CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Terça-feira
Mai012007

Crônica de uma viagem desastrada - Capítulo 2

(Se ainda não leu, comece pelo Capítulo 1, logo abaixo deste, no post anterior)

- Atenas e Ilhas gregas -

Esse era nosso destino. Como ansiávamos por sair da Turquia e irmos para a terra onde o sol sempre está presente... Acho que a única alegria que tivemos em Istambul foi conhecer o belo e novíssimo aeroporto de embarque internacional e avistar, por suas imensas janelas de vidro, já na sala de embarque, o Boeing 737/200 da Olympic Airways que nos levaria às 9:30 para Atenas.

Devidamente embarcados e voando eu pensei: “Podemos considerar que nossa viagem começou agora, porque até aqui, deu tudo errado!”...

Chegamos pontualmente em Atenas. E com sol! Empolgados, descemos da aeronave em direção ao ônibus que nos levaria à imigração e alfândega e tratei de registrar o momento em fotografia. Saquei minha digital ainda dentro do ônibus estacionado junto ao avião. Um gentil senhor não deixou que eu fotografasse minha mulher sozinha, oferecendo-se para que aparecêssemos juntos na foto, escolhendo até o ângulo, com o avião da Olympic ao fundo. Posicionei-me ao lado de minha mulher, agradeci a gentileza e extendi-lhe a mão com a câmera digital para que o homem tirasse logo a foto, já que o ônibus partiria em breve. O senhor segurou a máquina, puxou-a em direção aos olhos mas a alça da câmera ficou presa em minha mão. Resultado, a câmera caiu de quina no chão duro, abriu-se em duas, saltando as pilhas que rolavam pelo chão da pista e eu jamais me esquecerei da fisionomia mista de desapontamento-vergonha-desculpas do gentil cavalheiro... Nossa, eu não conseguia disfarçar minha decepção em ver minha câmera quebrada no chão, logo eu que adoro fotografar e este é meu maior prazer em uma viagem (convenhamos, fotografar a Grécia deve ser o máximo!). Passei a viagem TODA sem bater UMA foto. Acreditem, eu tenho uma viagem dessas TODA sem fotos!

Tentei fingir para o homem que não me importava com o ocorrido e seguimos em frente, eu, visivelmente chateado, ele, cabisbaixo e envergonhado.

O aeroporto de Atenas mais parece uma estação rodoviária antiga de cidade brasileira do interior. Acredite se quiser, vimos cachorros vira-latas circulando livremente pelos corredores, sem que ninguém os molestasse. Mais tarde eu soube que os cães são animais quase admirados e que é extremamente comum que os de rua seja adotados e mantidos por comerciantes e moradores. “Legal”, pensei. Nada mais oposto do que a vida das cabras turcas e dos vira-latas atenienses...

Do lado de fora do setor de desembarque da rodoviária, digo, do aeroporto de Atenas, nosso ‘guia-incluído-no-pacote-hotel-cruzeiro-avião’ aguardava por nós. Brasileiro que mora há alguns anos na Grécia, especializou-se, pela agência em que trabalha, na recepção de brasileiros que chegam à Grécia. Não que fosse necessário. Atenas tem um trânsito caótico, a lingua é incompreensível, o hotel que ficaríamos era bem central e nós somos viajantes experientes, mas, já que estava incluído no preço...

No caminho do distante aeroporto ao centro da cidade ele nos foi dizendo como seria o cruzeiro de três noites que escolhemos para conhecer as principais ilhas gregas e tudo o mais que faria para nos ajudar a embarcar.

Confesso que cruzeiros marítimos não são meus meios prediletos de viagem. Nem tanto a Grécia. E sei, também, que gosto não se discute, que esse destino é o sonho-dourado de muita gente, mas entre Mykonos e Búzios eu não demoraria mais tempo do que uma centelha leva pra percorrer meus neurônios pra optar pela segunda.

Atenas é uma cidade agradável e alegre, mas não tem mais do que três ou quatro atrações turísticas relevantes, a não ser para os aficcionados. Para quem gosta de mitologia grega, não discuto, não há melhor lugar. Fora o Parthenon, o Bairro de Plaka, a Troca da Guarda do Parlamento e um passeio pela região dos restaurantes e bares do porto, não há necessidade de se gastar mais do que três dias ali.

Ficaríamos um dia antes do cruzeiro e dois após ele. “Perfeito”, pensei, enquanto programava a viagem: “Quando eu estiver com aquela sensação de já ter visto tudo em Atenas, era hora de embarcar no cruzeiro. E quando estivesse ficando de saco cheio dos gregos mal educados, já era a hora de me mandar pra Itália”. Nesse instante lembrei-me do Platão, não o filósofo grego, mas um amigo de longa data, que apesar de não ter nada a ver com a Grécia, a não ser o nome, esteve lá numas férias e me disse: “Arnaldo, se quiser conhecer um país turístico de gente que trata mal turistas, vá à Grécia”!

Já haviam me dito que os gregos que lidam com turistas não são lá muito simpáticos nem educados, quanto mais, gentis. E isso a gente conseguiu perceber logo ao nos registrarmos no hotel, onde o serviço - desde o primeiro instante de nosso registro até o check out - ficou o tempo todo situado entre o protocolar/frio e o frio/antipático. Sem qualquer habilidade para lidarem com turistas, o pessoal que trabalha em hotéis e restaurantes é abaixo da crítica, quando não grosseiros. Ah, se não fosse o Roberto, o guia brasileiro que nos pegou no aeroporto...

O fato de estar sob o sol e calor, ainda sob o impacto negativo de nossa malfadada estada na Turquia, qualquer coisa era melhor do que matança de animal sob a chuva torrencial e frio siberiano. E mesmo que a Grécia estivesse muito longe de ser meu destino predileto (ao contrário, antes dela estão Marrocos, Espanha, Praga, Suíça, Tunísia, França, Canadá, Havaí, Estados Unidos, Salvador, Fernando de Noronha, Búzios, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Maceió, Ouro Preto, Angra dos Reis, etc, etc, etc...), eu estava de fato curioso.

Grécia e Cruzeiros marítimos estão longe de serem minhas preferências, mas a gente vai envelhecendo e ficando mais complacente, menos exigente e mais voltado a apreciar o que existe de bom nas coisas, especialmente nas viagens. E esse é meu espírito aqui na Grécia.

Eu estava em Atenas , de férias, vinha da Turquia e pronto pra embarcar em meu primeiro cruzeiro marítimo no Porto de Pireus! Se vocês soubessem o quanto detesto cruzeirois marítimos.... Seria o tal do excesso de complacência o motivo de tanta ‘generosidade’ comigo mesmo? Bem, na verdade era um misto de curiosidade, circunstância e oportunidade que me levaram até a Grécia. E eu estava pronto pra tirar o melhor proveito dela. O cruzeiro consistia numa breve passada pelas ilhas de Heraklion (Creta), Santorini, Rhodes, Patmos, Mykonos, além de Kusadasi - na Turquia - (ela de novo!).

O Aegean Sea, da cia. Golden Sun Cruises, não era um daqueles enormes transatlânticos, mas um navio pequeno de 8 decks, 280 cabines, 5 bares, 4 lounges, 2 elevadores, uma pequena biblioteca, um mini casino, um razoável cinema, piscina, sauna, sala de massagem, de ginástica, pequeno salão de beleza, uma pequena duty free shop, uma lojinha de revelação de fotos, um ambulatório médico e mais aqueles decks externos, recepção, administração, cozinha, etc. Fiz um cálculo aproximado e cheguei à conta de 500 passageiros embarcados, fora a tripulação.

