CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

              Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Sexta-feira
Jun042010

ILHAS MAURÍCIO: essência crioula, notas francesas, toques orientais

 

Port Louis: francesa, inglesa, crioula, chinesa e hindu e muçulmana 

 

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Maurícios, romantismo, inspiração, sedução e magia 

                        DEPOIS de Dodô, o infeliz pássaro mauriciano, Paul et Virginie são os personagens mais conhecidos da ilha, ainda hoje um dos mais importantes exemplos da memória cultural do país. Suas estátuas de bronze estão no átrio ajardinado da igreja de São Francisco, em Pamplemousses, assim como o busto em bronze do governador Bernard-François Mahé de la Bourdonnais está no Jardim Botânico de  Pamplemousses.  Em Paul et Virginie, Paul é um jovem amável  e Virginie uma encantadora adolescente. Ambos representam uma doce visão da humanidade por seu autor, algo bastante condizente com o ambiente romântico, delicado e sereno da ilha.

 

  Contemplando a ilha, fomos arrebatados por seu romantismo, inspiração, sedução e magia 

                        Paul et Virginie - um romance escrito em 1787 pelo escritor francês Bernardin de Saint-Pierre - alcançou grande popularidade na França e, devido ao seu sucesso, foi traduzido para diversos idiomas, entre eles o português, tornando-se um clássico da literatura universal 

                     O livro foi especialmente importante por conta dos ideais do iluminismo e dos conceitos de Rousseau usados por Saint-Pierre: a defesa da educação do homem longe da civilização, do enriquecimento de seu caráter e de noções de honestidade e moralismo, de uma sociedade na qual os direitos humanos seriam os fundamentos para a felicidade. O romance foi ambientado nas Ilhas Maurício, na época em que era Île de France e pertencia àquele país.  A natureza exuberante, o exotismo e o isolamento da ilha foram o cenário para o amor inocente e trágico dos adolescentes Paulo e Virgínia.

  

Paul e Virginie, homenagem no Jardin Botanique du Pamplemousses 

                         No romance o casal vive na ilha paradisíaca, distante da civilização européia, num lugar que lhes permite crescerem conhecendo a pureza, mantendo-se distantes das idéias capitalistas. Os dois crescem juntos até que Virgínia é levada por uma tia para a França, que deseja educá-la sob os preceitos da sociedade da época. Paulo sentia-se só e triste, enquanto Virgínia também chorava a falta de seu primeiro amor. A jovem decide retornar à ilha, mas o navio que a transportava naufraga nas costas de Maurícios e Paulo morre de tristeza. Como em nada mais com tamanha força e docilidade, o ambiente sereno e contemplativo em que viviam Paulo e Virgínia firmou-se na ilha, tornou-se uma de suas mais adoráveis peculiaridades.

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Alma crioula a meio caminho entre a África e a Ásia

 

                       O clima da ilha é tropical, mas modificado por ventos do sudeste. É predominantemente quente, com inverno seco e verão chuvoso.  Além da capital Port Louis - sua maior cidade -  há outras, Curepipe, Rose Hill-Beau Bassin, Quatre Bornes e Vacoas-Phoenix, além de graciosas vilas pequeninas e com nomes que são puro charme e inspiração:  Mahébourg, Triolet, Tamarin, Chemin Grenier, Souillac e Goodlands

   

                       Urbanisticamente falando é isso, com mais uns pequenos assentamentos nas proximidades dos resorts - quase todos ao longo das costas da ilha - além de uma e outra vilazinha de pescadores ao longo do litoral.   No relevo a Ilha Maurício tem um planalto central cujo cume mais alto chama-se Piton de la Riviere Noire, com 828 m, mais ou menos duas vezes e meia a altura do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.  Uma outra montanha, de nome holandês, quase da mesma altura (823 m), a Pieter Both, fica pros lados da Capital. Mas em Port Louis há outro monte, este de nome francês, o Le Pouce.

 

  Relevo fabuloso, vegetação luxuriante, cidades pequenas, vida serena... 

