CONHEÇA O AUTOR

          

         Depois de estabelecer-se na Internet desde 1999 escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo (Editora Abril). Agora, Arnaldo prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando na literatura com um livro encantador que, segundo o autor, é o primeiro de uma série.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui neste blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de uma conversa baseada na informalidade, o livro mistura traços de coloquialidade e informalidade com uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, mas é apenas uma outra maneira de me expressar sobre viagens, transmitir sem fantasias o mundo que vejo, isto é, como ele é, não como o imagino. A leitura revelará, todavia, aqui e ali, discrepâncias entre minhas expectativas e a realidade confirmada no destino. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". Então, a partir deste meu primeiro, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase da minha vida.

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo Trindade Affonso é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti 2013 na categoria Reportagens

Ronize Aline:

            "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária e crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista passou pelas redações das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

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Quinta-feira
Jun242010

ÍNDIA - A próxima viagem

   

Rajastanis - Fotos de Pedro Solti -pedrosolti no Flickr

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  O COMEÇO DE TUDO: a Índia me chamava

ERA uma fronteira invisível, uma linha imaginária que separava fantasia da realidade.   Do lado de cá, Índia, um país estranho e incompreensível, mas com grande influência na minha imaginação.  O meu olhar para o país revelava sentimentos desorientados e antagônicos, de tal maneira que ao longo da vida fui construindo no pensamento uma forma tão bizarra quanto fantasiosa de classificação da Índia: na melhor das hipóteses uma versão do Inferno na Terra, o fim do mundo ou, ainda, o que eu imaginava ser o mundo perto de seu fim.    Aquela aversão impunha-se asquerosa, fedorenta, como se o pensamento não viesse da mente.   A Índia figurava como um lugar tão obscuro na minha mente que qualquer pensamento jamais aproximara-se de torná-la um desejo, mesmo quando ocasionalmente despertava-me certa curiosidade na transposição daquela fronteira imaginária. Todavia permanecia uma Índia particular, a minha Índia, tão miserável e contaminada que eu temia até mesmo imaginar, quanto mais desejar. 

Cenas de Nova Delhi - Foto da Galeria de Entrelec no Flickr

                    A dura realidade de uma viagem àquele país tão complexo representava uma experiência indesejável, insana, quase uma irresponsabilidade não construtiva, um desatino!. A Índia resumia-se nalgo inteiramente dispensável, ainda que vez por outra me provocasse, que a curiosidade traísse a aversão.  Todavia todos aqueles sentimentos não passavam de um misto complexo, quase incompreensível,  um “desejo-repulsa”, um “amor-desamor”, uma “hostilidade-atração” ou “amor que aniquila”.

Galeria de retlaw snellac - FLICKR 

                    AO contrário da Índia da novela, aminha” Índia não era tão exuberante, não tinha palácios nem templos, não era colorida, nem cheia de sons, não era exótica, tampouco atraente.  A minha Índia resumia-se em miséria e fome, contida no desprezível sistema de castas, mostrada nas vacas sagradas a vaguearem nas ruas disputando o lixo com todo o outro universo gigantesco de toda a sorte de indivíduos igualmente miseráveis e desasistidos: de homens a ratos.   Era o país dos loucos sadhus, dos corpos putrefatos boiando no Ganges, de bem maior feíura que beleza, dos casamentos arranjados, da desvalorização da mulher, dos rituais religiosos pra lá de esquisitos, de tão numerosas quanto estranhas divindades.

                    DIZEM que odiar é também uma forma de amar, ainda que diferente. Definem os espertos que é assim, porque o coração nem sempre consegue identificar e classificar todos os sentimentos com a mesma precisão. Friedrich Nietzsche definiu tal reação escrevendo que “odiamos apenas o que está a nossa altura ou é superior a nós”. Foi lendo tal definição que compreendi que a Índia era muito superior a mim. Talvez tenha sido essa a semente para que o tempo - o tal senhor da razão, que amadurece o corpo e atenua a mente -  transformasse o desprezo em sonho.  Foi assim, sem perceber, que sucumbi ao “canto da sereia”, ainda que soubesse de seus perigos. 

                  A Índia me chamava como as ninfas do mar, cujas vozes tão mágicas e sedutoras atraíam os marinheiros que navegavam junto aos rochedos de Capri.  Tão lindas elas eram, tão doces os seus cantos,  tão trágicas suas consequências: a colisão dos navios com os rochedos e seu aprisionamento para o serviço eterno às ninfas do mar.

 

  Rajastanis - Galeria de Entrelec no Flickr

                DA aversão ao sonho,  para nascer o desejo de cruzar aquela fronteira foram necessários muitos anos.  Da fantasia à realidade, uma viagem à Índia foi surgindo timidamente, como num processo de ampliação fotográfica em preto e branco, aquele em que as imagens vão surgindo aos poucos no papel fotográfico mergulhado na solução química reveladora.   Como fantasmas a se materializarem, o que fora gravado no papel vai aparecendo lentamente até atingir a plenitude da definição.  Da ausência de tudo representada pela alvura do papel ao contraste pleno de pretos, barncos e cinzas, daquele jeito bem mágico e romântico que só os apaixonados pela ampliação fotográfica conseguem definir, assim foi-se revelando aquele país tão obscuro, como num processo fotográfico em preto e branco. (*)

 

Índia em P&B - Galeria de JeanLucWeber FLICKR

(*) Nota: quanto eu tinha 15 anos, eu e meu irmão mais velho tínhamos gosto e algum conhecimento em revelação fotográfica.  Num quarto de empregada desativado montamos nosso próprio laboratório. Era nele que fazíamos nossas próprias revelações e ampliações em P&B. O quarto escuro era cheio de traquitanas e equipamentos, mas tinha como destaque o ampliador fotográfico, da marca Durst.  Alí vivíamos momentos fabulosos, vendo centenas de imagens surgindo lenta e gradativamente diante daqueles olhos adolescentes acostumados a enxergarem sob a luz âmbar.

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ÍNDIA. Como passei a desejá-la

                    DESDE então, a Índia passou a ocupar meu pensamento, magnetizando-o e dominando-o, tornando um destino até então insuportável em desejado,  o quase-amor num amor a explorar, da repulsa ao amor que extenua, uma obsessão.   Com freqüência, o desejo de cruzar a linha foi tomando forma e desencadeando uma tempestade cerebral. Ainda havia repulsa, mas a aflorava o desejo.  Eu estava sendo apresentado a um sentimento até então desconhecido: o amor-desamor.   Tendo a desinformação como ponto de partida e o preconceito como barreira a transpor, passei a compreender que uma viagem à Índia não poderia ser encarada com ingenuidade, definida com superficialidades e programada com facilidade, a compreender que até mesmo viajantes experientes encaram-na como um destino complexo, que exaure, e que por isso mesmo exige preparo intelectual e esforço emocional em doses equiparáveis aos de uma grande empreitada.  E que tal preparo deveria ser precedido de reflexões em busca de complacência e compreensão a fim de que a meta fosse alcançada: a aceitação.  

"Envelhecer é obrigatório, amadurecer, uma opção."

                    A partir de então comecei a olhar para a Índia com a vista desembaçada, a ver o que jamais vira, ainda que sempre a tivesse olhado de algum jeito.  Era como ver pela primeira vez,  como vêm as crianças, não como enxergam os adultos e suas vistas cansadas,  não vendo o que viram durante toda a vida.

Tráfego em Nova Delhi - Galeria de  Entrelec no Flickr

                   FOI nesta fase que lembrei-me do Otto Lara Resende e sua crônica “Vista Cansada”, publicada no jornal Folha de São Paulo em 23 de fevereiro de 1992: ...de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio..  William Blake - o também poeta, inglês - disse que  Se as portas da percepção estiverem limpas, tudo aparecerá para o homem como de fato é: infinito.  Este foi o mote para que eu pensasse em programar uma viagem à Índia: a visão desembaçada. 

                CHEGARA a hora de conhecer a Índia, eu percebia estar pronto e maduro para encarar o país, vê-la tornar-se um destino desejado.  E foi do antigo conflito entre a Índia de sonho e a realidade de uma viagem ao país que resultou esta longa reflexão sobre nossa profunda preparação para esta viagem que resultarão os longos capítulos a serem publicados durante nossa estada na Índia.  A partir deste texto pretendo transmitir com fidelidade e imparcialidade -  todavia com personalidade e a minha visão apaixonada sobre a vida e o planeta -  as mais dolorosas experiências de nossa passagem pelo país e suas melhores recompensas.  

