jogam-se ao rio, no mesmo rio onde homens, mulheres, crian&ccedil;as e animais mergulham at&eacute; o pesco&ccedil;o, turistas navegam, corpos boiam, bilh&otilde;es de litros de esgoto s&atilde;o despejados, &ldquo;lava-se&rdquo; roupa e toma-se o banho sagrado para a livra&ccedil;&atilde;o do mau karma. Os muito pobres lan&ccedil;am os corpos de seus entes queridos embrulhados em chita diretamente nas &aacute;guas, antes amarrando-lhes pedras para que afundem no leito do rio. Eles n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro para a lenha. Esta perfurante realidade cotidiana &eacute; t&atilde;o comum que nem mesmo a morte a estanca: a vida continua. S&atilde;o vivos os ghats da morte em Varanasi.</p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%20139.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033668061" alt="" /></span> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A vida num ghat n&atilde;o termina </strong>com a morte, segue um ritmo pr&oacute;prio, r&aacute;pido como nos <strong>galis</strong>, lento como as &aacute;guas do Ganges.&nbsp;Mesmo com todo seu poder de afastar, <strong>Varanasi</strong> atrai. H&aacute; mil&ecirc;nios. De Buda a Shiva, de <em>Mark Twain</em> a <em>Paul Theroux</em>, de celebridades hollywoodianas a outras tantas mundiais, de turistas comuns a curiosos, de estudiosos a religiosos, de ateus a voyeurs. E a todos atrai pelas mais variadas raz&otilde;es, de uma simples experi&ecirc;ncia tur&iacute;stica aos fins mais nobres: pesquisas filos&oacute;ficas, religiosas e antropol&oacute;gicas, tratamentos terap&ecirc;uticos naturais, busca de inspira&ccedil;&atilde;o para um livro, um filme, para a moda, para aperfei&ccedil;oar-se no yoga ou aprender culin&aacute;ria. Todos passaram, passam e passar&atilde;o pelos mesmos becos sombrios, sob os mesmos edif&iacute;cios decr&eacute;pitos, entre as multid&otilde;es permanentes, pisando na mesma sujeira de sempre. E ao fim de suas jornadas ter&atilde;o a impress&atilde;o real, espont&acirc;nea, natural e inquestion&aacute;vel, positiva ou n&atilde;o.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2032.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332080099799" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <span style="font-size: 90%;">Ainda mais atr&aacute;s est&atilde;o os <em><strong>galis</strong></em>, becos labir&iacute;nticos e estreitos, os &ldquo;bastidores&rdquo; daqueles &ldquo;palcos&rdquo;.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nenhuma</strong> <strong>viagem &agrave; &Iacute;ndia &eacute; igual</strong>. E ningu&eacute;m compartilha das mesmas opini&otilde;es. Sabemos que experi&ecirc;ncias de viagens s&atilde;o diferentes, ainda&nbsp;que iguais sejam&nbsp;os roteiros. Dizem at&eacute; que h&aacute; <span style="text-decoration: underline;">dois</span> tipos de viajantes: os que<strong> j&aacute; foram</strong> &agrave; &Iacute;ndia e os que <strong>ainda n&atilde;o</strong>. Entre os que j&aacute; foram, h&aacute; dois subtipos: <strong>os que amam</strong> e <strong>os que juram n&atilde;o voltar</strong>. Muitos, todavia, n&atilde;o sabem &eacute;&nbsp;boa parte dos que detestam poderia figurarar&nbsp;entre os primeiros se tivessem se preparado para ir&nbsp;&agrave; &Iacute;ndia.&nbsp;&nbsp;N&oacute;s estamos&nbsp;entre os que amam a &Iacute;ndia, desde o primeiro encontro. e entre os que acham&nbsp;<strong>Varanasi</strong> uma experi&ecirc;ncia indispens&aacute;vel a qualquer indiv&iacute;duo adulto e maduro.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/2%20VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2030.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332079716401" alt="" /></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Este relato, em dois cap&iacute;tulos</strong> - 1) <em><strong>Varanasi. Retratos da vida na cidade da morte</strong></em>, e 2) <strong><span style="color: #131313;"><em>Varanasi. Morte, um evento positivo -&nbsp;</em></span></strong>&eacute; um apanhado de&nbsp;minhas reflex&otilde;es, escritas para mostrar a ess&ecirc;ncia de Varanasi, n&atilde;o&nbsp;o atrevimento de escrever sobre religi&atilde;o, misticismo, cren&ccedil;as, f&eacute; e&nbsp;morte, o que significa&nbsp;incorrer em s&eacute;rio perigo, passar por um p&acirc;ntano de superficialidades, incorre&ccedil;&otilde;es, banalidades,&nbsp;ingenuidades&nbsp;e erros&nbsp;que sempre temi.&nbsp;&Eacute; apenas&nbsp;minha vis&atilde;o pessoal de Varanasi, um grande esfor&ccedil;o&nbsp;na tentativa de ser&nbsp;imparcial.</p>
<p><em>&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-block ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/VARANASI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20Fev%202012%2042.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1332033983730" alt="" /></span></em></p>
<p><strong><span style="color: #131313;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dedico este relato &agrave; minha doce</span></strong><span style="color: #131313;"><em> </em><strong>Em&iacute;lia</strong><em>,</em> excepcional companheira</span><strong><span style="color: #131313;"> </span></strong>de viagens e de vida, suporte intelectual que tornou a viagem ainda mais excepcional, quer por seu positivismo, quer por suas &oacute;timas sugest&otilde;es de roteiros, de fant&aacute;sticos lugares a visitar. Obrigado, Em&iacute;lia, por me levar a aproveitar ainda melhor cada minuto do dia em Varanasi.&nbsp;E o publico em aten&ccedil;&atilde;o ao leitor, esperando transmitir-lhe a ess&ecirc;ncia da cidade ao seu julgamento.</p>
<p><em><span style="color: #131313;">&nbsp;</span></em><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obrigado, leitor. Boa viagem na leitura.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 110%;">______________________</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 110%;">A&nbsp;seguir:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 110%;">Varanasi. Morte,&nbsp;um evento positivo</span></strong></p>
<p><strong>(*1) </strong><span style="font-size: 90%;"><strong>Um funeral completo custa entre</strong> 12 e 70 d&oacute;lares. O filho mais velho ent&atilde;o raspa a cabe&ccedil;a e barbeia o rosto, no caso de ser seu pai, obt&eacute;m a certid&atilde;o de &oacute;bito do governo e combina a crema&ccedil;&atilde;o o ghat, compra madeira para a queima do corpo - entre 200 a 300 quilos -, mais incenso ou s&acirc;ndalo para amenizar o cheiro terr&iacute;vel de queima a carne e o cabelo. Nem todos podem pagar pela melhor, e mais cara, madeira para toda a fogueira, o s&acirc;ndalo. O ideal de uma crema&ccedil;&atilde;o perfeita &eacute; que ocorra em at&eacute; no m&aacute;ximpo 12 horas depois da morte ou, o mais tardar, antes do Sol se p&ocirc;r no dia seguinte, caso a morte tenha ocorrido no final de uma tarde. Normalmente o filho mais velho realiza os ritos funer&aacute;rios, o que inclui acender a pira funer&aacute;ria ap&oacute;s a coloca&ccedil;&atilde;o de uma vara ardente na boca do falecido. Somente filhos podem realizar ritos f&uacute;nebres. H&aacute; pouco luto quando morre um hindu, porque acreditam que uma vez que uma pessoa nasce nunca morre, r&atilde;o porque n&atilde;o se v&ecirc;m muitas pessoas chorando nos funerais, mas tamb&eacute;m porque os indianos querem demonstram respeito, n&atilde;o tristeza, ou, ainda, porque acreditam que os mortos estar&atilde;o a partir dali num mundo muito melhor do que aquele que viveu. Tradicionalmente as mulheres n&atilde;o participam das crema&ccedil;&otilde;es porque eles podem chorar, e suas l&aacute;grimas, assim como todos os fluidos corporais, s&atilde;o consideradas impuras, portanto, elas v&aacute;o at&eacute; ajudar a arrumar o corpo para a crema&ccedil;&atilde;o, mas nada al&eacute;m disso. As piras funer&aacute;rias muitas vezes cont&ecirc;m c&acirc;nfora, s&acirc;ndalo e outros perfumes. Uma t&iacute;pica pira &eacute; feita com cerca de 300 quilos de madeira. Fam&iacute;lias ricas usam mais madeira e em geral de melhor qualidade. As pobres usam esterco de vaca em maior quantidade que madeira. Um corpo demora de tr&ecirc;s a quatro horas para queimar. O fogo &eacute; deixado queimando a madeira e durante esse tempo espera-se que o cr&acirc;nio exploda para liberar a alma ao c&eacute;u. Quando o fogo esfria e o cr&acirc;nio ainda n&atilde;o se rachou o cr&acirc;nio, o filho mais velho o golpeia, abrindo-o. </span></p>
<p><strong><span style="font-size: 9pt;">(*2)&nbsp;<span style="font-size: 90%;">&ldquo;Higiene&rdquo; pessoal. </span></span></strong><span style="font-size: 90%;">contrai-se de Febre tif&oacute;ide e poliomielite a icter&iacute;cia e in&uacute;meras outras s&eacute;rias doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua do Ganges. Por normas oficiais suas &aacute;guas apresentam, na m&eacute;dia, mais de 500 bact&eacute;rias coliformes fecais por 100 ml de &aacute;gua, o que o torna considerado impr&oacute;prio at&eacute; para se tocar, que dir&aacute; beber. Mas no trecho de 6,5 km dos ghats de Varanasi o Ganges chega a apresentar 60.000 bact&eacute;rias por 100 ml. Em Varanasi o governo do Estado de Uttar Pradesh construiu tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es de tratamento com capacidade total de cerca de 100 mil litros de esgoto por dia. Mas Varanasi j&aacute; produzia 150 mil litros quando elas foram constru&iacute;das e j&aacute; agora produzem duas vezes esse montante. Al&eacute;m disso, as plantas raramente operam em plena capacidade, em raz&atilde;o dos freq&uuml;entes cortes de energia e dos fluxos de &aacute;guas residuais n&atilde;o tratados no Ganges. Durante a esta&ccedil;&atilde;o chuvosa, que dura em torno de cinco meses cada ano, o rio inunda e traz de longe ainda mais dejetos.</span></p>