 

  

                         Planícies suavemente onduladas cobrem cerca de metade da ilha. É onde ficam Pamplemousses, Rivière du Rempart, Flacq e Grand Port.  No planalto -  que abrange cerca de um quarto da ilha - há uma cratera de vulcão extinto entre várias montanhas, além de pequenos rios, além dos distritos de Moka, Plaines Wilhems e Grand Port. É alí também que ficam as plantações de cana-de-açúcar e de hortaliças.  Em torno de Curepipe e Vacoas também se planta chá.  Já na parte sul do planalto - nos bairros de Black River e Savanne - a topografia é bem diversificada, também com plantio de chá, com áreas de reflorestamento e reservas nativas.

 

                         MAURÍCIOS tem mais de dez reservas naturais.  Pamplemousses, o mais antigo jardim botânico do Hemisfério Sul, tem 85 variedades de palmeiras, nenúfares gigantes e muitas outras espécies de plantas tropicais.  A ilha também é um dos principais destinos de pesca desportiva marítima do mundo. Suas águas rendem recordes mundiais em variedades de tubarões e atuns.  Nelas é realizado anualmente o Marlin Word Cup, onde exemplares de até meia tonelada são capturados.  A barreira natural de recifes de coral proporciona também um habitat seguro para inúmeras espécies de peixes, de moluscos, de crustáceos e ouriços. Os praticantes do mergulho afirmam que a ilha é um dos paraísos para a observação de peixes de grande porte como atum, arraias, barracudas e peixes borboleta. Um dos três melhores locais de mergulho da ilha são Grand Baie, Blue Bay e Flic en Flac.  PODE-SE fazer o passeio das montanhas Moka em quadricíclos, a cavalo e de jipe pela área do Parque Natural Domaine Les Pailles e passear por detilarias de rum e fazendas de cana de açúcar.

   

Chá, segunda maior produção agrícola na ilha

  

                        POR conta de suas influências, em Maurícios há diversos festivais ao longo do ano, como o Cavadi, celebrado em janeiro e fevereiro, quando os hindus devotos perfuram o corpo, a língua e as bochechas com alfinetes ou pinos, numa espécie de penitência em que carregam nos ombros o “Cavadi”,  um arco de madeira ornado com flores e tendo um pote de leite em cada extremidade.  Já o Divali, ou Festival das Luzes, celebra-se em outubro ou novembro, quando pequenas lamparinas de argila são acesas ao pôr-do-sol e postas sobre muros, terraços e quintais das casas para atrairem a Deusa da Riqueza e da boa sorte. A festa chamada Padre Laval ocorre anualmente no dia 9 de setembro, quando os mauricianos dirigem-se ao túmulo sagrado de Jacques Désiré Laval, o “Apóstolo dos Negros”, em Ste-Croix, Port-Louis, a quem atribuem milagrosos poderes de cura.

 

Divindades hindus no tempo de Grand Bassin, região central de Maurícios

 

                      O Ganesh Chaturthi é uma festa hindu que celebra Ganesh Chaturthi em agosto ou setembro, em honra ao nascimento de Ganesha, o Deus da sabedoria.  O Holi também é um festival hindu, aquele em que homens e mulheres jogam pós e águas coloridos uns nos outros, como votos de boa sorte.  No terreno da cultura muçulmana, o Id-El-Fitr nada mais é do que a comemoração do fim do Ramadã, o período de jejum, quando no decorrer de todo o dia são feitas orações especiais nas mesquitas.

 

Gente, o maior patrimônio de Maurícios

   

                        O Festival da Primavera é chinês, e como baseia-se no calendário chinês e no Ano Novo, cai em datas diferentes a cada ano.  Sua característica principal é a faxina completa das casas em preparação para o festival, além da particularidade de que neste dia não se usam facas ou tesouras. A cor predominante é o vermelho, um símbolo de felicidade para aquele povo. Oferendas de comida para garantir abundância no ano que se inicia, além dos tradicionais bolos de cera distribuídos entre parentes e amigos.  No encerramento é feita uma queima de fogos de artifício que tem como objetivo espantar os maus espíritos.

