CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Quinta-feira
Jan202011

ÍNDIA - Agra, além do Taj Mahal 

      __ Nas ruas de Agra, junto ao povo, vivemos as experiências mais do "outro mundo" de nossa viagem __

                       INTRODUÇÃO _________________________________________________

                        A ÍNDIA é um destino turístico brilhante do qual se recebe muito mais do que se imagina em cores, exotismo, diversidade, cultura e sabores. O que se investe numa viagem ao país é soberbamente recompensado por uma infinidade de grandiosas atrações, pela imponência de seus monumentos, pela cultura e receptividade de seu povo e pelos estímulos sensoriais que por si bastariam para tornar a jornada uma experiência fascinante. Entretanto, o que torna esse país ainda mais maravilhoso é a possibilidade corriqueira do deslumbramento a cada monumento e também de nos surpreendermos com o fato de o próximo poder nos causar igual ou maior impacto.  

___  Grandiosas atrações, cultura, receptividade e estímulos sensoriais. Um destino brilhante! ___   

                        Com muita freqüência, saímos de uma atração encantados e certos de que nada mais poderia nos surpreender, ou até mesmo com a sensação de que a viagem poderia terminar ali, pois o saldo já seria extremamente positivo.  Entretanto, quando chegamos ao fato seguinte, aquele anterior - que tanto nos havia impressionado - aparenta ter sido um aperitivo e o atual o verdadeiro banquete.

    

______  O Forte de Agra, apenas mais uma fenomenal atração na cidade ______ 

                         Agra é apenas mais uma entre as atrações de uma série fenomenal, ainda que sobre ela pesem as mais assustadoras qualificações que já li acerca de uma cidade: suja, fétida, agressiva, infernal, sinistra, tormentosa e trapaceira. Não posso, efetivamente, desqualificá-las, mas asseguro que o turista decidido a conhecer Agra além do óbvio - o Taj Mahal, o Forte Vermelho e Fatehpur Sikri - viverá experiências genuinamente enriquecedoras e tocantes.

  ______  Agra, para além do Taj Mahal  ______

  

                         Aquele que amedrontado pelas resenhas negativas deixar-se influenciar a ponto de optar por não incursionar pela cidade também deixará de viver momentos deliciosamente inesquecíveis: misturar-se ao povo e conhecer a genuína vida cotidiana de Agra, o seu comércio popular, as suas ruas vivas, o dinamismo criativo de sua gente, as crianças banhando-se nas calçadas, a mesquita Jama Masjid, o jardim Mehtab Bagho Mausoléu de Itmad-ud-Daulah e o Mausoléu de Akbar em Sikandra, bem pertinho da cidade. Para evitar os tormentos, basta estar acompanhado de um guia. Indiano e confiável, é claro.

  ______  Agra e seu criativo dinamismo  ______

                    Sua história é tão rica quanto é pobre a cidade.  Escancarada nos monumentos, ruas e fachadas, não é preciso ir muito além de observá-los para perceber o esplendor do império mogol.  Um roteiro a pé e de riquixá pela cidade - passeio turístico pelo incomum - resultará na vivência dos momentos mais do "outro mundo" que se possam viver na Índia, aqueles que excedem nossas melhores tentativas de descrevê-los.

    ______  É em Agra que um turista vive verdadeiras experiências antropológicas ______

  

________________________________________

O Forte de Agra  

     ______  Magnífica mescla dos estilos persa e hindu ______

                     Ninguém pode imaginar que o Taj Mahal perca imponência em qualquer equiparação com outras atrações.  Mas ainda que incomparável, nem por isso o Forte de Agra torna-se menos magnífico.  O Taj é uma preparação a que o visitante se submete para todas as novas emoções que estão por vir.  

 _____ O Jahangiri Mahal é primeiro monumento ao se entrar pelo Amar Singh Gate _____

  

_____ O Amar Singh Gate _____  

  

                     A entrada para o forte é pelo Amar Singh Gate, homenagem a Rathore Amar Singh, um guerreiro extraordinariamente corajoso e leal a Shah Jahan. Originalmente este portão era conhecido como Akbar Darwazza ou "Portão Akbar".  

