CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Quinta-feira
Jul192012

MALTA - Três ilhas, muitos tesouros 

 

 Verdadeira estrela turística do Velho Mundo, Malta ainda é quase um segredo

                      NÃO há nada que me empolgue mais como viajante do que presenciar brasileiros vivendo seu “Século das Viagens”. Me agrada muito vê-los viajando como nunca, em grupos, sós, a dois, em excursões ou por conta própria, de navio, trem ou avião, enfim, a seu jeito e segundo suas possibilidades. Percebo cada vez mais sua presença e isso me alegra muito. Nesta viagem à Sicília e Roma - com uma esticada a  Malta - , encontrei tantos brasileiros em Roma quanto só havia presenciado em Orlando, Miami ou Nova York. Que máximo! 

 

Curiosa, incomum, bonita, quente, calorosa, simpática, exóticoa, segura, atraente, confortável...

                   TODAVIA, mesmo sendo a hora dos brasileiros viajarem, ainda há muitos lugares no mundo aparentemente muito distantes, remotos e exóticos para eles. É compreensível. Afinal, há muito pouco estamos exercendo nosso legítimo, saudável direito de viajar em massa. Espero viver a época em que seremos um povo de grandes viajantes, notadamente como os europeus, mais especialmente como os franceses. Entretanto, ainda há destinos tão próximos e com tamanho potencial turístico, tão inesperadamente atraentes, que me surpreendo ainda não atraí-los.

 

  Monocromatismo brilhante, arquitetura curiosa... 

 

                   MALTA é um deles. Uma verdadeira estrela turística do Velho Mundo, no entanto uma quase desconhecida dos brasileiros no Mediterrâneo, mesmo estando tão perto de Roma. Nesta curta matéria do Fatos & Fotos de Viagens espero que os leitores percebam os motivos que sobram para visitarem Malta, um lugar a pensar, tão precioso para uma escapada quanto para umas férias prolongadas.

 

  

  Valletta, Vitoriosa, Conspicua e Senglea

_________________________________

 

MALTA, quase um segredo. 

                        PARECE um casulo. Tão bem guardado que mesmo seu enorme potencial turístico ainda não atraiu os brasileiros. E não pense que os tesouros deste país-arquipélago ficam apenas no mar, incrivelmente cristalino, azul e quente. O mar serve primeiro para quebrar a aparente austeridade da ilha, revelada em suas fachadas monocromáticas e imponentes, quase intimidadoras. Monocromatismo brilhante, todavia. Ainda que aparentemente áspero. Só depois o mar se revela uma atração a explorar.

 

 

Valletta

                        E as atrações vão mesmo muito além, excedem-se nas influências externas que moldaram sua incrível personalidade, no seu caráter tão único, na sua face tão extraordinária e curiosa, no resultado de séculos de influências e intervenções de variadas raças e culturas, como a grega, a semita, latina e árabe a moldarem povo e cultura. Tudo temperado com uma pitada anglo-saxã.

As Três Cidades, vistas do mirante do Upper Barakka Gardens, Valletta

                       Essa rica diversidade revela-se já no tipo físico maltês, de cujo sangue árabe e siciliano o povo herdou o jeito ardente de conversar e gesticular, e do britânico uma calma e discilina notáveis, sobretudo no trânsito. O idioma aparenta ser 85% arábico, mas nem seria preciso mencioná-lo para caracterizar sua personalidade tão exótica e exemplar. De origem púnica, o idioma é uma fusão de dialetos árabes tunisianos com o inglês e o italiano, provavelmente incorporando algo de todos os idiomas que já se falaram por ali.

 

Valletta e o onipresente Mar Mediterrâneo 

 

                        Em poucos lugares do mundo há tanta concentração atrações históricas e culturais tão significativas num espeço tão pequeno. Este parece ser o maior benefício de Malta: o turismo é sua única saída e não seria exagero afirmar, sua fonte de renda indispensável á sobrevivência. Malta é toda uma surpresa só: geografia diferente, relevo diferente, beleza diferente, povo, cultura e tudo mais incrivelmente próprios e sem paralelos. Além de tudo é descontraída, é quente, calorosa, cheia de história e atrações. Tudo isso tão “encostado” na Sicília e a meio caminho do Oriente Médio que, volto a dizer, não pude deixar de me surpreender não ter encontrado sequer uma alma brasileira, só raríssimas referências a eles. Malta, portanto, ainda é um destino quase obscuro para nós.

