CONHEÇA O AUTOR

          

         Depois de estabelecer-se na Internet desde 1999 escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema e, depois, em 2006, ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - foi convidado a colaborar com matérias suas publicadas na Revista Viagem & Turismo (Editora Abril). Agora, Arnaldo prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando na literatura com um livro encantador que, segundo o autor, é o primeiro de uma série.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui neste blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de uma conversa com o leitor, baseada na informalidade, no livro misturo traços desta coloquialidade e informalidade com uma escrita literária, sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que - de certa forma e por outro lado- é outra maneira de me expressar sobre minhas viagens, transmitindo sem fantasias o mundo que vejo - como ele é, não como o imaginava -, ainda que a leitura revele expectativas muitas vezes não confirmadas sobre o destino. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, ‘Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro’.  A partir deste primeiro livro, considero esta uma nova fase na minha vida."

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo Trindade Affonso é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti 2013 na categoria Reportagens

Ronize Aline:

            "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária e crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista passou pelas redações das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

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Quarta-feira
Abr142010

MARRAKECH: Os Souqs, um misterioso desafio 

Portões para os souqs: passagem para o Século XV. Um misterioso desafio geográfico e emocional

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                      NÃO é a fumaça das grelhas da Praça Djemaa el Fna, tampouco seus encantadores de serpentes, nem mesmo os negros véus das mulheres muçulmanas o que torna Marrakech tão misteriosa. Ao cruzarmos um dos portões da muralha milenar e entrarmos nas vielas labirínticas dos souqs é que percebemos o quanto é misteriosa esta cidade.  Passear pelos souqs de Marrakech é experimentar um verdadeiro desafio geográfico e emocional.

 

Um aguadeiro e uma artesã. Há séculos a mesma rotina... 

                        BURRICOS sobrecarregados de mercadorias, motonetas apressadas, sons dos martelos batendo no ferro, de serras cortando madeiras, do vento dobrando as esquinas, de passos nas vias estreitas. Turistas ocidentais, legumes e verduras expostos em cestos, bancas e no chão, especiarias multicoloridas, carnes frescas de cordeiros recém-abatidos cujos testículos foram mantidos, corpos de animais e cabeças de cabra penduradas nos açougues,  galinhas vivas de ponta cabeça esperando seu triste fim, poções mágicas e tapetes nem tanto, lustres de ferro e bronze, cheiro de madeira recém cortada, tons, sons e cores de um passeio por caminhos misteriosos e labirínticos por onde homens e mulheres vão e vêm em seus djelabas e véus e crianças jogam bola em campos minúsculos que só a imaginação os faz possíveis. 

 

ACIMA:  os onipresentes tons de rosa de fora da medina, nos souqs misturam-se com os ocres e cinzas

ABAIXO: expôr e vender as carnes de carneiros com os testículos, uma tradição marroquina... 

                        OS souqs na Medina de Marrakech são simplesmente incríveis e labirínticos. Uma visita demorada é uma experiência cujos efeitos positivos e marcantes na lembrança serão precedidos de desafios ao senso de localização geográfica, às emoções e aos sentidos. A cada esquina, beco ou lojinha.

 

                       Dentro da muralha da medina a vida segue, rotineira, cotidiana, sem pressa mas movimentada, em ruas estreitas,  sinuosas e becos sem saída, uma aparentemente desordenada planta que no entanto só é labiríntica para os turistas.  A mesma vida que segue o padrão secular nas casas, lojas e oficinas minúsculas mas onde sempre sobra espaço para um copo de chá de menta.  Artesãos formam desenhos curvilíneos no ferro, batem chapas, cortam metais e moldam bronze em sons que saem dos cubículos e ecoam nas vielas.

 

                         Os ouvidos ficam atentos aos balak balak (“balék, balék”) dos condutores de burricos abrindo caminho e aos motores espoucando das motonetas passando direto, tudo vez por outra entrecortado por um muezin chamando para uma das orações do dia.

  

 A mesma vida rotineira praticamente imutável há séculos

A vida rotineira e cotidiana há séculos quase inalterada... 

