MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Sábado
Abr282012

ANDALUZIA, Espanha - Moura, branca, romântica e épica 

Paisagem da janela - Parador de Arcos de la Frontera

                       ENTRE olivais e estradas sinuosas, despenhadeiros e serras escarpadas, seguimos os caminhos de almorávides e almoadas, os povos árabes, sírios, bérbereres e egípcios que dominaram o Sul da Espanha durante o império al-Andalus. Também nos innspiramos na hábil narrativa de Washington Irving, o norte-americano que esteve na Espanha em 1829 e empreendeu uma excursão a pé de Sevilha a Granada. Marcado profundamente pelas paisagens e pela cultura andaluzas, o encantamento está nos "Contos da Alhambra", escrito enquanto viveu nas dependências da Alhambra, em Granada.                   

                      Ali, no Sul da Espanha, os "viajeros romanticos" do Século XIX, também fascinados pela civilização hispano-muçulmana, encantavam-se com as paisagens enquanto percorriam as estradas que cortam os vales do Guadalquivir, sobem as serras de Grazalema, de Serrania de Ronda e de Los Alcornocaleslevam Sevilha, Córdoba, Granada, Ronda, Arcos e Jerez de la Frontera, assim como aos vilarejos da Ruta de los Pueblos Blancos.

 

 A quietude das ruas estreitas de casas brancas com floreiras nas janelas

                      Agora nós, românticos do Século XXI, viajamos não apenas através do tempo e do espaço, mas da cultura e da natureza, presenciando uma Espanha sedutora e emblemática, visitando mesquitas e igrejas monumentais, palácios incríveis, experimentando a quietude das ruas estreitas e de casas brancas com floreiras nas janelas. Entre uma e outra cidade vimos paisagens verdes e cinzas, de florestas e despenhadeiros rochosos. 

  O Bairro Albaicin, no topo da colina, visto da Alhambra

                       O nome Washington Irving situa-se na história americana como um dos primeiros grandes escritores a conseguir reconhecimento fora de seu país. Embora conhecido por suas muitas histórias e contos baseados na cultura americana - como Rip Van Winkle e Legend of Sleepy Hollow - Irving foi um dos primeiros americanos a escrever sobre destinos turísticos, a viajar e encantar-se com o esplendor de uma Espanha extremamente rica, cultural e etnicamente: a Andaluzia.

                       Fascinado com a herança cultural, com o legado da civilização muçulmana, Irving mergulhou na história e escreveu suas reflexões enquanto viajava. Usou um estilo de narrativas curtas, baseadas na experiências pessoais, nos resultados de suas pesquisas em bibliotecas da Andaluzia, na leitura de contos populares espanhóis, especialmente os andaluzes. Seu trabalho resultou numa mistura de passado e presente, ficção e realidade, e definiu com precisão a essência do caráter andaluz: metade espanhol, metade muçulmano.

  

A Alhambra, Granada

                        Desde Irving a rota tornou-se um patrimônio cultural nacional e ainda hoje encanta viajantes, artistas, escritores, poetas, fotógrafos, jornalistas, entusiastas, turistas e curiosos. O roteiro, que abrange as rotas do Legado al-Andalus passa por grandes cidades e pequenos vilarejos das províncias de Málaga e Cádiz, expõe a assência daquilo que denominou-se o Século de Ouro da Espanha, como se conhece o período entre o Renascimento e o Barroco.  

Estradas escarpadas, sinuosas, paisagens deslumbrantes

                          Mas os campos ocres da Andaluzia e seus castelos de pedra não nos trazem à lembrança apenas os contos românticos das Mil e Uma Noites. Também Dom Quixote, o esquálido Rocinante e o gorducho Sancho Pança surgem no imaginário. Por vezes, parecem estar nos esperando numa curva de estrada sobre uma colina pitoresca. Felizmente o viajante que “aventurar-se” por essas paragens não mais encontrará os bandoleros, assaltantes que eram o terror dos antigos viajantes que atravessavam as campinas e as serranias daquelas paragens.

 

 Pelas estradas dos Pueblos Blancos

                       O Sol, ainda não é forte no fim do Inverno. Aqui as águas de Março fecham o Inverno, ainda caem e podem acompanhar o viajante por um bom tempo, como nos aconteceu. Todavia, aproveitamos as luzes tênues que já tingem de laranja o amanhecer e o anoitecer, pintam as paisagens e construções, atraem a atenção do olhar. Entranhados pela a atmosfera andaluza, àquela sua dimensão tão tuniversal, mostrarei aqui no Fatos & Fotos de Viagens o conjunto tão fabuloso de atrações, tentando transmitir sua essência, motivar viajantes a conhecerem a região.

