MENSAGEM ao LEITOR
CONHEÇA QUEM ESCREVE

BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Quinta-feira
Nov222012

MIANMAR - Um baú de motivos para conhecer

                TODA viagem é um bom motivo para escrever. Sobretudo quando é para motivar o leitor a viajar e inspirá-lo a conhecer um destino que visitei.  Mas há algumas viagens diferentes.  São verdadeiramente especiais, baús repletos de motivos, as que excedem até mesmo os dois objetivos fundamentais deste blog: inspirar e motivar o leitor. Elas me conduzem à leitura e à pesquisa como poucas, e acessoriamente promovem meu próprio auto-conhecimento e minha felicidade. Foi assim com a Índia. E igualmente considero Mianmar um “destino-privilégio”, ou "destino necessário" que todo bom viajante deve desejar e conhecer. Também desejando Mianmar fui conduzido às melhores reflexões, mergulhei nas pesquisas para poder planejar uma viagem ao destino.

                Assim, para aprender como viajar ao país e escrever sobre ele, a primeira pérola que encontrei foi a Lonely Planet Magazine de janeiro de 2012, cuja edição apresentava o destino como "um dos melhores lugares para visitar em 2013". As 14 páginas da matéria fartamente ilustrada, cujo título era "Fora das sombras: um novo amanhecer na Birmânia", tornaram-se minha primeira viagem virtual ao país. Logo depois encontrei a edição 129 da revista Volta ao Mundo, de julho de 2005, que guardava entre as outras mais antigas. A matéria de capa daquela edição era "Birmânia, a viagem de uma vida". Para nos aprofundarmos na pesquisa e na leitura fomos à Livraria Argumento, no Rio de Janeiro, e compramos o guia Burma - The alternative Guide, da Thames & Hudson, e o Lonely Planet Myanmar (Burma) Travel Guide (Country Travel Guide).

                  Falando de "felicidade", sei bem que cada qual tem sua receita para encontrá-la. São como as manias, cada um tem as suas. Não fujo à regra. Mas como me faltam talento e conhecimento para escrever um "manual literário-filosófico" sobre "como ser feliz em viagens" e eu tenha de sobra o reconhecimento de que meus leitores não precisam dessas filosofias amadoras, dispenso-os de lerem minhas reflexões sobre o tema aqui, ainda que ele me agrade bastante, e que alcançar a felicidade em viagens seja a meta. Estou convicto de que não a encontra um turista que fotografa um monumento sem saber seu significado, não prova a comida local, que não frequenta lugares além dos turísticos, não conhece minimamente sua história, que não se mistura ao povo e sobretudo desrespeita e incomoda-se com suas tradições. Ao contrário, um bom viajante, aquele que é feliz vajando, informa-se, reconhece que para saber olhar é preciso aprender, que necessita abrir a mente para compreender, experimentar para ter opinião, respeitar as diferenças para não se aborrecer com elas. Felicidade em viagem não se alcança apenas indo, mas preparando-se para ir

                 Por este motivo encontro muitas razões para escrever algo útil e inspirador sobre Mianmar. E caso o leitor queira ir além, aprofundar-se no assunto "A Arte da Viagem", recomendo a boa literatura escrita por quem sabe escrever sobre o tema. Entre eles (mas a eles não me restrinjo) destaco Haroldo Castro, Alain de Boton, Bruce Chatwin, Paul Bowles, Paul Theroux, Jack Kerouac, Bill Bryson, Gonçalo Cadilhe, Gustave Flaubert, Edward Hopper, Baudelaire, Van Gogh, George Orwel, Charles Dickens, Ernest Hemingway e Marcopolo. São os exemplos que me ocorrem de bons viajantes inveterados e escritores exemplares que sabem como relata e retratar suas aventuras, experiências e saberes em suas ótimas respectivas obras literárias.

                Aqui, no Fatos & Fotos de Viagens, compartilharei nossa experiência e impressões sobre o país numa série que começo a escrever mesmo antes de viajar, intitulada "Mianmar ou Birmânia? O prazer de conhecer".