O primeiro, e obrigatório programa, foi o útil (mas chatinho) treinamento e simulação de desembarque em situações de emergência. São essas providências que você acha que jamais precisará usar, mas quando necessitar delas é que lhes dará o devido valor. A tripulação nos botou no teatro, separados por grupos e seções correspondentes aos decks em que estávamos. Cada um recebeu um kit de sobrevivência no mar, composto por um colete salva-vidas com lanterna, luz estroboscópica embutida, apito e um livreto de instruções. Nos ensinaram como vestir os coletes, como nos comportar em caso de emergências diversas, como identificar os sinais relacionados com situações de desembarque e mais todas as medidas para evacuação (êpa!) da embarcação e embarque nos escaleres, aqueles barcos de emergência.

Eu levo tudo isso a sério e com o maior respeito, ainda que possa parecer desnecessário. Lembrei-me imediatamente do filme ‘Titanic’ e brinquei comigo mesmo “Será que tem barquinho pra toda essa galera?”...

Saímos de Pireus às 11 da manhã e nosso destino primeiro era Mykonos, onde chegamos às 18:00h e sairíamos às 22:00h. O navio aportou na ilha à hora prevista e dali do porto pegamos um micro-ônibus para o centro turístico de Mykonos. Realmente não consegui encontrar nada de tão fabuloso naquela ilha que justificasse sua fama. O comércio é sofrível, os bares e restaurantes idem, a paisagem mediana e a maior curiosidade que notei foi um pelicano domesticado famosíssimo e um dos mais disputados pontos de atração turística da cidade. É bem verdade que a paisagem pode ser bonita, com aqueles moinhos de vento ao estilo Don Quixote de La Mancha constrastando sobre uma colina com o céu avermelhado ao fim do dia, mas Mykonos, me desculpem os apaixonados pela ilha, foi uma das minhas maiores decepções turísticas. Muito longe de empolgar tanto a mim quanto à minha mulher, cuja expectativa era muitas vezes superior à minha. Ficamos perambulando por umas ruelas simpatiquinhas olhando umas vitrinezinhas igualmente bonitinhas e curiosinhas até a hora marcada pra retornarmos ao navio. Assim o fizemos, às 9 da noite.

De Mykonos navegamos a noite inteira, até as sete horas da manhã seguinte, hora em que aportamos em Kusadasi, na Turquia. Saindo de Kusadasi, uma pequena cidade turca, fomos de ônibus ao longo da costa até as ruínas de Éfesos.

O frio era novamente muito intenso e o céu encoberto. Alguma chuva no caminho. Mas aquilo não diminui em nada nossa admiração e encantamento por um dos conjuntos históricos mais fascinantes que já conheci. Tivemos a sorte de ter um guia excelente, simpático, culto e educado. E as ruínas do Templo de Diana - uma das sete maravilhas do mundo antigo - o Fórum, o Odeon, a Biblioteca de Celsus, as Termas de Scolastika, o Grante Teatro - uma arena -, o Portal de Hércules, enfim, toda aquela preciosidade histórica inesquecível nos agradou em cheio. Terra de muitas histórias e por onde passaram Marco Antonio e Cleópatra, o Imperador Justiniano, São João, gregos, romanos, Éfesos nos deixou aquele gostinho de ‘quero mais’. Retornamos a Kusadasi e antes de embarcarmos passamos por um mini mercado oriental de lojas de tapetes, belíssimos artigos de couro, artesanato, gêneros alimentícios, especiarias e tudo o mais que se encontra em bazares muçulmanos. Se quiser comprar casacos de couro belíssimos e a preços razoáveis (dependendo de sua capacidade de negociar), este é o lugar.

De Kusadasi, no território turco, saímos ao meio dia em direção à ilha de Patmos, onde chegamos às 4 da tarde.

Patmos é uma ilha do arquipélago de Dodecanese. É uma ilha de penhascos e com paisagem e estilo muito interessantes, com platôs e colinas beirando o mar, com a costa irregular, formando baías e prainhas. Em geral o clima da ilha é seco a maior parte do tempo, mas, como nessa viagem tudo dava errado, é claro que chovia.

Ainda no porto pegamos uma pequena excursão com uma guia de lingua portuguesa que nos levaria às duas principais atrações de Patmos: O Mosteiro de São João Envangelista, construído no alto de uma montanha, que pode ser visto de qualquer ponto da ilha. Sobe-se muito, por uma estrada sinuosa até se chegar a ele, e, depois, a pé, seguindo por ladeiras e escadarias. Em todo o percurso vêem-se casinhas brancas típicas da Grécia e uma paisagem de solo pedregoso, sempre com o mar ao fundo.

De arquitetura bizantina, o mosteiro começou a ser construído em 1088 por um tal de Reverendo Christodoulos. Exteriormente ele aparenta ser um castelo fortificado, na verdade esse era o propósito real dos monges que o construíram, para estarem a salvo de ataques de piratas. Paredes de 15 metros de altura construídas sob despenhadeiros, com apenas duas portas de entrada bem protegidas, asseguravam a defesa dos monges que ali habitavam. Ainda hoje é possível se ver o local onde os monges jogavam óleo fervendo sobre os invasores, uma espécie de varanda, projetada para fora da muralha, denominada pelos moradores locais de ´O Matadouro´. Deviam ser umas gracinhas aqueles monges...

No interior, a arquitetura difere muito da externa, tendo acentuadas características medievais, bizantinas e religiosas. Conseguimos conhecer razoavelmente bem a parte externa do mosteiro, pois a chuva havia dado uma ´refrescada´ em sua intensidade.

Mas a atração mais impressionante de Patmos é, sem dúvida, a ´Gruta da Revelação´, onde São João Evangelista escreveu, enquanto ali vivia como uma espécie de eremita, suas ´Revelações´. O santuário é considerado um dos mais importantes do mundo católico. A Gruta Sagrada é vizinha das muralhas do monastério e os jardins, o santuário e as construções foram sendo feitas nos diversos níveis do terreno acidentado e árido da ilha.

Descendo para a gruta, passa-se pelas capelas de São Nicolau, São Artêmio e Santa Anna. construídas exatamente defronte à gruta. A Gruta Sagrada parece uma continuação da Capela de Santa Anna, mas na verdade é uma minúscula igreja dedicada a São João Evangelista, que ali viveu. Um monge ortodoxo vive ali os dias atuais, e nos leva a conhecer o interior da gruta, que não se pode deixar de ver, dado à sua importância histórica. Quatro metros de profundidade, inteiramente dentro da rocha, fica o altar e o local onde João Evangelista viveu, fez suas revelações e esculpiu a cruz existente até os dias de hoje. Você também verá as três fissuras na rocha, por onde Evangelista ouviu a voz que lhe determinou que escrevesse a ´Revelação´. Também se pode ver o lugar onde ele dormia, no chão.

Ao sairmos da gruta e enquanto aguardávamos o ônibus para nos levar de volta ao porto, uma velha senhora grega, moradora de Patmos, aproximou-se de nós para vender amuletos, ou como minha vó dizia, uns ´breves´, ou, ainda, uns patuás! Eram muito semelhantes aos que se podem comprar em Salvador, Bahia vinculados a cada orixá. Eram pequenas almofadinhas de um por um centímetro, de cores diversas e com bordados rústicos costurando e unindo as duas faces, com algum recheio, feitas em tecido e com simbolos bordados. Usam-se em carteiras, nas bolsas, para proteção. Achamos interessante aquilo e como não entendíamos absolutamente nada do que a velhinha grega nos dizia acerca das particularidades do amuleto, pedimos à guia que traduzisse e assim foi feito: "são amuletos religiosos, católicos, que devem ser carregados sempre com a pessoa" , explicou a guia. " e o que a senhora está dizendo é que não se pode ver o amuleto que a outra pessoa está levando, tanto que para isso ele lhe é entregue dentro da mão da velhinha e posto na sua mão, fechada, tomando cuidado para que ninguém veja, muito menos seu parceiro", completou a moça. Assim o fizemos. Eu, precavido, levei logo dois, porque aquela viagem estava era precisando de uma dúzia deles! Considerando que seria muito difícil e trabalhoso esconder tantos patuás sem que ninguém os visse, comprei o meu, tratei de colocá-lo no meu no bolso, paguei uns dracmas à velhota e entraei logo no ônibus, porque a trégua da chuva havia terminado.

