MENSAGEM ao LEITOR
CONHEÇA QUEM ESCREVE

BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Quinta-feira
Mai262011

GRAND CANYON, Arizona - "On the road again"

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             DOIS na estrada, rumo ao Grand Canyon

             Primeira etapa: de Phoenix ao El Tovar Hotel, Grand Canyon Village          

             NO Céu não há smog.  O Sol revela os mínimos detalhes da geologia das montanhas, da aspereza do agreste, do raro verde da vegetação e do intenso vermelho dos paredões de rocha.  Não há multidões, tampouco tráfego pesado.  Assim que deixamos o ótimo aeroporto de Phoenix em direção ao Grand Canyon, logo os arranha-céus e as montanhas nevadas da Capital do Arizona ficaram para trás. 

 

                       O interior está logo ali, a poucos quilômetros da Capital, como vão revelando o cenário agreste, a personalidade do deserto, os cactos saguaro, os paredões de rocha vermelha, as florestas de juníperos e pinheiros e a cultura e feições do povo Navajo.

 

                      Apaixonados por viagens, estradas, mapas e trilhas outdoor, eu e minha doce Emília começamos em Phoenix nosso roteiro rodoviário pelo Oeste americano, uma viagem de 1.700 Km em que encontramos Sol brilhante, clima gostoso, montanhas incríveis, desertos, rodovias fantásticas, estradas cênicas, história, herança cultural e muitas possibilidades de atividades esportivas de montanha. 

  

                       Para além da histórica Rota 66, o Arizona e o Utah são repletos de cenários, infra-estrutura e ambientes perfeitos para viagens rodoviárias. São incontáveis os roteiros por estradas cênicas, entre elas a Oak Creek CanyonApache Historic Roada Kayenta to Monument Valley Scenic Road, a encantadora Burr Trail, a Red Rock Scenic Byway e a Monument Valley Navajo Tribal Park.

  

                       De Phoenix até Sedona, mesmo a rodovia Interstate 17 já exibe paisagens naturais agrestes e belíssimas em tons verdes e vermelhos. Este trecho da Interstate 17 - chamado Old Black Canyon Trail - passa por pequenas cidades rurais emolduradas por belas belas paisagens naturais. Precisaríamos de três vezes mais disponibilidade de tempo para visitar todas.   

 

                       Nesta época do ano, maio, a temperatura ambiente é perfeita, situando-se entre os 30 e os 15 graus. Todavia, assim que saímos de Phoenix e mais nos aproximamos do Grand Canyon, a temperatura caia drásticamente.  À noite, no Grand Canyon, chegamos a pegar mínimas de 3 graus negativos. Durante o dia há cerca 14 horas de Sol, que nasce nasce às 5:30 e se põe às 19:30h. 

 

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                        Chegamos ao Grand Canyon 

                        355 quilômetros depois de Phoenix passamos por Williams e por Tusayan, a cidadezinha mais próxima do Grand Canyon (cerca de 12 quilômetros), onde ficam o aeroporto, a maioria dos hotéis fora do parque, o comércio, os restaurantes e um IMAX Theater.

  

                         A maioria dos visitantes conhece o Grand Canyon pela Margem Sul, ou South Rim.  De fato lá está a melhor infra-estrutura: livrarias, restaurantes, lojas de conveniência, o Centro de Visitantes, supermercado e campings, além das maiores e melhores opções de hospedagem hoteleiras dentro e fora do parque. 

 

                         Há duas entradas na Margem Sul: a Sul e a Leste, a segunda a poucos quilômetros de Desert View. A entrada sul é a mais imponente, e por ela chega-se à Estação de Trem de Grand Canyon, da ferrovia que vem de Williams - a cidade da Rota 66 - e vai até o Grand Canyon Village, onde estão o Visitor Center e a maioria dos hotéis, restaurantes e comércio.

  

 A personalidade de Williams e a locomotiva da Grand Canyon Railroad 

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                          Seis milhões de anos

                         Foi quanto a natureza precisou para moldar uma de suas mais espetaculares obras, o Grand Canyon. Todavia, foi necessário apenas pouco mais de um século para que sua personalidade fosse moldada, não pela natureza, mas pelo turismo

                          A maioria dos geólogos acredita que o Rio Colorado começou a esculpir a então intacta crosta conhecida como Planalto do Colorado, formando o Grand Canyon, há seis milhões de anos, e a 2000 metros acima do nível do mar. Os primeiros turistas vinham de Flagstaff, a cavalo e de carroça. 