  

                           Quase tudo é possível encontrar nos souqs, todavia o que mais interessa ao visitante - além do riquíssimo artesanato - é a simples observação dos ofícios dos artesãos e trabalhadores em atividade, além da contemplação de uma vida cotidiana cujas tradições parecem inalteradas há quinhentos anos.  O primeiro e mais corriqueiro ato que nos traz consequências fabulosas é o de cruzarmos os poucos metros que separam o exterior do lado de dentro da Medina em direção aos souqs, uma passagem do Século 21 para o 15 em poucos passos.  

Pelas portas do tempo.... 

                              Pelas portas do tempo - um dos babs que separam séculos de história -, em poucos passos cruzamos a muralha da medina e passamos do Século 21 para o 15, a primeira das mil e uma sensações por que passam aqueles que visitam um mercado muçulmano pela primeira vez.  

                       Os souqs são divididos em setores específicos, os souqs dentro do souq: de tapetes, de tecidos, de roupas, madeira, metais, couro, móveis, jóias, souvernires, cerâmica, uma infinidade de produtos fabulosos. Todavia, o grande fluxo de turistas e as tradições do comércio muçulmano são sempre acompanhados de preços elevados, motivo porque negociar e barganhar é mais do que diversão, uma necessidade.

    

                        Reservar um ou dois dias para explorá-los é experimentar desafios cujos efeitos benéficos e esmagadores de um passeio pelos souqs serão inesquecíveis, especialmente para quem o faz pela primeira vez.  Serão imagens e cores, cheiros e sons que jamais se esquecerão.  E para um encerramento perfeito de uma das experiências mais deliciosas em Marrakech -  um passeio demorado pelo souq -  descanse e relaxe num hamman ou num café na praça Djemaa el Fna.

 Nos labirintos do souq a arquitetura muçulmana da Medersa Ben Yusef

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Aromas intensos, cores fortes

 

   

                        Há diversas entradas para o souq. A mais comum é a da Praça Djemaa el Fna, pelo Riad zitoune le Kdim.  Se quiser saber no mapa a localização, copie o endereço a seguir e cole-o no Google Maps: “Riad Zitoun El Kdim, Medina, Marraquexe, Marrakech Menara, Marrakech-Tensift-El Haouz, Marrocos”

 A poucos passos da Praça Djemaa el Fnaa, um dos portões do tempo para o século 15   

   

                         Há dezenas de souqs em Marrakech, becos aparentemente intermináveis e labirínticos que vão e voltam em todas as direções apartir da entrada do lado norte da Praça Djemma el Fna.  Havíamos copiado alguns "mapas" dos souqs e tínhamos dois bons guias impressos, o Lonely Planet e o Step by Step, com seus respectivos mapas, todavia mesmo com eles é impossível uma localização precisa.   Embora o souq seja um labiríntico emaranhado de lojas, oficinas e barracas, do ponto de vista da organização há um sistema que os divide em áreas específicas.  A maioria dos artesãos trabalha fora do estreito espaço da loja, faz de sua oficina a calçada.

   

                         O segundo choque entre realidade e fantasia ocorre depois de cruzamos um portão da Medina: não é exagero afirmar que para um ocidental - especialmente o de primeira hora - a magnífica experiência de visitar um souq será inesquecível e carregada de memórias auditivas, visuais e olfativas.  Percorrer um labiríntico, encantador meandro de um souq é experimentar os efeitos que cores, aromas, sons e sabores exercem em nós, tamanha a quantidade e a diversidade deles.   

   

  

                         As casas da medina parecem ser mais degradadas do que as do lado de fora da muralha. Durante nossa caminhada pudemos perceber que alguns construções devam ter centenas de anos. Ficávamos a imaginar que palacetes poderiam conter depois de suas pesadas portas e fachadas medíocres. E enquanto a cidade tem um brilho incrível com a luz do sol, aparenta ser lúgubre quando nublada e sob a chuva.  Para nossa felicidade conhecemos essas duas apararências da Medina.

