CONHEÇA O AUTOR

          

         Depois de estabelecer-se na Internet, desde 1999, escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo (Editora Abril). Agora, está preparando o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando na literatura com um livro encantador que, segundo o autor, é o primeiro de uma série.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de uma conversa baseada na informalidade, o livro mistura traços de coloquialidade e informalidade com uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida.

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti 2013 na categoria Reportagens

Ronize Aline:

            "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária e crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista passou pelas redações das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

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Sábado
Set082007

Turquia: Istambul - A Basílica de Santa Sofia (Hagia Sofia – Ayasofya)

Os dois principais monumentos históricos de Istambul ficam frente à frente na Ayasofya Meydani - a praça jardim onde há um lago com chafariz - e que separa os dois mais importantes monumentos de Sultanahmet, a Santa Sofia e a Mesquita Azul.

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Interior da Santa Sofia. Em destaque o medalhão da época em que a igreja foi convertida em mesquita - executado em couro de camelo -  do Sultão Abdulmecid com as palavras: "Allah', "Muhammed'

 A praça é uma área ajardinada no centro de Sultanahmet - o bairro histórico da antiga Istambul – que leva o nome do Sultão Ahmet I, quem contruíu a Mesquita Azul. Com banquinhos, florida e ajardinada, é um lugar para sentar e curtir não apenas a paisagem, mas o povo circulando, conversando.

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Interior da Santa Sofia - iluminação de mesquita e capitéis rendilhados

Na praça, especialmente aos fins-de-semana, turcos e turistas disputam os bancos para obsevarem o pôr-do-sol e o espetáculo multi-mídia projetado num telão defronte à Mesquita Azul, com sons, raios lazer e filme que contam um pouco da história e da cultura turcas.

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A imponente Ayasofya pode, e deve, ser observada pela manhã e ao anoitecer. Para visitar seu interior, prefira a manhã.

Talvez esta praça seja o ícone da cidade. Toda cidade turística tem um ícone. Paris tem a Torre Eiffel, Londres o Parlamento, Roma o Coliseu, Rio de Janeiro o Cristo Redentor (ou o pão de Açúcar), São Paulo o Parque Ibirapuera e por aí vai. Em Istambul ESTA praça é o símbolo da cidade e por onde começam todos os roteiros turísticos, onde além destes dois magníficos monumentos, há outras visitas obrigatórias: a Cisterna da Basílica...

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A impressionante, chocante Cisterna da Basílica (Yerebatan Sarayi)

... o Hipódromo, o Museu de Tapetes, o Museu de Artes Turcas e Islâmicas, o Museu de Mosaicos, o Bazar da Cavalaria, o Obelisco Egípcio e a Coluna Serpentina (no centro da praça), o Túmulo do Sultão Ahmet I, a Fonte do Kaiser Wilhelm II e os Banhos de Roxelana.

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A Mesquita Azul e a Ayasofya, frente à frente,  disputam a atenção dos visitantes

Nesta área denominada Hipódromo, ou At Meydani, fica a Santa Sofia. Na verdade pouco resta do que já foi um dia o antigo hipódromo, um gigantesco estádio da época bizantina, concebido pelo Imperador Sétimo Severo, o reconstrutor da cidade de Constantinopla no século 3.

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A Mesquita Azul em três tempos

Hoje sobram apenas vestígios de ruínas do que já foi, por 1.000 anos, o centro da cidade. Pelos registros históricos calcula-se que o hipódromo tivesse capacidade para 100 mil pessoas no espaço hoje ocupado pela praça At Meydani, onde ficam o Obelisco Egípcio, a Coluna Serpentina e a Fonte do Kaiser Wilhelm II.

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O Obelisco Egípicio, no centro da praça onde foi o Hipódromo

No centro da Praça At Meydany, ou Praça dos Cavalos – na região onde ficava o antigo Hipódromo - coração da vida bizantina, podem ser vistos três monumentos importantes históricamente. Constantino mandou enfeitar a praça central do que seria o centro do hipódromo, com obeliscos e colunas egípcias e gregas.  No hipódromo ocorriam corridas de cavalos e bigas.