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A Andaluzia dos Pueblos Blancos, o legado al-Andalus e o Triângulo Dourado 

                        Por estradas boas e distâncias curtas, grandes rodovias e pequenas estradas cênicas, cruzamos cidades e vilarejos, campos dourados, ovelhas, bosques, olivais, carvalhos centenários, paisagens verdejantes e rochosas, vales férteis e riachos lentos. Vimos castelos e palácios, touros e mouros, vinhos e cavalos, antigos moinhos e modernos geradores de energia eólica.

 

                       Sentimos o sabor da deliciosa comida - do Rabo de Toro ao Gaspacho Andaluz -, ouvimos o som da paixão flamenca entre leques e castanholas, enfim, vivemos o que foi possível e intensamente nesta curta viagem pelo interla Andaluzia momentos que nos levaram a paisagens magníficas, a cidades e aldeias encantadoras, a presenciar a vida rural e montanhosa.

  

                        Passamos por Bornos, Algodonales, Espera, Benaocaz, Villaluenga del Rosario, Olvera, Antequera, Arriate, Setenil, Ronda, Benao-ján, Ubrique, Grazalema, Benamahoma, El Bosque, Prado D’El Rei, Grazalema e Setenil, algumas das cidades desta região, de onde chegam as imagens mais conhecidas da Espanha, senão as mais emblemáticas: flamenco, toros, olivais, castelos, corridas, festas, procissões e a imponência monumental de Sevilha, de Granada e de Córdoba. Mas também nos encantamos com a singeleza das vilas de casas brancas, com tudo o que molda o caráter mais peculiar ao país. 

                         O legado dos mouros - expresso na riqueza artística, cultural e arquitetônica - coloca a Andaluzia no imaginário coletivo do resto do mundo como um lugar mágico e mítico. Viajar pela região equivale a mergulhar nessa sucessão de histórias, de fantasias, de contos de fadas, a ver imagens que por vezes encobrem uma identidade mais complexa, escondida em camadas mais profundas, ou seja, as raízes forjadas pela civilização muçulmana, uma das mais avançadas da antiguidade, e sua profunda influência na região. O legado cultural é tão dramático quanto é encantador.

   

                        A fabulosa infraestrutura turística da Andaluzia proporciona uma confortável, sedutora possibilidade de viagem, de conhecimento de raízes bem preservadas, de tesouros impecáveis, de impressionante patrimônio, de inigualável riqueza arquitetônica, de tudo o mais que se extende para além da Alhambra e do Generalife, da Mesquita de Córdoba, do Alcazar e da Giralda de Sevilha. É difícil recordar de outro lugar com igual conjunto de obras tão numerosas e monumentais, revestidas de tamanha personalidade e romantismo ressaltadas por tantos escritores, poetas e compositores do século 19.

 

                         Nascidas da imaginação de seus autores, os personagens românticos e passionais que forjaram esse caráter num cenário tão glorioso e épico “vivem” até hoje: a operária espanhola Carmen, da ópera “Carmen” - do compositor Georges Bizet -, o barbeiro “Fígaro” - de Rossini - e sobretudoDon Giovanni- de Mozart.  Assim a Espanha sempre surpreende o visitante, por seu conjunto de paisagens e monumentos impecavelmente, também atrai por sua irrepreensível infra-estrutura turística: com alguns dos hotéis mais românticos de todo o país: o Alfonso XIII, em Sevilha, o Parador de Arcos de la Frontera, o Parador de Ronda e o Parador de Granada, este último situado dentro do complexo da Alhambra e do Generalife.  

   

                        O ano 711 foi a chave da história antiga da Andaluzia, quando ocorreu a entrada do primeiro contingente árabe na região, facilitada pelos 14 km que separam o Norte da África da Espanha, ponto inicial para oito de séculos de ocupação muçulmana e difusão do islamismo. Ali o período do Califado de Córdoba foi o mais florescente, o que tornou a região o centro do Islã no Ocidente. Todavia, sua desintegração foi a oportunidade para que os reis cristãos do norte - após a unificação de Castela e Leão liderada por Fernando III - dessem curso à recuperação cristã da Andaluzia.

