MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Quinta-feira
Dez132012

KARAKOL, Quirguistão - Aventuras e surpresas na Ásia Central

Altyn Arashan, um dos incrível cenários de vale de montanha do Quirguistão

               AO viajarmos nossa disposição para assimilar e compreender um destino é enorme, entretanto inversamente proporcional ao tempo que dispomos para explorá-lo. Bem mais que diversão e relaxamento, consideramos nossas viagens verdadeiras empreitadas, aventuras do conhecimento, experiências da descoberta, úteis para nosso crescimento pessoal e cultural. E com freqüência retornamos ainda mais cansados do que saimos. Nos dedicamos ao destino até a exaustão.  e nossa atitude enquanto turistas é de prontidão, de expectadores receptivos e desobstruídos visualmente. Observamos pra usufruir, para explorar positivamente. Da maneira mais intensa e completa possível. Exercitamos nossa capacidade de olhar sob perspectivas diferentes e incomuns, evitamos clichês e estereótipos, e temos alcançado boas recompensas: viagens excepcionais, descobertas memoráveis e experiências incriveis. 

             Foi com tal disponibilidade e intenção, além de disposição e coragem, que nos aventuramos nesta incrível jornada em Altyn Arashan, um impressionante vale de montanha perto de Karakol.  Através das paisagens mais pitorescas do Quirguistão, a 2.350 metros de altitude, guiados por Sasha, o russo, conduzindo o veículo mais precário e valente que já experimentei, cruzamos estradas precaríssimas entre cenários incríveis nas vertentes de montanhas esparpadas. Vez por outra, à beira de abismos e despenhadeiros, o percurso tornava-se assustador. Mas chegamos sãos e salvos. E nosso prêmio foi um deslumbramento só: a visão magnífica de um vale de rios límpidos, caudalosos, gelados, mais as piscinas naturais sulfurosas com águas quentes em plena montanha.

O velho, bavíssimo, bizarro off road soviético em Altyn Arashan

                 O prêmio foi um dos lugares mais incrivelmente bonitos que já vi. O custo, uma divertida, por vezes assustadora, viagem sacolejante num dos veículos off road mais bizarros que já usei. Foi assim que chegamos a esta paisagem espetacular aí em baixo.

           Foi assim também que nos decidimos a encarar a difícil, exaustiva e longa trilha Ak-Sai Waterfall Trail, a caminhar por seus 7.500 metros de extensão a 2.500 metros de altitude no Ala Archa National Park.

 

Eu era um pontinho na imensidão da Ak-Sai Waterfall Trail, subindo a 2.500 metros de altitude

                Ala Archa é abundante em árvores e vegetação. Dizem que há cabras de montanha e  leopardos da neve, mas não vimos sequer um esquilo. No entanto, rios e riachos de montanha, além de geleiras e picos rochosos são abundantes. Bem marcadas, as trilhas de trekking cruzam o parque e levam pessoas relativamente aptas verdadeiros paraísos cênicos de montanha.

  

Ala Archa National Park

                  NESTA viagem racionalizamos ao máximo nosso tempo. O objetivo era aproveitarmos o máximo possível. Foi tudo muito intenso, tanto no Uzbequistão quanto no Quirguirtão. Mas aqui no Quirguistão alcançamos nosso limite físico: vencemos caminhos difíceis e alternativos, subimos montanhas, caminhamos até cinco horas consecutivas, regidos pelo compulsivo desejo de aproveitar cada minuto, de visitar tudo e fazer todas atividades que programamos. E conseguimos experimentar tudo o que tivemos oportunidade. E tivemos nossas melhores recompensas: o privilégio de observar paisagens estonteantes, enfrentar caminhos difíceis, trilhas perigosas e trechos de longa duração, como a Ak-sai Waterfall Trail, próxima a Bishkek.