  

                          A partir de 1901, chegavam pelos vagões da Santa Fe Railway, desde Williams até Grand Canyon Village.  O mesmo trem ainda percorre a linha férrea, trazendo hoje apenas parte dos milhares de visitantes que todos os dias enchem o parque, ávidos por conhecerem senão a mais bela, a mais impressionante das Maravilhas da Natureza.

De Flagstaff ao Grand Canyon, os primeiros turistas vinham de carroça    

                        A viagem começa no coração de Williams, na Main Street, na lendária Rota 66. Williams mantém sua arquitetura original, por isso é uma parada curiosamente agradável para quem vem de carro desde Flagstaff ou Phoenix para o Grand Canyon. Hoje a maioria dos turistas vem mesmo de carro, ônibus e moto. Lota hotéis, motéis, restaurantes e os caminhos do parque, transformando-o num dos mais populares destinos turísticos do planeta, dando a ele sua inconfundível personalidade. 

De Wiliams ao Grand Canyon Village, hoje os turistas chegam de trem            

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                       A monumentalidade do Grand Canyon

                     Incomparavelmente bonito e grandioso, o Grand Canyon tem um poder inspirador e arrebatador. Ele impressiona a qualquer um que olhe mesmo casualmente. Nosso primeiro encontro com o cânion foi arrebatador, nos impactou de tal maneira que diante da magnífica paisagem permanecemos estáticos, como se pretendêssemos eternizar aquele momento. 

                      O Grand Canyon faz juz ao seu nome, é GRANDE. Sua vastidão espacial, suas dramáticas e aparentemente infinitas paisagens paralizam o olhar, enlevam a visão.  Quando o visitamos, entre 11 e 13 de Maio, o Sol ainda brilhava às 7:30 da noite e revelava cores e tons incríveis, transformava qualquer fotografia em obra de arte.

      

                         E é assim com todos, cada qual ao seu jeito, mas a mesma sensação de coração e respiração desacelerados, como se os demais sentidos se pusessem em segundo plano a fim de proporcionarem à visão todo seu potencial de contemplação e registro, ocorre comumente a todos.

         

                         Uma inspiradora e tocante paisagem que vem absorvendo e encantando olhares de índios Navajo, Havasupai, Anasazi, Hopi e Zuni, de intrépidos pioneiros, de valentes exploradores, de trilheiros e turistas. O Grand Canyon vem exercendo seu poder como revelam as canções, histórias, lendas e depoimentos. Ninguém escapa de sua impressionante beleza e monumentalidade. Também assim o percebemos: monumental e sereno.

                                 

                      E assim, tempo e espaço parecem estancar diante da impactante beleza.  Logo, a paz e a quietude dão lugar à ansiedade de conhecerem todos os outros ângulos da maravilha. Mas aqui é preciso ter calma e orientação. É preciso informação e preparo para que Grand Canyon seja melhor compreendido.

                       Neste sentido, o primeiro e melhor lugar a ser visitado no Grand Canyon National Park é o Visitor Center. O segundo, a livraria Books and More. Se houver tempo, o terceiro deve ser o filme, "Grand Canyon: A Journey of Wonder", cujos 20 minutos de projeção, a cada hora e a meia, revelam muito da geologia e história da maravilha.

  

                       Tudo no parque, para muito além do Visitor Center, é extremamente eficiente, dos hotéis aos campings, das atividades programadas e conduzidas por rangers à sinalização das trilhas.

 

 

                         O Centro de Visitantes funciona de 8:00 às 17:00h todos os dias. A partir dele pode-se também pegar o shuttle ride para Mather Point, mirante de onde se tem uma vista espetacular do canyon. Muitos visitantes optam por estacionar seus veículos num dos quatro estacionamentos que circundam o Centro e dali seguem de ônibus gratuito até aos mirantes espalhados pelo roteiro. 

  

                        E há muitos mirantes para avistarem-se os diferentes ângulos desta Maravilha da Natureza, alguns acessíveis por carro, e cada qual com sua vista particular e espectacular. Há duas scenic drives que começam em Grand Canyon Village...

 

...a East Rim Drive (Highway 64) segue a borda da garganta por 26 milhas até Desert View, na entrada leste do parque. Esse passeio panorâmico é aberto ao tráfego de automóveis particulares durante todo o ano.