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Mianmar ou Birmânia? O prazer de conhecer

                  "Birmânia" evoca as melhores imagens de pagodes reluzentes. " Mianmar ", o regime totalitário e despótico. Seja lá como for, é o país que exerce curiosidade e atrai a atenção do mundo. Fechado e mantido por décadas em segredo, começa a abrir-se para o turismo, tornando-se bem mais fáci conhecê-lo. Longe de ser um país para "férias padrão", senão para turistas experientes e que se sujeitam a dificuldades e desconfortos, que conseguem enxergar além destes, todavia é um destino de recompensas inevitáveis. Se há poucos países para um turista viver experiências da descoberta, Mianmar encabeça a lista. Sobram assuntos relacionados às questões políticas do país. Governado por uma junta militar ditatorial há 23 anos, regime notório por empregar força repressiva exagerada às mais pacíficas manifestações de liberdade, tudo torna-se complexo avaliar no país, até mesmo quando nos referimos ao seu nome e de sua Capital. Birmânia ou Mianmar? Rangoon ou Yangon? Qual usar? Ainda que a questão pareça simples, não é. Tudo no país é complexo, e até no seu nome divergem linguistas e juristas tentando resgatar termos banidos pela ditadura militar ou preservar a pureza cultural e liguística do país. Este é apenas um dos exemplos do quanto política e tradições se opõem no Mianmar.

                Não é novidade que países mudem de nome. Sião para Tailândia e Ceilão para Sri Lanka são dois exemplos. no caso de Mianmar é relativamente fácil tomar partido, mas não é permanecer consistente na posição. Mianmar (*1) é a designação óbvia, reconhecida pelas Nações Unidas, a mais usada internacionalmente. Mas não é aceita pelos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Irlanda, países que permanecem usando Birmânia para designá-lo. Não sem motivos. Grupos oposicionistas ao regime militar também empregam Birmânia, não reconhecem a legitimidade do governo, tampouco sua autoridade, para alterar o nome do país. Revistas turísticas internacionais - entre elas a ótima portuguesa Volta ao Mundo - permanecem usando Birmânia em sua matérias turísticas. Nas prateleiras das livrarias podemos encontrar lado a lado guias turísticos com as duas diferentes as designações.  Até mesmo as duas no mesmo título. O guia Lonely Planet chama-se  Myanmar (Burma) Travel Guide (Country Travel Guide), e outro que compramos chama-se Burma, the alternative guide

                Em sua histórica visita ao país, em novembro de 2012, o presidente Barack Obama usou “Mianmar”, ainda que oficialmente os Estados Unidos usem “Birmânia” para denominar o país. Foi uma estratégia diplomática muito bem vista pelo alto escalão do governo do país visitado. Segundo a Agência O Globo (Seg, 19 de nov de 2012)O assunto é tão sensível que assessores de Obama disseram nesta segunda-feira que o presidente evitaria mencionar nomes com pesos políticos, razão porque o presidente americano usou ambos em sua viagem: "Myanmar" empregava em conversas com o presidente Thein Sein. "Birmânia" usava no encontro com a líder oposicionista, e prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi."

                 Optei por Mianmar e Yangon. Indo mais longe na história, soube que o nome original era “Myanma”,  o que por si justifica o emprego do nome atual - Myanmar (com "y" na versão em inglês, e "i" na em português. É também o que melhor abrange a diversidade étnica do país, tendo sido usado até que os colonisadores britânicos renomeassem o país para “Burma” (ou Birmânia, em português), nome que permaneceu até 1989, quando a junta militar tomou o poder e baniu termos que lembrassem o colonialismo inglês. O nome original se justifica, porque marca o retorno à tradição após a independência do país em 1948. Pagan também foi dado pelos ingleses para nomear uma de suas cidades mais importantes, que virou Bagan. Assim também ocorreu como as Ilhas Mergui, que tormanaram-se Myeik, com Pegu, agora Bago, e com o Rio Irrawaddy, que atualmente chama-se Ayeyarwady. Contudo, a mesma junta que modificou estes nomes manteve o termo "birmanês" para designar o idioma falado no país, o mesmo usado no colonialismo, mais uma contradição a alimentar as discussões sobre o tema.

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Mas, que país é este que visitaremos?

                 Mianmar está entre os países menos visitados do mundo. Divide com a Coréia do Norte, as Ilhas Marshall, o Butão, Nicarágua, Bolívia, Argélia, Líbano, Madagascar, Eslováquia, Bósnia e Herzegovina e Ruanda os primeiros lugares desta lista.