  

                        Os monarcas católicos encerraram aquele ciclo islâmico colocando no passado o esplêndido período de Al-Andalus com a queda de Granada em 1492. Todavia, sábiamente, católicos reconquistadores souberam manter o rico patrimônio arquitetônico islâmico e assumir naturalmente sua cultura, talvez a mais exemplar demonstração de uma inteligência tão incomum na era das invasões tão destruidoras.

  

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A Rota dos Pueblos Blancos

                         Um dos roteiros mais bonitos da Andaluzia é o que abrange as grandes cidades e as pequenas aldeias das províncias de Málaga e Cádiz, com ênfase especial nas  paisagens, natureza e tranquilidade da vida rural. As aldeias caiadas de branco resplandecem com a luz do sol da Andaluzia, e ainda que esta seja sua característica mais aparente, o patrimônio é o mais notável.  As montanhas que se estendem ao norte de Gibraltar em direção à Andaluzia e ao Mediterrâneo destacam-se no cenário do roteiro, especialmente na região entre Arcos de la Frontera e Ronda, nas serras de Grazalema, Serrania de Ronda e Los Alcornocales.

  

                        A melhor maneira de fazer a rota dos Pueblos Blancos é conduzindo um carro e passando por algumas das estradas que têm algumas das paisagens cênicas mais empolgantes da Espanha. Quase todo viajante gosta de independência em viagens e de intercalar o óbvio com o incomum, sair um pouco dos roteiros convencionais, de ter flexibilidade, algo possível alugando um carro. A viagem pelos Pueblos Blancos da Andaluzia é um mergulho de profundidade na história e na cultura, e a passagem por incríveis paisagens rurais, onde destacam cidades-monumentos como Arcos de la Frontera e Ronda, encarapitadas nas encostas, com ruas estreitas e românticas.  Arcos é a mais acessível delas a partir de Sevilha, fica a 90 minutos de carro. Ronda é uma das maiores cidades do circuito, também uma das mais espectaculares.

   

                        Nosso roteiro pela Andaluzia começou em Sevilha, onde ficamos três dias revendo uma das cidades mais encantadoras do mundo, que também nos serviu de base para uma viagem de um dia a Córdoba.  O roteiro de Jerez de la Frontera a Ronda contemplou uma noite em Arcos de la Frontera - marcando o início da jornada pelos Pueblos Blancos - e outra em Ronda, ao final do intinerário.  De Ronda fomos a Granada, onde ficamos três dias, encerrando ali nossa viagem à Andaluzia.  

  

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As distâncias de nosso roteiro entre as cidades

                         As pequenas cidades são bastante próximas entre si, conforme indica o quadro de distâncias abaixo. De Sevilha, em direção ao roteiro dos Pueblos Blancos, pela estrada A-4 (que em certo ponto passa a ser N-IV), continuamos até o desvio para a rodovia C-343. Nossa primeira escala foi em Arcos de la Frontera, ótima cidade onde há o Parador de Arcos de la Frontera.

  

                       Após esta seguimos em direção a Ronda, um percurso de num dia que passou por pequenos vilarejos. Em Ronda, há inúmeras opções de hospedagem, a mais notável delas no Parador de Ronda. Se tivéssemos mais tempo faríamos um roteiro cde 3 dias, parando e dormindo em pequenos hotéis em algumas cidades do caminho, também com ótimas opções para comer:

   

1) Jerez de la Frontera a Medina Sidonia: 36,9 Km; 2) Medina Sidonia a Arcos de la Frontera: 37,9 Km; 3) Arcos de la Frontera a Espera: 15,8 Km; 4) Espera (via Villa Martín) a El Bosque: 38,5 Km; 5) El Bosque a Algodonales: 30,1 Km; 6) Algodonales (via  Benaocaz, Villaluenga del Rosario, Olvera e Arriate) a Setenil de las Bodegas: 24,7 Km 7) Setenil de las Bodegas a Ronda (noite): 22,6 Km.

  

                         Neste roteiro, voamos do Rio a Sevilha pela IBERIA (via Madri), ficamos 4 noites em Sevilha, 1 noite em Arcos de la Frontera (a 85 Km de Sevilha), 1 noite em Ronda (a 65 Km de Arcos) 3 noites em Granada (a 175 Km de Ronda).

