MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Quinta-feira
Nov082012

BUKHARA, Uzbequistão - Ainda mais longe no passado islâmico

uistão

Bukhara, uma viagem ao passado islâmico

                 O Sr. Azim não falava inglês, mas seu esforço e simpatia compensavam qualquer dificuldade de comunicação. Cidadão de Tashkent, educado e gentil como todos os usbeques, dirigia muito bem. As montanhas da Ásia Central deram lugar a um deserto plano e estepes. A paisagem era de nuvens esparsas, de vento soprando, de areia escorrendo e tufos de grama rolando. Tudo sem ruído, a não ser do motor do carro, que cautelosa e atentamente Azim conduziu por oito horas e 400 quilômetros. Em total harmonia com o deserto e a estrada, entrávamos ainda mais na aridez do caminho ente Khiva e Bukhara. Longe de tudo, de rios e irrigações, não se via estrada tão ruim e remota. Tudo tão distante e sem vida que até a globalização não se animou a chegar. 

  

                  Na paisagem, não havia qualquer encanto. As cenas pouco variavam entre lugarejos áridos e desertos plenos. Varrida pelo vento, marcada pela aridez, pelo calor inclemente e pela incidência solar, a estrada parecia sofrer mais com o meio ambiente do que com o tráfego. A areia invade o asfalto, forma pequenas dunas no leito da estrada, parece corroê-la. Nem mesmo as pesadas máquinas sul coreanas que tentam recuperá-la parecem conseguir deter os estragos da natureza.

É remoto, mas estacionar é permitido!  

                 Por cerca de 300 km a ausência absoluta de infra-estrutura marcou a viagem, além dos buracos e solavancos. Não há serviços e abastecimento, nem mesmo banheiros e alimentação. Preparados, nos abastecemos de água, frutas e biscoitos, munimos de leitura, de guias, mapas e notebook. Ali escrevi algumas memórias e vi muitas das fotos que tirei nos dias anteriores. Para além de nós mesmos, foram nossa melhor cia. Certos trechos eram cortados por desvios bem mais apropriados para veículos off road. A sinalização, quase inexistente, quando havia, informava uma velocidade máxima impossível de alcançar com segurança: 80 km/h. Os últimos 150 km estão em reformas e melhorias, mas ainda assim o asfalto é de má qualidade. Felizmente os usbeques dirigem muito bem e com cautela.

   

Alguns trechos pareciam mais apropriados ao off road...

                 Algumas paradas nas barreiras militares de contrôle, especialmente nas proximidades do Turcomenistão. A primeira parada “técnica” foi a pretexto de observarmos o Rio Amu Darya, mas nela pudemos notar um grupo de turistas indo ao “banheiro” mas típico do deserto, muito popular entre os viajantes destas paragens: atrás de uma duna ou de uma moita espinhosa.

  

O Rio Amu Darya (ou o que sobrou dele). Nas suas margens, o melhor "banheiro" da viagem 

                 Ao nos aproximarmos de Bukhara a paisagem voltou a ficar verde, com áreas cultivadas, especialmente algodão e milho, além de algumas árvores. Paramos num lugar extremamente precário para comer, e adoramos os deliciosos shashlyks, arroz, pão e chá de nosso almoço. 

   

Uma parada para almoço na estrada...

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Na cidade antiga de Bukhara

                 Se ao entrarmos em Bukhara vimos uma cidade moderna, ainda muito soviética, com avenidas arborizadas e blocos de apartamentos de arquitetura triste e sem imaginação, ao chegarmos à cidade velha, área de nosso hotel, entrávamos literalmente num mundo de séculos passados, de ruas estreitas, de mesquitas, mercados, madrassas e caravansarais.

  

                 Entramos na cidade e até chegarmos ao Asia Bukhara Hotel passamos por bairros residenciais, prédios comerciais e centros de comércio. Em comparação a Khiva, Bukhara é uma cidade grande, e à primeira vista os velhos edifícios cinzentos do período soviético e os novos do boom imobiliário uzbeque poderiam decepcionar, todavia, a arquitetura comunista à esta altura tornara-se mera curiosidade, uma coadjuvante exótica, por vezes até excêntrica, ainda que sempre sem graça. A cidade revelou-se atraente apenas quando nos aproximamos do hotel, dentro do centro histórico.