<p><span style="font-size: 90%;"><strong>(*3)</strong> Galis s&atilde;o as ruas estreitas de Varanasi, por tr&aacute;s dos ghats, labir&iacute;nticos, com resid&ecirc;ncias e com&eacute;rcio, escolas e templos, venda de alimentos, vida urbana, albergues, lojas de especiarias e de apetrechos para as crema&ccedil;&otilde;es e cultos. Vacas misturam-se &agrave;s bicicletas, gente e c&atilde;es. Por vezes ficam &ldquo;estacionadas&rdquo; defronte &agrave;s casas de seus propriet&aacute;rios, j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; quintais para cri&aacute;-las. Algumas parecem n&atilde;o ser de propriedade de ningu&eacute;m. Vira-se uma uma esquina de um beco estreito e depara-se com uma vaca e um pequeno santu&aacute;rio sem saber ao certo para qual devemos prestar aten&ccedil;&atilde;o. H&aacute; muito o que ver neles. Explor&aacute;-los pode ser t&atilde;o ou mais incr&iacute;vel do que aos ghats. Os mais indicados a explorar s&atilde;o o Vishwanath Gali, Kachauri Gali, Thatheri Bazar Gali e Khoa Gali, entre outros.</span><span style="font-size: 90%;">&nbsp;</span></p>]]></content></entry><entry><title>Khajuraho – Arte em perfeição</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/8/khajuraho-arte-em-perfeico.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/8/khajuraho-arte-em-perfeico.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-03-08T14:28:16Z</published><updated>2012-03-08T14:28:16Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p><span class="bodytext"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que primeiro vem &agrave; mente </strong><em>quando se fala dos templos de</em><strong>&nbsp;<em>Khajuraho </em></strong><em>&eacute; &ldquo;erotismo&rdquo;. Mas&nbsp;ao contr&aacute;rio&nbsp;do que se sup&otilde;e,&nbsp;&eacute; &ldquo;arte&rdquo;&nbsp;o que&nbsp;presenciamos, &eacute; ela que se destaca quando&nbsp;os visitamos. Arte fina&nbsp;e perfeita,&nbsp;expressa em pedra,&nbsp;celebrando&nbsp;a vida e </em></span><em>o amor. </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3144.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331248952238" alt="" /></span></span> </em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>Num dos mais extraordin&aacute;rios s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos </strong><em>da &Iacute;ndia,&nbsp;a arte</em> -<em> este genial exemplo de criatividade humana - &eacute; </em><span><em>expressa na forma de figuras humanas e&nbsp;em diferentes posi&ccedil;&otilde;es, humores e emo&ccedil;&otilde;es. Tudo&nbsp;em pura perfei&ccedil;&atilde;o.&nbsp;S&atilde;o deuses, deusas, guardi&otilde;es, dan&ccedil;arinas apsaras, </em>surasundaris<em> </em>-<em> as belas mulheres que atendem &agrave;s divindades e habitam a corte celestial </em>-<em> e </em>salabhanjikas<em>, as ninfas estilizadas das &aacute;rvores, em incr&iacute;veis express&otilde;es e not&aacute;veis poses. </em></span></p>
<p><span><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em><strong>Todos&nbsp;representam tudo o que &eacute;</strong><em> indiano, na forma e no car&aacute;ter. Como num livro, retratam a cultura e o modo de vida daquela fase da hist&oacute;ria.&nbsp; A mesma arte por vezes tamb&eacute;m &eacute; expressa n&atilde;o em figuras humanas, mas numa not&aacute;vel s&eacute;rie de frisos, portais, paredes, portas, pilares, pilastras, nichos, arquitraves e tetos com grande qualidade e riqueza&nbsp;de ornamenta&ccedil;&atilde;o lindamente esculpida.</em> </span></p>
<p style="text-align: center;"><span><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3107.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331249386873" alt="" /></span></span> </em></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong><span class="bodytext"><strong>Fui apresentado a</strong> <strong>Khajuraho </strong></span><strong>em 1984</strong>, <em>quando assistia ao filme</em><span class="bodytext"> <strong><a href="http://www.mapability.com/travel/p2i/khajuraho.php">Passagem para a &Iacute;ndia</a> </strong><strong>(*)</strong>, de David Lean. <em>Corria o ano 1839 na &Iacute;ndia. Adela pedalava sua bicicleta nos campos de um lugarejo rural perdido no interior do pa&iacute;s, quando a certa altura deparou-se com templos antiqu&iacute;ssimos perdidos no meio da mata. Intrigada, aproximou-se e percebeu que as figuras finamente esculpidas em pedra representavam cenas er&oacute;ticas e de sexo expl&iacute;cito. A inten&ccedil;&atilde;o do autor era mostrar os conflitos de sexualidade da personagem, uma rela&ccedil;&atilde;o estreita com o tema central do filme e sua consequ&ecirc;ncias. Adela, ent&atilde;o uma mulher adulta, tivera inf&acirc;ncia extremamente reprimida e apenas adulta compreendera sua sexualidade e o despertar dos desejos, ainda que de maneira conflituosa. O filme, al&eacute;m de &oacute;timo exemplo de bom</em> <em>cinema, tem naquela cena um dos seus mais not&aacute;veis momentos, primoroso na dire&ccedil;&atilde;o, na narrativa, no roteiro, na fotografia e interpreta&ccedil;&atilde;o.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext"><em>&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3091.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331249470664" alt="" /></span></span>&nbsp;</em></span></p>
<p><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><span class="bodytext"><strong>Naquela &eacute;poca </strong><strong>o passado dos</strong> <strong>templos</strong><em> era misterioso. Havia poucos registros hist&oacute;ricos e raras refer&ecirc;ncias &agrave; sua origem, o que favoreceu a imagina&ccedil;&atilde;o e o folclore que ainda hoje cercam um dos grandes exemplos de arte no mundo. Os objetivos da obra ainda hoje s&atilde;o meras suposi&ccedil;&otilde;es, e as representa&ccedil;&otilde;es escult&oacute;ricas de figuras em atos sexuais e er&oacute;ticos colocadas em templos religiosos confunde ainda mais os estudiosos em busca de defini&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o h&aacute; registros precisos sobre o que motivou sua constru&ccedil;&atilde;o, nem mesmo acerca de seu nome, que sup&otilde;e-se derivar de</em> Khajur-vahika <em>ou</em> Khajjurpura, <em>as palmeiras douradas que havia em abund&acirc;ncia no lugar.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext"><em>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3224.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331249638034" alt="" /></span></span>&nbsp;&nbsp;</em></span></p>
<p><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span><span class="bodytext"><strong>Filmadas em</strong> <strong>Khajuraho</strong> <strong>nos templos ent&atilde;o</strong> <em>perdidos na floresta e abrigo de macacos agressivos, as esculturas representavam e apresentavam puro erotismo,&nbsp;ainda que com muita serenidade, maturidade, classe e bom gosto. Anos depois agradeci por ter sido assim a minha introdu&ccedil;&atilde;o a <strong>Khajuraho</strong>. Conhecendo-os presencialmente pude perceber o quanto a abordagem madura do filme influenciou minha maneira de v&ecirc;-los, de interpret&aacute;-los e compreend&ecirc;-los, como tamb&eacute;m o fazem os indianos, que lhes destinam o real&nbsp;valor e observam com grande naturalidade e esp&iacute;rito divertido. Diferentemente do que ocorre no mundo ocidental e crist&atilde;o, onde h&aacute; o sagrado e o profano,&nbsp;no hindu&iacute;smo&nbsp;os dois conceitos fundem-se num s&oacute;. Indivis&iacute;vel,&nbsp;mais complexo,&nbsp;unem-se em espiritualidade e sensualidade, tudo o que &eacute;&nbsp;magistralmente expresso nas esculturas er&oacute;ticas. Por fim, sai-se de Khajuraho com a sensa&ccedil;&atilde;o de que&nbsp;tudo n&atilde;o passa de uma incomum celebra&ccedil;&atilde;o &agrave; vida.</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext"><em><span class="full-image-block ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3228.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331249748530" alt="" /></span></span>&nbsp; </em></span></p>
<p><span class="bodytext"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em></span><span class="bodytext"><strong>Sexualidade e espiritualidade j&aacute; existiam antes </strong><em>mesmo dos templos de Khajuraho, j&aacute; que &eacute; inerente ao homem. Mas ali, na forma de esculturas,&nbsp;os estudiosos sugerem&nbsp;que foram inspiradas no Kama Sutra, o tratado&nbsp;expl&iacute;cito sobre a arte de fazer sexo,&nbsp;um&nbsp;manual de instru&ccedil;&otilde;es lista n&atilde;o apenas as sessenta e quatro posi&ccedil;&otilde;es sexuais, mas tamb&eacute;m aborda&nbsp;conceitos filos&oacute;ficos como o </em>Dharma<em>, (vida virtuosa), o </em>Artha<em>, (prosperidade material), o </em>Kama<em> (prazer est&eacute;tico e er&oacute;tico) e o </em>Moksha<em> (liberta&ccedil;&atilde;o do ciclo de renascimento).</em></span></p>
<p><span class="bodytext">______________________________________</span></p>
<p><span class="bodytext"><strong>Os templos</strong></span></p>
<p><strong><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><span class="bodytext">Dinastias antigas sempre est&atilde;o associadas </span></strong><span class="bodytext"><strong>a</strong> misticismos e lendas, envoltas em mist&eacute;rios.&nbsp;&Eacute; sempre assim. Quando n&atilde;o h&aacute; hist&oacute;ria, substituem-na com criatividade e&nbsp;inventividade por suposi&ccedil;&otilde;es,&nbsp;produzem&nbsp;est&oacute;rias,&nbsp;algumas at&eacute; misturadas&nbsp;a fatos reais.&nbsp; Na &Iacute;ndia,&nbsp;mitos e lendas s&atilde;o um legado, tornam-se parte da hist&oacute;ria, n&atilde;o a substituiem, est&atilde;o&nbsp;quase sempre presentes em templos, fortalezas, monumentos e pal&aacute;cios.&nbsp;Algumas vezes elas s&atilde;o&nbsp;muito contradit&oacute;rias, n&atilde;o explicam nossas d&uacute;vidas&nbsp;e conduzem a novas suposi&ccedil;&otilde;es. <strong>K</strong></span><span class="bodytext"><strong>hajuraho</strong> </span><span class="bodytext">&eacute; um&nbsp;bom exemplo disso, raz&atilde;o porque nem mesmo&nbsp;o</span><span class="bodytext">s estudiosos&nbsp;interpretam de uma s&oacute; maneira a curiosa representa&ccedil;&atilde;o de&nbsp;figuras er&oacute;ticas&nbsp;em templos religiosos. Explicam-nas de duas maneiras fundamentais: </span></p>
<p><span class="bodytext"><strong>Primeira)</strong></span><span class="bodytext"> o posicionamento dessas esculturas er&oacute;ticas&nbsp;seria para lembrar que para ao aproximar-se das divindades o fiel deveria deixar seus desejos sexuais fora do templo;&nbsp;<strong>S</strong></span><span class="bodytext"><strong>egunda)</strong></span><span class="bodytext"> mostrar que a divindade do templo n&atilde;o &eacute; afetada por desejos sexuais e outras caracter&iacute;sticas do corpo f&iacute;sico. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3262.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331249943423" alt="" /></span></span>&nbsp;&nbsp; </span></p>
<p><span class="bodytext"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao contr&aacute;rio do que se imagina</strong>,&nbsp;as esculturas s&atilde;o bem mais atraentes&nbsp;por sua&nbsp;qualidade art&iacute;stica&nbsp;do que pela sexualidade expl&iacute;cita,&nbsp;ainda "sexo"&nbsp;tenha sido&nbsp;o tema&nbsp;que os tornou&nbsp;t&atilde;o famosos no mundo,&nbsp;na segunda maior atra&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, atr&aacute;s apenas do fabuloso Taj Mahal. </span></p>
