MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Terça-feira
Mai012007

Crônica de uma viagem desastrada - Capítulo 1

- Crônica de uma viagem desastrada à Grécia e Turquia -

Em dois Capítulos

 

- Primeiro capítulo - Istambul -

          Sabe aquela viagem que tem tudo pra dar certo? Pois era essa mesmo. Nossa viagem à Turquia e Grécia reunia tudo para ser uma daquelas que ficam pra sempre registradas na nossa memória, aquela que vem em primeiro na lembrança quando temos que contar uma viagem inesquecível. Bem, inesquecível ela até que foi, mas não pelo lado bom...

          Seria a ‘viagem perfeita’: planejamos bastante, organizamos tudo, imaginamos, sonhamos... e, afinal, seria para um daqueles ‘destinos-sonhos’ de muita gente. De quebra ainda terminaria em Roma e Florença! Perfeita, não? Não, não foi...

          O nosso primeiro destino era Istambul, Turquia! Puxa, como eu havia sonhado estar ali entre os minaretes da Santa Sofia, caminhar pelas ruas de pedra do Templo de Éfesus, em Kusadasi, perder-me nos labirínticos corredores do Grand Bazar em Istambul, observar o pôr-do-sol navegando o Estreito de Bósforo, estar frente à frente com o mais famoso brilhante do mundo - o Topkapi - no museu do mesmo nome, conhecer os belíssimos palácios do Império Otomano, admirar a Mesquita Azul, assistir aos derviches em seus rodopios levando ao transe, enfim, mergulhar no clima exótico da cidade onde Agatha Christie inspirou-se para escrever ´O Assassinato no Oriente Express´, aquele trem que percorria a Europa até o oriente e foi considerado o trem mais luxuoso do mundo....

          Depois disso iríamos à Grécia. Uns dias em Athenas, um cruzeiro pelas ilhas Mikonos, Rhodes, Santorini..., enfim um ‘roteiro-maravilha’! E, além de tudo, encerrando a viagem em grande estilo, uma estada ‘básica’ em Roma e Florença. Concorde comigo, vamos?!, era ou não uma “viagem dos sonhos”?

          Bem, tudo começou no dia 14 de março, uma terça-feira, ainda no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, onde pegaríamos o vôo AZ 695 - da Alitalia - com destino a Roma. Não era a primeira vez que eu voava por esta cia. aérea, mas, sem dúvida, o desejo foi de ser a última! Não conhecia cia. aérea mais desorganizada, mais impontual, com pior serviço de bordo, atendimento mais antipático e grosseiro (em Roma, porque no Brasil é feito por brasileiros) do que a Alitalia. E note que eu já voei por 30 cias. aéreas internacionais diferentes, da Varig à Malev, da Swissair à Air France, da Philipines à Canadian Airlines.

            Ao fazermos o check-in com a atendente da Alitalia no Rio de Janeiro, fomos informados que o vôo estava com atraso aproximado de duas horas. A gentil funcionária, ciente do ‘mico’ que eu passaria, já havia analisado anteriormente o meu ‘caso’ e visto que nem de supersônico seria possível pegar a conexão Roma-Istambul, a única alternativa que a Alitália dispunha. Nem que o vento ajudasse e o avião fosse vazio eu conseguiria chegar em Roma a tempo... O que estava previsto era chegar em Roma às 12:10, pegar uma conexão imediata para Istambul, onde chegaria às 16:20 h. “Bacana, eles até se preocupam com os vôos em conexão”, pensei.

          A moça, visivelmente constrangida, foi cautelosa (já que o meu ‘caso’ deveria ser dos mais ‘cabeludos’), talvez esperando que eu fosse um daqueles clientes enjoados, que esbravejam e arranjam confusão por nada, comunicou-me:

          - “Senhor, lamentamos informar que devido ao atraso do vôo Rio-Roma, sua conexão para Istambul não será mais a partir de Roma, mas de Zurich”, e continuou, imediata e automaticamente - como se não quisesse me dar tempo para reclamar - completando:

          - “Mas não se preocupe! Suas malas irão diretamente do Brasil para Istambul.” (como se isso fosse um alento, não um risco) e, finalizando, me deu os cartões de embarque, explicando:

          - “Senhor, seus vôos ficaram assim: Rio a Roma, com chegada prevista às 12:10; Roma a Zurich, saída às 14:40 e chegada às 16:15 e Zurich a Istambul com saída às 20:35 e chegada às 00:20h”...

          ‘Putz’, exclamei pra mim mesmo, ‘eu vou sair do Rio às nove da noite de terça-feira pra chegar em Istambul aos 20 minutos da quinta! E isso se nenhum novo atraso acontecer!’...

          Era isso mesmo: pra chegar à Turquia eu teria de voar de Roma a Zurich e depois a Istambul! Mas, como sou viajado e experiente e além disso a idade traz alguma coisa de útil (a única delas, condescendência para com os imprevistos) compreendi que essas coisas são assim mesmo e que não devemos valorizá-las tanto, pelo menos ao ponto de se trasnformarem em aborrecimentos.

          Considerando tratar-se de aviação, quem sou eu pra julgar o que se passa na cabeça de uma cia. aérea para atrasar por tanto tempo um vôo, senão o de garantir máxima segurança aos seus passageiros e tripulantes, em decorrência de algum simples parafuso do toalete que se soltou. “Deve ser um problemão”, imaginei. Em todo caso, é infinitamente melhor um atraso de alguma horas e a perda de uma conexão do que um pouso forçado no meio do oceano, na melhor das hipóteses. Lembram do filme ‘Náufrago’, com o Tom Hanks? Pois é...eu me lembrei.

