MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Quarta-feira
Ago012012

ISTAMBUL, a nossa cidade 

 

 A Ponte de Galata e a Mesquita Rüstem Pasha vistas do mirante da Torre de Galata      

                     Escandalosamente belo, o céu de Istambul anunciava o fim de um dia glorioso. Não um dia qualquer, mas aquele que vivíamos juntos, pela primeira vez, a "nossa" cidade. As nuvens estavam em alvoroço, as estrelas cravejavam o céu ainda tímidas, e os tons de rosa tingiam toda a paisagem. Do alto da Torre de Galata assistíamos a tudo, vivíamos aqueles nossos momentos absolutamente especiais, evocando em silência nossas melhores lembranças: o dia em que nos conhecemos, nosso primeiro encontro, nossa paixão por aquela cidade, nosso amor imenso, nossa união. Vivíamos ali as mais incríveis e insondáveis sensações. De amor, de paz, de serenidade e felicidade. Só mesmo Istambul consegue nos proporcionar aquilo e com tal virtude.

                    As silhuetas agudas dos minaretes de Sultanahmet pareciam lápis apontando o céu. Era Outono, vivíamos quase perplexos aquele belíssimo momento em que a teimosia do dia enfrenta a força da noite e torna tudo tão absolutamente lindo. Hoje, três anos depois, a dez dias de oficializarmos nossa união em Casamento Civil, presto essa homenagem à minha doce Emília.

 

 A Ponte de Galata

                    Jamais a essência de Istambul e todo o esplendor no império otomano revelaram-se em tal sintonia conosco. Em nenhum outro momento cativou-nos com tal perfeição, entregando a nós tão belas e maravilhosas sensações. Além do exotismo óbvio e da beleza exagerada que víamos do alto da Torre de Galata, tudo estava em perfeita sincronia: nós, a natureza, a monumentalidade de Istambul.

                   Celebramos a felicidade de nosso encontro com olhares que revelavam mais do que palavras, festejávamos "nossa" cidade. Istambul mais uma vez nos arrebatava. Para nós, sofrer de amor por Istambul é um ato contínuo, mas viver a cidade ao lado de um grande amor é um privilégio incomparável, nosso encontro um dOs acasos da vida e um grande amor. 

 

 A luz morria acentuando as silhuetas elegantes e agudas dos minaretes de Sultanahmet...    

                    As cúpulas e as torres da Mesquita Azul e da Ayasofia tornavam-se negras, vistas dali do outro lado do Corno de Ouro chocavam em igual proporção à sua inigualável beleza. Olhar Istambul do mirante da Torre de Galata é uma deliciosa vertigem emocional. 

                   Em silêncio, e extasiados, alternávamos olhares entre a cidade e nós mesmos.  Em silêncio, sorríamos discretamente, nos admirávamos óbviamente, nos amávamos explícitamente, mesmo ali, ao lado de tanta gente expremendo-se na balaustrada do mirante da torre. Provavelmente éramos os que contemplavam aquela paisagem com a maior exaltação, com emoção e reconhecimento. Só nós sabiamos o significado de estar juntos ali e naquele momento.

                     A natureza nos tocava, parecia retribuir os sentimentos, celebrava conosco a ocasião. A exuberância de seu mais belo momento - o Pôr do Sol - unia-se à arquitetura de uma cidade misteriosa e encantadora, e mais uma vez arrebatava nossos corações. Ambas, natureza e arquitetura, com inegável competência, mancomunadas, conspiravam na tentativa de nos roubar lágrimas mal contidas.  Ali no mirante da Torre de Galata, estávamos certos de que o mundo conspirara a nosso favor. 

___________________________________________________________________

As muitas razões para amar Istambul

                        VISTO assim, do alto, o bairro de Sultanahmet é mais que um convite, é um chamado encantado para seguirmos os passos daqueles que fizeram a cidade durante séculos.  Cada qual com sua grandeza, todos com igual riqueza, os mesmos passos de homens e mulheres da era de Bizâncio, de Nova Roma e da otomana Constantinopla. Por centenas de anos, diferentes poderes deixaram registrados em letras, pedras, madeira, tijolos, ferro, cerâmica, histórias, lendas, pinturas e esculturas um fabuloso, imponente patrimônio. E ainda que Istambul demonstre sua moderninade do outro lado do Estreito de Bósforo, seus arranha-céus e um certo caos, é inigualável observá-los entre telhados das construções antigas.