<p><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Visitar Khajuraho equivale&nbsp;a presenciar</strong> um dos grandes momentos da arte, n&atilde;o apenas&nbsp;indiana, mas de toda a humanidade. E ainda que a curiosidade maior recaia sobre as imagens er&oacute;ticas (e de fato&nbsp;n&atilde;o h&aacute; quem n&atilde;o&nbsp;se atraia por elas),&nbsp;retratam uma forma inocente de amor, expressas nas mais&nbsp;lindas formas de olhar, ora l&acirc;nguidos, ora tentadores, ora ing&ecirc;nuos, ora expl&iacute;citos. </span></p>
<p><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Transmitem erotismo e&nbsp;apresentam sexo expl&iacute;cito, mas</strong> despertam muito mais a surpresa por estarem em templos religiosos do que pelos atos sexuais propriamente ditos. Afinal, n&atilde;o representam&nbsp;nada mais do que toda a humanidade j&aacute;&nbsp;conhe&ccedil;a, pratique e goste. H&aacute; mil&ecirc;nios.&nbsp; O senso art&iacute;stico &eacute; apurad&iacute;sssimo, a t&eacute;cnica escult&oacute;rica &eacute; inigual&aacute;vel, e tudo consagra-se numa representa&ccedil;&atilde;o&nbsp;po&eacute;tica, n&atilde;o a que comumente &eacute;&nbsp;escrita em versos, mas a que raramente &eacute; esculpida em rocha. A t&eacute;cnica, desenvolvida no reinado dos Chandela, grandes patronos da arte e da arquitetura na &eacute;poca.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext"><strong>&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3329.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250212109" alt="" /></span></span> </strong></span></p>
<p><span class="bodytext"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Khajuraho &eacute; um lugar tranquilo, </strong>isolado, rural. Os templos abrigam-se&nbsp;num parque de paisagem bem cuidada,&nbsp;com grama aparada, flores e &aacute;rvores ornamentais, cercada por um semi-deserto, e atualmente </span>n&atilde;o mais representam a express&atilde;o religiosa de outrora, ao menos n&atilde;o a que foi atribu&iacute;da pela dinastia <em>rajput</em> dos Chandela. Com o abandono do lugar, os chandela,&nbsp;seguidores&nbsp;do culto t&acirc;ntrico, no qual a gratifica&ccedil;&atilde;o dos desejos carnais &eacute; um passo adiante no caminho para o Nirvana, afirmam-se que tais segmentos filos&oacute;ficos perderam-se no tempo&nbsp;tornando-se t&atilde;o raros e&nbsp;esxclusivos.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3500.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250327908" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitas curiosidades surgem numa visita cuidadosa</strong> aos templos.&nbsp;A&nbsp;<strong>primeira </strong>delas<strong> </strong>recai sobre a<strong> </strong>implanta&ccedil;&atilde;o dos templos no terreno: constru&iacute;dos sobre plataformas elevadas, o ch&atilde;o de terra fica uns tr&ecirc;s metros abaixo do primeiro piso,&nbsp;pois&nbsp;na &eacute;poca a &aacute;rea era alagada, ia-se de um templo a outro de barco. A <strong>segunda</strong>&nbsp;&eacute; verificar&nbsp;que a maior parte dos templos &eacute; adornada com fileiras verticais e horizontais intermin&aacute;veis de figuras esculpidas em pedra, todas&nbsp;extremamente detalhadas e representativas&nbsp;das mais diversas e corriqueiras atividades e emo&ccedil;&otilde;es,&nbsp;de um sorriso ing&ecirc;nuo &agrave;s mais sedutoras express&otilde;es, de cenas cotidianas - como maquear-se, escovar os cabelos, dan&ccedil;ar,&nbsp;beijar&nbsp;e declarar paix&atilde;o, at&eacute; mesmo a mulheres tirando um espinho do p&eacute; por entrarem descal&ccedil;as na mata. Tudo &eacute; pura arte entalhada em pedra, de&nbsp;m&uacute;sicos, guerreiros, ca&ccedil;adores, oleiros, pessoas comuns&nbsp;a animais. A <strong>terceira</strong> &eacute; o fato de que apenas uma pequena parcela das esculturas representa erotismo, e ainda assim, uma ainda menor apresenta atos sexuais expl&iacute;citos. A <strong>quarta</strong>&nbsp;&eacute; o&nbsp;misto de religiosidade e sensualidade que jamais se imagina poder&nbsp;presenciar num templo religioso.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3390.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250423710" alt="" /></span></span>&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Constru&iacute;dos num per&iacute;odo de 100</strong> <strong>anos</strong>, os templos ficavam distantes do centro pol&iacute;tico do reino Chandela, minimizamdo o perigo de ataques, tornando a vila rural de Khajuraho sede espiritual daquele reino. Hoje, mais do que qualquer outra coisa, representam o &aacute;pice da comunh&atilde;o entre a arte e a arquitetura na &Iacute;ndia. Os templos divididem-se em dois grupos: os vaishnavitas, devotados a Vishnu, o Deus da Preserva&ccedil;&atilde;o, e os shiva&iacute;tas, devotados a Shiva, Deus da Destrui&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m h&aacute; resqu&iacute;cios de templos budistas e jainistas. Os primeiros foram constru&iacute;dos em granito grosseiro. &Eacute; f&aacute;cil perceb&ecirc;-los ao compararmos com os posteriores, cujo refinamento das esculturas em arenito amarelo &eacute; not&aacute;vel, como o s&atilde;o todos <span class="bodytext">os m&iacute;nimos, claros detalhes de uma eleg&acirc;ncia art&iacute;stica que representa com perfei&ccedil;&atilde;o corpos e rostos, j&oacute;ias e roupas, transpar&ecirc;ncias e adere&ccedil;os, express&otilde;es e olhares, &nbsp;gestos de amor e de sexo. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3578.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250525391" alt="" /></span></span> </span></p>
<p><span class="bodytext">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp; S&atilde;o seres humanos, animais conhecidos e</strong> m&iacute;ticos, dan&ccedil;arinas apsaras em bel&iacute;ssimas poses, divindades nas mais acrob&aacute;ticas e curiosas posi&ccedil;&otilde;es, executadas por quem conhecia a natureza e os corpos humanos. Tudo sempre consagra-se em cenas de singela, quase inexprim&iacute;vel beleza. Mas &eacute; preciso ser justo com a realidade, a fim de n&atilde;o aludir &agrave; fantasia: n&atilde;o se deve esperar mais que 10% dos entalhes contendo temas sexuais. 90% deles retratam a vida cotidiana, as pessoas comuns, os assuntos mundanos: de mulheres maqueando-se a m&uacute;sicos tocando, artes&atilde;os trabalhando, agricultores produzindo, tudo a alguma dist&acirc;ncia das divindades.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="bodytext"><span class="full-image-block ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3629.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250616505" alt="" /></span></span>&nbsp;&nbsp; </span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos 85 templos constru&iacute;dos</strong> <strong>numa &aacute;rea</strong> de cerca de 21 km&sup2; entre 950 a 1050, protegidos por uma muralha e oito port&otilde;es, sobram apenas 24, mas em razo&aacute;vel estado de conserva&ccedil;&atilde;o. Parte deles foi destru&iacute;da pelos primeiros invasores mu&ccedil;ulmanos, entre 1100 e 1400. Os atos de vandalismo desses invasores atestam-se nas muitas est&aacute;tuas desfiguradas. Os templos resistiram &agrave; devasta&ccedil;&atilde;o do tempo, e at&eacute; dos invasores mu&ccedil;ulmanos. Surpreendentemente parecem ter sido esquecidos do s&eacute;culo XIII em diante, at&eacute; serem redescobertos por um capit&atilde;o brit&acirc;nico, <em>T.S. Burt</em>, em 1838.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3669.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250720099" alt="" /></span></span>&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A planta do parque divide-se</strong> em <strong>tr&ecirc;s grupos</strong> de templos: Ocidental, Oriental e Sul. No grupo ocidental destaca-se o <strong>Kandariya Mahadev</strong>, cujas 900 est&aacute;tuas s&atilde;o dedicadas a Shiva, al&eacute;m dos templos <strong>Chaunsat Yogini</strong>, supostamente o mais antigo, o de <strong>Chitragupta</strong>, dedicado a Surya, o Deus do Sol, e os templos <strong>Matangaeswara</strong>, <strong>Vishwanath </strong>e <strong>Lakshmana</strong>. Alguns templos s&atilde;o jainistas, em grande parte situados no grupo oriental, dedicados a tradicionais divindades hindus, como Brahma, Vishnu, Shiva e Durga. Dos templos jainistas, os maiores s&atilde;o o <strong>Adinath</strong>, <strong>Shantinath</strong> e o <strong>Parshvnath</strong>, e s&atilde;o dos s&eacute;culos 11 e 12. Para efeito de visita&ccedil;&atilde;o, oficialmente os templos est&atilde;o divididos em: <strong><em>Western Group</em></strong>: Vishvanatha, Lakshmana, Kandariya Mahadeva, Devi Jagadambi. <strong><em>Jain Complex</em></strong> (Eastern Group): Parshvanath e Shantinath. <strong><em>Southern Group</em></strong>: Duladeo e Chaturbhuja.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3654.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250816000" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitas esculturas representam</strong> <strong>bestas, dem&ocirc;nios, deuses</strong> e humanos com express&otilde;es de medo, d&uacute;vida, ci&uacute;mes, amor e paix&atilde;o consumadas em cenas de sexo de enorme criatividade e, sejamos francos, algumas inspiradoras, outras bizarras, <span class="bodytext">muitas exigindo a habilidade e agilidade de ginastas e a flexibilidade de contorcionistas. Arquitet&ocirc;nicamente o</span>s templos s&atilde;o estruturas <span class="bodytext">forma de superestruturas espirais em estilo shikhara</span>, pr&oacute;prio do norte indiano, com a planta em forma de panchayatana, isto &eacute; com quatro santu&aacute;rios subordinados nos quatro cantos ao santu&aacute;rio principal no centro do p&oacute;dio, a sua base, ou melhor, com cinco divindades, Aditya ao centro, Ganesha, Shiva, Parvati e Vishnu em cada canto.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3710.