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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

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Quarta-feira
Out082008

Japão: o dia em que eu não vi o Monte Fuji

 

                   NO  imaginário de qualquer pessoa o Monte Fuji sempre figurará como aquela montanha lindíssima, em forma de vulcão, com seu topo parcialmente coberto de neve, emoldurado por um belíssimo fundo na cor azul profundo, rodeado por carneirinhos em forma de nuvens branquinhas e com um cinza vulcânico que gradualmente vai mudando para um verde verdejante que escorre por suas encostas até tocar as águas plácidas e transparentes de um lago. 

 

 

 

Fotos públicas no Flickr (de autores sortudos que viram o Fuji san como eu  não vi)

 

http://www.flickr.com/search/?q=Mount+Fuji&page=2

 

 

                       SEJA lá como for, e onde for -  de Calcutá a Quixeramobim -  qualquer cidadão do mundo verá fotos, gravuras, ilustrações, desenhos, rabiscos e imagens estampadas sempre com um Monte Fuji lindo e perfeito.  É assim que ele aparece também nos desenhos, nas estampas em camisetas, nas ilustrações de chaveirinhos, de leques, de yukatás e mais um sem número de produtos.    Seja na mais fina seda japonesa ou no mais vagabundo rótulo de garrafa de água mineral  - o Fuiji san estará lá,  sempre  à vista!  Belo, imponente, majestoso!  Representando com toda a dignidade o seu papel de símbolo de um país.
 

 

  

 

 “Trinta e Seis vistas do Monte Fuji”. Xilogravuras do século 19 - artistas Hokusai  e Hiroshige.

 


 

                    O Fuji san - como respeitosamente é chamado pelos japoneses - está para o Japão assim como o Cristo Redentor para o Rio de Janeiro, a Torre Eiffel para Paris, a Estátua da Liberdade para Nova York e tantos outros símbolos que ajudam a divulgar turisticamente uma cidade ou um país e a marcarem “logotipicamente” um destino. É um símbolo, o Monte Fuji é assim, o símbolo de uma nação, mas além de tudo um símbolo natural, tão importante para os japoneses quanto o Grand Canyon é para os americanos. E não é apenas uma belíssima montanha, é o ponto mais alto do país, meio mítico, meio divinal. Para se ter uma idéia, h á pouco mais de 100 anos era considerado sagrado e somente monges e peregrinos podiam ir ao seu topo.

 


 

                    

 

Foi assim que EU vi o Fuji san...

 


                     ESCALAR o Monte Fuji é uma atividade regular mas que ocorre apenas em julho e agosto. É extremamente popular entre os japoneses, para os quais ver o sol nascer do seu cume proporciona saúde e felicidade. Uma escalada por trilhas que levam quase uma hora através de opções de trilhas divididas em 10 estágios. Os montanhistas partem do quinto estágio, ao qual se chega de carro. As principais trilhas são a Subashiri, a Gotemba, a Fujinomiya e a Kawaguchi-ko.

 

 

 

Hotel Kowaki-en - Hakone

 

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Monte Fuji, a montanha escondida

 

                       COM seus exatos 3.776 metros, o Monte Fuji fica no centro de Honshu, na província de Shizuoka, mais precisamente entre Tóquio e Kyoto. Esta é a região que encerra em si os mais marcantes contrastes entre a modernidade e a tradição, observadas desde a fulgurante e brilhosa Tóquio ao interior rural que passa pela janela do Shinkansen. Aquele cume que habita o inconsciente coletivo, isto é, quase sempre coberto de neve e rodeado por nuvens baixas, na verdade é a boca de um vulcão inativo desde 1707, mas não extinto. Suas encostas mais altas são formadas por cinzas vulcânicas soltas, pedregosas sem vegetação, árida.

 


                   AO seu redor e em seu sopé há os Cinco Lagos Fuji e as diversas atividades esportivas, culturais, de lazer e turísticas que os cercam. O Lago Motosu é o mais profundo, o Shoji o menor, o Sai o mais conservado e o que proporciona a melhor vista do monte Fuji, o Kawaguchi o de mais fácil acesso e o Yamanaka, relacionado à prática de esportes aquáticos.