   

                      A West Rim Drive segue a margem por 8 milhas em direção oeste, de Grand Canyon Village a Hermits Rest. Entretanto, a West Rim Drive é fechada ao tráfego de automóveis particulares desde meados de março até meados de outubro, quando o parque dispõe de um shuttle gratuito para transporte dos visitantes, com várias paradas no percurso.

   

                      O cânion do lado Leste parece muito diferente do lado oeste. Particularmente acho o trecho de Desert View Drive muito mais bonito do que o de Hermit Road.

 

                      Uma trilha de caminhada segue a borda da Yavapai Point até Hermits Rest. Chama-se Rim Trail, é pavimentada de Yavapai Point até Maricopa Point. Há trechos sem asfalto e estreitos, bem próximos à borda. O Yavapai Observation Station (em Yavapai Point, a oeste de Mather Point) proporciona uma vista espetacular do canyon, incluindo o Rio Colorado e o Phantom Ranch.

  

                       O Rio Colorado - centenas de metros abaixo da borda do cânion - escavou o Grand Canyon, e vem fazendo sem parar seu processo de erosão do solo. Não é preciso descer até o rio para impressionar-se com o Grand Canyon, pois qualquer observador casual notará sua beleza e grandiosidade na mesma proporção que aqueles que o exploram em trilhas através da garganta ou de barco pelo Rio Colorado.

   

                        Todavia, quem desejar realizar incursões ao seu interior, há inúmeras trilhas com diversos graus de dificuldade e tempo de duração. Considerada a melhor caminhada de um dia, a Bright Angel Trail é ideal para iniciantes com alguma prática e bom preparo. Esta trilha histórica começa em Grand Canyon Village, a oeste do Bright Angel Lodge, é bem preservada e sinalizada. São cerca de 19 km, ida e volta, até o leito do Rio Colorado.

 

                         Nenhuma atividade no Grand Canyon é mais atraente do que uma caminhada por suas trilhas que levam ao Rio Colorado. Depois de descer algumas centenas de metros abaixo da borda do cânion, sua visão - e consequentemente a perspectiva que vinha tendo até então - mudam drásticamente, nos possibilitam tocar as camadas de rocha que formam as paredes do cânion.

 

                         Enquanto o cânion tem cerca de um quilômetro e meio de profundidade, as trilhas para o interior do cânion variam das 7 da Kaibab às 10 milhas de Bright Angel.  Algumas pessoas vão até o rio e retornam, o que leva um dia. Outras atravessam até o outro lado, para Grand Canyon North Rim. Mas isso só é para os que estão no melhor da forma e condicionamento físicos e experientes em trilhas de montanha e técnicas de montanhismo, com a necessidade de uma noite passada num ponto da trilha, junto ao rio. Entretanto, qualquer pessoa pode percorrer parcialmente esta e outras trilhas, sem qualquer problema.

 

                         Para fotografar o canyon, a melhor luz é a do raiar do dia e a que antecede o Pôr do Sol - no mês de Maio, por volta das 18 horas - quando as cenas ficam ainda mais dramáticas. Ao contrário, com a luz do sol a pino, o efeito é uma foto "achatada", pois a incidência da luz do Sol suaviza demais as cores e contrastes.

 

                         Com bom tempo, claro, ensolarado e com nuvens de carneirinho no Céu, um filtro polarizador circular acentua dramáticamente certos tons para fotos feitas com câmeras de objetivas intercambiáveis. 

                          Ao longo da estrada que margeia o Grand Canyon pode-se parar nos estacionamentos junto aos mirantes e então caminhar-se pelas trilhas da borda, fáceis, com bom calçamento e sinalizadas.  Delas têm-se todas as grandiosas visões para se apreciar e fotografar o cânion, algumas até com ângulos bem mais interessantes do que dos mirantes.

  

                         Os melhores pontos para fotografia do Rio Colorado são no Lipan Point, a cerca de 20 milhas a leste de Grand Canyon Village, na East Rim Drive, uma vista que penetra pela Inner Gorge, melhor fotografada de manhã cedo. Com o tempo claro e sem névoa podem-se avistar as Navajo Mountains - a cerca de 160 Km - e as Vermillion Cliffs, próximas de Page, Arizona.