Gostei de Patmos. Valeu ter conhecido a gruta, o mosteiro, a velhinha, os patuás e a chuva grega insistente! Ao menos uma coisa interessante havia acontecido conosco até aquele momento. Retornamos para o porto e subimos logo para o navio. Já era noite e nada mais se podia fazer a não ser jantarmos.

A esta altura aquela vidinha programada do navio já me enjoava e ainda tínhamos uma noite até Rhodes....

Sabem qual o slogan da ilha de Rhodes? “O lugar onde o Sol passa o ano todo”... Pois é, aquela ilha, onde o sol deveria estar, se tivesse mesmo respeito pelo slogan para atrair turistas, se encontrava mesmo era sob uma chuva tão persistente e pesada que a maioria dos turistas sequer deixou o navio para conhecê-la. Eu resolvi pegar um tour pela ilha, ainda que sob a chuva, porque além saturado daquele navio, Rhodes me atraía e me despertava a curiosidade. A famosa ilha onde há centenas de anos havia sido construída uma das sete maravilhas do mundo - o ‘Colosso de Rhodes’ – é uma cidade dividida em duas: a moderna - com edifícios de hotéis turísticos - e a antiga, medieval - cercada por altas muralhas de pedra, com um castelo, igrejas e templos e seus famosos sete Portões. A Cidade Medieval é linda, interessantíssima, rica em história e atraente. É também dividida em duas: a parte nordeste, incluindo a Acrópolis, e a do sudoeste, onde se destacam o bairro de Hora, o Templo de Vênus (do Século 3) e outras contruções construídas na Idade Média.

As ruas internas medievais são muito bem preservadas e eu caminhei por elas sob a chuva fote e com o guarda-chuva de três milhões de liras turcas quase desmantelado mas ainda funcionando. Já as praias, abaixo da crítica. Sabe aquelas praias de cascalhos, sem ondas, com areia escura? Pois é...

O navio saiu de Rhodes em direção a Heraklion. Logo após sairmos de Rhodes notei, ainda no deck superior, que o tempo estava fechando, ventava forte e o mar estava muito mais agitado do que já esteve até então.

Já na cabine tivemos certa dificulade em nos prepararmos para o jantar daquela noite. Havíamos escolhido a melhor de todas as categorias de cabine do navio, isto é, a mais alta, espaçosa e equipada. É claro que isso teóricamente significava a possibilidade de um balanço maior, mas tendo em vista que naquele navio a ‘mais espaçosa’ significava algo em torno de 8 metros quadrados, incluindo o banheiro, eu não tive outra alternativa. Duas camas de solteiro posicionadas perpendicularmente, uma mini cômoda-apoio-aparador-faz-tudo, um guarda-roupas de duas portas e uma cadeira de braços. Era tudo o que havia na cabine, além de nossas malas, que ficavam no chão, no meio do caminho por absoluta falta de lugar. Ah, tinha um cestinho de lixo também. O banheiro, pouco maior do que um wc de motor-home, me impressionou mais pela soluções arquitetônicas e construtivas pra botar tudo o que um banheiro cinco estrelas deve ter, do que propriamente dito pelas suas dimensões. Decididamente eu não poderia chamar as medidas do banheiro de “ dimensões”. Um espaço onde não cabiam duas pessoas juntas (por mais que se gostassem), não pode ser medida assim. Resultado: banheiro categoria quatro estrelas, espaço de três e aspecto de duas!

É louvável a criatividade em usar os espaços mais recônditos pra encaixar aquele cabide, aquela duchinha ou o porta papel higiênico, além do chuveiro, saboneteira, pia, espelho, lixeirinha e vaso sanitário num espaço onde eu teria dificuldades de botar minha mala. Uma espécio de banheiro de avião com chuveiro.

Confesso que eu não tinha a menor dificuldade em “me virar” naquele projeto de banheiro. Contudo, com o mar daquele jeito, a coisa se tornava um pouco mais, digamos, trabalhosa. Enquanto a água do chuveiro caia para o lado esquerdo- acompanhando a inclinação lateral do navio - eu me jogava para o direito, como se compensasse com meu peso a inclinação do navio, na tentativa de evitar que ele enborcasse. É sério. Sabe aquele instinto natural? Pois é. Não que eu estivesse preocupado cair fora do “box” , pois a largura do box do chuveiro não era suficiente pra tanto, no máximo pra me ‘entalar’.

A coisa até que poderia ser mais grave quando a inclinação passava para outro sentido, de frente para trás, ou proa e popa na linguagem naval. Aí era só esticar a mão que a pia chegava ao alcance. Mas nessa direção proa-popa havia o desconforto adicional provocado pela cortina do box, pela água, pelo sabonete e pelo frasco de shampoo que teimavam em acompanhar o ritmo, tanto pra dentro quanto pra fora do box. Imaginem a lambança. Imagine enxugar-se num micro banheiro desses com o navio balançando ora pros lados, ora pra frente e pra trás, alternadamente. Na verdade não eram exatamente ´balanços´, isso pode levar você, leitor, a acreditar que tratava-se apenas de “mar agitado”, era sacolejo violento com direito a casco de navio batendo violentamente contra o mar...

Naquela noite aconteceu o tradicional ‘Jantar do Comandante’, ocasião em que as pessoas se vestem formalmente e jantam com toda a tripulação de comando do navio. Em geral a comida é mais sofisticada e variada, os garções vestem uma roupa de gala e sempre tem uma presepada ou outra para diferenciar das noites comuns. Eu detesto aquele salamaleque, mas se estou na chuva, me molho! Após a ceia haveria um show na boate, bem naquele estilo ‘rumbeira-com-cacho-de-bananas-na-cabeça’, ‘mágico-tirando-coelho-da-cartola’, ‘dançarinas-de-Cam Cam” e ‘Frank-Sinatra-cantando-New York-New York’.

Percebíamos um certo frenesi nas pessoas. Eu ficava impressionado como são animadas e se produziam um pouco além da conta, especialmente levando em conta a categoria e o padrão do navio. Confesso que essas formalidades muito programadas não me atraem em viagens de lazer. Era tudo muito previsível, além de ter uma formalidade além da conta.

À medida que entrávamos no restaurante éramos fotografados com o Capitão do navio, com direito àquela pose típica de ‘Chefe-de-Estado-cumprimentando-Presidente-em-Visita-Oficial-ao-País’. Abríamos um sorriso protocolar, extendíamos as mãos para o comandante, virávamos em direção a câmera do fotógrafo oficial, parávamos por uns segundos e... “flash”!, amanhã estará no mural. Em fila e de costas pra parede à entrada do salão, toda a tripulação nos aguardava vestida com trajes de gala. A única mulher da fila usava ‘vestido-longo-preto-de-lantejoulas’ e recebia a todos formalmente, cuidando pra que não nos demorássemos muito, já olhando para próximo a ser devidamente fotografado.

