CONHEÇA O AUTOR

          

         Depois de estabelecer-se na Internet desde 1999 escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo (Editora Abril). Agora, Arnaldo prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando na literatura com um livro encantador que, segundo o autor, é o primeiro de uma série.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui neste blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de uma conversa baseada na informalidade, o livro mistura traços de coloquialidade e informalidade com uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, mas é apenas uma outra maneira de me expressar sobre viagens, transmitir sem fantasias o mundo que vejo, isto é, como ele é, não como o imagino. A leitura revelará, todavia, aqui e ali, discrepâncias entre minhas expectativas e a realidade confirmada no destino. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". Então, a partir deste meu primeiro, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase da minha vida.

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo Trindade Affonso é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti 2013 na categoria Reportagens

Ronize Aline:

            "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária e crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista passou pelas redações das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

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Quinta-feira
Jun172010

ILHAS MAURÍCIO - Port Louis. O paraíso do Índico tem Capital  

É hora de deixar a praia, pegar a estrada e conhecer Port Louis, a Capital

                      EM algum momento de sua estada em Maurícios chegará a hora de deixar a piscina, o mar e as mordomias do seu resort para visitar Port Louis - a Capital do país-arquipélago.  Sim, o Paraíso tem capital, e para se chegar a ela é preciso apenas atravessar parte da ilha trafegando por suas estreitas mas boas estradas cercadas por verde, bordeadas por mar ou por pequenas cidades ao longo do trajeto de ida e volta.  Ao aproximar-se da cidade grande um trânsito congestionado anunciará que chegou-se ao burburinho. Contudo, a cidade é muito tranquila e civilizada, extremamente pitoresca e atraente.

  

 Ainda que possa parecer, não é sacrifício deixar a piscina, a praia, o conforto e as mordominas de seu hotel para ir a Port Louis explorar a Capital e o restante da ilha.

  

                         SIM, é chegada a hora de tirarmos os pés da água (do mar ou da piscina, e ambos do mesmo tom de azul) ou da areia, levantarmos da espreguiçadeira de praia, sairmos de baixo do guarda sol, largarmos aquele livro, as mordominas, o repouso e a contemplação e partirmos para a Capital.

 

   

                         A partir de qualquer hotel pode-se percorrer toda a ilha e chegar a Port Louis, uma das melhores atrações, uma ótima opção de passeio entre tantos que há na ilha, recomendável depois de explorarmos as praias e a piscina do hotel.  A Capital é muito peculiar. Nela é possível nos sentirmos na África como nunca. Explorar Port Louis - passeando a pé e misturando-se ao povo e ao burburinho num dia de semana ensolarado - significa experimentar uma típica Capital de um pequeno país do sul e do leste do continente africano, tal qual seriam as Capitais do Quênia, da Tanzânia ou da Namíbia.  É conhecer o lado mais genuíno, autêntico, antigo, movimentado e urbano da ilha.

  

Burburinho, trânsito e dificuldade de estacionamentos? em Maurícios, só em Port Louis.

       

                       VALE a pena deixar a contemplação do azul do mar, o repouso reconfortante do hotel, a leitura, os mergulhos no mar e na piscina para um dia de visita à cidade.

 

  

                        É muito fácil.  Pode-se ir por conta própria - seja através da locação de um carro (o que eu não recomendo) ou de um taxi -  ou através de guias particulares e excursões. Novamente neste passeio optamos pela mais recomendável: contratar um taxi que fique à sua disposição o dia inteiro, que busque no hotel às 9 da manhã e deixe de volta às 6 da noite. 

     Para se chegar a Port Louis é preciso apenas atravessar parte da ilha, trafegando-se por suas estreitas mas boas estradas bordeadas pelo onipresente verde da cana de açúcar

                        O nosso roteiro foi mais ou menos padronizado (não há muito o que criar em termos de passeios na ilha, ou seja, em quatro dias conhecem-se as regiõs norte, sul, leste e oeste, incluindo a capital), todos eles já amplamente conhecidos dos taxistas. Todavia parando onde e pelo tempo que queríamos, personalizamos nossos passeios e os diferenciamos no que era possível, permanecendo em cada lugar de parada pelo tempo que desejávamos.  Há muitos pacotes turísticos largamente propagandeados nos hotéis e nas revistas, que podem ser reservados nas portarias ou recepções dos hotéis, adequado-os aos gostos e necessidades de cada, especialmente para aqueles que preferem visitas guiadas.