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O Ala Archa National Park

                  O Ala Archa National Park é um parque nacional nas montanhas de Tian Shan, a cerca de 40 km ao sul de sua capital, Bishkek. O parque inclui o desfiladeiro do Rio Ala-Archa e as montanhas que o circundam, tem inúmeras trilhas de diferentes graus de dificuladade e tempo para percorrê-las. É muito popular para pic-nic familiares, trekkings, prática de esqui na neve e escaladas de alta montanha na rocha e no gelo. A paisagem é brilhante em todos os 200 quilômetros quadrados e nas diversas altitude, dos 1.500 metros na entrada do parque aos 4.895 metros do Pico Semenova Tian-Shanski, o mais alto da cadeia Ala-tau do Tian Shan em sua porção no território do Quirguistão.

                  Há mais de 20 geleiras de vários tamanhos, além de cachoeiras, rios e picos nas 50 montanhas que integram a área do Parque Ala Archa. Dois rios, o Adygene e o Ak-Sai, originam-se de glaciares derretidos, o que lhes dá a incrível transparência. Correm pelo desfiladeiro de Adygene, um belíssimo e bem arborizado vale por onde tivemos o cansativo privilégio de caminhar.

 

                Ala Archa é abundante em árvores e vegetação. E ali deixamos apenas pegadas.

  Como bons montanhistas, deixamos apenas pegadas na montanha

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Na estrada para Karakol

 Paisagens bucólicas e natureza estonteante: marca registrada do Quirguistão

              Vivemos experiências notáveis e descobertas incríveis em toda a viagem, ao longo de um dia inteiro, na estrada de Bishkek a Karakol. As cores eram plenas, as distâncias enormes e muitas as paradas para fotografias. O cenário de uma amplitude incomum, uma beleza incomparável, de sol brilhante, de azul incrível e de nuvens estranhas. As rochas eram ora vermelhas e agrestes, ora cinzas e cobertas de neve. O verde era pouco, do semi deserto, mas os amarelos abundantes, do fim da estação, de folhas caindo ou então por cair. Os rios e lagos límpidos, de uma natureza quase intocada. Despenhadeiros estonteantes ao fundo, com picos nevados, emolduravam e compunham cenários de tirar o fôlego, de encantar olhares, de arrebatar fotógrafos.

               Cavalos e ovelhas arrematavam a beleza, pastavam solenemente. Moradores colhiam batatas, rolos de feno aguardvam o inverno e a vida seguia, como sempre, simples e lenta. E todos pareciam ignorar nosso encantamento.

   Sol brilhante, azul incrível, nuvens estranhas, rochas, vermelhas e agrestes, cinzas e nevadas

         Deslocamentos rodoviários no Quirguistão invariavelmente são longos e relativamente desconfortáveis. Embora se possa desejar, nem sempre é possível querer que todos os dias sejam de maravilhosos cenários, de comida étnica excepcional, a decomodações impecáveis, de transporte confortável e tudo mais o que turistas podem esperar de bom. Mas a realidade não acompanha o desejo. E no Quirguistão, especialmente no quesito banheiros públicos e lugares pra comer. Mesmo assim tivemos experiências incríveis que estão entre as mais marcantes de nossas vidas viajantes.

   

Estradas ruins mas belíssimas pediam muitas paradas fotográficas

                  A meio caminho de Karakol, encontramos o Canyon Skazka, também conhecido como Fairy Tale Canyon. Ele fica às margens do Lago Issyk-Kul, e  uma breve parada para uma curta e interessante caminhada revela formações rochosas de arenito vermelho, estranhas e por vezes bizarras. A paisagem é um sonho para os amantes da fotografia.

   Skazka, o incrível canyon de contos de fadas

             Provavelmente câmeras fotográficas comuns e compactas não conseguirão capturar a vasta extensão do conjunto de formações. Ideal é dispôr de uma lente grande angular, com no mínimo 24 mm. Como em quase todo o Quirguistão.

