CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

              Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Domingo
Abr122009

JORDÂNIA: As muitas faces do país - Introdução  

 As muitas faces da Jordânia  __________________________________________

                          O Airbus A 320 da Air France acabara de entrar no Oriente Médio e sobrevoava Hebron, na Cisjordânia, já iniciando sua descida para Amã.   Eram sete da noite.   O Pôr-do-Sol ainda nos dava luz bastante para percebermos, pelas janelas do avião, o monocromatismo e a aridez que caracterizam esse lado do mundo.  

Painel informativo do vôo para Amã - Aeroporto CDG, Paris 

                        A tripulação já havia dado o comando para "afivelarem os cintos e retornarem o encosto de suas poltronas para a posição original".   Eu já estava tomado pela ansiedade natural da chegada e do primeiro contato com o país,  mas naquele momento minha curiosidade maior era saber se o jordaniano que nosso hotel nos enviaria para fazer nosso translado estaria de fato nos esperando.   

Homem na Cidadela, Amã - Domingo, 19 de Abril de 2009

                          Pousamos no Aeroporto Internacional Queen Alia pontualmente às 19:30h. 

                        - COMO será o nosso jordaniano?, pensei.

                        - Como assim, o nosso  jordaniano?!, respondi a mim mesmo. 

                        - O jordaniano que está nos esperando lá fora...

                        - Será gordo?.  Gordo, não, “forte”?, completei. 

                        - Sei lá, pode ser magro também. Mas deve ter bigodes,concluí. 

                        - Ah, bigodes é claro que tem, todo árabe usa bigode, acho que é lei. E ele deve se chamar Abdullah.

                        ENQUANTO o camarada do caixa riscava meus dólares com a caneta anti-fraude eu olhava sua fisionomia tentando extrair dela um pouco mais de elementos pra montar meu arquétipo de um ‘jordaniano-típico-com-uma-placa-na-mão’ esperando por mim na saída do desembarque.  Eu imaginara uma face como a de um egípcio. Os jordanianos têm faces árabes sim, mas pele e olhos bem mais claros do que os egípcios. O "meu" jordaniano era o mais previsível dos jordanianos, como convém a um bom arquétipo: étnicamente falando ele era de origem árabe-beduína e usava um kefiyeh             

Soldado Real jordaniano

                        “Será que ele está usando um kefiyeh?” (*). "Será que está vestido com uma dishdasha?". Pronto, estava feito o retrato falado do "meu" autêntico jordaniano.  

 

(*Kefiyeh é aquele bonito lenço tradicional àrabe, vermelho, à moda Arafat. Dishdasha é aquela túnica branca com que os homens do Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes e alguns outros países árabes se vestem.

 

 Jornal de Domingo - Amã, 19 de Abril de 2009  

                       JÁ passava um pouco das oito da noite e lá estava ele!  O "nosso" jordaniano usava terno e não correspondia em nada ao arquétipo imaginado. Quanta pretensão a minha! É claro que ele seria encontrado. Não havia como não achá-lo, a menos que ele não estivesse lá:  àquela hora o movimento no aeroporto de Amã já era bem reduzido e, afinal, convenhamos, o Queen Alia está mais pra rodoviária do que hub aéreo de integração do Oriente Médio. 

 

 

A cidade de Amã vista da Cidadela (romana) 

                      O homem vestia um terno elegante, risca de giz, e segurava uma placa com meu nome na altura de seu peito. Que óbvio! Por que não construí o "meu" jordaniano como são mesmo os jordanianos?   Por causa da placa, é claro, eu haveria de identificá-lo bem antes do que ele a nós.  E ele? Será que também montara o seu arquétipo de um casal de turistas brasileiros?  