 

 

Comino, entre Malta e Gozo (ao fundo) 

 

                        A cor do mar é comum ao Mediterrâneo. Belíssima, quero dizer. Varia entre o azul-turquesa e o verde-esmeralda, mas sua melhor propriedade é acompanhar o visitante por quase todo o tempo, onde quer que passe. O ar, a claridade, o clima, a luminosidade e especialmente seus contrastes com os tons das construções são muito particulares. O conjunto é sempre um espetáculo. Por tudo isso e muito mais Malta é um destino extremamente recomendável para brasileiros. Curioso, incomum, bonito, quente, caloroso, simpático, exótico, seguro, atraente, confortável, enfim, sobram adjetivos para classificá-lo.

 

   A cor do mar e a transparência comuns ao Mediterrâneo

 

                        Para começar a exploração turística de Malta, a capital - Valletta - parece óbvia. E tem mesmo a maior concentração de atrações que começam já nas portas da cidade, onde se chega à Republic Street, a principal, que conduz a ruas laterais e caminhos para diversos monumentos históricos.  As influências estão em tudo, do comportamento à cultura, da arquitetura à culinária.

 

  

 

                        Por toda a ilha, uma farta exibição de seus  efeitos, seja nas fachadas das igrejas e palácios medievais e barrocos, seja nas principais cidades antigas ou nas pequenas vilas do interior. Mas é na St John’s Co-Cathedral, em Valletta, uma das igrejas mais incríveis do mundo, que o período dos Cavaleiros de Malta mostra-se em melhor plenitude. Poder e glória a serviço da religião, cujo legado histórico é impressionante.

 

Mdina, misteriosa, encantadora 

 

Uma incrível, exclusiva identidade

                        A cada nova esquina, a cada nova paisagem me surpreendia com as associações que minha memória visual fazia de Malta com e outros destinos. Com freqüência eu relacionava o que via com a Espanha moura, com Alexandria, com a Índia, com Damasco ou Amã, com o Marrocos, com uma Vila italiana, uma cidade medieval na Provence, com Verona de Romeu e Julieta e suas sacadas, todavia com muita personalidade, uma incrível e exclusiva identidade. Malta é fotográfica, fotogênica, um parque de diversões para amantes da fotografia de arquitetura, detalhes e paisagens.

 

  

 

                       Em Mdina - a capital original de Malta - a 20 minutos de carro de Valletta, é possível sentirem-se os ares vindos do norte africano: ainda que remonte à época romana, foram os árabes que a influenciaram, e não é difícil imaginar-se numa medina de Marrakech ao percorrer suas estreitas ruas. Como tudo em Malta, há muitas evidências culturais vizinhas, nas casas de inspiração espanhola andaluza, nos palácios italianos, no fosso seco e nas ruas estreitas ladeadas por edifícios de arenito, tudo o que torna uma visita a Malta, especialmente a Mdina, um retorno no tempo.

 

 

 St John’s Co-Cathedral, em Valletta, uma das igrejas mais incríveis do mundo

  

 

                        São os ventos Scirocco que marcam o quentíssimo Verão de Malta, ainda que os Cavaleiros Templários estejam por toda parte, registrados na face arquitetônica mais evidente do país, as fortalezas, auberges, muralhas e bastiões de personalíssimo desenho. O conjunto resulta numa incrível e complexa cultura, uma lingua incomprensível, costumes únicos e uma antiquíssima história de sucessivas ocupações que vão à pré-História, tudo felizmente aparentemente intacto e bem preservado. Não bastasse tanto patrimônio cultural e arquitetônico, tantas e tão distintas influências, Malta está cercado pelo fabuloso Mar Mediterrâneo, de impressionante transparência e tonalidade.

 

 

Olhando Malta desde Valletta  

 

                        É especialmente por suas enormes riquezas históricas que Malta deve ser visitada, por tudo o que molda o caráter marinho e peculiar deste país-arquipélado formado por Malta, Gozo e Comino, além das minúsculas Cominotto e Filfla. Malta é surpreendente. É atraente, cativante. Comparável em exotismo a muitos destinos norte-africanos ou asiáticos, definitivamente não há outro lugar como Malta, ainda que um olhar experiente encontre muitas similaridades com outros destinos.