  Darkroom (Galeria de lefranz no FLICKR)

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 O SEGUNDO PASSO: como aprendi a olhar para a Índia

                    O Mundo - e tudo o que há nele - pode ser tão bonito ou tão feio quanto nossa visão nos permita enxergar. Nosso olhar é uma intervenção pessoal naquilo que enxergamos, nos revela o que foi captado pela iris, mas também o que já estava pré-concebido na memória.  O que vemos é resultado do que somos.   “Os olhos enxergam apenas o que a mente está preparada para compreender”, disse o filósofo Henri Bergson (**), algo também brilhantemente definido por Gary Zukav, em "O Coração da Alma: Consciência Emocional":  “Aquilo que acreditamos é baseado no que percebemos, o que percebemos depende do que buscamos, o que buscamos depende do que pensamos, o que pensamos depende do que percebemos, o que percebemos determina no que acreditamos, o que acreditamos determina o que fazemos para que se torne verdade, e o que fazemos para ser verdade é a nossa realidade.

 Nota: (**), Henri Bergson, filósofo e diplomata francês.

  Rajastani (Galeria de Dick Verton no FLICKR) 

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MINHA VISÃO PESSOAL desta viagem: a teoria do “esquecimento de tudo”  

                    VIAJAR é sempre algo pessoal, cada destino é visto pelo indivíduo de maneira diferente.  Nem todas as viagens são boas. E tudo o que é bom ou ruim resulta de valores pessoais e inerentes à educação, cultura, personalidade, experiências anteriores, capacidade de aceitação e grau de desejo de conhecer outros povos, culturas e tradições. Até mesmo a idade - esposa daquele senhor da razão - atua como um diferenciador. O que é bonito para uns pode ser feio para outros e na mesma proporção. Considerando que experiências em viagens são exclusivas, que não devem ser consideradas linearmente para todos os indivíduos e que experiências de outros servem apenas para orientar e despertar o interesse, o meu objetivo nesta série indiana sobre uma viagem ao Rajastão será exatamente desmistificar o país, transmitir ao leitor uma visão realista e apaixonada (como é própria do meu estilo), fazer justiça ao destino turístico e motivar o leitor a fazer sua própria viagem de conhecimento à Índia. 

                TODAVIA, como uma viagem a Índia requer abstensão de olhares embaçados, alheios, viciados, nos chama a procurarmos nossa própria percepção, é necessário que o leitor se esforce para ver o país com seus próprios olhos, esqueça-se de todas as superficialidades já publicadas, selecione na blogosfera as ótimas fontes de consulta, leia o máximo que puder sobre o país e alcance o ponto da ingenuidade, chegue à meta da ignorância, construindo sua própria consciência e obtendo suas próprias opiniões acerca da Índia.

   Galeria de Phil Marion no Flickr 

                    AO mesmo tempo encantadora e assustadora, a Índia poderá surpreender seus visitantes logo ao primeiro olhar. E é muito provável isto ocorra, na mesma proporção em que maior for a intervenção pessoal do olhar. Quanto mais ingênuo, maior será o choque: O amor pode ser aniquilado ao primeiro contato, o que é capaz de fazer com que as malas sejam refeitas e seja retomado o caminho de volta. A Índia arranca de nós mesmos, seja por repulsa ou por atração, pela mais forte das curiosidades, aquela que não sabe o que busca nem o que pode esperar e temer: uma surpresa a cada piscar de olhos, uma interessante provocação ao olhar e ao pensamento”  Jean-Claude Carrière,  em "Índia - Um Olhar Amoroso, de Jean-Claude Carrière - Ed. Ediouro", uma das leituras mais recomendáveis a quem prentende viajar ao país. Neste livro aprendemos que quanto mais deixarmos de ser nós, mais nos afastarmos de nossa lógica ocidental e de nossos métodos de avaliação, mais próximos estaremos da aceitação.  Tal condição - aquela a que chamo de "a teoria do esquecimento de tudo" , a aceitação plena -  nos deixará muito próximos de enxergarmos a Índia como ela é e obtermos dela todas as recompensas.

Galeria de archer10 (Dennis) FLICKR     

                    COM uma visão cruel mas romântica da duríssima e chocante realidade do país, a Índia será mostrada como um destino fundamental na vida de um viajante contumaz. Sem hostilidades e com imparcialidade, todavia sem deixar de alertar o leitor do quão severos poderão ser seus desgastes físicos e intelectuais, do quanto é fundamental preparar-se para uma viagem ao país,  do quanto é importante trilhar um caminho que o leve a ter a Índia revelada para além da sujeira e da miséria, a encontrar-se com as fortes vibrações e as profundas influências pessoais, obter as melhores e mais  marcantes experiências sensoriais e emocionais que uma viagem ao país poderá lhe proporcionar.  Com a serenidade que jamais consegui alcançar enquanto olhava para a Índia com desprezo,  tentarei mostrar - em fatos e fotos - as perdas e os danos, mas igualmente avivar as cores do encantamento, levar o leitor a compreender que se o desgaste é a barreira, o encantamento será a recompensa.

Galeria de jacbowron no Flickr

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 TERCEIRA ETAPA: aceitação, a chave de tudo

                    VIAJAR é fatal ao preconceito, segundo Mark Twain.  Viajar à Índia é mais, é constatar em carne viva a máxima do escritor.  Para nós ocidentais o melhor a fazermos é nos despirmos do preconceito,  não tentarmos compreender a Índia, mas aceitá-la.  Precisamos reconhecer que o país é muito mais complexo do que a soma de todas as suas contradições, que a aceitação é a chave e o único caminho para a assimilação, para uma permanência menos chocante, a condição para vivermos experiências cruéis, que todavia nos farão enxergar tam,bém doçura e beleza onde parece haver apenas miséria e feiura.  Sim, é possível encontrar tesouros e riquezas abaixo do fétido lodaçal, o pântano indiano que guarda no seu fundo o seu tesouro. Basta despir-nos da ambição de compreender a Índia, passando simplesmente a aceitá-la.

  Manwar Desert Camp - Galeria de bs rajawat no Flickr

                    A dificuldade, todavia, começa na evidência de que a Índia é um país difícil de ser descrito, impossível de ser compreendido e remota a possibilidade de ser definido por ocidentais comuns.  Creio que nem mesmo os indianos conseguem tal feito, tal a grandiosidade  da complexidade, o que revela-se apenas superficialmente.  Não faz parte da lógica da sociedade ocidental chegar a um consenso acerca de um país habitado por 1 bilhão de indivíduos, dos quais 51 por cento são analfabetos, 500 milhões são miseráveis e indigentes, e que ao mesmo tempo tem a segunda maior quantidade de cientistas do mundo, o maior número de invenções na área de softwares sofisticados e uma das maiores taxas de crescimento econômico do planeta. 

 

                  SEMPRE será intrigante pensarmos sobre como pode funcionar um país que foi o berço de quatro grandes religiões, de uma dúzia de diferentes tradições da danças clássicas, de oitenta e cinco partidos políticos e de três mil maneiras diferentes de cozinhar a batata!  (*)India - From Midnight to Millennium”, de SHASHI THAROOR (Arcade Publishing)  O primeiro-ministro britânico Winston Churchill, por exemplo, magnificamente definiu tal realidade ao afirmar que a Índia é uma "expressão geográfica", não um país. Ele estava certo. “Nossa noção de país é pequena demais para explicarmos o inexplicável”, escreveu Xavier Bartaburu, na Revista Próxima Viagem.

                     É impossível não ficar atônito com a Índia. Ela causa vertigem, intoxica, sufoca, afoga. Do cheiro de urina dos mictórios a céu aberto às fezes de vacas, camelos, elefantes, galinhas, pavões, pombos, macacos e humanos; do comércio mais esquisito e improvável à prestação dos serviços mais esdrúxulos -  limpadores de cêra ouvido e vendedores de dentaduras, encabeçando a série de esquisitices na área -  tudo é feito nas calçadas imundas com esgotos correndo livres.  A sujeira parece ir além da pobreza e da falta de infra-estrutura, aparenta ser cultural, uma verdadeira instituição nacional. Parece impossível superar a repulsa, mesmo com olhares de compaixão.