_____ Os chatris, numa das áreas fechadas à visitação no Forte de Agra  _____  

                     O forte é uma cidadela construída na margem e numa curva do Rio Yamuna pelo imperador Akbar nos anos 1500.  Cercado por um fosso - como convinha a uma fortaleza - é de uma imponência tal que, de novo, arrebata o visitante, tanto por dentro quanto por fora.

   ______ De frente para o Rio Yamuna, não muito longe do Taj Mahal  ______

                     Mais do que uma fortaleza, o monumento em arenito vermelho foi residência de três imperadores mogóis: Akbar, Shah Jahan, Aurangzeb, cada um deles expandindo-o com novas estruturas durante suas gestões.

         _____ O interior do Jahangiri Mahal _____

  

                     O Forte não fica muito longe do Taj Mahal, tem grande relevância na história do país e para o turista representa uma sucessão de prazeres e encantamento.  Cercado por uma muralha dupla com 2 km de extensão e 20 m de altura, paredão espetacular vazado por duas portas monumentais - Portão de DelhiPortão de Lahore (ou de Amar Singh) - o complexo abriga duas jóias em seu interior: os palácios de contos de fadas de Jahangir e de Akba, grandes exemplos de arquitetura e ornamentação. 

   _____ O Diwan-i-Khas _____

                    Sua salas de audiência Diwan-i-Khas e Sheesh Mahal (o Palácio de Vidro) são incrivelmente ornadas e uma delas tem o interior inteiramente incrustrado com milhares de espelhos originais da época em que era o camarim do harém.

   _____ Mulheres de hoje andam em grupo no Forte de Agra e visitam o harém de outrora _____

                     Na fortaleza também há um interessante harém, duas mesquitas e alguns dos jardins com espelhos d’água mais luxuriantes de toda a região de Utar Pradesh.  Os dois palácios em curioso estilo eclético mesclam talentosamente as arquiteturas hindu, mogol e persa. Eles dão ao complexo sua personalidade residencial, não militar.

    _____ No Jahangiri Mahal, arenito vermelho talhado como madeira  _____

                      O Khas Mahal, também chamado tecnicamente de Aramgah-i-Muqaddar, de um lado tem vista pro rio e de outro para o Bagh Anguri, o jardim.  O hall central, ou Baradari, e o pórtico, são quase do mesmo tamanho e o arco do salão principal leva às salas do interior.Os mármores claros e as incrustrações em estuque de baixo relevo, as talhas e as pinturas ornamentais, proporcionam uma atmosfera luminosa a essa parte do conjunto.

   ______   O Khas Mahal. Sacadas para o jardim persa  ______

                     O palácio era uma área privativa do rei e sua mulher, de onde podiam avistar o jardim Anguri Bagh, o belo exemplo de projeto geométrico indentificado com o estilo persa, cujas fontes, canais de água, jardins e arbustos são seus personagens a contar-nos histórias e lendas das Mil e Uma Noites.

 

        ______  Como no Taj Mahal, filigrana e pietra dura também ornam o Khas Mahal.  ______

 ______  Shah Jahani Mahal  ______

                      Adiante do Anguri Bagh, fica o Musamman Burj, a torre octogonal - um das mais bonitas edificações do complexo -, o lugar onde Shah Jaham passou aprisionado seus últimos anos, olhando para o mausoléu de sua amada, o Taj Mahal, do outro lado do rio.

  ______  Aqui Shah Jahan morreu olhando para o Taj Mahal  ______

                     Hoje a vista continua soberba mas a poluição do ar esconde aquele monumento. O pátio de mármore tem o desenho de um tabuleiro de pachisi, um jogo semelhante ao gamão, onde dançarinas faziam o papel das peças do jogo.

 

 ______  Shah Jahani Mahal  ______

                       Se o Jahangiri Mahal é o edifício mais proeminente da fortaleza o Khas Mahal é o mais bonito. É o próprio palácio do rei e das Mil e Uma Noites. Um belo pavilhão de mármore branco com arcos e pilares em estilo hindu e extensa obra ornamental nos pisos e tetos. O Khas Mahal foi construído por Shah Jahan de 1631 a 1640 obedecendo a um projeto que contempla vários espaços abertos ao seu redor em estilo Char Bagh.