 

 Valletta, como toda a ilha, um paraíso fotográfico arquitetônico

  

                        Em Malta tudo é feito na pedra calcárea de monocromático ocre. Construída em torno de uma geografia intricada e recortada, de uma desconcertante profusão de enseadas, a Ordem de São João, no século XVI levantou imponentes fortificações e bastiões de pedra calcária. A monumentalidade impressiona esplêndidamente. Ainda mais ao entardecer, quando a ‘luz perfeita” dos fotógrafos acentua toda a beleza, quando o Sol encontra seu ponto ideal para refletir a própria cor. O ocre calcáreo e monocromático é um espelho perfeito nas imponentes fachadas e muralhas grandiosas das cidades de Valletta, Vitoriosa, Conspicua e Senglea.

  

 Senglea, uma das Três Cidades

 

                        Estas encantadoras cidades velhas tem ladeiras e ruas estreitas, uma estética e vida tão peculiares quanto exóticas, o que torna passear por elas um dos maiores prazeres. O Mar não nos deixa, é um fato. Mas é o antigo que nos acompanha todo o tempo, que reforça o forte senso histórico que nos segue os passos. O que aconteceu há séculos está presente em cada pedra, em cada esquina, em cada rua estreita, em cada muxarabi. Tudo parece esconder os muitos eventos de bravura e conquistas, onde abriga-se um vasto conjunto de história que nem mesmo um maltês parece conhecê-la.

 

   

 Mdina 

 

                       Viajar a Malta em Julho pode ser um pouco desconfortável. O Verão maltês de 40 graus, 15% de humidade relativa do ar e pouca sombra nos acompanha todo o tempo, mas não há dúvida ao fim do dia esticado na piscina de algum hotel, que o Verão é a melhor estação do ano para se visitar a ilha. Ou, então, nos desperta um forte desejo de embarcarmos num dos veleiros, iates, lanchas ou mesmo nas simples e simpáticas embarcações de pesca. São incontáveis, dos mais variados estilos e padrões, dos mais simples aos muitos privilegiados iates de 85 pés. Como o Sol, elas são onipresentes, avistam-se sempre que estamos diante do mar, o que afortunadamente ocorre tantas vezes que num mesmo dia. 

 

 

 Upper Barrakka Gardens, em Valletta

  

                        De qualquer viagem volta-se enriquecido, mais completo no conteúdo histórico, no conhecimento humano, cultural e social. Não poderia ser diferente com Malta. Todavia, ela nos proporciona um adicional: a vantagem de termos passado uns dias sobre um enorme abrigo histórico, sob o especialíssimo clima mediterrâneo, presenciando 7200 anos de história, ainda que tão escassos sejam os quilômetros quadrados de território. Continuamente habitada desde 5200 a.C., no período Neolítico, tempos depois da civilização pré-histórica os fenícios a batizaram de Malat, ou “refúgio seguro”. Sua história pode ser resumida em três períodos importantes: o da ocupação árabe, entre os anos 870 e 1090; o da chegada da Ordem dos Cavaleiros de São João (mais tarde, Cavaleiros de Malta), em 1530 até 1798; o do período britânico, desde 1801 até 1964, quando Malta tornou-se independente. Todas essas civilizações impunham suas influências, a tal ponto que ao fim das diferentes e sucessivas ocupações Malta tornou-se um país incomparável na geografia, na cultura, na arquitetura e na comida.

 

A Baía de Vitoriosa e Senglea, com Valletta ao fundo 

 

___________________________________

Conhecendo Malta

                        É Julho em Malta, as temperaturas situam-se entre os 38 e os 21 graus. Chuva? Zero! Chegamos a pegar temperatura de 46 graus e humidade relativa de 14%. Valletta é a Capital de Malta, ainda que a maior cidade seja Birkirkara. Seu nome honra o grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros de Malta, Jean Parisot de la Vallette. Geograficamente, a cidade é uma península. Fortificada, extende-se em cada lado até os portos de Marsamxett e Grand Harbour.

                        Uma das mais particulares características é que Valleta fica elevada, e por isso há numerosos mirantes de onde se apreciam diferentes e belas vistas panorâmicas da ilha. Dentre tantos, destaco as Upper Baraka Gardens, do outro lado da baía, um jardim público de onde se tem uma visão privilegiada do Grand Harbour e das cidades fortificadas de Vitoriosa, Copiscua e Senglea. Nós as visitamos, e ainda que não sejam tão turísticas, foi uma experiência inesquecível passearmos por suas ruas residenciais, experimentarmos a vida cotidiana maltesa e conhecermos alguns dos primeiros albergues dos Cavaleiros de Malta, isto é, a área mais antiga daquela época.

