CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Sexta-feira
Fev232007

Portugal: Lisboa - Começando por conhecer a cidade

Falamos a mesma língua?

Que lingua é esta que estão a falaire que eu estou a entendeire tudo?!”, perguntou o surpreso taxista aos passageiros brasileiros que conversavam no taxi durante o trajeto do aeroporto de Lourenço Marques, (antiga Capital de Moçambique) ao hotel onde se hospedariam. Sim, isso aconteceu com meu pai, na década de 80.

Contado assim, em forma de piada, é risível, mais trata-se de mais uma das muitas peças que o idioma prega ao brasileiro que chega a Portugal imaginando que lá se fala a mesma língua. Falam. Mas não é tão mesma assim! O idioma é o mesmo, mas como é diferente! E é preciso compreender isso.

Situado no extremo sudoeste da Península Ibérica, a sua localização ao longo da costa atlântica desde cedo determinou uma vocação marítima a Portugal. Em 1415, os portugueses lançaram-se numa epopéia de viagens que os tornaria os primeiros a percorrer os caminhos marítimos para a Índia, Brasil, China e Japão, ao mesmo tempo que se estabeleceram nas costas ocidental e oriental da África.

Desta história de presença em todo o mundo muitas marcas ficaram, entre elas o português uma das línguas mais faladas no mundo.

Para os brasileiros uma viagem a Portugal pode ser mais divertida do que para qualquer outro povo do mundo. Não, não me refiro a gostar ou não do país, de suas igrejas, monumentos, arquitetura e belezas naturais porque isso é gosto pessoal, e gosto não se discute. O que mais nos diverte é mesmo lingua!

O português, idioma de raiz latina, é a lingua européia mais falada em todo o mundo, ou seja, cerca de 200 milhões de pessoas naturais de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe – na África, Brasil, na América do Sul, Macau e Timor-Leste na Ásia, falam o português.

A língua portuguesa é uma das línguas românticas. Tal como todas as línguas do mesmo grupo, o português descende diretamente do Latim, mas do Latim indígena, dos soldados e colonos romanos, não do Latim clássico dos cidadãos cultos de Roma. Esse idioma desenvolveu-se na antiga Gallaeci (a região da Galícia, no noroeste de Espanha) e no Norte de Portugal, chegando até ao Portugal de hoje.

O Português é a segunda língua romântica, depois do Espanhol, em termos da quantidade de pessoas que o falam, grande parte devido ao Brasil (cerca de 180 milhões), somados aos 10 milhões de Portugal, além dos cerca de 5 milhões de pessoas que falam português na África (alguns falando crioulo) e cerca de meio milhão nos Estados Unidos.

Existem cinco principais grupos do dialeto português, todos reciprocamente inteligíveis: 1) o do Norte, 2) o Central, ou da Beira, 3) o do Sul (que inclui Lisboa, Alentejo e Algarve), 4) o Insular (que inclui os dialetos dos Açores e da Madeira) e 5) o brasileiro.

Só que para os brasileiros o que se fala em Portugal é um idioma diferente de todos os demais países de indvíduos lusófonos. Todos os povos que não tendo o português como seu vernáculo por influência dos antigos colonos portugueses falam o mesmo protuguês. Nós falamos brasileiro. E saibam, o brasileiro é bastante diferente do português, não apenas na pronúncia.

Entenda assim: um português viajando para qualquer país de lingua portuguesa quase não estranhará o idioma, apenas o sotaque. Mais ou menos assim como nós, aqui no Brasil, notamos as diferenças do que ouvimos no Estados de Norte ao Sul do Brasil. Os portugueses gostam do som melodioso da pronúncia brasileira, que contrasta com o tom cerrado e quase soturno da fala lusitana. Mas nem sempre a entendem. O inverso é ainda pior. O ouvido brasileiro decifra mal o sotaque português.

Em Portugal também o ocorrem as diferenças regionais de sotaque, ainda que para os brasileiros ela seja imperceptível. A pronúncia dos portugueses da Cidade do Porto é tida como uma espécie de caipira do interior de São Paulo. O coimbrão soa diferente do lisboeta e é bastante notável o sotaque de Viseu, assim como o português alentejano é meio cantado como o dos gaúchos.

Para os portugueses em viagem ao Brasil pode ser diferente, mas não tanto quanto para nós brasileiros em viagem à “terrinha”. Nenhum português estranhará os bordões, gírias e neologismos que se ouvem nos programas humorísticos, noveleiros e jornalísticos brasileiros que invadiram Portugal a aprtir da década de 70, “culpa“ da TV Globo.