 


 

  

                  O Lago Ashi, ou Ashinoko, ou ainda Lago Hakone, fica em Hakone, na província de Kanagawa, região especialmente conhecida por suas fontes termais, além da bela vista que se tem do Monte Fuji. Neste lago há vários ferry-boats e barcos turísticos que fazem passeios regulares pelo lago, um dos quais é uma réplica em tamanho real de um barco pirata, a coisa mais sem sentido que vi no Japão, ou, melhor, a única coisa sem sentido que eu vi no Japão. A maioria dos visitantes do lago Ashi hospeda-se em Hakone para aproveitar as suas fontes termais, os Onsen. É uma região belíssima com parques naturais, montanhas, lagos e cachoeiras espetaculares.

 

 

 

A Quinta Estação - Estátua aos Montanhistas

 


                   BEM, uma das principais atrações de Hakone é justamente a famosa vista do famoso Monte Fuji, mas...tudo dependerá da sua sorte de realmente ver esse vulcão adormecido sem estar encoberto de nuvens! Nada mais evidente do que numa viagem ao Japão querermos ver o fabuloso, inigualável, espetacular Monte Fuji. Mas, como toda história tem dois lados, deixem eu contar a minha.

 

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CINCO dicas para aumentar suas chances de ver o Monte Fuji como eu não vi:

 

                    PARA incrementar suas possibilidades de vê-lo como ele figura no imaginário coletivo, sugiro primeiramente - caso venha de Tóquio, como eu - passar antes num santuário xintoista ou num templo budista e pedir uma ajuda aos céus;     A segunda recomendação é ir ao Japão durante os meses de outono (especialmente outubro e novembro);        A terceira   é ir cedo, pela manhã.   As primeiras horas do dia costumam ser as mais favoráveis a que as nuvens se dissipem;      A quarta  é escolher o melhor ponto de observação, ou seja, o topo do monte onde fica o belvedere do Hakone Ropeway (ou cablecar, ou teleférico);     A quinta  recomendação é fazer um passeio pelo Lago Ashi num dos seus inúmeros barcos, de onde se tem uma das mais bonitas vistas do Monte Fuji, emoldurada por matas e por toris, cidadezinhas e hotéis em forma de palácio de arquitetura japonesa, mas...

 

 

 

As sempre presentes nuvens na Quinta Estação e o Ingresso para o Ropeway

 

                  EU fiz todo o dever de casa : passei num templo budista em Tóquio (e também num santuário xintoísta, pra garantir), escolhi o início do outono, fui cedo e subi ao topo do Monte Hakone pelo teleférico, naveguei pelo Lago Ashi, mas... a chuva e as nuvens insistiram em nos acompanhar desde Tóquio até sairmos de Hakone e...não vimos o Monte Fuji! Sim, eu fui ao Japão e não vi o Fuji san. E ainda que isso seja muito comum, é igualmente muito decepcionante.

 

 

Às margens do lago Ashi, no sopé do Monte Hakone, "olhando de frente para o Fuji san",

 

este belo hotel foi projetato com base no Palácio Real de Tóquio

 

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Banho num Onsen. O primeiro a gente nunca esquece!

 

                   ASSIM que Mishiko começou a explicar como deveríamos proceder, nos falar como são as regras de etiqueta e de comportamento num banho termal público, comecei a pensar que aquilo não era algo que me atrairia.  Aquela senhora japonesa de seus cinquenta poucos anos - guia que nos acompanhou em alguns dos trechos de nosso roteiro no Japão - detalhava perfeitamente (como em tudo mais que nos dizia) como é um Onsen, o banho termal japonês de águas sulfurosas.

 

 

 

                “UMA das coisas que não se pode perder no Japão é um banho termal japonês”, dizia Mishiko. “Esta área de Hakone é famosa por suas atividades vulcânicas e por suas águas quentes sulfurosas que brotam do subsolo e jorram sem parar”, completou ela. E continuava explicando que há um sem número de onsens públicos e privados ao redor de Hakone, sendo que um dos bons ficava justamente no Hotel Kowaki-en, onde nos hospedaríamos depois de nossa viagem de Tóquio a Hakone, passando pelo Lago Ashi, pelo passeio de barco em suas águas, pela subida ao Monte Hakone pelo Hakone Ropeway e pela “não vista” do Monte Fuji.

 

 

 

 

Foto de um Onsen no inverno (Fonte: Flickr.com)

 

                SITUADO na bela região verdejante de Hakone, este hotel foi onde ficamos uma noite após esse percurso de atividades desde Tóquio a Hakone. Ao fim do dia de tantas atividades, uma delas muito decepcionante, chegarmos ao hotel no início da noite era muito reconfortante. O hotel já conheceu melhores dias, mas é limpo (como tudo o que vimos no Japão). Também foi o mais compacto quarto de todos os que ficamos. No Japão os imóveis são sempre pequenos, mesmo os rurais. A área média de uma residência japonesa é de 70 metros quadrados para três ou quatro pessoas.