    Seguimos os passos daqueles que fizeram a cidade durante séculos...

  

...e deixaram registrados em letras, pedras, madeira, tijolos, ferro, cerâmica. 

                    Palácios, igrejas, mesquitas e monumentos formam um fabuloso, memorável conjunto, um impressionante acervo da humanidade.  Seguimos os passos daqueles que fizeram da excitante, rica, misteriosa Istambul, um monumento de tocante beleza, instigante conteúdo e marcante memória. 

                       Suas obras são um legado, estão por toda parte. Não é preciso esforço para encontrá-las. Os exemplos magníficos do esplendôr arquitetônico otomano de autoria do arquiteto Koca Mimar Sinan Ağa - nome em turco otomano do popularmente conhecido Mimar Sinan, em turco moderno - projetista do Império otomano durante os reinados dos sultões Selim I, Suleiman I, Selim II e Murad III. Sua obra mais relevante é a Mesquita de Selimiye, em Edirne. Todavia é a Mesquita de Suleiman a mais famosa. Em Istambul, Sinan significa exuberância, talento, grandiosidade e imponência em arquitetura otomana. Nenhum outro nome teve a projeção de Sinam. Seus trabalhos povoam a cidade e contam a história de 50 anos de atividades ininterruptas durante os reinados dos quatro sultões otomanos. São mesquitas, hammans, e medersas rojetadas por ele para a Capital mais imponente e importante do mundo no século 16. Qualquer um pode seguir os passos de Sinan e encontrar suas obras fabulosas, cujo conjunto é um legado espetacular de importância mundial. Segundo escritor turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel em literatura, as mesquitas desenhadas por Sinan são um perfeito elo de ligação da arquitetura com o sagrado, a mais que perfeita união da monumentalidade arquitetônica a serviço da proclamação do império otomano, cujos espaços interiores das mesquitas foram desenhados com maestria para conectar diretamente a fé dos fiéis com Deus. Centenas de seus projetos ainda existem espalhados pela cidade, alguns em ruínas, outros em estado apreciável e uns poucos ainda imponente restaurados com fidelidade aos seus desenhos originais. 

                         Istambul tem corpo, alma e personalidade.  O corpo fica às duas margens do Bósforo, metade na Europa, outra na Ásia. O coração em Sultanahmet, os olhos na Torre de Galata e a mente nos Derviches ou talvez num Hamam - o revigorante, curioso banho turco.  Istambul é assim, tem corpo e alma. É toda encontro - a cada canto - de cultura e de genteSurpreendente em cada inesperada esquina, em cada minarete e nas cúpulas da grande igreja - depois mesquita e museu - Hagia Sophia -, ou Santa Sofia; no otomano, enorme Palácio Topkap; no Grand Bazaarnos lindíssimos azulejos Iznik;  nos fascinantes e  intrincados desenhos florais da Mesquita Rüstem Pasha, nos poucos passos que a separam do Bazar Egípcio; no movimentado e moderno lado da cidade e seus cafés, butiques e galerias das ora largas, ora labirínticas estreitas ruas dos Bairros Taksim e Beyoglu; nos hotéis design; nos bares descolados e em todas as suas tribos. 

                        De um lado a Ásia, do outro, a Europa.  O que separa os dois continentes não é a grandiosidade de um oceano, mas um estreito - o de Bósforo - e um braço ainda mais estreito dele, o Corno de OuroO que os une são algumas pontes, como a de Galata, que se vai por cima e se volta por baixo. O canal liga o Mar Negro ao Mar de Mármara. De um lado a islâmica herança olha para o outro, o da Europa cristã.  E todo o patrimônio que nos encanta está nas ruas, nos sons da cidade, na boca do povo, no sabor da comida, no cheiro das especiarias, na fumaça dos narguilés, nos doces das vitrines, nas cores dos killins e nas sedas que de tão finas, tão finas, só podem ser tecidas por dedos de meninas. E ainda que bem próxima da Europa e ocidentalize-se, sua essência muçulmana permanece.