  

                  O hotel é de padrão médio para simples, situado na posição 7 entre os 16 avaliados no Tripadvisor, tem dois andares e 95 apartamentos e o seu destaque é a localização: a pé chega-se à maioria das atrações da cidade, o que é extremamente adequado ao tipo de viagem que estamos fazendo. Comparado ao hotel de Khiva, o Asia Bukhara é um palácio. O serviço foi muito eficiente, gentil e atencioso, profissional e característico de hotéis de rede. O destaque foi o café da manhã, assim como as boas habitações. 

  

                Estamos em Bukhara. E em que cidade estamos! Destaque do Uzbequistão, é a que melhor nos remete à Rota da Seda. Mesmo sabendo das marcas do período soviético e de seu saneamento comunista. Sufocadas pelo totalitarismo czarista e depois pela Rússia,  gerações de tudo o que se relacionasse à religião e às atividades artesanais e culturais foram destruídas. Os efeitos foram devastadores, mas felizmente cidadãos mais antigos e movimentos oficiais tentam resgatar o que ficou perdido naquele tenebroso período.  

  

                 Fundada pelos sogdianos, Bukhara talvez seja o lugar ideal no Uzbequistão para melhor perceber o legado persa, inclusive na lingua tadjique, derivada da língua que se falava na Pérsia. Extremamente agradável de caminhar, as ruas são estreitas na parte antiga e quase sem carros. A atmosfera da cidade é incrívelmente atraente, invariavelmente nos levava atrás no tempo quando entrávamos na sua área mais antiga. Espalhados nas calçadas empoeiradas, pendurados nas apredes, sobre alambrados, os tapetes orientais estão toda a parte da cidade antiga. As cores e os desenhos das ornamentações cerâmicas são de detalhes tão incríveis quanto próprios da arte decorativa persa tajique. Bukhara é um paraíso para os olhos de quem aprecia os tapetes orientais e a arte islâmica.

  

                Afortunadamente conhecemos um grande artesão e restaurador de tapetes em Bukhara. Entramos em sua lojinha num dos bazares. Educado, simpático, solícito e bom negociante, com inglês fluente, não foi difícil escolher seu estabelecimento como um dos melhores que visitamos, apesar de minúsculo.  Suas vitrines são a parede e o piso da rua defronte à sua loja.  Não é difícil comprar qualquer produto em Bukhara, que dirá um tapete. E qualquer bom adorno ficará bem em qualquer residência, para além de servir de recordação. Mas acerca dos tapetes, quem os produz, além de talento, técnica e tradição, deve carregar algum poder mágico. Há bastantes vendedores de rua. Mas são simpáticos e as mulheres vestem-se coloridas e são simpáticas e agradáveis na abordagem. Conseguem muitas vezes atrair mais a atenção do que as mercadorias que vendem. Mais uma vez a educação tornou a visitação a qualquer loja sempre um grande prazer visual, para além de invariavelmente render um bom papo.

 

                 A cidade tem uma personalidade insistente. E a maioria dos sítios importantes de Bukhara pode ser visto a pé. Em geral começávamos e terminávamos o dia na Lyabi-Hauz, praça ao redor de uma “piscina” construída em 1620. O nome, em tadjik, significa “o redor da piscina”.  É um lugar tranquilo e aprazível, sombreado por mulberry trees (amoreiras) tão antigas quanto a própria praça. Os locais sentam-se nos bancos da praça, conversam e jogam xadrez. Crianças brincam de bicicleta e mães empurram seus carrinhos de bebês. Turistas circulam, entram, e saem de alguns hotéis, Lan houses, farmácias, mercadinhos e lojas de souvenirs.  Mesmo sendo tomada por comércio e serviços turísticos, ainda mantém sua atmosfera antiga. Sob uma frondosa árvore fica a grande estátua de bronze de Hoja Nasruddin, o mítico “wise fool”, personagem de lendas e contos sufi.