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331250950557" alt="" /></span></span>&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Templo Kandariya Mahadeva</strong> <strong>foi constru&iacute;do</strong> entre 1025 e 1050, &eacute; um dos com maior talento tanto na escultura quanto na planta, onde destacam-se as oitenta e quatro shikharas, ou torres, a maior delas com 116 metros, constru&iacute;das e arenito e sem o uso de argamassa. As pedras foram colocadas com encaixes e articula&ccedil;&otilde;es mantidas fixas pela gravidade, forma de constru&ccedil;&atilde;o que exige t&eacute;cnicas de engenharia muito precisas, apoiadas em colunas e arquitraves constru&iacute;dos com megalitos que pesam at&eacute; 20 toneladas. &Eacute; o maior templo do complexo de <strong>Khajuraho</strong>. Foi dedicado a Shiva, e seu nome deriva da uni&atilde;o das palavras <em>Kandariya</em> (caverna) e <em>Mahadeva</em>, o outro nome de Shiva. Comparando-os aos demais compreende-se tratar-se do mais refinado do complexo, talvez em raz&atilde;o de suas mais de 900 esculturas, o exterior ricamente ornamentado que contrap&otilde;e-se com o interior preenchido apenas com o s&iacute;mbolo de Shiva, o linga sobre "&uacute;tero".</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><span><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khajuraho_MG_3737.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1331251169584" alt="" /></span></span></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma quest&atilde;o extremamente importante acerca das</strong> figuras em atos de sexo expl&iacute;cito &eacute; que elas n&atilde;o s&atilde;o assim t&atilde;o espalhadas por todos os templos. Na verdade concentram-se, de maneira que quem n&atilde;o quiser v&ecirc;-las, n&atilde;o est&aacute; obrigado. Compreendo que para algumas pessoas essas esculturas possam sen&atilde;o chocar, desconsertar, ainda que sejam de incr&iacute;vel beleza. Um dia pode ser que eu consiga escrever sobre o que penso dessas esculturas er&oacute;ticas, mas desejo deixar claro que elas me impressionaram mais pela arte do que qualquer outra coisa.</p>
<p><span class="bodytext">_______________________</span></p>
<p><span class="bodytext"><strong>(*) </strong></span><span style="font-size: 90%;">Baseado no livro hom&ocirc;nimo de E. M. Forster, com trilha sonora de Maurice Jarre. Se quiser assistir &agrave; cena passada em Khajuraho, (assim como a outros clips relacionados a lugares e pa&iacute;ses, acesse <a href="http://www.cliptrip.tv/">http://www.cliptrip.tv/</a>, clique na &Iacute;ndia e em<strong> <em>A Passage to India</em></strong>).</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 90%;">_______________________________</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A seguir</strong> - <strong>Varanasi </strong>&ndash;<strong> Relato e reflex&otilde;es de uma viagem </strong></p>]]></content></entry><entry><title>Delhi - Breves notas de uma curta estada</title><id>http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/1/delhi-breves-notas-de-uma-curta-estada.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2012/3/1/delhi-breves-notas-de-uma-curta-estada.html"/><author><name>Arnaldo Interata</name></author><published>2012-03-02T00:21:18Z</published><updated>2012-03-02T00:21:18Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Shahjahanabad%20-%20Red%20Fort%20-%20Old%20Delhi_MG_2176.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330644745161" alt="" /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Old Delhi - Shahjahanabad - Red Fort&nbsp;</span></em></strong><strong>&nbsp;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A chegada. N&atilde;o pensava&nbsp;noutra coisa. </strong><em><span style="color: #131313;">O comandante anunciava a proximidade do pouso </span>no</em> <strong><span style="color: black;">Indira Gandi Delhi Interna</span>tional Airport</strong>. <em>Olhando pela janela s&oacute; consiguia&nbsp;notar a polui&ccedil;&atilde;o do ar formar sua aura ao redor das l&acirc;mpadas. Estava ansioso. Tanto quanto s&oacute; ocorre comigo ao chegar&nbsp;num destino t&atilde;o distante e desejado. &Eacute; bom retornar &agrave; &Iacute;ndia, mesmo ap&oacute;s um&nbsp;v&ocirc;o t&atilde;o longo. Tiro do pulso o rel&oacute;gio e acerto o <span style="color: #131313;">fuso</span>: s&atilde;o 23:00 horas, sete e meia a mais que no Brasil. <span style="color: #131313;">&Eacute; f</span>evereiro, um grande m&ecirc;s para visitar a &Iacute;ndia. Talvez o melhor deles. Nem quente, nem frio. Por vezes s&oacute; um pouquinho frio. &Eacute; seco, mas com alguma umidade, como s&oacute; ocorre com o fim das mon&ccedil;&otilde;es. Os dias s&atilde;o ensolarados na maior parte do tempo. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em>H&aacute; lugares que pegam a gente</strong><em>,</em> <em>que&nbsp;deixam saudades antes mesmo&nbsp;de partirmos.&nbsp;Foi assim com a &Iacute;ndia, em Outubro de 2010, quando&nbsp;nos fez ref&eacute;ns de suas paisagens, de sua a cultura,&nbsp;de sua gente, da comida, de um patrim&ocirc;nio t&atilde;o fabuloso que n&atilde;o encontra paralelos em qualquer outro pa&iacute;s.</em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>___________________________________________</strong></em></p>
<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em Old Delhi</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H&aacute; muitas raz&otilde;es para explorar as</strong> ruas de <strong>Shahjahanabad</strong>: hist&oacute;rias incr&iacute;veis, aromas curiosos, patrim&ocirc;nio arquitet&ocirc;nico fabuloso, comida apimentada e milenar, compras e gente. E se a&nbsp;defini&ccedil;&atilde;o do que seja uma grande civiliza&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a na magnitude de seu legado arquitet&ocirc;nico, na sua heran&ccedil;a patimonial, a&nbsp;&Iacute;ndia se destaca. E&nbsp;<strong>Delhi</strong> tem&nbsp;l&aacute; um brilho inigual&aacute;vel.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<strong>S&atilde;o&nbsp;tantos os exemplos de esplend&ocirc;r</strong> do imp&eacute;rio mogol que dominou a &Iacute;ndia por longos e diferentes per&iacute;odos que torna-se necess&aacute;ria&nbsp;certa sele&ccedil;&atilde;o para visitar a todos.&nbsp;Mas &eacute; em <strong>Old Delhi</strong> - ou&nbsp;<em>Shahjanabad</em> que&nbsp;<em>Shah Jahan</em>&nbsp;transformou em Capital -&nbsp;onde concentra-se boa parte desse&nbsp;patrim&ocirc;nio grandioso.&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Jama%20Masjid%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_1710.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330640843072" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">A Mesquita Jama Masjid - Old Delhi&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span></em></strong>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A cidade que viu nascer e </strong>morrer diferentes reinos e dinastias, presenciou a&nbsp;ascens&atilde;o e e a queda de tantos poderosos poderes, tem como heran&ccedil;a o que cada qual tentou&nbsp;deixar&nbsp;de sua&nbsp;marca, monumentos que&nbsp;embelezaam a cidade com um legado&nbsp;arquitet&ocirc;nico t&atilde;o fascinante, especialmente&nbsp;do Imp&eacute;rio Mogol.&nbsp; Em toda a&nbsp;Capital h&aacute;&nbsp;cerca de 1300 edif&iacute;cios e monumentos hist&oacute;ricos, entre os quais&nbsp;o <strong>Red Fort</strong>, <strong>Purana Quila</strong>, <strong>Qutub Minar</strong>, <strong>Iron Pillar</strong>, <strong>India Gate</strong>, <strong>Humayun's Tomb</strong>, <strong>Jantar Mantar, Lotus Temple</strong>, o <strong>India Gate</strong>, a <strong>Mesquita Jama Masjid</strong>, a mesquita e tumba <strong>Hazrat Nizamuddin Dargah </strong>e o templo sikh <strong>Gurudwara Bangla Sahib</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Old%20DELHI%20Chandni%20Chowk%20-%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330645453015" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">Shahjahanabad -&nbsp;Chandni Chowk - Old Delhi&nbsp;&nbsp;</span></strong></em></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Delhi recompensa muito o monte de</strong> trabalho que d&aacute; e o investimento necess&aacute;rio para visit&aacute;-la. Se viajar &agrave; &Iacute;ndia significa atingir uma nova fase de amadurecimento tur&iacute;stico pessoal, explorar <strong>Old Delhi</strong> equivale a atingir o pen&uacute;ltimo est&aacute;gio desta fase. Pen&uacute;ltimo? Sim, at&eacute; aqui n&atilde;o hav&iacute;amos ido a Varanasi. Ao visitarmos os lugares menos tur&iacute;sticos, ainda que indispens&aacute;veis de <strong>Old Delhi</strong>, esta recompensa chega ao limite. Na primeira vez em que estivemos na cidade eu n&atilde;o imaginava uma cidade mais ca&oacute;tica, especialmente&nbsp;na incr&iacute;vel regi&atilde;o da <strong>Chandni Chowk</strong>. O labirinto de ruas e os mercados que est&atilde;o ali h&aacute; s&eacute;culos, as multid&otilde;es, a vida intensa correndo ao seu jeito t&atilde;o peculiar decididamente s&atilde;o nosso lugar na Capital da &Iacute;ndia.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Old%20Delhi%20-%20Chandni%20Chowk_MG_1892.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643997205" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Old Delhi - Chandni Chowk</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Desta vez optamos por conhecer</strong> o incomum, al&eacute;m do <strong>Red Fort</strong>. <strong>Old Delhi</strong> tem uma cultura toda pr&oacute;pria e a grande vantagem de n&atilde;o estar saturada de turistas. Como em toda a &Iacute;ndia, <span style="text-decoration: underline;">n&oacute;s</span> somos as atra&ccedil;&otilde;es, a esmagadora minoria. Talvez por isso a &Iacute;ndia aparente ser intimidante. Ou, quem sabe (?), por sua cultura complexa e diversificada, pelo exotismo, pelo caos, o barulho, a polui&ccedil;&atilde;o, as multid&otilde;es, o tr&acirc;nsito e os animais nas ruas. Trafegar a p&eacute;, ou mesmo por qualquer outro meio em Delhi equivale a experimentar uma corrida de montanha-russa, com igual varia&ccedil;&atilde;o na intensidade das emo&ccedil;&otilde;es. E onde cabem dois, cabem tr&ecirc;s; onde h&aacute; duas faixas, circulam tr&ecirc;s fileiras de ve&iacute;culos. Tudo separado por meros cent&iacute;meros. Ainda assim buzina-se desesperadamente, mas n&atilde;o como se faz no ocidente, sinal de estresse. Tampouco para sinalizar. Buzinar &eacute; uma complexa maneira de comunica&ccedil;&atilde;o, um comportamento social cujos c&oacute;digos e objetivos s&atilde;o variados. &Eacute; inacredit&aacute;vel a habilidade dos indianos ao conduzirem, e por certo dela decorre a raz&atilde;o de eu n&atilde;o ter presenciado um acidente sequer.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Old%20DELHI%20-%20Chandni%20Chowk%20-%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_04.