                 Embora um quarto dos assentos do Parlamento de Mianmar sejam reservados aos militares,   que o presidente e seu vice sejam oficiais militares, quase toda a comunidade internacional admita que o país está se movendo em direção à democracia, é claro que há os críticos e céticos. Alegam serem cosméticas e planejadas apenas para agradar o ocidente e obter o levantamento das sanções econômicas impostas ao país. Do outro lado há os que enxergam um caminho verdadeiro em direção a um sistema mais democrático, ainda que controlado, provavelmente igual ao regime indonésio, onde as forças armadas têm papel preponderante e jamais são desafiadas. Em 2012, efetivamente muita coisa aconteceu nesta direção. Entre elas, eleições diretas que levaram Aung San Suu Kyi - presa política domiciliar, Prêmio Nobel da Paz - a ter assento no Parlamento.  Há muito o que falar sobre Aung San Suu Kii, cujo prêmio foi uma conseqüência de sua luta pela democracia, contra o golpe militar e especialmente contra o sofrimento do povo birmanês. Sua história de luta pela liberdade e direitos humanos é facil de se conhecer com uma simples pesquisa no Google e na Wikipedia.

                 muita receptividade e os acontecimentos são promissores. Os Estados Unidos nomearam seu primeiro embaixador no país em uma década. Outros, sobretudo europeus, fizeram o mesmo. Como resposta, todos tiveram as credenciais de seus embaixadores aceitas pelo presidente do país. A secretária de Estado Hillary Clinton visitou Mianmar antes do Presidente Obama, preparando a reaproximação.  Cuidadosa em seus pronunciamentos, referiu-se à nação como "este país", evitando citar seu nome. Encontrou receptividade e simpatia do governo às mudanças que ela sugeriu. Reformas significativas estão em curso, como as primeiras eleições gerais em duas décadas, a libertação da ativista política Aung San Suu de sua prisão domicilar, sua eleição para ocupar uma cadeira no Parlamento e a soltura e anistia de centenas de presos políticos, entre eles, a volta do exílio de um de seus mais queridos artistas, o comediante Zaganar.

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Turistas. Enviados da liberdade ou promotores da ditadura?

                 Há alguns meses o país intensificou o processo de abertura ao turismo internacional, ampliando a abertura. A resposta foi imediata e crescente: operadoras e agências de todo o mundo têm respondido, começam a levar turistas em número jamais visto. Assim, uma das sanções econômicas impostas ao país - o boicote turístico - tende a acabar. Entretanto, muitos ainda questionam se os turistas são enviados da liberdade ou promotores da ditadura. Ainda que em qualquer lugar do planeta o turismo seja uma arma poderosa que tanto promove quanto pode ser cruel, em Mianmar esta questão assume conotação complexa e acentua discussões éticas e apaixonadas, sobretudo por serem controversas. Há quem alegue que o turismo permite conectar aquele povo isolado com o mundo, que à sua maneira forma, emancipa e educa uma população mantida alienada por tanto tempo, e também que o turismo abre os olhos do mundo sobre Mianmar. Outros o condenam afirmando que o turista não distribui seus gastos entre a população, uma vez que não há iniciativa privada, mas uma junta militar que define zonas a serem visitadas, cujos membros do governo controlam e beneficiam-se das receitas turísticas.  Desde que Aung San Suu Kyi iniciou sua campanha mundial de boicote ao turismo, poucos foram os ocidentais dispostos a entrar no país. Revistas, suplementos e guias de viagem (exceto o Lonely Planet) seguiram o pedido e ignoraram promover o turismo em Mianmar.  É verdade que turistas podem ver apenas o que estão autorizados, que experimentam somente o que têm permissão, mas ainda assim desempenham um dos mais justos papéis do turismo no mundo: a riqueza e sua distribuição. Mesmo que em Mianmar isso ainda signifique alimentar quase exclusivamente os generais que comandam o país e dominam a iniciativa privada turística. Mas é ele, o turista, que também promove os pequenos negócios não oficiais, que incentiva o povo a superar suas dificuldades, permite crescer uma das poucas indústrias a que o trabalhador birmanês tem acesso.

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Como iremos para Mianmar?

