MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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« Planeje bem, viaje melhor! | Main | Tiradentes e São João del Rei »
Sábado
Nov222008

O patrimônio arquitetônico de Tiradentes

              TOMBADO pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o conjunto arquitetônico e natural de Tiradentes permanece quase inalterado.  A maior parte do conjunto de edificações históricas coloniais, tanto as civis quanto as religiosas, são das primeiras décadas do século XVIII.

    

              AS Igrejas de Nossa Senhora do Rosário e da Matriz de Santo Antônio, por exemplo, são de 1708 e de 1710, respectivamente. Tudo fica na ou nas proximidades da Rua Direita, a principal da cidade. Esse conjunto de imponentes construções são o grande destaque e principal atração de Tiradentes. O visitante que visitá-lo conhecerá a arquitetura, histórias, imagens, objetos e casos que guardam a história da época do Ciclo do Ouro, que culminou com a Inconfidência Mineira.

     

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O Barroco Mineiro - A arquitetura e a ornamentação na Comarca do Rio das Mortes

                A distância geográfica do litoral que dificultava fortemente a importação de material e de técnicas construtivas para a Capitania de Minas Gerais, diferentemente do que ocorria no Rio de Janeiro e do Nordeste do Brasil, bem como o isolamento imposto pela Corôa portuguesa para defender o domínio do ouro, foi o que proporcionou o forte impulso ao desenvolvimento de uma arte barroca colonial com características muito próprias, um estilo bastante regional, que mesmo apoiado no barroco europeu, caracterizou-se pelo emprego de matéria prima da região - notadamente o quartzito e a pedra-sabão - e por grande personalidade na arte da ornamentação, seja na talha, na pintura e na cantaria. 

             TUDO isso exigiu criatividade, cuja pintura que simulava o mármore inexistente na região era um dos melhores exemplo dela. Todos os processos construtivos e ornamentais foram desenvolvidos com expressão própria, o que acabou por desenvolver um estilo único que veio a ser denominado Barroco Mineiro.

   

              TAMBÉM a sociedade da capitania - que fundamentalmente organizava-se em irmandades religiosas, diferentemente das demais capitanias, e agrupava-se nessas irmandades em classes sociais definidas por critério racial, algumas das quais eram irmandades leigas, não reconhecidaas pelo clero - também é considerada pelos estudiosos como um dos fatores determinantes para o surgimento do Barroco Mineiro. Na época, a importância de um povoado era mais religioso do que econômico, o que era demonstrado na imponência das capelas, igrejas ou matrizes das respectivas irmandades. E a natural rivalidade entre elas determinou a construção de templos cada vez mais imponentes e suntuosos.

 

              EM toda região o estilo que predominou nas construções civis e religiosas da Comarca do Rio das Mortes foi o barroco originário de Portugal, isto é, desenvolvido a partir de estilos arquitetônicos e ornamentais importados de Portugal, alguns dos quais chegavam através de projetos e desenhos prontos, e também através de imagens e azulejos de revestimento que vinham nos navios portugueses que aportavam no litoral e chegavam às Minas Gerais em lombos de burros, mas seguindo as tendências arquitetônicas da metrópole.  

  

    

             NOS primeiríssimos anos da colonização, os oratórios trazidos opelos bandeirantes e depois pelos primeiros colonizadores, foram a primeira manifestação religiosa. Depois dela a providência tomada pelos habitantes dos arraiais mineradores era a de construir uma capela simples de pau-a-pique, aquela que seria mais tarde “engolida” por uma igreja. Artistas locais e de toda a colônia, além de Portugal, afluiam para a Capitania de Minas Gerais para decorar e ornamentar essas capelas e igrejas, que aos poucos foi evoluindo em arte própria e diferenciada de todo o restante da colônia, evolução que se nota especialmente nos templos da região do Rio das Mortes, os quais apresentam elementos ornamentais de três fases do barroco mineiro: nacional português, D. João V ou joanino, e rococó. 

 

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Os destaques

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A Matriz de Santo Antônio

                    TODAS as ruas de Tiradentes conduzem a uma das mais belas igrejas coloniais de Minas Gerais. Não há dúvidas de que a Matriz de Santo Antônio - a mais importante igreja de Tiradentes - é uma das mais belas e ricas igrejas barrocas da região do Ciclo do Ouro, cuja construção é estimada como sendo do ano 1710, porque não há documentos precisos que confirmem essa data.