New Delhi - Galeria de Damon Lynch no Flickr

                    NENHUMA preparação antecipada será suficiente. Tratando-se da Índia, o choque ocorrerá, inevitavelmente, não importa a intensidade da ação anterior à chegada, da erudição, da instrução e da cultura adquirida.  Nada parecerá superar o choque do encontro com a realidade, chegar a outro lado da fronteira: a visão de milhões de mendigos miseráveis que vagueiam pelas ruas atrás de nada, que olham para o nada e em direção a nada a esperarem por nada.  De cidades que se parecem com favelões, de prédios em escombros, de poluição visual, sonora e do ar, do lixo, essa é a visão que todo viajante tem da Índia, e nada parecerá salvar-se. Fora alguns fortes e palácios, nem mesmo os monumentos modernos conseguem disfarçar a pobreza.   Tudo parecerá à primeira vista apenas imensamente sujo e quebrado. Tal visão poderá desgastar e subtrair a alegria de um expectador em viagem, especialmente no âmbito da miséria humana, da pobreza que encobre qualquer beleza.  Toda essa realidade representa um triste espetáculo: a miséria e a aparente falta de perspectiva de 300 milhões de indigentes que viveem nas ruas, no mesmo lugar onde também morrem.  Parece ser tão triste e chocante a realidade da indigência dos indianos que uma dúvida sempre parece nos perseguir:   terá aquele povo algum dia um futuro feliz?

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 A POEIRA SOB OS PÉS de BRAHMA (*) 

                    NADA neste mundo nos parecerá tão chocante quanto as dimensões a miséria na Índia.  Ela é bem mais aguda do que a que conhecemos no Brasil, daquilo que já nos acostumamos a chamar de “diferença de classes” ou “desigualdade social”.   No caso da Índia a desigualdade ganha uma dimensão ainda mais fabulosa: entre indigentes e miseráveis, são 700 milhões de indivíduos, número ainda mais assustador quando o comparamos com a população do Brasil, 180 milhões de indíviduos.  Sempre acreditei que nada, nada poderia me parecer tão chocante, até conhecer a realidade das castas na Índia.

                  ESCREVER sobre a Índia por si já é um desafio bastante para poucos e uma pretensão além das medidas para muitos.  Preparar-me para uma viagem ao país fez surgir um atração natural por tentar vencer esta pretensão, desafio ao qual me permiti submeter.   Todavia, compreender a cultura indiana é algo que não posso enfrentar,  extremamente superior ao que classifiquei como "pretensioso desafio", algo muito além dos meus limites, como querer colocar o mundo numa caixa, um bilhão de indianos numa só foto, todos os palácios e monumentos do país num mesmo postal e todas as cores dos saris de seda numa mesma paleta.  A diversidade cultural na Índia tem uma dimensão que ultrapassa qualquer entendimento, compreensão que creio inatingível até mesmo aos indivíduos cujas mentes a natureza dotou de muito mais brilho.  E aquilo que não se compreende, não se consegue explicar.  É assim com o sistema de castas e com todas as crenças religiosas dos indianos. 

                    NESTA minha fase de descoberta da Índia jamais consegui compreender como algumas pessoas conseguiam amar tanto um país como tal dimensão de pobreza, o que me levou a crer que alguma coisa devia estar errada comigo mesmo, não com as pessoas.  Mesmo assim, como seria  possível tanta gente encantar-se com tamanha miséria, com tal nível de poluição e degradação, com as gigantescas cidades-favelas, com a horrorosa e deprimente deparação com a gente que defeca nas ruas e cozinha no mesmo chão onde o fazem?  Como gostar e adaptar-se a um trânsito tão absurdamente caótico, tão voraz e desregrado e com o buzinaço insano?  Não me parecia possível que apenas eu estivesse certo, que tudo o que li e todos os que ouvi amarem a Índia encontrarem-se errados. Ainda que eu tenha deeitos, a pretensão não é um deles.  Mas ainda assim, seria possível para mim aceitar algo ainda mais terrível do que toda a miséria indiana, o sistema de castas?

New Delhi - Galeria de Damon Lynch no Flickr

                    COMO é possível alguém aceitar e compreender o sistema de castas da Índia? Como  alguém poderia fechar os olhos a tal injustiça humana sob a alegação de tratar-se de uma questão cultural?  Como admitir que um povo tão linearmente pobre e religioso adote - justamente por orientação religiosa - um sistema tão injusto de classificação humana que divide formalmente a sociedade em quatro grupos?  Os brāhmaa (sacerdotes e letrados) que nasceram da cabeça de Brahma; os katrya (guerreiros) que nasceram dos braços de Brahma; os vaiśya (comerciantes) que nasceram das pernas de Brahma e os śūdra (servos, camponeses, artesãos e operários) que nasceram dos pés de Brahma, e à margem dessa estrutura social, os dalits (coveiros), que vieram da poeira abaixo dos pés de Brahma?  

                    QUE tipo de sociedade pode classificar como párias seus próprios irmãos soba a alegação de que são sem-casta, definindo-os - antes mesmo de nascerem (!) - como “intocáveis” por todas as demais classes, estabelecendo que a eles sejam destinadas as tarefas mais abjetas, razão porque são mantidos à margem para que não "contaminem” os tocáveis?  A tolerância dos indianos e de qualquer pessoa com tal realidade é muito mais do que notável, é incompreensível e inaceitável do meu ponto de vista.

  

                    AINDA que eu tenha tido a sorte de perceber que líderes religiosos e religiões sirvam apenas para corromperem mentes, e que isso acontece desde que o homem passou de quadrúpede a sapiens, tamanha estupidez decorrente de uma crença religiosa é inaceitável. É incompreensível a humilhação a que os indianos submetem seus semelhantes, como também é impossível que eu não a encare com profundo desprezo e classifique tal preconceito e discriminação com igual menosprezo que destino a tantas outras ignóbeis manifestações da humanidade, escravidão e preconceito racial encabeçando a lista.

 (*) O sistema de castas da Índia é uma divisão social importante na sociedade hindu, e não apenas na Índia, mas também no Nepal e em outros países e populações da mesma religião. Embora inerente ao hinduísmo, o sistema de castas também foi observado entre seguidores de outras religiões no subcontinente indiano, incluindo alguns grupos muçulmanos e cristãos. A Constituição Indiana, desde 1950, proibe a discriminação contra os dalits, rejeita a discriminação de acordo com os princípios democráticos e seculares que fundaram a nação. Todavia, ainda que barreiras de castas possam eventualmente ter deixado de existir nas grandes cidades, persistem na zona rural do país. Quem nasce numa casta não pode subir nem descer a outra, seja através do casamento, seja por capacidade pessoal. Define-se, portanto, uma casta, como grupo social hereditário, no qual tal condição passa de pai para filho.  Os "sem-casta", ou "Dalit", são párias -  também chamados de haridchans e haryans -  nome dado aos untouchables por Gandhi – ou seja, aqueles que executam as tarefas mais impuras. 

 (*) India's "Untouchables" Face Violence, Discrimination e Untouchable. Hillary Mayell e Tom O'Neill,  National Geographic News.  

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 É DIFÍCIL AMAR A ÍNDIA?

                    "A Índia não é um país charmoso, a começar pela paisagem, logo esquecida por causa da presença humana que tanto se impõe em todos os lugares. Quem não gosta dos homens não deve ir à Índia. A multidão é aqui a principal paisagem. Ela é o ator de todos as coisas. Sem dúvida, é por isso que, na literatura indiana de todos os tempos, os personagens são frequentemente atraídos para o exílio e a solidão, a renúncia, a partida. Que o viajante estrangeiro não se engane nessa via de isolamento seria meu primeiro conselho. Que aceite a multidão, que se misture com ela, que nela se perca. Primeira condição do amor: o contato." Jean-Claude Carrière, em Índia - Um Olhar Amoroso - Ed. Ediouro

                       É mesmo surpreendente o fato de que um país com uma das mais antigas civilizações e com tantos e tão profundos contrastes, cuja diversidade de línguas e hábitos seja tão extensa, possa ter alguma unidade.  O escritor Jean-Claude Carriere diz em seu livro Índia algo que definitivamente nos dá a exata dimensão desta profunda complexibilidade, ao mesmo tempo que nos deixa ainda mais surpresos:  Um conjunto como este não pode funcionar. Ele é incoerente. Engloba tantos níveis sociais, tantas complexidades mentais, tantas regras públicas e secretas, tantas realidades imaginárias, tanto passado, tanto presente, que uma coesão geral dependeria de um milagre cósmico. Contudo, este é o caso. A Índia existe e funciona. Sob certos aspectos de vida, funciona até melhor que Estados que se dizem histórica e linguisticamente mais sólidos.