 

 

Vista seu Yukata (todo hotel que tem Onsen tem yukatas nos apartamentos) e vá para o Onsen

 

                OS banheiros do apartamento são modulares, da onipresente marca “Toto”: uns caixotes de plástico inteiriços, pré-moldados, com banheira, vaso, paredes e teto tudo formando um só bloco. Neste caso o lavatório ficava do lado de fora, portanto, eram apenas um vaso sanitário e uma banheira-chuveiro. O hotel tem dois restaurantes e é muito, muito japonês, até mesmo nos canais de TV (de LCD e digital) que só passam programas japoneses. O café da manhã em estilo oriental e ocidental é bem bacana e apetitoso, pois dá pra provarmos de tudo. Como era de se esperar, diferentemente de Tóquio e de Kioto, aqui em hakone quase não se fala inglês. É um ótimo lugar para nos sentirmos mesmo no Japão.

 

_______________________________

 

Um banho num Onsen japonês

 

                 NO interior ouvem-se apenas murmúrios e som de água escorrendo, correndo, jorrando, pingando. Tudo está calmo, tranquilizador. Isso é o que se sente num Onsen. Abaixo da terra a água prepara-se para surgir em borbulhas até a superfície através duma infinidade de canais que a levam para infindáveis banheiras naturais, lagos e piscinas. Há 150 áreas de águas termais e 14.000 Onsens em todo o Japão. Históricamente esse tesouro natural vem sendo usado não apenas como tratamento médico e de reabilitação, mas especialmente como um lugar de relaxamento e de comunicação, de promoção do auto-conhecimento. Um Onsen é um banho de água pura que caiu do céu em forma de chuva e penetrou na terra atingindo o magma, aquecendo-se para novamente subir.

 


               É uma experiência TOTALMENTE relaxante e agradável, altamente sensorial. Basta ler as regras de “etiquette” afixadas antes da entrada na área interna dos banhos, observar atentamente o comportamento dos locais, manter-se discreto, se possível quase invisível. Vista seu longo yukatá e seus chinelos especiais fornecidos no hotel ou no banho público, seguir pelo longo corredor forrado de tapete tipo tatame ladeado por jardins japoneses atrás de paredes de vidros, pegar sua toalhinha branca (sim, toalhinha mesmo!, tamanho de guardanapo), entrar na área separada para homens e mulheres (ah, você não achava que seria misto, achava?!) e dirigir-se a uma ante-sala com armários para colocar seus poucos pertences (sua nenhuma roupa, seu yukatá, seus chinelos, a chave do quarto e, talvez, seu relógio). Pegue a chave do armário, coloque-a em seu pulso (elas vêm com uma pulseira), observe discretamente como fazem os japoneses e siga seu rumo! 

 

                A primeira coisa que se faz ao entrar na parte indoor de um Onsen é jogar água quente sobre o corpo com a ajuda de um baldinho que se coloca num tanquinho com água corrente. Sempre que eu me referir a “água” num Onsen, ela será corrente, natural, quente, inodora, cristalina. A água sempre limpíssima e claríssima é assim justamente porque é corrente e filtrada naturalmente desde as entranhas da terra, bem como pelo fato de que antes de um banho todos devem se lavar completamente, com água, sabão e shampoo.

 


               ELES lhe darão uma ou duas toalhinhas pequenas para serem levadas com você ao interior dos banhos.  Uma delas é para o banho, mas que não deve ser colocada dentro d’água. Discretamente eles a colocam na frente tapando a genitália, segurando-a na altura do umbigo, com muita naturalidade. Ao entrarem a retiram. A toalhinha serve para colocar-se sobre a cabeça (sei lá pra que) e depois para se enxugar ao final do banho.

 


               ANTES de entar na piscina indoor há uma área destinada ao banho. Nela há uns boxes abertos, separados do outro por uma parede baixa. Em seu interior há um banquinho de plástico, uma bancada azulejada como tudo mais - das paredes ao teto -, um chuveiro de mão tipo ducha e uma bancada com sabonete líquido, shampoo e rinse. Tudo da marca Shiseido, da melhor qualidade, japonês. O ambiente todo é bastante original, 100% autêntico, a não ser por mim, único ocidental naquele momento. A piscina é rasa, o suficiente para nos sentarmos e ficarmos com água pelo pescoço, ou, se preferir, num degrau onde se senta e se fica com ela na altura na barriga.