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O Obelisco foi colocado sobre 4 cubos de bronze maciço e sobre um pedestal bizantino especialmente esculpido para ele

O Obelisco Egípcio típico obelisco monolítico de pedra, da época de Tutmés III, foi feito em 1.500 a.C., e ficava em Luxor. Curiosamente esse obelisco perdeu dois terços de sua altura e por isso foi posto sobre um pedestal bizantino e quatro cubos de bronze maciços. A base, bizantina, mostra figuras que representam o Imperador Teodósio I e sua família assistindo ao eventoss esportivos. Numa delas Teodósio segura uma coroa de louros.

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Numa das figuras o Imperador segura uma coroa de louros

A Coluna Salomônica também conhecida como a Coluna Serpentina, veio do templo de Apolo, em Delfos, na Grécia, que supõe-se ser de 479 a.C. sobre seu topo havia três cabeças de serpentes que foram arrancadas e danificadas por um nobre polonês bêbado, um vândalo nas priscas eras. Uma das cabeças está no Museu Arqueológico de Istambul.

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Coluna de Constantino

A Coluna de Constantino Porfirogeneto,  outro obelisco que levou o nome do imperador que o restaurou no século 10, é conhecida como “coluna de bronze’  porque acredita-se que era revestida neste metal.  O estado em que se encontra, toda esburacada, deve-se ao fato de que  era costume dos janízaros escavá-la para testar sua bravura.  O Regimento dos Janízaros era um “Novo exército”  formado por tropas de elite do sultão, um exército poderoso e profissional que foi fundamental para a expansão do Império Otomano. Curiosamente, com o tempo foram perdendo a disciplina e enfraquecendo, tornando-se elementos desestabilizadores do sistema, inclusive rebelando-se diversas vezes, tendo sido derrotados pelo Sultão Mahmut II, em 1.826.

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A Coluna Serpentina

A única construção a mais nesta praça é a Fonte de Wilhelm II, construída em homenagem à visita que o Kaiser Guilherme II fez a Istambul em 1.898. Um passeio nas ruas ao redor desta praça, além de agradável, revelará edificações antigas feitas em amdeira, muitas delas transformadas em hotéis,  construídas no século XVIII.

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Edifícios antigos, inteiramente em madeira, típicos de Sultanahmet

Os Banhos de Roxelana foram construídos em meados do século 16 para a prática dos banhos turcos, pelo arquiteto mór do sultanato - Arquiteto Imperial Sinan (Koca Mimar Sinam) - um jovem educado numa das escolas do Palácio Topkapi, o qual veio a destacar-se como um engenheiro militar expressivo e que agradou tanto ao Sultão Suleiman I...

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Fonte do Kaiser Wilhelm II

... que este o nomeou "arquiteto imperial chefe" em 1.538. Entre outros projetos inúmeros, Siman projetou a fabulosa Mesquita de Suleiman, que veremos mais detalhadamente numa próxima matéria. Atualmente os Banhos de Roxelana são uma loja estatal de exposição e venda de tapetes.

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Banhos de Roxelana

O Bazar da Cavalaria foi um antigo estábulo hospedaria, ou keravansaray, em turco, onde hoje cada estábulo foi transformado em loja de produtos artesanais turcos. Vale a visita, mas prepare-se para ser abordado insistentemente por vendedores oferecendo seus produtos e chá turco, neste lugar que é um corredor de lojinahs bem interessante. Recomendo vivamente uma das lojas especializadas em pashiminas e colchas...

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Não deixe de ver as sedas de Antalaia no Mercado da Cavalaria

...  centros de mesa e toalhas de seda minuciosamente bordada executadas por jovens da região da Anatólia. Há lojas de tapetes e cerâmica com trabalhos excepcionais e que merecem serem conhecidos. Dê a oportunidade a um dos vendedores explicar acerca dos tapetes turcos e das cerâmicas.

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Louças com motivos otomanos, sedas e tapetes você encontra no Bazar da Cavalaria, em Sultanahmet

Os trabalhos são riquíssimos, belíssimos , de extremo bom-gosto, raros e curiosos, porque de tão finos os nós dos bordados que são, precisam ser feitos por meninas que têm os dedos finos! Se você quer agradar, este é sem dúvidas um presente que qualquer mulher adoraria receber. A primeira loja, à direita de que entra no mercado, vindo da area de restaurantes, especializada nesse trabalho, merece uma visita.