 

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Arquitetura no parque. Porque nos apaixonamos por Mary Colter

                       Mary Elizabeth Jane Colter foi arquiteta, num tempo isso era extremamente incomum para as mulheres. Designer competente no equilíbrio entre natureza e arquitetura, logo tornou-se “arquiteta oficial” do Grand Canyon. Há belos exemplos de seu talento no parque: o Bright Angel Lodge, o Hermit's Rest, a Hopi House, o Lookout Studio e a Watchtower.

 

                       Ela também desenhou o Phantom Ranch, visível apenas para quem vai no fundo no cânion, até o Rio Colorado. Suas obras depois de prontas já não se pareciam como novas, assemelhavam-se às antigas residências dos nativos Hopi ou dos pioneiros mórmons. Algumas até propositalmente foram projetadas para parecerem em ruínas, objetivo intencional de Colter, na verdade uma de suas marcas registradas no Grand Canyon. 

 

                       A Fred Harvey Company foi a primeira (e única) empresa a possuir e operar concessões no Grand Canyon National Park. Fred Harvey tornou-se de certa forma infame  ao contratar jovens mulheres da costa leste para trabalharem como garçonetes, balconistas e atendentes de Recepção em seus hotéis. Essas mulheres ficaram famosas e conhecidas como as "Harvey Girls".

 

                      E Fred Harvey contratou Colter para decorar o interior de um de seus hotés no Novo México, tendo logo encantado-se com o resultado de seu talento. Logo tornou-se chefe arquiteta e decoradora da empresa de Harvey, entre 1902 e1948. Harvey encomendou a Colter projetos de todos os seus edifícios na Margem Sul do Grand Canyon, exceto do El Tovar Hotel

                      Colter, fascinada com o lugar e com a história dos nativos Hopi, tratou de inspirar-se em sua arquitetura, passando a adotar o estilo "Colter-Hopi" em todos os seus edifícios no Grand Canyon. O fato é que para além da natureza, há construções extremamente interessantes do ponto de vista arquitetônico no parque.

 

                       Uma de suas obras mais interessantes é a Watchtower, uma torre onde sobe ao topo para uma das vistas mais espetaculares do ponto de observação chamado Colter. Feita em pedra, avista-se de longe ao aproximar-se de Desert View Point. O topo é ponto mais alto do lado sul, com vistasincomparáveis, assim como a artuitetura de Mary Colter.

 

                       Dali avistam-se a garganta, o Rio Colorado, a San Francisco Peaks, a Reserva Navajo e o Painted Desert. No interior há interessantíssimos murais Hopi que retratam cenas festivas, entre elas um casamento. A visão é estupenda a partir do topo da torre, construída em 1932, de onde ao entardecer aparecem todos os inconfundíveis tons de violeta, vermelho, laranja e dourado das rochas do Grand Canyon.

 

                       Tusayan Ruins & Museum. A população indígena da região remonta a 900 anos, chamava-se Ancestral Puebloan de Tusayan, e aqui no Grand Canyon NP há escavações que revelam as impressionantes ruínas, além de um museu que exibe cerâmica, jóias e estatuetas.

 

                       Hopi House fica defronte ao El Tovar Hotel, é mais uma das atraentes, cativantes obras de Jane Mary Colter. Está incluído na categoria National Historic Landmark dos Estados Unidos e foi projetada para que os índios Hopi trabalhassem na fabricação de seu belo artesanato.

 

                       O interior abriga uma interessante loja de artesanato indígena e não indígena, mas é a arquitetura baseada na interpretação da Colter das habitações Hopi o que mais agrada. Um dos seis prédios projetados por Mary Colter, além do Bright Angel Lodge, do Hermit's Rest, do Lookout Studio, do Phantom Ranch e Desert View Watchtower.

 

                         O Lookout Studio foi construído em 1914 por Mary Colter como um ponto de observação para turistas. Seu desejo foi manter a autenticidade e permanecer fiel à paisagem, com mínimo impacto. Coulter projetou o edifício para que fosse construído em rocha e seguindo a curva daquele ponto do cânion. Nele colocou mais janelas do que em outros de seus projetos, todas proporcionando muita luz interior. Hoje o estúdio é usado como uma loja de minerais e rochas, além de ser um belo ponto de observação do cânion. Talvez tenha sido nele que descobrimos nossa apaixonada admiração pela arquiteta.