    

                  A matriz de Tiradentes é uma das mais impressionantes igrejas mineiras e ainda que sua fachada seja relativamente grandiosa, seu interior é muito mais imponente. É a segunda igreja em quantidade de ouro gasta na sua onamentação em todo o Brasil (a primeira fica em Salvador) e internamente é um dos mais belos exemplos do barroco brasileiro.

A fachada

               A construção fica num grande adro protegido por uma balaustrada artística, uma escadaria de pedra, um fronstispício de linhas harmoniosas e elegantes, uma bonita portada principal guarnecida por uma talha em pedra, duas janelas com vidraças que se assemelham arquitetônicamente a duas sacadas, estas guarnecidas de portais e pequenas cimalhas de pedra, cunhais e pilastras de cantaria que terminam numa cornija superior arqueada no centro para dar lugar ao óculo e a um frontão em cujos lados há duas belas torres sineiras com um relógio em cada uma delas.

   

           O conjunto da fachada é limitado por graciosas curvas de ornatos tipicamente barrocos. O frontão termina encimado por uma bela cruz. (1) (Ver: Glossário de Arquitetura e Ornamentação). Um Relógio de Sol ornamenta a fachada da bela igreja e que acabou por tornar-se o símbolo da Cidade de Tiradentes.  Não é de sua autoria a fachada original, mas ela foi modificada em 1810 a partir de um risco encomendado a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

  

O interior

          Impressionante. O retábulo do altar-mor desta igreja é suntuosamente impressionante. São quatro colunas cujos fustes são delicada e finamente esculpidos e ornados, em cujo topo terminam em capitéis jônicos (uma das três ordens clássicas da arquitetura: dórico, jônico e coríntio e, ainda, o compósito) que sustentam uma linda cornija branca que contrasta com o dourado de todo o retábulo. A cornija, por sua vez, termina superiormente em quatro volutas que servem de apoio a quatro anjos. Sobre o trono há um dossel de onde se abre uma cortina que revela o altar. Infelizmente não é permitido fotografar o interior da igreja.

  

            Este trono de complexa e profusa ornamentação abriga a imagem de Santo Antônio e, em meio a esta profusão de ornatos, acima do dossel, está fica uma tarja dourada. O teto da capela-mor é decorado com um desenho complexo onde predominam elementos estilizados da flora. Na parte inferior do trono fica uma balaustrada que lateralmente se transforma em tribunas ornadas por anjos com lanças em atitude de guarda. 

            

                 Em ambos os lados da capela-mor há painéis em forma oval guarnecidos por uma moldura fina e delicada, os quais representam a Última Ceia e uma cena bíblica. Em cima desses painéis há óculos envidraçados guarnecidos por ornatos. O teto da nave é decorado por caixotões com pinturas. Há altares laterais igualmente ricamente ornados com arquivoltas e dosséis em talha dourada.

 

  

             O púlpito, todavia, é simples mas encimado por rico trabalho de ornamentação. A balaustrada inferior que separa a capela-mor dos altares laterais é considerada bastante original, pois em vez de ser torneada, como era comum, é entalhada em madeira em caprichoso desenho.

 

            O coro tem pilastras trabalhadas, em cujo topo há bonitos festões. Todavia sua balaustrada é simples, cuja cor branca e levemente torneada harmozina-se perfeitamente com o conjunto do qual faz parte. Ao lado desse coro fica o belíssimo e raro órgão trazido de Portugal em 1788, considerado um dos quinze mais importantes do mundo, e cuja decoração tomou o partido justamente da desigualdade dos tamanhos dos tubos sonoros e em cujo todo dois anjos tocam trombetas. O conjunto todo desse igreja é imponente e causa impacto.

  

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Outros destaques do patrimônio arquitetônico de Tiradentes

  

                  ALÉM dos monumentos tombados isoladamente – tais como a Matriz de Santo Antônio, a Igreja do Rosário, as Capelas de São João Evangelista, de N.Sra. das Mercês, de São Francisco de Paula e da Santíssima Trindade, as casas do Padre Toledo e de Custódio Gomes, além do Chafariz de São José - todas as demais edificações do conjunto urbanístico histórico de Tiradentes é muito atraente e consegue emoldurar com perfeição, destacando e valorizando com homogeneidade os bens mais importantes, tanto que todo o conjunto foi tombado pelo IPHAN. É justamente esse tombamento, que se deu inicialmente em 1938, que tornou possível a preservação das características coloniais urbanísticas e arquitetônicas.