                 Nosso desejo de conhecer o país era mas antigo do que nossa possibilidade de fazê-lo. Mas tão logo pudemos realizá-lo, aproveitamos nossa disponibilidade em fevereiro próximo, melhor mês para visitar Mianmar, para conhecermos sua rica história, cultura e tradições. Começamos nossas pesquisas em setembro de 2012. Precisávamos correr com o planejamento a fim de viabilizarmos a viagem em fevereiro de 2013. Queríamos um roteiro um pouco mais abrangente, menos comum, além de Yangoon e Bagan. Assim, nos definimos por Yangoon, Bagan, Kyaing Tong, Mrauk U, Sittwe, Inle Lake, Mandalay, Mount Popa e Salay. Infelizmente não foi possível incluir a Pedra Dourada, o famoso santuário budista no topo da montanha Kyaikhtiyo.  E muitas questões surgiram a partir de nossa decisão. A primeira delas foi "Como ir?" Pela Air France, via Bangkok, ou pela Qatar Airways, via Doha? Nos decidimos pela Qatar Airways, com uma parada em Doha na ida e outra na volta. Outras dúvidas surgiram: como conseguir vistos? E reservar hotéis? Como nos locomover, arranjar os vôos internos e deslocamentos pelo país? Que operadora poderia resolvê-las e concretizar nosso desejo? Conversamos então com o Mauro Chwarts - proprietário da Highland Adventures (*2) - e tivemos todas as perguntas respondidas numa entrevista em que minha doce Emília acertou tudo. Ele acabara de retornar do país e ficamos sabendo que agora o governo de Mianmar reconhece que os turistas são discretos e inofensivos, um motivo a mais para nos decidirmos logo e conhecermos a nova era de esperança e otimismo do país. Outro especialista em Mianmar é o Haroldo Castro (*3).

                   Viajamos independente e individualmente. E agradecemos ao Mauro Chwarts e à Aurea - especialista em Ásia da operadora - pela ajuda, orientação e viabilização de nosso desejo, montando um programa especial e personalizado para nós, seguindo nosso desejo e condições.

                   Aos leitores, razão final de todo este trabalho, dedico a série de matérias sobre Mianmar, a serem publicadas ao fim da viagem, esperando que ela seja um quadro amplo, novo, diferente e desembaçado da incrível atmosfera que se vive no país, da imensa receptividade de seu povo, das aventuras que experimentaremos, das descobertas de lugares mais incríveis. Através de minha versão pessoal, de meu olhar, tenho a pretensão de alternar cenas de paisagens do patrimônio natural e arquitetônico com a realidade social do país. E já sem conflitos, transmití-las com o coração, não com o fígado.  

                   Boa viagem, caro leitor.

Notas:

(*1) Mianmar e Birmânia são os nomes em português; Myanmar e Burma em inglês.

(*2) A Highland Adventures foi fundada em 1990 por Mauro Chwarts. Na época, de volta ao Brasil após seis anos na Ásia, trocou a engenharia naval por outra engenharia: a do turismo de aventura internacional, mas super-estruturado. Conversamos pessoalmente com ele. Em cada uma de suas expedições ele testa e aprova o que vende e recomenda antes de tornar um roteiro. Fizemos nosso roteiro indivudual e personalizado com esta operadora.

A operadora Latitudes também conhecemos, já usamos e podemos recomendar. Opera pacotes para Mianmar, inclusive um roteiro guiado por Haroldo Castro. Todavia, neste caso trata-se de uma excursão em grupo, e nós preferímos viajar individualmente.

(*3) Haroldo Castro nasceu em Roma, Itália, é filho de pai brasileiro e mãe francesa, morou em todos os seus paises de origem - Itália, França e Brasil - assim como nos EUA, mas já visitou mais de 155 paises do mundo. Atualmente mora na Cidade do Rio de Janeiro. Amigos consideram Haroldo um renascentista moderno, pessoa de múltiplos talentos, de personalidade livre, homem que adapta-se com facilidade tanto num encontro com um ministro quanto num ritual xamanico. “A diversidade é a chave da vida na Terra. A natureza é muito diversa, e assim também somos nós, humanos. Diversidade de atividades é o antídoto da rotina”, afirma Haroldo. Durante a ultima década, Haroldo passou a metade do seu tempo viajando pelos cinco continentes, filmando gorilas em Ruanda, fotografando nômades da Mongólia, liderando oficinas de fotografias no Chile, participando de encontros internacionais sobre meio-ambiente, escrevendo e contribuindo para o desenvlvimento de novas estratégias de comunicação. Quando lhe perguntam sobre sua frenética atividade, ele responde: “Quero viver cada dia com a maior intensidade possível.