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O Museu de artes Turcas e Islâmicas. Exposições permanentes e temporárias. Destaques: tapetes e yurts, as tendas dos povos nômades

Basílica de Santa Sofia - Hagia Sofia Ayasofya

A Basílica de Santa Sofia, talvez seja o primeiro dos monumentos que você visitará estando em Istambul. Qualquer passeio turístico em Istambul começa no Bairro Sultanahmet e na praça do mesmo nome, constituindo-se num dos mais importantes monumentos em estilo bizantino no mundo, e, por si só, já apresenta a grandiosidade, a importância, a imponência e a sofisticação do que foi o Império Bizantino. Foi desenhada por dois professores de geometria da Universidade de Constantinopla, Isidoro de Mileto e Antemio de Tralles.

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Também conhecida como Hagia Sophia (Άγια Σοφία, em grego, ou Ayasofya em turco, significa "Sagrada Sabedoria") é um imponente edifício construído no século 6 - entre os anos 532 e 537 - durante o Império Bizantino, pelo Imperador Justiniano - para ser a catedral de Constantinopla, mas foi convertida em mesquita em 1453 e transformada em museu em 1935 por Kemal Atatürk, o venerado pai da Turquia moderna e criador do Estado laico.

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O nártex interior tem tem 60,9 metros de comprimento

Desde que foi usada como mesquita por quase 500 anos, a partir de 1453, estruturas tipicamente islâmicas, como minaretes, foram sendo agregadas ao edifício original, de concepção cristã, assim como a fonte (sadirvan), o mausoléu (turbe) e “cozinha da sopa dos pobres” (imare), que distribuia sopa para os pobres, como um dos desígnios do Corão.

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Esses adendos, assim como os reforços construídos para estruturar todo o peso dos acréscimos, desfiguraram fortemente o projeto original, tornando a igreja muito mais parecida com uma mesquita do que um templo cristão. Basta olhar para a Mesquita Azul para perceber o quanto se parecem externamente, diferindo, fundamentalmente, apenas pela cor.

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Além destas obras que a descaracterizaram do desenho original, ao longo dos anos diversos contrafortes de apoio foram sendo contruídos do lado de fora da igreja para protegê-la de terremotos, o que tornou seu exterior, na parte do solo até meia altura, algo sem estilo e quase grotesto.

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As silhuetas de ambas - Mesquita Azul e Santa Sofia – dominam a paisagem de Sultanahmet e de de Istambul. Todavia, para quem a visita, torna-se muito difícil descobrir, entre tantas modificações, alterações e acréscimos, do que se trata: uma mesquita ou uma igreja?

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Todas as mudanças tão marcantes por que passou fizeram-na perder o brilho da fase áurea do Bizâncio. O destino da Santa Sofia era mesmo volúvel: de igreja cristã a mesquita islâmica a museu.

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O Imperador Constantino foi o primeiro a construir uma igreja no lugar onde hoje está a Santa Sofia e deu-lhe o nome de "meggale ekklesia", ou grande igreja. Infelizmente, duzentos anos depois esta igreja, e boa parte de Constantinopla, foram destruídas por incêndios provocados pelo levante contra o Imperador Justiniano, que a reconstruiu ainda mais bela e imponente. As obras custaram uma fortuna equivalente a 18 mil quilos de ouro, executada por milhares de operários que instalaram, urante seis anos diversos tipos de mármores de diversas procedências nas colunas magníficas e em todo o edifício, nas paredes cobertas de mosaicos de ouro e em tantas obras de arte.

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Quando concluída a obra, a santa Sofia tornou-se o mais importante santuário da cristandade oriental e permaneceu assim até que os turcos, em 1453, conquistaram Constantinopla, chamando-a Istambul, para decepção do mundo cristão, que viu a igreja ser transformada em mesquita. Em meados do século XII , os turcos otomanos do Turquestão partiram em direção ao sudoeste e fixaram-se nesta região da Ásia Menor entre os turcos seljúcidas, que já eram islâmicos, e adotaram também o islamismo como sua religião.

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Qualquer hora é boa para visitar a Santa Sofia, mas eu recomendo passar um fim de tarde e observar o pôr-do-sol na praça com o chafariz central que separa a Santa Sofia da Mesquita Azul e emocionar-se com o anoitecer, as luzes acendendo-se e iluminando as torres de ambas as magníficas obras e, finalmente, ouvir ao chamado para a oração vindo dos minaretes. Emocione-se, arrepie-se, fotografe e jamais esqueça! Não há como não emocionar-se, calar-se diante de tanta monumentalidade.