  

                 Os três prédios antigos mais importantes da praça são a belíssima Madrassa Nadir Divanbegi, que domina a praça. Destaca-se por sua incrível beleza ornamental. E atrai todos os olhares. Os painéis ornamentais de azulejos são incrivelmente bonitos. Originalmente um dos inúmeros caravançarais da cidade para o repouso de animais e mercadores da Rota da Seda, em 1622 esta foi transformada em mais uma das aparentemente incontáveis madrassas. Como em todas as demais, (exceto uma), há artesãos vendendo bons produtos, especialmente cerâmicas, suzanes, tapetes, souvenirs, jóias e bijuterias.  Ao seu lado fica a madrassa Nadir Divanbegi Khanaka, e curiosamente ambas levam o mesmo nome do secretário do tesouro do khan Abdul Aziz, quem financiou suas construções no século 17. No lado oposto da praça, defronte a Madrassa Nadir Divanbegi fica a Madrassa Kukeldash, de 1569, construída por Abdullah II. Na época chegou a ser a maior escola corânica da Ásia Central.

  

                 Antes dos soviéticos ganharam o controle do Uzbequistão, Bukhara foi construída em torno de uma série de piscinas para que os moradores lavassem suas roupas e tomassem banho. As águas eram consideradas potáveis, mas não surpreendentemente uma praga tomou a população, quando os soviéticos eliminaram muitas piscinas por questões de saúde pública, deixando apenas algumas, entre elas, a principal, Lyabi-Hauz.

 

                  Há dezenas de construções antigas islâmicas espectaculares que atestam a importância de Bukhara na Rota da Seda e confirmam hoje sua reputação como uma cidade única no mundo. Mas um dos pontos mais notáveis arquitetônicamente e que revela bem o tipo de vida no passado é o Registan, uma grande praça próxima à cidadela Arca, onde há mercados que funcionam até hoje e que na época vendiam escravos.

 

                 O monumentos de Bukhara são testemunhos de cada fase da longa história da cidade. O horizonte é pontilhado por telhados de mesquitas com suas cúpulas e minaretes ornamentados em tons de azul. Mas elevando-se e sobressaindo-se acima de tudo, um impressionante minarete atrai o olhar, quer por sua dimensão, quer pela graça e delicadeza des ua forma.

                 É o Minarete Kalyan, que coroa a Mesquita Kalyan Poi, com seus 45,6 metros de incríveis histórias. O que vemos hoje  foi concluído em 1127, mas não é a construção original. A segunda construção encanta mais do que sua terrível história. Genghis Khan tanto admirou-se com sua beleza que o poupou da destruição quando tomou a cidade no século XIII. Mas condenava os “criminoso” à morte atirando-os de cima, daí seu apelido "Torre da morte."

                 No topo do corpo do minarete os muezzins convocavam os muçulmanos à oração através das16 seteiras arqueadas.  Uma escada de tijolos em espiral leva ao topo do minarete. Sua base tem fileiras ornamentais de tijolos colocados em linhas retas ou diagonais, simples mas belo efeito ornamental. O friso é coberto com um esmalte azul com inscrições.

  

                 Um dia inteiro foi dedicado a explorar Bukhara. A pé. Nada nos atrai mais do que isso: um dia inteiro a pé explorando, descobrindo e vivendo uma cidade histórica milenar e islâmica! A Lyabi-Hauz, os bazares cobertos, o Minarete Kalam, a Cidadela Fortaleza de Arca, Char Minar e uma série de mesquitas e madrassas. A visita mais importante desta incrível cidade é a Fortaleza de Arca, residência fortificada dos Emires de Bukhara, verdadeiros déspotas que governaram até a chegada do império soviético. Fundada no século VI antes de Cristo, Bukhara possui algumas das maravilhas arquitetônicas de maior importância de toda a Ásia Central.

  

                 Registan significa lugar arenoso. É o nome da praça principal da cidade, onde eram efetuadas as execuções.

  

                 O conjunto é formado por madrassas, uma mesquita, ambos maravilhosos na grandeza e na delicadeza do estilo, na ornamentação em azulejos e mosaicos que formam bonitos desenhos que revestem e decoram as fachadas, os pátios centrais, os minaretes e as cúpulas.

  

                 Um dos tesouros de Bukhara, com história e arquitetura dramáticas, o Minarete Kalyan, marco da cidade, é de 1127, e o maior remanescente não destruído por Genghis Khan. A palavra "minarete" deriva do árabe "manara" ("farol", ou, mais literalmente "um lugar onde alguma coisa queima"), provavelmente porque em algumas mesquitas mais antigas, como a grande mesquita omíada de Damasco, as torres serviram como vigia e eram iluminadas por tochas.