 

    

                      Caso tenha entrado no souq através do portão da Praça Djemaa el Fna, assim que chegar ao Souq  Semmarine, na Place des Épices, dê uma primeira parada para tomar um café no Café des Épices. De suas mesas no térreo ou no segundo andar,  contemple as dezenas de lojinhas com suas mercadorias misteriosas expostas.  É uma uma preparação para o que está por vir, a primeira exaltação aos sentidos. 

    

  

                       Pelas ruas sinuosas e estreitas, verdadeiros cânions de tijolo e massa, percorrem-se, preferencialmente com um guia, os souqs dos ferreiros (Haddadine), dos tintureiros (Sebbaghine),  dos instrumentos musicais (Kimakhine), dos ferreiros e latoeiros (Attarine) e de frutas (Kchacha), entre tantos outros. O de tapetes - Joutia Zrabi - é um dos mais recomendáveis e também o de visita mais demorada.

 

É fácil, mas delicioso perder-se nos "canyons"  do Souk de Marrakech   

                       Apesar de parecer evidente o contrário, não há uma lei municipal que obrigue a que todas as casas fora da medina sejam pintadas de rosa. Todavia, no interior dos souqs, a onipresente cor das fachadas das casas na medina muda radicalmente e passa do onipresente rosa para variações de ocre e cinza, com alguma incorrência de rosa. 

 

Souks de Marrakech: misteriosos, assustadores, labirínticos e desafiadores

   

                       A atmosfera do interior dos souqs, ainda que possa parecer assustadora, é encantadora. Aqui não se escuta o burburinho da praça, os mercadores gritando, os artistas de rua, a música dos encantadores de serpentes e dos grupos folclóricos.  Nossos sons - de passos e respiração - e os de fora - das casas e lojinhas - é o que ouvimos, sempre em doses discretas.

                      

                     Caso você ache a Medina assustadora (de fato às vezes parece ser), contrate um guia, ele não apenas explicará alguns aspectos da fascinante história, costumes, cultura e arquitetura da cidade, como também nos faz perceber detalhes do maravilhoso trabalho artesanal marroquino e da arte islâmica em geral. Todavia a mais vantajosa contribuição, além de nos guiar, é mesmo evitar os sobre preços nas compras.

                      

                        Na primeira vez nos “arriscamos” a entrar profundamente no souq acompanhados apenas de um mapa e algum estudo anterior. Ainda que seguros do que fazíamos, um passeio autônomo - com ou sem mapa - será sempre uma experiência de desorientação geográfica e espacial desconcertante e desafiadora.  Poucas vezes tínhamos a certeza de que a direção era correta e freqüentemente percebíamos que estávamos no caminho errado, por vezes tão labiríntico que decidimos retornar de determinado ponto antes de ficarmos irremediavelmente perdidos.  

 

                         Perder-se é uma ocorrência da qual não pode escapar quem se aventura profundamente num souq, todavia há diferentes graus de desorientação, razão porque tomávamos precauções para não excedermos nossos próprios limites e intenções.

    

                       De certa forma é agradável porque perder-se significa estar ligeiramente ansioso, mas não posso afirmar que tenha sido melhor do que a experiência do dia seguinte, quando explorarmos detidamente o souq com a companhia de um guia. Tudo mudou: otimizamos o tempo, conhecemos detalhes que não constam de mapas e guias, ouvimos histórias e estórias, fomos orientados nas compras, evitamos abordagens a cada esquina e vimos o que realmente valia a pena.   

   

    

                        Contratar um guia local credenciado para fazer uma exploração mais efetiva dos souqs é um benefício duplo: compreendemos a vida cotidiana, entramos em lugares proibidos (um jardim de infância, por exemplo), assimilamos seu funcionamento, evitamos abordagens estressantes, enfim, nos sentimos muito mais relaxados para melhor observarmos e absorvermos. Isso sem mencionar a possibilidade de comprarmos a preços realmente mais vantajosos, ainda que os guias sejam comissionados.