   Paraíso para fotógrafos, mesmo os amadores

           Na cidade de Karakol, surpreendentemente, nosso hotel era novo e confortável, ainda que extremamente simples. Soberbamente simples. Espartanamente simples. Como mostra a vista que tínhamos da janela de nosso quarto. O desjejum foi correto, simples e suficiente. E a Internet funcionava. Deu até pra mandar uns e-mails e postar umas fotos no Facebook pros amigos e parentes, depois de dez dias desconectados.

 

Hotel Amir, em Karakol

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Karakol - Lugares, cenários, passeios e pessoas

          Diferentemente do Uzbequistão, sorrisos não foram a marca de nossa estada no Quirguistão.  Mas houve um que valeu a falta de todos: o deste simpático senhorzinho. Inquieto, mas discreto, não sossegou enquanto não contou suas estórias. Nos mostrou seus desenhos e nos falou sobre os chineses muçulmanos que há anos chegaram a Karakol. Além de nós, ele era o único indivíduo naquela manhã na Mesquita Dungan. Ouvimos tudo com a mesma curiosidade por seu chapéu quirguis quanto que ele por nossa nacionalidade.

                 O mais notável monumento arquitetônico de Karakol é muçulmano. De um período bem anterior à era soviética. A Mesquita Dungan é um notável exemplar de templo islâmico com curiosíssima influência chinesa. Tem cara de pagode. E até mesmo seu minarete não se parece com um, senão com uma torre sineira de igreja cristã.

                 O resultado arquitetônico, além de curioso, é raro. E nos remete ao século passado, às províncias muçulmanas chinesas próximas da fronteira com o Quirguistão, revelam uma das partes mais importantes da história do país e da cidade. Entretanto sua maior curiosidade não fica exposta: no processo construtivo não se empregaram pregos na união de vigas e colunas. Elas juntaram-se através de um engenhoso sistema de encaixes. 

A curiosa Mesquita Dungan, em Karakol

                  Os elementos ornamentais são florais, volutas que lembram dragões chineses. São vistos nas vigas que suportam o telhado, ainda mais exuberantes nas extremidades das vigas de canto, acompanhando a forma estranhamente inclinada dos telhados. Os tetos também chamam o olhar: são decorados com colunas ornadas em intrincadas esculturas.

                  Mas não foram a arquitetura e o povo que nos conquistaram no Quirguistão, senão suas incríveis paisagens naturais, a bucólica vida no interior, as mais serenas cenas que víamos até mesmo na beira da estrada, frequentemente ocupadas por pastores e ovelhas. 

Ovelhas pastando solenes à beira da estrada em Karakol. Cenas bucólicas, a marca do Quirguistão

                      Paisagens alpinas e bucólicas são a marca do Quirguistão.  Elas seduzem o turista, roubam sua atenção, rendem os mais belos cliques de sua câmera. Não foi diferente conosco. O terceiro dia de nossa estada no Quirguistão passamos inteiro na estrada. Acompanhados dos mais incríveis cenários alpinos da Ásia Central, seguimos para Karakol margeando o lago Issyk Kul e a Cordilheira Tian Shan.

Precárias, mas eternamente emolduradas por uma beleza estonteante  

                Partimos muito cedo de Bishkek a Karakol, e por toda a longa viagem circulamos por estradas precárias eternamente emolduradas por paisagens incríveis: campos dourados, vales verdejantes, rebanhos de ovelhas, geleiras alpinas, rios caudalosos, aves de rapina, cavalos quirquizes, matas de zimbro, sítios arqueológicos, parques nacionais e lagos transparentes.  Assim chegamos ao ponto final, às margens do segundo maior lago alpino do planeta, o Issyk Kul, onde fica Karakol, a mais soviética, desoladora, sinistra cidade que já conhecemos.