          Malas despachadas, cartões de embarque nas mãos, ao final eu já agradecia à Alitalia a oportunidade de passear pelo aeroporto de Zurich. Acabei ‘tirando uma onda’ e curtindo antecipadamente a oportunidade de dar uma passadinha na bela cidade suiça. “Estamos em férias”, pensei. “Férias foram feitas justamente pra relaxar”, concluí, buscando lá no fundo meu lado zen, ainda que ele seja meio...digamos, bem... escasso! Já inteiramente conformado, lembrei-me de um ditado de minha avó dizia: “o que não tem remédio, remediado está!”.

          Já que teríamos que fazer uma boa hora no aeroporto, fomos jantar no único restaurante decente do Galeão, o Demoisele (é esse o nome, se não me engano), do Luxor Hotel. Sentamo-nos pra comer, eu e minha mulher, e notei um certo ar de desapontamento nela. Tentando melhorar a situação, eu lhe disse, enquanto comíamos:

          - “Puxa, legal, essas coisas inesperadas acabam tornando a viagem ainda mais interessante. Afinal estamos indo para a Suiça!...” É claro que não consegui convencê-la!, afinal, nós passaríamos pelo aeroporto de Zurich e olhe lá.

          Ainda que eu sequer fosse pisar numa rua de Zurich eu procurava despertar nela um certo alento, quem sabe reavivar um desejo latente de comprar uns chocolates, uns reloginhos, ver umas bonitas paisagens dos Alpes suíços nuns painéis do aeroporto, enfim, melhorar os ânimos meio combalidos de minha sempre animada mulher. Ainda argumentei: “Se você já resistiu a um vôo Rio-São Paulo-Atlanta-Dallas-Honolulu, ou aquele Honolulu-Los Angeles-Miami- Rio” esse vai ser um passeio”, concluí, tentando animá-la.

          Não me recordo exatamente quantas vezes o vôo do Rio a Roma teve seu horário alterado e, àquela altura, eu já acreditava que até a conexão pra Zurich havia ‘sambado’, mas, enfim, levantamos vôo.

          Chegando finalmente a Roma uma verdadeira brincadeira de mau gosto nos esperava no Aeroporto Fiumicino: o vôo para Zurich também estava atrasado! Espera daqui, espera de lá, embarcamos para a Suíça. É lógico que compramos os tais chocolatinhos e lá de Zurich - depois de mais um atraso - finalmente embarcamos num avião da Swissair para Istambul, onde chegamos quase às duas da manhã!

            Para ingressar na Turquia era necessário visto e ele podia ser obtido tanto no país de origem, antes de viajar, quanto no momento de se fazer a imigração. Prevenido, tratei de providenciar o meu visto ainda no Brasil.

            Em geral os países que menos recebem turistas e mais precisam deles são os mais chatinhos na imigração, os mais exigentes, os que têm funcionários públicos mais mal encarados. Excessão à regra é a Inglaterra, que só falta perguntarem a cor da cueca e quantas está levando para o país, mas são educados e atenciosos na medida do que podem ser atenciosos funcionários que estão ali justamente pra encontrar um motivo pra barrarem você. Afinal, eu já sabia que quanto mais subdesenvolvidos, mais burocráticos são os países.

           - “Beleza!, estamos em solo turco!”, exclamei pra minha mulher assim que saímos do avião. Formulários devidamente preenchidos, sem nenhum campo esquecido, eu pensava, ainda no avião, ao preencher aquele papel... “Vou pegar esses caras, eles não vão encontrar um único motivo pra não me liberarem rapidinho”. Afinal há infinitamente mais turcos no Brasil do que o inverso. Nós é que temos que tratá-los com tanta exigência!

          Numa dessas minhas andanças eu havia conhecido uma brasileira de Belo Horizonte, casada com um turco e que mora em Istambul. Uma ocasião, trocando informações por e-mail, pedindo-lhe dicas e sugestões, ela me recomendou um guia para me receber no aeroporto de Istambul e me levar ao hotel. Ela mesmo faria esse serviço e me acompanharia pela cidade durante minha estada, mas estava fazendo justamente o contrário, vindo visitar a família no Brasil.

            Ela nos ofereceu um serviço muito interessante e diferente: nós lhe daríamos as datas exatas em que estaríamos em Istambul, responderíamos a um questionário para que soubessem de nossos interesses específicos e após uns dias nos remeteriam uma proposta de tour especialmente formulado para nós, combinando os dias da nossa estada com os dias em que museus e palácios estivessem abertos, os horários e as distâncias entre os mesmos, enfim, um roteiro bem personalizado. Isso ao preço de US$ 10,00! Com uma proposta de tour em mãos e algumas boas dicas que nos dariam, poderíamos conhecer razoavelmente bem a cidade, sozinhos. Pouparíamos tempo e energia, conhecendo lugares certos nos momentos certos. Ainda nos dariam algumas dicas sobre lugares que os turistas não encontram sem ajuda de uma pessoa local, dicas para uma segunda visita a Istambul, dicas sobre lugares que não são visitados por turistas mas muito populares e bem frequentados pelos turcos.

               Agradeci a oferta de um guia pela cidade e do tour personalizado, pois já havia reunido um bom conjunto de informações e pretendia conhecer Istambul sem a ajuda de um local, mas aceitei o transfer aeroporto-hotel. Eu tinha certas dúvidas se a cidade é tranquila pra se visitar sem guias, porque países muçulmanos em geral são bem mais difíceis de se circularem do que os ocidentais. Mas, eu achava que geograficamente Istambul era muito mais européia do que asiática e culturalmente muito mais próxima da Europa do que do Islã. E de fato é. A Turquia não está entre os países nem mais nem menos xiitas, mas num meio termo entre os costumes ocidentais e muçulmanos. E mais, são muçulmanos não árabes. E ainda que o idioma fosse uma barreira, eu estava preparado para conhecer Istambul por minha conta.