                       Os empolgantes monumentos do bairro Sultanahmet - memórias bizantinas e otomanas, heranças islâmicas - e mais a Ponte de Galata, o moderno e o chique, o estreito navegável, o bairro de Beyoglu e Taksim, com seus à primeira vista improváveis prédios em estilo eclético, art-decô, art-nouveaus e neo-clássico que abrigam cafés, butiques e restaurantes, o Grand Bazaar, o Bazar de Especiarias, os bondes, as águas que correm lentas no Estreito de Bósforo e no Corno de Ouro, a praça monumental de Sultanahmet, as lendas do harém do Palácio Topkapi e a modernidade do Bairro de Taksin tudo faz de Istambul uma cidade que não se pode perder, um destino imprescindível para qualquer viajante com muito o que ver e sentir. 

                        Exotismo e modernidade para gostos exigentes, corações apaixonados e mentes com brilho. Istambul é assim, excitante para a mente e o coração, por isso mesmo um destino a ser compartilhado com quem se ama. Istambul é uma das cidades para onde gosto de retornar, onde visitar resulta grandes prazeres.

    

                   Para além de conhecer novas e rever conhecidas atrações, ela também satisfaz naquilo que mais gosto em viagens: hospedar-me e comer bem. Visitar Istambul acompanhado de um grande amor que também ama esta cidade, hospedados num hotel com classe e serviço impecáveis e mundialmente reconhecidos - o Fours Seasons at the Bosphorus -, explorar o que ela tem de melhor em comida e compras é multiplicar por mil os já excepcionais prazeres que Istambul nos proporciona. Istambul alimenta mentes, corações e estômagos nas mesmas proporções. 

 The Four Seasons at the Bosphorus

    

                         muitas razões que tornam Istambul uma importante metrópole mundial. Uma das mais curiosas é sua situação geográfica: única cidade do mundo situada em dois continentes ao memso tempo: o lado europeu - uma península histórica ao sul do Corno de Ouro, na Cidade de Galata ao norte -, noutro a Cidade Nova, do lado asiático. No lado europeu ficam os negócios, o comércio e boa parte das atrações turísticas. O lado asiático é residencial, moderno. Istambul se estende pelos dois lados do Bósforo, um estreito que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro e que ao mesmo tempo separa os lados europeu e asiático.

                         Istambul é uma cidade que não precisa de clichês, entretanto sua imponência natural atraiu a criação de muitos deles. Alguns são pouco criativos, outros justas homenagens. São adjetivos e slogans como "Cidade dos Sete Montes", "Rainha das Cidades", "Cidade de Constantino", "Porta para a Felicidade" (Dersaadet, originalmente Der-i Saadet), “Ponte entre a Ásia e a Europa”, “Lugar onde o Oriente encontra o Ocidente”, enfim, seja com que apelido for, Istambul é o melhor resumo do que são o país, seu povo e sua cultura. Tão histórica quanto romântica, Istambul atrai pela riqueza de uma das mais poderosas cidades do planeta. Constantinopla, chamam-na os historiadores; “Cidade Romântica”, apelidam-na os agentes de viagens, não sem motivos.  A cidade inspira corações e mentes, sobretudo as apaixonadas. Mas mesmo um coração solitário não fica indiferente ao assistir a um por do sol fascinante, sobretudo ao contemplá-lo entre as imponentes belezas das duas majestosas mesquitas da Praça de Sultanahmet. As luzes que se vão trazem outras que se projetam sobre a fachada da Mesquita Azul, numa performance enternecedora. Até mesmo nas fachadas de madeira das mansões ao longo do Bósforo encontrará romantismo um expectador atento. Situada numa espécie de periferia do Oriente, esquina com a também periferia da Europa, Istambul tem no Bósforo, no Chifre de Ouro, na Ponte Gálata, na Hagia Sofia e seus minaretes, na Mesquita Azul, nos seus bazares e em toda Sultanahmet, no cruzeiro do Bósforo e suas inúmeras estações, nas  yalis de madeira impecáveis ou do que sobrou de algumas delas, algumas de suas principais atrações.

                         Mas não pense que a cidade é apenas um belíssimo sítio histórico com monumentos imponentes construídos pelo homem. Saia de Sultanahmet - o bairro onde fica a maior parte deles, também o mais histórico e antigo de Istambul - e vá a Beyoglu para conhecer uma Istambul européia, moderna, cosmopolita e internacional, aquelas com características que se encontram em qualquer cidade do Velho Mundo, hoje plano e globalizado.