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Fotografia e aventura, paixões dos irmãos Kolb  

 

                       O Kolb Studio é o lugar onde os fotógrafos aventureiros Ellsworth e Emery Kolb em 1902 empreenderam uma das mais impressionantes incursões já feitas ao Grand Canyon em toda sua história. Aventura perigosa e altamente arriscada pelo cânion, descendo-o e fotografando-o, subindo de novo para revelarem suas fotos e filmes no pequeno estúdio, descendo novamente e fazendo novas e ioncríveis imagens em preto e branco. Hoje um museu em sua homenagem e uma interessante livraria, galeria de arte e loja de suvenires.

      

                       Os irmãos Kolb estão para o Grand Canyon assim como John Wayne para  os filmes de faroeste. Pode ser creditada a ambos o maior desenvolvimento e propagação de uma idéia do que poderia ser o turismo para o Grand Canyon. Seu legado repousa em seu estúdio, construído na borda do cânion, na área do Village Historic District, a curta distância a partir do Bright Angel Lodge.

  

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                         O El Tovar Hotel

                         O El Tovar Hotel é um prédio histórico que pertence ao Patrimônio Histórico Nacional. Apelidado de a "jóia da coroa arquitetônica do Grand Canyon", foi construído em 1905, em pedra e pinho do Oregon. O prédio tem grande personalidade, e é o melhor lugar para hospedar-se no lado Sul do parque, ainda que requeira reserva antecipada de até um ano e pagar-se o preço mais alto da região.

 

                         Três suites (El Tovar, Fred Harvey e Mary Jane Colter) e vários quartos têm vista para canyon, mas  você pode apreciar a vista a qualquer momento a partir da varanda dos fundos, no Cocktail Lounge.  Não se deve esperar muito em termos de hospedagem, pois o hotel é caro para o padrão que oferece tanto em termos de serviços quanto habitações. Seus quartos são absolutamente comuns e espantosamente pequenos para os padrões americanos, recentemente renovados, estavam limpos e adequados aos nossos propósitos. A cama de casal é extremamente pequena e pode incomodar o sono até do mais apaixonado casal, como nós.

 

                          Abstendo-se disso, e de certa falta de simpatia e, digamos, adequabilidade do staff ao estilo histórico e romântico do prédio, uma estada no El Tovar é extremamente interessante, útil, prática, agradável e conveniente. Se os empregados da área de hospedagem deixam a desejar, os da área do restaurante compensam a mediocidade dos demais. A comida é boa, o café da manhã, pago, é excelente, o atendimento do restaurante atende ao mais exigente hóspede.  De longe, é o melhor restaurante de todo o parque.

 

                         A Santa Fe Railroad encomendou a construção do El Tovar em 1902. Whittesey Charles, um arquiteto de Chicago, projetou-o usando um estranho estilo, misto de chalé suíço com norueguês. Entretanto o resultado faz lembrar das log houses americanas, além do que integra-se bem com o meio-ambiente.  Construído com enormes vigas de pinho do Oregon, o interior tem cabeças de veados e alces, algo que incomoda aos que imaginam que aqueles animais tenham sido abatidos a tiro. O interior parece-se como um pavilhão de caça, cujos troféus são as cabeças dos animais abatidos em exibição.

         

                         Não importam a origem ou a qualidade do projeto, o fato é que o El Tovar tornou-se um marco no Grand Canyon. Seu destaque na área comum é sala de refeições com grandes janelas com vista para o desfiladeiro, decorada com murais indígenas bonitos e cujas histórias contam-se nos cardápios.  O lobby é rústico, já deve ter sido elegante, mas escuro demais, com duas lojas de suvenires, uma lareira e áreas de estar. No deck da entrada há cadeiras de balanço onde alguns hóspedes relaxam e assistem a vida passar à sua frente.

                         A empresa que administra e opera o hotel - Xanterra Parks & Resorts - originalmente chamava-se Fred Harvey Company. E o faz desde sua abertura, em 1905.  A família de Harvey foi responsável pelo longo trabalho de "civilizar" desta parte do então Wild West, e muitos de seus membros ainda hoje estão na região e continuam sendo famílias proeminentes.

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                         Sobrevoando de helicóptero o Grand Canyon  

 

                         Uma das maneiras mais emocionantes de se ver o Grand Canyon é por cima, num vôo de helicóptero.  É natural. Quase todo indivíduo que esteja no Grand Canyon terá desejo de fazer um vôo de helicóptero. Toda a grandeza desta maravilha é revelada verdadeiramente quando a sobrevoamos.