                        Excessos, jamais encontraremos um país com tantos. São tamanhos que nos levam a crer que tentativas de adjetivarmos a Índia serão sempre infrutíferas e ingênuas. Um visitante terá seus sentidos desgastados aos extremos e mesmo o mais descolado, frio e duro viajante, não os encontrará bastantes para definir a sensação dos murros diários que apanha nos sentidos. Não é um destino onde se possam encontrar paz e tédio, nem mesmo se a escolha for internar-se num curso de yoga ou de meditação.  Durante a estada no país ocorre uma sequência tão extraordinária de imagens e acontecimentos, tão intensamente fortes e chocantes, que o cérebro - tomado à força, violentado ao ponto das idéias embaralharem-se - torna os sentidos confusos e desconexos, por momentos tornando a permanência tão insana ou desconexa quanto os sonhos, ou então como se assistíssemos a um filme impossível, no qual somos espectadores e atores, tudo numa tal desconexão com a realidade, que parece sonharmos acordados num estado psicodélico de orgia sensoria.  A não ser nos de Bollywood, a Índia é um filme impossível e nossa primeira impressão do país será regada a adjetivos desfavoráveis. Mas não sejamos tão petulantes com a Índia: sob este terreno pantanoso há pedras preciosas.  

                      Tudo provocará estranheza ao turista, até mesmo o que estiver relacionado ao hinduísmo e a outras religiões de tão estranhas que são suas divindades: figuras humanas com cabeça de elefante ou de macaco, deusas com seis braços, animais desprezíveis para nós  mas divinos para eles, para ficarmos apenas no terreno superficial das excentricidades religiosas.  Todavia, para aceitarmos a Índia, devemos compreender elementarmente alguns dos símbolos religiosos do hinduismo -  tais como o Om (*), a Swastika e o Lotus. Eles revelam fatos importantes sobre a cultura do país e seu significado intrínseco - uma obrigação moral de todo indiano, dedicar-se ao conhecimento da simbologia cultural da Índia – nos conduz a aceitar que quase tudo no país está relacionado à espiritualidade e à religião, cujo pricípio fundamental é compreender que o sentido da vida é sair da escuridão da ignorância e chegar à luz do conhecimento através dela. A partir desse fundamento é possível compreendermos alguns contrastes: que a religiosidade exacerbada e o o sub-desenvolvimento fazem parte natural da vida dos indianos.

 (*) o Om é o mantra mais importante do hinduísmo e outras religiões. Diz-se que ele contém o conhecimento dos Vedas e é considerado o corpo sonoro do Absoluto, Shabda Brahman. O Om é o som do infinito e a semente que “fecunda” os outros mantras. O som é formado pelo ditongo das vogais a e u, e a nasalização, representada pela letra “m”. Por isso é que, às vezes, aparece grafado Aum. Estas três letras correspondem, segundo a Maitrí Upanishad, aos três estados de consciência: vigília, sono e sonho. “Este Átman é o mantra eterno Om, os seus três sons, a, u e m, são os três primeiros estados de consciência, e estes três estados são os três sons”. “O pranava — o mantra Om — é a jóia principal entre os outros mantras; o pranava é a ponte para atingir os outros mantras; todos os mantras recebem seu poder do pranava; a natureza do pranava é o Shabda Brahman (o Absoluto). Escutar o mantra Om é como escutar o próprio Brahman, o Ser. Pronunciar o mantra Om é como transportar-se à residência do Brahman. A visão do mantra Om é como a visão da própria forma. A contemplação do mantra Om é como atingir a forma de Brahman, Mantra Yoga Samhitá. Na Índia, o mantra Om está em todas partes. Hindus de todas as etnias, castas e idades conhecem perfeitamente o seu significado. Ele ecoa desde a noite das idades em todos os templos e comunidades ao longo do subcontinente.  Essa sílaba única, Om, vem dos Vedas. Como uma palavra sânscrita, significa avati raksati – aquilo que lhe protege, lhe abençoa. É um mantra e é um nome do Senhor. O nome do Senhor lhe protege através da repetição do próprio nome. Portanto, é reconhecimento em forma de oração. Sendo um mantra, ele é repetido, e, portanto, torna-se uma prece. Repetido “Om”, você invoca o Senhor naquela forma específica. Então, dessa maneira, “Om” lhe protege. FONTE: JOTA BÊ – CIÊNCIAS DA RELIGIÃO -

http://joaobosco.wordpress.com/2008/04/12/outros-deuses-do-hinduismo-o-om-sagrado/

 (**) O símbolo sagrado Swastika – cuja palavra é de origem sânscrita, composta de “su= bom; agradável” e “vasa ou vasu= habitação, moradia” - significa “boa habitação”.  Contudo, o termo “swasti” significa “pacífico”, “calmo”, “reverências”, “respeitos”, e também “asti” é o verbo ser, podendo significar “ser bom”.  O exército indiano usava a forma da cruz swastika movendo-se no sentido horário, mantendo o centro de concentração para defesa.  A forma da cruz Swastica era empregada na construção de fortes de defesa, tendo, portanto, um sentido de proteção e defesa.  A sua relação com o semideus do Sol, Suryadeva, foi direta, uma vez que o sol é sinal de boa fortuna, saúde, sorte, felicidade, bem como proteção contra a escuridão, que no hinduismo tem o sentido duplo de falta de luz e de conhecimento.  O símbolo do Swastika ocupa o segundo lugar em utilização por entre os hindus.  Em todos os lugares podemos encontrá-lo, como marca de proteção. Se aconselha que em todas as janelas tenha um Swastika, para a proteção do lar. Junto com a deusa da fortuna, Lakshmi (com as marcas das suas solas dos pés), constitui um poderoso símbolo de fé por entre os Hindus. FONTE: SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL SANATANA-DHARMA BRASIL http://www.gita.ddns.com.br/ A suástica ou cruz gamada, como também é conhecida, é um dos símbolos místicos mais difundidos e antigos do mundo. É encontrado do extremo Oriente à América Central, passando pela Mongólia, pela Índia e pelo norte da Europa. Foi conhecido dos celtas, dos etruscos, da Grécia antiga. Alguns quiserem remontá-lo aos atlantes, o que é uma maneira de indicar sua remota antiguidade. Qualquer que seja sua complexidade simbólica, a suástica, por seu próprio grafismo, indica manifestamente um movimento de rotação em torno do centro, imóvel, que pode ser o ego ou o pólo. É, portanto, símbolo de ação, de manifestação, de ciclo e de perpétua regeneração.

(***) Lótus, a flor santa para os hindus, é o símbolo da alma individual, a flor que representa o ser, que vive em águas turvas mas apesar disso floresce de modo impuluto. Na mitologia, o lótus é o símbolo da criação, uma vez que Brahma, o criador do universo, surgiu de um lótus que brotou do umbigo de Vishnu (o controlador Supremo). O lótus é também o símbolo oficial da Índia. Há uma posição, ou Asana, no Yoga, que tem o nome de Lótus, aquela que se mantém firme como uma flor de lótus, florescendo sem poluir-se e sem se molhar na água. SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL SANATANA-DHARMA BRASIL http://www.gita.ddns.com.br/

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 POR ONDE COMEÇAR UMA VIAGEM À ÍNDIA?