Sentamos-nos à mesa habitual, nos lugares habituais, ao lado dos companheiros de mesa habituais, atendidos pelos garçons habituais. À nossa mesa um simpático casal de espanhóis já mais idosos, um jovem e simpático casal de mexicanos em lua-de-mel, uma agente de viagens do México, um casal de meia idade de São Paulo e nós. Desta vez procurei um lugar diferente na grande mesa redonda de dez lugares e sentei-me de frente para uma das escotilhas daquele salão. O restaurante ficava no ante-penúltimo deck do navio, de cima para baixo, isto é, a poucos metros da linha d’água, lá no fundo do casco do navio. Quanto mais baixo o deck, menores as janelas. Notei certa surpresa do casal de espanhóis companheiros de mesa, por ter mudado o ‘esquema’ de sentarem-se todos sempre nas mesmas posições... Coisas de navio!

Desde que desatracamos do último porto até aquele instante o tempo só piorava e o mar agitava-se mais e mais. O navio acompanhava os movimentos cada vez mais acentuados das ondas. Inicialmente era do desequilíbrio que comecei a sentir ainda no banho, quando me esforçava para que a água do chuveiro caisse sobre mim, não sobre o chão. Todavia, à medida que a hora avançava, os movimentos da embarcação passaram de uma inclinação ritimada e previsível, para ambos os lados, tornando-se mais claramente desorganizada, isto é, subindo a proa do navio e inclinando-se quer para o lado esquerdo, quer para o direito, e também levantando a popa, conjugando esse elevar e baixar proa e popa com imprevisíveis e inclinações laterais, com intensidades variáveis, algumas vezes violenta.

Visivelmente desconfortáveis os passageiros sentavam-se e evitavam circular entre as mesas, pois os riscos de queda eram evidentes. Eu também permaneci assim e olhava apenas em duas direções, além de meu prato: para a mesa do comandante e para a escotilha. Cheguei a comentar com minha mulher que eu permancereria ali enquanto o comandante fizesse o mesmo. “Se ele está aqui comendo e sorrindo é porque está tudo sob controle”, falei, como se quisesse tranquilizá-la, mas querendo fazer eu mesmo aceitar que aquilo era absolutamente normal. “Mas se ele se levantar é porque a coisa tá feia”, concluí.

Levantei-me e fui até uma das escotilhas e isso era tudo o que eu não deveria ter feito: as luzes e holofotes do navio iluminavam claramente a escuridão do mar, que àquela altura estava a dois palmos de meu nariz. Eu pude ver ondas enormes e com muita espuma na crista, como se estivéssemos na arrebentação, junto à praia. “Putz, será que é melhor ficar aqui embaixo ou ir para a cabine, fechar as cortinas e me abraçar ao salva vidas e aos patuás de Patmos?” Pensando assim e ora admirando, ora assustado, as vagas e o vento a espalhar como chuva a espuma das ondas, olhei para trás e percebi que minha mulher também estava com expressão nada relaxada....

A ventania agitava ainda mais o mar encapelado e nossa permanência no restaurante era questão apenas de esperarmos pela sobremesa. Assim que ela chegou, notei que nossa mesa e todo o salão já estava com metade de seus lugares desocupados e que muita gente passava mal. Resolvemos sair e junto à porta duas dançarinas vestidas ao estilo Cam Cam esperavam os passageiros para mais uma foto e com a notícia de que o show havia sido cancelado, mas que a boate estaria aberta a quem quisesse dançar.

Equilíbrio sempre foi algo que eu tenho de sobra, mas era impossível andarmos em linha reta sem que tivéssemos que nos apoiar em dois pontos simultaneamente. Em apenas um era perigoso. Caminhar em um navio naquelas circunstâncias só seria possível para profissionais do mar, assim mesmo, impossível que o fizessem sem qualquer apoio.

O desconforto era grande mas eu ainda não sentia medo. De certa forma eu até achava curiosa e ´divertida´ a situação e engraçado um casal idoso que tentava dançar no salão, mas que na verdade estavam mesmo eram parados e se apoiando um no outro para não cairem, enaqunto eles mesmos riam daquilo tudo.

Enquanto procurava obter informações mais precisas sobre a situação, caminhava cambaleante e me escorando pelas paredes do navio, e refletia: “Logo eu, que não gosto do mar nem curto barcos...”, “Logo eu, que sempre preferi a montanha, o mato, o campo, a terra firme...”, “Logo eu, justamente eu, estava ali num navio sacolejando feito uma caixa de fósforo na arrebentação, em pleno alto Mar Egeu!”...

Nessas horas de insegurança eu sempre prefiro encarar a situação como ela é. Nem mais nem menos do que a realidade nua e crua. Assim, tentei encontrar alguma informação na Recepção do navio, enquanto minha mulher, visivelmente enjoada, resolvera ir para a nossa cabine. A essa altura o navio já estava com o restaurante fechado e meia dúzia de passageiros resolvendo no bar se preferiam morrer afogados na birita ou na água salgada. Foi quando ouvi pelos alto-falantes do navio: “Senhores passageiros, em virtude das condições adversas de navagação, pedimos a todos os passageiros que: 1- não saiam de suas cabines, a menos que em caso de emergência; 2 - não circulem nos decks externos em nenhuma hipótese; 3- mantenham as portas das cabines, dos armários e dos banheiros fechadas.

Na Recepção, finalmente , tentei saber o que havia, mas aquele “gentil, simpático” grego parecia ter engolido uma gravação e repetia, sem levantar os olhos do papel que lia, dizendo que “tudo estava bem, que eu deveria ir para a cabine, que não deixasse as portas abertas, que não circulasse pelo navio, que etc. e tal, e blá, blá, blá...” Afastei-me dele antes que terminasse a ladainha e pensei: “já sei quem eu quero que seja o último a abandonar o navio antes de ir a pique...”

Sem nada mais para fazer, ainda fui dar uma espiada na janela do penúltimo deck, mas não era possível perceber muito. Só conseguia perceber o fortíssimo vento e da água respingando no vidro, já que as luzes externas não eram suficientes para iluminar muito além de três ou quatro metros de horizonte. Uma sensação de ‘perdidos no mar’ foi a primeira coisa que me ocorreu. A segunda foi ‘eu dava tudo pra ver a cara do comandante agora”.

Em todo o percurso uma outra embarcação de maior porte e de outra cia. de navegação nos acompanhava a uma distância visual. Era um navio bem maior e com mais jeitão de transtlântico do que o nosso ‘barquinho’. Ele fazia o mesmo roteiro, parando nos mesmos portos e nos mesmos intervalos. Eu os via sumir e reaparecer ente as ondas a cada ‘mergulhada’ que nosso navio dava. Era uma visão muito estranha estranha e de uma dimensão impressionante e assustador, que proporcionava a real dimensão do quanto um ser humano é insignificante diante da grandiosidade do mar.

Subi logo para a cabine, preocupado com a situação de minha mulher. Os elevadores foram desligados (e alguém pode imaginar entrar num elevador sacolejante?) e eu subia pelas escadas cada vez mais sentindo os efeitos das fortíssimas e agitadas ondas sobre o casco do navio. Quanto mais para o alto, mais se percebem as oscilações. A essa altura já era possível sentir que a cada vez que a embarcação levantava a proa, o fazia mais alto e mais se projetava para fora do mar, embicando para o céu. E aquilo se percebia tanto pelo grau de inclinação quanto pela força com que o casco batia ao voltar a ter contato com a superfície da água. Era uma pancada seca e surda, mas plenamente perceptível e previsível. Os motores estavam em força máxima, era possível perceber isso através de sua vibração.

Entrei na minha cabine e encontrei não uma mulher, mas um trapo revirado do avesso, que nos quinze minutos de minha ausência já havia botado pra fora não apenas o jantar, mas também o almoço, o lanche e, se bobeasse, até o café da manhã do dia seguinte, por conta!