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330644169348" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Old Delhi - Chandni Chowk&nbsp;</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong><span style="color: #131313;">Reconhe&ccedil;o que Delhi &eacute; intensa demais</span></strong><span style="color: #131313;"> para muitos,&nbsp;que n&atilde;o &eacute; uma cidade f&aacute;cil de gostar para boa parte dos visitantes. Mas &eacute; assim mesmo com toda a &Iacute;ndia, afinal, e por certo aquilo que mais nos atrai. Desgastada por uma popula&ccedil;&atilde;o descomunal, acumulada de tr&aacute;fego, de sujeira e de polui&ccedil;&atilde;o, nem sempre cativa. E talvez por </span>nos confrontar tanto &eacute; que nos estimule a compreender sua complexidade e nos aprofundarmos no seu p&acirc;ntano. Quanto mais dif&iacute;cil ela se mostra, maior nossa admira&ccedil;&atilde;o. Talvez esteja a&iacute; sua magia, o que nos tem arrebatado, aquilo que nos impele a compreender o pa&iacute;s, uma grande forma de est&iacute;mulo. Conseguimos compreend&ecirc;-la em certo grau, aceit&aacute;-la quase plenamente. Entretanto, ainda n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil alienar-me da pobreza institucional, da sujeira, do tr&aacute;fego insano, das adversidades, das trapa&ccedil;as tur&iacute;sticas, da falta de qualidade na infra-estrutura, dos s&eacute;rios riscos de indisposi&ccedil;&otilde;es intestinais, da companhia permanente de excessos aos sentidos.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Shahjahanabad%20-%20Old%20Delhi%20-%20Red%20Fort_MG_2171.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330645083063" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;">Shahjahanabad - Old Delhi - Red Fort</span></strong></em></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Mas agora Old Delhi</strong> <strong>nos parece</strong> familiar, mais natural, ainda que intensa. N&atilde;o vemos a hora de voltar &agrave; <strong>Chandni Chowk</strong> e embarcar num triciclo de bicicleta conduzido por um dos milh&otilde;es de pobres indianos que lutam bravamente pela vida, por espa&ccedil;o nas ruas e pela sobreviv&ecirc;ncia, dar a ele uma gorda recompensa pra aliviar meu desconforto de ser conduzido por um ve&iacute;culo com tra&ccedil;&atilde;o humana, seguir com ele entre a multid&atilde;o, raspar nossas rodas nas de outro triciclo, reviver em todos os sentidos a realidade, o secularismo, os contrastes, a diversidade e a unidade da &Iacute;ndia condensada em <strong>Old Delhi</strong>, especialmente na &aacute;rea da <strong>Chandni Chowk</strong>. Vida. Pujante e simples, pobre e digna como em toda a &Iacute;ndia, incrivelmente sentida nos becos e avenidas de <strong>Old Delhi</strong>.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Old%20DELHI%20Chandni%20Chowk%20-%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_06.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330645245176" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;">Old Delhi - Chandni Chowk</span></strong></em>&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong><strong>O dia amanheceu delicioso. </strong>O despertar foi dif&iacute;cil. Descemos &aacute;vidos pro caf&eacute;-da-manh&atilde; fabuloso do Imperial e sa&iacute;mos ansiosos para p&ocirc;r em pr&aacute;tica o que program&aacute;ramos para o dia, ou seja, fazer o que n&atilde;o foi poss&iacute;vel em nossa primeira visita &agrave; cidade: circular por <strong>Chandni Chowk, </strong>vaguear pelas ruas estreitas de <strong>Old Delhi</strong>, visitar o <strong>Forte Vermelho</strong>, o <strong>Lodi Gardens</strong>, o <strong>Gurudwara Bangla Sahib</strong>, comer no restaurante <strong>Al-Jawahar</strong> bem no olho do furac&atilde;o, andar de riquich&aacute;, visitar o bairro isl&acirc;mico <strong>Nizamuddin</strong> e terminar o dia na <strong>Anoki </strong>para comprar incr&iacute;veis batas indianas, adere&ccedil;os femininos e artigos pra casa. Partimos para explorar<strong> Shahjahanabad</strong>, hoje <strong>Old Delhi</strong>, o trecho da cidade constru&iacute;da pelo imperador Shah Jahan (1628-1658). &nbsp;Caminhar por ali &eacute; absorver hist&oacute;ria, a cultura, os aromas, a arquitetura e o fabuloso patrim&ocirc;nio indiano, entrar em lugares dos tempos do Imp&eacute;rio Mughal.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Old%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_07.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330645655596" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">Chandni Chowk&nbsp;</span></strong></em>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>&Agrave; primeira vista Delhi &eacute; uma</strong> cidade desconcertante, e para alguns pode ser assustadora, seja por suas ruas lotadas de tudo que se move - de fr&aacute;geis riquix&aacute;s ao ruidoso tr&aacute;fego de ve&iacute;culos, pessoas e animais - seja pela dimens&otilde;es ora monumentais, ora opressivas de seus dom&iacute;nios. Mas &eacute; sempre fascinante, e de uma fascina&ccedil;&atilde;o crescente &agrave; medida que a exploramos a p&eacute; e a reconhecemos, com a perplexidade tornando-se encantamento &agrave; medida que nos deparamos com lugares de enorme import&acirc;ncia hist&oacute;rica e significado religioso, que passamos a integrar as cenas cotidianas, a vida contempor&acirc;nea.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Old%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_01.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330645810886" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <em><strong><span style="font-size: 90%;">Shahjahanabad - Old Delhi&nbsp;</span></strong></em>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Chandni Chowk &eacute; um dos mercados</strong> mais movimentados e antigos de <em>Old Delhi</em>, ou Shahjahanabad. Fica entre o <strong>Laal Quila</strong> (The Red Fort) e a <strong>Fateh Puri Masjid</strong>. Atualmente o bairro divide-se em quatro partes, a primeira conhecida por <strong>Urdu Bazar</strong>, se estende do templo jainista a at&eacute; <strong>Dariba Kalan</strong>, o <em>bazaar</em> de joelheiros. A segunda, uma parte alongada de Dariba Kalan para <strong>Kotwali</strong>, pr&oacute;ximo ao <strong>Gurdwara Sisganj</strong>, conhecida como <strong>Phool Mandi</strong> (mercado das flores) e tamb&eacute;m por <strong>Tripolia</strong>. De Kotwali at&eacute; a <strong>Town Hall</strong> a terceira parte da rua &eacute; conhecida como <strong>Jouhari bazaar</strong> (mercado de j&oacute;ias) ou <strong>Ashrafi bazaar</strong>. A quarta parte &eacute; conhecida como <strong>Chandni Chowk</strong>, nome de uma rua que tornou-se uma regi&atilde;o,&nbsp;que se estende do bazaar de Jouhari at&eacute; &agrave; <strong>Fatehpuri Masjid</strong>, al&eacute;m da mais famosa Mesquita de Delhi, <strong>Jama Masjid</strong>, tamb&eacute;m nas imedia&ccedil;&otilde;es. H&aacute; uma deliciosa variedade de mercados na sua &aacute;rea, de restaurantes de aut&ecirc;ntica comida indiana, de <em>sarees</em>, ruas estreitas com lojas de livros, de roupas, cal&ccedil;ados, artigos em couro, eletr&ocirc;nicos e quinquilharias.&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Hazrat%20Nizamuddin%20Dargah%20_MG_1215.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330646574111" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;">Shahjahanabad - O Bairro mu&ccedil;ulmano de Old Delhi&nbsp;</span></strong></em>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>___________________________________</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lal Qila, o Forte Vermelho</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No</strong> <strong>Red Fort milh&otilde;es de r&uacute;pias </strong>foram gastas em nove anos de constru&ccedil;&atilde;o desta fortaleza colossal, uma ciadela conclu&iacute;da em 1639. <span style="color: black;">Diferente do Forte Vermelho de Agra, &eacute; a evolu&ccedil;&atilde;o daquele, melhor planejado porque contemplou a experi&ecirc;ncia adquirida por Shah Jahan depois do seu primeiro trabalho em Agra, autor de outras incr&iacute;veis belezas arquitet&ocirc;nicas que visitamos em Agra e no Rajast&atilde;o, a mais ic&ocirc;nica delas, e s&iacute;mbolo do pa&iacute;s, o Taj Mahal. Parece que os 373 anos n&atilde;o se passaram quando cruzamos um dos port&otilde;es do <strong>Forte de Vermelho</strong> e entramos naquele tempo mogol. Pessoalmente, emtretanto,&nbsp;o de Agra me pareceu muito mais bonito e atraente do que o de Delhi, talvez porque bo parte do segundo n&atilde;omesteja aberta &agrave; visita&ccedil;&atilde;o.</span></p>
<p><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Forte%20Vermelho%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens%20MG%202261.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330466464908" alt="" /></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black;">&nbsp;<strong><span style="font-size: 90%;"><em>Lahori Gate - Forte Vermelho</em> </span></strong></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Estamos muito bem servidos por nosso</strong> guia e pelo novo exemplar do <em><span style="color: black;">Lonely Planet &ndash; India</span></em><span style="color: black;">, edi&ccedil;&atilde;o comemorativa do 30<sup>o </sup>anivers&aacute;rio da editora, ambos t&atilde;o &uacute;teis quanto providenciais. Carregados com bom volume de informa&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias, o guia impresso e o indiano nos trazem, cada um &agrave; sua maneira, algo mais que muitos n&atilde;o contam. Estamos nos sentimos muito bem desta vez, mais familiarizados ao fim deste&nbsp;primeiro dia na &Iacute;ndia, revendo Delhi.&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Lahori%20Gate%20Red%20Fort%20FATOS%20e%20FOTOS%20de%20Viagens_MG_2208.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330467049837" alt="" /></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp; <strong><span style="font-size: 90%;"><em>Lahori Gate - Forte Vermelho</em>&nbsp;</span></strong></span><span style="color: black;">&nbsp;</span></p>