O belo vale onde estão as formações rochosas Sete Touros e Coração Partido

                  O dia acabava num pôr do Sol deslumbrante, coloria de dourados uma paisagem já magnífica, que nem precisava da ajuda esplendorosa do astro rei. Mas durante todo trajeto, e em suas muitas paradas, presenciamos paisagens naturais e vivemos experiências memoráveis nesta viagem pela Ásia Central. Uma delas foi assistimos ao Kok-Boru - os jogos hípicos nacionais, no qual duas equipes adversárias montadas a cavalo tentam capturar e levar a carcaça de uma ovelha decapitada ao gol. Experimentamos aventuras gastronômicas simples e extremamente curiosas de cardápios escritos aénas em russo e quirguis. Vimos uma apresentação memorável e exclusiva de Eagle Hunting, o secular e popular esporte da Ásia Central, a incrível relação entre um homem e sua águia desde jovens.

 

   Paisagens que seduzem o turista, roubam sua atenção, rendem muitos de cliques em sua câmera

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Burana Tower

                   A primeira parada foi a 75 quilômetros de Bishkek, na Torre Burana, situada no belíssimo Chuy Valley. Construída no século XI, é tudo o que resta da antiga cidade de Balasagyn, importante passagem da antoga Rota da Seda nesta região. Não se sabe ao certo o significado de seu nome, mas provavelmente "burana" seja a pronúncia errada da palavra "monara", ou minarete. Com 25 metros de altura, a torre era o minarete de uma mesquita, originalmente com 44 metros do original e de uma cidade inteira destruídos num terremoto em 1900.

A Torre Burana, no belíssimo Chuy Valley, com vista para as montanhas

                 O pequeno Museu de Burana, instalado numa yurta, apresenta alguns restos da cidade, como desenhos, esculturas de pedra, petroglifos, esculturas de pedra, moedas e outras coisas encontradas em explorações arqueológicas. São eles que quinze minutos do tempo na parada mas dão uma boa percepção da história do lugar.

 Dos originais 44 metros da torre, um terremoto deixou apenas 25


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Os Balbals de Burana


                 

                  São curiosas as esculturas antigas de pedra do Quirguistão, usadas como lápides. As esculturas de pedra foram criadas por habilidosos escultores maçons, os maiores artistas da época. Estudiosos distinguem-nas em dois grupos: o primeiro, de esculturas redonda, tentam claramente representar as proporções das figuras e mostram detalhes como roupas, jóias e armas. O segundo grupo é de esculturas mais planas, quando a pedra mostra apenas a linha de contorno da cabeça e características elementares de um rosto, raramente mostrando o corpo inteiro.

                   Mas pesquisadores também classificam um terceiro grupo, provavelmente o mais antigo,  de estátuas que representam lutadores. Na mão direita pode haver um vaso e na cintura uma adaga. Estas esculturas são dos séculos de 6 a10, e apenas muito poucas vão até o século 12. Uma das principais causas de seu desaparecimento foi devido à dominação muçulmana na região, pois o islã proibe a representação de pessoas e animais.

O Museu de Burana, numa yurta original dos povos nômades do Quirguistão

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Buzkashi (ou Kok-Boru)

                  Apesar de mais conhecido como um esporte do Afeganistão, o violento e disputado Buzkashi, um esporte originário das estepes, é muito popular no Quirguistão. Duas equipes de cavaleiros tentam pegar a carcaça de uma cabra sem cabeça, deixada no chão. Quando conseguem, em pleno galope tentam jogar o corpo do aninam num poço, o gol. Atrás todo o time adversário corre para impedí-lo. A disputa é boa! O nome kok-boru significa "lobo cinzento". O nome vem do tempo em que os rebanhos de gado que pastavam nas estepes e montanhas estavam expostos aos ataques de lobos.

 

O violento e disputado Buzkashi, atividade originária das estepes, ainda hoje popular


                   Os cavaleiros carregam um chicote preso entre os dentes, usado tanto na montaria quanto para afastar um adversários. A competição, violenta, invariavemente provoca o desentendimento entre jogadores, que acabam brigando entre si. É muito comum o uso da força para impedir o avanço do adversário, portanto, sobram chicotadas e cotoveladas nos oponentes. Como a carne é fresca, ao fim de uma partida o carneiro vira um saboroso churrasco entre os participantes.