 

                       O "meu" jordaniano com a "minha" placa na mão tinha olhos que expressavam um misto de atenção e curiosidade nos esperava pouco depois do nosso desembarque para nos ajudar na imigração, no recolhimento das malas e nos levar até nosso hotel. Sim, o serviço incluia até tirar o visto no balcão especial, caso não o tivéssemos feito ainda no Brasil.  Nosso jordaniano também nos procurava e por certo ele também deve ter montando seu arquétipo de como seria um casal brasileiros absolutamente desconhecidos chegando à Jordânia.   Parecia mais ansioso que eu.  Assim que identifiquei-me ele disse - entre surpresa (por não correspondermos ao que ele por certo imaginara) e um sorriso que poderia ser tanto de simpatia quanto por achar que decididamente não éramos nada tipicamente brasileiros:

                     - BEM-vindo ao Reino Hashemita da Jordânia, Ahlan Wa Salan!,  me chamo Faris e sou o encarregado de auxiliá-los na imigração e transportá-lo ao seu hotel. Fez boa viagem?  Sua fisionomia a essa altura já aparentava um misto de sorriso de simpatia com alívio pela missão cumprida: “encontrei os brasileiros!”.

                     - MARHABA. Salaam Aleikum (1), respondi-lhe.  Abdullah -  com um generoso, surpreso, encantado sorriso -  devolveu-me um ainda mais simpático “Alaikum Assalam”, só que mais  alongado, enfático. Fez corar meu sotaque árabe.   Ao mesmo tempo que ele pegava nossas malas de mão estendi-lhe a mão e recebi um simpático cumprimento.  O sorriso foi discreto, mas simpático e profissional todo o tempo. 

                    ALI foi nosso primeiro contato efetivo com o país e seu povo.  E naquele instante compreendi que hospitalidade na Jordânia é de fato um plus como invariavelmente eu li em todas as resenhas e comentários sobre o país. 

 

Amã vista da Cidadela

                     EU estava louco pra falar aquilo!  Ansioso por chegar e mandar um bem treinado as’salâmu a’alaykum (a paz esteja com você) e ouvir um wa’alaykum as’salâm (a paz esteja contigo também).   Eu convencionei que só me sentiria no Oriente Médio assim que isso acontecesse.   Nada como ouvir uns sons e uns cheiros locais pra nos sentirmos "em casa".  Tocar e esbarrar nas pessoas também funciona pra reduzir o tempo de "quarentena" que todo viajante tem pra se sentir "no"  destino e não mais "em trânsito".  É a tal sensação que eu chamo de Síndrome do Jet Leg ao Contrário (**)

   

                        PESQUISAR um destino e planejar uma viagem, para quase todas as pessoas é um prazer quase tão expressivo quanto vivenciar a viagem.  Sempre provoca aquela delícia que é nossa imaginação, ainda que acentue a excitação da hora da “verdade”. Mas nada se compara a chegar. Ah, chegar é inigualável!  Sempre haverá prazeres inigualáveis e incomparáveis tanto no planejamento quanto na vivência de uma viagem planejada. E creio mesmo que o prazer virtual acentua o presencial. É tão excitante ler guias e ver fotos quanto ver, tocar, cheirar e ouvir.

   

                        O vôo de Paris a Amã - o AF 582 -  saiu às 13:40 do Charles de Gaulle.  4 horas e 35 minutos depois o A 320 da Air France  pousava no Queen Alia, um aeroporto típico de um país pequeno, arrumadinho, não muito grande, com tudo o que se precisa, simples e antiguinho, sem exageros, longe da cidade, a 32 quilômetros. 

  FOTOS: Airliners.net Airbus A 320 da Air France

 

   

 

                       AINDA assim aeroporto tem tudo o que se precisa: um razoável duty free shopping com preços aparentemente razoáveis, locadora de carros, casa de câmbio. Mas o melhor dele é uma loja do Starbucks! Há notícias da construção de um novo terminal moderníssimo. O Governo jordaniano assinou contrato de US$ 700 milhões com a AIG (Airport International Group) para operar e expandir o atual Queen Alia International Airport.

 

 Cenas de rua -Teatro Romano - Amã

                      O vôo não foi daqueles arrasa-ânimo, acende-preguiça ou, pra ser mais técnico, provocadores de Jet Leg.  Ao contrário, diurno e de curta duração, saindo no início da tarde e com apenas uma hora de diferença de fuso horário, chegou ao destino no início da noite. Decididamente é uma das melhores maneiras de chegar bem numa cidade e estar pronto pro dia seguinte, especialmente com uma noite bem dormida entre ambos. 