Cobre , ferro, latão, madeira, couro, cerâmica. Tudo de 

                        Nenhuma viagem a Marrakech estará completa sem uma exploração dos souqs. Movimentados, labirínticos, sombrios, são os lugares mais fascinantes da cidade depois da Praça Djemaa el Fna. O Souk Smarine, por exemplo, fica na artéria principal do mesmo nome - Rue Samarine, movimentada e coberta com varas de madeira para a proteção contra o sol, é caminho para os Souk el Attarine e Souk el Kebir.  Foi o primeiro que visitamos e onde encontramos de jóias a camelos de madeira, de kaftans a babouches, de especiarias a açougues, de artigos de bronze e ferro a uma infinidade de produtos ora curiosos e peculiares, ora exóticos e belíssimos. 

 

                       Mesmo para os não orientados para compras, conhecer o artesanato marroquino e ver sua confecção é uma experiência magnífica e que nos faz perceber as fortes tradições das artes manuais daquele povo. É um programa de sonho, especialmente para quem está decorando sua casa, passar por lojas de tapetes, objetos de cerâmica, caixas de madeira em marcheteria, artigos de ferro e bronze e tecidos. Para os que pretendem comprar, é uma aventura. Para os que que não pretendem, é um desafio.  

 

  

                       Ter um bom sortimento de moedas marroquinas de 1-5 Dirhams (10 a 50 centavos de US$) para as gorjetas é uma atitude bastante prática e que evita aborrecimentos. Gorjetas em todo o percurso, especialmente para os que são fotografados exercendo seu trabalho manual em oficinas, é ato contínuo.  Para comprar, aceitam-se dólares e euros, convertidos a honestas taxas oficiais, além de cartões de crédito, aceitos apenas para compras de maior valor.  Pagar em dinheiro, na maioria das vezes é um meio de obter melhores preços.  Um guia é melhor trunfo, inestimável, para a mais que perfeita visita aos becos conhecendo a história, os tesouros escondidos, as curiosidades e os segredos do souq. 

    

                       As ruelas dos que começam ao norte da Djemaa el Fna são, na sua maioria, um aglomerado caótico e aparentemente desordenado de lojas de lojas estreitas em vias compartilhadas por pedestres, carrinhos de mão, burros com carga, carroças, motonetas e bicicletas, únicos meios de transporte que circulam no interior dos souqs.   

      

Tapetes, preferência de 9 entre 10 turistas nas compras no Souq de Marrakech

 

 

                     Como escolher entre milhares de lojas e bancas no souk?  São tantos os tesouros de Marrakech, de caftans de veludo e cashmere marroquino; sapatos e chinelos; jóias étnicas com pedras semi-preciosas, antiguidades, artesanato, objetos decorativos, bordados, cerâmica, jóias, tudo um verdadeiro tesouro de Aladin, cuja dificuldade maior é conter o desejo consumista.

        

                       Barganhar é essencial e a única recomendação que serve linearmente pra todos.  Os compradores devem oferecer um terço do que os vendedores pedem. Para se ter uma idéia da qualidade e dos preços,  visite Ensemble Artisanal, na Avenue Mohammed V, perto da Mesquita Koutoubia, um pequeno shopping center oficial do governo e centro de formação de artesãos que oferece produtos de qualidade a preços razoáveis e fixos.  Lembre-se de que negociar é cultural, além de esperado, mas fundamental, necessário. Todavia, levará anos para que tenhamos a habilidade deles e provavelmente nunca chegaremos ao nível de uma negociação efeticamente boa para nós.

 

  

                        Em resumo, tenha como meta pagar metade do que foi pedido, o que todavia só se alcança se partirmos de uma oferta equivalente a um terço do valor pedido pelo vendedor. O jogo começa sempre assim: vendedor oferece o dobro do que pensa vender, você oferece um terço e fecha-se por metade. Não leve uma negociação tão a sério ao ponto de aborrecer-se. Se de fato o que deseja comprar vale o que você está disposto a pagar, compre. Sempre uma compra, por menor e mais simples que seja, será uma experiência agradável e um relacionamento simpático e gentil. Os marroquinos são uma gente muito amigável e encantadora.