 

                 A Fortaleza de Arca é um castelo de muralhas de forma incomum, arredondadas, em tijolos feitos com o mesmo material do deserto, do qual toma sua cor. Ali fica o Registan de Bukhara. Já foi residência do emir e era proibída a entrada de não autorizados até o século XV, no tempo em que a cidade era Capital de um dos reinos da Pérsia. Ainda hoje abriga edificações oficiais e não se permite a entrada aos turistas.  Ocupa uma grande extensão no centro de Bukhara, tem torres de quase 20 metros e foi uma arena de muitos eventos históricos.

  

                 O Mausoléu de Ismail Santucci é um dos mais antigos e bem preservados monumentos de Bukhara, extremamente importante do ponto de vista arquitetônico porque marca uma nova era no desenvolvimento da arquitetura na Ásia Central. O mausoléu é um edifício em forma de cubo, feito em tijolos de terracota e coberto por uma cúpula. A construção e os detalhes artísticos de alvenaria são impressionantes quando observados de perto e exibem características tradicionais que remontam à cultura pré-islâmica. As paredes largas, de 1,8 m protegeram o monumento da destruição. O pequeno mausoléu é considerado um dos monumentos mais elegantes na Ásia Central, especialmente por sua delicada alvenaria.

  O Registan de Bukhara  

 

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Os fantásticos bazares de Bukhara

 

                 Se uma cidade tiver um bazar, souk, feira ou mercado, estaremos lá.  Em Bukhara eles chamam-se Taqis, em geral são prédios com domos típicos, alguns originais do século XVI, cuidadosamente restaurados, entre eles o Taqi Sarrafon, o Taqi Telpak Furshon e o Taqi Zaragon. Estes bazares de cúpulas abobadados têm pequenas lojas, e cada um tem sua especialidade: artesanato, jóias, tapetes. E são mágicos os tapetes de Bukhara, tecidos há séculos no Turquestão, área que vai do leste do mar Cáspio ao norte do Irã e Afeganistão, e a oeste e sudoeste da Mongólia chinesa.

  

                  A antiga Rota da Seda, no trecho de Bagdá a Teerã, passa por Ashkhabad, Samarkand e Tashkent, percurso conhecido pelos europeus depois que Marco Polos explorou a região. No início do século XIX europeus passaram a viajar até aqui em busca dos famosos tapetes turcomanos.Tapetes recebem seus nomes segundo seu lugar de origem, como Tabriz e Isfahan, por exemplo, ou de acordo com a tribo onde são feitos, como Belutschi, Beshir, Tekke o Ersari. Alguns levam o nome de uma região, como os Khorasan, entre outros.

                 Em Bukhara um tapete é feito de feltro ou de lã. Os de feltro são os mais antigos, feitos por nômades, ainda usados para cobrir suas yurtas e forrar o chão. De acordo com a crença popular, cobras e aranhas não conseguem rastejar sobre eles.  São as mulheres as principais envolvidas na sua fabricação. Os de lã da melhor qualidade são feitas do pelo do pescoço de camelos, os mais finos dos camelos bebês. São extremamentre populares. Os de seda são em geral menores e os mais caros.

  

                 Em termos de qualidade, os melhores tapetes caucasianos são os Shirvan, os Kazak e os Derbend, nesta ordem. Todavia, os mais populares são os Bokhara, de desenhos clássicos turcomanos conhecidos como “pata de elefante” (ou gul, em inglês), dominado por linhas e padrões geométricos pequenos e repetidos. Em geral são de muito de boa qualidade, isto é, com cerca de 120 nós por centímetro quadrado, podendo chegar a  350 os mais caros. Eles são feitos em lã de carneiro, lã de pescoço de camelo e em. Ainda que seja preciso conhecer alguma coisa sobre tapetes orientais, não se compra gato por lebre em Bukhara.

  

                  Decidir comprar e trazer um tapete pode ser difícil, especialmente dependendo do tamanho. Mas as oportunidades, para quem gosta, conhece e sabe os preços no Brasil, parecem irresistíveis. Há muitas possibilidades de fazê-lo. Trazê-los dentro de uma mala, num pacote fechado para despachar no avião ou ainda mandando entregar no Brasil.

