CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Terça-feira
Set262006

Tourada em Barcelona

                                                                                                           Uma  Corrida de Toros  em Barcelona

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Cartaz colado em poste na cidade de Barcelona

Uma das mais típicas tradições espanholas -  Corrida de Toros - está agonizando em Barcelona.  Aliás, em toda a Catalunha. Esta é apenas mais uma das diferenças entre a Catalunha separatista e o restante do país.     Em abril de 2004 a Prefeitura de Barcelona declarou-a cidade “anti-taurina”, após um democrático plebiscito no qual 73% dos habitantes catalães que votaram declararam-se contrários às touradas.

A partir de então desencadeou-se uma polêmica previsível que pôs fogo no tema "Barcelona ciudad anti-taurina".  O assunto é, por si, extremamente complexo, pois vnvolve paixões, política, cultura, tradições e esbarra em questões de interesse econômico.   Enfim, se isso já é lenha suficiente até mesmo pra fogueira espanhola,  julgo desaconcelhável a que estrangeiros, mesmo os ponderados como eu, opinem,  ainda que com alguns fundamentos.

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Ingresso para visita à ‘Plaza e Museo de Toros de Barcelona’

Já que o assunto é politicamente incorreto e extremamente polêmico,  este meu relato acerca de uma tourada que assisti em Barcelona é exclusivamente informativo, medianamente instrutivo, fortemente imparcial e pretensiosamente “jornalístico”.  Portanto, em resumo:  abstenho-me de dar opiniões pessoais, favoráveis ou não.  Discutir sobre touradas é tão polêmico quanto sobre religiões.

Touradas em Barcelona são raras

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Cartaz da ‘Corrida de Toros’ na ‘Plaza e Museo de Toros de Barcelona’

Tourada em Barcelona é um evento curioso. Eu fui assistir a uma.  Havia ativistas contrários às matanças de touros,  mas todos fazendo protestos sem radicalismos e agressividade, altamente civilizados. As manifestações defronte à Plaça Monumental de Toros de Barcelona resumiram-se a ativistas portando cartazes e falando palavras de ordem,  um ou outro passante assinando um livro de apoios e meia dúzia de policiais preservando os direitos de todos, tanto dos que são contra quanto dos a favor e - especialmente - daqueles que estavam  ali apenas turisticamente ou de passagem.    A população era copmposta por 70% de turistas,  20% de espanhóis e 10% de trabalhadores no evento.   

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Antiga e principal ‘Plaza de Toros de Barcelona’ vai virar Shopping Center

Eu já havia assistido a uma tourada  em Madri, em 1988.   A minha principal impressão, à épica - fora a de que aquele espetáculo se parecia com um misto de festa nacional com o uma partida de futebol do Real Madrid de Ronaldo contra o arqui-rival  Barcelona de Ronaldinho.

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A ‘Plaza e Museo de Toros de Barcelona’ podem ser visitados

A única oposição política à iniciativa catalã de declarar Barcelona cidade anti-taurina foi do Partido Popular, curiosa e precisamente aquele que apoiou a participação da Espanha na Guerra do Iraque.   Ainda que a iniciativa não passe de uma atitude de boas intenções, pois a prefeitura não tem poderes para de proibir os espectáculos taurinos,  a declaração de cidade não simpatizante com as touradas deixa clara sua personalidade e abre caminho para que o “Parlamento Catalán” para efetive a proibição no futuro.

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A arquitetura mourisca da ‘Plaza de Toros’ de Barcelona

Emfim, muita água irá rolar por baixo desta ponte, pois o lobby dos taurinos e aficcionados é formado por poderosos ganaderos (criadores de touros Miúra), toureiros milionários, empresários do espetáculo, nobres monárquicos e todos os que trabalham e vivem em função das touradas.

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Ingressos para Touradas: 'sol', 'sol e sombra' e 'sombra'

Bem, se você pretende assistir a uma tourada algum dia, não vá a Barcelona.  As chances são raras. Eu assisti a uma e vou contar o que se passa numa corrida de toros.