                       A Índia não é um país bonito, ao contrário, tem um território desértico e pobre em belezas naturais, quase todo de um monocromatismo ocre e verde, desprovido de montanhas imponentes, com excessão do extremo norte do país, nas proximidades do Himalaia.  É um território mal cuidado, ocupado sem planejamento, em cuja monótona paisagem o que se impõe é a presença humana em escalas jamais imaginadas por um ocidental. Isso provoca estranheza e certo desconforto. De acordo com Jean-Claude Carrière, “quem não gosta de gente não deve ir à Índia”.  Tal afirmação provocou-me forte impacto, e em conseqüência disso, meu preparo intelectual e emocional antes da viagem, diante desta realidade (assim como meu esforço durante ela)  foi algo a conquistar, quase um permanente desafio. Aceitar tal condição numa viagem à Índia é fundamental para quem quer conhecer o país e seu povo.  Ir à Índia sem misturar-se com sua gente, observá-lo apenas do ponto de vista das janelas dos ônibus e dos carros, equivale a fechar os olhos ao que a Índia tem de melhor:  precisamente sua gente. Para além de seus monumentos, nada é mais imponente e impactante na Índia do que a união esses dois elementos. Precisamos saber, antes de nos aventurarmos numa viagem ao país, que gente é onipresente, que destaca-se sobre todas as outras coisas, e que não se pode afirmar ter conhecido satisfatoriamente o país, tendo-se optado pelo isolamento do povo e das ruas.

                        Não há recomendação mais importante a quem pretende viajar à Índia do que ler tudo o que puder ou estiver disponível, desde a literatura citada aqui no blog ao o mais que desejar.  Definir por onde começar uma primeira viagem à Índia talvez seja a única tarefa que não represente dificuldade: o estado do Rajastão reúne algumas das riquezas monumentais mais expressivas do país e contempla a capital, Nova Delhi, além das cidades de Agra e de Jaipur. O charme já começa na tradução literal do nome ´Rajastão´: “terra de reis e príncipes”, o que é expresso francamente na abundância de palácios. Convertidos em hotéis, alguns deles possibilitam que nós, simples plebeus, conheçamos um pouco da atmosfera de luxo, riqueza e exotismo dos marajás daqueles tempos. O Rambagh Palace e o Jai Mahal Palace em Jaipur, o Umaid Bhawan Palace em Jodhpur, e o Lake Palace, em Udaipur, são o que se costuma vender como “Índia de Luxo” ou “Índia Chic”. O Rajastão é, portanto, uma das regiões mais turísticas, coloridas e bonitas da Índia, também a mais “mil e uma noites” do país, expressa nos desertos, camelos, cidades muradas e, sobretudo, na sua gente, onipresente onde quer que se pense ir, mesmo na Índia dos super hotéis luxuosos e palacianos. Também não há dúvidas de que às cidades de Udaipur, Ranakpur, Jodhpur, Jaipur, Pokaran, Jaisalmer, Manwar, Fatehpur Sikri, Agra e Delhi - um roteiro adorável -, devêssemos incluir Varanasi, colocarmos um pouco mais de “Índia” essencial no “chic”,  ou um pouco menos de luxo com mais uma pitada de Índia.  Uma heresia não incluir Varanasi no programa. Todavia, após um ano de estudos, nos decidimos por um roteiro com menos deslocamentos e maior permanência nas cidades escolhidas, a fim de que pudéssemos experimentar melhor a convivência nas ruas, misturar-nos ao povo e mergulharmos mais profudamente no pântano. Khajuraho e Varanasi, portanto, ficarão para a próxima. Próxima?!

 

Galeria de Stefano Prigione FLICKR 

                        Do Taj Mahal aos fortes e palácios do Rajastão, dos templos eróticos de Khajuraho às cavernas de Ellora, das vacas sagradas aos caos das ruas e estradas, nos excêntricos cartazes dos filmes de Bollywood - a Índia turística - reúne tudo o que é necessário para uma magnífica introdução ao país. Berço do hinduismo, do budismo, jainismo, zoroastrismo, sikhismo e de tantas outras religiões e seitas em números que batem os recordes de divindades, por si já demonstram o caráter complexo da cultura e do pensamento indianos. A essência do caráter indiano está no credo. Religião é uma questão central na cultura indiana e sua prática estará virtualmente sempre presente em variadíssimos aspectos culturais e da vida cotidiana de seu povo e  este é um dos motivos fundamentais porque não se consegue explicar a Índia. Poucos países poderiam produzir gente como Mahatma Gandhi, exemplo absoluto de dignidade humana, de solidariedade e de persistência no alcance de um ideal, de lutas sem violência, de abnegação.

                        Quem aceitar descobrir a Índia em suas entranhas, sairá recompensado por uma experiência profundamente marcante, que jamais encontrará paralelo.  Um turista ocidental iniciante deverá comprender que toda aquela espiritualidade vale apenas entre eles e para eles.  Nós valemos apenas o que podemos render de dinheiro. Gente é onipresente na Índia, e nas áreas turísticas, todos parecem querer levar alguma vantagem, até mesmo por nossa simples olhadela para aquele curioso turbante na cabeça de um indiano que está ali pra isso mesmo.   Nós, brasileiros, sabemos, vimos, vivemos e lemos acerca de pobreza, de cambistas, espertos, pedintes e mendigos. Escrever sobre o tema é complexo, abordá-lo sem superficialidades e com respeito - mesmo que eles tenham nos feito passar por alguns tormentos durante nossa estada na Índia - requer serenidade.  Em nenhum outro lugar talvez seja possível termos tão clara a sensação de falta de privacidade e invasão de nosso espaço.   A todo momento encontram-se pessoas querendo “simpaticamente” apertar as dos turistas mãos e tirar uma foto com eles – o lado que pode ser “bom”, ou passarem a mão e até acariciarem sua companheira, o lado “mau”.   Pode tanto ser mais uma das inúmeras maneiras de ganharem algum trocado quanto uma legítima manifestação de curiosidade.  Não se sente inseguro, mas invadido, incomodado,  num estado de alerta permanente, sempre a níveis quase extenuantes, o que pode transformar a viagem numa experiência exaustiva, para o intelecto e para o humor.

                       Tudo isso em proporções tanto maiores quanto menor for o preparo e a consciência do que se vai encontrar e viver.  Ainda que carregados de toda a gentileza para com os reais motivos do permanente assédio, dos incômodos que eles provocam, com a espantosa pobreza,  deve ser impossível aos nossos corações e mente deixarem de doer.   Todos os que vão à Índia afirmam chegarem ao fim do dia exaustos e consternados.

                        Talvez a maneira mais óbvia de compreendermos seu comportamento seja nos colocando em seus lugares, imaginarmos nós mesmos vivendo naquelas circunstâncias.  Por isso, polidamente, compreensivamente, todos os que vão à Índia abordam o tema recomendando que se recusem quaisquer ofertas que nos façam, e que compreendamos que mesmo tendo vontade de conversar, qualquer diálogo invariavelmente é acompanhado da tentativa de tirar algum proveito de nós, de nos vender algo, de prestar algum serviço indesejado ou inútil e de nos levar a alguma loja que comissionará ao solícito "guia".  Dizem que as abordagens jamais serão no sentido de roubá-lo, mas de ganhar algum dinheiro de você.  Dar esmolas ou não é uma questão tão polêmica e complexa quanto pessoal. Se não quiser dar esmolas, recomenda-se juntar um bom dinheiro ao final da viagem e doá-lo a alguma instituição de caridade e assistência através da recepção de seu hotel.  Se quiser dar algo a um mendigo, pense em dar-lhe comida, levan do consigo um estoque de bananas, maçãs, barrinhas de cereais, biscoitos e coisas do gênero que se podem colocar na mochila e distribuier ao longo do dia. Dizem que funciona, além de ser politicamente correto.  Por certo fará bem a quem tem fome e a você que não tem.  Se, todavia, decidir por dar dinheiro a um pedinte, esteja preparado para que dezenas de outros o cerquem tentando conseguir o mesmo. 

                         Depois de ler toda esta preleção, o leitor haverá de perguntar: “Então, por que ir à Índia?”.  Eu respondo: de curiosidade a auto-conhecimento, de yoga a meditação, de turismo a estudo antropológico, há uma infinidade de motivos para se ir à Índia.  Se somos viajantes inveterados e compulsivos, eu e minha doce mulher queremos ver com nossos próprios olhos, ouvir com nossos ouvidos, cheirar com nossas narinas aquilo que vimos, lemos e ouvimos sobre o país e contarmos tudo desta "Incredible India" aqui no Fatos & Fotos de Viagens.