               Eu refletia sobre o assunto já em solo turco e tinha uma certa ansiedade e pressa de passar logo pela imigração. Será que o tal camarada que a guia brasileira-turca arranjara ainda estaria me esperando? Depois de quase sete horas de atraso? (!)

               Bem, não me restava outra alternativa do que ter que aturar e me livrar daqueles guardas da imigração que olhavam pra nós como se fôssemos terroristas, estivéssemos contrabandeando armas ou, ainda, carregando uma multidão de brasileiros imigrantes ilegais, cada um com dois quilos de drogas!

               Deparei-me com filas enormes, mesmo com o adiantado da hora. Pra agilizar e facilitar o trabalho do agente de imigração e, quem sabe, desencavar de seu mais íntimo esconderijo uma expressãozinha mais simpática, abri meu passaporte na página do visto, coloquei nela o formulário impecavelmente preenchido e recomendei que minha – a esta altura desgastada – mulher fizesse o mesmo. Ela não apenas não o fez como também disse que esse não iria facilitar o trabalho de nenhum turco mal encarado. “Tá certo”, concordei, “tá certo”..., sem querer dar nenhum motivo a mais para qualquer aborrecimento. Não satisfeita em desafiar os mal encarados agentes de imigração ainda por cima foi para uma fila diferente da que eu estava e destinada aos nacionais!

               Chegamos aos balcões de imigração quase ao mesmo tempo, eu e minha mulher. Com um sorriso nos lábios entreguei o meu passaporte para o policial, que imediatamente o abriu, separou a ficha preenchida e começou a falar em turco pra mim! Na verdade ele aparentava estar resmungando e ante a minha interrogação “Excuse-me?”..., sussurrou mais alguma coisa e ficou lá pesquisando uma lista que devia conter nomes-mais-que-suspeitos, doido pra encontrar o meu! Não tendo logrado êxito, passou a folhear e ler todas as páginas do meu passaporte, deu umas olhadelas por lado (não me pergunte pra onde, já que ao seus dois lados havia duas paredes a 20 centímetros dele) olhou pra minha foto e para mim mesmo umas três vezes, fez um doce danado antes de carimbar meu passaporte e me liberar, não sem antes entregar-me o documento pondo-o sobre o balcão, não em minhas mãos. Ali mesmo fiquei imaginando se fora mesmo uma boa idéia ter escolhido a Turquia pra passar férias...

                Levando em conta aquela ‘simpática’ receptividade e não estando ao alcance visual de minha mulher, pensei: “se eu que fiz tudo certinho o cara foi assim, imagine o que deve estar acontecendo com minha mulher, que está mais a fim de dar trabalho e descontar no agente os atrasos dos vôos!..." Não estava! Ela passara pela imigração feito uma local, sem qualquer contratempo e com tamanha eficiência que parecia estarmos na América do Norte. Saí do balcão e logo à frente minha mulher já me esperava há tempos com um sorriso desafiante nos lábios, as malas já todas reunidas e me perguntando “Puxa, por que tanta demora?”! No comments...

                Ainda tínhamos que passar pela alfândega e não sei se porque eu fui caminhando decididamente sem dar muita confiança para o ‘atento’ agente de alfândega, o fato é que cruzamos por ela como se viéssemos do Rio pra São Paulo. Que alegria ver uma placa com meu nome nas mãos do ansioso guia. O coitado foi e voltou duas ou três vezes ao aeroporto até conseguir me encontrar.

                O nosso transportador era um turco baixinho e gordinho que falava bem o português, o que facilitou bastante começarmos uma conversa. Ele perguntava de onde eu era e após eu ter respondido disse-lhe que havia uma grande comunidade turca no Brasil. Imediatamente o homem me desmentiu dizendo que não eram turcos, mas árabes! Contra argumentei, dizendo que eu sabia bem a diferença entre turcos e árabes, mas diante de sua teimosia resolvi foi ficar calado e ouvir sua ladainha decorada e ufanista sobre a cidade enquanto nos levava ao hotel. Não fiz qualquer comentário e nem respondi a qualquer pergunta sua dali em diante e às duas e meia da manhã chegávamos, finalmente ao hotel reservado.

                Saltamos, retiraram nossas malas do carro, fomos pra Recepção e... consulta daqui, consulta dali, nada de nos darem a ficha de registro para os devidos preenchimentos. Os dois - guia e recepcionista – dialogavam no idioma deles algo que eu não podia compreender mas que percebia ser algum problema relacionado com nossa hospedagem. Era só o que faltava! Não estavam encontrando nossa reserva... É claro que eu não entendia absolutamente nada do que diziam, mas uma coisa é certa: seja qual for o idioma que você não esteja entendendo, você sabe quando algo está dando errado!

                - “Não se preocupe. O hotel está com overbooking mas nós o levaremos para outro hotel da rede, da mesma categoria, aqui pertinho, na Topçu Cadesi”. “Ah, sei, na ‘Topçu Cadesi’, sei, sei... “, respondi, incrédulo.