Aeroporto Queen Alia visto da pista 

(**) Síndrome do Jet Leg ao Contrário: funciona de maneira oposta à do Jet Leg, isto é, em vez de “apagar”, provoca ansiedade, "acende".  Ocorre comigo com frequência absoluta.  Assim que desembarco tudo o que quero é ansiosamente fazer o check-in, desarrumar as malas, tomar conta do meu espaço e atender àquela vontade incontrolável de sair à rua. E ela ocorre até mesmo quando o cansaço tradicional de uma viagem longa e alguns fusos ultrapassados se instala.  Esta me impulsiona. É uma necessidade intelectual de conferir e constatar o que tudo aquilo que li, planejei e pesquisei correspondesse à realidade, para verificar se tudo o que foi imaginado corresponde ou não à realidade, ainda que o desejo físico seja de descansar.  É um estado de espírito, mais do que de ânimo.

 __________________________________________________________________________

                    AQUELE sonoro, imponente, majestoso nome de um país - Reino Hashemita da Jordânia - por um breve instante me fez lembrar de um almoço em família, quando perguntavam-me para onde seria a próxima viagem, antes mesmo que eu terminasse de contar-lhes a última:  “E o próximo destino? Para onde será a próxima viagem?”.  “Jordânia”, respondi.  “Em abril irei à Jordânia e à Síria. 

Bandeira jordaniana entre as pilastras do portal do Teatro Romano 

                   “JORDÂNIA, Síria!?” Aquela exclamação era acompanhada de expressões de surpresa (naturalíssimas, convenhamos).  Para mim, todavia, soava como um “Onde diabos fica isso?”, ou, ainda, “Mas...Jordânia, Síria!, por que a Jordânia?!”.  “Aqueles países no Oriente Médio, colados no Iraque? O que você vai fazer lá?”  Imaginei logo que também me perguntariam  “E vai esticar ao Iraque e à Palestina também?” 

Fotografando o Teatro Romano no Domingo - Amã, Jordânia 

                   OK, a Jordânia está longe de figurar no time do países só para aventureiros –  Usbequistão e Chad encabeçando a lista - mas também ainda não entrou para a lista dos ‘Destinos Classe A’ do planeta, aqueles mais conhecidos e extravagantes - como a Tailândia - ou os ‘da hora’ e que não saem das capas das revistas - como Dubai.   Todavia caminha para isso.  É muito autêntico e preservado, uma excelente maneira de nos introduzirmos ao verdadeiro mundo árabe.   O país ainda carrega boa parte daqueles estereótipos que costumam surgir na memória quando nos lembramos da Arábia: “País das Mil e Uma Noites”.   Pode bem ser vendido como “terra de aventuras à moda de Indiana Jones e Lawrence da Arábia”. 

                  PARA um país tão pequeno, a Jordânia orgulha-se de possuir algumas das experiências turísticas mais singularmente atraentes do planeta: além de Amã,  as cidades de Jerash, Umm Qais – que fazem parte do que foi a antiga Roman Decapolis (2), as reservas naturais de Dana, Wadi Mujib e Wadi Rum, a bíblica Betânia-além-do-Jordão (ou Bete-Arabá segundo os eruditos) (3), o Castelo de Herodes, o Monte Nebo (onde Moisés viu pela primeira vez a “Terra Prometida”), o Mar Morto, Qumran - onde antigos pergaminhos foram encontrados - e finalmente Petra, a "Cidade Rosa", uma das novas Sete Maravilhas do Mundo. 

                  HÁ bem pouco tempo a Jordânia começou a figurar na lista dos que recebem 8 milhões de turistas por ano mas já projeta-se para a marca dos 10.  Não fosse a situação de alguns vizinhos, seguramente já teria passado da marca.  Tem estrutura e apelos mais do que suficientes para esse nível e ainda mais. Para além de ser uma real necessidade econômica, o turismo é uma aposta na paz, uma ponte para o entendimento entre árabes e israelenses que tenham o interesse de conhecer heranças culturais de ambos os lados deixando preconceitos e excessos para olharem em direção a um dos desertos mais bonitos do mundo, para o Mar Vermelho e para o Mar Morto, além de cidades milenares e importantíssimas na história da humanidade. A Jordânia é além de tudo um país que pode exercer forte influência positiva entre os países muçulmanos radicais. 