 Moeda: Myanmar Kyat (MMK) Voltagem: 230V, 50Hz Tomadas: C ou D ou F ou G Lingua:  Burmês e Inglês Time zone: GMT +6.30 International dialling code: +0095-1 (FONTE: Qatar Airways)

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Observação IMPORTANTE:

Todos os produtos e serviços aqui citados não têm o conhecimento dos mesmos e não são recompensados de qualquer forma, anterior ou posteriormente à sua publicação. E servem apenas para orientar o leitor. Nossas viagens são escolhas pessoais, pagas com recursos próprios e aos preços de mercado. Somos viajantes independentes, inclusive nas opiniões. Nossas viagens não são organizadas por nenhum grupo, arranjadas por nenhum anunciante, promovidas por nenhum escritório de turismo, colaboradas por quem quer que seja. Não recebemos hospedagem, transporte ou alimentação em cortesia. Sobretudo em troca de publicação. 

Cada link citado, cada produto mencionado, cada recomendação dada é feita com a suposição de que o leitor saiba identificar os objetivos do blog, sobretudo pressupondo que o leitor as verificará com o fabricante, o fornecedor ou o prestador do serviço em questão. O autor deste blog valoriza e preserva a honestidade no relacionamento com o leitor, razão porque renuncia, desaprova e repudia qualquer menção ou associação que comprometa a integridade, a confiabilidade e a honestidade de suas opiniões. Enfim, o F&F não aceita “jabá”.

Reader Comments (8)

Arnaldo, excelentes seus comentários sobre "o bom viajante", aquele que estuda e aprende sobre o local a visitar. Penso exatamente o mesmo e procuro agir desta maneira como forma de tornar minhas próprias viagens mais ricas. Tornando-as mais ricas, meus relatos e fotos de viagem igualmente se tornarão mais ricos. E com registros mais ricos, minhas memórias permanecerão ricamente preservadas, pois além do privilégio de compartilhar minhas percepções com os leitores do meu blog, sei que poderei sempre retornar a eles para reviver aqueles momentos. E isso é quase como uma nova viagem!

Parabéns e, desde já, uma excelente (e rica) viagem à Mianmar!

Caro Robson, grato por seu comentário. Gostei tanto que tenho vontade de "roubá-lo" e inserí-lo no meu post. Grande abraço.

Arnaldo, então estamos quites, pois também fiquei com vontade de usar aquele seu parágrafo no meu blog!

Oi Arnaldo! Lembra que comentei que tinha ficado com vontade de citar um parágrafo deste seu artigo no meu blog? Pois bem, fiz a citação no final deste artigo que acabei de publicar:

http://www.viajenaimagem.com/2012/11/lugares-para-onde-viajar-brasil.html

Obrigado pela inspiração!

Ola Arnaldo!!
Mianmar foi um dos paises mais belos que estive! Bagan consegue nos transportar a um passado magico, encantado, enigmatico! Fiquei em um hotel espetacular, me esqueci agora o nome, porem tenho-o recomendado nos meus post sobre o pais. Quando fui, Aung Suu Sun Chi ainda era um nome proibido no pais e nem mesmo o guia mencionava qualquer coisa sobre ela. Os tempos mudaram, acredito que o pais esteja mais aberto. Vou acompanhar seus post quando voltar! Um abraco grande!

Olá, Fe. Obrigado por sua visita e pelos sempre tão simpáticos comentários. Seu blog foi um dos que li sobre Mianmar quando comecei a pesquisar sobre o país. Eu me recordo do nome do hotel, li em seu blog e o achei encantador. Cheguei a pensar nele, mas optamos por outro muito bom, mais retirado da cidade, um pouco mais atmosférico.

Espero poder transmitir em fatos e fotos as minhas impressões do país. Seja como for, estamos tremendamente ansiosos e contando os dias. Tudo já está arranjado e reservado. Agora é só arrumar as malas.

Grande abraço!

Olá
Adorei o seu espaço e como relata as viajens, estou de viagem ao Chile, Santiago, a trabalho e terei dois ou três dias livres, gostaria de saber se tem relatos sobre essa cidade, pois não encontrei no mecanismo de busca.
Parabenizo novamente e garnato que os relatos no fazem viajar um pouco.

11:51 | Unregistered CommenterJuliana

Juliana, obrigado pela visita e comentário. Infelizmente não visitei o Chile. Pura questão de oportunidade. Claro que pretendo fazê-lo, mas neste momento não posso contribuir com nada mais além de desejar-lhe boa busca, pesquisas e viagem.

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