               Assim fizemos. Após as nossas sofridas malas terem sido despachadas de volta pro carro, seguimos pelo bairro de Taksin (Centro) até nosso hotel. Tudo o que eu queria era um bom banho e uma cama. O hotel era bom, aparentava até mesmo ser superior ao que reserváramos, mas era esquisito aquele aparato de segurança logo na entrada: um enorme detector de metais e um guarda uniformizado guardavam tão bem o hotel quanto o aparato usado para controle de embarque em aeroportos internacionais. Tá certo, pensei, aqui deve ter um monte de malucos carregando bombas na cintura prontas para serem detonadas no exato momento em que ônibus de turismo despejam grupos nas recepções dos hotéis.

                - “Senhor, uma boa noite, amanhã às oito e meia a guia de turismo estará esperando na porta do hotel para o city tour. Por favor, não se atrasem, porque o ônibus não espera”. Era tudo o que eu queria, que o raio do guia do raio do ônibus de um city tour que me deram de brinde nem se lembrasse que eu existia. Tratei de deixar avisado e registrado na recepção que eu não queria fazer o tal city tour e assim foi feito.

                 O mês de março já passava do meio e eu imaginava que a temperatura fosse ser bem mais agradável em Istambul. Que nada! Fazia um frio de rachar gelo. Pela manhã olhei pela janela do quarto do hotel e uma bruma cobria a cidade. O céu cinzento e os telhados guardavam a neve que caíra de madrugada e os carros estacionados na rua em frente acumulavam o gelo que também se juntava nos cantos das ruas e junto às rodas. Sim, estava frio, úmido, escuro e a cidade estava às moscas. Não havia uma alma viva nas ruas, como se fosse o mais importante feriado nacional.

                  Havíamos programado ficar de 15 a 18 de março em Istambul. Era pouco, mas o suficiente pra conhecermos razoavelmente a cidade e, gostando dela, termos vontade de retornar para conhecê-la melhor. Considerando que chegamos no dia 16, quinta-feira, e sairíamos pra Atenas no sábado pela manhã, com todos atrasos devidamente contabilizados só nos sobraram a tarde de quinta e toda a sexta-feira. Era pouco, concordo, mas era o que tínhamos. Então nos bateu uma alregria entusiasmada para conhecermos a cidade!

                  O frio era muito, ora nevava, ora chovia, ora os dois juntos! Nada estava aberto, nem mesmo uma lojinha de bairro escondida, nem uma farmácia, em plena quinta-feira. O que acontecia? Aquilo nos desanimava a caminhar pela cidade. Ficamos ali mesmo pelas proximidades e andamos meio inseguros até o Hotel Hilton. Entramos no lobby para um café expresso numa linda cafeteria não sem antes sermos verificados com um detector de metais empunhado por um guarda que media 2 x 2. Compramos algumas coisas numa loja de produtos típicos da Turquia. Gastamos a módica quantia de 60 milhões de Liras turcas, algo como 50 dólares!

                 Nada nos sobrava para fazer. Nada. Com aquele frio siberiano, a cidade às moscas e um certo medo de andarmos pelas ruas, decidimos jantar cedo, dormir idem e nos recuperarmos da viagem para que ao menos nos sentissemos descansados no dia seguinte. Queríamos que o único dia que nos sobrou pra conhecer Istambul fosse inteiramente proveitoso. Retornamos ao hotel e após um bom descanso, à noite decidimos ir a um show típico de "gobek dans" (a dança do ventre). Eu não pretendia ir apenas a lugares turísticos, mas o show do Kervansaray havia sido muito recomendado. Na verdade, em vista do clima seria muito difícil tentar circular pelos lugares freqüentados pelos turcos, para assistirmos a algum show tradicional e autêntico.

                Com aquele feriado que eu não conseguira saber ainda qual era, e com aquele maldito tempo, não nos restou outra alternativa se não ir ao Kervansaray - uma casa de shows típica para turistas - onde jantamos e assistimos a um belo show de danças do folclore turco. Uma van pegou-nos no hotel e nos trouxe de volta. Fomos com chuva e frio, retornamos com neve e MUITO mais frio. Nevava e fazia mais frio do que na Sibéria!

               Na manhã do dia seguinte uma simpática guia turística local, falando espanhol, nos esperava no hotel para um passeio por Istambul, o tal city tour que eu havia dispensado no dia anterior mas que em vista do péssimo tempo e de tudo estar fechado por algum feriado que eu desconhecia, resolvi encarar! Não tínhamos outra opção: resolvemos fazer aquele tour ´corre-corre´, que, tendo em vista estar toda a cidade em profunda hibernação, seria mais um desfile diante das atrações do que um city tour propriamente dito.

              Tudo estava fechado, tudo mesmo! Não nos sobrava mais nada para visitar do que a Mesquita de Suleymaniye, a Mesquita Azul e o Palácio Topkapi. Incrível, mas toda a minha programação, planejamento, pesquisa e sonhos estavam irremediavelmente comprometidos por um clima atípico e um feriado nacional. Meu sonho de me perder pelos labirintos do Grand Bazar, de contemplar o maravilhoso pôr-do-sol no Estreito de Bósforo, de contemplar aqueles minaretes gigantescos contrastando com o céu vermelho, de visitar os fabulosos palácios, museus e mesquitas de Istambul, de fazer um passeio de barco pelo Estreito Bósforo, enfim, dentre todas e tantas maravilhosas atrações de Istambul, não me restava mais nada do que circular de ônibus com um monte de turistas estrangeiros por uma cidade lúgubre, tudo por causa daquele feriado que até então eu desconhecia inteiramente a razão. Só sobrou mesmo esta opção e, ainda por cima, sob uma chuva torrencial e um frio polar!