Jordânia: o reino das fronteiras selvagens

Condé Nast Traveller

 

Jordânia, Arábia Saudita, Israel, Síria, Palestina, Iraque, Irã, Líbano e Egito 

                 FARIS ajeitou como um quebra-cabeças nossas malas no porta-malas de seu Jaguar  ainda imponente mas beirando a aposentadoria, abriu a porta traseira para que minha mulher entrasse e em minutos já viamos placas de direção que indicavam nomes de bairros da cidade e de países vizinhos: Síria ao norte, Iraque a leste, Arábia Saudita a sudeste e Cisjordânia a oeste.    Logo o desenho do mapa do país me veio à mente e me fez recordar - por seus traços e pelas indicações de direção - o quanto a Capital desse estreito país estava próxima daquelas fronteiras. Cruza-se o estreito e comprido país de ponta a ponta em apenas seis, sete horas de carro e por estradas asfaltadas. 

 

                   ESSA vizinhança traria de certo alguma preocupação, não estivéssemos na pacífica, ordeira e neutra Jordânia. Entre dois mundos - o mediterrâneo e o meio-oriental – o país é uma agradável surpresa, uma nação muito jovem mas com história e cultura milenares. Está no Oriente Médio, mas não produz petróleo. Por paradoxal que possa parecer, esta é a sua maior e talvez sua principal diferença, sua grande sorte. 

                   A Jordânia funciona como uma espécie de balança entre seus vizinhos Iraque, Arábia Saudita, Israel e Síria, com quem compartilha suas fronteiras.  Sua próspera política de equilíbrio entre astas nações tem sido reconhecida como mais do que um movimento governamental, isto é, faz parte da mente de seu povo, de seu jeito de ser.  Mesmo que a maioria dos mais velhos ainda esteja firmemente ancorada nas tradições,  os mais jovens lideram as ações e atitudes mais ocidentalistas, francamente conciliadoras e ponderadas.    Beduínos nômades, cristãos ortodoxos e muçulmanos árabes co-habitam pacífica e respeitosamente no reino.  Para um turista ocidental em visita ao país, este exemplo de civilidade e respeito é tão notável quanto o calor humano, a simpatia, a hospitalidade e o bom humor em aceitar os visitantes.

 

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                   ESTE oásis de tranquila estabilidade é decorrente desse olhar de seu povo e também de seu governo para o ocidente, sem preconceito, ainda que mantendo-se fixos em suas riquíssimas tradições. O    turismo - um de seus mais importantes produtos de exportação - assim como a bem conduzida política não beligerante dos reis Hussein e Abdullah II - pai e filho - são os principais responsáveis por esta realidade, ainda que em meio à uma conturbada região.   

                  E a Jordânia é de fato exemplar. O país segue em direção à modernidade mantendo sua essência nas fabulosas tradições milenares  e constitui-se num dos raros países árabes de governo laico que prega a liberdade total de credos. 

                      TALVEZ seja justamente a falta do óleo fóssil em seu território que afastem os olhares de “osamas” e “bushs”, o terrorismo e a compulsão pelo óleo. Torna-se evidente o principal dos motivos que faz da Jordânia esse oásis de paz.   A simples menção do termo “Oriente Médio” provoca espanto e alarme em algumas pessoas, mas comparado ao Rio de Janeiro e São Paulo, a Jordânia se torna uma Suíça em termos de segurança e riscos pessoais.  