 

                          Além do cenário espetacular do cânion, o visitante pode descobrir cachoeiras e trechos escondidos do rio, além de poder ver a floresta de cima. Tecnicamente, eles estão aptos a voarem em altitudes menores do que os pequenos aviões que também realizam vôs turísticos. 

 

                         Ambos partem do Grand Canyon National Park Airport, em Tusayan. O Grand Canyon Helicopter tour começa sobrevoando a Floresta Nacional Kaibab por um bom tempo até entrar no cânion, pela parte do East Rim, vai até a reserva indígena Navajo e ao North Rim, retornando ao mesmo lugar. 

 

                         Voamos pela Papillon Helicopters (http://www.papillon.com) e tivemos vistas deslumbrantes do Dragon Corridor, do Rio Colorado e das incríveis formações rochosas. Os preços variam de US$ 175,00 a 250,00 por adulto, para passeios de 30 e 55 minutos.

   

                         Ao comprar o ticket no balcão da Papillon, dentro do terminal próprio da cia de helicópteros dentro do aeroporto de Grand Canyon, uma balança no chão afere o peso do passageiro, que sentará no helicóptero num lugar determinado segundo a distribuição do peso total no interior do aparelho. O passgeiro do assento central é o único que viaja distante de uma janela. São seis passageiros, além do piloto, e tudo é apertado, especialmente para fotografar. Antes do embarque assiste-se a um filme com informações de segurança e procedimentos gerais para embarque. 

    

                        Há outras operadores de helicópteros de turismo, mas a empresa líder e com melhor estrutura é a Papillon. Pode-se fazer reservas on-line no site da cia., mas o serviço no aeroporto é muito bom. Para quem está sem carro, há transferências desde seu hotel até o aeroporto. A frota de helicópteros é das mais modernas e proporciona relativo conforto durante o vôo ao Grand Canyon, ainda que o espaço para pernas e braços seja mínimo.

 

                        Assim que levantamos vôo no aeroporto avistamos a pequena cidade de Tusayan e a bela estrada que corta a Kaibab National Forest e conduz à entrada principal do Grand Canyon N.P. Uma estradinha serpenteia ora pela floresta, ora pela borda do cânion. Até aqui inda tínhamos alguma sensação de "chão sob os pés".

 

                        Passamos alguns bons minutos sobrevoando as copas das árvores da Floresta Kaibab, talvez uns 7 ou 8 dos 55 minutos de duração do vôo. Neste ponto não se avista o cânion, e parece intencional esse o roteiro, pois logo ao sairmos do plano da floresta uma falésia gigantesca abre-se abruptamente sob o helicóptero, e o câniom surge repentinamente, como se o terreno despencasse abaixo de nós. Saímos repentinamente da altitude de 50 para 4.000 pés. A sensação é de perda de fôlego, mas extremamente emocionante. 

    

                       Foi uma experiência muito válida o passeio de helicóptero sobre o Grand Canyon, cujas vistas (e também alguns balançadas da aeronave) são de tirar o fôlego.  Em todo o percurso há narração com música incidental e enquanto voamos a piloto também dava informações adicionais e apontava alguns dos destaques do cânion, como o Dragon Corridor, Havasu Creek e as quedas d'água de Mooney Falls e Havasu Falls.

  

__________

Próximo capítulo:

Deserto, sublime deserto. Monument Valley

Reader Comments (19)

Em que época do ano vcs estiveram no Grand Canyon e foram tiradas essas fotos?

20:16 | Unregistered CommenterArko

Nunca antes tinha visto as paisagens do Grand Canyon do Colorado, com tal precisão e beleza. As fotografias são excelentes!... só quero largar tudo e voar para lá....
Saludos

16:36 | Unregistered CommenterCarmen

Arnaldo, você tem um talento incrível para fotos! Parabéns pelo texto e pelas lindas viagens!

13:58 | Unregistered CommenterFernanda

Eu e a Lu ficamos encantados, não só com as fotos, mas com a narrativa da viagem, rica em detalhes.

É um destino no qual nunca pensamos mas que nos deixou perplexos.

Esperamos vê-los em breve para ouvir um pouquinho do que não foi escrito.