 

 

Em Malta, como aqui em Mdina, as vistas são sempre surpreendentes 

 

                        As vistas são surpreendentes. E belas. São para as baías que banham a península. Mas há muito mais o que ver em Valletta. Começa-se pela Estação de Ônibus, uma grande rotunda com a Triton Fountain no centro. É também o ponto de partida para quem pega o transporte para toda a ilha. Não fica própriamente em Valletta, mas fora do Portão da Cidade, isto é, antes de seus muros, em Floriana. O portão é entrada principal através dos muros que protegiam Valletta.

 

  

Senglea, Malta 

 

                       Uma boa vista do grande fosso que circunda a muralha pode ser da ponte que leva ao portão, construído em 1853 pelos britânicos e reformado em 1964. Há quiosques de informações sobre as diversas linhas de ônibus e quiosques de bebidas e comida neste ponto cental dos ônibus. Num dos pontos da praça fica o Hotel Phonenicia, extremamente icônico e decadente. Infelizmente já não há mais os antigos e curiosos ônibus de Malta, que tive o prazer de conhecer e usar em minha primeira viagem à ilha. Hoje são modernos e refrigerados, mas infelizmente sem nada que lembre o charme e a curiosidade dos antigos, uma de suas mais simpáticas e curiosas atrações turísticas. A frota de ônibus vintage, comprados dos ingleses depois da segunda guerra, foi inteiramente substituída por modelos mais modernos e eficientes, fabricados onde? Como os tempos mudam, não mais na Inglaterra, mas na China!

 

 

  Sem o charme dos ônibus ingleses vintage, os novos todavia são bem mais eficientes

                        Valletta, além da exótica e personalíssima arquitetura, tem na arquitetura belíssima, de formas retilíneas, de cor ocre, nos faz lembrar da outra margem do Mediterrâneo, a costa árabe da África. Construídas em calcário, a rocha abundante no arquipélago, por vezes é possivel um olhar atento notar fósseis marinhos incrustrados nelas. Vista de qualquer um dos mirantes de Valletta a paisagem revela um conjunto arquitetônico incomum, quase insólito. Há tantas cúpulas sobressaindo-se entre muralhas e edifícios baixos, sobrados e casas, que a imensa religiosidade maltesa fica definida. Dizem que há mais de 360 igrejas nos país, o que é difícil para um turista verificar. Já o fervor católico o acompanhará por toda e estada: 98% da população é católica fervorosa. 

   Vitoriosa, Conspícua e Senglea - Três Cidades - MALTA

  

 

                       Em Valletta caminha-se por ruas de pedestres e por vezes a uma multidão de turistas. As feições predominantes dos turistas são européias, mas as dos locais nos faziam lembrar de gregos, árabes, espanhóis e italianos. Dos dois lados avistam-se edifícios geminados, sobrados com balcões meio muçulmanos, meio espanhóis, andaluses, com janelas e portas de madeira trabalhadas, lindos muxarabis, alguns nichos para um santo protetor e roupas estendidas em varais nas janelas.

 

 Valletta

  

 

                      Aqui as principais atrações são a St. John co-Catedral, igreja da ordem dos Cavaleiros de São João, de exterior relativamente simples que contrasta com um interior barroco esplendoroso. É uma das igrejas mais bonitas do mundo. O National Museum of Archaeology, exibe elementos pré-históricos dos sítios megalíticos e de outros locais históricos. O National Museum of Fine Arts, tem uma exposição cronológica da arte maltesa desde o século 12 ao 20. O National War Museum - Fort St. Elmo. Exhibits - tem coleções do período britânico, especialmente da II Guerra Mundial. O Grand Master’s Palace, atualmente o palácio presidencial e Parlamento, merece uma visita mais pela arquitetura do que pelo conteúdo. Há também o Manoel Theatre, construído em 1731, a Casa Rocca Piccola, do Século XVII, com uma coleção de mobiliário antigo, a St. Paul’s Church e a Carmelite Church.