                 NO trajeto do Aeroporto a Jabal Amman - uma espécie de Centro Novo da Capital jordaniana - a paisagem monocromática era enfeitada por ela, sempre ao lado de seu marido, o Rei Abdullah II, em fotos majestosas e oficiais: a bela jovem Rainha Raina (4), para além de se destacar por sua cultura e comportamento exemplares, embeleza o caminho com sua estampa que nos acompanharia por toda a cidade. Ela aparece em destaque nas revistas européias, menos por sua beleza, elegância e carisma tão marcantes, mais por seu conteúdo intelectual, comportamento, ativismo e engajamento político e social.  O Rei Abdullah II, formado em Oxford, tem 43 anos e é casado com a rainha Raina, de 33, origem palestina mas nascida no Kwait. Ambos - o jovem rei e sua bela rainha - têm sua fotografia exposta em quase todos prédios públicos, algumas delas também ao lado de seu pai, o rei Hussein (1936-1999), que governou o reino hachemita desde 1952.

 "Viajar à Jordânia é conhecer um mundo árabe autêntico e sem estereótipos"  

             COMO sempre me preparo para meus destinos (o que significa viajar bem informado), de fato não esperava encontrar uma cidade caótica, suja, barulhenta e tumultuada como o Cairo, todavia nem tão amigável, amistosa e receptiva quanto é Amã.  Imaginara, pelo que li e vi em fotos e filmes, um meio-termo entre Cairo e Damasco, todavia com um espantoso, marcante diferencial: provavelmente o povo jordaniano seja o mais hospitaleiro do mundo.  

               E Faris foi o primeiro a me mostrar isso, assim tão escancaradamente. Jordanianos comovem por sua tolerância e pelo orgulho com que declaram sua visão pacífica e amistosa em relação a quase todas as nações e povos do mundo. Oxalá todos os países turísticos do planeta oferecessem tal receptividade aos seus visitantes. Com brasileiros, então, apaixonados por futebol que eles são, os sorrisos tornam-se ainda mais plenos e francos do que já são naturalmente e acompanham-se sempre da curiosidade pelo futebol de nosso país. Santo futebol! Santa música brasileira!, os maiores embaixadores do Brasil no planeta.  

                  - QUANTOS dias na Jordânia, perguntou-me Faris terminando um educado, profissional silêncio durante todo o trajeto, discretamente interrompido ocasionalmente quando eu apontava uma ou outra paisagem que me chamava a atenção.    

                  - Quatro noites, respondi-lhe. “Pretendo ir a Petra e conhecer Amã”, completei logo a seguir. “É pouco, é muito pouco para o que a Jordânia tem a oferecer”, nos disse Faris. Aquela frase significava mais que uma constatação óbvia, soava como uma repreensão. E nos acompanhou o resto de nossa viagem. “É pouco, é muito pouco para o que a Jordânia tem a oferecer”.  A Jordânia tem luxo, tem cultura, boa comida, eco-aventura, spa, tem hamman, compras, artesanato, religião e experiências inesquecíveis.  

                 DURANTE os 30 minutos do trajeto desde o Queen Alia International Airport à Al-Kindi Street, no bairro de Jabal Amman, lembrei-me algumas vezes daquela pergunta: mas, afinal, por que Jordânia? Para conhecer locais de várias passagens da Bíblia, como o Monte Nebo, de onde Moisés avistou a Terra Prometida? Não! Definitivamente não. Eu não sou religioso e não me interesso por este lado da história da humanidade. A Jordânia é um país que justifica a viagem por suas ricas história e cultura, muitíssimo mais do que por ter sido palco de discutíveis passagens bíblicas. Lendo o guia Lonely Planet fui definitivamente cativado pela Jordânia:

Devido ao nada lisonjeiro perfil de que desfruta o Oriente Médio na mídia internacional - seja por seu improdutivo solo desértico, seja pelo fanatismo religioso e por sua propensão às guerras - Síria e Jordânia certamente surpreenderão positivamente o visitante, não apenas pela segurança que desfrutará em todo o território, mas especialmente pela simpatia e hospitalidade das mais cativantes do mundo. O mais próximo que você estará de ser sequestrado por um fundamentalista islâmico será de ser arrastado para dentro de um café ou mesmo de uma residência para um chá e uma conversa.”