   

                    O bairro Beyoglu - em solo europeu -, “olha” para uma Ásia que está logo ali do outro lado, bem à vista, que é para não nos esquecermos de que o país e sua maior cidade ocupam os dois continentes, a maior e mais peculiar curiosidade de Istambul.  No moderno Beyoglu os prédios do Século 19 e a Avenida İstiklal (İstiklal Caddesi, ou  Independence Avenue) - a mais popular rua de pedestres - dão o tom,  as cores e a essência do lugar.

  

                   Boutiques, restaurantes, cafés, patisserias, livrarias, cinemas, escritórios e consulados. E gente, numa rua de pedestres que começa na estátua de Ataturk - na Praça Taksim - o marco zero da parte moderna de Istambul. Por ela passam nostálgicos bondes antigos e barulhentos sobre trilhos assentados no centro da avenida. São apenas 3 quilômetros ladeados por elegantes construções neoclássicas e ecléticas. Por ela caminham adolescentes, idosos, turistas. 

 

                         Perder-se nas ruas de Istambul deve fazer parte de uma jornada pela cidade. Impossível não se perder ao explorar as riquezas do império bizantino: passear de ferry pelo Bósforo, comprar tapetes e sedas no Grand Bazaar (Kapali Carsi), cruzar por cima e voltar por baixo da Ponte de Galata,  subir ao mirante da torre do mesmo nome, andar de bonde, viver a moderna Turquia, visitar palácios sultanescos, contemplar longamente as cúpulas da Mesquita Azul e da Santa Sofia, rodar com os derviches, dançar com os ventres, banhar-se turcamente num hamman, carregar pra casa um tapete turco, trazer um amuleto - o olho de vidro azul -, regatear numa loja dos bazares, percorrer os haréns do Topkapi, comer e ter uma bela vista panorâmica no hype 360o (*) e provar da cozinha otomana autêntica. 

 Não a destruam, transformem-na numa mesquita.”

Mehmet II, o Sultão, assim que conquistou Constantinopla, diante da Santa Sofia.

                 As melhores épocas para visitar Istambul são na a primavera e no outono, de abril a maio e de setembro a outubro. É quando o clima torna-se perfeito, equilibrado, sem o calor exagerado de julho e agosto ou o frio polar e do inverno.

                 Esta é uma homenagem à nossa cidade e à minha doce Emília, agora esposa, amiga, companheira e amor da minha vida.

________________________ 

Nota *1: “Poucas coisas são tão interessantes quanto “as voltas que o mundo dá”. Numa delas, sem saber que o fazia, minhas matérias sobre Istambul publicadas no Fatos & Fotos de Viagens em Setembro de 2007 influenciaram a tantos leitores, despertaram tantos desejos. Na caixa de comentários do primeiro capítulo daquela série havia um em especial no qual notava-se que uma semente fora plantada, a do desejo inesperado, súbito, de conhecer a cidade. Anos depois tive o privilégio e a honra de rever esta espetacular cidade ao lado justamente daquela leitora que as circunstâncias levaram ao meu blog e mais tarde o acaso a colocou em minha vida. Fabuloso acaso que tornou-se no maior dos maiores privilégios que a vida já me proporcionou. Aquela fora uma viagem excepcional com que mais tarde tornou-se minha doce, encantadora mulher, com quem espero que a vida me dê a sorte de que seja minha eterna companheira.”

Nota *2: A Torre de Galata é um dos mais proeminentes e visíveis marcos da cidade, onde quer que se esteja. No alto de uma colina a 35 metros do nível do mar, ela mesma tem 67 metros de altura, o que de seu topo proporciona uma vista de 360 graus. Seu mirante fica a 51,65 m de altura e está aberto de 9:00 às 18:00 horas. Sobe-se por um elevador e depois por dois lances de escada. Situada em Beyoglu, o antigo bairro Pera, fica do lado europeu Há um restaurante onde se pode almoçar e jantar. À noite há uma programação tradicional, chamada “Turkish Night”. A torre foi construída em estilo italiano genovês em 1.348, e na época era a construção mais alta da cidade, condição que manteve até o século 20. Seu primeiro nome foi “Christea Turris” e era parte das obras da colônia genovesa em Constantinopla. A torre atual difere da original bizantina, chamada “Megalos Pyrgos”, que controlava o extremo norte do mar para a entrada do Corno de Ouro, que ficava noutro lugar e fora destruída durante a Quarta Cruzada, em 1204.