  Um cavaleiro, a montaria e a carcaça do carneiro rumo ao gol

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Eagle hunting

                  A relação entre o homem e sua águia, algo levada muito a sério e que começa quando ambos, ainda jovens, experimentam o que seria uma improvável relação. O rapaz arrisca-se na captura de uma jovem ave, a fim de começar um longo processo de ensinamentos ao animal, desenvolvendo sua natural habilidade para acaça. Inicia-se assim uma relação que pode durar 20 anos. A tradição da caça com águia no Quirguistão é muito popular, mas acontece mais comumente durante o Inverno. Noutras épocas exibições podem ser vistas contratando-se particularmente algum mestre. O esporte tem uma federações no país, que além de ajudar na divulgação, abordam questões éticas, analisa informações demográficas e organiza torneios. 

 

O mestre e sua águia

                 A tradição dos quirguizes de captura e na formação de águias paraa caça sobrevive há séculos. Ela se dá de pai pra filho, e a abrangência de conhecimentos envolvidos no ofício é espantosa: um caçador de águia tem que ser especialista em taxionomia das aves, fisiologia da reprodução de aves de rapina, dos seus padrões de migração e domínio da criação desses animais. Além disso, cada caçador deve saber confecionar as peças de couro usadas no animal, o capuz e a algema de suas patas, além da luva de couro para que ao apoiá-las nos braços suas longas garras não perfurem sua pele.

  

As garras e a lebre

                 Os caçadores praticam ou apresentam-se em terrenos mais elevado e amplos. Lá deixam um coelho no centro da área e levam a águia para o ponto mais elevado do terreno, deixam-na no chão sem as vendas e simplesmente esperaam que ela vôe mais alto, para então avistarem o indefeso animal e, então, realizarem o mergulho, captura e morte da presa.  

  

O vôo e um mergulho certeiro, mortal

                   O dono, e mestre do animal, chega num carro velho, tira a ave do interior e a traz em seus braços, ainda encapuzada, em nossa direção. O animal solta pios esganiçados, provavelmente incomodada com falta de visão. Tira-lhe a vendada dos olhos e então o par de olhos mais incrívelmente vivos que já fitei arrebata nossa atenção. Hipnotiza, seria o melhor termo. Logo depois seu ajudante abre o porta-malas do carro e retira um saco cujo interior só pode haver um coelho vivo, tal a agitação que ele faz. Penso que se ele antevesse seu fim, preferiria ter ficado quieto, fingindo-se de morto ou tentando clemência. Mas nada. Aí então seu mestre com orgulho traz a águia até nós e exibe o belíssimo, saudável animal.

Uma vez capturada, a presa inicia seu lento processo de morte

                  O pobre coelho é posto a uns duzentos metros de distância da águia, e permanece inerte no chão. Deve ter percebido que naquele descampado sua única chance de sobreviência é manter-se imóvel e contar com uma improvável miopía de seu predador. A águia lá longe alça vôo com uma dignidade e beleza que domina olhares e atenções. Voa em círculos e repentinamente pousa sem atacar. Penso que ela está ou bem alimentada ou não tem lá a "visão de águia" que se costuma atribuir àqueles predadores alados. Qual nada. O bicho parecia apenas observar a situação, avaliá-la para evitar erros e lança-se então num vôo certeiro sobre o aninal, crava-lhe as duas patas e volta a voar, para então pousar sem largar o animal guinchando de dor e iniciar o lento processo de morte. O resto é elementar e esperado, ainda que forte: com o uso do potente e afiado bico, começa a rasgar o couro sobre o pelo do animalzinho ainda vivo, que assim permanece sofrendo até que o estrago atinja suas partes vitais.