<p><strong><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span></strong><strong><span style="color: black;">Uma cidadela cercada</span></strong><span style="color: black;"> <strong>por um muro</strong> de pedra vermelhas que lhe deram o nome. Na muralha h&aacute; basti&otilde;es, port&otilde;es e cancelas. De suas 14 portas originais, entre as quais as mais importantes eram as chamadas <em>Mori, Lahori, Ajmeri, Turkman, Caxemira</em> e <em>Delhi</em>, algumas j&aacute; n&atilde;o existem. Os dois lados t&ecirc;m cada um seus port&otilde;es - o <strong>Lahori Gate&nbsp;</strong>e <strong>Delhi Gate. </strong>Assim como outros edif&iacute;cios isl&acirc;micos na &Iacute;ndia, o <strong>Forte Vermelho</strong> &eacute; um enorme oct&oacute;gono de 900 por 500 metros, com uma torre que eleva-se a 33,5 metros. No interior da enorme cidadela h&aacute; alguns destaques fabulosos, entre eles o <strong>Mumtaz Mahal</strong>, <strong>Rang Mahal</strong>, <strong>Khas Mahal</strong>, o <strong>Hamam</strong> e o <strong>Shah Burj</strong>, al&eacute;m de jardins, p&aacute;tios, terra&ccedil;os e cursos d&acute;&aacute;gua.</span></p>
<p><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Um longo caminho reto ladeado por</strong> jardins conduz ao <strong>Diwan-i-Am</strong> desde&nbsp;a Galeria de entrada do lado Sul. Com&nbsp;medidas 120 por 155 metros, tem arcos em arenito vermelho apoiados em pilares retangulares. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Forte%20Vermelho%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_MG_2519.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330465266182" alt="" /></span>&nbsp;&nbsp; </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 90%;"><strong><em>Forte Vermelho - Diwan-I-Am</em></strong></span></p>
<p><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span><strong>Como havia dinheiro e recursos humanos, o</strong> x&aacute; n&atilde;o poupou nenhum dos dois para criar a cidadela, cujos 11 pal&aacute;cios (ou <em>mahals</em>) s&atilde;o finamente adornados, obras primas de arquitetura e ornamenta&ccedil;&atilde;o, com jardins de opul&ecirc;ncia comum naqueles tempos. Al&eacute;m deles h&aacute; 2 bel&iacute;ssimos sal&otilde;es de audi&ecirc;ncias (ou <em>diwans</em>): o<span style="color: black;" lang="PT"> </span><strong><span style="color: black;">Diwan-i-Am</span></strong><span style="color: black;"> e o <strong>Diwan-i-Khas</strong>, </span>onde os imperadores recebiam seus oficiais, al&eacute;m de visitantes importantes e embaixadores estrangeiros. Num deles h&aacute; a inscri&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da a Shan Jahan que define bem seu amor pelo lugar: "Se h&aacute; um para&iacute;so na Terra, &eacute; este!".</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Khas%20Mahal_MG_2384.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330639136094" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Khas Mahal - Red Fort&nbsp;</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O Hammam &eacute; composto por tr&ecirc;s</strong> apartamentos principais divididos por corredore, todo ele, inclusive interiormente, constru&iacute;do em m&aacute;rmore incrustado com pedras coloridas. Os banhos no <em>hammam</em> eram feitos com &aacute;gua quente e fria. Corre a lenda que uma das fontes vertia &aacute;gua de rosas. Pr&oacute;ximo ao Hammam fica e mesquita do forte, <strong>Moti-Masjid</strong> (Mesquita de P&eacute;rola), constru&iacute;da por Aurangzeb. O <strong>Hayat-Bakhsh-Bagh</strong> &eacute; um jardim que originalmente era bem mais verdejante, mas ainda hoje bonito e com t&iacute;picos pavilh&otilde;es que se encontram por todo o Rajast&atilde;o.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Red%20Fort%20Khas%20Mahal_MG_2481.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330639842348" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">Khas Mahal - Red Fort&nbsp;</span></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em style="font-size: 90%;"></em></strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ___________________________________</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Lodi Gardens</strong></p>
<p><strong><em style="font-size: 90%;"></em></strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Para al&eacute;m de concorrida &aacute;rea de</strong> lazer, os Jardins de Lodi &eacute; um parque hist&oacute;rico de mais de 360.000 m2, bem arborizado e ajardinado, muito popular, especialmente aos domingos, onde ficam as tumbas de Mohammed Shah, Lodis Sikander, Sheesh Gumbad e Bara Gumbad, obras arquitet&ocirc;nicas do s&eacute;culo 15, durante a dinastia Pashtun, do per&iacute;odo Mogol.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Lodi%20Gardens%20Sheesh%20Gumbad_MG_1349.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330642664328" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;">Lodi Gardens - Sheesh Gumbad&nbsp;</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ___________________________________</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Delhi </strong>-<strong> No <strong>Al</strong></strong><strong>-Jawahar, um almo&ccedil;o popular, uma experi&ecirc;ncia inesquec&iacute;vel</strong><strong>&nbsp;</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong><strong>Certa vez assist&iacute;amos o programa </strong><em>Bizarre Foods</em> do <em>Travel Channel</em> <strong>(*)</strong> quando o apresentador <em>Andrew Zimmern</em> mergulhava num dos lugares mais bacanas de Delhi, <strong>Chandni Chowk</strong>. Nas entranhas da Velha Delhi, e depois de passar pela maior mesquita da &Iacute;ndia - a espetacular <strong>Jama Masjid</strong> - ele foi comer, como &eacute; apropriado a um programa tur&iacute;stico-gastron&ocirc;mico, onde os mu&ccedil;ulmanos o fazem em <strong>Old Delhi</strong>: o <strong>Al -Jawahar</strong><strong>, na </strong><strong><em>Matia Mahal, Gali Kababiyan</em></strong><strong>, </strong><strong>perto do port&atilde;o 1 da mesquita Jama Masjid</strong><strong>, em <em>Old Delhi</em>.&nbsp; (</strong><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=al%20jawahar%20old%20delhi&amp;sll=28.482536,77.048879&amp;sspn=0.007921,0.012918&amp;ie=UTF8&amp;ll=28.649234,77.233243&amp;spn=0.030637,0.018223&amp;source=embed">View Larger Map</a>)</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Al%20Jawahar%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_01.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643018841" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">&nbsp;Al Jawahar</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Por sorte minha, vejam s&oacute;(!)</strong>,<strong> </strong>um ano depois do programa e poucos dias antes de nossa viagem, minha mulher, espetacular como sempre na arte de &ldquo;cavucar&rdquo; lugares descolados e incr&iacute;veis a explorarmos, me mandou o endere&ccedil;o do blog &ldquo;<strong><em><a title="eat and dust" href="http://eatanddust.com/"><span style="color: windowtext;">eat and dust</span></a></em></strong><em> food adventures in india</em>&rdquo;, em cujo post figurava o mesmo restaurante, em mat&eacute;ria com o t&iacute;tulo &ldquo;<strong>Slurping &lsquo;Ishtoo&rsquo; in Al-Jawahar</strong>&rdquo;.&nbsp; as &ldquo;cavucadas&rdquo; sempre brilhantes acentuaram o desejo de irmos ao<strong> Al-Jawahar</strong>, o que ocorreu tamb&eacute;m com o lend&aacute;rio <strong>Karim</strong>, bem mais &oacute;bvio que o primeiro, em nossa outra viagem. O Karim figura recomendado em dez ente dez guias, livros, revistas e p&aacute;ginas boas e confi&aacute;veis que abrangem a cidade. &Eacute; uma esp&eacute;cie de basti&atilde;o da comida mogol no bairro mu&ccedil;ulmano de Delhi. Fomos l&aacute; e gostamos (Em&iacute;lia bem mais que eu, pois tudo &eacute; t&atilde;o apimentado que n&atilde;o passo da primeira mordida). Para mim a experi&ecirc;ncia foi bem mais antropol&oacute;gica do que gastron&ocirc;mica.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Al%20Jawahar%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_04.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643739445" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em><strong><span style="font-size: 90%;">O P&atilde;o Naan, feito na entrada do&nbsp;Al Jawahar</span></strong></em></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Andrew Zimmern &eacute; chef, escritor, professor</strong> de alimentos e uma personalidade vers&aacute;til e conhecedora do mundo e suas cozinhas. Na s&eacute;rie ele viaja o mundo descobrindo e compartilhando suas exc&ecirc;ntricas aut&ecirc;ntica experi&ecirc;ncia culturais atrav&eacute;s da comida. Cada programa centra-se na cozinha regional de todo o mundo, especialmente aquela que um tipico americano acha bizarra. Em cada epis&oacute;dio, Zimmern concentra-se na cozinha de um determinado pa&iacute;s ou regi&atilde;o e mostra como a comida &eacute; preparada e s&atilde;o colhidos ou comprados seus ingredientes, que sejam l&aacute; quais forem, ele n&atilde;o hesita em comer.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Al%20Jawahar%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_02.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643111583" alt="" />&nbsp;</span>&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Al%20Jawahar%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_03.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643179065" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">&nbsp;Al Jawahar</span></em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Excentricidades &agrave; parte apresentadas no programa</strong> (afinal chama-se &ldquo;Comidas Bizarras&rdquo;), prometemos que em nossa volta &agrave; &Iacute;ndia comer&iacute;amos ali, n&atilde;o por idolatria ao apresentador, mas por termos adorado sua experi&ecirc;ncia e a desejado para n&oacute;s. Assim como as revistas brasileiras, as p&aacute;ginas na Internet relacionadas a viagens e turismo e os canais de TV aberta no Brasil ficam a anos luz de dist&acirc;ncia das europ&eacute;ias, <strong>na minha escala</strong> do que <strong>eu</strong> entendo o que seja <strong>qualidade</strong>. Especialmente comparados a alguns canais da TV fechada, o <strong>TLC</strong> (<em>Travel &amp; Living</em><span style="color: #333333;"> </span><em>Channel</em>), o <strong>Nat Geo</strong>, o <strong>Discovery Channel</strong>, o HD Theater (no qual destaco o viajante pintor <em>Robert Hagan</em>, no programa <strong>Um toque de Cor</strong>, cujos textos do autor s&atilde;o t&atilde;o excepcionais quanto os do fant&aacute;stico <strong>Dan Cruickshank</strong>), ou o programa <strong>Passagem para</strong>..., do <strong>Luiz Nachbin</strong>, no <strong>Canal Futura</strong>, entre outras raridades, liderando a minha lista de canais e programas bons, instrutivos, divertidos saud&aacute;veis e confi&aacute;veis <strong>(*<sup>1</sup>)</strong>. &nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Al%20Jawahar%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_05.