 

                        É impossível dar conselhos precisos sobre o quanto se deve pagar por algum produto, diante da grande variação de elementos que interferem no preço, inclusive o mais universal deles: a lei da oferta e da procura.  Além desse fundamental, a concorrência, a quantidade de turistas, a hora do dia, o tempo que cada um tem para dispender na negociação, entre tantas outras variáveis, podem definir o preço final. Minha sugestão é que você pague o que acha que vale a mercadoria e que jamais aceite o primeiro, o segundo e o terceiro preços. Feche no quarto, já é uma boa negociação.  Por favor, não fique como eu, com pena do vendedor e vergonha de achar que o está explorando!

 

 

    

                        Os Fondouk, ou Caravanserai, eram uma espécie de hotel para mercadores viajantes e depósito para suas mercadorias. A cidade tinha muitos fondouk onde os homens dormiam em quartos situados nos dois andares superiores, enquanto os seus cavalos e mulas descansavam no pátio interior, assim como as mercadorias. No pavimento térreo os artesãos e mercadores se estabeleciam vendendo produtos para a comunidade de viajantes mercadores.

  

Ferro batido no Souk dos Ferreiros  

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Tapetes

                        Uma experiência indispensável e inesquecível de uma visita ao souq é uma entrar numa boa loja de tapetes e ouvir e ver uma exposição técnica de exemplares da arte marroquina na confecção de tapetes e a história de cada tribo e estilo de trabalho. Entre a exposição de vários tipos de tapetes e igualmente numerosos goles de chá de hortelã gastam-se pelo menos duas horas numa loja de tapetes. Isso sem contar o tempo de negociação, pagamento e embalagem de alguma compra. Não há dois tapetes iguais, pois os desenhos não são previamente definido, a não ser a criatividade de cada artesã.  São dezenas de tipos provenientes da região do Alto Atlas tapetes, feitos com 100% de lã tingida com corantes vegetais e bordados. Os preços são geralmente metade, mas podem chegar até a um terço daqueles encontrados no Brasil.

 

Souk dos Tintureiros 

 

                        Para comprar tapetes deve-se reservar uma manhã ou tarde: passam-se horas entre a vista, a seleção, a escolha final, a negociação, a compra e o pagamento, tudo entremeado por bate papo simpático e  chá de menta doce. As negativas, os suspiros e os sorrisos, especialmente a cada novo tapete desenrolado, são resultado de uma experiência inesquecível que é compreender tecnicamente a confecção e a história dos tapetes marroquinos. São cerca de quinze tipos da região do Alto Atlas feitos com 100% de lã e tingidos com cores vegetais. Os mais simples, do tipo Kilim, tecidos de maneira mais rústica, podem conter bordados.  

 

Foudouks, Patrimônio Nacional do Marrocos 

                        Basicamente, as cores, o desenho, a tintura, a qualidade do trabalho, a quantidade de nós por metro quadrado, o material e as dimensões, além da procedência, são o que determina o preço de um tapete. Numa loja é possível encontrar exemplares de US $150 a $12.000, preços que podem variar para menos em até metade, dependendo da qualidade, dos que se encontram no Brasil. Difícil é sucumbir à vontade e não voltar com um tapete.

                         Dizem as estatísticas que 70% das viagens de férias ao Marrocos envolvem a compra de um tapete.  Mas como ter a certeza que estamos comprando algo de valor e pagando o preço justo? O "The Observer" fez um guia para principiantes aventurarem-se com menos riscos na compra de tapetes orientais.

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Farmácias e bruxarias

                        Não perca a oportunidade de visitar uma farmácia marroquina no souq, um dos lugares mais misteriosos e esquisitos, onde encontra-se de tudo para as mais curiosas curas, de dor de dente a artrite. Até poções mágicas que prometem restaurar corações partidos e pós e poções feitas de ervas locais, lagartos secos e outras "figuras" do reino animal como sapos e aranhas.