Fechei as cortinas da janela da cabine para amenizar a sensação de desconforto de ver ondas mais altas do que a própria janela. É muito assustador ver ondas acima de sua janela... Deitei-me e, com as luzes apagadas e o corpo relaxado, pude perceber mais intensamente a violência do mar e a dificuldade do navio avançar. Não parecia, sinceramene, em nenhum momento, ser uma situação de risco iminente, mas eu sempre me lembrava do excesso de confiança do pessoal do Titanic... Deu no que deu.

Tentei relaxar ao máximo mas não conseguia fazê-lo ao ponto chegar a dormir. Acordado até muito tarde, novamente resolvi sair da cabine para dar uma olhada na situação. Dois decks abaixo cruzei com um tripulante carregando uma porta de armário embaixo do braço, não sei para onde. Sintomático, pensei, “Será que já estão jogando ao mar o excesso de peso?”. Num dos salões do navio, precisamente na boate, umas moças estavam deitadas no chão, sob colchões arrumados exatamente como se estivessem numa cabine improvisada. Eu não fazia a menor idéia do motivo daquelas moças estarem ali, mas a primeira coisa que me ocorreu foi “medo, elas devem estar com muito medo”... Só na manhã seguinte soube o real motivo: o jovem casal mexicano em lua de mel que sentava-se à nossa mesa nos disse que uma das cabines havia sido invadida pelas águas do mar, através de uma janela (ou escotilha) quebrada! Cool...

Retornei para a cabine e lá fiquei até a manhã seguinte, dormindo e acordando sobressaltado a cada chacoalhada mais forte, a cada novo ruído até então desconhecido, assim como ferro rangendo, a cada voz sussurrada pelo corredor. Numa dessas cochiladas minhas malas cairam de cima do banquinho onde ficavam e tombaram no chão da cabine fazendo um barulhão que acordou sobressaltados a mim e minha mulher. Eu estava tão assustado que não sabia se corria pra pegar o salva-vidas, se agarrava os patuás, se tirava a mala do meio do caminho ou se dava apoio à minha mulher, que a esta altura já apresentava um tom de pele meio branco-azulado...

Eu nunca enjoei em qualquer viagem e estava passando por essa invicto! Pela manhã, após uma péssima noite, levantei cedo para ver os estragos e o navio ainda chacoalhava bastante, felizmente sobre e não abaixo d’água. Também não deixava de ser reconfortante ter amanhecido. “Se tivermos que nadar, que seja à luz do dia...”, me divertia com o ‘sarro’ que eu mesmo tirava da situação. “Logo eu, que não gosto do mar nem curto barcos...”, “Logo eu, que sempre preferi terra firme...”, “Logo eu que...”

Os decks estavam cobertos de sal. Sim, de sal! Uma coisa impressionante e que dá a verdadeira dimensão do que ocorreu. Fiquei curioso e saí para o exterior e verifiquei que as escadas, o piso, os corrimões tinham evidentes resquícios de que a água do mar fora até ali. Até mesmo os vidros da ponte de comando apresentavam sinais de sal acumulado. E a ponte ficava acima do último deck a que os passageiros tinham acesso, abaixo apenas das chaminés. Fui para um bar no último deck e fiquei observando os horizontes à frente e atras de mim. Era impressionante a força que o navio fazia para perfurar as ondas à proa, enfiando o ´nariz´ na água e esta explodindo para os lados em jorros, espuma e marolas. Atrás, o navio deixava um rastro espumante que se desfazia na primeira onda forte que encontrava. Era mesmo marcante a cena, pois quando o navio levantava a proa, projetando-a para o céu, a popa ficava nitidamente abaixo do nível das ondas que se formavam logo atrás, por força do peso de toneladas de aço que pressionavam a água para baixo.

Eu acompanhava aquele balé ritmado, preciso, os movimentos de inclinações laterais e de proa e popa do navio. Imaginava a força necessária de um motor para deslocar tanta água, vender tanta resistência... Ah, lembrei do Capitão também! O mar estava muito mais calmo do que durante a noite, mas ainda era fortíssimo o suficiente para não se ver nenhuma embarcação de pequeno porte, ainda que estivéssemos em alto mar, sem qualquer visão de terra. Todas devem ter sido afundadas! Podia assistir apenas ao movimento semelhante do navio que nos acompanhava desde a saída de Pireus, o qual sumia no horizonte e reaparecia, sistematicamente, acompanhando o movimento das vagas.

Eu não podia deixar de perceber as camadas de sal que ficavam em cada canto, cada cada saliência e corrimãos das partes externas do navio, pois elas contrastavam com a madeira mais escura e enquanto eu passava os dedos, caiam, como sal grosso, seco, no chão. Aquilo era o resumo da verdadeira dimensão da tempestade a que fomos acometidos durante toda a noite.

O estrago mais evidente que os passageiros podiam observar foi na ‘gift shop’, que foi literalmente destruída. Uma pequena loja estilo ‘duty-free, toda envidraçada, com prateleiras e vitrines dispostas frente à frente como gôndolas de um mini-mercado, onde ficavam expostos os produtos, alguns finos, outros nem tanto. Todas as prateleiras cairam umas sobre as outras, como dominós, os produtos estavam espalhados pelo chão, havia vidros quebrados, garrafas destruídas e o balcão do caixa estava tombado. Enfim, completamente destruída.

Depois de sabermos todas as novidades que os passageiros contavam com certa ansiedade durante o café da manhã, avistamos a ilha de Creta (Heraklion) e, depois de cerca de uma hora de navegação nos foi avisado, através do sistema de auto-falantes, que devido às condições do mar não seria possível aportar naquela ilha e blá, blá, blá... Seguimos por todo o dia até a ilha de Santorini, a que eu mais desejava conhecer, por tratar-se do que sobrou de um vulcão, com suas casas brancas, ruelas e ladeiras estreitas e labitintos, cúpolas pintadas de azul e um belíssima vista do Mar Egeu que se pode ter desde os pátios das casas e pousadas que se projetam sobre os penhascos. Eu podia ver o azul do céu se abrindo e iluminando a curiosa paisagem e esperava que finalmente um dia sem chuvas fosse nossa despedida do último porto de nosso cruzeiro pelas Ilhas Gregas antes de retornarmos a Atenas.

Eu não compreendia exatamente o motivo do navio ter reduzido quase a zero a velocidade e as razões de termos navegado em círculos por duas ou três vezes na baía de Santorini, como que ´taxiando´, esperando o momento de atracar. Seriam tentativas de melhor aproximação do porto, dificuldades de abordagem? Sim. Depois da terceira tentativa de aproximação do porto de Santorini a embarcação distanciou-se definitivamente daquela ilha e fomos avisados, quase que imediatamente, que devido às condições....blá, blá, blá...nós também não visitaríamos Santorini. Sem nada mais o que fazer, navegamos toda a tarde e a noite para, finalmente, retornarmos ao Porto de Pireus, no qual desembarcamos na manhã ensolarada e clara de uma sexta-feira. Nos esperava o guia Roberto para nos levar ao mesmo ´simpático´ hotel ateniense com vista para a Acrópolis e com aqueles recepcionistas “ delicados, simpáticos e gentis” .

Eu não imaginava que ele soubesse o que acontecera conosco, até porque não nos perguntou como havia sido o cruzeiro. Assim que entramos no carro comecei a lhe contar a tempestade que pegáramos, ele, então, nos informou exatamente o que acontecera: "É, amigos, vocês não tiveram sorte. Aconteceu um sismo sob o mar, de grande intensidade, ao mesmo tempo que uma mudança brusca de ventos e temperatura provocou uma tempestade no mar acompanhada de maremoto. A Guarda Costeira esteve de prontidão e os todos portos do Mar Egeu foram fechados".

