CONHEÇA O AUTOR

          

         Depois de estabelecer-se na Internet desde 1999 escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema e, depois, em 2006, ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - foi convidado a colaborar com matérias suas publicadas na Revista Viagem & Turismo (Editora Abril). Agora, Arnaldo prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando na literatura com um livro encantador que, segundo o autor, é o primeiro de uma série.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui neste blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de uma conversa com o leitor, baseada na informalidade, no livro misturo traços desta coloquialidade e informalidade com uma escrita literária, sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que - de certa forma e por outro lado- é outra maneira de me expressar sobre minhas viagens, transmitindo sem fantasias o mundo que vejo - como ele é, não como o imaginava -, ainda que a leitura revele expectativas muitas vezes não confirmadas sobre o destino. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, ‘Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro’.  A partir deste primeiro livro, considero esta uma nova fase na minha vida."

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo Trindade Affonso é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti 2013 na categoria Reportagens

Ronize Aline:

            "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária e crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista passou pelas redações das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

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Quarta-feira
Abr042012

KATMANDU, Nepal - O velho esquecido

   

 Vida cotidiana em Bhaktapur e Katmandu

                        SERENDIPTY não é apenas a palavra mais difícil de traduzir, também é a mais bonita e romântica da lingua inglesa. Demonstra como nenhuma que todo idioma tem suas dificuldades. E que algumas palavras simplesmente não encontram correspondência noutras linguas. Serendipity é uma delas: não há um sinônimo, sua definição é quase poética, mais do que uma palavra, uma expressão, um sentimento. Explicá-la significa dizer que equivale à imensa alegria que sentimos quando encontramos algo tão inesperado quanto fabuloso, exatamente porque não o estávamos procurando.

 

 A Durbar Square de Bhaktapur

                        Felizmente a tal "serendipiticidade" tem me ocorrido com alguma freqüência, talvez mais notável depois que conheci seu significado. A mais surpreendente das vezes que me ocorreu o "acaso auspicioso", conheci minha doce Emília. Hoje, novamente, serendipity me aconteceu enquanto lia “A arte de viajar”, de Alain de Botton. E desta vez me salvou de um conflito ao escrever sobre Katmandu, Capital da distante terra do Nepal.

  

                       HÁ dias vinha tentando encontrar um caminho para descrever minhas impressões sobre Katmandu. Todas sem sucesso. Chegara a abandonar a intenção, mesmo que tivesse o destino enorme potencial. A despeito de seu poder de impulsionar mentes e estimular escritores, a dificuldade morava em mim, nada mais do que uma entre as tantas peças que escrever me prega: como dizer responsavelmente ao leitor que não gostei de Katmandu?

                       COMO fazer isso sem influenciá-lo negativamente? Seria possível transmitir-lhe opinião desfavorável sem contudo depreciar o destino? Como dizer ao leitor que não gostei de uma cidade, mesmo que seu patrimônio seja tão espetacular que a humanidade não poderia prescindir? "Inigualável", "incomparável" e "personalíssima" eram apenas três dos adjetivos que eu tentava selecionar para definir o lado positivo da Durbar Square. O outro lado da moeda, na velha Katmandu, não era nem tanto seu lastimável estado de conservação, mas o pior de todos os desleixos que pode lhe reservar o nepalês: a falta de valor. O desvalor que ele dá ao seu patrimônio arquitetônico.

  

                        EU me perguntava: “Que utilidade pode ter um blog que influencia negativamente seu leitor, assim ao ponto de desmotivá-lo?” Sobretudo com tão pouca informação disponível sobe o destino? Não consigo encontrar vantagem em transmitir opinião que de ante-mão eu saiba induzirá à desmotivação. Seria um preço muito alto a pagar o leitor que entra aqui esperando encontrar inspiração, mas esbarrar com tal leviandade.  Eu temo leviandades, todos sabem. Elas e as banalidades e superficialidades que abundam na Internet. Nada me desagrada tanto quanto demolir o desejo de um leitor em conhecer um lugar. Que dirá Katmandu!

  

                        VIAGENS são as parteiras do pensamento, dizia Alain de Botton na minha leitura de A arte de viajar. Longe de ser um guia turístico, o livro é um tratado sobre viagens. É filosófico, mas compreensível. Nele de Botton diz que Se nossa vida fosse dominada pela busca da felicidade, talvez poucas atividades fossem tão reveladoras dessa dinâmica quanto nossas viagens. A frase me bateu como uma faísca cerebral, desencadeou deliciosas reflexões, quase umas tormentas cerebrais. Não sem motivo: viajar, ler, escrever e fotografar tem sido o que me proporciona as melhores recompensas no lazer. Viajar, especialmente para destinos exóticos e incomuns - tal qual Índia e Nepal - tem me ensejado maravilhosas experiências de vida, prazeres bem mais além do que mundanos. Ler - pré-requisito inevitável ao bom viajante - remunera ainda mais quando é à luz dos que brilham na arte de fazê-lo bem.