  

                         Para nós, ocidentais, as seções mais atraentes são as de essências e perfumes e a de especiarias. Ninguém resiste a comprar uma pedra de âmbar, uns gramas de açafrão, curry marroquino, temperos atraentes e uma infinidade colorida e aromática exposta em vidros. Ouvir as explicações dos vendedores é um programa que vai do cômico ao surpreendente. Há misturas de especiarias muito populares nessas farmácias naturais onde encontram-se também de moldes para desenhos de tatuagens a henna a delineadores de olhos bem ao estilo "O Clone", essência de almíscar e óleos essenciais diversos.

  

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Roupas tradicionais

                        Quem vai a uma festa sempre acaba comprando alguma roupa, especialmente as mulheres. Quando há programação de passarem uma noite no Chez Ali (Fantasia Moroccan Dinner and Cultural Show) as turistas ocidentais vão vestidas de marroquinas com lenços de cabeça decorados com medalhinhas e outros adereços. É mais uma experiência interessante de compras no souq entrar nas lojas de roupas tradicionais: são caftans, roupas tradicionais femininas, djellabas, tudo disponível em boa variedade de estilos e materiais que vão desde o algodão e o poliéster até a seda.

 

Tanneries de Marrakech: no souk, há séculos a mesma técnica mal cheirosa... 

 

                       Os preços começam ao redor dos 25 dólares e podem chegar aos 600 por uma peça para ocasiões especiais, como festas e casamentos. Todavia, se quiser comprar algo realmente de qualidade pergunte ao seu guia onde ele compra suas roupas típicas. Provavelmente será em alfaiatarias especiais.

Hortelã em raminhos, para colocar no nariz ao entrar nos mal cheirosos curtumes 

Nota: Fantasia é o nome de um espetáculo turístico. Sim, turístico mas que não se deve perder.  Centenas de cavalos árabes, alguns camelos e guerreiros árabes do deserto, grupos bérberes folclóricos autênticos de homens e mulheres vestindo roupas tradicionais belíssimas.  Você pode experimentar o Fantasia à noite, num lugar especialmente construído fora dos muros da cidade, perto da Jdid Bab, o Chez Ali.  É turístico, mas tenho certeza que você não vai se esquecer da experiência.

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Produtos de couro

                       Se você não conheceu os curtumes do souk de Fez, conheça o de Marrakech. Ainda que suas "tanneries" - os curtumes que usam a mesma técnica de curtição e tingimento há centenas de anos – sejam extremamente mais simples que as da cidade irmã,  é um dos locais mais fotografados da África, muito curioso, uma experiência odorífica interessante que nos mostra como o couro é tratado em cubas que contêm fezes de pombos e cal.  Os guias dão uns raminhos de arruda ou hortelã para colocarmos no nariz e disfarçar o odor, mas ele não é assim tão desagradável. No Souk Sebbaghine (dos Tintureiros).

 

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Souk Semmarine

 

                        A Place Rahba Kedima é também o lugar onde ficam as barracas bérberes que vendem de cosméticos a ervas e poções de origem vegetal e animal. Também há barracas de chapéus de lã e cestaria. O Souk Zrabia, ainda na praça Rahba Kedima, tem uma passagem na extrema esquerda que leva a outra seção de pequenos quadrados cobertos e ao souq de tapetes - Souk Zrabia – cujo nome em francês Criée Le Berbere (“leilão bérbere”), nos remete à ocupação francesa em 1912. Este foi o lugar onde se faziam de leilões de escravos, na maioria africanos ocidentais sequestrados da caravanas que operavam a rota entre a África Ocidental e América do Norte. Voltando na rua do Souk Semmarine, chega-se ao Souk el Kebir onde fica uma área chamada Kissarias: entrando-se à esquerda na Rue Souk el Attarin e na Rue Souk el Kebir fica uma área coberta conhecida como o "kissarias",  mercados de vestuário, calçados populares e lembranças típicas do Marrocos, os souvenires. À direita do Souk el Kebir há uma pequena faixa de lojinhas de joalheiros chamado Souk des Bijoutiers, onde encontra-se uma placa com o nome BIJOUTERIE TEGMOUTIENE, com uma boa seleção de jóias de prata e ouro, de pulseiras a brincos, de anéis a colares.  Há também bules de prata e bandejas no bazar dos joalheiros, onde também se podem ver alguns artesãos trabalhando os metais.