Eu comentei com ele que nossa viagem não tinha dado certo em nada. E que esperava que o último dia em Atenas pelo menos fosse sem chuvas e o sol se mantivesse. Ele respondeu: "é, parece que o sol vai ficar e hoje é um bom dia pra visitar a Acrópolis." "Aproveitem tudo o que falta fazer hoje, porque amanhã é feriado nacional, dia da Independência da Grécia e tudo estará fechado, inclusive a região onde está o hotel de vocês fica totalmente isolado do trânsito até que termine o desfilemilitar em frente ao Parlamento". E completou: " Por aqui em Atenas tudo bem, fora um movimento das tropas gregas que estão se dirigindo à fronteira com a Armênia...parece que vai ter um conflito!" " Era só o que faltava!!", exclamei. Uma guerra entre gregos e armenhos justamente nas nossas férias!

Na manhã seguinte fomos assistir à parada militar. Sobre nossas cabeças jatos de caça supersônicos voavam em formação e faziam um barulho ensurdecedor que às vezes assutava de fato. Vários veículos militares de combate desfilavam, desde os mais leves aos mais gigantesos tanques blindados e canhões. Tropas com fuzis e armamentos de todos os tipos tornavam um espetáculo e raro para turistas, mas como já estávamos saturados de Turquia e Grécia e de tudo o que pudesse representar problemas, queríamos mesmo era voar dali o quanto antes para a Itália e pra bem longe da fronteira Grécia-Armênia.

À hora marcada fizemos nosso check-out no hotel e fomos esperar na rua o carro que contratamos com o Roberto, nosso guia brasileiro. Se o traslado não tivesse sido incluído no pacote do cruzeiro teríamos fciado em apuros e seguramente perdido nosso vôo para Roma. Roberto nos disse que somente após o término do desfile é que as ruas do centro voltariam a ser liberadas ao trânsito e que para conseguirmos transporte teríamos que caminhar para muito distante dali, o que seria impossível considerando as quatro malas que carregávamos.

Um casal de americanos que não tinha como ir para o aeroporto, em razão do tal desfile, e que desconhecia o fato, reclamava de sua estada na Grécia e da desfeita e pouco caso do recepcionista de nosso hotel que nada fez para ajudá-los e orientá-los em como conseguir transporte. Eles nos perguntaram como conseguíramos nosso taxi e eu lhe expliquei que estava “incluído no pacote”. Ainda me desculpei por não poder lhes oferecer carona, pois éramos quatro no carro, eu, minha mulher, Roberto e o motorista, além de nossas malas. Lhes dissemos que também sofremos com a ‘delicadeza’ e ‘profissionalismo’ gregos, e conteamos a eles que por não termos frigobar no quarto do hotel, não havia nenhuma hipótese de comprar qualquer coisa para se beber. Tarde da noite cheguei a ir à Recepção do hotel perguntar como poderia conseguir uma simples Coca-Cola. O ‘gentil’ recepcionista apontou a porta do hotel e disse: ‘só na rua’!! O casal agradeceu nossa preocupação e, despedindo-se, nos disse: " Estamos revoltados e impressionados com o despreparo dos gregos com os turistas e com falta de educação e o pouco caso dos recepcionistas do hotel." "Grécia nunca mais!", eles disseram, com um sorriso de despedida e votos de ´boa sorte´ pra nós...

Felizes por termos deixado a Grécia chegamos ao Aeroporto di Roma (Fiumicino) e pegamos um trem de alta velocidade a Florença, onde chegamos no início da tarde, sob chuva (pra variar). Gostamos muito da cidade e, apesar do clima inteiramente contrário a qualquer atividade turística, conhecemos o fundamental. Pena que as ruas estivessem inadequadas para passeios, mas mesmo assim foi possível visitarmos o Duomo, a Ponte Vecchio, a Galeria Ufizzi, a Piazza dela Signoria e seu belíssimo conjunto arquitetônico, de fontes e de estátuas, tudo, é claro, sob chuva mas, em terra forme! Depois de dois dias retornamos a Roma, onde ficamos por mais dois, revendo a Cidade Eterna, com guarda-chuva e capa!

Retornamos ao Rio , pela Alitalia (ela de novo!) e o tratamento daquela cia. aérea não poderia ter sido mais adequado ao encerramento de uma viagem em que tudo dera errado. No aeroporto Leonardo Da Vinci parecia que estávamos embarcando num país do quarto mundo para um vôo sem escalas para um do quinto!

O procedimento normal em qualquer aeroporto do mundo quando se chega para fazer o check-in é consultar-se o painel informativo dos vôos e cias. aéreas para se saber os respectivos balcões para o check-in. Mas na Alitalia a coisa não parece funcionar exatamente assim, deve haver uma lógica ue eu não consegui compreender, pois no tal painel, três horas antes do embarque essa informação ainda não estava disponível. Nada melhor do que estar sempre atento e procurar informações. Nos balcões de check-in da cia. ninguém soube precisar o número daquele que seria o vôo AZ 694. E ao aparecer no painel geral o que deveria ser o balcão respectivo, ao nos dirigirmos a ele não havia ninguém e o monitor informativo estava desligado! Retornei ao painel inúmeras vezes até que em dado momento surgiu nova informação, isto é, o número no balcão passou a ser outro. Para lá fui e nomnitor no qual deveria constar nosso vôo aparecia um para a Bolívia! Depreendi que os funcionários da alitalia (não dá pra escrever o nome dessa cia. aérea com maiúsculas) não são lá muito bons em geografia política e permaneci na fila enorme em que não havia nenhum brasileiro (pode estar certo de que você sempre reconhece um brasileiro no exterior!). Logo eu, que chego para embarques internacionais sempre com três horas de antecedência, estava numa fila enorme tentando fazer o check-in para o Rio de Janeiro num balcão de um vôo para La Paz por absoluta falta de opção: foi a cidade mais próxima do Rio de Janeiro que encontrei nos balcões das proximidades. “Eles devem ser como os americanos, que pensam que a capital do Brasil é Buenos Aires”, pensei, tentando imaginar o que é que deve passar pela cabeça dos programadores do painel e nos bastidores dos balcões da alitalia...

Se existe algo que eu não dou é chance ao erro: enquanto eu ficava na fila dos bolivianos (sortudos eles, ao podiam ler ‘La Paz’ em seu balcão de check-in...) minha mulher não tirava os olhos do painel e à primeira mudança combinamos que ela correria pra me informar. Como nada acontecia, o tempo passava e a fila não andava, minha mulher decidiu entrar numa fila menor e mais próxima de onde eu estava e disse: “Vou ficar nesta fila e quero ver se eles vão ousar me dizer que estou errada!”. Assim fizemos e efetivamente nosso check-in foi feito (no balcão ao lado!). Despachamos a bagagem, pegamos nossos cartões de embarque e desconfiados não apenas da qualidade dos serviços da alitalia, mas da competência de seus funcionários, conferimos minuciosamente as informações de embarque no ‘boarding pass’ e fomos imediatamente para o portão indicado. Era evidente que as chances de estar errada a informação eram muito grandes, levando em conta o histórico da viagem e da cia. aérea. Não deu outra. O portão de embarque foi mudado para um muito longe daquele informado no cartão de embarque e, pasmem!, até uma hora antes do vôo ele não cosntava no painel de informações! Finalmente chegamos aliviados ao Rio.

Decididamente aquela não fora uma boa viagem para nós.

Reader Comments (42)

Cara, seu blog e muitoooooooo legal
13:05 | Unregistered Commentercatita
Arnaldo, mudando de assunto, me mata uma curiosidade: esse mapa que está ilustrando o cabeçalho do seu blog é de Filadélfia? Estou aqui quebrando a cabeça tentando decifrar essa charada...
16:35 | Unregistered CommenterCarla
Arnaldo su relato me ha parecido fascinante, ¡GENIAL!