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A entrada para o Museu fica em sua fachada principal. Depois de pagar o ingresso, passar pelo sistema de segurança e detecção de metais e pelo raio x (semelhante ao dos aeroportos) chega-se a um pátio onde podem ser vistos vestígios das ruínas das fundações da primeira construção original da Hagia Sophia.

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As portas da entrada da Hagia Sophia são do tempo de Justiniano, mas não são decoradas com motivos bizantinos. A entrada principal dirige o visitante para os nártex interior e exterior ( do latim, narthex, do grego, nárthex), uma espécie de pórtico, um vestíbulo comum nas antigas basílicas. Durante a época bizantina esta área das basílicas, chamadas “nártex” eram a parte da igreja onde os não batizados ficavam.

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O nártex tem 60,9 metros de comprimento e 6,03 metros de largura. O teto é em abóboda, coberto com mosaicos coloridos e com desenhos de motivos florais e geométricos, as paredes em mármore com veios bem destacados e nas extremidades foram contruídas posteriormente as portas para acesso aos minaretes, quando ela transformou-se de basílica para mesquita. As portas de carvalho recobertas em bronze pertencem à era bizantina e é uma das partes da igreja onde as características bizantinas estão melhor preservadas.

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O domo, completamente revestido por mosaicos, tem 55,6 metros de altura e aproximadamente 31 metros de largura e por causa de reparos sucessivos por conta terremotos demonstram que ele não é perfeitamente circular. Este enorme domo está suportado por quatro grandes arcos que, por sua vez, estão apoiados sobre quatro pilares igualmente enormes.

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Sente-se num desses bancos e assista a uma projeção multimídia na Mesquita Azul tomando chá turco

 O interior da Hagia Sophia tem 107 colunas, sendo 40 delas no nível do térreo e as demais na galeria superior. As mais importantes e maiores das 107 colunas da Hagia Sophia estão no térreo, algumas delas trazidas de templos ainda mais antigos e de diferentes regiões do império, como do Templo de Artemis, em Éfeso, por exemplo.

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Sem dúvidas as colunas - com seus capitéis decorados com um belo trabalho rendilhado executado no século 6, assim os arcos que as conectam, formam um conjunto melhor observado do segundo pavimento, a galeria superior da Santa Sofia. Uma curiosidade: os monogramas de Justiniano e sua esposa figuram bem no centro dos capitéis de todas as colunas. No interior, a nave central gigantesca tem duas outras menores laterais. A principal tem 32, 3 metros de largura que com as duas outras laterais somam 79,3 metros. O cumprimento total da santa Sofia é de aproximadamente 100 metros. A a´rea inteira da edificação ocupa 7.500 metros quadrados, o que a coloca em quarto lugar no ranking das maiores do mundo, depois da Catedral de São Pedro, em Roma, de Sevilha (La Giralda) e do Duomo, em Milão.

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O domo foi construído em tijolos inteiramente revestidos em mosaico decorativo e desenhos que irradiam-se do centro para a base do domo. É curioso ver um templo com características absolutamente opostas: santos da igreja cristã e inscrições árabes de uma mesquita. As 40 janelas da base do domo, que o circundam, são decoradas com mosaicos bem mais coloridos que os demais, que são predominantemente dourados. Quatro querubins decoram os pendentes da abóboda (pendente (arquitetura): parte da abóbada suspensa entre os arcos de um teto ou fora do prumo das paredes.

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Como nos templos muçulmanos não se representam figuras humanas nem animais, apenas florais e inscrições do Corão, as faces dos querubins foram cobertas por folhas de ouro aplicadas sobre desenhos em forma de medalhões. As paredes têm numerosas janelas que foram postas posteriormente à construção do domo, apenas para reduzirem o peso provocado por este à estrutura que o suporta e pretegê-la de desabamento decorrente de terremotos. Mosaicos com figuras de religiosos decoram quase todas as cúpolas e têm representados Santo Inácio, o Patriarca de Constantinopla entre outros.

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Os mármores de diversas colorações vieram de diferentes regiões do império e foram especialmente selecionados para a Hagia Sophia: o branco, de Marmara, o verde, da Ilha de Egriboz e do Monte Tagetus, perto de Esparta, o rosa de Synada, perto de Afyonkarahisar. O amarelo e o vermelho vieram da África. Depois que a igreja foi convertida em mesquita instalaram-se painés com inscrições árabes, do Corão, inclusive os medalhões de 7 metros e meio de diâmetro colocados durante o reinado do Sultão Abdulmecid, os quais contém inscrições de um famoso calígrafo da época, Kazasker Mustafa Izzet Efendi, com as palavras: "Allah', "Muhammed', e nomes do primeiro califa e se de seus filhos Hasan e Huseyin.