 

 Triton Fountain

 

                        Na Palace Square (ou St. George Square (Misrah San Gorg) já não fica mais o ponto das Karozzin, tradicionais carruagens maltesas para passeios por Valletta. Agora elas extendem-se por vários pontos da cidade. Toda Malta é antiguidade mas o novo se revela nas muitas gruas que demonstram a rápida construção de edifícios modernos. Também os cafés e bares de Valletta e os restaurantes e casas noturnas de St. Julian não deixam esquecer que estamos a um pulo da Europa e de suas influências.

 

 

 Valletta

 

                       Há muita história marítima em Malta. Nada que surpreenda, afinal trata-se de um pequeno país-arquipélago mediterrâneo. Mas as influências do mar estão em tudo, da comida ao jeito de viver. O mais tradicional e perceptível todavia, são os luzzu, barcos de pesca multi-coloridos em tons vibrantes, onipresentes em todos os porto das três ilhas, mais especialmente em Malta. Depois de suas cores e formato, são os "Olhos de Osíris" pintados em cada lado da proa sua maior identidade. Simbolizam o Deus da fertilidade e dos mortos, que na crença maltesa sugere a proteção contra os maus espíritos e os perigos do mar.

 

 

Mdina, Malta 

  

 

_________________________________________

GOZO, COMINO e a LAGOA AZUL

 

 

 

                Nos limitamos a Gozo, segunda ilha do arquipélago. Comino não é turística, escassamente habitada: apenas meia dúzia de famílias sem carros. Tem um único hotel, ainda que de frente para uma baía paradisíaca, distante e isolado demais. É muito própria para o mergulho e para esticadas à movimentada e cheia Lagoa Azul, um espetáculo, uma experiência que não posso descrever, só recomendar.

 

 

 

                 Gozo nos decepcionou, talvez por a termos visitado no dia mais quente que experimentamos na ilha - 46 graus! - e por não a encontrarmos tão bem cuidada quanto Malta. Além disso, é excessivamente tomada por lojinhas de bugigangas turísticas, tomada de barracas de produtos chineses de quinta categoria e por excessiva decoração de bandeiras e alegorias próprias às procissões religiosas que ali rolam.

 

 

O Porto de GOZO, visto do ferry que liga a ilha a Malta 

                  Gozo é menor, mais serena, tranquila, verde e silenciosa do que Malta, todavia mais suja e mal cuidada, perde personalidade e em charme pela profusão de alegorias e adereços que não fariam feio em nenhuma escola de samba do primeiro grupo. Todavia, quero deixar bem claro que seria injusto, um grande desserviço transmitir ao leitor qualquer motivação para deixar de conhecer Gozo estando em Malta. Leitor, por favor, não faça isso, você não sabe o que estará perdendo!

  

 

                  Visitamos rapidamente a Citadela e tomamos o ótimo ferry de volta a Malta para aproveitarnos um mergulho recondicionador na piscina e no mar do hotel. Lamentamos não termos mais tempo para visitar os sítios arqueológicos pré-históricos e outras cidades de Malta.

 

  

 

                  Já o passeio de barco privado à Lagoa Azul foi provavelmente nosso melhor momento de toda a viagem à Sicília e Malta. Foi difícil resistir aos apelos do mar azul, de mergulharmos tentando tocar o fundo aparentemente alcançável. Que Mar!

                  Obrigado pela visita. Viaje bem e leve as crianças.   

 

Reader Comments (17)

Faz quase 1 ano que estou estudando sobre Malta, e entro em delírio só de imaginar o lugar. Já adiei a viagem por vários motivos, muitas vezes pelo pouco tempo disponível e outras pelo período da estação. Quando fico sob 30 graus, passo mal, mas muito mal. Imagina quando chega à 40 graus, fico imprestável. Malta no verão europeu é sofrido, creio. Mas minha vontade de conhecê-la é maior, caso não consiga ir nas estações mais amenas vou inventar uma roupa-geladeira portátil. Assim, já exploro outras terras que não fiz ainda devido o mesmo motivo: fator-temperatura.
Assim como seu texto, suas fotos estão sensacionais!
Tenha um bom dia!

5:13 | Unregistered CommenterTatiane

Arnaldo, também adoro encontrar brasileiros nas minhas viagens!
A minha irmã estava no Parque Kalemegdan, em Belgrado, e perguntou para a minha sobrinha qual a possibilidade de encontrar brasileiros ali. As duas pensaram: perto de zero (pra não dizer zero). Não é que um casal ali perto ouviu e se apresentou. Brasileiros visitando Belgrado, que não aparece como um destino turístico, precisa de visto, e tem lá outras dificuldades. Lugares muito turísticos já estão lotados de brasileiros, outros ainda vão levar um bom tempo. Os tesouros são muitos, já o tempo que dispomos... Lugares com anos de história são sempre incríveis!