Beijos

Uauuuuuuuuu! Ainda nao me perdoo por ter ido a California e nao ter dado tempo p/ ir ao Grand Canyon! Uso como desculpa p/ voltar! Lindo demais o relato Arnaldo!

18:07 | Unregistered CommenterGuta

Arnaldo,

Tomo a liberdade de escrever pois acabei de descobrir seu blog, e adorei!

O engraçado é que temos muitas viagens “em comum” e as mesmas opiniões sobre os lugares. E vc escreve super bem!

Espero que vc mude de idéia em relação a parar com o blog!

abraços

Miriam Shornik
Luxury & Travel Experiences Manager

Arnaldo,

Que fotos maravilhosas! Eu fiquei no Bright Angel e vi um amanhecer lindo da minha janela.Tbém fiz o passeio com a Papillon. Mas nossas fotos...
Beijos na Emília

19:03 | Unregistered CommenterFlora

Boa tarde, Arnaldo !

Leio sempre seus posts e fico apaixonada com sua fotos pela beleza e qualidade.
Gostaria muito de saber qual o modelo da máquina que vc usa.

Conheci o seu blog e estou encantada com a riqueza de informações e fotos. Parabens! Agora em Agosto estarei indo para a California, Hawaii finalizando em Las Vegas com o meu marido e estou muito feliz por conseguir informações úteis de vários lugares por onde iremos passsar. Só fiquei triste de somente agora ver que a Rota 66 Utah e Arizona é tão linda... se soubese antes teria marcado minha passagem para algum lugar mais distante e depois seguir de carro até Las Vegas, mais... não será desta vez... terei que voltar uma outra ocasião.
Pelo menos a estrada que vai de Las Vegas para o Grand Canyon é um pouco parecida?? Percebi que o local que você entrou para o Grand Canyon é mais a Leste, certo? Me passa as dicas por favor, quero fazer o mesmo caminho que você fez...
Obrigada
Bianca

Olá Arnaldo!
Uau, você se superou! As fotos estão ainda mais belas!! Tão crispy e uma coloração espetacular!!! Lindo, lindo, lindo!
Sempre quis fazer esta viagem de carro pelo Arizona, bem ao estilo Thelma & Louise! haha

Desculpe o sumiço... A vida anda muito corrida!

Abraço grande para vcs!

As fotos são sem dúvida alguma, FASCINANTES! Parabéns!

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8:46 | Unregistered CommenterVej@Blog

As fotos são realmente muito lindas , eu até tenho vontade de ir nos Estados Unidos depois de ver estas fotos , pois para mim , os Estados Unidos não é um lugar muito interessante de se ir ,quero dizer , apenas se vc quer comprar aparelhos eletronicos baratos ,mas depois de ver estas fotos maravilhosas do grand canyon, este jeito um pouco mais rústico e exótico é fascinante e encantador ! Parabéns!

15:41 | Unregistered CommenterLetícia

MUITAS FELICIDADES por seu talento excepcional para compor este blog! Voce tem aptidao para escrever e editar nas melhores revistas de viagem ou cultura! Publique um livro, e continue mantendo este blog, precisamos muito de voce!

18:43 | Unregistered CommenterZaza

Não conhecia o Blog, conheci agora, gostei muito e lamento que você tenha decidido não se dedicar com a vontade anterior.
Abraços

19:22 | Unregistered CommenterRecife

Obrigada pela oportunidade de conhecer esse local maravilhoso, com fotos muito bem tiradas e um excelente texto
Grata

Fiquei encantada com as imagens e textos pretendo fazer este passeio no ano que vem(2014) e já estou planejando agora.
Adorei seu comentários e imagens Parabéns.
Obrigada

Descobri hoje seu blog. É muito bom. Apreciei os textos e as fotos.
Bom 2013, com muitas e maracilhosas viagem.
Aldema

15:37 | Unregistered CommenterAldema

Oi Arnaldo,

Encontrei seu blog por acaso. Estava tentando descobrir se deveria ir de San Diego para o Grand Canyon de carro ou de aviao.

Nossa, me apaixonei assim que olhei a primeira foto. Tudo tão lindo e colorido.
Este seu post sobre o Grand Canyon é simplesmente o mais completo e mais interessante que já li.
Separei mais alguns posts para ler.

PARABÉNS, ADOREI!!!
Abraços,
Aline

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