 ______   O Khas Mahal. Mármore branco e jardim persa  ______

                       O Khas Mahal tinha três áreas principais exclusivas do imperador: Tosh Khana, Khwabgah e Khana Tasbih. A Khana Tosh tem uma tela de mármore esculpida e vasada em filigrana, a Khwabgah, onde o imperador aparecia para as pessoas que se reuniram abaixo, na margem do rio, e Khana Tasbih, onde o imperador acostumava orar.

    ______   Anguri Bagh, belo exemplo de projeto geométrico indentificado com o estilo persa ______

                      Num nível acima, ficam o Diwan-i-Khas, hall de audiências privadas construído em 1635, o templo islâmico particular do imperador, chamado Mina Masjid (Mesquita Celestial) e o harém.  No térreo há uma das áreas mais curiosas do complexo, o Sheesh Mahal (Salão dos Espelhos), cujas paredes e teto são revestidos de pequenos espelhos, que resultam num efeito cintilante como se fossem grandes lantejoulas, onde lanternas de óleo refletiam sua luz.

  ______   Amar Singh Gate, externamente ______ 

                      Aqui também ficam a Nagima Masjid, mesquita em mármore branco que servia apenas às mulheres do harém, e um pouco mais distante, voltado para fora, o Diwan-i-Awan (Hall das Audiências Públicas) com seu grande pátio grande agora ocupado pelo túmulo de John Colvin, Governador das Províncias do Norte na era inglesa.

 ______  O Diwan-i-Am e suas fabulosas colunas ______ 

                    O restante do forte está fechado, mas é possível avistar-se os domos da Moti Masjid (Mesquita de Pérola), construção concluída em 1653.  A Jama Masjid, construída por Shah Jaham para Jahanara Begum, sua filha preferida, ligava o palácio à cidade pelo Delhi Gate, cujo acesso atualmente é fechado.

   

 ______  Diwan-i-Am - Hall de Audiências Públicas ______ 

______________________________________________________

Mausoléu de Itmad-ud-Daulah, o Baby Taj

                         O menos conhecido monumento de AgraTúmulo de Itimad ud Daulah - é  carinhosamente referido como Baby Taj por sua semelhança com o Taj Mahal, o mais famoso monumento da Agra. No entanto, o pequeno mausoléu foi construído antes do grandioso Taj Mahal e serviu de inspiração para sua construção, anos mais tarde.

  _____  O menos conhecido monumento de Agra inspirou o mais famoso monumento da Índia _____

                         A série de recursos estilísticos e ornamentais empregados no Baby Taj ocorreram pela primeira vez na Índia e determinaram as características mais proeminentes do Taj Mahal, construído anos mais tarde: o revestimento em mármore branco e as belíssimas incrustrações do mármore com outros mármores coloridos e pedras semi-preciosas, tanto externa quanto internamente.

 

  ______  O estilo arquitetônico e o trabalho em pietra dura tornam o mausoléu tão atraente ______

 

                          Mais do que isso, o Itmad-ud-Daulah foi o primeiro monumento construído inteiramente em mármore na Índia. A Rainha Nurjahan, esposa de Jahangir, o mandou construir entre 1622 e 1628 em memória de seu pai, Mirza Ghiyas Beg, um oficial imperial agraciado com o título de Itmad-ud-Daulah (Pilar do Estado) pelo imperador Jahangir.

                          Ele representa um marco, a transição entre a primeira fase da arquitetura monumental mogol - quando os monumentos eram todos construídos em arenito vermelho e tinham decorações em mármore - como a Tumba de Humayun, em Delhi, e de Akbar em Sikandra - e a segunda fase, onde empregou-se o mármore branco com as incrustrações em pietra dura.

 

 ______  Manabhat-kari, ou pietra dura ______ 

    

                          Manabhat-kari, ou pietra dura, originou-se dos mosaicos em pedra dos monumentos anteriores ao período mogol. Os padrões geométricos em mármore preto e branco e outras pedras, como visto no portão principal de Sikandra, mostra estágio inicial do estilo ornamental. No Itmad-ud-Daulah o trabalho de mosaico é mais elaborado, nos moldes e na escolha de pedras coloridas usadas no mármore branco. Os arabescos e geometrismos incluem motivos persas e também anunciava a transição dos estilos arquitetônios do império: a forma vigorosa e masculina de Akbar para um estilo mais feminino e sensual, típicos de Jahangir e Shahjahan.