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Uns poucos espanhóis e muitos turistas

A “Plaza” estava ocupada por no máximo 40% de espectadores. Boa parte das pessoas era de profissionais envolvidos na “farra do boi” espanhola. A Plaza de Toros Monumental de Barcelona é, na verdade, secundária.  A mais importante, aquela dos tempos do auge das corridas em toda a Espanha (e também em Barcelona), está sendo transformada em.... shopping center!! Isso mesmo. Imaginem algo assim como transformarem o Coliseu de Roma, depois de mega obra de engenharia, e tansformá-lo num shopping center moderníssimo, de primeiro mundo.

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Uns poucos espanhóis e muita tradição

E arquitetonicamente ela também está muito aquém da Plaza de Toros Monumental de las Ventas, de Madri, a mais importante do país, juntamente com a La Maestranza, em Sevilha. A de Madri comporta 15.000 espectadores e foi construída em 1929.

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Detalhe da arquitetura mourisca da ‘Plaza de Toros de Barcelona’

Sem dúvida alguma uma “Corrida de Toros” é um espetáculo cruel. Independentemente de qualquer opinião, favorável ou contrária,  a luta raramente é igual.   O touro sofre por uns bons 30 minutos antes de morrer, na fase em que os espanhóis denominam “faena" (na qual o animal é cansado e enfraquecido, preparado para morrer).  Os que são favoráveis ponderam que o touro tem chances reais de ferir sériamente ou mesmo matar o toureiro e, com isso, ser indultado, e que, além disso, se fosse inteligente, dirigiria suas chifradas para o "matador"  em lugar de para o "capote".

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"Banderillas" no lombo e lingua de fora

Não vou me estender em mais opiniões de ambos os lados para que não fique maçante, até porque o objetivo aqui é informar o que ocorre durante uma tourada, com o intuito de que aqueles que um dia venha a assistir a uma não fiquem "boiando", mais ou menos quando asistimos a uma partida de futebol americano ou beisebol.

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Cartões postais na ‘Plaza de Toros de Barcelona’

Uma corrida em geral apresenta 3 toureiros (ou matadores) que lutam com 2 touros cada. A idéia central é a de que o toureiro mantenha um enfrentamento "artístico" frente a frente com o animal e dominar sua bravura até matá-lo. Todas as corridas têm um presidente, que pode ser o prefeito ou uma autoridade da cidade e é quem autoriza o início e o fim da corrida, além de atuar como juiz no mérito do toureiro e permitir, se for o caso, a sua premiação (ou não) ao final da "la faena".

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Matadores preparando-se para a ‘faena’

Além do público, uma parte importante da corrida é a banda de músicos, que vai animando e marcando as mudanças de equipamentos e o andamento das diferentes etapas de uma corrida.

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Cartazes e vinhos. ‘Tauromaniana ‘Plaza de Toros de Barcelona’

A terminologia das Corridas

Os termos a seguir são tecnicismos usados na tauromaquia para identificar as ferramentas (instrumentos de tortura), os passos e os que atuam numa corrida.

Suertes : as três etapas, ou três terços de uma ‘corrida de toros’ .

1- La Suerte de Verónica , 2- La Suerte de Banderillas e 3- La Suerte de Matar.

Capote : manta bicolor (fúcsia de um lado e amarela de outro) com a qual o toureiro realiza diversos passes e movimentos para provocar o touro nas duas primerias etapas da corrida.

Muleta : manta de tecido vermelho que o toureiro usa no terço final da corrida ( la suerte de matar ) .

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Divisa : fita de papel colorida que já vem ficada no dorso do touro, a qual identifica a ganadería (a fazenda onde se criam touros). Cada ganadería tem suas cores específicas que a caracterizam. O touro já entra na arena com a divisa .

Cuadrilla : equipe de ajudantes do toureiro, composta por picadores, banderilleros e mozos. Seu trabalho é assessorar o toureiro na arena nas diferentes "suertes" da “lidia”.