 

   

                       TODAVIA seja simples, há uma recomendação importante para economia de dinheiro: chamando um taxi pela Conciergerie do hotel, o custo seria de 80 Euros por meio dia. Ligamos para uma central de taxi e contratamos um pelos mesmos 80 Euros, mas para o dia inteiro!

  

 

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A Capital   

                          PORT Louis aparenta ser demasiadamente grande, mesmo tratando-se da Capital de um país pequeno país como Maurícios, especialmente se antes o visitante já tiver explorado as outras regiões da ilha, cujas características são tão opostas às de Port Louis, isto é, muito mais rurais e residenciais, tranquilas e menos densas.  A Cidade tem mesmo a típica aparência de uma cidade portuária, mas também a de uma Capital...

 

 

 

... e com tudo aquilo que todas têm, de centro financeiro e o adminstrativo a comércio, shoppings e edifícios.  Mas é nos bairros mais antigos, como o centro velho e comercial, como Plaine Verte, Chinatown, Ward IV e Vallee Pitot, que Port Louis é aparenta ser mais atraente. 

 

  

   Port Louis é uma típica Capital de um pequeno país do sul e do leste do continente africano 

 

 Pode-se ir por conta própria, através da locação de um carro ou de um taxi, ou ainda através de ônibus regulares ou particulares de excursões. Informe-se na Conciergerie de seu hotel.

  

                        É também a cidade mais antiga da república-arquipélago, fundada pelos franceses em 1735 como um porto de reprovisionamento de navios que faziam a rota do Cabo da Boa Esperança.  A maior parte da mão de obra empregada na construção do porto foi de indianos tâmil, que estabaleceram-se depois definitivamente na ilha dando a origem mais evidente da raça do povo das Ilhas Maurício.  O porto ganhou o nome em homenagem ao rei Louis XV.  O primeiro governador da ilha foi o conde Bertrand François Mahé de La Bourdonnais.

     

 

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Cavalos, templos, modernidade e tradição

 

 

 

                        UMA mesquita na Rue de la Gourdonnée - centro do Centro da Cidade de Port Louis - fica a curta distância de um templo hindu, que por sua vez fica pertinho de uma igreja católica, a Catedral da ilha.  A mesquita Jummah Masjid é um bonito edifício com fachada interesssante e tem um interior ainda mais belo, cujas moldagens de gesso tipicamente islâmicas que ornam parte do templo - uma verdadeira obra escultórica de ornamentação - é o mais atraente extremamente.  O interior da mesquita, para além de tão bonita, parece um oásis urbano.

 

ACIMA: edifício que assume o estilo da Mesquita Jummah Masjid, ao seu lado, em Port Louis

ABAIXO: o interior da Mesquita Jummah Masjid

    

 

                       NO meio da movimentada, ruidosa Chinatown, esta é uma das poucas mesquitas no mundo abertas à visitação de não muçulmanos, por isso mesmo altamente recomendável. Todavia não podemos entrar na sala de oração, apenas no pátio interior que a antecede e na área das abrluções.  Como em todo templo islâmico, vale lembrar que mulheres e homens devem estar vestidos como determinam os preceitos islâmicos: mulheres não precisam de um lenço de cabeça, mas ombros e decote devem estar cobertos, e os homens devem estar de calças compridas.