 

Fachada ocidental, moldura creóle

  

 Hindus, muçulmanos, xintoístas e católicos

 

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Sega, a dança nacional

                        Chama-se Sega a dança típica mauriciana, de origem africana, que tornou-se sinônimo de “joie de vivre”. Tanto a música quanto a dança têm raízes na África e origem nos escravos.  Dançam-na ao som de músicas cantadas em creole com ritmo e melodia que com o tempo tomou influências européias. Hoje há diferentes versões da dança e da música, cuja tradicional tem instrumentos como a ravanne, a maravanne e o triângulo, cujo expoente foi o poeta Ti Frère, que morreu aos 92 anos e deixou grande repertório. Todavia as gerações mais jovens e os artistas dos hotéis preferem as versões mais modernas.  Ainda que nada tenha a ver com as ilhas Maurício, mas com a cultura e a lingua creóles, uma ótima trilha sonora para acompanhar o visitante durante sua estada é da cantora cabo-verdeana Mayra Andrade: 

Trilha sonora creóle boa para ouvir enquanto estiver em Maurícios

Mayra Andrade & LA MC Malcriado 

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Usinas de açúcar, rum e tartarugas

                         A Beau Plant, usina de açúcar da ilha, além de produzir, ainda conta a história do produto na ilha.   Há um museu e um restaurante, o Fangourin, situado nos jardins da usina um lugar bem pitoresco, cujo menu tem pratos de frutos do mar - como o escalope de dourado com manteiga de lagosta e creme de batata-doce - além de sobremesas típicas como o "Muscavdo", um creme brulée com aroma de lavanda.  

 

Tapete verde, a onipresente cana-de-açúcar 

                         A ilha tem em sua paisagem verde uma importante fundação de preservação, pesquisa e estudos, o Mauritius Wildlife Foundation, que leva o visitante a uma viagem no tempo das espécies nativas em Ile aux Aigrettes, a cerca de 850 m da costa sudeste da Baía Mahebourg.  Ao contrário de Maurícios, de origem vulcânica, Ile aux Aigrettes é de pedra calcária e parcialmente coberta por areia, um verdadeiro paraíso para a preservação de plantas nativas e de tartarugas.  

   

                       Havia duas espécies de tartarugas endêmicas na ilha, ambas extintas há cerca de 200 anos em decorrência da exploração excessiva do homem e pela predação por ele introduzida.  Em 2000, 18 tartarugas adultas e jovens da espécie gigante "Aldabran Geochelone gigantea", uma das maiores do mundo, foram introduzidas em Ile aux Aigrettes para simular o que havia ali antes da destruição pelo homem.  A única espécie remanescente dos quatro tipos de tartarugas gigantes que viviam no Oceano Índico, a tartaruga de Aldabra vive no atol do mesmo nome, ao norte de Madagascar, na costa do Quênia.   

 

                     Estima-se que existam cerca de 150.000, o que a torna a maior colônia de tartarugas gigantes no mundo.  O mergulho – tanto o na modalidade snorkel quanto o de garrafa são fabulosos em Maurício devido aos seus inúmeros recifes de coral, todos protegidos pela Mauritius Marine Conservation Society, cujos resultados do trabalho da associação têm sido fabulosos na recriação dos recifes de corais e de espécies marinhas.

  

Maurícios: afluências e influências 

                          Sabor de Rum: ainda que quase inteiramente dedicados à produção de cana-de-açúcar, os mauricianos ainda preservam a cultura do rum, cuja marca Green Island é a mais famosa da ilha e tem a alta qualidade dos runs envelhecidos, a única marca da ilha que é exportada. (FONTE: Larry Olmsted - Revistas Cigar Aficionado, Outside e Men’s Journal.)

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Um pouco de História e Geografia

                        A ilha ficou desconhecida e desabitada por muito tempo, mas provavelmente foi visitado por navegadores árabes durante a Idade Média, já que constava de mapas desta época, assinalada com o nome árabe "Dina Arobi".  O navegador português Domingo Fernandez Pereira  provavelmente foi o primeiro europeu a desembarcar na ilha, em 1511. Nos mapas portugueses o nome"Cirne" aparece, provavelmente o primeiro nome dado pelos portuguêses ao Dodô. Os primeiros registros das Ilhas Mauricio que se têm notícias vêm de marinheiros árabes e malaios, a quem, então, se atribuem a “ descoberta” da ilha no século X.