      

                        Souk Cherratin:  indo além do kissarias em direção ao extremo norte da Rue Souk el Kebir, há um labirinto de vielas chamado Souk Cherratin, onde ficam os comerciantes de artigos couro, como sapateiros que fazem sandálias e artesãos especializados em bolsas e cintos, assim como também em menor número, carpinteiros e lojas para turistas. Adiante, à esquerda da Rue Souk el Attarin fica o Souk Smata, - de especiarias e perfumes - e do outro lado do kissarias, o Souk des Babouches, em referência aos chinelos típicos árabes de todas as cores encontrados aqui.

                         Souk Chouari e Souk Haddadine:  a oeste do Souk Smata fica o Souk Chouari, dos carpinteiros, no qual se pode sentir o aroma de cedro fresco que está sendo trabalhado nas oficinas. Mais adiante fica o Souk Haddadine, de ferreiros e latoeiros e o Souk des Teinturiers, o mais colorido e fotogênico de Marrakech, onde lãs e tecidos são tingidos e pendurados em varais para secarem ao tempo.

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Odores e cores. São as lojas de especiarias

                        Noz-moscada, macis, grãos do paraíso, pimenta-longa, cúbeba, bagas de zimbro, cardamomo, pimenta branca, semente de nigella, casca de cassia, colorau, açafrão, gengibre em pó, sementes de rúcula...

                         Uma paleta de pintura com odores.  É assim que se parece uma loja de especiarias e temperos do souk de Marrakech. As cores do artista vão do vermelho elétrico ao amarelo e ao verde, passando por tons pastel de ocre e marrom.  Não sei o efeito de cada um isoladamente, mas sua mistura chega às narinas e deixa vários tons e notas, do ácido ao doce, do amargo o seco. Há misturas que são verdadeira alquimia do tempero, especiais para peixes, carnes e tagines, como o ras el hanout- a mistura marroquina de especiarias bem famosa e popular, que se se encontram em todas as lojas, ainda que cada comerciante de especiaria tenha sua própria receita (ou seria fórmula?).  Algumas misturas chegam a levar 45 ingredientes, alguns dos quais só podem ser encontrados na África.

   

                        Você começa a sentir os aromas bem antes de chegar às ruelas das lojas de especiarias, com suas fileiras de cones bem altos dispostas nas bancas defronte a cada loja. Aqui um truque nos engana: na verdade são cones de papel revestidos com cola e polvilhados com especiarias como páprica e cominho. É a maneira que eles usam para propagandear suas encantadoras lojas aos transeuntes. Há algumas coisas bastante incomuns, como pedaços de âmbar (delicioso para colocar como aromatizante dentro de armários), sementes de rúcula, pimenta, pimentões exóticos, pimenta longa, e entre outros que deconheço: musk amarelado, flores de romã e benjoim, raízes secas, e até o "Viagra Berbere", que parece ser ginseng. Outras são mais familiares, como o açafrão marroquino, páprica, canela e cravo da Índia. 

 

                        Um arco em treliça marca este trecho do souq, ladeado por lojas que vendem produtos têxteis e barracas de souvenires. Um pouco mais adiante, antes do final da rua Souk Semmarine e de uma bifurcação, ficam o Souk Larzal, o Souk Btana e a Praça Rahba Kedima. Uma rua estreita à direita leva a esta pequena praça, a Rahba Kedima, onde à direita fica o Larzal Souk, um mercado de lã e de roupas, assim como o aromático Souk Btana.

     

   

                        Se pensarmos na cozinha marroquina imediatamente o tajine nos virá à mente e assim foi sempre que decidíamos comer na Medina. Começávamos com uma salada, passávamos ao tajine de cordeiro com ameixas e vegetariano). terminávamos a refeição com doces variados e com um tradicional copo de chá de hortelã ainda mais doce que o mais doce dos doces. Foi o que fizemos no Dar es Salam Restaurante.