                 O confortável ônibus com a guia de fala espanhola nos pegou pontualmente às nove da manhã de sexta-feira. Nosso único dia “útil’ em Istambul era escuro, frio, chuvoso e não tínhamos guarda-chuva. No interior do ônibus meia dúzia de turistas estrangeiros friorentos e sem a mais remota expressão de animação.

                 Rumamos em direção à Ahya Sofya e na praça que separa a Mesquita Azul da Santa Sofya o ônibus parou para visitarmos a mesquita e nem todos tiveram coragem de saltar e enfrentarem aquele aguaceiro que despencava sobre nós. Alguns ambulantes insistentemente nos tentavam vender guarda-chuvas e a guia logo foi avisando “Cuidado com as carteiras!” e “Não paguem mais do que 3.000.000,00 de Liras por um guarda-chuva!”.

                  Escolhemos uma sombrinha vagabunda de três milhões de liras cujo preço inicial foi de nove milhões e após sucessivos regateios sob uma chuva torrencial e um frio de doer osso saiu pelo preço recomendado pela guia, algo em torno de US$ 5,00. A oportunidade faz o negócio e os espertos e insistentes garotos venderam umas dez daquelas sombrinhas coreanas que não resistiriam a mais de uma atração. Ah, é claro, tentaram bater minha carteira. Depois da visita à mesquita todos pediam para voltarmos ao ônibus, pois além de estarmos com os sapatos e roupas molhados, o frio era mesmo insuportável. Seguimos no ônibus em direção ao museu Topkap, que visitamos igualmente sob a chuva e o frio.

                 Continuando nosso percurso, estranhei ver tantos homens carregando carneiros, das mais inusitadas maneiras, seja amarracos em bicicletas, dentro de carros, sendo puxados pelos chifres, uma coisa estranhísima! O orgulhoso motorista, evidentemente de nacionalidade turca, ufanista e religioso, levou-nos a conhecer os lugares em que finalmente caiu a ficha tardia e consegui compreender o que acontecia na cidade, em plenas quinta e sexta-feiras. “Por que motivo tudo está fechado e que feriado era aquele, afinal, que durava dois dias inteiros?!”, perguntei à guia? “Dois dias, não, são quatro”, respondeu a moça. “Foi Deus!, exclamei mentalmente... Sim, foi Deus quem mandou ...

             Kurban Bayram. Esse é o nome do feriado que literalmente detonou meus sonhos de conhecer Istambul. 4 dias! Isso mesmo, eu fui para Istambul para ficar exatamente no período compreendido entre os quatro dias em que literalmente TUDO pára. E para sabem pra quê, pra 100% da população muçulmana do país (que por acaso é 99% muçulmano) fazer uma matança de animais num ritual de sacrifício tão público, festejado e natural quanto nossos desfiles de escolas de samba.

               O  feriado nacional de Kurban Bayram - ou ´Festival do Sacrifício´ - um dos acontecimentos religiosos do mundo árabe no qual ocorrem, durante os quatro dias consecutivos, rituais em que os animais vivos são sacrifícados e seu sangue é oferecido a Alah, na mesma época em que ocorre a peregrinação a Meca, segundo os desígnios do Corão (´Ore para Deus e faça um sacrifício´).

               Os carneiros têm seu pescoço cortado a faca e ficam ali esperneando em agonia até que sua última gota de sangue saia. Ali mesmo seu couro é tirado e sua carne destrinchada. Na calçada, na grama, nas varandas dos apartamentos, nas coberturas, nos postos de gasolina, enfim, onde der pra ser! Com todo o respeito, é sacanagem com milhares de indefesas cabras e carneiros que têm suas gargantas cortadas e agonizam até que a última gota de seu sangue saia de suas veias. Cada família tem seu próprio ritual de sacrifício e os animais devem ter um ano de vida e serem perfeitos. Um camelo é o animal normalmente sacrificado por uma família e uma cabra é o que sacrifica um indivíduo só. A carne dos animais sacrificados é então distribuída a sete famílias e os rituais são feitos nas residências, nas ruas, em praças públicas, em postos de gasolina, calçadas e aparentemente qualquer lugar que der na veneta.

               O ônibus ia circulando e nós, molhados, friorentos, incrédulos e abestalhados turistas víamos animais sangrando e se debatendo, carneiros sendo puxados pelos chifres a caminho da morte, barracas e mais barracas abarrotadas de assustadas ovelhas para serem vendidas e apinhadas de compradores escolhendo os mais perfeitos exemplares para aquele, convenhamos, sádico ritual.

               Não satisfeito o orgulhoso motorista desfilava por todos os lugares em que havia a matança e nos fez passar, bem de-va-ga-rinho defronte a uma enorme praça - que devia ser o ´matódromo´ oficial - já que no gramado extenso centenas de carneiros vivos aguardavam sua vez, restos de carcaças daqueles que já haviam estrebuchado até a morte jaziam no chão, animais mortos eram carneados ali mesmo e distribuída sua carne, couros e peles eram esticados sob a chuva e toda a sorte de restos e vestígios sanguinolentos passavam pelos ora estupefatos, ora enjoados turistas ocidentais. Nada mais nos impressionaria dali em diante e a imagem que ficamos da cidade foi deplorável, ainda que costumes de países estrangeiros devam ser, no mínimo, respeitados, ainda mais os religiosos, por mais estranhos, esdrúxulos, exóticos e incomuns que possam nos parecer.

                Retornamos ao hotel, não saímos mais dele e ansiosos aguardamos a manhã seguinte para irmos pro aeroporto pegarmos nosso vôo para a Grécia. Para encerrar aquela ´agradável e produtiva´ estada em Istambul, abri a janela do quarto do hotel e deparei com uma carcaça de carneiro sendo destrinchada no terraço de um prediozinho.... Bela despedida!