 

 

  A Jummah Masjid fica na Royal Road, Centro de Port Louis. Um oásis em meio ao burburinho 

   

 

                       DEPOIS de sua visita à mesquita, uma das mais recomendáveis atrações da região não é exatamente turística, mas  gastronômica.  Extremamente popular na ilha e nos guias turísticos,  fica bem próxima do templo: é o First Restaurant, situado bem na esquina das Rues Royale e Corderie.  Trata-se de um dos mais típicos restaurantes chineses da ilha e da própria Chinatown -  que além de seus vendedores de chow mein e almôndegas de peixe,  tem uma comida excelente e deliciosa - o First Restaurant pode não ser a mais luxuosa experiência gastronômica da ilha, e decerto está bem longe disso, mas certamente uma das mais agradáveis, curiosas refeições em Maurícios.  O First é altamente recomendável por muitos estrangeiros que o frequentam, em razão da criatividade de seus cozinheiros na elaboração de pratos inovadors.  Aos domingos, o tradicional yum-cha, espécie de brunch chinês, costuma lotar a casa. 

 

    

 

Se você olhar bem por fora....não vai querer conhecer por dentro! 

 

                          

 

                         O lugar é destacado no Lonely Planet de Maurícios com uma simpática referência: “Se a velha regra de que um bom restaurante chinês deva estar cheio de comensais chineses, então o First Restaurant é um vencedor. Nele grupos famílias desfrutam dos prazeres da vasta, deliciosa cozinha cantonesa, onde o preço é surpreendentemente razoável para a qualidade da comida do mais recomendável restaurante de Chinatown.”  Ainda que externamente sua aparência não o recomende, especialmente tratando-se de restaurantes chineses, que universalmente são reconhecidos como não exemplares na higiene, o First é um programa, especialmente num local não tão bem servido de restaurantes.

 

 

ACIMA e ABAIXO: o Centro Velho de Port Louis, a Capital de Maurícios - (Farquhar Street)

          

 

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Comer em Maurícios: uma experiência sempre agradável, do rústico ao luxuoso

                       TANTAS influências culturais diferentes num tão reduzido território resultaram num variado cardápio gastronômico de influências étnicas.   Neste particular, pela gastronomia de Maurícios é possível "viajar" por vários cantos do planeta sem sair das mesas.  A ilha tem uma cozinha muito própria, resultante justamente da combinação de diferentes culturas e tradições culinárias e de uma certa característica aventureira do povo local através da gastronomia. A comida de origem crioula, chinesa, indiana e muçulmana afirma o passado mas está de olho no presente:  alguns chefs estreladísismos como Paul Bocuse, Troisgros, Alan Ducasse e outros nem tão conhecidos mas promissores, que já visitaram a ilha desempenhando seu papel na criação de uma cozinha de qualidade e criativa, moderna e antenada com o que acontece no mundo.  E apesar de cozinha internacional estar disponível, não se deve deixar de experimentar o prazer de comer comida local, especialmente os bolinhos fritos como o Gato pima (de chilli), Samoussa, Gato patate (de batatas), Pima farci (também de chilli, afinal estamos na “china” e na “ índia”), Gato bringelles (de beringelas), Gâteaux de piments e Purri dholl, Roti, Farata (todos umas variações de panquecas indianas de trigo recheadas, servidas com molho de tomate). Tudo oleoso e frito, mas...

 

  

 

O Restaurante Safran, do Le Touessrok Resort 

                         A cozinha popular mauriciana consegue mesclar com prudência mas criatividade a elegância da cozinha francesa com as culinárias indiana e chinesa.  Carnes, peixe e frutos do mar quase sempre levam o curry,  o vindaye - um molho de açafrão e mostarda - e o rougail, um molho de tomate picante que leva pimenta, gengibre, cebola, alho e sal.  Para acompanhar, o arroz branco com o achard (um condimento feito de frutas e legumes picados e pimenta), o chutney (de frutas ou de chilli, coentro, alho e cebola).  Os pratos de peixe dominam os cardápios, seguidos das lagostas, ostras, caranguejos, camarões e afins.