    

Restaurant Dar Essalam

 http://www.restaurant-daressalam-maroc.com/english/restaurant-marrakech-salon-kdim.php3

http://www.tripadvisor.com/Restaurant_Review-g293734-d1119599-Reviews-Dar_Essalam-Marrakech.html

 

Reader Comments (10)

Fotos perfeitas mesmo =)

Excelente!
Este post é um desafio. Não acho que ninguém poda conseguir plasmar a vida cotidiana marroquí como você faz, Arnaldo. Pode olhar as entranhas dum povo, a cotidianidade das vidas anônimas, a rusticidade. Adorei o post do princípio do fim.

Também acho que com este post você mostra a dureza, não buscada por as pessoas, mas sim encontrada da pobreza de muitos. Olhada dos que não tem nome.

Parabéns.

17:52 | Unregistered CommenterCarmen

Estar com um guia para explorar os souqs foi realmente a melhor escolha: o ambiente tem tantos estímulos, que é um alívio poder tirar a atenção do mapa para poder se concentrar em todo o resto! Afinal, o interessante é sair da retidão certa da Semmarine para poder se perder nas laterais...a maravilhosa luz filtrando pelas frestas das kissarias, se sentir no lado B de Marrakech no souq dos ferreiros, percorrendo os outros mercados em direção ao lindo bairro de El Ksour, com suas fontes, riads, mesquitas e crianças correndo pela rua.
'...e crianças jogam bola em campos minúsculos que só a imaginação os faz possíveis.' Lindo. Voltei no tempo e naquele exato ponto da medina...

11:51 | Unregistered CommenterEmília

Olá!

Criei um blogue sobre as minhas viagens.
Visitem e comentem:

http://www.traveling-living.blogspot.com/

Obrigada!

Oi Arnaldo! Tentei te adicionar o feed do seu blog ao meu Google Reader e não consegui. Tentei manualmente e no link que aparece na barra. Será que é um problema geral ou foi só comigo?

Um abraço e parabéns pelo seu maravilhoso blog, acompanho há muito tempo, desde aquela terrível época que vc quase desistiu :D

19:36 | Unregistered CommenterFran

Estou me esbaldando com os posts do marrocos, onde pretendo ir na virada do ano. As fotos - as usual - estao lindissimas!! Adoro este contraste e a saturacao forte! Voce usa lightroom? Eu acabei de adquirir o meu, mas ainda nao estreiei. Vou ver como ele funciona nas fotos da proxima viagem - kenya e tanzania - na semana que vem.
Beijos ao casal!

Ola Arnaldo,

seu blog e simplesmente sensacional! Estou planejando uma viagem a Marrakech e essas informaçoes sao precisosas. Tenho duas perguntas sobre esse post:

1. Pelo que li, voce conheceu os Souks em 2 dias, sendo o segundo com guia. Voce acha possivel, com guia, conhecer tudo em um dia ou ficaria muito corrido?

2. Como se consegue contratar esses guias? Tem algum contato que voce possa passar?

Obrigado!

Gustavo, é perfeitamente possível conhecer e explorar bem o souq de Marrakech num dia. Não temos indicação de guia porque contratamos um através de nosso hotel. Sugiro contatar a Recepção ou Concierge de seu hotel e pedir a indicação de um guia oficial, como fizemos. Não aceite ofertas de guias nas ruas e certifique-se de que seu hotel indicará um guia oficial (com identificação do governo).

Boa viagem e volte pra contar.

Vou para Marrakech no final julho inicio de agosto ,fiquei fascinada com o que vc escreveu ,estou achando que vou ficar pouco tempo (tres dias) ,para poder apreciar tudo.Obrigada já comecei a viajar.

Olá, fiquei com uma dúvida. Você utilizou o Inglês para se comunicar com todos, incluindo o guia e vendedores de lojas? Caso não tenha sido o inglês, como foi a comunicação?

Obrigada!!

17:51 | Unregistered CommenterRafaela

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