 

 

 

 A estação do Ropeway (sob nuvens!) e o Barco no porto de Hakone-en, no Lago Ashi

 

                 NO início eu fiquei meio sem jeito. Achava meio esquisito estar entre aquela japonesada pelada. E fazia o possível para ser natural, procurando me comportar imitando o comportamento dos locais. Com o tempo fui ficando inteiramente à vontade e confortável, profundamente relaxado, não apenas pela meia-luz ambiente, mas pelo silêncio e, é claro, pela excepcional sensação de um ban ho quente em águas sulfurosas correntes. Uma das coisas que contribui para o bem-estar é o fato de que os japoneses respeitam a etiqueta e não conversam. Eles realmente relaxam, meditam, comportam-se discretamente. E não é que ao final eu estava me sentindo mais “em casa” do que na minha própria casa?!

 

 


               MAS o que mais gostei mesmo foi de sair do onsen indoor e ir pro onsen outdoor, ou rotemburo. No interno há uma aprede de vidro que dá rpa uma a’rea ajardinada mas coberta, interna. No de fora é uma parte ao céu, outra com uma cobertura de sapê e envolto por jardins, pedras, uma cachoeira artificial de água quente natural e um céu estreladíssimo! Fiquei pensando por quê aquele céu limpo não apareceu de manhã para que eu pudesse ver o Monte Fuji (aquilo nõ me saia da cabeça!). Havia também uma sauna nesta área externa. É claro que não é permitido tirar fotos, mas bem que eu pensei nisso... 

 


              HÁ também um pequeno espaço para massagem, um pequeno cabeleireiro, um esterilizador dos chinelos de luz ultra violeta e o pessoal que atende é polido, sério, conciso, educado. Mas isso é lugar-comum no Japão.

 

Um Onsen japonês na Internet

 

http://www.saunas.com/FAQ's/Saunas%20of%20the%20World/japaneseonsen.aspx

 

Fotos Monte Fuji no Flickr

 

http://www.flickr.com/search/?q=Mount+Fuji

 

MAPA Satélite (interativo)

 

http://wikimapia.org/#lat=35.2393802&lon=139.0125847&z=14&l=9&m=a&v=2

 

Passeio virtual pelo Monte Fuji (fotos panorâmicas)

 

http://www.panmap.com/japan/fuji/kawaguchi/index_pt.html

 

Reader Comments (16)

Arnaldo,
Deve ter sido realmente decepcionante não ver Fuji san. Na minha imaginação, ele está sempre lá. Como pôde ter saído? No Chile, também "quase" não vi o Osorno, mas eu assoprei tanto, tanto, tanto que as nuvens saíram e ele apareceu garboso. Acho que faltou isso para você: assoprar. Adicione este item na lista do que fazer para ver o Fuji. Belo relato, como sempre. Coisa de historiador. Parabéns.

ANNA FRANCISCA, eu me esqueci de dizer que não apenas eu e minha mulher, mas o grupo de mais seis pessoas que estavam conosco, em CONJUNTO, assopramos sim. Foi até uma brincadeira que surgiu naturalmente e quase ao mesmo tempo em todos. Mas o tempo estava realmente FECHADO (não apenas "nublado") e não deu jeito....

Obrigado pela visita, pela dica e pela mensagem.

Oi Arnaldo,

Adorei a descriçao do seu banho Onsen! Fiquei morrendo de vontade de experimentar!

As vezes o tempo nos prega cada peça! Eu nao tenho nenhuma daquelas fotos "tipicas" do Kremlin em Moscou, pq as nuvens cobriam tudo e mal dava pra avista-lo... (e là tb nao teve sopro que resolvesse)... è bem frustrante... Alias, a Russia foi o pais campeao de "instabilidade climatica" que ja visitei...

10:00 | Unregistered CommenterLuisa

Arnaldo,
Acabei de chegar do Fuji Speedway (além de viagens, sou fã de F1) e vi o monte só no primeiro dia. No sábado, parcialmente e no domingo nada!
Sinceramente, ver o autodromo com o Mt. Fuji ao fundo não tem preço!
E eu não canso de ver!

0:05 | Unregistered CommenterAline

ALINE, que bacana! Que saudades do Japão! Como gostei desse país...Sabe?, pretendo retornar, sem dúvidas...

Da proxima vez venha na primavera. Eu tambem fiquei frustrada quando fui a Hakone pela primeira vez e nao consegui ver o Fuji san.Estou aguardando as fotos do Kinkakuji.