 

                         DURANTE nossa estada na ilha não podemos afirmar que exploramos a cozinha local, o que demandaria tempo demais na estada. Salvo dois restaurantes locais durante nossos passeios exploratórios, onde comemos razoavelmente e a preços populares, comíamos no hotel (Le Touessrok), não apenas porque tínhamos um crédito em dinheiro para gastar em alimentação, mas também porque as opções eram muito satisfatórias e incorriam pela culinária local e internacional.  Além do Safran, no Le Touessrok, e do Spoon des Îles Restaurant by Alain Ducasse, no One&Only Le Saint Géran, excepcionais experiências gastronômicas na ilha, comíamos à noite no ótimo Three-Nine-Eight do Le Touessrok, cujas especialidades são uma curiosa e interessante incursão por nove cozinhas do mundo.

 

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O que ver na Capital do Paraíso

                       PORT Louis merece sim uma visita, algo que não demanda mais do que três ou quatro horas de seu tempo na ilha.  No entanto, que essas poucas horas sejam bem aproveitadas é recomendável.  Passear por seu Mercado Central, cujo exterior é pra turista - tanto preços quanto produtos -  e o interior para os locais, é um dos mais recomendáveis programas na Capital.  

            

                       A cidade conserva muitos de seus edifícios históricos coloniais, e um dos mais importantes, ainda que não o mais bonito, é Fort Adelaide ou La Citadelle, construído pelos britânicos em 1835. Do alto da colina onde ele está, tem-se uma vista aérea que domina a cidade, a partir de onde pode-se observar toda a urbanização de Port Louis e a cadeia de montanhas que a cerca, a Port Louis Moka Range. Entre as montanhas mais famosas desta cadeia estão Le Pouce e Pieter Both, que elevam-se a cerca de 800 metros do nível do mar. 

    

                          A Cidade de Port Louis era frequentada por holandeses e os franceses apenas no verão, desde os anos 1600 até o início dos 1700.  Em 1735, todavia, ela destacou-se em importância, quando Labourdonnais decidiu fazer de Port Louis o principal porto e sede da administração da ilha. Labourdonnais tinha planos para a cidade e  ordenou a construção de edifícios que manteriam os serviços adminstrativos essenciais para a colônia e aos  lucros da "Compagnie des Indes". Entre as obras de infra-estrutura, estavam o prédio central do governo, o quartel-general militar, aquedutos, hospitais, escolas, celeiros e silos, estaleiros apra reparos das embarcações, uma gráfica, uma fundição e um moinho, algumas das quais ainda hoje podem ser vistas.

     

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O Central Market da velha Port Louis - Honni soit qui mal y pense

                       DEIXE para trás o burburinho de carros, motonetas, pedestres e comércio desorganizado dos ambulantes e entre pelo portão de ferro para ir ao Central Market. Por esta entrada lateral à entrada principal, logo à direita, chega-se à parte externa e descoberta, a menos interessante do mercado. Se preferir, entre diretamente pela principal, chegando assim que passa pelo portão, ao interior do mercado de alimentos.

 

                     ASSIM que estiver defronte ao arco de ferro, note a inscrição (*) no topo do arco do portão do gradil de ferro fundido, feito em 1844 e dedicada à rainha Victoria.  Logo ao entrar no mercado tudo muda, o turbilhão de gente e camelôs do lado de fora parecem ter-se transformado em comerciantes muçulmanos, indianos, chineses e crioulos, todos tentando atrair - cada qual do seu jeito - a atenção dos que passam à frente de suas bancas e oferecem seus produtos. É um verdadeiro estímulo sensorial, especialmente apra a visão e o olfato, um passeio por entre as bancas de frutas, ervas, especiarias, poções, loções e todos os outros produtos oferecidos.  O Central é um verdadeiro  ponto de encontro de mauricianos que circulam freneticamente e compram do "cari" (curry) ao "dithé" (chá), de verduras a legumes, de artesanato aos "dholl purris".  