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643853868" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">&nbsp;Al Jawahar</span></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em style="font-size: 90%;"></em></strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Vizinho do famoso Karim, o Al Jawahar</strong> pertence a uma fam&iacute;lia de a&ccedil;ougueiros, o que torna sua carne - escolhida e selecionada por quem entende do assunto, cortada com maestria - o ponto alto da casa. &Eacute; este precisamente o ponto alto do <strong>Al-Jawahar</strong>: a qualidade da carne, a precis&atilde;o com que &eacute; praparada e a base do preparo, segundo receitas milenares. &Eacute; t&atilde;o interessante quanto r&uacute;stico. &Eacute; aparentemente mais caseiro que o Karim, a comida &eacute; deliciosa, o astral &oacute;timo e a comida muito barata. A casa funciona desde 1910 no mesmo lugar e praticamente com o mesmo card&aacute;pio extenso e variado. Tem ar condicionado, uma surpresa para a regi&atilde;o, e fica aninhado nos becos da &aacute;rea de <strong>Jama Masjid</strong>. Seus donos orgulham-se da tradi&ccedil;&atilde;o e da qualidade do <strong><a href="http://www.zomato.com/ncr/restaurants/north-delhi/jama-masjid/al-jawahar-993/menu#tabtop">card&aacute;pio</a></strong>, com receitas &agrave; base de frango, cordeiro, porco e boi, carnes cortadas para que fiquem macias, livres de nervos e de cartilagens. H&aacute; tamb&eacute;m de f&iacute;gado e rim, c&eacute;rebro de cordeiro, test&iacute;culos de cabra, o que o apresentador <em>Andrew Zimmern</em>, do <em>Bizarre Foods</em> considerou &ldquo;comida bizarra&rdquo;. Tamb&eacute;m h&aacute; sopas, saladas, <em>roti-naam</em>, <em>tandoori</em>, <em>rice-pulao</em> e deliciosos <em>kebabs</em>. A comida &eacute; boa, farta, menos apimentada e n&atilde;o tem nada de bizarra, ao menos para brasileiros acostumados a comer de tudo, no Brasil e no exterior.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Karim%20Restaurant%20-%20Old%20DELHI%20Fatos%20e%20Fotos%20de%20Viagens_05.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330644291140" alt="" /></span>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A atmosfera &eacute; um pouco menos</strong> agitada que a de seu vizinho mais famoso, o <strong>Karim</strong>, mas igualmente despretensiosa. O <strong>Al-Jawahar</strong> &eacute;, portanto, uma &oacute;tima oportunidade gastron&ocirc;mica na regi&atilde;o dos bazares, pois al&eacute;m de tudo &eacute; limpo, tem ambiente cuidado (ao menos para padr&otilde;es indianos) e n&atilde;o h&aacute; com o que se preocupar, apenas tomar os cuidado habituais, como lavar bem as m&atilde;os antes de comer e usar &aacute;lcool gel para desinfet&aacute;-las. Mesmo assim n&atilde;o se escapa de ter uma "indisposi&ccedil;&atilde;o".</p>
<p style="text-align: center;"><span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Jama%20Masjid%20Porto%201_MG_1890.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330643391967" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="font-size: 90%;">Jama Masjid - Port&atilde;o 1 - Old Delhi - Chandni Chowk&nbsp;&nbsp; </span></strong></em></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O endere&ccedil;o oficial &eacute;: Al-Jawahar, Matia Mahal, </strong><strong>near Jama Masjid, Old Delhi. Tel:&nbsp;23261341. Para chegar, </strong><strong>d</strong>epois de visitar a <strong>Jama Masjid</strong>, saia pelo <strong>Gate 1</strong> caminhe pela <strong>Matia Mahal</strong>, uma das mais atmosf&eacute;ricas ruas de com&eacute;rcio popular da &aacute;rea, e farte-se de kebabs. A indica&ccedil;&atilde;o do Al-Jawahar por minha doce, intr&eacute;pida Em&iacute;lia, foi certeira, mais uma vez, como tamb&eacute;m no vizinho <strong>Karim</strong>. N&atilde;o tivemos tempo para comer no <strong>Bukhara</strong>, supostamente o melhor restaurante de Delhi, mas, definitivamente, voltaremos &agrave; cidade e na pr&oacute;xima o experimentaremos.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>___________________________________</strong></p>
<p><strong><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gurudwara Bangla Sahib</span></strong><strong>&nbsp;</strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong><strong>Gurdwara Bangla Sahib</strong> fica na &aacute;rea de <strong>Connaught Place</strong>, distante de Old Delhi. &nbsp;O belo templo pode ser visitado por n&atilde;o sikhs e recebe milhares de pessoas de outras religi&otilde;es. Este Santu&aacute;rio famoso na &Iacute;ndia est&aacute; associado ao oitavo guru dos sikhs, o Guru Harkrishan, mascido em 7 de julho de 1656 em Kiratpur, Punjab.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Gurudwara%20Bangla%20Sahib%2001.JPG?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330647493458" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;"><strong>Sarovar - </strong><strong>Gurdwara Bangla Sahib</strong></span></em></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O grande lago dentro do templo</strong> chama-se <strong>Sarovar</strong> e sua &aacute;gua &eacute; considerada sagrada. O templo pode ser avistado de longe por causa de sua impressionante c&uacute;pula dourada. &nbsp;Mas o que &eacute; mais curioso no complexo Gurdwara &eacute; sua cozinha, sua escola secund&aacute;ria superior, suaa biblioteca, o hospital, a galeria de arte e um museu. Tudo aberto ao p&uacute;blico. O restaurante tamb&eacute;m foi apresentado em mat&eacute;ria do <strong>Bizarre Foods do Travel Channel</strong>. Curios&iacute;ssimo, serve milhares de refei&ccedil;&otilde;es gratuitas a populares.&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Gurudwara%20Bangla%20Sahib%2002.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330647586523" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">&nbsp;<strong>Gurdwara Bangla Sahib</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span></em>_______________________________________________</strong></p>
<p><strong><span style="color: black;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hazrat Nizamuddin Dargah</span></strong><strong> </strong></p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong><strong>Um dos lugares mais sagrados na</strong> &Iacute;ndia, o <strong>Hazrat Nizamuddin Dargah</strong> - ou Mausol&eacute;u de Hazrat Nizamuddin Auliyaa - venerado santo sufi, situado em frente ao <strong>T&uacute;mulo de Humayun</strong>, outro espet&aacute;culo dos mais espetaculares de Delhi, o qual visitamos na viagem anterior.&nbsp; O <em>dargah</em>, ou t&uacute;mulo, &eacute; o epicentro da peregrina&ccedil;&atilde;o e de celebra&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas. E al&eacute;m de Hazrat Nizamuddin Auliyaa, um renomado poeta do reinado de Tughlaq - Amir Khusraus - tamb&eacute;m repousa ali, juntamente com Begum Jahan Ara e Mirza Ghalib, alojados no interior do complexo. &nbsp;Shaikh Nizamuddin Auliya nasceu em Badaun, no Estado de Uttar Pradesh em 1236 e viveu a maior parte de sua vida em Delhi, onde morreu em 1325. Entre seus disc&iacute;pulos ilustres estavam os sult&otilde;es Alauddin Khalji, Muhammad bin Tughluq e Amir Khusro.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/_MG_1225.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330646323355" alt="" /></span></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;<em style="font-size: 90%;"><span style="font-size: 90%;"><strong>Hazrat Nizamuddin Dargah&nbsp;</strong>&nbsp;</span></em>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A entrada para Nizamuddin &eacute; marcada</strong> por um t&uacute;mulo com c&uacute;pulas azuis conhecido como Sabz Burj (sabz, verde; burj, domo). Os azulejos azuis s&atilde;o um esfor&ccedil;o de restaura&ccedil;&atilde;o recente, mas alguns dos azulejos originais nas cores verde, amarelo e azul ainda podem ser vistos nas paredes. O edif&iacute;cio pertence ao in&iacute;cio do per&iacute;odo Mughaldo imp&eacute;rio mogol, e os &nbsp;brit&acirc;nicos usaram-no como uma delegacia de pol&iacute;cia por muitos anos at&eacute; o s&eacute;culo passado.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp; <span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Hazrat%20Nizamuddin%20Dargah%20_MG_1167.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330646456443" alt="" />&nbsp;<span class="full-image-inline ssNonEditable"><img src="http://interata.squarespace.com/storage/Hazrat%20Nizamuddin%20Dargah%20_MG_1168.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1330646479117" alt="" /></span></span>&nbsp;</p>
<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Descubra o sufismo indo-isl&acirc;mico explorar</strong> a medieval Nizamuddin, um bairro isl&acirc;mico hist&oacute;rico, onde est&aacute; o Santu&aacute;rio de Nizamuddin, o Santo Sufi mais popular de Deli. Observe os devotos, ou&ccedil;a os cantores Qawwali e conhe&ccedil;a a sabedoria Sufi.</p>
<p style="text-align: center;">____________________________</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 110%;">A seguir - <strong>Khajuraho </strong>&ndash;<strong> Os templos er&oacute;ticos, ou Kama Sutra em pedra</strong></span></p>
<p><strong>NOTAS:</strong></p>
<p><strong>(*)</strong> <em><strong>Bizarre Foods do Travel Channel</strong>&nbsp; </em><a href="http://www.travelchannel.com/tv-shows/bizarre-foods/episodes/delhi-india">http://www.travelchannel.com/tv-shows/bizarre-foods/episodes/delhi-india</a></p>
<p><strong>(*<sup>1</sup>)</strong> Quando me refiro &agrave; &ldquo;minha escala do que eu entendo o que seja qualidade&rdquo;,&nbsp;refiro-me ao meu gosto pessoal, do qual, evidentemente, boa parte poder&aacute; discordar. Entendo e respeito discord&acirc;ncias pessoais, n&atilde;o apenas porque reconhe&ccedil;o&nbsp;a heterogeneidade das&nbsp;pessoas. Aqui mesmo j&aacute; houve leitores que defenderam apaixonadamente revistas med&iacute;ocres como&nbsp;a Viagem e Turismo, da Editora Abril,&nbsp;cuja&nbsp;mesmice e falta de criatividade foram elevadas &agrave; categoria de "necessidade" para quem pretende viajar. Evidentemente que h&aacute; muitos que a preferem&nbsp;&agrave; revista Volta ao Mundo ou &agrave; Rotas e Destinos,&nbsp;cujos&nbsp;textos exemplares, maduros e inspiradores, servem muito mais do que aqueles.&nbsp;</p>