9:50 | Unregistered CommenterNeide

Arnaldo,
Maravillosas fotos do Japão e lindas ilustraçãos do Monte Fuji como centro e símbolo da vida do Japão. Você descreve muito bem a cultura japonesa.
Em o mes de junho eu fui com Nick & Riq a uma exposição em a Pedrera de gravados e ilustraçãos japoneses dos séculos XVIII e XIX - obras cedidas por a Bibliothèque Nationale de France- Eu vi obras de Utamaro. Hokusai e Harunobu e muitas vistas do Monte Fuji. Ilustraçãos bonitas, fortemente estéticas: SENSORIALES (como você dize).
Um abraço

15:15 | Unregistered CommenterCarmen

OI Arnaldo,
Compartilho com vc essa descepçaozinha de nao ter visto o Fuji San na sua passagem pelo Japao... eu teria tido um ataque, com certeza e o Kiko (marido) estaria ouvindo até hoje eheheh...
Mas viagem é assim mesmo, né? E faz parte...
Quanto ao banho, depois peça para sua esposa contar como foi a parte da toalhina na parte feminina, queria tanto saber!
Fiquei aqui rindo da sua descrição do Onsen, pois quando fui no Polynesian Spa de Rotorua (Nova Zelandia) foi totalemnet o oposto (e acho que BEMMMMM mais barato)... uma falação sem tamanho e não tinha esse chique todo (ehehehe!)... mas foi muito relaxante e adorei! Fiquei com muita vontade de ir a um lugar mais tranquilo como esse, o Kiko curtiria muito mais.
Abs

0:09 | Unregistered CommenterMirella

NEIDE, as fotos do Kinkakuji não estão lá essas coisas. Estava chovendo e só ficaram medianas quando abriu um pouco mais de luz e parou de chover. Mas certamente já preparei um capítulo sobre ele. Aguarde. Onrigado.

CARMEN, que bacana! Que coincidência a exposição em barcelona e mais, ainda acompanhada do Riq e Nick. Obrigado pela visita e comentário.

MIRELLA, legal seu comentário. Mas olha, minha mulher disse que no feminino não era assim tão "zen" quanto no masculino e que ela não estavam nem aí pras toalhinhas!

O estilo japonês deusar os Onsens não é chique, assim como o hotel nada tinha de chique, mas eles são muito discretos nessa hora, e educados rpa caramba...


Pode estar certa de que seu marido gostaria da experiência, porque é realmente extremamente relaxante tanto física quanto mentalmente.

A bruma é formosa e fotogênica, cria umas imagens fantasmagóricas do paisagem. Bonitas fotos (slide)

12:33 | Unregistered CommenterCarmen

OI Arnaldo, a mulherada adora um bate-papo, né?! eheheh
Ai gente, eu bem que gostaria de entrar de biquini ahahah
abs

13:40 | Unregistered CommenterMirella

Que pena o Monte Fuji...mas nada que uma próxima viagem não resolva, hehe...
E adoraria também o onsen, relaxar é comigo mesmo ;-) Seguindo na linha de banhos comunitários, eu acabei experimentando uma noite de hamam em Istambul...e aprovei!

18:46 | Unregistered CommenterEmília

Olá...gostaria de saber se vc saberia me informar o nome do hotel Às margens do lago Ashi, no sopé do Monte Hakone!!!!!!! Obrigada pela ajuda

11:45 | Unregistered CommenterMarcela

Mto legal seu relato sobre o temperamental Fuji. Muitas vezes não dá para ver nada mesmo.
O navio pirata tem um porque de existir: dizem as histórias antigas que, nos tempos do Japão fechado para o mundo, navios piratas sempre faziam paradas em Hakone, clandestinamente. E ocorria um intenso e oculto comércio de contrabando entre japoneses e estrangeiros. Como a região era pouco vigiada (olhares mais atentos para a capital Kyoto e cidades grandes), a região era conhecida como a Terra dos Piratas do Estrangeiro. Por isso, o barcão. E são ao todo 4 galeões em cores diversas...
mto legal seu post

AMEI ESTE BLOG. E O JAPÃO É UM PAÍS QUE EU QUERO MUITO VISITAR, PRINCIPALMENTE A CIDADE DE KYOTO. SIM, PORQUE O JAPÃO MODERNO NÃO ME FASCINA, COMO TÓQUIO.
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deve ter sido muito mau não ver o monte Fuji... ir ao Japão é o meu sonho se não conseguise ver a primeira tentava sem parar mesmo que perdesse o meu voo

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