     

NOTA: (*) Honni soit qui mal y pense é uma expressão francesa que significa Envergonhe-se quem nisto vê malícia, muito usada em meios cultos. Também é o lema da Ordem da Jarreteira, comenda britânica criada pelo rei Eduardo III de Inglaterra, no tempo das Cruzadas. Diz a lenda que, em 1347, durante um baile, a Condessa de Salisbury, amante do mesmo Eduardo III, perdeu a sua liga, azul. O Rei mais que depressa recolocou-a, sob o olhar e sorrisos (cúmplice) dos nobres. O Rei grita então (em francês, que era a língua oficial da corte inglesa) "Messieurs, honni soit qui mal y pense! Ceux qui rient en ce moment seront un jour très honorés d'en porter une semblable, car ce ruban sera mis en tel honneur que les railleurs eux-mêmes le rechercheront avec empressement." (Maldito seja quem pense mal disto! Os que riem nesta hora ficarão um dia honradíssimos por usar uma igual, porque esta liga será posta em tal destaque que mesmo os trocistas a procurarão com avidez). No dia seguinte cria a ordem da Jarreteira, tendo como símbolo uma liga azul sobre fundo dourado, que ainda hoje é a mais prestigiosa ordem do Reino Unido, tendo somente 25 membros e cujo Grão Mestre é o monarca da Inglaterra. FONTE: Wikipedia

 

                         PORT Louis tem em seu Mercado Central, localizado no centro da parte mais antiga da cidade, uma demonstração de sua economia popular desde os tempos vitorianos. Renovado em 2004, parece não ter perdido seu charme, sua atmosfera africana, sua popularidade e alguma sujeira. Nem mesmo com a inclusão de um primeiro andar acessível por escadas rolantes, destinado a lojas de roupas e artigos típicos, possivelmente para atrair também turistas, além dos locais.  Decididamente parecem dois mundos diferentes, ainda que ligados por uma pequena escada.  É no andar térreo, todavia, precisamente onde se percebe como é a vida quotidiana de seus moradores ao assistirmos os vendedores ambulantes em seu trabalho e aos compradores de alguns de seus produtos. A parte mais autêntica é a seção de frutas, legumes e verduras, incluindo aí a de ervas farmaceuticas e afrodisíacos. Há também no mesmo primeiro andar a seção de carnes, peixe e frutos do mar.

                         É neste atraente mercado produtos locais que vemos algumas frutas, verduras e legumes bem incomuns e desconhecidos por nós. Tudo é no estilo “feira livre” ou “mercado central” de algumas cidades brasileiras, com balanças antigas de pesos, pastéis, especiarias, cestos de fibras naturais, peixe defumado, chás, açúcar e outros gêneros ou desconhecidos ou incomuns para nós.  A maior atração é mesmo o desfilar de gente, de turbantes, saris, véus muçulmanos, roupas ocidentais e fisionomias que vão do indiano local ao nórdico turístico.  Algum artesanato e ervas completam os produtos mais interessantes e peculiares.  Se tiver sorte verá um grupo de homens e mulheres dançando a Séga, a dança folclórida da ilha, cuja origem está em algum lugar no passado e do continente africano, cujo ritmo lembra os caribenhos e sulamericanos.

    

                      COMO souvenir, o artesanato mais comum e interessante e atraente são as miniaturas meticulosas em escala de modelos de navios, as cestarias, os bordados, as especiarias aromáticas, o rum e o chá de baunilha, uma especialidade local.  Em algum momento o seu taxista o avisará que vai levá-lo a um centro de artesanato tipicamente turístico, declarando que ele ganha comissões com isso e pedindo educadamente para você aceitar. Diante de uma proposta tão educada, aceitamos. Não foi tão ruim, afinal, mesmo sendo um centro de venda de produtos turísticos, pudemos conhecer produtos de grande variedade e qualidade, desde tapetes a jóias, móveis e artesanatos, artigos de decoração e vestuário.

O Hipódromo visto de Le Citadel, a fortificação militar com vista para a cidade   

                        DEPOIS do mercado, um passeio pela Capital passa pela orla e pelo que resta da época colonial expressa em fachadas de uma ou outra construção. Na orla há alguns cafés, lojas de grifes e coisas afins que atraem os turistas e os locais mais abastados. Depois passa-se pela da Place D’Armes, bem arborizada com palmeiras, no centro da qual há uma estátua do governador francês Bertrand de Labourdonnais...