Próximo Capítulo - Atenas e Ilhas Gregas

Reader Comments (34)

Arnaldo,
De tudo que falou, francamente, a coisa dos carneiros para mim seria insuportável.
Eu acho que na primeira cena eu desceria do ônibus, pegaria um taxi, van, bike, criava asas, qualquer coisa e me trancaria no hotel com as cortinas fechadas.
Eu tenho horror dessas coisas...
Ainda bem que você é super bem humorado!! :)
15:32 | Unregistered CommenterMô Gribel
Arnaldo,

O pior é que ontem falava sobre uma possível viagem a Grécia e Turquia com minha companheira de viagem.. Deixa ela ler esse texto...

Estou na espera da continuação.

Olha que eu achei que a Alitalia era sua cia favorita! Alitalia e Varig tudo a ver!
16:24 | Unregistered CommenterRodrigo
Rodrigo, a Alitalia está longe de ser minha cia. favorita, mas uma realidade, uma cia. que uso bastante para ir à Europa e ganhar milhas, por ter boa malha para outros países. Varig e Alitalia são cias. muito semelhantes mesmo...JAMAIS recomendaria que vc NÃO fizesse Turquia e Grécia com sua mulher porque o que ocorreu comigo foi erro de planejamento. Não verifiquei os feriados e março não é um mês bom para viajar em cruzeiro pelas ilhas gregas (às vezes a temporada começa só em abril).
17:15 | Unregistered CommenterArnaldo
Arnaldo assim vc acaba com minha vontade de conhecer Stambul. Que saco de tempo e de feriado.

Me lembrou dia 25 de dezembro em Londres que nem transporte público funciona. O que salva são as lojas de imigrantes. Mas no dia seguinte é a maior liquidação do ano. Para mulherada é loucura total eu vi até briga.

E para fotografar com esse tempo tbm é chato demais. O negócio é colocar um filme PB bem granulado e fazer as fotos ficarem com tempo pior ainda! Hahaha!

Abração!
6:15 | Unregistered CommenterMarcio

Mas 25 de Dezembro vc sabe que tem em TODO país cristão do mundo e mais, que é APENAS um dia! Falando sério, NUNCA desista de ir a Istambum porque é uma das cidades mais bacanas do mundo em termos turísticos,pois reúne história, cultura, arte, riqueza arquitetônica, contrastes religiosos e sociais, culturais fabulosos. O que aconteceu comigo foi simplesmente BURRICE de não verificar feriados nacionais antes de viajar.
8:30 | Unregistered CommenterArnaldo
Sobre fotografia, Marcio, eu NEM pude fazer fotos, porque minha câmera caiu, como eu vou descrever depois mais tarde, no próximo capítulo, e quebrou. E agora com as digitais, é só selecionar a ASA do "filme" e a função P&B e pronto!
8:32 | Unregistered CommenterArnaldo
Arnaldo

Gostei do seu texto, mas eu me lembro de uma Cidade bem diferente, vibrnate, simpatica, cheia de história...E como dizer que no Rio tudo para no dia do natal...Quanto aos pobres carneiros, bem são parte da cultura local, assim como a pechincha, que para eles é um modo de vida....Quanto a ALitalia, eu já ouvi várias histórias, e até ja entrei com processos para alguns clientes, de modo a que certametne não voaria com eles.

Rodrigo : eu gostei muito da viagem Grecia e Turquia por cruzeiro, se quiser posso lhe dar umas dicas em pvt.
8:38 | Unregistered CommenterErnesto
Arnaldo, perdona que te lo diga, ya que creo que para tí fue un problema y algo penoso, pero de la forma que lo has explicado me he reído muchísimo tanto con el vuelo de Alitalia como con el final: "la matanza carneríl" (yo ví algo parecido en Marruecos y lo pasé fatal). No sé cómo lo explicas, que me lo he imaginado perfectamente.
Tan civilizados en medio de "eso", que es tan despiadado, tan brutal.
Me he reído y lo siento, ya que no me gusta los malhumorados y destesto la crueldad, con los animales y/o con las personas (que también hay).
14:43 | Unregistered CommenterCarmen
Carmen, eu respeito as tradições e culturas e até procuro evitar criticá-las, justamente por serem extremamente complexas e de características sociais muitas vezes incompreensíveis, mas a matança é uma crueldade porque é exposta ao público. Já o mal humor e a falta de educação (nem exijo a simpatia, porque isso é querer demais de um mundo tão heterogêneo) são inaceitáveis! OBRIGADO, Carmen, por sua visita!
14:52 | Unregistered CommenterArnaldo
Ernesto, hay celebraciones en culturas locales que más vale que se dejarán de hacer. Eso es lo que pienso.
La ablación es otro rito.
No es lo mismo una matanza pública de animales, donde los niños participan que un desfile de escuelas de danza.
14:54 | Unregistered CommenterCarmen
Arnaldo, juro, JURO que li até o final... e fiquei triste qdo terminou, hehehehe!!!

Putz cara, tu tem história pra escrever um livro. E o teu estilo é meio Nelson Rodrigues. Não pelas sacanagens que ele escrevia, hehehe, e sim pela quantidade de detalhes, etc e tal. Eu gosto disso, de detalhes, porque fico imaginano perfeitamente como a cena foi rolando...