 

               Excetuando-se algumas poucas capelas, as construções religiosas na época do barroco mineiro passaram por um precesso de evolução construtiva que caracterizou-se por obras muito mais elaboradas arquitetônicamente, ornamentalmente apresentando maior erudição, principalmente por maior poder econômico das irmandades e por infuência de artistas portugueses.

 

   

                Os processos contrutivos, tecticamente falando, também tornaram-se mais modernos e possibilitaram construções maiores e mais arrojadas em termos estruturais. Usando como base as primitivas capelas, estas eram absorvidas por uma igreja maior, de tal forma que ao final da construção a capela original estava toda no interior da nova igreja. Iniciava-se a construção ao redorda capela-mor e da sacristia da capela e após isso faziam-se o telhado, as paredes da nave e as torres. Por fim retirava-se a cobertura original da capela e derrubava-se a parede frontal da capela primitiva, cobrindo-se tudo com um telhado definitivo.

 

Chafariz São José

             ESSA obra constitui-se numa grande curiosidade dos tempos coloniais, pos além de interessante do ponto de vista dos belos e sóbrios ornatos, é talvez o único que servia a múltiplas finalidades: fornecimento de água potável (já que não havia água encanada), bebedouro de animais, lavanderia e até mesmo oratório público, já que ostenta em seu centro um harmonioso frontispício com um nicho envidraçado com uma imagem de São José de Botas, feita no século XVIII, em terracota, em seu interior.

           Construído no Século XVII, é um dos poucos que ainda funciona. É considerado uma obra-prima e fica no começo da ladeira que leva à Matriz. Sua água vem de uma nascente a mil metros de distância através de um aqueduto construído por escravos. Ainda que em Ouro Preto haja “concorrentes” à sua altura, é considerado um dos mais bonitos de Minas.

    

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

             ESSA capela ocupa um ponto central na cidade e compõe um conjunto agradável com a Cadeia Pública e uma das capelas dos Passos da Paixão. Pequenina, de fachada simples, construída em cantaria em lugar de uma capela primitiva, tem três altares de talha executados em meados do século XVIII e as imagens dos santos negros São Benedito, Santo Antônio de Cartagerona e Santo Elesbão. Seu interior é bem decorado , cujo teto da nave tem pinturas a óleo já bem danificada, e o da capela-mor tem pinturas em perspectiva. O altar-mor é ornamentado em talha policromada. A Festa do Rosário, comemorada sobretudo por negros, acontece aqui em Tiradentes assim como em todas as cidades históricas. A singeleza desta igrejinha é valorizada pelo seu agradável entorno.

 

Cadeia Pública

              ESTA edificação, com suas 14 janelas e forros pintados a óleo, foi construída pelo mestre pedreiro Francisco da Silva Miranda, em 1833, no lugar à antiga cadeia que pegou fogo e foi destruída. É um prédio de linha austera com janelas de cantaria com pesadas grades.

            A Vila de São José foi uma das poucas a possuir a cadeia em prédio próprio, diferentemente de outras cidades, onde ficava no prédio da Câmara Municipal. Hoje abriga o Museu de Arte Sacra (Antiga Cadeia) desde 1984, passando a chamar-se Museu de Arte Sacra Presidente Tancredo Neves, inaugurado em 1989 com peças doadas por colecionadores particulares. Fica na Direita, s/nº e pode ser visitado diariamente das 12h às 17h.

 

Monumento a Tiradentes

FICA no Largo das Forras e é o segundo monumento em homenagem ao herói da Inconfidência Mineira. Este foi construído 1892 pelo povo da cidade, na data da celebração do aniversário da morte do Alferes.

 

Capela de Nossa Senhora das Mercês

(Igreja Nossa Senhora das Mercês dos Pretos Crioulos)

ESTA capela é no estilo rococó, do final do século XVIII, cujos destaques são o altar policromado, os dois belos forros ornados compinturas em estilo rococó, cujas cenas são alusivas à Virgem Maria, além da imagem da padroeira. Ela pertencia à irmandade dos pretos crioulos, ou seja, os negros nascidos no Brasil. A pintura da capela – executada no início do século XIX - é de Manoel Victor de Jesus, um pintor mulato que morreu em 1828.