  

                        POIS foi lendo os livros “A arte de viajar” e “Três cidades perto do céu - Srinagar, Rishikesh, Katmandu” - de Luciana Tomasi, um divertido, bem humorado relato de viagem à Índia e ao Nepal - onde encontrei o caminho para vencer as dificuldades de escrever sobre Katmandu. Os dois títulos foram, à sua ordem, minha “serendipiticidade”, o “feliz acidente”, a “agradável surpresa”, o “encontro acidental” que fez a diferença, tornou o “encontro casual” algo pra lá de bom e útil. No divertido livro da autora brasileira, daquelas três cidades que visitou, amou as duas primeiras e detestou a última, precisamente Katmandu. Eu o li antes de viajar. E ainda que me acendesse a luz amarela de atenção, me fazer reduzir expectativas até então elevadas, todavia opiniões contrárias costumam ter um efeito contrário em mim: em vez de afastar, atraem.

 

                      Opiniões negativas curiosamente funcionam como um estranha compulsão em conhecer aquilo que outros não gostaram. Eu preciso ter minha própria conclusão, afinal, já não me surpreendo ao gostar muito daquilo que os outros detestaram.  Freqüentemente o “não-gostar” de outros me prepara para que eu goste. Tem sido assim. E foi precisamente este o motivo de minha hesitação em escrever sobre Katmandu.  Sempre o que mais desejo transmitir ao leitor sobre um destino, seja qual for minha impressão, é  “Não acredite piamente no que eu escrevo. Vá em frente com seu desejo, confira com seus próprios olhos, viva a sua experiência e conclua tudo com suas legítimas e próprias opiniões!.

  

                      CONSIDERO meus leitores seletivos, diferenciados, exigentes, experientes. Ou, como se diz na gíria, "safos". Noto que eles reconhecem que boa parte do que se lê na Internet é fértil em injustiças, exageros, egocentrismos e esnobismos. , a tônica dos que escrevem amadoristicamente sobre destinos turísticos: sobram opiniões superficiais, inconseqüentes, primitivas e até mesmo toscas. São um verdadeiro desserviço turístico quando abusam de afirmações egocêntricas e herméticas, tais como "Não vá!" (como se dissesse "porque eu não gostei!").  No lado oposto estão as sugestões ponderadas,  as que mais aprecio e valorizo, do tipo "Vá sim, mas...". São as maior valor, que melhor preparam o leitor, que o induze a ir ao encontro, a tere sua (dele) própria opinião, ainda que eventualmente igual.

 

                        E então, afinal, como ficamos? Como dizer que não gostei de Katmandu?  

                        MINHA primeira tentativa foi tentar sair “pela esquerda”, atenuando minha irritação com o que vi, dizer algo como “não gostei mais ou menos", mas, convenhamos, não dá pra dizer algo tão ruim assim. Pensei então em definir um “não-gostei” menos concreto ou efetivo.  Pensei "Que tal dizer que não gostei “conceitualmente”?  Por certo uma invencionice, no mínimo falta de opinião e coragem de assumir posição, desisti prontamente ao imaginar que o leitor acreditaria que caí na esparrela do twitter e passei a definir tudo superficialmente, só porque é moda.  Como não estou a fim de demolir minha credibilidade construída a duras penas e confiança do leitor, digo que mesmo um escritor medíocre como eu precisa ter opinião e se posicionar, especialmente quando se trata de “prazer” e “desgosto”, ou de “amor e ódio” em relação a um destino.

 

                       Devemos ir ou não a um destino que desejamos porque alguém teve impressão contrária à nossa?  Foi Alain de Botton que me fez compreender que nem todas as respostas às nossas dúvidas alcançamos ficando em casa: é preciso viajar, ir ao destino: "Estamos familiarizados com a idéia de que em viagens nossa realidade não corresponde às nossas expectativas." Bingo!