Grande abraço, Diogo.
20:23 | Unregistered CommenterDiogo
Obrigado, Diogo! e volte, que tem mais, a segunda parte!
20:46 | Unregistered CommenterArnaldo
Arnaldo

Comigo na Turquia sempre as pessoas foram extremamente educadas e atenciosas. Acho que só perde para o sul não turistico dos EUA, como a Georgia. Quanto aos carneiros, tenho pena também, mas já que se está no local e é tradição, o que fazer? Mas, eu gosto de natuureza, participo de um grupo de ornitologia, e sou taxativamente contrario a qualquer mal trato de animais.
0:25 | Unregistered CommenterErnesto
Ernesto, como eu lhe disse, e nisso concordamos, eu respeito as tradições, especialmente aquelas dos países em que eu estou visitando, ainda que possa discordar (conceitual e filosoficamente) delas. Mas NADA me agride mais do que ANIMAIS sendo maltratados e CRIANÇAS passando qualquer tipo de necessidade, mau trato, dor. Sou contra passarinho em gaiola, animais presos, bichos que apanham e sofrem para serem adestrados e captura de animais em seu sistema. Minha impressão negativa acerca dos turcos foi exclusivamente a maneira extremamente antipática com que fomos recebidos na imigração, ao entrarmos no país. Por isso quero terornar a Istambul, primeiramente porque é (pra mim, claro) uma das cidades mais atraentes do planeta, segundo, porque realmente, sete anos depois de uma viagem completamente desastrada (vide capítulo dois) eu PRECISO acabar com a má impresão! Grande abraço!
9:05 | Unregistered CommenterArnaldo
Arnaldo, o relato está impecável - e impagável, diga-se de passagem!!! Com a sua habitual riqueza de detalhes, consegui imaginar direitinho o que deve ter sido esse "feriadão" em Istambul... E, sabe, só pra não perder o hábito, volto a concordar com você - passado um certo tempo, o melhor a fazer é mesmo retornar, com os planos devidamente reajustados, para dar uma nova chance à cidade! Espero que da próxima vez, Istambul seja só diversão!
16:32 | Unregistered CommenterCarla
Arnaldo

Ornitologia e o estudo dos passaros SOLTOS. Nos reunimos para fazer avistagem de aves soltas, cataloga-las, e tentar mostrar sua improtância. Ornitólogos não prendem aves, nem as mal tratam, no máximo colocam uma anilha de identificação.

Na Turquia, quando chuegeui ( de navio) ao contrario do que aconteceu com voce , fui recebido com um sorriso e ainda havia uma moça do serviço de informações turisticas que nos deu um mapa e foi muito gentil. Pode até ser que isto tenha ocorrido porque era um cruzeiro chique do Windstar, mas e a lembrnça que eu tenho.

Voce vai gostar, torço por voce, voce vai me mandar um email mudando sua impressão, acredite! A viagem do passado vai virar folclore, ou melhor já virou no seu blog! E, desta vez vai ter fotos. Se passar em SP, não deixe de dar um alo!

Carmen: crueldade são as lagostas VIVAS e geladas, com as patinhas presas, nos frigorificos dos restaurantes da espanha. Que ar triste,como sofrem!
Como voce ve é tudo uma questão de cultura!
22:20 | Unregistered CommenterErnesto
ernesto, é sei que ornitologia é o estudo de pássaros soltos. Apenas estava CONCORDANDO com vc e reafirmando que eu não gosto de animais presos, admiro o turismo de observação de pásssaros.

Mas antes de ir (JUNHO) vamos ainda nos falar por aqui. Sabe que eu admiro aqueles ingleses que vêm ao brasil fazer observação de pássaros (alguns até desenham, outros fotografam)?


Tenho certeza de que vou gostar sim e agradeço a força. Achei até melhor porque em junho é mais quente do que maio.
CARLA, obrigado por seu elogio. saiba que foi DURO escrever isso (desde 2001!). cada vez que eu lia cortava uma coisa...nunca acreditava estar ao menos razoável...mas quando o Riq mencionou que esse seria um assunto legal pra publicar aqui, resolvi perder a vergonha e pronto, saiu!
Arnaldo, o Zeca Camargo já disse que comédia = tragédia + tempo... :) Ou seja, na hora esses problemas aborrecem e deprimem, mas tempos depois, até rimos deles, espero que vc já possa rir dessa viagem...
Abraços!
Arthur
14:34 | Unregistered CommenterArthur
Ah, sim, claro, Arthur! NÃO apenas rio como até tenho um certo, digamos...."orgulho"de ter vivido a experiência!
Acabei de voltar de 2 semanas na Turquia que nao poderiam ser melhores. Fiquei muito impressionada com o seu relato que li antes de viajar e resolvi nem comentar com meu marido. Qdo voltei, reli o seu texto e me pareceu inacreditavel.
Meu visto de entrada saiu em segundos, nunca vi um povo tao simpatico em toda minha vida,e a comida turca é maravilhosa. Fora a cidade de Istambul que é um museu a ceu aberto, os dervixes rodopiantes e o banho turco (hamam). Um dos melhores lugares que ja fui na vida!
Li muuuiiito a respeito da Turquia antes de terminar o meu planejamento de viagem, por isso me pareceu um pouco estranho que vc tivesse chegado la no meio de um feriadao que esta listado nos guias ( ao menos no Lonely Planet esta bem claro). Qto aos carneiros, nao da pra gente querer que todo mundo seja igual ne?Pra isso que saimos do nosso Brasil pra conhecer o mundo...
16:11 | Unregistered CommenterMariana
Sao , exatamente, estas diferencas nas culturas (abate dos carneiros,no egito tb se pratica.),que me fascinam e me levam a viajar e a conhecer coisas novas e diferentes,cada cultura tem suas tradicoes,as vezes nos parecem crueis. eu por ex nao gosto de zoo mto menos de oceanario,embora ache util,levasse os meus filhos qdo criancas. Hoje eu nao entro porq nao me sinto bem.Talvez isto aos olhos de uma outra cultura seja uma crueldade. As suas cronicas sao nota 10, so nao vi as da Africa do Sul...
9:01 | Unregistered CommenterTicidi
Tá vendo, já viciei. Adorei seu texto. nem sei se vc verá meu comentário... Lamentei, ri e tive nojo (em partes distintas). Mas no fundo no fundo, me lembrou uma frase de um alemão que me disse em Novembro que o Rio de Janeiro é lindo, mas que Istambul tem muito mais para ver! Não preciso dizer que esse foi um dos motivos para ele virar mais um ex na minha lista! rsrs Cada viagem é única pois tem a ver com experiência. Eu amei Viena e suportei 3 dias de frio e chuva no mês de Maio com rusgas de sol em Praga. E é Praga que todo mundo fala! Acho que sou a única pessoa que não achou nada demais e foi o primeiro lugar da Europa que tive medo de andar sozinha a noite. Na verdade acho que qq lugar que eu nao entenda o que as pessoas falam, me assusta.
0:49 | Unregistered CommenterCristina
CRISTINA, seja lá onde for aqui no FATOS & FOTOS que vc escreva, sempre lerei, porque na área de administração doblog há uma que concentra todas as mensagens do dia, sejam elas escritas onde forem. Portanto, sempre as leio e, na medida do possível, as respondo prontamente.