    

Capela de São João Evangelista

CAPELA que pertencente à irmandade dos Homens Pardos (mulatos), cuja fachada simples esconde um interior ornado em estilo rococó. São três altares laterais em estilo rococó – do princípio do século XIX - e o altar-mor com pequenos detalhes em talha de madeira em diferenets estilos. Um conjunto de imagens executadas pelo mesmo mestre escultor santeiro, o destaque é o Calvário, composto por peças grandes com mais de dois metros de altura. Este é outro dos mais importantes integrantes do conjunto urbanístico histórico da cidade, bem junto à Casa do Padre Toledo. A construção é típica da época, em sua alvenaria de taipa e fachada simples. Todavia, tipicamente tem interior requintado e com belíssima ornamentação rococó em seus três altares. Na capela-mor há duas pinturas a óleo que retratam o Apocalípse.

 

Casa do Padre Toledo

ATUAL Museu Padre Toledo – que pertence à Fundação Rodrigo de Melo Franco - esta construção é do final do século XVIII. Na fachada destacam-se as esquadrias em cantaria. Em 10 de seus 16 cômodos há sete forros pintados, cujo destaque é o que representa os cinco sentidos através de figuras da mitologia grega. Neste casarão morreu o Padre Toledo, um dos mais importantes membros da Inconfidência Mineira e um dos locais de sua conspiração, em 1788 abrigou a primeira reunião dos conjurados. O museu abriga peças de mobiliário e obras de Mestre Ataíde, relativamente incomuns, já que este era proeminente pintor de forros de naves de igrejas, tão importante quanto Aleijadinho.

 

“No alto de uma colina, um caminho de lajeado conduz à Santíssima Trindade”

 

Capela (ou Santuário) da Santíssima Trindade

NO alto de uma colina da qual se tem uma bela vista da Serra de São José, o acesso a esta singela igrejinha se dá através de um comprido caminho de lajotas de pedras que termina numa escadaria que conduz ao seu adro cercado por um muro e por grades. É uma bela moldura que enriquece a singeleza desta capela. Tiradentes frequentava esta igreja, cujo destaque interior são a imagem que representa o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Pinturas e os painéis decorativos que ornam a nave e a capela mor. A importância religiosa decorre de ser a sede do Jubileu da Santíssima Trindade, uma festa religiosa que atrai romeiros e acontece em maio ou junho de cada ano.

 

Cadeia Pública

O prédio foi reformado e destaca-se na paisagem. Foi inaugurado em 1730,como Cadeia Pública e passou por sucessivas restaurações, até abrigar oMuseu de Arte Sacra, qua não mais existe. Atualmente serve para exposições e concertos.

 Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

OS destaques desta igreja construída por escravos em 1708, daí seu nome, são as pinturas no teto e o arco de pedra. As imagens mais destacadas nos altares são de santos negros, já que aos negros eram dirigidos os cultos.

    

Capela do Bom Jesus da Pobreza

NO Largo das Forras, o largo mais espaçoso do centro histórico de Tiradentes, e perto do sobradão onde fica a Prefeitura da cidade, fica esta igreja inaugurada em 1750, a modesta Capela do Bom Jesus da Pobreza – cujo frontão em volutas e o interior com uma interessante imagem do Cristo Agonizante, talvez a mais bonita da cidade, cujas gotinhas de sangue são pedrinhas de rubis - são os destaques. A fachada é elegante, discreta, asism como o interior, todo branco, para destacar as bonitas imagens. Na Sacristia há ex-votos bem antigos e originais, curiosos.

 

Igreja Nossa Senhora do Rosário

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é tida como a mais antiga da cidade. A primitiva capela foi erguida pela Irmandade dos Homens Pretos, provavelmente, em 1708. A portada e o frontão com volutas bem desenhadas dão graciosidade ao frontispício em alvenaria de pedra. Na capela-mor, interessante pintura em perspectiva retrata a Virgem entregando o Rosário a São Francisco de Assis e a São Domingos Gusmão. O forro da nave foi pintado por Manoel Victor de Jesus e representa os quinze mistérios do Rosário. Localização: Rua Direita – Centro.