   

                        POR que então, mesmo presenciando exemplos tão fabulosos de patrimônio arquitetônico nas praças Durbar de Katmandu e Baktapur não gostei do que vi? Simplesmente porque há destinos que ao exercerem uma atração quase sobrenatural, também desencadeiam fortes expectativas. Ainda que perigoso, é uma verdade. Foi assim com a Índia. Só que ali, desde o primeiro encontro, ela tornou-se o melhor de todos os destinos que já visitei. Katmandu, todavia, exigirá mais de meu tempo, sobretudo para não ser injusto. Esse tempo ainda não passou o bastante para que eu aceite o estado deplorável de seus notáveis templos e palácios, o pouco caso que nosso guia fez ao ser perguntado porque tratam aquilo daquele jeito. Sua resposta sonsa, foi me perguntar tempos depois se eu estava menos "nervoso". Para não mandá-lo tomar chai no meio do Everest, assumi que sim, "estou mais tranquilo".

  

                       AINDA que em viagens meu olhar sempre esteja mais complacente, receptivo, simples e doce, não consegui “engolir” Katmandu. Desceu mal. Ficou um gosto amargo. Não digeri o futuro incerto que o tempo, descaso, sujeira e pombos costumam reservar a patrimônios tão antigos e frágeis. Não me reconciliei com Katmandu. Tão logo comecei a escrever, a rever fotos, a ler anotações, só resgatei melancolia. A mesma que senti presenciando algo tão magnífico quanto deprimentemente desleixado. Saí do Nepal como se tivesse visitado um velho pobre e doente. Deixei o país profundamente irritado com o fato do velho ter sido largado, esquecido, desvalorizado que é. Triste ao olhar pra ele e perceber que não resistirá muito. A poluição visual esconde a herança espetacular, a sujeira de pombos corrói as pedras, madeiras e o metal. Mas ninguém acredita que sejam seus templos e palácios o maior patrimônio do país, senão o Everest.

  

                       ARDE no estômago a história de sofrimento que elvolve o Kumari Bahal, uma das atrações de Katmandu. A “Casa da Deusa Viva” há séculos abriga menina-deusa, eleita aos 4 anos, sob métodos e critérios de seleção esdrúxulos. A crendice estabelece que o status divino terá duração definida: apenas até a puberdade, quando os “flúidos impuros” da primeira menstruação lhe roubarão a condição de deusa. Desqualificada, a então mulher ex-deusa voltará pra casa, a mesma de onde foi retirada na infância, a contragosto. Não sem muito trabalho a nova seleção de candidatas a deusas se iniciará obedecendo a um roteiro de esquisitas ações.  

 

                       FOI preciso retornar, reler anotações e concluir a leitura de Kathmandu Valley, de Robert & Linda Fleming (*) a fim de reordenar os pensamentos, aplacar a indignação, acalmar os ânimos e reaver minha vontade de escrever sobre Katmandu. Escritores, poetas e historiadores não se cansam de elogiar este notável espaço urbano e seus inúmeros monumentos, todavia cobertos de sujeira e fezes de pombos, de ervas daninhas nos telhados e fendas, tudo com lastimável aparência. Mesmo com toda a sua originalidade, imponência e personalidade arquitetônica, é tudo “quase-feio”, fruto da desordem urbana e civil, da falta institucional de peocupação com sua manutenção e do apreço de seu povo pelo patrimônio. Foi por esta falta de amor que “não gostei” de Katmandu. Ao menos conceitualmente.

    

                        Grande abraço, leitor. E não deixe de ir a Katmandu!

_______________________

(*)  O curioso processo de seleção e escolha das candidata a deusas é rigoroso. A escolhida, acredita-se, é a encarnação da Deusa Taleju, versão nepalesa da deusa Durga indiana. Será deusa até sua primeira menstruação, doença grave ou perda de sangue proveniente de alguma lesão. A atual deusa foi escolhida aos quatro, em outubro de 2008. Para ser reconhecida como deusa a menina deve vir de uma família budista, além de cumprir outos quatro critérios, entre eles ter um corpo impecável e sem marcas, um rosto perfeito com características e critérios “técnicos” insondáveis de avaliação. Em terceiro lugar são dados a ela um conjunto de objetos bem semelhantes ente si a fim de que ela aponte um que tenha sido usado pela última deusa. Finalmente, as jovens candidatas permanecem numa câmara fechada para que passem uma noite com os restos de 108 búfalos decapitados. A criança que não chorar ou demonstrar medo será escolhida como deusa. Uma vez selecionada a menina é removida da sua família e levada para a casa de Durbar Square, onde viverá na clausura e será cuidada por uma família de sacerdotes, que acreditam que assim que ela derrame qualquer sangue, a deusa deixará seu corpo. Normalmente as meninas são cercadas de cuidados até atingirem a puberdade, quando nenhum cuidado as impedirá de menstruarem. Embora privilegiada a vida, depois que deixam de ser deusas, tornam-se infelizes, porque é raro encontrarem um homem disposto a se casarem com uma ex-deusa.