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Talvez os mosaicos sejam o que mais impressiona o visitante, depois da fabulosa nave e sua cúpula. Feitos entre os anos 886 e 912, os mosaicos bizantinos, são executados em ouro. Depois disso o que mais a torna atraente é o fato de que com a transformação de basílica em mesquita há elementos impensáveis numa igreja católica, como um mihrab, um balcão para o sultão, um minbar (espécie de púlpito), a muezzin mahfili (a plataforma em mármore para o muezin ler o Corão), as maqsuras (umas plataformas feitas ao redor de pilares e junto de paredes para que os mais idisos pudessem se sentar e orar), além do Mausoléu de Murat III e da Fonte de Ablução, lugar onde os muçulmanos lavam-se ritualmente antes de entrarem nas mesquitas para iniciarem suas orações.

 

A bela Fonte de Ablução foi construída em 1.740 em estilo rococó turco.

NOTA: O que é o local da ablução?

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A oração Islâmica é um conjunto de atos e atitudes em que o muçulmano alcança diversos benefícios na parte espiritual e física, através da prática de 5 orações diárias durante as quais exerce sua fé e demonstra sua gratidão a Deus por Suas graças. Embora a oração seja aceita por Deus em qualquer lugar, em casa, local de trabalho, etc., Deus orientou para que os muçulmanos construíssem mesquitas a fim que as orações fossem feitas em grupos, já que alinhados em fileiras e lado a lado, estimulam-se o convívio e, portanto, a igualdade entre os que estão orando diante de Deus, e também para reforçar que não deve haver diferenças sociais, raciais, tampouco nem privilégios do governante para o governado.

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Entre outras condições prévias necessárias às orações, está a purificação do corpo através da ablução, ou do banho, já que o corpo deve estar sem vestígios de impurezas. "Ó fiéis sempre que vos dispuserdes a observar a oração, lavai o rosto, as mãos e os antebraços até aos cotovelos; esfregai a cabeça, com as mãos molhadas e lavai os pés, até aos tornozelos..." (Alcorão Sagrado 5:6)

http://www.proaweb.com.br/assalat/

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Reader Comments (27)

Fenomenal esta visão sobre Istambul!

Obrigado também por nos recomendarem.

Iremos retribuir no nosso blog com um link.

Um abraço

Europe Calling - Dicas para viajar de fomra económica pela Europa
Arnaldo,
Creo que la Cisterna es del S. V y que es una de las construcciones bizantinas mejor conservadas, contiene 336 columnas de mármol.

La base del obelisco, también es bizantina la mandó construir Teodosio I para colocar sobre ella el obelisco egipcio. Es una base de mármol blanco esculpido por todas sus caras.

Santa Sofía debía ser muy impactante en su época bizantina con esa bóveda celeste y esas paredes llenas de esmaltes, mosaicos y pedrería que representaban jardines llenos de flores.

Es un edificio muy antiguo, que ha tenido mucho uso y el que necesita una restauración.

Arnaldo, este intersante texto tan bien documentado que has hecho, me ha recordado cosas que tenía olvidades de cuando estudié Hª del Arte.

Siempre es un placer leer lo que escribes.
Ate logo.
15:05 | Unregistered CommenterCarmen
Arnaldo,

Esse é um lugar que fiquei muito interessado em conhecer desde que vi um documentário a respeito. Me lembro de ter ouvido algo que dizia que algum governante muculmano pediu que a decoração islâmica fosse feita por cima da bizantina de forma a não destrui-la por completo. Ele acreditava que em um momento no futuro, essas decorações poderiam ser expostas novamente sem agredir o islã.

um abraço
19:34 | Unregistered CommenterRodrigo
RODRIGO, é verdade, isso aconteceu e, com as sucessivas restaurações, descobriram-se as pinturas originais. Os muçulmanos respeitaram a beleza decorativa cristã, antes de tudo, a arte, apenas adaptando o templo cristão para um templo muçulmano. O mesmo ocorreu, ao inverso, na Mesquita de Córdoba, quando so reis cristãos Fernão e Isabel de Castela converteram a fabulosa mesquita em templo cristão, modificando apenas o centro dela em uma igreja actólica em estilo gótico. Felizmente o bom senso prevaleceu.