  

                        Há registros de que os portuguêses descobriram a ilha em 1505, todavia a mais notável influência lusitana no arquipélago foi apenas o nome - Mascarenhas -, homenagem ao navegador português Pedro Mascarenhas, o primeiro a “descobri-la”.  Todavia não foram eles (ao menos oficialmente) seus primeiros exploradores.  Ela servia apenas como ponto de referência para a rota das caravelas portuguesas. Colonizada por holandeses em 1638, seu nome foi homenagem ao Príncipe Maurício de Nassau (aquele mesmo que andou pela costa nordeste do Brasil). Com os holandeses vieram os primeiros escravos do sudoeste asiático e de Madagascar. Todavia foram os franceses que controlaram a ilha por todo o século XVIII, quando a renomearam Îlle de France.

  

                        CICLONES e algum insucesso decorrente de pragas e má administração encerraram a carreira dos holandeses na ilha, dando lugar aos franceses, que a transformaram numa próspera ilha e implantaram as culturas de café, algodão, chá, especiarias e cana-de-açúcar. Em decorrência do crescimento, como era moda na época, importaram-se ainda mais escravos, desta vez da Costa Oeste africana, além de trabalhadores não escravos de Madagáscar e das Índias Orientais.  A localização estratégica e a prosperidade da ilha despertaram o interesse dos ingleses, que a conquistaram em 1810, devolvendo-lhe o nome original e acrescentando-lhe o idioma que até hoje é tido como oficial do país.  Mais tarde, com o fim da escravatura, mão-de-obra oriental e africana foi trazida para a ilha, especialmente os nacionais indianos, moçambicanos, chineses e comorenses. Era o ingrediente final para a mescla étnica e cultural que dá personalidade à ilha até hoje.

  

 Verde e azul, a ilha é verde e azul... 

  

                         OS britânicos restauraram seu nome anterior em 1814. A independência foi em 1968, todavia mantendo como Chefe de Estado o então monarca do Reino Unido. Tornou-se uma república em 1992 e membro da Commonwealth.  Daí surgiu a influência o idioma inglês e francês na cultura mauriciana.  O governo é democrático e estável, tem eleições livres e regulares, os direitos humanos são respeitados, razão porque a ilha atraiu credibilidade para investimentos estrangeiros, o que proporcionou ao país alcançar a maior renda per capita da África.

Flora e fauna tropicais e exóticas, são o plus da ilha    

 

                      EM resumo: Período holandês: (1598-1710); Período francês: (1715-1810); Período britânico: (1810-1968). A bandeira do país é das mais simples: consiste em quatro faixas iguais horizontais cujas cores são, de cima para baixo, vermelho, azul, amarelo e verde, cujos significados são: Vermelho, o esforço para a liberdade e independência; Azul, o Oceano Índico, no centro do qual a ilha se situa; Amarelo, a luz nova da independência que brilha sobre a ilha e Verde, a agricultura e a cor da ilha durante os doze meses do ano.

 

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Essência Crioula, notas francesas e inglesas, toques orientais

 

                  O Crioulo (*) é a língua franca, o inglês a oficial e o francês a mais falada.  Entre os mauricianos, todavia fala-se hindi, tamil, o mandarim e o cantonês.  Mas o que ouvimos é algo como um creóle-francês, ou um franco-creóle.  A maioria do povo tem acesso à educação, um padrão homogêneo de qualidade de vida, aprende francês, inglês e alguns aprendem também hindi na escola. O creole é uma lingua apenas falada,  já que tudo mais é em francês ou inglês. A ilha é tranquila. Até demais. Não há vida noturna, lojas e empresas fecham às 5 da tarde, transporte coletivo pára às 6 da noite.  Em resumo, o inglês é a língua oficial do parlamento, das leis de trânsito e da administração, mas falado por apenas 3% da população. O francês é a língua nativa dos franco-mauricianos, falada nos meios de comunicação de massa e escrita em 80% dos jornais, mas também domina o mercado de publicidade da ilha.  O crioulo é a língua nacional, falada pela maioria dos mauricianos e mesmo os que não a falam fluentemente a conhecem e a usam para comunicarem-se.  A sonora língua crioula tem a maioria das palavras de origem francesa, embora mais de 150 sejam derivadas de Inglês, além de incluir vocábulos de mais de 50 línguas indígenas, malgaxes e chinesas.