Todavia, para nós brasileiros, soa estranhíssimo, divertidíssimo, ouvir um português mandando um “ puto tirar a cabeça da janela num elétrico (um garoto botar a cabeça pra dentro na janela do bonde). Ou, então, ao se sentar num restaurante pedir a “ementa”, em vez do cardápio ou menu, e ouvir do “ empregado de mesa” (garçon) "O que vai ser para Si?".

Como disse o Ricardo Feire em Diários portugueses “todo brasileiro volta de Portugal dominando um pequeno vocabulário turístico (você sabe: cardápio é 'ementa', café da manhã é 'pequeno-almoço', banheiro é 'casa de banho'). Mas só os que se propõem a ler os jornais e ver TV vão enriquecer substancialmente o seu dicionário.”

Ou, então, como disse Mário Prata em seu livro “Schifazfavoire”, a mais famosa de todas as diferenças é a “fila”. Todo mundo sabe que em Portugal bicha é FILA,. Mas, por mais que a gente esteja preparado para ouvir bicha pra cá, bicha pra lá, sempre se surpreende:

- Era uma bicha enorme, dava a volta no quarteirão...

- Por favor, todos em bicha dupla!

- É proibido furar a bicha!

- Bicha em estádio, acaba sempre em confusão.

- Antigamente não tinha tanta bicha assim em Portugal...

- O governo está prometendo acabar com as bichas.

Bem disse Ricardo Freire que para um brasileiro em viagem a Portugal, 'Schifaizfavoire', o impagável dicionário português-brasileiro do Mario Prata é mais útil que o Frommer's e o Fodor's, juntos.

Imagine que você está num banheiro de um restaurante e o cartaz lhe diz, à entrada: “Por favor, não esqueça de carregar no autoclismo da retrete.” Ainda que pareça assustador, não se preocupe, o que ele quer dizer é para você dar DESCARGA. Às vezes a palavra citada tem um significado totalmente diferente no Brasil, como no caso de banheiro ou durex, por exemplo), ou, ainda, a palavra brasileira equivalente pode ser usada (ou pelo menos reconhecida) também no português europeu mas outras vezes é desconhecida (o caso de cardápio para ementa ou cadarço para atacadores).

É claro que não vivendo em Portugal muitas dessas palavras que soam divertidíssimas jamais serão ouvidas. Coisas como (alcatrão = asfalto, piche) (aceder = acessar uma página na Internet) (adepto = torcedor de um time de futebol) (albufeira = represa) ( alforreca = agua-viva ou medusa) (telemóvel = celular) (rato = mouse) (portátil = Notebook) (passadeira = faixa de pedestre) (peão = pedestre) (passeio = calçada) (rotunda = balão ou rótula de trânsito) ...

Sexo Seguro? Use Durex!! (de um anúncio de preservativo...)

Camisinha é Durex, Durex é Fita-cola, Cafezinho é Bica, Homosexual é Paneleiro, Pão Francês é Cacete, Um grupo de crianças é Canalha, Um menino pequeno é um Puto (mas uma puta NÃO é uma menina pequena, lembre-se!), Calcinha feminina é Cueca, Absorvente feminino é Penso higiênico, Band-aid também é Penso rápido, Professor particular é Explicador, Comissária de bordo é Hospedeira, Chiclete é Pastilha elástica, Injeção é Pica, Impostos, Propina e Alô? é Está lá?

Não, você não vai a uma farmácia comprar um esparadrapo, mas um adesivo , tampouco uma camisinha, mas um durex , e muito menos vai pedir para tomar uma injeção nas nádegas, mas uma pica na bunda !

Em Portugal você não pediria para a Recepção de seu hotel para limpar o carpete, mas a alcatifa . O s portugueses não dormem em travesseiros, mas em almofadas . E jamais ouviria o termo “horário político”, mas “ direito de antena “! E por aí vai ...

Entre outras coisas, em Portugal uma pastelaria é uma confeitaria e pastel é um doce. No futebol não há times (ou equipes), mas equipas, e elas não fazem gols, mas golos no goleiro, ou guarda redes, que deixou a bola passar depois do chute do ponta de lança o nosso atacante da camisola (camisa) 10.