   

 

Capela de São João Evangelista

Construída a partir de 1760, a Capela de São João Evangelista abriga as irmandades do santo padroeiro, de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora das Dores. A larga fachada é uma característica local. A ausência de torres faz com que a sineira seja alojada em uma das janelas laterais e o telhado se prolongue, enfatizando a horizontalidade do partido arquitetônico. Internamente, o arco cruzeiro e os altares laterais apresentam talha rococó de boa qualidade. Na capela-mor está sepultado Manoel Dias de Oliveira, um dos mais expressivos compositores da época. Localização: Rua Padre Toledo – Centro.


Prefeitura Municipal

 Único prédio da cidade com dois andares e uma água-furtada.

 Câmara Municipal

 Localizada próxima à Matriz, na ladeira que é caminho para esta, construída em meados do século XVIII, servia para abrigar a administração pública no período colonial e imperial. A Câmara Municipal de Tiradentes foi construída longe da cadeia pública, o que é incomum na maioria das cidades do século XVIII.

 

Casa da Cultura

 Foi construída no Século XVIII, guarda microfilmes de 280.000 documentos do acervo da Arquivo Ultramarino de Portugal e referentes ao Brasil Colonial.

Calçamento

 Várias ruas da cidade contam com calçamento singular, em pedra capistrana.

 

Ponte sobre o Ribeirão Santo Antônio

 Ponte em duas arcadas romanas, construídas em pedra sobre o Ribeirão Santo Antônio, em fins do século XVIII.

    

(1) Glossário de Arquitetura e Ornamentação:

 ABÓBADA — Texto côncavo ou cobertura curva de uma superfície, existindo com variados tipos. ABSIDE — Área semicircular, ao final da nave de uma igreja, é limitada pelo transepto e destina-se ao altar-mor, geralmente. ADRO — Espaço livre e sem cobertura, na frente de uma igreja. ARCO — Elemento construtivo curvo, que cobre um vão, exercendo funções estruturais. Há arcos de diversos tipos. ARCO BOTANTE — Elemento de construção, externo, para reforçar estruturalmente paredes submetidas a fortes cargas, típico da arquitetura gótica. ARCO CRUZEIRO — Arco que separa a nave da capela-mor, nas igrejas. ARQUIVOLTA - termo de origem latina – arco + volta, é um elemento arquitetônico decorativo utilizado em conjunto (várias arquivoltas) a emoldurar uma abertura em arco, referindo-se geralmente à sua aplicação em portais de entrada de igrejas ou catedrais em estilo românico ou gótico. ÁTRIO — Grande vestíbulo ou pátio que, aos palácios, vai da entrada até a escadaria principal que leva ao segundo pavimento. BALDAQUINO — Elemento construtivo que, como um dossal, cobre o altar principal de uma igreja. BEIRAL — Parte do talhado que fica saliente em relação à parede, protegendo-a da chuva. BOTARÉU — Reforço estrutural colocado na parte externa de uma parede sujeita a fortes cargas. CAPELA-MOR — Área de uma igreja onde fica situado o altar-mor. CAPITEL — Parte superior de uma coluna. CIMALHA — Elemento horizontal de terminação de uma construção; espécie de moldura que serve de boas ao frontão. COLUNA — Peça vertical de sustentação em uma construção. COLUNA TORSA ou SALOMÔNICA — Coluna cuja área central, é helicoidal ou em espiral. COLUNATA — Série de colunas com espaçamento regular e simetricamente dispostas. CORNIJA — Parte mais elevada de um entalbiamento clássico ou conjunto de molduras que arrematam a parte superior de uma construção. CORO — Área em uma igreja destinada aos que cantam durante os ofícios religiosos. CUNHAL — Quina ou encontro de duas paredes, em ângulo externo. DOSSEL — Cobertura colocada à meia-altura no interior de uma peça ou sobre um elemento, como um púlpito, por exemplo. ENTABLAMENTO — Conjunto de molduras que formam a parte superior de uma construção. ENTORNO — área adjacente ou próxima a uma construção. FRONTÃO — Parte superior das construções, acima da corrija ou da cimalha, pode ter forma triangular ou com desenhos caprichosos. FRONTISPÍCIO — Fachada de uma construção. FUSTE — Corpo da coluna, ou sua parte central, que fica entre o capital e a base. NAVE — Área onde ficam os fiéis em uma igreja. ÓCULO — Janela ou abertura de formas circular. PILASTRA — Elemento de sustentação de formas quadrada ou retangular e que é incorporado à parede que sustenta. PORTADA — Grande porta decorada. PÓRTICO — Vestíbulo aberto ou entrada de uma grande construção ou portal de um edifício. QUERUBIM — Pintura ou escultura de um pequeno anjo. RETÁBULO — Parte do fundo do altar-mor, geralmente pintada ou decorada, e que forma uma espécie de nicho, sempre ornamentado. ROCOCÓ — termo originário da palavra francesa ‘rocaille’, que significa “concha”, está sempre associado a certas fórmulas decorativas e ornamentais tais como por exemplo a técnica de incrustação de conchas e pedaços de vidro usados na decoração de grutas artificiais. O rococó foi um movimento artístico europeu surgido na França, entre os movimentos do barroco e do neoclassicismo. Para alguns estudiosos foi clasificado como uma variação “profana” do barroco, a qual surgiu a partir do momento em que o Barroco se libertava da temática religiosa e começava a ocorrer também na arquitetura civil. Numa definição extremamente simplista e resumida, o rococó é o barroco levado ao exagero. TARJA — Faixa esculpida ou pintada, usada como elemento decorativo. TRANSEPTO — Árrea transversal nas igrejas que se situa entre a capela-mor e a nave. VOLUTA — Elemento decorativo em espiral usado em capitéis e fachadas. Fonte: MELLO, Susy de, BARROCO, Col. Primeiros Vôos, Ed. Brasiliense, S.P., 1983, pp: 105-118