10:50 | Unregistered CommenterRosa

Lindas fotos, que lugar incrível deve ser Malta!
Vou à Europa pela 1ª vez em outubro, mas infelizmente, por falta de tempo, tive que deixar vários destinos maravilhosos de fora do roteiro e esse é um deles. De qualquer forma já estou planejando uma próxima viagem em 2013 e depois desse post, sem dúvida, vou à Malta.
Obrigada Arnaldo!

11:15 | Unregistered CommenterMariana

Por nada, Mariana. Quando retornar, volte aqui pra dar suas impressoões, OK: e quando precisar de dicas e tirar dúvidas, também.

Boa voagem e sucesso!

Bom dia. Me chamo Tatiana e trabalho em uma agencia de Marketing na Espanha e gostaria que você participasse de uma campanha de publicidade no Brasil. Seu blog tem o perfil do que estou buscando. Se puder me responder te explico com detalhes do que se trata. Asseguro que isso não é um SPAM.

Abraços,
Taty

10:50 | Unregistered CommenterTatiana

Bom dia, Tatiana. Por favor mencione um e mail para que eu possa responder.

Boa noite. Fotos maravilhosas e descrição empolgante, agora estou com muito mais vontade de conhecer Malta! Espero poder fazer isso no começo do ano que vem.
Fiquei apenas com uma dúvida. Vi que as construções são bem juntas e as ruas são bem estreitas e fiquei imaginando que seriam escuras a noite. Como é a questão de segurança por lá?

Obrigada Arnaldo!

20:35 | Unregistered CommenterPriscila

Priscila, as ruas estreitas e escuras (à noite) a que você se refere ficam apenas no centro de Valletta. Não caminhei por elas tarde da noite, mas em todos os outros momentos de minha estada em Malta nos sentimos inteiramente seguros.

Parabéns! amei. Vou conhecer a ilha. Pena que o navio fica apenas um dia. O que fazer em apenas um dia? rs. Até 2010, eu não sabia da existência desse lugar fantástico. abs

Faz 3 semanas que voltei de Malta... uma certa nostalgia ao ler tudo isso, ver lugares que conheci...
Malta é um lugar maravilhoso e já sinto saudade!

Arnaldo tenho planos para fazer um intercambio (ingles) em Malta em maio proximo. Gostaria de ter sua opiniao sobre a questao da lingua - especialmente por ter notado em algumas fotos palavras irreconheciveis e serem duas as linguas oficiais. Como vc ve isso?

16:54 | Unregistered Commentersolange

Olá,

Tenho a mesma dúvida da Solange, da pra estudar inglês em Malta?
abraços
Gisele

13:51 | Unregistered CommenterGisele

Achei! Irei com certeza! :-)

Que bom que veio. E que escreveu. E que achou! Precisando esclarecer dúvidas, é só escrever! Um beijo.

Oi, é possível estudar inglês em Malta?

0:36 | Unregistered CommenterGisele

Malta tem muitas escolas de inglês para estrangeiros. Estive por 2 semanas na EC e gostei muito. Todo mundo fala inglês em Malta e o país recebe muito bem estudantes para intercâmbio. Os professores foram ótimos, bem como a metodologia .São mais de 40.000 por ano ! Quanto ao calor, estive em junho e foi muito agradável. Um tempo quente, mas confortável. Sei agosto é bastante calor, chegando aos 40 e poucos graus. A culinária maltesa também é deliciosa. Não deixe de conhecer o restaurante GULULU, ao lado do monumento LOVE, em frente ao mar.O país é muito seguro também e o custo de vida barato.

23:12 | Unregistered CommenterEliene

Malta é um paraíso! Passei as minhas férias em um intercâmbio em Malta e foi maravilhoso. Eu participei de um curso de inglês m St Julian´s e a cidade é fantástica e cheia de encantos. Não me preocupei com apenas em aperfeiçoar o meu inglês pois optei também em ter a hospedagem, alimentação e atividades de lazer. Vale a pena conhecer este país maracilhoso e também passo a dica de onde estudei inglês http://www.sprachcaffe.com/portuguese/study_abroad/language_schools/malta/main.htm

15:34 | Unregistered CommenterThiago

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