O café, nosso tradicional cafezinho , por exemplo, que custa entre 0,50 € e 0,80 €, deve ser pedido assim: um cafezinho é uma bica; um pingado é um pingão; um garoto é algo assim como um café machiatto, aquele café com uma espuma de leite ao vapor por cima; um café com leite é bem mais simples: café com leite mesmo!

 

- E por que não falamos exatamente a mesma lingua? -

Breve história da língua no Brasil

No início da colonização portuguesa no Brasil o tupinambá (língua do litoral brasileiro da família tupi-guarani) foi usado como língua geral na colônia, juntamente com o português, graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua.

Em 1757, a utilização do tupi foi proibida oficialmente e com a expulsão dos jesuítas em 1759 o português tornou-se definitivamente como o idioma do Brasil.

Mas o português herdou palavras ligadas à flora e à fauna da lingua indígena, como abacaxi, mandioca, cajú, tatú, piranha , bem como nomes próprios e geográficos.

Com o fluxo de escravos trazidos da África, a língua falada na colônia recebeu novas contribuições. A influência africana no português do Brasil, que em alguns casos chegou também à Europa, veio principalmente do iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria, um vocabulário até hoje ligado à religião e à cozinha afro-brasileiras, e do quimbundo angolano, que introduziu palavras como caçula , moleque e samba ).

Um novo afastamento entre o português brasileiro e o europeu aconteceu quando a língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português (principalmente por influência francesa) durante o século XVIII, mantendo-se fiel, basicamente, à maneira de pronunciar da época da descoberta.

Uma reaproximação ocorreu entre 1808 e 1821, quando a família real portuguesa, em razão da invasão do país pelas tropas de Napoleão Bonaparte, transferiu-se para o Brasil com toda sua corte, ocasionando um reaportuguesamento intenso da língua falada nas grandes cidades.

Após a independência do Brasil em 1822, o português falado no Brasil sofreu influências de imigrantes europeus que se instalaram no centro e sul do país. Isso explica certas modalidades de pronúncia e algumas mudanças superficiais de léxico que existem entre as regiões do Brasil, que variam de acordo com o fluxo migratório que cada uma recebeu.

No século XX, a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período: não existindo um procedimento unificado para a incorporação de novos termos à língua, certas palavras passaram a ter formas diferentes nos dois países ( comboio e trem , autocarro e ônibus , pedágio e portagem ).

Além disso, o individualismo e nacionalismo que caracterizam o movimento romântico do início do século intensificaram o projeto de criação de uma literatura nacional expressa na variedade brasileira da língua portuguesa, argumento retomado pelos modernistas que defendiam, em 1922, a necessidade de romper com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar as peculiaridades do falar brasileiro. A abertura conquistada pelos modernistas consagrou literariamente a norma brasileira.

Se pretender conhecer mais, o que julgo indispensável a um brasileiro que viaja a Portugal, não deixe de aceder, ops!, acessar as páginas a seguir:

Falamos a mesma língua?

(um curioso dicionário português-brasileiro):

http://www.portcult.com/11.DICT1.htm

Comentários selecionados de Mario Prata :

http://www.portcult.com/11.DICT.selected_commentaries_from_mario.htm

Portugal para principiantes ( ou Onde o bumbum é rabinho)

de Paulo Afonso Grisolli

http://www.portcult.com/portugal_para_principiantes_parte_1.htm

Reader Comments (20)

Arnaldo,

Muito bom, mas muito bom mesmo,o texto!!! Divertido e informativo. estou vendo que essa viagem vai ser uma delícia!
19:32 | Unregistered CommenterRodrigo
Caro Arnaldo, espero que a viagem esteja a correr de feição. Li com muito entusiamo e até algum divertimento este teu post e sem querer pôr em dúvida a origem das informações que descreves, permitia-me apenas uns breves comentários.

1-Portugal foi realmente o percursor das viagens maritimas (por cá usamos o termo descobertas) e fomos realmente os primeiros a atingir a Índia, China, Brasil e Japão, mas também o Ceilão (actual Sri-Lanka) e outros lugares do sudeste asiático como é o caso da actual Tailândia e Malásia entre outros. Fernão de Magalhães foi também o primeiro a fazer a viagem de circunavegação, em 1519, não tendo infelizmente terminado a mesma, pois foi morto nas Filipinas em 1521. No entanto um barco com 18 homens da tripulação original conseguiu conclui-la.

2 - O português é a 5ª língua mais falada no mundo, a seguir ao chinês, hindú, inglês e castelhano (a língua espanhola não existe). Em África serão mais do que 5 milhões a falar português.