CARMEN, seus comentários fizeram com que eu atualizasse o post com MAIS e NOVAS informações acerca do obelisco. Obrigado!
Arnaldo, como disse a Carmen, é sempre um prazer imenso ler os seus posts. E prazer maior ainda me deleitar com essas fotos incríveis!
Obrigado, MARI CAMPOS! A cada novo comentário elogioso, ainda MAIS compromisso eu tenho com fazer bem feito.
Até quem ja foi para a Turquia, como eu aprende coisas novas no blog do Arnaldo...
8:46 | Unregistered CommenterErnesto
ERNESTO, pode estar certo de que na próxima vez que eu for, TAMBÉM terei algo de novo a aprender, ainda mais levando em conta tanta história e cultura.
Arnaldo, o post está fabuloso...esse lugar realmente toca quem o visita, até mesmo virtualmente, como eu.
Fico feliz que você tenha apagado aquela primeira impressão desastrosa e cosneguiu ver o real encantamento de Istambul.
Um abraço!
11:48 | Unregistered CommenterEmília
EMÍLIA, de fato nós adoramos nossa estada e nossos passeios por Istambul. Ficamos encantados e minha mulher já disse que quer voltar. Em sete anos acho que a cidade evoluiu muito turisticamente, tanto em termos de segurança quanto de hospedagem.
Arnaldo, estamos planejando a 1ª viagem para Europa, na verdade estamos pensando em fazer apenas Portugal, que tem vôos direto de BsB. Com as nossas dificuldades da língua, estamos pensando em deixar para outras oportunidades as viagens com a cara e a coragem. Dá para fazer todos os passeios citados por você, ficando hospedado em Lisboa? Passeios bate-volta? Precisamos alugar carro? Estamos pensando em ir dia 14/11 e voltar dia 25/11. Seria melhor agregar um outro destino? Gostamos de andar de manhã até anoitecer, bater perna é nosso esporte favorito. Gosto muito dos seus relatos de viagem, são apaixonantes, nos familiariza com um mundo tão distante que até parece próximo da gente. Parabéns.
16:27 | Unregistered CommenterRosa
Sim, dá, tranquilamente. SÃo passeios de um dia ou meio dia, e dá pra ir de carro ou fazer excursões regulares que saem de Lisboa. NÃo é necessário alugar carro, e vc pode pegar folhetos nops hotéis com cerca de duas ou três operadoras de city tours de Lisboa, muito boas e confiáveis.

Se rpecisar de mais dicas, esteja à vontade.
Doze dias, ROSA, é muito tempo pra ficar só em Lisboa. Eu iria passar dois dias no Porto.
Eu sugiro parar em Obidos e Coimbra, no meio do caminho entre Porto e Lisboa.
23:37 | Unregistered CommenterErnesto
Valeu Arnaldo e Ernesto. Como até agora só tenho as passagens, vou montar um roteiro incluindo as valiosas dicas de vocês. Muito obrigada.
9:20 | Unregistered CommenterRosa
ROSA,depois de montado o seu roteiro, deixa a gente dar uma olhada pra ver se tem que fazer alguma correção, ok?
Muito bom o seu tabalho, as fotos estão lindas. Parabéns.
14:27 | Unregistered CommenterAmanda
Claro que sim, Arnaldo. Será um prazer compartilhar o roteiro e receber as valiosas contribuições suas e dos leitores do seu blog. Obrigada mais uma vez.
10:57 | Unregistered CommenterRosa
Belo lugar
Tudo combina aqui
Quem escolheu as imagens,ofundo musical,a sequencia
todo muito sincronizado.
Tenho vondade de conheçer mais sobre Santa Sofia e sobre costumes Turcos.
Mais por enquanto só posso visitar seu sit.
parabens!!

Oi Arnaldo! estou planejando ir p/ Turquia em Junho, e seu blog é parada obrigatória. O problema é a coceira que dá vendo tanta foto bacana e seu texto! Também queria te perguntar o seguinte: vc conhece a rede Allstar de hoteis na turquia? Pelo que pesquisei sao os melhores preços, mas não sei se são legais. Com a sua sensibilidade, vc acha que é roubada ir sozinha? Alguma regiao do país a evitar?