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É possível visitar a arena da ‘Plaza de Toros de Barcelona’

Picador : homem montadi a cavalo, cujo trabalho é ‘picar’ o touro com uma vara de 2 metros de cumprimento com uma ponta que contém a “puya”;

Puya : um instrumento cortante, uma espécie de arpão grosso com 10 cm de espessura e forma cônica;

Banderillero : ajudante de campo do toureiro que enfia as “banderillas” no lombo do touro;

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A Banda de música tem papel importante na sinalização do início e término das diversas etapas de uma Corrida

Banderillas : instrumento composto por um gancho metálico de 5 cm ("arpón"), fixado num cabo de madeira, com 75 cm;

Banderilla de castigo : banderilla com um “arpón” maior (8 cm), de uso mais raro, apenas quando o touro não se deixa picar pelo picador;

Estaquillador : espada falsa, de 1 metro de cumprimento que o toureiro usa na última etapa da corrida.

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Do lado de fora da ‘Plaza de Toros de Barcelona’, o programa da tarde.

As etapas de uma Corrida

A suerte de verónica , na qual o touro sai para a arena e é enfrentado pelo toureiro. A suerte de banderillas , na qual aparecem o picador e os banderilleros. Finalmente, a suerte de matar, na qual há o clímax, quando o toureiro mata o touro.

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Os Toureiros e suas equipes, além dos Picadores, apresentam-se ao público

1 - Suerte de Verónica

Esta etapa começa na arena com o que se chama de paseíllo, na qual cada toureiro se apresenta ao público juntamente com sua equipe de ajudantes, para logo então tomar posição na arena o primeiro diestro (o primeiro da equipe) para começar a corrida, ainda com o touro no túnel de saída, sem entrar na arena, momento em que lhe é cravada a divisa na base do cuello (costas do animal).

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O touro acaba de entrar na arena. No dorno, a “divisa”.

A divisa também serve para assinalar o lugar exato onde o picador e os banderilleros devem estocar (o primeiro) a puya e os três pares de banderillas (os segundos). Os matadores são distiguidos dos demais pelos trajes, traje de luces (roupa de luzes) trabalhadas e bordadas em dourado.

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O “paseíllo”, o início, a apresentação.

Logo após esta primeira estocada abre-se o túnel para deixar sair para a arena o touro furioso e agitado. Sempre os touros saem correndo e raivosos tanto por sua índole quanto pelo inômodo da estocada.

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Capote : manta bicolor (fúcsia de um lado e amarela de outro)

Na arena o touro é recebido pelo toureiro, que com o movimento de seu capote deve chamar a atenção do animal para que este o persiga e o ataque, demonstrando sua habilidade e passos artísticos de matador. Cerca de três minutos dura essa primeira lida com o touro, a qual é encerrada com um toque musical da orquestra, encerrando a etapa.

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O Picador

2- Suerte de Banderillas

Esta etapa começa, como todas as outras, com um sinal musical da orquestra e consiste na entrada na arena do picador, montado a cavalo vendado e protegido com uma “armadura” de feltro e couro.

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O Picador pronto para “picar” o touro.

O picadores tem a função única de picar o touro no lugar marcado com a divisa, através da vara com a puya. Enquanto o touro se abaixa para agredor o cavalo com os chifres e luta para derrubá-lo, o picador continua a manter o estoque no dorso do animal, empurrando com toda a força, até que o touro decida ele mesmo deixar o cavalo ou por iniciativa dos ajudantes do toureiro, que tentam apartar o animal, balançando os capotes para despertar-le a atenção.

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O Picador e a investida do touro

O regulamento determina que o touro passe duas vezes pelo picador numa mesma intervenção deste, o que significa que o picador vai à areba apenas uma vez para cada touro mas o pica duas vezes.

A tarefa fundamental do picador é evidentemente debilitar o touro e deixá-lo em condições de mais igualdade para com o enfrentamento do toureiro, uma vez que a estocada produz um corte profundo e que sangra significativamente o aninal, além de provocar-lhe dor.

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A estocada produz um corte profundo e sangra o animal

Essa primeira etapa de sangramento percebe-se através do sangue que corre pelo dorso até os quartos dianteiros. A partir daí percebe-se que o touro dobra mais facilmente as “mãos” (patas dianteiras) e com mais freqüência cai de “joelhos” e com o focinho no chão, sempre, no entando voltando a levantar-se, na etapa em que o toureiro, após o touro ser picado, enfrenta o touro de igual para igual, corpo a corpo.