<p>De igual maneira&nbsp;compreendo que h&aacute;&nbsp;gente que tamb&eacute;m&nbsp;aprecia e&nbsp;assiste (e provavelmente tamb&eacute;m defenda como "necess&aacute;rio")&nbsp;o humor grotesco e o voyerismo do rid&iacute;culo a que as pessoas s&atilde;o expostas&nbsp;em programas de TV como o&nbsp;P&acirc;nico na TV, n&atilde;o se incomodam com a erotiza&ccedil;&atilde;o infantil exacerbada nos programas da Xuxa, com os assuntos impr&oacute;prios aos hor&aacute;rios das novelas da Globo (onde&nbsp;esbanjam-se cenas de viol&ecirc;ncia, sexuais gratuitas, de nudez, de falta de car&aacute;ter, de discrimina&ccedil;&atilde;o, de obscenidades, de baixarias, de banaliza&ccedil;&atilde;o de comportamentos sociais, de apologias exacerbadas tanto ao homo quanto ao heterosexualismo) e que tamb&eacute;m h&aacute; defensores acalorados. H&aacute; quem goste das baixarias do BBB e do A Fazenda, o sexismo, as vulgaridades impl&iacute;citas e as ignor&acirc;ncias expl&iacute;citas dos programas da Luciana Gimenez, do &ldquo;humor&rdquo; apelativo do Marcos Mion, do grosseiro e&nbsp;falido CQC de Marcelo T&aacute;s, Rafinha Bastos e cia. (felizmente) limitada, daqueles que adoram contar piadas sobre estupradores, do Jo&atilde;o Kl&eacute;ber (que fim levou?), do Ratinho (que fim levar&aacute;?), do Gugu Liberato, do S&eacute;rgio Malandro, do enjoado bom-mocismo do Luciano Huk e da&nbsp;Ang&eacute;lica, do infame programa O Melhor do Brasil (cujo&nbsp;apresentador Rodrigo Faro afz um enorme sucesso na Rede Record), da revista Caras, dos di&aacute;logos fraqu&iacute;ssimos e bobinhos de Malha&ccedil;&atilde;o, do programa Mulheres Ricas (cuja breguice e futilidade s&oacute; perdem para as postadas por boa parte dos &ldquo;escritores&rdquo; do Twiter), da programa&ccedil;&atilde;o dominical liderada pelo Doming&atilde;o do Faust&atilde;o (reconhe&ccedil;a-se, principal colaborador do que h&aacute; de pior na TV neste dia da semana,&nbsp;cujo m&eacute;rito do que &eacute; ruim (justi&ccedil;a lhe seja feita novamente) extende-se a outros canais e apresentadores),&nbsp;de canais como&nbsp;a Record e o SBT, com suas "Elianas" e "Celsos Portiollis", com o incrivelmente bobo Ot&aacute;vio Mesquita&nbsp;no seu esfor&ccedil;o desgra&ccedil;ado para produzir um programa sofisticado mas toscamente infantil e vazio. N&atilde;o&nbsp;faltar&atilde;o defensores&nbsp;de programas como&nbsp;o Casos de Fam&iacute;lia, deprimente &ldquo;talk show bate-boca&rdquo; da apresentadora Christina Rocha, cujo tema &eacute; a lava&ccedil;&atilde;o-de-roupa suja de pessoas humildes ali no palco e a vivo, o com sua c&oacute;pia - a M&aacute;rcia Goldsmith, da Band - cujo&nbsp;programinha desprez&iacute;vel frequenta a mesma linha, do asqueroso Datena que vocifera li&ccedil;&otilde;es de moral (falso que s&oacute; ele), prepotente ao mostrar a desgra&ccedil;a alheia, ou o&nbsp;sem gra&ccedil;a, cafona e chat&iacute;ssimo Zorra Total, cujas &ldquo;feras do humor&rdquo; (que saudades do Chico An&iacute;sio!) tornam o humor na Globo t&atilde;o abomin&aacute;vel quanto sem gra&ccedil;a e criatividade, o Programa do Ratinho, o talk-show mais insano da TV (esse n&atilde;o d&aacute; nem pra comentar!), a Turma do Didi (algu&eacute;m em s&atilde; consci&ecirc;ncia deixa seu filho assistir &agrave;quilo?). &nbsp;</p>
<p>Esqueci de algu&eacute;m? Ah, claro, da Ana Maria Braga, dos comerciais de cerveja e das Casas Bahia. Afinal, h&aacute; gostos pra tudo e todos os p&uacute;blicos. H&aacute; at&eacute; quem goste de Lady Gaga, de Michel Tel&oacute; e de Beyonc&eacute;. &nbsp;Enfim, o que sobra na TV aberta brasileira? Quais raridades dignas de lembran&ccedil;a? &nbsp;J&aacute; assisti uma vez ao programa Todo Seu, do Ronnie Von, na TV Gazeta, uma rara demonstra&ccedil;&atilde;o de escolha de bom gosto nos assuntos, nas quest&otilde;es maduras relacionados &agrave; sa&uacute;de e utilidades, ao que est&aacute; na moda mas n&atilde;o &eacute; f&uacute;til. Infelizmente n&atilde;o passa no Rio de Janeiro, e nem mesmo sei se ainda existe, mas o apresentador &eacute; o &uacute;nico exemplo de educa&ccedil;&atilde;o, cultura, eleg&acirc;ncia que me recordo.&nbsp; Tem tamb&eacute;m o programa do Rolando Boldrin na TV Cultura, o programa Brasileiros da Rede Globo, as entrevistas de domingo da Mar&iacute;lia Gabriela (SBT), o programa Canal Livre com da Band, o programa Roda Viva da TV Cultura. Algu&eacute;m se recorda de outros? Estou certo de que pratico alguma injusti&ccedil;a ao deixar de mencionar o que h&aacute; de bom. O assunto d&aacute; um livro. Quem quiser opinar, que escreva os cap&iacute;tulos aqui.</p>
<p><strong>Nota 1:</strong> <strong>Tamb&eacute;m nas opini&otilde;es somos viajantes independentes</strong>. Esta viagem, como todas as demais, n&atilde;o teve patroc&iacute;nio ou apoio de quaquer g&ecirc;nero ou esp&eacute;cie. Viajamos para um destino escolhido, sem interven&ccedil;&otilde;es de qualquer natureza. Voamos por cias. a&eacute;reas que optamos e com passagens compradas por n&oacute;s a pre&ccedil;os de mercado. Concentramos nossas viagens a&eacute;reas nas cias.&nbsp;de nosa escolha&nbsp;por gosto e pela conveni&ecirc;ncia da acumula&ccedil;&atilde;o de milhas e por terem boas conex&otilde;es com o mundo. &nbsp;Nos hospedamos em hot&eacute;is que escolhemos e pagamos, antecipada ou posteriormente, atrav&eacute;s de ag&ecirc;ncias virtuais ou diretamente ou atrav&eacute;s de seus respctivos sistemas de reservadas. Por isso todas as opini&otilde;es aqui veiculadas s&atilde;o puras, verdadeiras e independentes, sejam favor&aacute;veis ou n&atilde;o, cr&iacute;ticas ou as elogiosas, sem qualquer compromisso com nada al&eacute;m da verdade do que sentimos e percebemos, apenas com o intuito de informar o leitor, sejam elas acerca de hot&eacute;is, guias tur&iacute;sticos impressos, ag&ecirc;ncias e operadoras tur&iacute;sticas, cias. a&eacute;reas, restaurantes e tudo mais que aqui for citado.</p>
<p><strong>Nota 2:</strong> <strong>no meu entendimento</strong>, a rela&ccedil;&atilde;o do viajante com o pa&iacute;s visitado &eacute; que importa. Acho mesmo que toda viagem precisa ser levada a s&eacute;rio, seja com o objetivo tur&iacute;stico, seja com a cultura e com o indiv&iacute;duo. A leitura e o preparo acumulam as informa&ccedil;&otilde;es, tudo o que ao visitarmos um pa&iacute;s recuperamos da mem&oacute;ria e aplicamos &agrave; vis&atilde;o e a compreens&atilde;o. &Eacute; o que diferencia os viajantes. &nbsp;Por isso h&aacute;&nbsp;muitos livros recomend&aacute;veis sobre &Iacute;ndia. O maior deles,&nbsp;sobre Delhi talvez seja <strong><em>City of Djinns</em> </strong>de <strong>William Dalrymple</strong> (1993). Bem mais que um livro de viagens, &eacute; um di&aacute;rio sobre sua estada de um ano na cidade, da&nbsp;qual tornou-se um historiador. &nbsp;</p>
<p><strong>Abaixo, relaciono alguns</strong> dos t&iacute;tulos que li ou cujas leitura est&atilde;o em curso, al&eacute;m de in&uacute;meros guias de viagens, especialmente o Lonely Planet e o DK, as revistas Nat Geo Viajes, Volta ao Mundo, Lonely Planet e Rotas &amp; Destinos:</p>
<p>&nbsp;&ldquo;<strong>&Iacute;ndia - Um olhar amoroso</strong>&rdquo;, de Jean-Claude Carri&egrave;re &ndash; (Editora Ediouro);&nbsp;</p>
<p>&ldquo;<strong>Pelas trilhas do Oriente</strong>&rdquo;, de Jesualdo Correia (EditoraTopbooks ISBN 85-86020-53-2);</p>
<p>&ldquo;<strong>Tenta&ccedil;&otilde;es do Ocidente</strong>&rdquo; - Modernidade na &Iacute;ndia, Paquist&atilde;o e mais al&eacute;m, de Pankaj Mishra (Editora Globo ISBN 978-85-250-4298-9); &ldquo;Sa&iacute; pra dar uma volta&rdquo; - Relatos de uma viagem pelo mundo, de Frederico Mour&atilde;o (Editora Koru Books - 2007);</p>
<p>&ldquo;<strong>La Vaca sagrada</strong>&rdquo; - y otras historias de la India, de Tarun Chopra (Prakash Books &ndash; ISBN 81-7234-043-5);</p>
<p>&ldquo;<strong>A traveller&acute;s history of India</strong>&rdquo;, de Sinharaja Tammita-Delgoda (Master Mind Books India);</p>
<p>&ldquo;<strong>A dist&acirc;ncia entre n&oacute;s</strong>&rdquo;, de Thrity Umrigar (Editora Nova Fronteira &ndash; ISBN 978-85-209-1953-8);</p>
<p>&ldquo;<strong>A primeira luz da manh&atilde;</strong>&rdquo;, de Thrity Umrigar (Editora Nova Fronteira &ndash; ISBN 978-85-209-2233-0);</p>
<p>&ldquo;<strong>A su&iacute;te elefanta</strong>&rdquo;, de Paul Theroux (Editora Alfaguara &ndash; ISBN 978-85-60281-53-4);</p>
<p>&ldquo;<strong>O grande bazar ferrovi&aacute;rio</strong>&rdquo;, de Paul Theroux (Editora Objetiva &ndash; ISBN 85-7302-638-3);</p>
<p>&ldquo;<strong>Expresso para a &Iacute;ndia</strong>&rdquo; &ndash; Realidade e magia da terra dos deuses, de Airton Ortiz (Editora Record - ISBN 85-01-06751-2);</p>
<p>&ldquo;<strong>Tr&ecirc;s cidades perto do c&eacute;u</strong>&rdquo; &ndash; Srinagar, Rishikesh, Katmandu, de Luciana Tomasi (Editora Artes e Of&iacute;cios)</p>
<p>&ldquo;<strong>Spirit of India</strong>&rdquo; &ndash; An exotic land of history, culture anda color &ndash; Gill Davies (Parragon &ndash; ISBN 978-1-4075-2446-1)</p>
<p>&ldquo;<strong>Forts and Palaces of India</strong>&rdquo; &ndash; Amita Baig &amp; Joginder Singh (OM Books Internactional &ndash; ISBN 978-81-87108-47-4)</p>
<p>&ldquo;<strong>Rajasthan</strong>&rdquo; &ndash; Pauline van Lynden (Assouline &ndash; ISBN 2-84323-446-8)</p>
<p>&ldquo;<strong>Indian classical dance</strong>&rdquo; &ndash; Tradition in transition - Leela Venkataraman &amp; Avinash Pasricha (Roli Books ISBN 81-746-216-9)</p>
<p>&ldquo;<strong>Guia &Iacute;ndia Chic</strong>&rdquo; &ndash; Hot&eacute;is, resorts, spas, lojas, restaurantes (Publifolha &ndash; ISBN 978-85-7402-890-3)</p>
<p>&ldquo;<strong>Guide to the Temples of Khajuraho</strong>&rdquo; - North India - David Raezer &amp; Jennifer Raezer - Approach Guides - (Kindle Edition)</p>
<p>&ldquo;<strong>Enjoying India</strong>&rdquo; - The Essential Handbook - J. D. Viharini (Kindle Edition)</p>
<p>&ldquo;<strong>Travelers' Tales India: True Stories</strong>&rdquo; - Travelers' Tales Guides - James O'Reilly &amp; Larry Habegger (Kindle Edition)</p>
<p>&ldquo;<strong>Kathmandu Valley</strong>&rdquo; - Robert &amp; Linda Fleming (Allied Publishers ISBN 0-87011-328-3)</p>
<p>&ldquo;<strong>Old Delhi</strong>&rdquo; - 10 easy walks &ndash; Gaynor Barton &amp; Laurraine Malone (Rupa and Co. ISBN 81-7167-099-7)</p>
<p>&ldquo;<strong>Delhi</strong>&rdquo; - A thousand years of building (An Itach Roli Guide &ndash; Itach Lotus Roli Books &ndash; ISBN 978-81-7436-354-1</p>
<p>&ldquo;<strong>City of Djinns</strong>&rdquo; A Year in Delhi by William Dalrymple (ISBN-13: 978-0001050259)&nbsp;</p>
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