_______________________

“A arte de viajar” - Alain de Botton - Editora Rocco - ISBN 85-325-1578-9

“Três cidades perto do céu - Srinagar, Rishikesh, Katmandu - Luciana Tomasi (Editora Artes e Ofícios) - ISBN: 978-85-7421-192-3

“Kathmandu Valley” - Robert & Linda Fleming - Allied Publishers - ISBN 0-87011-328-3

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A seguir

A Katmandu no Século 21

Reader Comments (11)

Katmandu requer mesmo muita ponderação: você, na escrita do seu post, e eu, neste momento, para tecer esse comentário. Para mim foi difícil admitir que a cidade não me tocou: nos preparamos, nos deslocamos, criamos expectativas, investimos no destino - a nossa predisposição é sempre gostar. Em primeiro lugar, viemos de Varanasi, um lugar cheio de personalidade e vida para chegar a um destino morno, um patrimônio da humanidade parecendo abandonado, um povo indiferente: a comparação é inevitável e aumenta a percepção que já existiria em relação à cidade.
Não vou dizer que não gostei, afinal é difícil conhecer a Durbar Square e não ficar embasbacado: é linda e única. Mas o desleixo corta o coração: como não seria fantástico se fosse um sítio estruturado e bem-cuidado? Quanto tempo ainda as esculturas de madeira aguentarão?
Mas ainda devo dizer que adorei Bhaktapur e que só ela já valeu a viagem ao Nepal...junto com o emocionante vôo para ver o Everest.
Beijo, meu querido.

13:26 | Unregistered CommenterEmília

Algumas cidades aqui no Brasil me causam essa sensação, o que poderia ser belo, é simplesmente um lixo, por falta de cuidado das pessoas, dos governantes. O sentimento é de que ninguém tem amor ao lugar, mas todo cuidado é pouco, quando a gente faz uma crítica, os plantonistas já estão com sete pedras na mão. Algumas cidades ilustram bem a diferença do velho e antigo, o velho sempre jogado, deixado de lado, o antigo tem seu valor e é cuidado.
Outra coisa que me entristece e não consigo entender: como nossas cidades podem ser tão pichadas, acho que são as campeãs nesse quesito, lamentável.

15:39 | Unregistered CommenterRosa

Serendipty, perguntei a meu marido, que é ingles, sobre essa palavra, ele não conhecia e gostou de aprender. Minha filha conhecia a palavra mas não conhece o Nepal. Eu conheço o Nepal e acho que você tem toda razão, eu também senti quase dor em ver os templos e lugares tão descuidados mas gostei de Kathmandu. No Thamel, bairro de Kathmandu, curti o movimento dos alpinistas e dos grupos que fazem trekking se preparando, as massagens, o artesanato e o povo.
Gosto muito dos seus textos, fotos e estou sempre aprendendo com seu blog.

19:43 | Unregistered CommenterElizabeth

Bom dia.
Trabalho em uma empresa de aluguel de apartamentos para temporada chamada Local Nomad, com sede em Barcelona. Gostaria de entrar em contato com o editor do blog para fazer uma proposta, mas nao encontrei um email para o qual pudesse escrever. Fico no aguardo de um retorno no endereço maria.l@localnomad.com Obrigada.

Visitei. Comento depois.

23:21 | Unregistered CommenterPapa Jojoy

Boas
Visitei com esposa e filha de 19 anos Katmandu, Patan, Baktapur e Nagarkot por 4 dias em Março de 2008.
Recordo-me perfeitamente de ter feito a mesma pergunta ao nosso guia de 1 dia, o David (Inglesismo do seu nome tibetano, pois tratava-se de um descente de um médico ayurveda refugiado do Tibete aquando da ocupação pelos Chineses), pessoa culta, em como era possível deixar os templos e monumentos atingirem aquele grau de degradação bem como, porque os agentes do turismo não faziam pressão para controlar a proliferação de pombos e de motos nas zonas históricas. Com a mesma indiferença respondeu-me que ali as pessoas já estavam habituadas, logo era-lhes indiferente.Ou seja, o ponto passou-lhe ao lado.
Mais tarde compreendi em parte porque; Como budistas, eles adaptam-se a tudo e está fora de questão fazer mal ao pombos ainda que o remédio para estes não fosse mais que fazer o controle de natalidade como se faz por exemplo em Lisboa de há uns anos a esta parte.
Pior que tudo, decorriam eleições, e havia cartazes espalhados por todo o lado, sem qualquer respeito pelos monumentos, bem como paredes de edifícios antigos vandalisados com grafites políticos.
Para agravar tudo, durante um dos passeios por Katmandu, no meio do frenesim das ruas, uma moto machucou seriamente uma mão da minha esposa, foi a gota de água.