"Em viagens frequentemente as coisas não acontecem tão bem como em nossa cidade, algumas vezes elas podem ser melhores, outras poucas, muito melhores. Em que poucos lugares do mundo você pode deixar seus pertences desacompanhados por horas, lembrar-se deles, ir buscá-los e encontrá-los intactos. E por quantos países do mundo você pode perambular pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite sem sentir medo por sua segurança? "The Lonely Planet guide to Jordan and Syria (p. 9)”

                          Bem-vindos à Jordânia! Ou Al-Mamlakeh al-Urduniyyeh al-Hashmiyyeh, ou simplesmente Al-Urdun.

 
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(1) Marhaba significa “olá”. Salaam Aleikum é uma expressão árabe que significa um pouco mais do que um cumprimento: "Que a paz esteja com você". A resposta para essa saudação é "Alaikum Assalam", que diz "Que a paz esteja com você também". É a origem do termo português “salamaleque”. Ahlan wa sahlan significa “Bem-vindo” em árabe.

(2) As Dez Cidades (do grego Decapolis) eram -  no Novo Testamento -  as dez cidades próximas e situadas no lado leste do Mar da Galiléia, cujos moradores eram não-judeus atuavam na pregação de Jesus Cristo. Essa região gentílica havia sido estabelecida anos antes de Jesus por comerciantes gregos e imigrantes. Suas cidades tinham governos politicamente autônomos, formando uma aliança com a finalidade de alcançar oportunidades comerciais e proteção mútua.

(3)  Betânia-além-do-Jordão (ou Bete-Arabá segundo os eruditos), situada próxima à foz do Rio Jordão, onde foi feita a mais importante descoberta religiosa dos últimos tempos: escavações realizadas na década passada desvendaram, perto do Rio Jordão, ruínas de igrejas que permitiram a um grupo de arqueólogos afirmar que lá seria o berço do Cristianismo e onde Jesus foi batizado.

(4) A Rainha da Jordânia rouba a cena durante visita a Brasília. Os membros da Real família Hashemita da Jordânia são descendentes diretos do profeta Maomé, através de sua filha Fatima. O Rei Abdullah II representa a 43a. geração desta linha. Web site pessoal da Rainha Raina

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A seguir:

 Dias arábicos, noites mediterrâneas

 Porta de um das mesquita - detalhe de marcheteria em madrepérola

NOTA: parafernália eletro-eletrônica, cibernética e fotográfica que me acompanha nesta viagem:

Câmera fotográfica reflex digital com duas lentes (uma zoom grande angular 24-120 mm 3.5 e uma 70-200 mm 2.8); Câmera digital portátil que filma (novidade que pretendo introduzir ainda nas matérias desta viagem: filminhos, além de fotos); Notebook de 15 polegadas;  Hard disk portátil de 160 Gb;  Cartões de memória (não a minha, a das câmeras);  Adaptadores de tomada;  Cabos de conexão e de alimentação;  Carregadores de baterias; 1  benjamim; Celular e seu carregador; Ipod.

 

Jordaniano na Cidadela - Amã, Jordânia - 19 de Abril de 2009

Reader Comments (12)

Uau! Que fotos lindas...a Jordania seems to be amazing! Aguardo nova postagens!

Petra está em meus projetos de viagens em um futuro.
Bonita aventura ao estilo Indiana Jones.

Eu conosco Marruecos e Argelia, não é o mesmo que Jordânia, mais o paisagem árido não me atrae muito (aqui temos desertos em Navarra, Las Bardenas Reales; em Aragón, os Monegros; em Almería o deserto de Tabernas e em outras zonas do Levante o paisagem desértico avança). O deserto tem muita vida, certamente, mais eu gosto muito do água e dos ávores.

16:42 | Unregistered CommenterCarmen

Que coisa impressionante: eu no final de tarde no meu trabalho, em Brasília; Carmem na Espanha e Arnaldo na Jordânia, conversando como se tivessemos em salas ao lado. Arnaldo, você está desbravando não só lugares, mas pessoas. Isso tem um significado maior que tudo. Ótimos passeios!

17:21 | Unregistered CommenterRosa

Rosa, agora que eu penso sim que é incrível, você em Brasília, eu em Espanha e Arnaldo em Jordânia!!! Três continentes distintos: América, Ásia e Europa. Incrível! e fuso horário diferente...

Arnaldo, eu quero conhecer Petra, seguro.