Reader Comments (14)

Meu amado...Surpresa maravilhosa ver esse texto tão carinhoso e inspirado, sobre nós e Istambul.
Cidade que tanto toca o coração, de apertos de saudades...E que desejo voltar várias vezes com você, amor da minha vida, que desejo para meu companheiro de sempre.
Obrigada e um beijo...

12:17 | Unregistered CommenterEmília

Arnaldo,
Parabéns pelo inspirado post.
Abs,

17:15 | Unregistered CommenterJoao Cesar

Que texto lindo!!! Preciso ir para Istambul!!!

Adorei a declaração da esposa também!!!

Que vocês tenham sempre esse amor e carinho um pelo outro. Que continuem viajando bastante e nos inspirando também!!!

Felicidades ao casal!!!

Estivemos em Istambul em maio p.p. e concordo com tudo que está escrito, não me hospedei no Fours Seasons, mas amei do mesmo jeito. Istambul é tudo isso! É apaixonante! Felicidades para vocês, Arnaldo e Emília, saúde para realizarem muitos sonhos! Com grande e verdadeira admiração, Rosa.

14:57 | Unregistered CommenterRosa

Conheci o seu blog há pouco tempo e estou realmente ENCANTADA. Adoro viajar, e ao ler os seus maravilhosos e ricos textos, bem como suas fantásticas fotografias, tenho a oportunidade de viajar com você.

Gostaria de parabenizá-lo pelo site e incentivá-lo a prosseguir, pois na minha modesta opinião não há nada parecido no ramo de viagens...

Já estive em Istambul e na Capadócia e realmente são lugares únicos e inesquecíveis.

O seu relato me fez matar as saudades...

Mais uma vez, PARABÉNS!!!!

DANIELA

15:16 | Unregistered CommenterDaniela

Arnaldo,parabéns pelo modo maravilhosoque você escreve,pelo entusiasmo com que vê tudo ao seu redor, pelo romantismo com a Emilia.

Hoje é muito difícil encontrar alguém assim,não mude. E também não deixe de escrever,pois é importante para incentivar mais pessoas a viajar e também para as que viajam através do seu blog.

Realmente esta cidade deve ser mágica,encantadora e capaz de fazer sonhar.

Este é um momento muito importante para nós,a união de vocês. Estamos muito felizes.

Um grande abraço.

17:44 | Unregistered CommenterMariliana

Se não for pedir muito, coloca aqui algumas fotos desse momento. É muito lindo ver sonhos se tornando realidade, acontecidos onde a gente menos espera, um belo acaso da vida!!! Parabéns!!! Celebrem a felicidade todos os dias!!!

15:28 | Unregistered CommenterRosa

Estimad@ blogger,

Volto a entrar em contato contigo para saber o que achou da oferta que te fiz faz uma semana em participar de uma campanha de Marketing. Fico no aguardo de resposta

Beijos,
Taty

5:40 | Unregistered CommenterTatiana

lindo post! me senti viajando à Istambul com vc (e com a Emília)!

10:33 | Unregistered CommenterMariana

Por favor, escreva para interatab arroba yahoo com br

Parabéns pelo texto e pelas fotos maravilhosas! Fiquei encantada pelo blog.

abraços!

13:34 | Unregistered CommenterRoberta

Istambul é certamente a cidade mais encantadora que conheci e desejo rever!

Estou de saída para Istanbul. O destino é o da imaginação de menina, quando, na escola, a queda de Constantinopla parecia algo que despencava de algum lugar... A imaginação, refeita tantas vezes ao longo da vida, reafirmava o destino. Agora é entrar no clima! Mais entusiasmada fiquei quando li, recentemente, o livro "De Bizâncio" para o mundo, de Colin Wells - Ed. Bertrand Brasil. Não sei o que me espera ao chegar, mas chegarei com o respeito de uma turista que sabe o que a humanidade deve a Bizâncio e aos que os sucederam.
A quem vai para lá, recomendo.
Parabéns pelo Blog.

22:38 | Unregistered Commentersandra

Arnaldo, lindo o seu texto sobre Istambul e sobre o amor que o une à Emilia. "Você é o cara"!

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