3 - Em Portugal existem duas línguas oficiais: o português e o mirandês e não existem dialectos, mas sim pronúncias, que variam de região para região, sendo que a pronúncia de Lisboa é completamente diferente da algarvia ou alentajana, assim como a pronúncia madeirense é totalmente diferente da açoreana (que já por si tem sotaques diversos, conforme as ilhas. S. Miguel tem um sotaque muito peculiar, influenciado pela presença francesa na ilha). O português falado no Brasil muito menos pode ser considerado um dialecto, mas sim um sotaque, o mesmo aplicando-se ao português falado em África, ou noutra qualquer parte do mundo.

3 - Por muito que te possa parecer estranho, "Cardápio" é um termo bastante usual e utilizado em Portugal, mormente pelas pessoas de mais idade. Se tiveres oportunidade de falar com uma pessoa idosa de TRás-os-Montes ou mesmo da Beira Interior, vais aperceber-te que as expressões que referes como "botar" e outras são vulgarmente utilizadas no dia-a-dia e outras ainda são utilizadas normalmente mas provavelmente dentro de outro contexto. O que se passa também é que o português do Brasil, absorveu inúmeras expressões estrangeiras e criou uma enorme quantidade de estrangeirismos como por exemplo: "durex" (marca mundialmente conhecida de preservativos); "time" do inglês team; "notebook"; "band-aid"?!; "Chiclete", termo também muito usado por cá (marca de pastilhas); "Alô" também vulgarmente utilizado por cá, "sandwich", do inglês; "gols" de goals (inglês), "Mouse", "Equipe" do francês, etc. etc. etc.

4 - termos como os que referes: asfalto, represa, calçada, carpete, injecção, são vulgaríssimos e usados diariamente por toda a gente em Portugal.

5 - Depois existe o que se pode chamar de gíria ou calão, como é o caso de termos como "puto", "bicha", etc.
A propósito sabes aquela do brasileiro que estava em Portugal e quando lhe perguntaram o que fazia lá no Brasil, ele respondeu: "uns bicos". "Bico" no calão ou gíria portuguesa quer simplesmente dizer fellatio, sexo oral, broche (em português vernáculo)!
E quando pediram a um brasileiro que fosse levantar uns documentos a uma empresa ao pé do Marquês do Pombal (praça de Lisboa) e ele foi literalmente até junto do pé da estátua do Marquês do Pombal à procura da tal empresa? "Ao pé" como deves saber, por cá quer dizer junto, perto.

Serve todo este parlapier (mais um francesismo) apenas para te dizer que muitas das palavras, expressões e frases que talvez julgues tão descabidas têm uma origem e significado concreto, assim como as utilizadas por vocês aí no Brasil (essa de chamar BALÃO a uma rotunda é de mais!),e que provavelmente terias uma grande surpresa se um dia pudesses perder um dia a falar com uma avózinha de 90 anos de uma qualquer terrinha do interior transmontano.

Continuação de boa viagem e se puderes não te esqueças daquela dica do tal restaurante no Ginjal.

Abraço.
21:23 | Unregistered Commenterroadrunner
Caro ROAD, sensacional teus argumentos! TÃO bons que vou - com mais calma - reproduzí-los aqui mesmo no texto do post! MUITO obrigado....
6:50 | Unregistered CommenterArnaldo
Arnaldo.... Mais uma vez parabens pelo texto, muito instrutivo, vou recomendar a todos que forem viajar... por sinal, o "bicha", ou homossexual, em portugal chama-se paneleiro...E, as piadas de Brasileiro, normalmente enfocam este tema, que tal voce trazer algumas piadas novas "de brasileiro".

Boa viagem!

Ernesto
7:45 | Unregistered CommenterErnesto
Ernesto, o Road acabou de escrever DUAS piadas de brasileiros em Portugal, mas confesso que não sei se são novas ou antigas....
10:53 | Unregistered CommenterArnaldo
Oi, Arnaldo!

Vc precisa passar no BOB – http://brasil.business-opportunities.biz/blogueiros-brasileiros-brazilian-bloggers/

Venha fazer parte da primeira página dos blogueiros(as) brasileiros e espalhe a novidade, já tem bastante gente por lá ;)

bj$$$

Cris Zimermann
Business Opportunities Brasil
Franchise Business Opportunities
Virtual Entrepreneur
Arnaldo, estupenda crónica sobre tu viaje a Portugal (y el idioma).
Felicidades!!!
15:08 | Unregistered CommenterCarmen
Arnaldo,

Adorei o texto, muito legal. Continuo acompanhando!!