 Por fim, o mestre exibe orgulhoso seu belíssimo animal

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Petroglifos de Issyk Kul

                  Toda a região de nosso roteiro está cheia de experiências e descobertas surpreendentes. Nossa próxima parada foi num lugar praticamente desconhecido dos turistas quirguizes e cazaques que vão a Cholpon Ata. Um pouco fora da cidade, no caminho de Karakol, com vistas para o lago, passando um cemitério, encontra-se o Parque dos Petroglifos, vestígios da antiga Sogdiana e povos turcos, entalhados de certa maneira aparentemente aleatória nas rochas soltas que já existiam espalhadas no campo. São cervos, cabras, camelos, uma cena de caça com cães, tudo artisticamente produzido em 500 a.C. por um povo enigmático que já não existe mais.

  

                Aparentemente uma atração secundária às margens do Lago Issyk Kul, na beira da estrada, esta é uma parada perfeita: fonte de informações sobre a cultura e a história do Quirguistão,  vistas bucólicas para as montanhas e o lago, além do uso dos melhores banheiros de todo o percurso.   Não há nenhum outro análogo na Ásia Central

 

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Karakol, a melancólica

                 Um posto militar russo fundado em 1869 lhe deu sua personalidade atual, ainda que Karakol não seja uma cidade fundada na era soviética, cresceu nela, no século XIX, depois que exploradores mapearam seus picos e vales, aqueles que separam o Quirguistão da China. Na década de 1880 a população cresceu com o afluxo de dungans, muçulmanos chineses que fugiram da guerra na China. Em 1886 a cidade foi renomeada Prezhervalsk, em homenagem ao explorador russo que empreendeu várias viagens à Ásia Central, e na empreitada quase atingindo Lhasa, no Tibete. Tendo se estabelecido na cidade, a escolheu para passar o resto da vida, após ter contraído tifo em suas aventuras. Mais tarde foi Lenin quem ordenou o retorno de seu nome original, em 1926, apenas para que Stalin pudesse novamente renomeá-la Prezhevalsk, em 1935. Finalmente, em 1991, com a independência, foi renomeada novamente Karakol.

 

 Quase não há vida nas ruas e nas casas de Karakol

                 Hoje, turisticamente, a cidade é divulgada entre os quirguizes como uma bela estância às margens do Lago Issyk-Kul, aos pés das Montanhas Ala-Tao e na foz do Rio Karakol. São quase 70 mil pessoas habitando neste lugar fundamentalmente turístico, curiosamente divulgado como das  "magníficas praias de Issyk-Kul". Mas o que se vê é desolação e melancolia. Sobretudo quando não é a temporada do turismo interno.  Tão fria e sem personalidade quanto podem ser as cidades soviéticas interioranas, numa simples caminhada pela cidade ela revela-se desoladora, por vezes aparentemente inabitada. Extremamente soviética, as lembranças do passado parecem vivas. E não são nada sutis:  Stalim parece ter morrido há pouco, Yuri Gagarin e o Sputnik lançados há pouco tempo e a Glasnost e os Jogos Olímpicos de Moscou acabando de acontecer.

   

                 A única curiosidade são alguns exemplares arquitetônicos soviéticos de casas e prédios em madeira, estes com beleza e personalidade, diferentes dos monolíticos edifícios residenciais e administrativos de concreto e de uma era mais recente.

 Lindas e abandonadas, as construções coloniais antigas são o retrato da melancolia da cidade

                   

Sete Touros e Coração Partido

                  Perto da cidade ficam lugares bem interessantes, como Djety Orguz, um balneário de montanha, as belas formações rochosas Sete Touros e Coração Partido, ambas mais próprias às que vimos no Utah, Oeste americano. Há opções de hospedagem em pequenas pousadas e hotéis na cidade e empresas locais que oferecem serviços turísticos.   