17:43 | Unregistered CommenterCarmen

Arnaldo, seus posts não param em sua missão de inpirar toda a blogosfera! Assim como com Malta, Alexandria...me mostram lugares sobre os quais não tinha imagens formadas. Ansiosa por continuar a viagem! (E que bom que já tem um outro post :-) )

12:49 | Unregistered CommenterEmília

EMÍLIA, inspirar é tudo o que eu pretendo! Sabe?, a Jordânia É dez! Tenho certeza de que você achará também depois de ler todos os posts.

Obrigado pela visita e comentário.

Ola Arnaldo!!!!
Embarco dia 26 de maio p conhecer Israel e a Jordania.
Fico 2 noites em Tel Aviv, 3 em Jerusalem,2 em Amam e 1 em Petra.
Vou pernoitar nestas cidades e delas partir p fazer o tour.
Teria alguns locais em especial ou dicas p me dar p q nao perca a oportunidade de conhecer coisas q estarao tao proximas e derrepente sao imperseptiveis.
Grande abraço.
Beatris

14:08 | Unregistered CommenterBeatris

BEATRIS, todas as informações e sugestõs que tenho estão em todos os capítulo sobre a Jordânia. Vc já os leu?

Arnaldo!!!!
Li tds os capitulos sobre a Jordania q vc escreveu.
Me diga uma coisa q roupas sao adequadas p os passeios?
E Israel vc nao foi a Israel?

14:12 | Unregistered CommenterBeatris

Arnaldo !!!!
na verdade acabei de conseguir me entender no teu blog.
Achei q havia lido td q escrevestes sobre a Jordania, mas me enganei .
Tbm nao havia visto a parte de Israel.
Farei do teu blog um companheiro na minha viagem.

14:28 | Unregistered CommenterBeatris

Caro Arnaldo,

Confesso que acabei achando seu blog por acaso, estava em busca de informações sobre os destinos. Virei fã já coloquei na lista de favoritos do meu navegador e confesso que fiquei com uma "inveja" (no bom sentido)do estilo de vida e dos lugares que já conheceu espero que consiga disponibilidade de tempo e recurso financeiro para realizar muito deles.

De qualquer maneira parabéns pelo blog e obrigado por dividir suas experiencias conosco.

Estou planejando uma viagem para fevereiro/14 de 21 dias vou dividir 7 dias em Israel, 3 dias Jordânia, 4 dias Egito e 7 Dias em Roma.Li todos os seus posts sobre Jordânia e veja se pode me ajudar: entrarei pela fronteira com Eliat /Aqba. Consigo ônibus de Aqba p/ Petra? tem idéia de custo? Ou vale a pena alugar um carro no Aeroporto de Aqba e dirigir até Petra? A principio iria de Petra para Amã via terrestre pois pegarei um voo de Amã p/ Cairo, mas achei outra opção de voo de Aqba/Amã e no dia seguinte Amã/ Cairo e a diferença de valores foi muito baixa que estou quase indo de Aqba/Petra e depois retornar p/ Aqba para pegar o voo a única desvantagem é que o voo só tem saída somente as 23:10h.

Neste caso vale a pena passar a noite em Petra ou dá para conhecer Petra num dia e voltar p/ Aqba e dormir por lá? Ou ir direto de Petra p/ Amã?

Mudando um pouco o tema embora tenha visto alguns comentários sobre o transito de Cairo não achei nenhum post sobre a cidade vc tem alguma orientação sobre o lugar? Gostaria de saber se consigo conhecer em 4 dias Cairo, Alexandria e Luxor?

Abraço e obrigado

22:31 | Unregistered CommenterThiago

THIAGO, vale a pena dormir em Petra, mas eu conheci num bate e volta desde Amã.

Ônibus de Aqba a Petra? Sim, há. E é barato. Consulte o link abaixo "New Direct Bus Service from Aqaba to Petra and Wadi Rum":

http://www.lonelyplanet.com/thorntree/thread.jspa?threadID=1943027

Não conheço Cairo e Luxor, apenas Alexandria. Sim, daria para conhecer as três em quatro dias

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