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A esta altura o touro já apresenta-se cansado e om a respiração ofegante, a lingua começa a pender de fora da boca, todavia ainda bastante raivoso e perigosamente mortal, persistindo na tentativa de atacar o matador, que “baila” e o enfrenta o mais perto possível do touro, chegando a tocá-lo e a roçar seu corpo diversar vezes, inclusive deixando marcas de sangue no “trajes de luces”, a roupa dos toureiros.

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Completamente vendado, “El caballo del Picador” enfrentará o Touro

Ainda sobre “El caballo del Picador”, este vai bastante protegido por uma cobertura grossa que vai até as patas, feita de uma tela de feltros em camadas, acolchoadas, vai completamente vendado, imagino que se assim não o fosse estaria sempre fugindo dos ataques do touro que investem contra ele bastante violentamente, e que por vezes chegam a derrubá-lo e ao picador.

Depois de uns minutos de faena do picador, outro sinal sonoro da orquestra determina a entrada em cena dos banderilleros. São três ao total, mas um de cada vez, cada um com um par de banderillas (uma em cada mão), cuja tarefa é enfrentar o touro em disparada, tanto do animal quanto do homem, e fincar-lhe, de primeira, ambas no lugar exato no dorso do touro, desviando-se rapidamente, hábilmente, da investida do touro depois de concluir a estocada das banderillas , que fixam-se na carne do animal por terem o desenho de um arpão, sendo possível penetrar, mas não extrarir, como um anzol na boca do peixe.

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Um banderillero em cena

Nesta etapa, entre um passo de um banderillero e outro, o torero permanece na arena provocando o touro com o capote, com o intuito de provocar a bravura do animal e proporcionar espetáculo ao público, porque se o touro não responde com bravura e perigo ao toureiro, e este não se arrisca suficientemente, o público se manifesta com vaias ou, ao contrário, com os típicos “olés”. A função do banderillero é debilitar o touro, todavia me parece ser a parte da tourada em que ambos, homem e animal, atuam com igualdade de potencial mortal. Como a banderilla crava-se fortemente nos músculos do lombo do animal, raramente saindo, quando este se movimenta, provoca mais dor, incômodo, raiva e sangramento.

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A função do banderillero é debilitar o touro

3- Suerte de Matar

Nesta etapa - que se inicia com a saída dos três banderilleros - o toureiro teve suficiente tempo para conhecer o touro que tentará matar (‘tentará’ porque existe forte possibilidade de que o touro o mate ou mesmo que o ataque tão fortemente que o tire de cena). Mais importante do que conhecer o touro é tentar tirar dele toda a bravura, ferocidade e brio que conseguir, o que resultará, ao final, na sua premiação ou não.

Tourada 029.jpg Agora o toureiro troca o capote pela muleta

A etapa se dá com a troca do capote pela muleta , que oculta dentro dela o estaquillador . O objetivo central deste momento é que o toureiro facá o melhor espectáculo com o touro para o público. E isso sempre depende da resposta do touro (de sua classe e bravura), porque si este segue atacando o touriero, o público demonstrará com mais júbilo a eventual vitória do matador .

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O toureiro luta com o touro usando agora a muleta

Esta é a única etapa em que quem determina seu tempo é o toureiro, porque o que ocorre é o seguinte: se o touro não responde da maneira esperada, ou seja, demonstrando ainda muita arra e bravura, energia, e o toureiro trata de fazer com que o touro “colabore”, instigando-o e pondo-se à sua frente sem proteção alguma, o toureiro decide então terminar a “faena”, trocando a espada falsa pela de verdade, e logo a seguir a uns breves passos, quando verifica que o touro já não pode mais por esgotamento, lhe dá a estocada final.

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O toureiro e seu “traje de luces” frente à frente com o touro

Para isso, deve distrair o touro com a muleta apontada para o chão, fazendo com que o touro baixe muito a cabeça e esponha bastante o dorso para que nele seja enterrada , junto à divisa , enfiando-a inteiramente, até o cabo, ferindo mortalmente o touro.

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O toureiro faz o touro baixar a cabeça com a muleta apontada para o chão

Se a estocada tiver sido bem executada, o touro cairá em segundos. Se não, dará voltas até que o toureiro retire a espada do corpo do animal e lhe dê o golpe de misericórdia estocando seu cérebro com um estoque especial ou mesmo com a ponta de uma espada especial trazida por algum auxiliar de sua equipe.