 

(*) NOTA: uma língua crioula é uma língua natural que se distingue das restantes devido a três características: o seu processo de formação, a sua relação com uma língua de prestígio e algumas particularidades gramaticais. Uma língua crioula deriva sempre de um pidgin (*a), que não é uma língua natural, mas apenas um sistema de comunicação rudimentar, alinhavado por pessoas que falam línguas diferentes e que precisam de comunicar. Não têm qualquer fundamento (e são mero resultado de ignorância) alguns preconceitos segundo os quais os crioulos seriam dialetos, corruptelas ou uma mistura de outras línguas (normalmente europeias). Do mesmo modo, é errada a idéia de que os crioulos são línguas sem gramática. O Crioulo de Maurício, ou Kreol Morisyen, é a língua franca de Maurícios, que tem praticamente todas as raízes de seu vocabulário de origem francesa, menor quantidade de palavras de origem inglesa e de línguas africanas e asiáticas que já foram faladas na ilha.

(*a) Pidgin ou pídgin, também chamado de língua de contato, é o nome dado a qualquer língua que é criada, normalmente de forma espontânea, de uma mistura de outras línguas, e serve de meio de comunicação entre os falantes de idiomas diferentes. Os pidgin têm normalmente gramáticas rudimentares e um vocabulário restricto, servindo como línguas de contacto auxiliares. São improvisadas e não são aprendidas de forma nativa. Os pidgins podem desenvolver-se e tornarem-se línguas crioulas.  FONTE: Wikipédia

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Raça e religião

                         Raça e religião encontraram na ilha um lugar de tolerância, sua essência mais peculiar. As influências indianas, negras e européias lhe deram aromas orientais e sabores ocidentais, alguma rusticidade com toques de requinte, fantástica constelação de hotéis que nos cativam com mimos inesquecíveis e mordominas excepcionais, arquitetura e decoração de bom gosto e afinada com a modernidade sem perder a identidade, tudo defronte de paisagens naturais exuberantes, do calor africano cativante, temperado por índigo blue do mar - e que mar! - , por saris e artesanato indiano e roupas muçulmanas.   É a diversidade cultural e racial - com notas e cores holandesas, francesas, inglesas, africanas, indianas, chinesas e uma pitadinha portuguesa, não fosse o navegador português Pedro Mascarenhas ter descoberto a ilha - que faz de Maurícios um lugar turisticamente curioso, para além de exótico.

   

 Mesquita Jummah - Port Louis

                       Igrejas, mesquitas, templos hindus e budistas, mas o paraíso, no entanto, não está nos templos, tampouco no caminho para eles: a despeito de sua diversidade, não tem o que se poderia chamar de “grande número de atrações turísticas”, senão em sua maior especialidade, a hotelaria de alto luxo à beira-mar.  Talvez por isso Maurícios por tantos seja apelidado por “paraíso”,  um lugar onde a terra casou com o mar tão harmoniosamente e com tamanha paz e serenidade. 

    

A harmônia convivência é notável, considerando as diferenças culturais e religiosas do povo:  hindus, muçulmanos, africanos, crioulos, chinêses e brancos.

 

                      Não se deve esperar mais que duas ou três cidadezinhas como exemplo de urbanidade, além da Capital, Port Louis, Flic en Flac e Grand Baie.  Há alguma atividade quotidianas do povo da ilha, no comércio, na indústria têxtil e no cultivo de cana-de-açúcar. Mas turisticamente,  a vegetação agreste, a praias de sonho cartão postal, o mar sem defeitos, o toque tropical dos coqueiros e casuarinas e os habitantes, será o que ficará de lembrança.  A mesma serenidade e gentileza do povo encontra-se no mar, manso como o povo.