                         Uma das mudanças significativas foi a inserção de pedras preciosas e pedras semi-preciosas, cortadas em "fatias" finas e cuidadosamente incorporadas nos "soquetes" escavados nas placas de mármore branco. Esta técnica foi então aperfeiçoada no Taj Mahal, onde atingiu seu esplendor.

   ______  Arabescos e geometrismos, telas intrincadas, arcos e colunas  ______ 

                         O uso de arcos, de torres octogonais ou em forma de minaretes, de estampas florais finamente esculpidas, os trabalhos das telas intrincadas esculpidas em mármore e as incrustrações são os destaques mais notáveis na obra, bem representativos do estilo islâmico e um deleite para os apreciadores da arquitetura. A ausência de uma cúpula e a presença de um quiosque fechado na parte superior, assim como o uso de chatris (pequena cúpola sustentada por 4 pilares) sobre as quatro torres-minaretes, em vez de cúpulas islâmicas, são reflexo da influência da aqritetura hindu.

 

 ______  Telas intrincadas esculpidas numa só pedra de m,ármore branco  ______ 

                         A estrutura principal tem três aberturas em cada lado e o arco central funciona como entrada principal. Dois arcos de acompanhamento são fechados com tela requintadamente trabalhada em treliça. O chajja (beiral) e os suportes proporcionam o equilíbrio arquitetônico tão peculiar à arquitetura persa e permitem a entrada da luz no interior. A mesma disposição simétrica é repetida no pavilhão superior, característica que mais tarde também foi incorporada ao Taj.

    

                         O mármore branco veio do Rajastão - o estado vizinho a Utar Pradesh - e nele incrustraram-se pedras semi-preciosas como a cornalina, o jaspe, o lápis-lazúli, o ônix e o topázio, formando imagens de ciprestes, garrafas de vinho, frutas e vasos com buquês.

   _____  Arenito vermelho, decorações em mármore branco no Portal Principal do mausoléu _____ 

 

  ______  Agra Túmulo de Itimad ud Daulah ______ 

  

                        O túmulo é tão interessante quanto foram as vidas de Itimad ud Daulah e de sua mulher, que o mandou construir. Ele era um comerciante pobre que vivia na Pérsia. Quando deslocou-se para a Índia em busca de trabalho, durante a viagem sua esposa deu à luz uma menina. Eram tão pobres que decidiram abandonar a recém nascida.  No entanto, o choro insistente da menina deixada para trás os fez arrependerem-se. Retornaram para retomá-la quando encontraram uma caravana a quem pediram ajuda. Levados até a corte do grande imperador Akbar, abrigaram-se no palácio e ali passaram a trabalhar. Com o tempo Akbar gostou de Itmad-ud-Daulah e foi dando novas tarefas àquele homem, que retribuindo a confiança cada dia tornava-se mais fiel, até que um dia Akbar o nomeou ministro e tesoureiro. Ao morrer, em 1605, o filho de Akbar - Jahangir - tornou-se imperador e fez de Ghiyas Beg (Itmad) seu ministro chefe.   

                       Sua filha quase abandonada tornou-se uma linda mulher. Apelidada de "Sol Feminino" - ou Mehr-un-Nissa-, com o tempo sua  fama de sua beleza espalhou-se.  Casou-se cedo e logo enviuvou, retornando para o lugar onde seu pai trabalhava, na Corte de Jahangir.  O Imperador Jahangir apaixonou-se e casou-se com ela, que logo tornou-se uma personalidade poderosa e influente na corte, a  ponto de ganhar novo apelido: Nur Mahal (Luz do Palácio) e Nur Jahan (Luz do Mundo). 

     ______  Arcos e colunas, janelas para o Rio Yamuna  ______ 

                       O mausoléu é pequeno, mas seus quatro minaretes proporcionam a ele uma impetuosidade maior do que suas dimensões. Os jardins bem amplos ao seu redor e o Rio Yamuna ao fundo ajudam a destacar a obra. A cerca de um 1,5 km do Taj Mahal, pequeno no tamanho, é um monumento inspirador, grandioso e delicado, cujas linhas estilo islâmicas de Char Bagh que Itmad-ud-Daulah tinha introduzido na Índia seis anos antes de sua morte influenciaram definitivamente a arquitetura do império mogol na Índia dali em diante.