 

 

 

... ao fundo tendo a interessante Casa do Governador como moldura. Na região há o Teatro Municipal, na Intendance Street, o Bairro Muçulmano, que só parece muçulmano no nome, a não ser pela mesquita Jummah, assim como o Bairro Chinês, esse sim, bastante colorido e com aquela personalidade que se encontra nos bairros chineses de qualquer lugar do mundo, de Cingapura ao Havaí.

     

 

                       PORT Louis conserva alguns edifícios históricos e coloniais, entre eles o Fort Adelaide, ou La Citadelle, construído pelos ingleses em 1835. Dele tem-se uma vista aérea da cidade e pode-se observar bem os domínios da cidade, a cadeia de montanhas Moka, onde destacam-se os montes Le Pouce e Pieter, que se elevam a cerca de 800 metros além do mar.

 

 

 

                      COMO acontece com qualquer cidade costeira onde o porto é o centro, a região do porto de Port Louis é o centro de onde tudo acontece, não o setor comercial e administrativo, mas a área dos barcos e navios que trazem os turistas para Maurícios. Na região há um shopping, The Caudan Waterfront, à beira-mar como diz seu nome, onde além de lojas há um centro de lazer e área de fast food à moda mauriciana de uma culinária gourmet. Também vale a pena uma caminhada pelo Port Louis Waterfront e pelo Police Barracks, conhecido como Les Casernes, nada mais do que uma estação de polícia.

 

  

 

 

                      A bonita Avenue Edward VII e o Fort Adelaide, uma cidadela fortificada da época de William IV, é de onde se tem uma das melhores vistas do hipódromo, da cidade e o porto.   Ao sul de Port Louis fica Le Réduit, em meio a jardins magníficos, a residência colonial francesa do Presidente das Ilhas Maurício. 

 

    

 

                      O Domaine Les Pailles, parque natural no sopé da Montanha Moka - no Pailles Valley - é uma viagem ao passado e pela história de Maurícios, além da possibilidade de uma ampla experiência culinária. Essa mansão rural típica desperta a imaginação com sua harmoniosa conjugação de história, cultura e natureza.  Numa área de 3000 hectares, entre suas atrações estão uma fonte natural, um jardim de especiarias, uma réplica de um engenho de açúcar e uma velha destilaria de rum. É possível também efetuar passeios pelo parque em veículos 4 x 4 e carruagens.

 

  

    

 

                      SE tiver tempo, visite o Blue Penny Museum, que exibe documentos raros que ajudam a divulgar a história da ilha, tais como mapas portugueses, os primeiros selos e publicações e algumas esculturas. O National History Museum, construído em 1771, expõe o passado marítimo da ilha através de diversos objetos remanescentes de batalhas históricas. O Photography Museum tem ótima coleção de fotografias e postais, uma boa fone de consulta para quem quer conhecer mais profundamente o passado da cidade. A Eureka House foi restaurada e então aberta ao público como museu, em 1986. É um dos melhores exemplos da arquitetura colonial do país.  Para os que gostam de espeortes relacionados com o montanhismo, as Tamarind Falls são quedas de água difíceis de se alcançar mas que valem por uma longa caminhada valem o sacrifício, dizem os guias.

 

  

   

 

                      ESTANDO em Port Louis, o Caudan Waterfront é um lugar ideal para entretenimento e compras, além de lazer e refeições.  Próximo ao porto, é um lugar moderno está conhecido como "Harbour Front", o shopping center tem 170 lojas.

 

Caudan Waterfront

http://www.caudan.com/

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Próximo capítulo:

 As Praias de Maurícios

 

                        QUALQUER guia impresso ou digital, toda fonte de consulta turística ou matéria na Internet sobre as Ilhas Maurício,  invariavelmente mencionará as três características mais comuns e exaltadas na ilha: as praias. Elas parecem ser incontáveis, mas todas de areias brancas, águas azul turqueza, clarinhas e cristalinas, com recifes de coral a protejerem no mar e verde verdejante limitando-as com a terra, com seus estupendos, incríveis resorts de luxo. Tudo o que faz de Maurícios um destino ideal para os clássico viajantes em férias de relaxamento ou para o que conjuga relaxamento com conhecimento.  O relevo vulcânico é tão inspirador e cativante, as cidades e os templos são tão atraentes, que é difícil conseguir permanecer isolado nos hotéis.  Acabamos de visitar a Capital Port Louis. Nos próximos capítulos visitaremos as praias e o interior da ilha, tudo um cenário encantador.

continua no próximo capítulo....