                    O trânsito não é tão sereno, tampouco as estradas, mas apenas por serem estreitas e sem acostamento. Todavia são impecáveis, limpas, sinalizadas.   Dirige-se pela direita por ruas e estradas estreitas e sempre repletas de, pedestres, trabalhadores rurais, carroças, caminhões, tratores, reboques quilométricos e altísssimos com cana-de-açúcar e carros particulares estacionados onde der. 

Próximo Capítulo:

Port Louis. O paraíso tem Capital

Reader Comments (9)

Lindo, lindo, lindo! Que saudades de Mauricio! Concordo com vc 100% quando diz que o povo eh o maior patrimonio de la, essa ilha tao fabulosa. E que maximo ver o lago sagrado assim, todo envolto em brumas!

'A sua mais completa tradução...'

Se eu não conhecesse Maurícios e visse esse post...ficaria louca para ir! O texto traz todas as principais particularidades da ilha e as fotos não poderiam ter sido melhor escolhidas: mostram um pouco de cada detalhe que faz Maurícios ser um lugar tão encantador. As montanhas, a gente, as plantações, o mar, as tartarugas, os templos, as casas antigas de Port Louis. Aliás, estou ansiosa por ver o post da capital, um lugar que gostamos tanto...

Mari, o tempo fechou de vez quando chegamos ao Grand Bassin e achamos que não daria para ver nada, mas a surpresa foi caminhar e ver que a bruma deu uma atmosfera espetacular ao lugar.

Maravilhoso...

10:44 | Unregistered CommenterEmília

Uma amálgama de culturas muito interessante, acompanhada de magníficas paisagens. Um paraíso (dos poucos que ainda existem) na terra.
Mais um bocadinho e ainda dava para fazer a travessia a nado até à África do Sul para acompanhar o Mundial...

Saudações do Roadrunner!

Maravilhoso post!
Acabei de postar sobre esse destino, ms eu pessoalmente não fui...e falo de uma viagem com filhos, o que muda um pouco o foco, ms se tivesse visto o post de vcs antes, certamente estaria mais inspirada ainda! Belissimo! Parabéns!

Oi Arnaldo

Cheguei aqui atraves do seu comentario no viajando com Pimpolhos. Amo viajar e fiquei impressionadissima com este seu post sobre as Ilhas Mauricios. Parabens pelo texto e pelas fotos. Me lembrou um pouco o que vi na Malasia (principalmente em relacao a miscegenação de religiões e cultura) mas com uma natureza de ficar sem palavras!

Muito bacana!

Patricia

Estou "emocionada", "arrebatada" e "sorprendida" pelo post. Estou desejando conhecer essa ilha.

Arnaldo, você consegue que adorei o lugar sem ir. Mostra milhares de tonalidades verdes e azules como antes não ví. Isso é a magia dum lugar mágico, de natureza exuberante e transcendental.

Parabéns pelo post e lhe dou as graças por sua generosidade.
Beijos aos dois

18:33 | Unregistered CommenterCarmen

Oi Arnaldo!
Texto demais, e fotos LINDAS demais!
Essas coisas me inspiram demais, deu vontade de arrumar as malas e entrar num avião agora! hahaha
Tô começando com essa coisa de viagens/fotografias, tenho 20 anos. rs
Parabéns pelo blog sensacional!!!!

20:07 | Unregistered CommenterRoberta F.

Achei teu blog por acaso, pesquisando o destino das minhas próximas férias, e lendo os comentários caiu a ficha de que vc é o Arnaldo dos comentários do blog VnV, que mundo pequeno. :)

Parabéns pelos posts, estou impressionada com os textos. Há tempo venho dedicando momentos de pesquisas online sobre Maurício mas nada me surpreendia, até chegar aqui. Conteúdo completo, sério, apaixonante. OBRIGADA.

Um abraço.

Ansiosa para conhecer a Ilha. Tenho certeza que será uma viagem inesquecível para mim e Alcides. Muito obrigada pelas dicas, são sempre muito oportunas e de grande valia. Parabéns pelo post sobre Mauritius, Londolozi e por todos os outros. Vir aqui é sempre inspirador. Me sinto explorando o mundo através do computador. Parabéns pela foto do Shiva, linda!

20:05 | Unregistered CommenterMariana

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