    

                        O complexo abriga também o cenotáfio de Mirza Ghiyas Beg e da mãe de Nurjahan, Asmat Begum. De longe, visto da outra margem do rio, o conjunto parece uma caixa de jóias em marcheteria de madeira com madrepérola.   A luz penetra no interior através das telas denominadas "jali", um delicado trabalho de escultura em uma pedra de mármore branco. Também sepultada numa das salas laterais está Ladli Begum, filha de Nurjahan, de seu primeiro casamento.

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Mausoléu de Akbar  

 

______  O MAUSOLÉU de AKBAR, em Sikandra  ______

  

                        A escapada de Agra a Sikandra nos levou a um dos mais bonitos monumentos que visitamos na India. Nossa decisão em visitá-lo em nosso segundo dia na cidade de Agra foi tão acertada que já teria valido a curta viagem mesmo que apenas visitássemos o imponente portal monumental que dá acesso aos jardins do mausoléu.

    ______  O Portal do Mausoléu de Akbar ______ 

                       Este portão sul é o maior dos quatro e tem quatro minaretes cobertos cada um por um chatri de mármore branco, similares aos do Taj Mahal. Ele é o ponto mais central de entrada para os jardins da tumba.

 

                       Akbar, o imperador, começou a construir seu próprio mausoléu ainda em vida, em 1602. Mas a construção só foi concluída por seu filho Jahangir, em 1613, após a morte do pai, em 1605. Todo o conjunto tem inegáveis qualidades arquitetônicas e artísticas, especialmente nas proporções monumentais. Assim como quase todas as obras, o mausoléu foi executado em arenito vermelho, mas aqui o monocromatismo foi suavisado pelos ornamentos em mármores branco, cinza e preto.              

 

 

______  O MAUSOLÉU de AKBAR, em Sikandra, como é visto assim que se cruza o Portão Sul  ______

   

                        Uma muralha cerca o complexo e quatro portões foram instalados, mas três deles são apenas decorativos, apenas um é funcional.  O imponente portão de entrada tem cúpolas de mármore branco e minaretes que lembram os do Taj Mahal, e assim que o cruzamos a imponência do mausoléu surge ressaltada pelos jardins charbagh (*) hoje habitados por macacos e cervos.  

  ______  O Portal do Mausoléu de Akbar ______ 

  

                        O estilo mogol puro é franco, tanto nas proporções quanto no equilíbrio.  São definidos pelos terraços, fontes, domos, cúpolas e minaretes islãmicos que incorporaram elementos hindus - como os chatris, aqueles domos elevados por quatro colunas -, tudo harmonizando-se em perfeito equilíbrio arquitetônico.  

NOTA (*) Charbagh (chahār bāgh) é a denominação que se dá ao jardim em estilo persa, cujo layout tem quatro lados didividos por caminhos e por canais de água. Em persa "Chār" significa 'quatro' e "bāgh", 'jardim'.

____________________________

 Próximo Capítulo

 Fatehpur Sikri 

   

 

Reader Comments (12)

Quando se pensa em Agra, tudo é ofuscado por um único monumento: o magnífico Taj Mahal, de fama totalmente justificada. Mas que maravilha quando vimos que tínhamos muito mais coisas fabulosas para ver!

Além das construções históricas, Agra foi uma das cidades que mais ofereceram visões urbanas interessantes: macacos aos montes no centro da cidade, a loucura do bazar antigo, a visão dos búfalos no rio, os saris secando sobre a grama, as crianças tomando banho nas calçadas.

E ainda por cima o Taj Mahal!

22:53 | Unregistered CommenterEmília

E quem diz que precisamos nos deslocar para vivermos a Índia?

Enquanto aguardo as oportunidades, vou viajando pelo seu blog. E já fui a tantos lugares maravilhosos!!! Mas a Índia? Que lugar é esse? Só você, com sua sensibilidade - e ainda aguçada pela companhia de Emília - para tornar a Índia mais encantadora! Consegue, sem muitos rodeios, contar a verdadeira Índia e ainda, melhor, MOSTRAR!