 

(*) Notas:

O nome Rota da Seda é um termo do século XIX, criado pelo geógrafo e estudioso alemão, Ferdinand von Richthofen, como a maior rota de comércio que já existiu entre a China, Ásia Central e Bizâncio. Esta antiga rota entre o Oriente e Ocidente estabeleceu-se entre 206 A.C. a 220 D.C., na dinastia Han da China, sobretudo para o contato político com os reinos da Ásia Central. Desde então, a rota da seda tornou-se também rotas de comércio entre a China e o Ocidente de diversas mercadorias. Na verdade, que o termo Silk Road descreve muito mais que uma rota, senão uma complexa realidade de contrastes ao longo de seu caminho entre os dois continentes. Ela consiste de uma rede de rotas terrestres e marítimas, vencidas por caravanas e por navios, cujo sucesso durou séculos. E suas diferenetes rotas adaptava-se às situações políticas, às condições econômicas, ambientes geográficos, gostos e demandas de cada raças por determinados produtos, assim como às diferentes crenças religiosa, aos aspectos artísticos, ao desenvolvimento de tecnologias e ciências.


A maioria das viagens pela Rota da Seda era feita por anônimos. Alguns tornaram-se históricos e famosos, mais pelo escopo de suas descobertas, pelo impacto cultural de suas passagens, do que pelo comércio que promoviam. Entre eles, Marco Polo,  lendário comerciante veneziano, provavelmente o primeiro a empreender uma viagem de ponta a ponta da rota, da Itália à China. Mais do que um comerciante procurando riqueza, Marco Polo viveu na China por 17 anos na corte de Kublai Khan, e ali adquiriu conhecimento fundamental para promover o intercâmbio cultural nas suas viagens, minuciosamente planejadas e detalhadas em contos escritos nos últimos 20 anos de sua vida. Um ano após sua morte, Muhammad lbn Batuta deixou o Marrocos para fazer sua habitual peregrinação islâmica a Meca.  Desde então Batuta, por 24 anos viajou continuamente pela rota, especialmente no trecho entre a China e a Índia, mas também pela África e pelo Oriente Médio. Retornou ao Marrocos em 1349 e registrou tudo o que viu, de políticas a econômicas, de diferenças étnicas a culturais, tudo o que serviu para aprofundar ainda mais o conhecimento humano e expandir seus limitados horizontes no mundo medieval. A rota não era apenas para o comércio da seda. Muitos outros produtos eram negociados, de ouro e marfim a plantas e animais exóticos. Mas de todos esses preciosos bens, provavelmente a seda tenha sido o mais notável produto, especialmente para os povos do Ocidente.

Algumas fontes de consulta:

http://gallery.sjsu.edu/silkroad/civilization.htm - http://www.mostang.com/mw/iss04/silk.html

 A seguir: De Bukhara a Samarkanda

Reader Comments (4)

Bukhara foi a cidade mais gostosa de bater perna de todas onde estivemos (com Khiva só um pouco atrás...): a variedade arquitetônica da cidade a faz incrivelmente interessante, um centro histórico gostoso. Acho que até caberia muito bem mais um dia. Saudades de passear à noite por Lyabi-Hauz...
Um beijo, meu querido.

12:00 | Unregistered CommenterEmília

Interesantíssimo relato sobre a cidade de Bukhara e sua importáncia na Rota da Seda. Parece um lugar solitário e místico. Uma linda cidade no deserto, realmente, parece uma miragem mágico.
Adorei suas explicações sobre essa cidade, cheia de arquitetura muito bonita. Uma grande aventura!!!
Bjs

7:29 | Unregistered CommenterCarmen

Muito rica culturalmente essa sua Viagem.

Sou de descendência hungara, e estou muito ancioso para conhecer a Hungria que imagino ser também uma viagem muito rica culturalmente falando, tem alguma experiência que possa compartilhar comigo?

Parabéns pelo Blog. contato@voofacil.com.br

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O amigo sabe me dizer, nessa sua viagem ao Oriente Médio, se ouviu, leu, ou tem conhecimento, sobre a vinda de algum Buchara, ou então Nasrallah para o Brasil???

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