Mas... espero lá voltar.
Tenho pena que as actuais gerações "tenham nozes e não tenham dentes".

Este é dos melhores blogs de viagens que tenho encontrado nas minhas andanças. Gosto das fotos, mas aprecio muito mais a escrita. Vê-se que é genuíno nas apreciações e que tem uma veia altruísta nos conselhos que dá.

Convido-o a ver as minhas fotos em worldphototravel.blogspot.com
Pense seriamente num passeio a Moçambique, minha terra. Fico ansioso pela sua apreciação, sincera como sempre. Veja algumas fotos no meu modestíssimo blog.

Um abraço
carlos martins

Olá, fui por um acaso que descobri este blog o qual gosto imenso, a descrição com uma leitura fluída e real, também já fui ao Nepal e Tibete em 1997 tendo uma opinião ligeiramente mais leve sobre a conservação dos monumentos á época,recordo que em Patan decorriam obras pelo património da UNESCO adorei a arquitectura sobretudo o rendilhado de madeira tudo manual sem recorrer a máquinas, verdadeiros artistas pena é que não preservem as maravilhas de que são donos e que lhes darão frutos para o futuro pois também a sujeira é muita pelo que vi nas fotos, as quais estão muito boas. obrigada por me ajudar a reviver de novo a minha viagem. Isabel

Olá ao autor do blog e demais leitores...

Primeiramente também quero expressar meu profundo apreço por tudo que escreve sobre os destinos visitados... impecavelmente você procura ser justo e jamais leviano nas colocações!

Visitei o Nepal há apenas 3 meses e, parte do que descreveu também foi a mesma sensação que tive...

Refletindo um pouco "com meus botões" penso que o Nepal por si só gera muita expectativa em todas as pessoas ... tanta que torna-se um "balde de água fria" o descaso com tão "magico" país...

Achei a cidade de Kathmandu bem suja e largada sim porém Patan não estava em minhas expectativas então causou-me agradavel surpresa toda aquela arquitetura tão singular e única.

Contudo como visitei esse pequeno país por apenas 4 dias preciso de mais tempo para "degustá-lo apropriadamente", preciso de mais visitas.

Talvez parte da "energia pesada" desse local decorra de estranhas praticas hindus (que em nada se parecem com o hinduismo puro da India, sem sangue e sacrifícios de animais...) ... fato é ... por exemplo, que eu não gostei particularmente de Patshupati (local sagrado do hinduismo deles) ao lado de um necrotério e com ar tão pesado e estranho.

Aqueles "sadhus" considerados tão santos para eles mais me parecem feiticeiros de uma antiga seita Bhon-po banida no sec, XIV por Tsong-Kapha justamente por se confundir com as sagradas praticas do budismo tibetano.

Enfim, algo de estranho acontece por lá e isso se traduz nas impressões que temos, nos impactos que absorvemos e em outras sensações que são difíceis de colocarmos em palavras.

Um grande abraço a todos!

Prezada Katia, para além de um comentário dos mais bacanas que já recebi na história deste blog, ele veio bem a calhar: estou escrevendo sobre Pashupati e novamente "mergulhado" sobre o que foi nossa visita ao lugar, sobretudo a impressão de que estávamos num "com ar tão pesado e estranho". E felizmente eu já sabia que os sadhus ali não são verdadeiros.

Especialmente grato por perceber o cuidado com "procurar ser justo e jamais leviano nas colocações".

Um grande abraço!

Prezado Arnaldo,

Obrigada por suas palavras e gentileza. Uma honra para mim.

Vindo de pessoas sábias e experientes como você (nota-se, isto não é um mero elogio!) tornam-se referências sábias à minhas buscas e pesquisas!

Mais uma vez digo: gratidão!

Um grande abraço a todos!

KD

Katia, novamente agradeço. Fico orgulhoso, claro, com os elogios. Uns eu até humildemente reconheço o merecimento (ser justo, jamais leviano, experiente, escrever com alma, tocar o coração...), mas outros não, sinceramente. Ainda que me envaideça, todavia, "sábio" estou longe de ser!

De toda maneira, muito grato pela audiência e pelos comentários. Apareça sempre

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