Galeria de elodie p Flickr    

                       Viajar de trem talvez seja a melhor maneira de conhecer a Índia em suas entranhas. A Índian Railways, assim como a fabulosa, gigantesca rede ferroviária indiana, legado do período inglês, infelizmente está desgastada e reflete a pobreza do país com precisão, e mesmo assim precária transporta de 200 milhões de passageiros por semana (!), estatística que não deve contar com os que viajam sem pagar e no teto. 

                      É possível acesssar o trainenquiry.com e consultar preços e horários dos trens. Há trens rápidos como os Shatabdi e os Rajdhani e várias classes, da primeira à turística, da terceira à sleeper. De Delhi a Agra, por exemplo, em primeira classe com ar condicionado no trem Shatadbi, custa cerca de US$ 15, 00 por pessoa.  Para ter uma idéia mais ampla e conhecer melhor sobre viagens de trens na Índia, acesse seat61.com/india.htm (*) 

 (*) FONTE: Lonely Planet

 

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 COMO SERÁ a NOSSA VIAGEM?

                        SERÁ possível a suavidade constrapor-se à dureza, a miséria ao esplendor? Do confronto entre meus sonhos de outrora e a realidade de hoje, resultarão boas recompensas a nossa estada na Índia? Serão suficientes nossas boas doses de resignação e complacência? Conseguiremos evitar a prevenção para não desprezarmos atitudes genuínas e desinteressadas de curiosa simpatia indiana? Olharemos com carinho ou repulsa os mendigos grudentos? Aceitaremos a mendicância infantil ou ela nos derrotará? A Índia conseguirá brilhar para nós como almejamos, ou sua poluição e miséria nos abaterão?  Sairemos recompensados ou derrotados da Índia?

 

Galeria de Surendar FLICKR 

                         SERÁ novembro.  As monções já terão terminado e deixado seu balanço anual de perdas e ganhos, fecundidade e destruição.  Não será mais calor e choverá pouco.   O Rajastão é o maior, um dos mais pobres e possivelmente o mais conservador Estado da Índia.  A capital é Jaipur e as línguas oficiais são o hindi e o rajastani.   Antes da independência do país o Rajastão chamava-se Rajputana.Boa parte do Estado é desértica.  Chama-se Deserto de Thar.  É a terra indiana dos fortes, dos templos e do palácios de mármores, de grandioso capricho, de charme extravagante, de encantadoras arte e cultura populares, de coloridos excitantes, do orgulho e da honra de um povo, dos homens de turbantes volumosos e das mulheres de ornamentos e vestimentas multi-coloridas, dos lagos e desertos, dos camelos e elefantes,  dos suntuosos e modernos hotéis dentro de outrora nobres, majestosos palácios, terra de lendas que nunca morrem, de mistério e romances inesquecíveis e de um passado que se reflete num inacreditável presente.

    Galeria de carf FLICKR                      

                    É certo que quanto menos luxuosa for uma viagem à Índia, maiores serão as possibilidades de que o viajante perceba e compreenda a essência do país, ou pelo menos que mais rapiamente as assimile.    Dizem que para viver uma experiência verdadeiramente antropológica na Índia é necessário nos distanciar do luxo e nos aproximarmos da pobreza.  Nada parece fazer mais sentido. Todavia, a escolha do padrão de uma viagem - econômica ou luxuoso - nesta caso depende muito mais de intenção do que de possibilidade.  Trata-se de uma questão mais conceitual do que econômica, é mais desejo do que capacidade.  Ainda assim, mesmo que se opte pela categoria luxo, na Índia sempre é possível viver experiências antropológicas marcantes.   Nosso objetivo é viajar em condições que possibilitem uma experiência segura e satisfatória, mas que nos proporcione confrto e relaxamento ao fim de cada jornada estressante do dia.   O Rajastão é Estado mais visitado da Índia, referência mundial na hospitalidade e na hotelaria de luxo, mas sempre é possível encontrar roteiros que comportem múltiplas combinações de padrões sócio-econômico-culturais. 

Nosso roteiro e pacote para a Índia 

                        MESMO numa viagem desta categoria é possível explorar ambos os estilos:  o luxuoso e o antropológico.  Aproveitando os tempos livres para ir às ruas e integrar-se num nível que só depende dos próprios desejos, não de capacidade, que é fácil vivenciar a Índia como ela é de fato.   Mas as distâncias, a duração e os diferentes meios de transporte tomarão boa parte do tempo de programação de sua viagem e de sua jornada pelo país.  

                         UM país com dimensões continentais tanto na área quanto nos contrastes já teria o bastante a oferecer turísticamente, independentemente de sua maior ou menor riqueza.  Assim, não há como conhecer todo o país em apenas uma viagem e quem vai pela primeira vez quase sempre começa pelo Triângulo Dourado - Delhi, Agra e Jaipur – com uma escapadinha a Fatehpur Sikri.  

                        FOMOS um pouco além destes destinos, adquirindo um pacote denominadoRajastão Tradicional - Roteiro Personalizado”, da operadora Latitudes - Viagens de Conhecimento.  Tivemos o total apoio profissional da Meire (Meire Palmieri, meire@latitudes.com.br, (11) 3045 7740), profissional que nos orientou no que precisamos e adaptou o roteiro às nossas particularidades e desejos.  Voaremos Air France, com uma escala em Paris na ida e uma parada de dois dias de ´descompressão´ na mesma cidade na volta.   Escolhemos o mês de Novembro porque em Outubro porque serão realizados os Jogos Olímpicos do Império Britânico (*), o que faz com que a região esteja super lotada.  Há outras boas e reconhecidas operadoras especializadas no destino Índia e que usam operadoras indianas conceituadas para desenvolver seus apcotes. Há também grandes variações de preços e de roteiros, sejam nas modalidades econômica, confortável ou luxuosa.  Entre elas destaco a Princess Travel, a Designers Tours, a Queensberry Turismo e a Highland Adventures.  

                        Nesta viagem de 16 dias exploraremos um dos mais fascinantes estados da Índia, além do Taj Mahal e de Delhi, a capital do país.   Percorremos por via terrestre e aérea algumas cidades e vilarejos, nos hospedaremos em alguns palácios hoje convertidos em hotéis e usufruiremos da vantagem de um pacote individual, não compartilhado com outros passageiros, com razoáveis possibilidades de personalização.  Em nosso caso incluímos dois dias no roteiro que achávamos um pouco corrido demais para nosso gosto. O resultado será um dia a mais em Udaipur - uma as cidades mais interessante do Rajastão -  e outro em Delhi (que a operadora mesmo reconhecia ser pouco tempo para a Capital do país).  Esta possibilidade de personalização tornou o programa extremamente atraente para nós e acelerou nosssa decisão pela Latitudes.   

                       NOS 16 dias - contando o dia de chegada -  no fim da noite - e o de embarque de volta a Paris -  visitamos Udaipur - Ranakpur - Jodhpur - Jaisalmer - Ranakpur - Fatehpur Sikri - Manvar - Jaipur - Agra - Delhi,  e nos hospedaremos nos seguintes hotéis e cidades: Delhi, The Imperial; Agra, The Oberoi Amarvilas; Jaipur, Taj Rambagh Palace; Manvar, Manvar Camp; Jaisalmer, Surya Garh; Jodhpur, Ajit Bhawan Palace; Udaipur, The Oberoi Udaivilas; Delhi, Trident – Gurgaon. 

NOTA: Os Jogos da Commonwealth são uma competição multi-nacional e multi-desportiva. Realizada-se a cada quatro anos, reúne a elite dos atletas da Commonwealth inglesa. Os Jogos da Commonwealth são disputados por cerca de 5000 atletas. A Federação dos Jogos da Commonwealth (CGF, na sigla em inglês) é a entidade responsável pela direção e pelo controle dos Jogos

NOTA: esta é uma breve interrupção na publicação dos capítulos sobre Maurícios e Marrakech, que voltarão em seguida. É uma reflexão apaixonada sobre a preparação de nossa viagem à Índia, um destino antes tão desprezado. 

                     

Reader Comments (31)

Arnaldo!