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O Toureiro aponta o alvo com o estaquillador...

Entretando, entre a estocada final e a caída do touro, este é permanentemente distraído peal equipe do toureiro, que fazem com que ele se movimente para lá e pra cá com o intuito de a espada que está em seu corpo faça mais estragos nos órgão internos do animal, acelerando sua morte.

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...e o enfia , junto à 'divisa', no dorso do animal inteiramente, até o cabo

Neste ponto da corrida, se ela foi ‘digna’ (leia-se, se o toureiro demonstrou habilidade e o touro cooperou na lida, isto é, se demonstrou fúria e ataques mortais, bravura) o público levanta "almohadillas" ou lenços brancos e os agitam no ar, pedindo para o presidente que o toureiro ganhe o “troféu”.

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Se o touro não cair, o “golpe de misericórdia” será em sua cabeça.

(observe a turista na arquibancada) 

O presidente da prova decide-se positiva ou negativamente. Se aprovar a premiação, colocará um ou dois lenços brancos no parapeito de sua tribuna, o que que significa que o toureiro receber uma ou duas orelhas do animal morto, que serão cortadas por um dos seus auxiliares. Se a corrida foi julgada de valentia e bravura máximas, o presidente coloca além dos lenços brancos, um verde, que significa que além das duas orelhas, seja cortado o rabo do touro e dado ao toureiro. Diz-se, neste caso de premiação máxima, que o toureiro terá ‘aberto´ a Puerta Grande, o prêmio máximo para um toureiro.

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Depois do “golpe de misericórdia”, um estoque no cérebro do touro

Se no julgamento do público e do presidente a corrida não foi “digna”, o toureiro retira-se com sua equipe da arena e o touro é retirado da arena através de uma tropa de dois cavalos que o puxam pelos chifres e o arrastam pelo chão para o “acougue”.

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Os auxiliares cortam a orelha do touro, como 'troféu'  ao toureiro

Algo muito raro pode também ocorrer : se o público julgar o touro excepcional animal em coragem, bravura, força, poderá indultá-lo, manifestando-se favorável a que ele sobreviva com nobreza. Se o touro for ( indultado ), você terá assistido a algo muito raro numa tourada, ocasião em que o toureiro sai de cena, abrem-se os portões da arena e entram algumas vacas que atraem o touro de volta para o curral.

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Depois da orelha cortada o touro é preparado para ser retirado da arena

Quando e Onde

A temporada de touradas vai de Março a Outubro, todos os domingos às 19:00 h (nota: em Madrid, nessa época, o sol se põe às oito da noite). Em Junho é altíssima temporada e há touradas diariamente. Essa é a época da "Feria de San Isidro'' (festa de touradas), quando acontecem as melhores touradas, diariamente. A Plaza de Las Ventas – em Madri - é a 'Meca' das touradas, rivalizando com a Plaza de Sevilha.

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O toureiro desfila na "volta olímpica"

A melhor época pra ser assistir touradas em Madri é justamente durante os mêses de maio e junho, quando acontece o famoso festival de touradas de San Isidro. O Festival de San Isidro traz os melhores toureiros e touros. Durante o festival, o ponto alto das touradas em Madri, que dura 20 dias, diariamente há corridas, que começam sempre às 7 da noite. O festival apresenta touradas com novillos (touros jovens), rejones (touradas a cavalo) e Goyesca (com roupas de época). Durante o festival é a única época em que se pode observar os touros de perto, em seus currais, antes de erem transportados para a plaza, em La Venta de Batán , perto da estação Batán do metrô de Madri.

“Trajes de Luces de um toureiro”

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Ingressos para Touradas

Posições:

'sol', 'sol e sombra' e 'sombra'

Localizações:

(mais perto ou mais longe da arena):

Pertos: 'barrera',

Intermediários 1: 'contra-barrera' (acima da 'barrera)

Intermediários 2: 'tendidos'

Altos: 'gradas'.