Igreja Ortodoxa Russa, a Catedral da Santíssima Trindade

    

                   Outra atração é a Igreja Ortodoxa Russa, a Catedral da Santíssima Trindade, concluída em 1895, usada como clube durante a era soviética, agora restaurado e com seu destino original revertido. O interior não pode ser fotografado mas é repleto de ícones divinos. Mas é o exterior fotografável que se encontra sua maior beleza.

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Sunday Animal Market

                 Visitar países como Quirguistão e Uzbequistão é sempre um retorno no tempo, onde e quando a vida nas pequenas aldeias parece ser a mesma há 100 anos. Mas em toda nossa viagem, nenhuma outra atividade foi mais "volta no tempo" do que a visita ao Sunday Animal Market. Afortunadamente estávamos ali no domingo, quando milhares de quirguizes juntam-se numa enorme área para o comércio de seus animais, especialmente carneiros, bois e cavalos.

                    Se me pedissem para recomendar apenas uma atração que representasse o que há de mais popular e autêntico entre todas as que conhecemos na Ásia Cenral, eu não hesitaria em sugerir o Sunday Animal Market de Karakol. 

 Multidão de animais e gente. Compram-se, vendem-se e trocam-se animais no Sunday Market 

                 O mercado estava em plena atividade quando chegamos antes das oito da manhã. A atmosfera caótica envolveu-nos completamente. Adultos e crianças rodeados por caprinos, homens e mulheres num enorme esforço para retirar suas bestas relutantes dos porta-malas de seus Ladas, e nós turistas estupefatos, vagando entre aquela loucura. Disparávamos os mais nervosos cliques em nossas câmeras, entre vozes de animais e guinchos vindos de todas as direções, com olhares preocupados trocados entre nós mesmos.

   

  As bestas relutante hesitam deixar os porta-malas de Ladas, reboques e caminhões

                  A curiosidade maior, todavia, era dos locais. Raramente viam ocidentais disparando suas câmeras como se fosse a última vez. Um deles chegou a nos abordar oferecendo uma vaca, o que pronta e polidamente recusei, não sem delicadamente fingir avaliar a oferta.

Após avaliar a proposta, achei melhor não comprar a vaquinha que seu dono me ofereceu    

                 Tivemos ótimos momentos no Sunday Animal Market, andando, olhando e tirando fotos louca e aleatoriamente ao longo de nossa permanência na feira.

 

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Aventura off road nas montanhas de Karakol

                Pela manhã pegamos nossa marshrutka off road 4 X 4, uma minivan utilitária, de fabricação russa, muito forte, um dos poucos veículos capazes de subir os 15 km até Altyn-Arashan. Com uns trinta anos de idade, o veículo soviético pertencia a Sasha, um russo que parecia recém saído de um filme soviético, não falava uma palavra de inglês, mas era simpático e revelou-se um verdadeiro herói pilotando com segurança e técnica, além de mecânico de emergência. 

Sasha e sua marshrutka off road soviética

                    No destino, um balneário de montanha, explorarmos um dos mais incríveis palcos de trekking e off road do planeta e o incrível prazer de mergulhar numa piscina de águas termais em plena montanha.

  

                  A paisagem era sempre de cartão-postal, ou dessas que a gente vê apenas em revistas como a Nat Geo.

 

Golden Spa (!), as hot springs de Altyn Arashan

                         Uma incrível viagem!

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A seguir:

Dois dias em Istambul, a caminho e na volta da Ásia Central

Reader Comments (11)

A parte dos animais tenho que pular, simplesmente não consigo, mesmo sabendo que faz parte da lei da sobrevivência...
As esculturas antigas de pedra do Quirguistão lembram (mesmo que de longe) a Ilha de Páscoa.
Parabéns a você e a Emilia por tanta disposição para tão grande aventura. Vibrante!

8:58 | Unregistered CommenterRosa

Bem, Rosa, lamento o incômodo pelos animais (eu entendo bem você, também sou apaixonado por eles), e por isso mesmo evitei postar as fotos mais "pesadas", justamente para que o impacto não "incomodasse" tanto os leitores.