É, as pessoas mudam! Como sabe, eu também sofria dos mesmos receios sobre a Índia, vindos de preconceitos construídos na minha própria imaginação: http://www.viaggio-mondo.com/2010/06/india-devo-ou-nao-ir.html

Ainda bem que o tempo nos amadurece e nos tira esta arrogância "de ser doutores do que ainda não vimos" e nos permite ter uma simplicidade "de ser alunos e ir lá ver". Bravo Amyr Klink!

Tenho certeza que vc e Emília adorarão esta ENCANTADORA viagem! O roteiro está interessantíssimo, os hotéis fenomenais! O Rambagh Palace é o must! Conseguiu convencer até Brad Pitt a uma viagem à Índia! :)

O texto está completíssimo e me fez lembrar minhas aulas de filosofia na faculdade de Turismo. Um destino fica muito mais interessante quando estudado e analisado à tal maneira. Parabéns!

Mais uma dica de livro, em meio aos tantos que vc citou: "Na Pele de Um Dalit", de Marc Boulet. Excelente!! Vale à pena lê-lo antes de ir à terra de Gandhi.

Enquanto sua viagem não chega, convido-o a ir conferindo minha série sobre a Índia. O próximo post vai ser sobre o Taj Mahal, para ficar ainda mais apaixonado! :)

Beijos para o casal mais fofo da blogsfera!

FÊ COSTA, sim, eu fiquei encantado com o seu primeiro post sobre a Índoa, justamente mencionando o fato de seus questionamentos em relação ao país. depois achei bem bacana o segundo também.

as fotos estão bonitas, especialmente as dos rajastanis, e o texto está agradável e leve, informativo e pessoal, nos demonstrando justamente o que pretendo, motivar uma viagem à Índia e desmistificar um pouco os exegeros acerca do país.

Esteja certa de que acompanharei sua viagem pelos próximos posts. Aliás, o seu é um dos poucos blogs que sigo, porque é também dos raros que contém textos mais longos e informações não "wikipedia". As atividades profissionais e pessoais por vezes tomam quase todo meu tempo, e o que resta, quando sobra, dedico a escrever e publicar no F&F, por isso não tenho tido tempo nem de comentar nos blogs que sigo.

Obrigado por sua visita, por sua simpatia e sobretudo por seu apoio a nós desde a primeira hora!

Felicidades e volte sempre

Fê, por todos os relatos de quem já visitou a Índia, a questão de ser um país 'difícil' está sempre presente, literalmente ou nas entrelinhas. Mas deve ser improvável quem vá até lá e não sinta que algo mudou na maneira de ver as coisas quando se viaja, isso quando não muda outros aspectos da vida: muitos foram os que sentiram tão tocados que tem a Índia como segundo lar.

Estamos apostando que vai valer muito a pena. E estamos ansiosos.

Um beijo!

18:54 | Unregistered CommenterEmília

Arnaldo, confio em você pra desfazer em mim todos aqueles preconceitos que você citou lá em cima. Tenho certeza que com seu texto sensível e seus olhos treinados nos cliques do mundo eu vou conhecer outra Índia. Beijos no casal!

18:57 | Unregistered CommenterMeilin

Arnaldo,

Parabéns! Realmente seu Blog é maravilhoso! A gente consegue viajar junto... com suas fotos lindas e seus relatos envolventes.

Muito bom! Super parabéns!!!!

Bjssss, Lucia Silveira.

Olá Arnaldo e Emilia, bom dia!

Primeiramente me desculpe pela demora em responder seu e-mail, mas quis me dedicar à leitura com tranqüilidade o que fiz no final de semana.

Fiquei encantada com tudo que li. Sem dúvida nenhuma você consegue colocar a mais dura realidade da Índia de uma forma romântica.

Ficamos (eu e toda equipe da Latitudes) extremamente felizes em poder participar de alguma forma da realização desse sonho e estar em seu blog, que merecidamente está chegando nos 5 milhões de visitantes e será fortemente recomendado por nós.

Ficaremos em contato não só por conta da sua viagem, mas para trocarmos informações e percepções.

Somente complementado: estive lá no ano passado e mesmo após 1 ano as fichas continuando caindo ..., costumo dizer que minha visão de mundo se resume em antes e depois da viagem .

Um grande abraço para vocês.

Meire Palmieri

Depois de conhecer 60 paises e sempre adiar a India pelos mesmos motivos seus, estamos indo tambem em Novembro e para os mesmos lugares. Foi muito bom ler seu texto. Mesmo casada com um Ingles nao estavamos sabendo dos jogos da Commonwealth e a dica foi otima para apressarmos as reservas. Boa viagem para nos.

Bem, isso não é uma conicidência bacana, Elizabeth? Em que datas vcs estarão na Índia? Quem sabe se a gente se "esbarra" por lá?

20:23 | Unregistered CommenterArnaldo

Estaremos na India de 4 a 13 de Novembro. Antes iremos ao Nepal, Vietnam, Camboja, Laos e Bangkok via Londres. Tal como você faremos so o Rajastao e o que der nesse curto espaco de tempo. Faremos de carro também em tour privado, uma opcao bem razoável e fácil.
Eu agradeço também seu post na Jordania e Petra. Alugamos um carro, dirigimos toda a Jordania e seguindo você subi numa boa o Monásterio em Petra mas sem o burrico, aquilo é esporte radical. Se esbarrar com você na India haverá um OM brasileiro.

Nós estaremos entre 6 e 21 de Novembro no Rajastão

21:33 | Unregistered CommenterArnaldo

Que blog fantásticoooooo!!!!!!!!
Ja estou adicionando nos meus favoritos!

Parabens!

Olá Arnaldo,
Eu só tinha visto a Índia pelos filminhos de super 8 que meu falecido prof. de histéria da arte mostrava na faculdade quando em questão de 5 dias fui parar lá...E eu amei. Foi um choque total, mas me marcou muito e quero voltar para conhecer a parte sul algum dia. Já que vc vai para lá tem um filme super engraçado que chama Outsourced que vale assistir (dá pra alugar no itunes). Eu também fiquei em alguns hotéis da sua lista e tem minhas fotos pessoais no meu blog, passa lá para olhar! bjs e ótima viagem, aguardo para ver suas fotos maravilhosas!!

16:58 | Unregistered CommenterPaulete

Tks a lot!! Eu adoro seu blog e foi graças ao seu blog que cai no mundo dos blogs. Uns anos atrás fui procurar sobre um hotel que eu ia ficar em Las Vegas (Wynn) e caí nas suas fotos incríveis. Depois pelo seu blog descobri o VnV, aí não parei mais!!!

23:54 | Unregistered CommenterPaulete

Parabéns, meu irmão. Escreverei menos do que gostaria porque o que eu quero dizer pode se resumir em poucas palavras. É o seu melhor texto, disparado. Li todos que há no seu blog, como vc bem sabe. Me lmebro da sua recusa inegociável em visitar a India há quase 20 anos atrás. Lembro das suas palavras. Eram fortes e aquilo moldou bastante a minha impressão sobre a India. Ver a sua mudança de opinião é muito interessante, mas ver o que se passou por trás dos bastidores da sua mente, é educativo. Sua forma de encarar o mundo é inspiradora para mim.

Emília, você parece ser, em grande parte, uma dos componentes mais fortes dessa mudança. Obrigado por fazer do meu irmão uma pessoa ainda mais feliz e, acho que não há palavra melhor, completa.

Aos dois, o texto me lembrou muito uma passagem de "A Ilha do Tesouro". "Todas as pessoas que chegaram onde estão tiveram que começar por onde estavam." (Robert Louis Stevenson)

Beijos

Pela introdução eu fico só pensando que pérolas virão após a viagem!
Estou achando que depois da viagem de vcs vou ter uma outra impressão sobre a Índia, que embora me desperte muita curiosidade, ainda tenho certos receios...
Boa viagem, queridos!
Bjks pros dois! ;)

14:34 | Unregistered CommenterPaula*

Desde que descobri o F&F não páro de me surpreender. A minha primeira anotação foi as 03 cidades mais bonitas da Europa: Paris, Praga e Barcelona. Já conheci e me encantei com Paris e Praga. Em setembro vai ser a vez de Barcelona. Me impressiono como a sua maneira de escrever é capaz de mudar o nosso modo de olhar, pensar, enxergar um destino. Não sei se um dia irei à India, mas sei que de agora em diante olharei com menos preconceito e com uma certa admiração. Beijos para você e a sua doce Emília. Sou uma fã do casal, admiro muito os dois!