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Breve nota sobre a arte e arquitetura muçulmanas na Andaluzia

                        A arte muçulmana andaluza foi em parte influenciada por elementos gregos, romanos e cristãos. Uma nova expressão artística, foi especialmente perceptível na decoração de interiores e de monumentos. Como em toda arte decorativa islâmica, há quatro elementos básicos: caligrafia e padrões de vegetais, geométricos e figurativos. Conceitualmente é uma decoração profusa, caracterizada pelo horror vacui - o medo do espaço vazio  A geometria é muito importante no Islã, pois através dela é que determina-se a indivisibilidade de Deus. Nela, a forma perfeita é um círculo. Norma utilizada para criar outras razões. O projeto decorativo é simples: a aplicação dos princípios da simetria repetidamente, multiplicando ou dividindo. É uma arte mais intelectual, matemática, do que emocional, usando trançadaos, sinuosidades, zigue-zagues, xadrez, laços e estrelas.

  

                       Os motivos decorativos são obtidos através da repetição simples de linhas bloqueadas ou de elementos sobrepostos,  simetria que dá aos desenhos um efeito dinâmico e harmonioso.  O detalhe não prevalece sobre o conjunto.  Não há tensão entre os motivos, tudo é um equilíbrio só.  A repetição infinita dos temas é uma metáfora da eternidade que preenche tudo e uma forma de capturar a mutabilidade do universo. Fonte: Elena Sarnago Notivolo, A Decoração na Arte Islâmica: clio.rediris.es.

   

                         Contrariamente à crença popular, o Islã não proíbe a representação de figuras humanas e animais, exceto em locais sagrados, como nas mesquitas.  Por exemplo, os grandes palácios são cobertos por várias cenas de caça em mosaicos e afrescos, os banheiros possuem cenas eróticas e há diversas outras cenas simbólicas.

Fonte: Arte Árabe: www.artehistoria.com

  

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A seguir:

Córdoba e o esplendôr de Al-andalus

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NOTAS

 (*1)  A respeito da cultura muçulmana hispano-arábica, o autor escreveu "Crônica de la Conquista de Granada" (1829) e a versão "História de la Conquista de Granada" (Barcelona, Subirana,1861). Mas a obra mais conhecida desse tema certamente é "The Alhambra: a series of tales and sketches of the Moors and Spaniards", cuja primeira edição o autor dedicou ao pintor inglês David Wilkie, seu amigo e companheiro de uma viagem às antigas cidades espanholas, em particular as cidades de Sevilha e Toledo,  estimulado pelo amigo a escrever algo que pudesse ilustrar as relíquias dos tempos árabes que os faziam recordarem-se dos  contos das "Mil e uma Noites".  Em "Cuentos de la Alhambra" revela-se todo o interesse do autor nos temas islâmicos e na cultura árabe-espanhola, em especial a que se relaciona com o Palácio da Alhambra, antiga moradia da disnastia nazarí e um dos monumentos da arquitetura árabe-hispânica mais bem conservadas de toda a Andaluzia. Através de sua profunda observação e hábil narrativa, o autor transpõe para o texto literário as informações coletadas de suas investigações em arquivos históricos e junto à outros escritores e cronistas da época, sobretudo as lendas coletadas junto aos moradores com os quais conviveu no período em que habitou o palácio.

 (*2)  A Reconquista - ou Conquista cristã - foi o movimento católico ocorrido início no século VIII que visava retomar dos visigodos cristãos das terras perdidas para os árabes durante a invasão da Península Ibérica. Os muçulmanos não conseguiram ocupar a região montanhosa das Astúrias, onde resistiram muitos refugiados; aí surgiria Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados, iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o território perdido. A guerra tinha um objetivo: reapoderarem-se das terras e de tudo o que nelas existia. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: cum cornu et albende de rege, isto é, com o toque das trombetas e a bandeira desfraldada. A ideia de «cruzada» só veio a surgir na época das Cruzadas (1096). A reconquista de todo o território peninsular ocorreu por cerca de oito séculos, só concluída em 1492 com a reconquista do reino muçulmano de Granada pelos Reis Católicos Fernão e Isabel de Castela.