Exemplo:

Tendido e Fila: Tendido 3 - Fila 1 (Sol y Sombra)

Preços: de 20 a 90 €

Reader Comments (30)

Ola Arnaldo, obrigada pela explicacao de como e' uma tourada, deu ate' arrepio. Eu tive vontade de assistir uma tourada enquanto na Espanha mas agora tenho certeza que nao vou aguentar...
Nil
13:54 | Unregistered CommenterN Breault
Que bom seria se mais pessoas vissem esta reportagem...eu estava aqui a procura de um dia de tourada para ver com alguns amigos que vamos a espanha agora em Outubro, mas sinceramente naum posso perder meu dinheiro para isto...naum mesmo! Vou passar isto para eles e tenho certeza que também irão desistir deste turismo...no mundo em que vivemos hoje naum podemos desfrutar de assistir a morte e aplaudila...mesmo que seja de animais.
Parabéns por isso!
Maria Luisa Brandão
Oi, Arnaldo.
super obrigada pelo seu comentário no meu blog. Caramba! O seu é enorme! Quanto trabalho! Que belas fotos! Parabéns! Vou adicionar aos meus favoritos.
Também tenho um livro sobre morar fora, chamado "De Mala e Cuia" (editora Jaboticaba). Se interessar...
Um grande abraço,
Adriana Setti.
PS: Meu pai e meu irmão estavam nessa tourada!
qual a cultura de barcelona algumas tradições danças
16:17 | Unregistered Commentertania
Poderia utilizar algumas fotos de seu blog em meu flog? (com a devida informação da fonte, claro!)
Desde já agradeço.
Seu blog é maravilhoso. Visitarei sempre.
17:42 | Unregistered CommenterPatricia
Sim, pode,desde que cite a fonte e o link do blog.
Obrigada Arnaldo pela sua gentileza em me autorizar a fazer uso em meu flog de suas belas fotos. Sempre citarei seu blog, porque, vale a pena divulgar para que todos possam desfrutar do seu belo trabalho.
Um abraço.
17:36 | Unregistered CommenterPatricia
Apenas choro de decepção profunda.
Tamanha é a crueldade humana, que me faltam palavras para algum comentário sobre o assunto, sem baixar o nivel.
Arnaldo, parabéns pelo Blog.
Espero que um dia consigam mesmo proibir esses "espetaculos" na espanha e em todos os paises quem seguem a tradição.

Atenciosamente,

Guilherme Moser Borges
tOREROS DE MIERDA, HIJOS DE LA GRAN PUTAAAAAAAAAAAAA.
21:26 | Unregistered CommenterBENJAMIN
Toreros hijos de su puta madre! Ojalá que todos ustedes rencarnen en toros hijos de la gran mierda y deseo que reciban unas buenas cornadas, que les duela putos!
12:00 | Unregistered CommenterCanon
Excelente as fotos e informações. Inclusive estou em Barcelona agora e doido pra assistir a uma tourada e nada. É realmente uma burrada transformar a arena de touros da Plaza Espanya em shopping. Sou totalmente a favor das touradas. Pelo menos o touro tem alguma pequena chance de acertar o homem. Fora que se o touro faz uma boa corrida ele é poupado. Bicho não é gente e crueldade é comer patê de fígado de ganso, picanha maturada, galinha de granja, peixe, caranguejo, lagosta, etc... Já pensou que um peixe morre asfixiado, mas leva horas pra morrer. Bichos confinados pra engordar rápido e morrer jovens, sem nem ter tido a chance de correr na liberdade ou cruzar. Isso é crueldade. Ou no caso do patê de fígado de ganso que fazem o ganso ter cirrose hepática pra dar aquele sabor especial. Então, ou cortamos tudo de mal, ou aceitamos a cultura e vontade de cada um sem julgar. Uma pessoa pode mudar as coisas desde que a maioria pense igual a ela.
8:36 | Unregistered CommenterAndre
Me gustaria usar su foto para una invitacion, estoy preparando una exhibicion con el tema
El Torero y su traje de luz
14:30 | Unregistered Commenterrafael
Me gustaria usar su foto para una invitacion, estoy preparando una exhibicion con el tema
El Torero y su traje de luz
15:34 | Unregistered Commenterrafael
¡Bien hecho! Excelente sitio taurino: informativo, educativo. // Muy agradecido.