Es un viaje para recordar y reirte, siempre. No se necesitan fotos, sólo "amuletos".

Me he reído un montón, cosa que agradezco, con la cabina del barco, el maremoto y la parada militar.

Es un texto absolutamente cinematográfico. Comprendo, ahora, que haga tan buenas fotos, su relato es muy visual.Y creo que el esfuerzo que ha realizado para que pudiésemos "ver" el viaje ha tenido su recompensa.

Puede estar orgulloso es un buen trabajo. Le he visto a usted y a su mujer temblando bajo la lluvia.
Parabéns.
Fantástico!!!.
17:00 | Unregistered CommenterCarmen
Arnaldo, yo también he tenido algún problema con las cámaras.
En Escocia estrené una Olympus, que no entendía, y que puse mal la pila y no hice ni una foto.
En Morro de Sao Paulo y I. de Boipeba hice las fotos con una cámara de usar y tirar.

Yo creo que la foto ayuda al relato, pero sí el texto es bueno, no las necesitas, o sólo las necesitas como soporte estético. Aunque adoro las fotografías.

Espero que me entienda, a veces pueden haber confusiones con las dos lenguas. Sus fotos me encantan, pero lo que quiero decir es que no las he necesitado con esta crónica.
17:09 | Unregistered CommenterCarmen
Arnaldo...toda a proteção para você nas suas próximas viagens, porque encarar uma dessas já é suficiente para uma vida!
17:20 | Unregistered CommenterEmília
Arnaldo, me desculpe por favor, pois não gosto de rir da desgraça dos outros, mas devo confessar: fazia tempo que eu não ria tanto com a leitura de um texto. Sensacional! Fiquei imaginando os dois velhinhos tentando se equilibrar/dançar no meio da pista de dança com aquele temporal todo. Impagável!

Valeu! Abraço.
17:42 | Unregistered Commenter
CARMEN, não sei como lhe agradecer a simpatia e o esforço por tentar escrever em português (e sair-se muito bem, por sinal!). É mais ou menos quando eu vou à Espanha e mando o meu "portunhol" aperfeiçoado. Pode deixar que entendi bem o que vc escreveu, não apenas por falar um pouquinho de espenhol por conta das inúmeras viagens ao seu país e por dois anos negociando (a trabalho) com espanhóis.
CARLA< deixa eu te contar um segredo, mas, por favor, NÃO ESPALHA pra ninguém: essa foto do banner foi vergonhosamente afanada do Flicker quando eu estava atrás de algo pra mudar a cara do blog, coisa mais genérica, não temática (como normalmente são os banners que publico, relacionados com a viagem que estou descrevendo). Fala com ninguém não! Fui até o Flicker tentar saber de onde é o mapa mas não havia nenhuma referência!
ZÉ, pode rir (discretamente, claro, não vá dar gargalhadas!), a situação era MUITO risível!
EMÌLIA, obrigadíssimo! Eu espero que vc mande de novo esse voto de proteção antes do dia 11 de junho!
Catita, obrigado. Volte sempre!
Arnaldo,
Vê? Mesmo quando tudo parece dar errado, ainda assim tem um propósito.
Hoje você tá aqui divertindo a gente e tem mil coisas - desastradas, ok - para contar!
10:04 | Unregistered CommenterMô Gribel
Arnaldo,
Como eu sou muito curiosa e tava aqui de bobeira sem fazer nada, achei a cidade do Mapa.
Ali tem o Logan Circle, a Franklin Parkway, Parways Museus District, etc.
O mapa tá em http://www.gophila.com/Go/TravelTools/centercitymap.pdf
É Philadelphia mesmo...
10:33 | Unregistered CommenterMô Gribel
Legal. A Carla vai gostar!
PS: a busca começou pelo Institute of Contemporary Art, que parecia ficar ali perto de uma University City, daí cacei o mapa da cidade, etc, etc, etc...rs
Adoro uma charada!
10:36 | Unregistered CommenterMô Gribel
Arnaldo,

Você daria uma segunda chance aos 2 destinos? Seoá que a câmara não tivesse quebrado e sol tivesse se mostrado, suas recordações seriam muito diferentes?

Um abraço
19:52 | Unregistered CommenterRodrigo
Sim, Rodrigo, é claro. Agora em JUNHO irei a Istambul e pretendo ir de novo às ilhas gregas de outra maneira (FICANDO nelas) e viajando de avião e/ou ferry entre as ilhas. Com máquina, é claro!
Arnaldo, yo no tuve mucha suerte en Argelia y Marruecos (hace muchos, muchos años) y por esa razón no he vuelto. Prefiero repetir allí donde me lo paso muy bien, o conocer sitios nuevos.
Pero me parece una buena opción y muy valiente.
Ate logo.
7:23 | Unregistered CommenterCarmen
Carmen, eu ADOREI o Marrocos, que visitei já duas vezes e pretendo ir mais uma, ao menos.
11:28 | Unregistered CommenterArnaldo
Ah pois é! Lembras-te quando te perguntei qual era a melhor companhia aérea e respondeste que era a Alitália?!
Pois parace que foi uma desilusão...
Vai por mim, na Europa não há melhor que a Lufthansa.
Realmente a Grécia sempre foi daqueles destinos que nunca me seduziram. Muita parra e pouca uva!
Já Istambul foi pena, porque é uma cidade muito interessante e fascinante com imenso para ver e apreciar. Uma enciclopédia de história!
Quanto a Itália e particularmente Roma, é simplesmente um "must"!
Saudações atlânticas!
14:08 | Unregistered Commenterroadrunner
Olá, caro amigo de Portugal! Obrigado! Mas...eu nunca afirmei que a melhor cia aérea era a ALITALIA, mas sim a que eu uso, por questões de milhagem, conveniência. Entre as melhores cias. aéeas estão a Air France, a Lufthansa, a South African,a Thai, a Emirates, a Singapore...
Caramba, vc é muito engraçado! Estou embarcando em um cruzeiro dia 29/12 próximo, e chorei de rir ao ler sua experiência. Graças a Deus tudo terminou bem... Como sou estreante em cruzeiros, espero que o meu seja mais "calmo" que o seu. Abraços.
SIMONE, boa viagem e ótimo Cruzeiro!
ARNALDO, VOCE É D+

LENDO SEU RELATO, PUDE VIAJAR NA SUA VIAGEM....

PARABÉNS....

OLIVER
10:54 | Unregistered CommenterOLIVER

Estava eu procurando informaç~oes sobre Milo e me deparei contigo... Confesso, dei boas risadas, suas estórias desastradas e chuvosas quase me fizeream desistir de voltar à Grécia. Mas, inch allah, poderei ter melhores momentos q vcs.Mas, na verdade, só me propus a responder-lhes pq o comentário sobre Mikonos quase me indignou. Vcs passaram 3 horas na ilha e não tiveram oprtunidade de perceber os encantos dessa ilha, na qual passei 7 dias em junho. Nenhuma chuva e até mesmo os ortodoxos eram amáveis e falavam inglês. Foi das melhores viagens de minha vida. Pensem bem e procurem retornar em uma época mais gostosa, sem ter q estar vinculados a um navio, c seus horários e caprichos. Boa sorte, Andrea.

ANDREA, eu voltei, anos mais tarde, a Mykonos e Santorini. E continuei achando a mesma coisa, ou seja "está visto". JAMAIS me veria passando sete dias em Mykonos. Mas, como respeito a opinião alheia (não me indigno com pensamentos diferentes, por mais radicais que sejam), entendo que o planeta é feito de alguns poucos bilhões de pessoas que - qual flocos de neve - diferem umas das outras, que não há uma pessoa igual à outra. Assim é com os gostos.