Abraços!!

Marcio
13:50 | Unregistered CommenterMarcio
Olá Arnaldo e em que hotel ficou em Lisboa, alguma dica?
22:53 | Unregistered CommenterCaio
Caio, eu tenho várias dicas de hotéis em Lisboa e vou publicar um texto só sobre o assunto mais adiante. Há uma extensa lista de opções de todos os padrões, dos extremamente luxuosos e caros aos albergues bons e baratos, portanto, se vc quiser uma dica específica para vc, terei prazer em lhe dar se não puder esperar pelo texto a ser publicado. Basta me dar uma idéia de padrão (estrelas) que lhe passarei dicas e sugestões,
Sem problemas Arnaldo, eu espero.
Abraços
21:37 | Unregistered CommenterCaio
Esse post está uma verdadeira aula - sensacional!
12:56 | Unregistered CommenterCarla

Arnaldo, aqui no RS o pão francês também é chamado "cacetinho". Certa vez, estava eu no Acre, pedi o tal do cacetinho numa padaria. Todos riram obviamente. No outro dia fui comprar mais pão e a atendente para mim: "Como é mesmo o pão que você quer? Porradinha?"

Arnaldo,
me sinto muito melhor sabendo que não sou só eu rsrs. Na minha primeira ligação para o programa de milhagem da TAP houve uma hora em que mandei um "sorry, can we speak in English?", ao que o atendente riu e gentilmente disse - falarei mais devagar sinhora...falo 4 línguas razoavelmente e não entendo a minha própria!
Abs (lendo tudo de Portugal tb)

3:00 | Unregistered CommenterCristina

Seu texto está cheio de contradições: por exemplo, como pode o português ser ao mesmo tempo "a lingua européia mais falada em todo o mundo" e a "segunda língua romântica, depois do Espanhol, em termos da quantidade de pessoas que o falam"? Uma informação contradiz a outra. Obviamente, o espanhol é muito mais falado que o português (afinal, há toda a América hispânica a falá-lo, além de grande parte dos Estados Unidos). Além disso, o inglês é muito mais falado que ambos - e também é uma língua européia (ou a Inglaterra não fica na Europa). Para completar, é mais apropriado falar em língua "românica" (isto é, neolatina) que "romântica".

O gentil leitor está correto, o texto tem erros, contradições, para além de erros de digitação. Agradecemos a simpática lembrança e, é claro, a disposição. Tão logo seja possível serão efetuadas as correções.

17:33 | Unregistered CommenterArnaldo

A língua portuguesa, com mais de 260 milhões de falantes, é, como língua nativa, a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental.

Além de Portugal, é o idioma oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 13 de julho de 2007, na Guiné Equatorial, sendo também falado nos antigos territórios da Índia Portuguesa (Goa, Damão, Ilha de Angediva, Simbor, Gogolá, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli).


A língua portuguesa é uma língua românica, tal como o castelhano, o catalão, o italiano, o francês e o romeno. Mais especificamente, o português pertence ao grupo ibero-românico.

"“Que lingua é esta que estão a falaire que eu estou a entendeire tudo?!”"

Certo. Foi mais ou menos essa situação que se colocou à minha namorada, não em Moçambique nos anos 80, mas em Porto Seguro, Brasil, no século XXI. Com uma pequena diferença: quem se intrigava, nem conseguiu de todo entender, nem o que se dizia, nem que era Português.

Há vários erros nessa lista mas não vou corrigir; assim vai ser mais divertido quando chegar algum turista brasileiro aqui a Lisboa e usar esses termos, convencido de que está a falar muito bem... :)

Com a excepção de marcas de produtos (ex., "Durex", "Chiclet", etc.) e palavras que os brasileiros importam do Inglês (como "acessar", "time" ou "mouse"), quase todos os termos usados no Brasil são também usados em Portugal (embora nem sempre sejam os mais comuns nas zonas urbanas), e toda a gente os compreende.

Faltou referir o sinal que todos os brasileiros gostam de ver nas estradas portuguesas:

"Final do Rroço"

21:15 | Unregistered CommenterMiguel

Nota: por algum motivo o "t" da última frase foi convertido num "R". Naturalmente a frase é (esperemos que agora fique bem): "Final do troço"

21:17 | Unregistered CommenterMiguel

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