De todo modo, um grande abraço e obrigado pela visita e comentário. A viagem foi mesmo "vibrante", em todos os aspectos, como você mencionou.

O Quirguistão foi realmente um dos países mais bonitos que já vi: paisagens incrivelmente lindas se sucedem constantemente, a vontade é de parar o tempo inteiro para curtir e acreditar que se está ali. Fora que a própria curiosidade do local, a arquitetura, as estranhas placas de estrada, os carros antigos, as ovelhas no meio do caminho, tudo isso se junta para formar um lugar que merece receber muitos mais turistas, apesar do contraste entre os receptivos uzbeques e os contidos quirguizes. Um paraíso para os que amam a natureza e caminhar!
Grande post, meu querido. Um beijo...

11:20 | Unregistered CommenterEmília

Olá Arnaldo. Estou tentando encontrar palavras que possam descrever a minha felicidade por descobrir seu blog. Acabo de chegar aqui, dei apenas uma bisbilhotada em alguns posts e já me sinto incrivelmente feliz por encontrar uma material de tamanha qualidade e disponível para mim, assim bem ao alcance de meus dedos e olhos.

Minha reação pode parecer exagerada, mas em tempos como esse em que encontramos milhares de blogs e ao mesmo tempo tão poucos com verdadeira qualidade, estava me parecendo impossível ser surpreendida de maneira tão agradável.

Inicialmente quero apenas parabenizá-lo por isso aqui e pela maneira isenta de interesses financeiros (algo tão comum e por vezes tão feio) com a qual vc publica suas coisas.

Meus parabéns e meu sincero agradecimento.

0:18 | Unregistered CommenterRenata

Eu li o post de alguns dias atrás, mas eu queria lê-lo novamente. Este é certamente um dos melhores posts que você já escreveu, e muitas vezes é difícil, porque todos são completísimos e muito interessantes.

Mais do que um blog ou um site, o seu fatosefotos é a melhor maneira que eu posso ter que ir para um país e descubra o melhor que você pode dar.

Excelente texto e fotos como estamos acostumados, mas eu sempre surpreender suas viagens de aventura.

17:20 | Unregistered CommenterCarmen

Precisava deixar registrado o quão feliz fiquei quando me deparei com essas fotos e relatos. Uma narrativa simples, pura, que não visa rebuscar o texto desnecessariamente, mas sim passar sua mensagem de uma maneira suave, deixando o leitor com aquela incomensurável vontade de conhecer os lugares..

Arnaldo, está sendo um prazer ler as suas narrativas. Um forte abraço.

23:17 | Unregistered CommenterVictor

Oi Arnaldo,

Gostaria de parabeniza-lo pelo belíssimo blog. Estou escrevendo o último post de uma série sobre uma breve viagem à Índia e gostaria de citar seu blog e o da Emilia como blogs importantes como fonte de pesquisa para quem estiver programando uma viagem ao país. Você concorda?

Obrigada

Claudia
www.viajarpelomundo.com

Sim, Claudia, com muito prazer. Obrigado por citar nossos blogs, especialmente nos relacionando com a Índia, que tanto amamos. Parabéns por seus posts e fotos.

Não há como não ter um "orgasmo" cultural ao ler seus posts. Meu mundo "viagens" mudou radicalmente ao conhecer o seu blog, PARABENSSSSSSSSSSS...

Olá Arnaldo,
Primeiramente parabéns pela empreitada e pela qualidade das fotos!
Se você puder me esclarecer duas coisas: em qual época você visitou essa região? E como entrou em contato com o guia Sasha?

Abraços,

Caro Victor, obrigado pelo gentil comentário. Viajamos de Turkish Airlines e fizemos um roteiro personalizado e individual, elaborado com a ajuda da operadora Highland Adventures, em São Paulo, que através de um operador no Quirguistão arranjou o passeio com o Sasha. Mas lá qualquer hotel arruma um passeio igual.

Grande abraço

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