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Onde Comer bem em Tiradentes

 TODAS as delícias da culinária mineira se reúnem em Tiradentes, repleta de restaurantes de comida regional. Nos cardápios, os destaques ficam por conta do feijão-tropeiro, do tutu, do torresmo e, em especial, das receitas que combinam frango e angu com ora-pro-nóbis, uma espécie de folha com um gostinho único e bastante usada na região. Na hora da sobremesa, tome o rumo da casa do Chico Doceiro e não desperdice a chance de saborear um dos cajuzinhos mais famosos de Minas.

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Quartier Latin

Rua São Francisco de Paula, 46

Pequeno, com apenas nove mesas, um charmoso bistrô com comida variada e

cujo interior é aconchegante por conta da iluminação de velas e música agradável.

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Taberna Padre Toledo

Rua Direita, 250

A cozinha mineira deste que é mm dos mais tradicionais de Tiradentes

é servida nos salões de num belo casarão de 1722 decorado com móveis em jacarandá.

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Trattoria Via Destra

Rua Direita, 45

Sim, um autêntico italiano na cozinha e na decoração, com interior colorido e aconchegante.

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Theatro da Villa

Rua Padre Toledo, 157

Um teatro de arena nos fundos da casa dá nome ao restaurante de comida variada.

O interior tem um jardim de inverno com chafariz e uma bonita vista panorâmica.

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Tragaluz

Rua Direita, 52

Café-restaurante e café instalado numa das mais bonitas casas de Tiradentes,

onde se come boa cozinha variada.

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Viradas do Largo

Rua do Moinho, 11


Cozinha mineira num casarão colonial que também vende de produtos como lingüiça,

fubá, cachaça, doces, queijos e geléia de mocotó.

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- Atrás da Matriz

Rua Santíssima Trindade, 201

A comida variada do restaurante é servida num agradável ambiente em estilo colonial decorado com peças de artistas locais e com uma vistacharmosa.

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- Conto de Réis Steak House

Praça das Mercês, 49

Especializado em carnes, fica numa pequena casa de fachada simples mas de interior aconchegante.

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- Chico Doceiro

Rua Francisco de Morais, 74

Docinhos feitos pela família proprietária da doceria que fFica instalada na garagem da casa.

Os doces são servidos num balcão montado ali desde 1965.

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 - Pau de Angu

Estrada para Bichinho, Km 3

Comida mineira feita em o fogão a lenha, tem instalações mais que simples, rústicas,

numa casa simples no meio de um pasto com a Serra de São José ao fundo.

 

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Próximo Capítulo

 Bichinho e Prados

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Como sempre é bom rever as viagens pelo seu blog. Para quem for,e tiver disposição para caminhar, recomendo o caminho da trilha do ouro, a pé, que é feito por diversas agências da Cidade, uma caminhada de 5 horas, pela antiga trilha do ouro, e com uma linda vista da Cidade.