15:07 | Unregistered CommenterRosa

ROSA e PAULA*, não sei como agradecer tanta simpatia, doçura e gentileza. Por favor, saibam que para pessoas boas, corações doces, mentes limpas e olhos puros NADA pode ser tão tocante quanto palavras ao mesmo tempo simples e francamente doces.

Felizmente tivemos o privilégio de conhecer a Paula e esperamos ter o mesmo com a Rosa, sempre tão gentil e incentivadora.

Que coisa boa é nós aqui sabermos que entre todas as dezenas de pessoas que tivemos a sorte de conhecer - através do F&F ou do VnV - que apenas uma ínfima parte revelou-se mal.

MUITO obrigado

Arnaldo que delícia!! seus textos sobre seus destinos estão cada vez mais gostosos (e muito informativos!) eu adoro viajar nos seus caminhos, apesar de nem sempre ter tempo de comentar tudo q leio aqui, vc, seu blog, seus destinos e sua esposa me inspiram muito na hora de escolher novos destinos :) obrigada por essa preciosidade!! aproveite muito a viagem, já estamos (eu e o maridão!) viajando aqui com vcs... beijinhos

9:56 | Unregistered CommenterCamilla

Excelente matéria!!! Bem detalhada e o legal é que tem várias fotos.

Esse blog merece um link em meu blog...hehehe...dá uma passada lá!!!!

www.amelhoragenciadeviagens.com.br

Abraço!!!

11:16 | Unregistered CommenterCaio

Acabei de voltar da India..amei pro sinal, fui sozinha e nao tive qualquer tipo de problema...visitei Agra-Taj View ,Delhi- The Shangrila, Jaipur- Samode Haveli , Udaipur- Shiv Niwas e Varanasi- Taj Ganges (Fiz tours privados pela agencia Caper Travel...nota mil...100% pontual).Voce falou falou falou sobre ver a India como ela é...e no final voce solta que vai se hospedar no Rambagh Palace...Oberoi Agra . Imperial New Delhi...e vai fazer tours privados sinto lhe informar que voce nao vai encontrar nada do que procura .Mal mal vai poder andar pelos mercados pois a maioria das agencias proibem os guias de levar seus clientes devido ao temor de ataques terroristas em ditos crowed places..Para encontrar a India que vc procura e só sair por exemplo da zona sul carioca ou mesmo lá dar uma voltinha no Vidigal...E também sinto lhe informar que a grande oportunidade conhecer a cultura hindu vc perdeu que era de ir a Varanasi.Parabéns pelo blog.

oi parabens pelo blog mt legal
meu sonho é viaja pra india ,mais eu nao tnho dinheiro suficiente para ir
mais eu espero q um dia eu va e possa realizar meu maior sonho,eu tenho um amigo q ele e indiano
eu falo com ele pela net e eu espero um dia ir a india!

19:20 | Unregistered Commentercamila

Amo seu blog.... já visitei a Índia três vezes, apesar de todos os problemas que existem por lá, há um mistério, uma coisa inexplicável, que não vemos, apenas sentimos e sobrepõe-se ao nosso visual. Uma coisa é certa: jamais podemos comparar a Índia com nosso país. Grande abraço!!

As três vezes que visitei a Índia fui sozinha. Não tive nenhum problema, andei por vários lugares, me perdi, me encontrei, me diverti, fiz compras, visitei templos e monumentos e curti o máximo do que pude. Só o calor é sufocante, pois estive lá (New Delhi) na época do verão. Então cheguei a pegar 45º no coco.. uffaaa...

PARABENS PELO BLOG !!!

PALAVRAS DESCRITAS COM TRANSPARÊNCIA E UMA ÓTICA MUITO VERDADEIRA.

EMBARCO PARA INDIA DIA 21/9/ 2011 , APENAS COM PASSAGEM DE IDA

** PAZ **

Muito bom, este texto já é a base de meus "estudos" programação, da viagem que venho fazer ainda este ano; estou interesssado em conhecer a Índia islãmica, em especial o sufismo. Vc tem alguma dica

Luz Paz e Amor

José Vicente

José Vicente, eu acabo de publicar o último texto sobre DELHI, onde há a visita a um templo sufi.

Lindo texto, parabéns ! Uma sensibilidade própria de quem se despe de preconceitos ou os aceita para se lançar a uma cultura totalmente diferente, tentando extrair a sua mais pura essência. Mas confesso que não entendi a escolha por hotéis tão luxuosos, todos sem exceção, os mais luxuosos da India. Concordo quando disse que precisava relaxar ao chegar aos hoteis e que a experiência antropológica pode se dar, mesmo se terminando o dia em locais confortáveis. Mas viajar para Ìndia e SÓ FICAR neste tipo de hotel, para mim é bastante contraditório com as idéias do lindo e bem escrito texto que acabei de ler. Não dá mesmo para entender o ser humano.
Ana Emília

23:32 | Unregistered CommenterAna Emilia

Olá Arnaldo.
Para si não será habitual receber comentários deste lado do atlântico mas não resistir à tentação de lhe agradecer a forma como escreve e sua postura como "bloguer". O meu comentário vai um pouco deslocado no tempo uma vez que só agora “tropecei” nos seus escritos sobre a Índia.
Regressei no passado Outubro de uma viagem em tudo parecida com a sua, com as mesmas rotas, os mesmos interesses, os mesmos objetivos. A única diferença é que na minha viajem inclui uma “fugida” a GOA para “ver o que os navegadores portugueses andaram por lá a fazer!”
Ao esbarrar no seu blogue logo me surpreendi e depois me maravilhei. Na verdade ver escrito tudo aquilo em que se acredita, que se sente, que se defende é muito reconfortante. Principalmente se não se tem o dom da palavra e se não se tem a facilidade de expressão como você. É como ver os nossos pensamentos ditos por outra pessoa, como se ela nos adivinhasse o que nos vai na mente.
Como você diz “viajar é sempre algo pessoal” e cada viajante tem as suas experiências e “cada destino é visto pelo indivíduo de maneira diferente”. Tenho viajado bastante e no fim de regressar da Índia e ter lido sua dissertação, acredite que aprendi imenso e me sugestionou bastante para uma próxima visita.
Mais uma vez lhe agradeço por partilhar com todos nós esse seu sentir, essas suas opiniões, essa sua maneira de olhar os outros estranhos à sua civilização.
De Lisboa, queira aceitar minhas cordiais saudações.

Caro Gabriel, muitíssimo grato por sua visita, sobretudo por seu comentário. Não podes imaginar o orgulho de ler isso hoje. Não é incomum receber visitantes de Portugal, tampouco de outros países de língua portuguesa, mas comentários sim, são bem mais raros.

Saiba que admiro imensamente os blogs, revistas (sou assinante da Volta ao Mundo) e escritores portugueses de viagens. Tenho muito comumente me inspirado nestes ao escrever.

Quanto à Índia, foi um destino que visitei duas vezes e fui definitivamente tocado por tudo, desde a primeira. Desejo voltar e voltar. Continuaremos por aqui viajando, mas cada vez menos publicando no blog.

De toda maneira, vez por outra passo aqui para responder aos comentários. Daqui do Brasil queira aceitar minhas saudações e agradecimentos. Seja sempre bem-vindo!

Obrigado Arnaldo mais uma vez mas, por me ter respondido.
É uma pena "cada vez menos publicando".
Vou ficar por aqui espreitando e me inspirando para novas viagens.
Se voltar a Lisboa (ou a Portugal) me diz algo. Gostaria de encontrar você.
Até sempre!

Caro Gabriel,eu que agradeço suas visitas, seus comentários, sobretudo seus eligios. Adoramos Portugal. E será sempre um destino para escapadas desde aqui. Como podes ver, já publiquei um post apaixonado sobre nossa última viagem a Lisboa. Tenho um plano de realizar com um irmão e as esposas uma viagem de moto através de Portugal. Há inclusive uma operadora turística especializada e muito confiável. Quem sabe um dia?

De toda maneira, quando voltarmos a Portugal, será um prazer e uma honra tomarmos um café juntos.

Um grande abraço!

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