Há lugares que me agradam extremamente mais do que a Grécia e suas ilhas, ainda que eu ache que valham a pena conhecê-las. Malta, por exemplo, seria um lugar que eu retornaria, no Mar Mediterrâneo e ficaria sete dias, e não quatro.

O Caribe, por exemplo, oferece (SEMPRE no meu ponto-de-vista) paisagens, mares, praias de areias brancas que habitam o inconsciente coletivo), as Ilhas do Oceano Índico (Maurícios, uma altamente recomendtável), também são infinitamente melhores do que a Grécia. Mas isso é ponto de vista. Eu, por exemplo, discordo da maioria das pessoas que acham que Veneza é a cidade mais bonita do mundo. Enfim, gosto é gosto. Pessoas são diferentes. E isso não se discute.

A única coisa que deve ser comum a todas é o gosto por viajar e ter boas opiniões, personalidade e idéias como as suas. parabéns e grato pela vitita!

Oi Arnaldo,

Seu relato me rendeu risos, gargalhadas (desculpe!) e, especialmente uma profunda admiração pela sua narrativa. Sempre via seus comentários nos demais blogs e algumas vezes ficava aqui lendo os outros posts em silêncio, mas dessa vez não deu. Tinha que dizer da minha alegria ao poder viajar numa viagem tão rica de detalhes, embora um tanto quanto desastrosa... mas que nos rendeu um texto maravilhoso!!! Beijo grande e boa sorte nas próximas.

olá Arnaldo

Meu Deus!!! Fazia tempos que não ria tanto, sua viagem foi mesmo inesquecivel hein!!!...e você é otimo em descrever as situações...imagino que na epoca não deve ter sido nada engraçado, mais agora...nossa...é de chorar de rir.

Renata

12:17 | Unregistered CommenterRenata

Arnaldo,
há 2 anos li essas crônicas e elas foram decisivas para eu não fazer o cruzeiro sozinha. Só por amor rsrs Vou ficar 2 dias sozinha em Atenas e 1 com a excursão, depois 2 dias em Paros, Mikonos e Santorini. E vou de ferry, que tá incluído na excursão low cost para jovens perrapados ou pão-duros como eu (ok, já passei da idade limite da propaganda da excursão mas só um pouquinho rsrs). Tem algum outro post legal sobre o roteiro? Obrigada. Abraços, Cristina

18:33 | Unregistered CommenterCristina

Cristina, além dos dois capítulos dessa crônica, clique nos títulos de cada matéria e vá navegando para a direita e esqurrda, clicando nas matérias anteriores e posteriores. Além disso há, na bárra à esquerda com o título "Todas as Viagens" os títulos principais de cada uma. Além disso, há o "Sumário", em "Navegando pelo Blog", também na barra à esquerda.

Além disso há a possibilidade de sempre você fazer uma pergunta específica aqui, que terei prazer em reponder.

E boas viagens.

8:34 | Unregistered CommenterArnaldo

Mil desculpas, mas tem como não rir com essa história. Seu humor-trash-irônico me fez dar altas gargalhadas. Ganhei o FDS. Sorte nas próximas viagens.

Arnaldo,parabéns pela sua narrativa.Com seu perdão,ri muito imaginando o que vc passou...Já enfrentei situações terríveis em viagens,fui detido em S.Petersburgo por atravessar uma avenida fora da faixa de pedestres,quase fiquei sem ter onde dormir em Roma,quase fui deportado ao chegar na Italia,mas nada que chegasse perto do que vc tão bem narrou.Espero que tenha tido melhor sorte nesses 2 destinos.Eu já estive 2 vezes na Grécia e 2 na Turquia,e devo dizer,tive sorte...Parabens pela riqueza de detalhes,mais uma vez.Ah,e concordo com vc,nada como viajar pela Singapore Airlines...

Bem, vim aqui buscar o seu relato sobre a Grécia, já que é nosso próximo destino, ms fiquei até c/ medo!! Qta coisa ruim numa só viagem!! É a primeira vez que leio certos detalhes, certamente muito importantes. Vamos ficar ligados e baixar as expectativas!

6:05 | Unregistered CommenterSut-Mie

Sut-Mie, não se deixe influenciar por minha imagem negativa da Grécia. Dá uma passada no blog da Emília, o " A Turista Acidental" e veja seus ótimos e completos relatos sobre a Grécia, creio que terá outra perscpectiva.

Obrigado pela visita

Carambaaa! Rolei de rir com a viagem de navio! Sei que agora é engraçado, mas imagino os momentos de pavor que voces viveram!! De qualquer forma se vcs puderem voltem para a Mykonos e Santorini...é simplesmente MARAVILHOSO por lá é lindo demais. Lamentei profundamente pela sua máquina fotográfica, já passei por isso uma vez e agora sou precavida, levo a digital na bolsa e a profissional na bagagem de mão! Sua viagem lembra em muito o motivo pelo qual resolvi fazer meu blog! Desde a saída do aeroporto de Curitiba até o ultimo instante da volta tb passamos por situações assim...foi tão inusitado tudo que decididamente resolvi dividir com as pessoas!! Abraço Cris.
Passa lá e leia o capitulo "saindo de Curitiba!" http://avidaquevi.blogspot.com

1:00 | Unregistered CommenterCris

A cena da tua esposa "virada em trapo" depois de um maremoto, foi muuuito engracada.Mas Itália,Grécia e Turquia em meses de abril aguas mil, é mesmo um baita "pacote roubada". Já tive várias...e quanto mais pro sul, maior o susto!

16:58 | Unregistered CommenterRenata

Quero dizer: foi a desgraça que virou graça! Ainda bem...

17:08 | Unregistered CommenterRenata

Com licença, Arnaldo...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Mil perdões, mas bolei de ri do seu relato. Mas , de fato, o bom viajante é aquele que sabe tirar de letra ( com um certo humor) as situações mais adversas. Que viagem tragicômica!

Seu blog é excelente. - já está adicionado como um dos meu favoritos. Vem para o Amazonas...fora a natureza exuberante, o turismo aqui é sofrível. Para você ter uma idéia: sai mais barato passar 4/5 dias num hotel 5 estrelas no nordeste, do que passar um final de semana em "hotel de selva"!

Abraços!

14:39 | Unregistered CommenterEunice

Arnaldo,

Dei boas gargalhadas com o seu texto e ao mesmo tempo pensava: meu Deus, que azar! Fizemos essa mesma viagem de 20 de junho até 02/02/2012 e foi tudo maravilhoso. Claro que com o pouco tempo que as excursões nos destinam, sempre ficávamos com o desejo de ficar mais e mais em cada lugar. O maravilhoso é que o sol brilhou o tempo todo, o por do sol em Santorini foi magnífico e tudo foi muito bacana. Voltaria a Turquia e a Grécia novamente sem dúvida nenhuma. Tenho certeza que se meu marido tivesse lido esse post antes da nossa viagem ele teria desistindo, pois ele, tal como você, gosta muito mais de terra firme. Parabéns e um abaço!

Arnaldo,
Que delicia a sua descriçao dessa viagem!Perdoe-me.Ri demais
Você tem o dom de escrever! Parabens!

Arnaldo,

Gosto demais do teu blog.
Especialmente este post, foi demais. Ri muito. Admiro a sua narrativa.
Sou sua leitora há alguns anos. Numa viagem à Barcelona suas informações me ajudou demais.
Agradeço pela sua generosidade em compartilhas as experiências conosco. Parabéns!!!

10:02 | Unregistered CommenterCristina

Fiz a mesma viagem que , vcs.....mas graças a Deus , foi td bem......imagino mesmo que deva ser horrível enfrentar um mar bravo, acho que ficaria apavorada.....espero que a sua próxima viagem seja soh de momentos bons, alegres, sem nenhum aborrecimento.

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