Lástima que siempre haya comentarios tan ignorantes e imbéciles de parte de quienes sencillamente no comprenden.

"Cuando el hombre no entiende, condena." M.T. Cícero
19:38 | Unregistered CommenterQuerencias
Belo trabalho, muito instrutivo. Deu para entender a mecânica do jogo na arena.

Caro Arnaldo, fantásticas as fotos. aprendi muito com os detalhes . Acho que ninguém deve interceder com as tradições dos povos (é claro que com limites). Porém o que acontece na Arena, não é muito diferente de matadouro não !. Hipócrita é quem critica isto e depois come um filé com fritas ! PS: Cruel é ter balas perdidas matando inocentes e tantas outras coisas neste pais de analfabetos !
SINCERAMENTE É UM ESPETÁCULO!
EU SEI QUE TEM VIDAS EM JOGO, NÃO SOU CONTRA PELO CONTRÁRIO AINDA TENHO UM DESEJO A SER REALIZADO... VER UMA TORADA EM MADRID.
12:26 | Unregistered CommenterMahevya

Uma pena q ainda se permita esse "espetaculo".

13:08 | Unregistered CommenterCadu

iT is completely disgusting AND COWARDLY THAT SO-CALLED "MEN" (AND WOMEN) STILL CAN "ENJOY" THE SPECTACLE OF WATCHING AN INNOCENT ANIMAL BE BARBARISED... WHY DONT' YOU DO IT TO YOURSELVES AND YOUR OWN CHILDREN?!

As for those that say:I am neutral,I have no opinion, it just goes to show that INDIFFERENCE and LACK OF MORAL AND ETHICAL GUTS is the way to indeed, support cruelty and abuse... NO COJONES to have any standing? "What" are you?! a blop of mud or something...


Try and stick an IRON INTO YOUR OWN FLESH (and through to the organs) and bleed during hours,and be provoked (where you have no intention of fighting, only survival)by savages and ignorants, and then tell me if if "you have no opinion" about this!!!!!!!!

COWARDS AND BRUTES: ALL OF YOU that support actively or through your so-called "indifference" the continuation of any cuel "sports" or any activity that includes cruelty, with human ANIMALS or non-human animals.

YOU ARE ANIMALS TOO. HOW WOULD YOU LIKE TO BE TREATED THAT WAY?

SHAME ON YOU!

12:26 | Unregistered CommenterCNUNES

Quanto aos "queridos" e às queridas que acham que é "um grande espectáculo", façam-no entre vocês, seus anormais, seus abusivos e torturadores de animais inocentes. Vão-se matar uns aos outros e isso sim,será um benefício para o PLANETA!

12:28 | Unregistered Commentercnunes

Deve dar uma tourada muito boa na casa desses que defendem essa barbárie!!

Deve ser lindo todos(as) chifrudos(as) da casa de vocês, dentro da arena!!

16:33 | Unregistered CommenterJuarez

Quando eu for bem rico ainda construo uma Plaza de Toros no Brasil, num local onde tiver pessoas menos ignorantes como muitas que aqui escrevem...

VIVA A ESPANÃ!!! VIVA A TOURADA!!!

Emilio

4:02 | Unregistered CommenterEmilio

Porque é que ha pessoas que ofendem a arte e a aficion ?
Especialmente oes brasileiros que partem logo para a ofensa, nao conhecem, nao falem.
SOU AFICIONADA em touradas, e no entanto sou contra touros de morte em espanha.
Meus caros, cada um segue a sua tradiçao.

Se tourada for arte, prefiro continuar ignorante para sempre, havia uma tradição entre os os homens que dizia que lugar de mulher é em casa pilotando o fogão, será que vc concorda com isso? sonho com o dia em que os touros chegaram a um nível de evolução tornando impossível que um toureiro o drible, ficarei feliz ao ver os toureiros serem atravessados pelos chifres de quem tanto maltrataram.