As fotos são tão maravilhosas, que seria uma falta grave guardá-las só para vocês. Felizmente, você não é egoísta.

Quanto ao texto, nem preciso comentar, afinal, já o classifiquei como um ótimo escritor.

Parabéns Arnaldo! Continue nos presenteando com suas publicações maravilhosas.

Abço!

Ótimo post! Parabéns!

A Índia sempre foi um dos destinos mais nebulosos pra mim. Sempre ficando no fim da lista de possíveis roteiros. Confesso que com seus artigos tenho namorado mais este lugar e aos poucos sendo tomado por um tímido desejo de conferir com meus próprios olhos todas as peculiaridades desse "outro mundo".

1:16 | Unregistered CommenterRalph

Oi Arnaldo

Como te disse antes a india eh PESSOAL e INTRASFERIVEL e INESQUECIVEL. Ela tem um gosto de quero mais,um amor/odio relacionamento, onde vc vai carregar as batterias da paciencia e da tolerancia,

Abrir sua alma ocidental para a beleza e riqueza inusitada e inesperada: de um povo que apesar da pobreza absoluta ainda tem a capacidade de sorrir e brincar. Portar joias e cores e cuja espiritualidade eh tao atual qto o foi a 5000 anos atras.

Bem vindo ao vicio chamado INDIA.

Ursula

Certa vez um tal de Machado de Assis disse: 'Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos, há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.'

As fotos e os relatos da beleza da arquitetura dos monumentos da índia destoam de nossa cabeça a idéia de um país que só apresenta miséria.

Quem olha essas fotos acha difícil de acreditar que se trata de um lugar com um índice de pobreza tão elevado. Fez um lindo trabalho com esse 'feixe de contradições' que a índia é! :)

13:37 | Unregistered CommenterLaura C.

Que viagem fabulosa, hein?

E parabéns, uma vez mais, para as fotos! Uma mais bacana que a outra!

E tem mais: concordo com o Ralph, pois a Índia está passando na frente de outros destinos da minha wish-list, depois dos seus posts sobre ela!

Parabéns!

23:01 | Unregistered CommenterIgor Leal

Sem palavras para comentar o que li e vi. Faço minhas as palavras da Ana.
Estou adorando o relato.
Abraços a voce e Emília

21:52 | Unregistered CommenterFlora

Desculpe o meu português. Eu não gosto de traduções automáticas, porque elas não expressam e traduzem exatamente o que eu sinto quando leio o texto.

Eu não sei. É muito difícil expressar sensaçãos despois da letura do seu post.
Arnaldo, não é somente o texto ou não é somente as fotos as que pode trasmitir a força das suas vivências. É o conjuto, a mistura de ambos que faz feliz a alma.

17:28 | Unregistered CommenterCarmen

Olá! está viajando por aí, e vim parar aqui, no seu blog. Adorei o conteúdo, principalmente a quantidade de imagens e o tamanho!
Assim que eu tiver acesso, botarei o seu endereço na minha lista!

Au revoir!

14:30 | Unregistered CommenterPaula

É verdade: pensar em Agra nos faz pensar imediatamente no Taj Mahal - e há muito mais por ver. Lindas fotos, como sempre - amei a dos meninos fazendo pose ;)

Você conseguiu me transportar novamente à Índia!! Como é bom viajar para um lugares duas vezes, sobretudo quando o convite vem recheado de um belo texto e fotos surpreendentes! Adorei tudo e aguardo Fatehpur Sikri ansiosamente!!

Beijo ao adorável casal! :)

Olá.

Definitivamente extraordinária sua viagem pela Índia, seu encantamento pela cultura e a delicadeza como expressa o mais lindo (na minha opinião) e verdadeiro respeito pelos costumes de um país pouco privilegiado.

Adoro tudo que é relacionado à Índia e seus costumes. Sempre faço pesquisas sobre o assunto e hoje encontrei no seu blog as palavras mais precisas e gostosas de se ler e as imagens mais belas que meus olhos já viram.

Vocês estão de parabéns e continuarei a acompanhar essa incrível e deliciosa viagem pelo nosso Planeta que é fabuloso.

"O Deus que há em mim, saúda o Deus que há em você!" (Namastê)

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