Reader Comments (10)

Port Louis foi realmente uma surpresa: movimentada, mas ao mesmo tempo com um clima de cidade pequena, especialmente quando se sobe as ruas se afastando do porto. Um gostinho de África, um gostinho de Ásia...Gente comprando e vendendo no meio da rua, estudantes uniformizadas voltando da escola, placas em chinês, casas antigas com portas grandes de madeira (vontade de fotografar todas!)
Considerando todas as lindas paisagens de Maurícios, uma das minhas memórias mais persistentes é a de caminhar pelas ruas de Port Louis. Muito marcante.

9:29 | Unregistered CommenterEmília

Desde sempre eu quero conhecer ilha Maurícios e também a ilha Reunión. Vi um documental maravilhoso faz já 10 anos e as imagens das ilhas ter ficado em a mihna mente. Para mim, a mistura de culturas e povos e esse ar antigo de alguns edifício é muito interessante.
Lindo lugar mágico!!!!!!!!!!!
Adorei as fotos

11:40 | Unregistered CommenterCarmen

Que lugar encantador !! E as fotos estão show !!
Abraços

As fotos, como sempre, impecáveis!
Adorei o post! Um guia de Port Louis!

14:43 | Unregistered CommenterPaula*

Apesar do atraso... ca estou eu colocando toda a leitura em dia ;-)
Que delicia matar as saudades de Mauricio, e da agitada Port Louis, com essas fotos belissimas. Adorei.

MARI, como sempre, agradeço a gentil visita e os comentários...

Ainda terei novas matérias sobre Maurícios (especialmente as praias e demais atrações). Confesso que tenho muita coisa para escrever no blog, mas atividades pessoais minahs e da Emília, diversos compromissos, aulas de música (tocamos ela piano e eu contrabaixo acústico), viagens, enfim, tanta coisa andando (e bem!) que nosso foco não em sido nossos blogs. Mas sempre é bom receber visitas como as suas e ler comentários.

Muito grato e bom retorno ao Brasil ao fim de sua última viagem à Espanha.

exelente post!!
gostaria se possivel conversarmos por e-mail pois estou indo em junho em lua de mel e tenho algumas perguntas simples.
desde já agradeço
orlando

19:30 | Unregistered Commenterorlando

ORLANDO, terei prazer em responder suas questões aqui mesmo. Sendo simples, mas não há porque serem por e mail.

Esta sequência de posts sobre as Ilhas Maurícios é uma jóia da literatura de viagem. Mais do que isso, é um trabalho pelo qual ninguém poderia ter pago. Não dá para comprar algo assim através de uma revista. E há algumas poucas revistas como Viagem & Turismo, Lonely Planet, Guia Ilustrado da Folha, com bastante qualidade e que prestam um bom serviço. Mas, por mais qualidade que uma revista tenha, a experiência, o bom gosto, a sensibilidade e, acima de tudo, o bom senso, não "caem do céu". Levam-se anos para consegui-los e não há garantias de que sejam realmente alcançados. Muito obrigado por compartilhar tudo isso conosco.

Desculpem, meus queridos, pela demora em responder. Ainda maiores desculpas por ser um comentário tão elogioso, gentil e (convenhamos) exagerado. Vocês são parciais, não vale! Bem, nem eu mesmo sou mais assíduo ao blog e vez por outra passa muito tempo com mensagens esperando respostas. Vcs sabem que agora todos vão ao Twitter e Instagram, que blogs cada dia têm menos audiência e ainda menos comentários. De todo modo, espero que as matérias de Maurícios os ajudem bastante a curtirem (e amarem!) a ilha como eu e Emília.

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