 (*3) Emirado e Califado de Córdoba: Abd el-Rahman III foi o líder sírio que estabeleceu o Califado de al-Andalus. Al-Andalus (em árabe: الأندلس) foi o nome dado à península Ibérica pelos seus conquistadores islâmicos do século VIII, tendo o nome sido utilizado para se referir à península independentemente do território politicamente controlado pelas forças islâmicas. De início integrado na província norte-africana do império omíada, o Al-Andalus seria um emirado (756–929) e posteriormente um califado independente do poder abássida (929–1031). Com a dissolução do califado em 1031, o território pulverizou-se em vários reinos Taifa. Com a reconquista dos territórios pelos cristãos, descendentes dos godos, que se refugiaram na região das Astúrias, no norte da península, num processo que ficou designado historicamente por “Reconquista”, o nome Al-Andalus foi-se adequando ao cada vez menor território sob ocupação árabe-muçulmana, na metade sul da península, aproximadamente a mesma área da antiga província romana Hispânia Bética, cujas fronteiras foram progressivamente empurradas para sul, até à tomada de Granada pelos Reis Católicos. A região ocidental da península era denominada Gharb Al-Andalus ("o ocidente do Al-Andalus") e incluía o atual território português. De uma maneira geral, o Gharb Al-Andalus foi uma região periférica em relação à vida económica, social e cultural do Al-Andalus. No entanto, o maior contingente de muçulmanos na Espanha era de berberes do norte africanos recém-convertidos ao Islã, hostis aos sofisticados burocratas governadores de Damasco. Eram  fundamentalistas religiosos e definiam o padrão das comunidades islâmicas na Espanha. Os árabes da Síria constituíam a aristocracia. 

FONTE: Wikipédia

Reader Comments (7)

Que delícia ver essa viagem aqui, já estava com saudades dela...Não dá para enjoar da Andaluzia, tantos roteiros, cidades encantadoras e vilarejos. Possibilita viagens gostosas, sem preocupações, com lindas paisagens. As nuvens trouxeram chuvas ocasionais, mas também fotos maravilhosas, de deixar de boca aberta.
Um beijo...

15:19 | Unregistered CommenterEmília

Parabéns pelo ótimo relato, tão rico em história e sentimentos...
As fotos nos levam a viajar junto!
Estarei por lá daqui há um mês, e já estou "babando"!!

Obrigada por dividir!

13:57 | Unregistered CommenterFabiola

Fiz esse percurso fins de março. Beleza. Os Pueblos Blancos são fantásticos. Fiz um pernoite em Vejer de La Frontera. Cidade-brincando-de-boneca. Resolvi ir até Tarifa. Roubada. Não recomendo. O resto foi uma delícia. Sevilha é linda, cheia de graça. Cidade simpática. Parabéns pelo texto, belo como sempre.

Oi, Arnaldo! É um prazer ler e ver sua site! Adoro como você descreve e escreve sobre a terra onde meu pai nasceu! (Gracias, me produce una gran emoción leer lo que usted escribe sobre Sevilla, lugar en dónde mi padre nació)

Meu pai nasceu em Sevilha e todos os anos viajamos para Andaluzia. Lembro-me de nossas viagens para Granada, Cádiz para os Pueblos Blancos e especialmente Sevilha. Meu pai amava a sua terra.
Eu adoro especialmente a área do Barrio de Santa Cruz, a Catedral e a Giralda, a Casa de Pilatos, o Palacio de Dueñas, o Museu de Bellas Artes (com a melhor obra do pintor Murillo) e os Reales Alcázares.

Quando era menina eu fiquei muito impressionada com as pinturas de Juan Valdés "Finis gloriae mundi" e "In ictu oculi" que se pode ver em o magnífico Hospital de la Caridad.

Lembro-me de passear ao redor da área do Guadalquivir e olhar a Torre del Oro. Os barcos que passam por lá. Lembro-me do "pescaíto frito" e muitas outras coisas que me comovem, porque me levam diretamente à minha infância.

Parabéns pelo texto e as fotos!

14:28 | Unregistered CommenterCarmen

Ola, primeiramente muito parabéns pelo blog! O relato de Andaluzia está maravilhoso! Gostaria de saber se tem indicações para hotel em RONDA, que seja confortável mas com preço bom. Obrigada

19:33 | Unregistered Commenterpatricia

Gostaria de saber de onde é a foto acima de um ambiente interno com as janelas das portas abertas.

6:12 | Unregistered Commenterannelise

Escrita impecável e lindas fotos.
Parabéns

22:39 | Unregistered CommenterCassi

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