Sobre gostar ou não de determinado destino que alguém lhe disse que amou ou detestou, é de fato algo que não se deve levar em conta como evrdade absoluta. ao menos como a SUA verdade, mas a dele, porque gostos são pessoais.

Uma viagem ruim a Istambul gerou essa crônica, todavia, outra viagem boa a Istambul gerou uma matéria que demonstra claramente que esta é uma das cidades mais interessanes do mundo.

Eu entendo TANTO de pessoas que sei que é possível uma (EU!) achar Viena "assim assim" e Praga a cidade mais linda da Europa! Portanto, conheça aquilo que VOCÊ tenha vontade e tire as suas próprias conclusões. PRAGA de fato é uma cidade aue assusta de noite, concordo com vc.

O Rio de Janeiro é uma cidade que acho incomparável no mundo todo, mas que pode assustar também. Istambul é demais!
É verdade - a SUA verdade é uma coisa. Eu jamais diria a alguém para não conhecer Praga, apesar de eu ter achado "assim assim". No máximo, falaria: 3 dias tá de bom tamanho, pq pode chover. :-)
9:35 | Unregistered CommenterCristina

Arnaldo,

Veja o que um turista pode dizer do Brasil antes de falar de tanta coisa mesquinha de uma cidade tao deslumbrante que e Istambul. Pelo amor de Deus, get your facts right! Para ser uma pessoa viajada vc me desaponta. Ainda bem que tem pessoas que leram isso e responderam da maneira certa. Olha pra dentro de casa primeiro antes de falar da casa e dos modos dos outros. Respeito em primeiro lugar.

Uma boa noite,

Jamuna

2:04 | Unregistered CommenterJamuna

Olá Arnaldo, mais uma vez vou solicitar informações suas. Hoje vi várias fotos de Istambul, do Marrocos, de Roma, enfim, alguns locais já conhecidos e matei a saudade. Vou viajar por 20 dias em locais já conhecidos, Barcelona, Paris, Lisboa, mas fomos convidadas para 4 dias em Galiza. Não consigo achar informações interessantes sobre as cidades de lá, além de Santiago. Você sabe se existe algum site que possa pesquisar? O lugar vale a pena? Aproveito para agradecer a informação sobre a Nou de Las Ramblas. Infelizmente, não consegui outro hotel, vou ter que encarar.

Rightly said: comedy = tragedy + time. That is, there are times when a problem gets boring and depressing, but after a time, until we can laugh at it,

I love the way you have described all the story. Thanks for sharing.

Arnaldo, parabéns pelo site. Apesar dos devidos elogios às suas fotos, o que torna suas publicações interessantes são os textos. Se fosse apenas um slide show, não teria a mesma graça.
Não sei se você escreve os textos com rapidez ou se dá muito trabalho, mas até posts sem fotos, como desta viagem épica, são ótimas leituras.
Obrigado por compartilhar suas viagens.

19:38 | Unregistered CommenterCarlos

Your advice is excellent!

http://www.cognif.com

I happy to read this blog because i need this type of blog.

Arnaldo,
O Viaje na Viagem me recomendou seu site e só tenho a agradeder por nos prporcionar "viagens" tão sensacionais.Gostaria de uma ajuda,se fosse possível. Estou planejando ir à Istambul,Santorini e Paris final de abril/maio 2012. Não conheço nem Istambil nem a Grecia. Já li muito sobre os 2, hotéis, passeios, está tudo mais ou menos 'arrumado', mas tenho dúvidas primárias, como vc pode ver: Qto ao roteiro? Devo fazer São Paulo Istambul, depois Grecia e deixar Paris por ultimo? Como vc faria? 5 dias são suficientes na Turquia e Grecia? Devo conhecer a Capadócia - já q andar de balão - não me atrai? E a Grecia o q faço qdo chegar no aeroporto de Atenas? Vou direto para Santorini? Devo visitar Mikonos? Enfim, se vc puder me ajudar, vai ser mto bom.
Desde já, obrigada
um abraço,
Amália

13:03 | Unregistered Commenteramalia

This is really nice job. We are enjoy to take the pictures of nature. I always wish to do this work when i am free.

3:31 | Unregistered CommenterRumirao

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