9:46 | Unregistered CommenterErnesto

Magnífico post sobre Tiradentes. Arnaldo, lhe dou os parabéns. Eu adoro o Barroco colonial. Este Barroco minero de Tiradentes é a melhor mistura do Barraco da América e da Europa. A igreja de Nossa Senhora do Rosário e da igreja a Matriz de santo Antônio são exemplos ótimos do Barroco tardio. A pintura amarela como símbolo do ouro recorda ao Barroco e Rococó centroeuropeo. Tiradentes conjuga arte e paisagem de forma ótima, acertadíssima. Belo lugar brasileiro. Parabéns.

Eu gosto das fotos e especialmente da foto do ponte sobre o rio

18:03 | Unregistered CommenterCarmen

ERNESTO e CARMEN, muito obrigado pelos comentários, que na verdade são comprelentos, enriquecem as matérias. CARMEN, vc está esrcevendo MUITO bem em português! Parabéns.

Arnaldo! Estamos em sintonia! Eu estive em Tiradentes no dia 23/11, na volta de um "programinha de índio" que publicarei assim que sobrarem uns minutinhos.
Uma das minhas dúvidas era o nome da cidade de Tiradentes antes da "celebrização" do próprio. Essa você já resolveu: São José, que se não me engano era o nome da fazenda onde ele nasceu. Aliás, São João del Rey requisita para si o título de cidade natal do mártir, pois a tal fazenda pertencia ao arraial, logo, na época do nascimento, Joaquim José era um legítimo cidadão Sanjoanino.
A outra dúvida que me assalta é sobre a personalidade das cidades de Tiradentes e Paraty. As duas surgiram a partir do ciclo do ouro, foram ativas participantes da Estrada Real, passaram por uma decadência e foram redescobertas pelo turismo por volta da década de 80, no século passado. Poizé, mas houve ínumeras outras cidades da mesma rota que se desenvolveram, ou até mesmo desapareceram (como Biri-Biri, perto de Diamantina). Acontece que Paraty e Tiradentes parecem GÊMEAS, de tão idênticas: ambas tem uma forte vocação turística, um imenso patrimônio colonial bem preservado, um artesanato MUITO SIMILAR (acho até que tem convênio entre os artesãos), uma extensa programação cultural (festivais de cinema, literatura, etc) e festivais gastronômicos sofisticadíssimos (baideuêi, em agosto rola o Festival Gastronômico, e o Santo Ofício tem sempre um menu bacana). Não é curioso que as outras cidades da Estrada Real não tenham requerido pra si esses atributos? Comecei a pensar nisso em março, quando estive em Paraty. Já pensei até em fazer um post sobre o assunto, mas tenho certeza que você tem fotos mais bacanas e faria uma abordagem mais séria. Abrassss

8:49 | Unregistered CommenterMeilin

MEILIN, fantástico seu comentário, apropriado e maduro. Sua visão diferente da minha é o que mais aprecio na humanidade (confesso que não sou ando muito fã da humanidade nesses tempos...) - justamente a capacidde de enxergarmos coisas diferentes e antagônicas ainda que olhando para o mesmíssimo lugar.

Portanto NÃO TEM essa de "você faria uma abordagem mais séria". As suas abordagens são sérias e têm conteúdo, apenas são diferentes. E isso é ótimo.

Sobre Tiradentes e São João del Rei, a primeira é aquilo que vc leu e viu, a segunda, decepcionante, descaracterizada, virou uma cidade grande de interior, ainda que com belo patrimônio, escondido pelo novo.


Tenho dois capítulos já escritos para São João del Rei e um para "Bichinho", um lugarejo no meio do nada entre Tiradentes e Prados que está ligada por estrada de terra a ambas. Você vai gostar do texto e das fotos e eu lembrei de sua matéria sobre o passeio da lama ("Canastrona").

A razão porque algumas cidades não progrediram tanto é simples: pouco ouro ou lavras difíceis para a tecnologia da época. Apenas as com larga quantidade de ouro e pedras (neste caso, Diamantina) se desenvolveram durante o Cilco do Ouro e do Diamante. O resto ficou como cidade dormitório,assim como nos dias de hoje nenhuma cidade consegue viver sem indústria, turismo ou comércio fortes.

Minhas próximas intenções são rever Parati, desta vez com um olhar mais turístico e fotográfico pra publicar no blog e também Diamantina e Serro, passando pela Gruta de Maquiné.

GRANDE abraço e venha sempre. A casa é sua (não precisa bater na poirta pra entrar e auqndo sair basta deixar um aviso colado na geladeira!)

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