1:52 | Unregistered CommenterCarla2

Oi, CARLA2, obrigado por ter vindo e sinta-se à vontade para perguntar. Afinal, este é precisamente o objetivo do blog: informar e dar suporte a viajantes.

Vamos lá: A rede de hotéis Allstar de Istambul é bem extensa e está em vários pontos turísticos e comerciais da cidade. Não me hoespedei, mas os vi, especialmente o localizado em Sultanahmet, que é o lugar que recomendo ficar.

A página oficial da Rede Allstar é a seguinte:

http://www.allstarhotels.com/hotels/allstar_hotel_nena_istanbul.htm

São hotéis três estrelas e bem cotados no Tripadvisor. O Nena Hotel, por exemplo, situado em Sultanahmet, o bairro histórico e onde estão a MEsquita Azul e a Santa Sofia, está relacionado na posição 9 entre 426 hotéis comentados naquele site.

Dê uma olhada nos comentários deste específico e depois procure outros nos demais bairros e cidades para tirar as suas conclusões e refinar sua pesquisa:

http://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g293974-d294930-Reviews-Nena_Hotel-Istanbul.html

Depois de tudo, retorne com outras dúvidas e com minhas impresões sobre os hotéis escolhidos.

Sobre viajar só, desde que tome os cuidados normais (não sair só à noite em boates, bares e lugares ermos e não turísticos, evitar lugares sem muita gente e tudo mais que faria em qualquer cidade no Brasil), não há o que preocupar-se ao ponto de impedir sua viagem. Apenas planeje bem seus deslocamentos e o que visitará em cada ciade, a fim de que não ande a esmo, o que em princípio a faria deixar de aproveitar bem seu tempo e racionalizar suas visitas, empregando-o em ver o que interessa a você.

Não tenho notícia de nenhuma região do país a evitar, porque estive apenas em Istambul e, em outra viagem, em Éfesus (que recomendo vivamente!).

Todavia, um bom lugar para consultar essas coisas é o Virtual Tourist, uma página excelente com diversos depoimentos sobre destinos no mundo, escrito por viajantes como nós, e que tem exatamente seções relacionadas a roubaas, perigos, etc.

Vá refinando suas pesquisas dentro do site e leia o máximo que puder, especialmente procurando resenhas objetivas sobre cada lugar específico (não perca muito tempo em generalizadas, tampouco tome como verdade absoluta o que está escrito, não que não mereçam crédito, mas por serem opiniões pessoais que por motivos culturais podem ser aplicáveis a nós ou não.

A página de entrada do Virtual Tourist é:

http://www.virtualtourist.com/

Nela você encontrará um campo para escrever (em inglês) a cidade ou mesmo a atração que estiver interessada.

Pesquise e depois retorne com novas dúvidas!

Obrigado.


Oi Arnaldo! Muito, muito, muito obrigada por tantas dicas preciosas. Vou mergulhar nas pesquisas, e volto aqui para contar/perguntar mais.Inté!

17:52 | Unregistered CommenterCarla2

NOOOSSSAAAA, estou fazendo um trabalho sobre a Basílica de Santa Sofia e fiquei S.U.P.E.R encantada.mt bom o material e as observações sobre as imagens.É como se eu tivesse ido p lá. Parabéns. Site F.E.N.O.M.E.N.A.L =D

16:25 | Unregistered CommenterCaroline

Prezado Arnaldo !
Estarei com minha esposa em Roma dia 27.10.12. Tenho dias 28 e 29 livres. Como devo estar em Istambul dia 30.10.12, pergunto qual o meio de locomoção mais barato ?
No aguardo de tua manifestação, ico agradecido pela resposta
ramonluisb@ibest.com.br

Nossa maravilhoso este lugar e este site me ajudou bastante em efectuar o meu trabalho de artes. :)
Obrigada...

13:57 | Unregistered CommenterNoely

Arnaldo,
Que rica oportunidade você nos oferece em poder contemplar tanta beleza e cultura com tantos detalhes, trazendo aos dias atuais, informações que há muito permeiam minha curiosidade. Obrigada mesmo pela rica viagem que você me permitiu realizar! Acho que já vivi na Turquia em vidas passadas, já dizia meu falecido pai que lá esteve e que muito já havia me falado desse lugar mágico, cheio de encantos e tradição! Parabéns pelo trabalho.

oi

20:07 | Unregistered Commenterjorde

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