10:41 | Unregistered CommenterRei

Olá,

Em primeiro lugar parabéns pelo blog e pela materia, esta tudo perfeito e de maneira bem clara para quem pretende enteder a tourada.
Em em segundo lugar, estou fazendo um trabalho de conclusao de curso que fala sobre o traje de luzes. Gostaria de saber se posso usar fotos do seu blog(que estao lindas) e algumas informaçoes aqui encontrada, sem deixar de cita-lo na bibliografia é claro!

Obrigada

15:17 | Unregistered CommenterDébora

SIM< Débora, pode usá-las, mencionando autoria "Arnaldo Interata" e o endereço do Blog "Fatos & Fotos de Viagens.

15:39 | Unregistered CommenterArnaldo

Adoro a Espanha, e sou descendente de espanhol, meu avô era natural de Granada. É lamentável que esse grande País ainda tenha "touradas" para distrair o povo, a exemplo de lutas entre gladiadores na Grécia antiga, ao qual o povo se deliravam aos gritos de dor e sangue derramando na arena.Pode ser costume, tradição, esporte, sei lá o que é, mas em minha opinião todos não passam de grandes filhos da pu...
Queria ver era cortar o saco dos toureiros em plena arena.

Adoro a Espanha, e sou descendente de espanhol, meu avô era natural de Granada. É lamentável que esse grande País ainda tenha "touradas" para distrair o povo, a exemplo de lutas entre gladiadores na Grécia antiga, ao qual o povo se deliravam aos gritos de dor e sangue derramando na arena.Pode ser costume, tradição, esporte, sei lá o que é, mas em minha opinião todos não passam de grandes filhos da pu...
Queria ver era cortar o saco dos toureiros em plena arena.

Gosto quando vejo a foto de um toureiro com chifre cravado no rabo, erguido e sacudido.

Teria que por os toureiros os amantes da crueldade sem farpas de mão livres dentro de uma arena com uns 20touros robustos. para serem estraçalados.

Odeio quem maltrata animais.

Sou brasileira e estou, neste momento, escrevendo um artigo sobre a semelhança que existe entre o auditório das praça de touros, que vai "apreciar" a tortura destes animais , e Eichmann,aquele nazista julgado por ter trabalhado no transporte de milhares de judeus para a Polônia.
Como descobriu Hannah Arendt, Eichmann não era um louco, muito menos um perverso. Era apenas um homem que não conseguia vizualizar em seu mundinho tacanho, a consequencia das suas ações : morte de crianças etc.
Além disto era banal, medíocre : não conseguia enxergar mais além das ordens que lhe davam.
É claro que nesta comparação há diferenças.
Nas arenas ninguém recebe ordens de ninguém, apesar da banalização do mal estar presente em todo o tempo da "apresentação".
O turista diverte-se com a tortura mostrando que nada é mais humano que o crime;o veterinário da Praça de Touros se desumaniza como um reles acompanhante de rituais de tortura,tudo por um bom salário; o matador de touros toureia porque é um homem que deseja o dinheiro,mas apenas consegue ser banal ,e, do alto de seus ímpetos suicidas apresenta-se como um histérico (emboneca-se para que a platéia o saúde fazendo-o se sentir "amado"); o presidente da praça é o engravatado, o capitalista inescrupuloso, que chantageia o touro e o toureiro; o criador de touros é o traidor de suas criaturas, aquele que as faz nascer para entregá-las às mãos bárbaras da tortura.
Não sei mais o que direi em meu artigo, que sairá publicado no jornal O TEMPO da minha cidade (enviarei cópia também aos ativistas de Madrid),continuarei pensando na tragédia que fez com que esta "tradição da morte" se consolidasse, impune, entre os espanhóis. A mesma morte que, em sonhos, deve atravessar os sonhos de todos aqueles que matam.
Nada no mundo é estático, tudo muda, tudo se transforma. Aconteceu assim com Saulo, que renasceu como Paulo.
Desejando ardentemente que (os implicados no prolongamento deste "espetáculo")revejam, com serenidade, o peso, as consequencias éticas e a gravidade moral dos atos que promovem e cometem. Espero que revertam sua agressividade em uma grande festa com um touro-robô (onde o animal vivo estaria ausente, apenas estaria presente o mito),sem tortura, sangue e crime, a atividade com a qual lucram. Já passa da hora de mudar.

23:26 | Unregistered CommenterEulàlia

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