CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

              Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Sexta-feira
Out182013

IRÃ - Chegamos ao país atômico 

 Senhora iraniana em Teerã em traje conservador

                 ERAM quase duas da manhã. Trinta minutos mais, pousaríamos em Teerã. Nada me preocupava, senão a intensidade dos estímulos daquele momento. Não era medo. Nem desconforto. Tampouco insegurança. Afinal, sabíamos de antemão, não corríamos perigo algum, a não ser de nos apaixonarmos pelo Irã. Era ansiedade, um "não sofrimento", a sensação de ver materializar-se um sonho tão bem sonhado, de uma viagem tão esperada.

 Kamenei e Komeini

                 Peguei meu passaporte e olhei o visto iraniano pela enésima vez. Parecia um "troféu", uma insígnia de viagem, uma jóia rara entre tantas outras, de tantos destinos fabulosos. Que bonito! Recordei-me do privilégio de ter viajado a países memoráveis, vivido tantas experiências saborosas, e como num filme acelerado, revi cenas de lugares que os vistos me traziam de volta. Tudo parecia fantástico demais... Não "preguei" os olhos no vôo desde Dubai. Se sonhei, foi acordado. Eu estava feliz naquele avião. Vivia mais um privilégio da vida, desta vez consagrando-se em mais uma de nossas viagens. 

  Porta de uma madrassa no Bazar de Kerman

                Em alguns minutos pisaríamos em solo iraniano, estaríamos prestes a conhecer o fabuloso conjunto de monumentos e de paisagens, e viver a história de um império de 2500 anos, do Irã antigo e místico, de contos de fadas. Mas também estávamos curiosos para a variedade natural, pela arquitetura, pela cultura exemplar, pela relação com as pessoas. Eu sonhava com os tapetes persas, uma de minhas paixões, especialmente os Tabriz. Prometi deixar alguma curiosidade para o que é moderno, para a história da Revolução de 79, para o Irã que tornou-se centro das atenções do mundo depois disso. 

Placa de rua em Teerã

                 O comandante anunciou as advertências de praxe: apertar cintos, voltar encostos das poltronas, essas coisas. As mulheres começaram a cobrir a cabeça, adaptando-se às regras de vestimenta do país muçulmano xiita, de leis rigorosas, sobretudo na forma de vestirem-se: cabelos, braços e pernas precisam ser cobertos.

    

              Tradicionalmente, através do 'chador', ou então, com calças e blusas compridas, o manteau e o hijab. Observava minha doce Emília preparando sua transformação de mulher ocidental a persa, também para atender os desígnios da Constituição do Irã, respeitar as virtudes morais do islamismo. Ajeitava o lenço sobre os cabelos. Não estava certo de que cumpriria seus preceitos, parecia instável aquele lenço, relutava em permanecer no lugar. Ela não, parecia está confiante, o mantinha à cabeça movimentando-se naturalmente. Treinou em casa, encontrou seu jeito feminino de ficar bem (como sempre), o que me encanta (como nunca). "Está linda!", eu lhe disse. “Mesmo?”, disse ela pergunta, como se duvidasse da verdade.

No Bazar de tapetes antigos de Tabriz 

                 Enquanto não pousávamos eu ia me lembrava da História. Dia primeiro de fevereiro de 1979, um avião da Air France pousou no mesmo Aeroporto Internacional de Teerã trazendo Ruhollah Musavi Khomeini, o clérigo islâmico, natural do interior rural do Irã, não pisava sua terra natal há 15 anos. Não por gosto, mas por isolamento imposto políticamente. Suas vestes pretas constrastavam com a espessa barba branca que a usou até a morte. Desceu do avião apoiado por um oficial francês. Tinha pose de estadista, cara de homem mau. Seguido por dez pessoas no curto percurso da escada ao solo de seu país, milhões (estimam-se 5) o esperavam em terra. O retorno foi triunfante. Marcava o fim de uma era, que tirou do poder o xá Reza Pahlevi, e de um povo frustrado com a pobreza e a violência daquele regime. Irrompeu em fúria, derrubou o monarca esbanjador apoiado e protegido pelos Estados Unidos (e Israel, claro). O evento marcou o início de outra era: a Revolução Iraniana. Desde então sobram raivas e acusações retóricas entre os três países: de um lado o programa nuclear e o apoio iraniano ao Hamas e ao Hezbollah, de outro os territórios palestinos ocupados por Israel. As tensões acirraram-se em 2005 com a eleição de Mahmoud Ahmadinejad, presidente populista, falastrão, o Lula do Oriente Médio. Só que linha-dura radical.

Painel revolucionário em Teerã

                 Trinta e quatro anos depois de Khomeini chegamos nós. Gente sem qualquer relevância, anônima, pacífica, simples turistas encantados com o momento da chegada, provavelmente tão entusiasmados quanto Khomeini em 79. Mas vínhamos do país do futebol, quatro meses depois da seleção iraniana qualificar-se para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O assunto futebol costuma render assunto. Imagino quanto o poderá no Irã. Não faz muito tempo houve outra grande festa, celebrava a eleição de Hassan Rouhani, o novo presidente. "Reformista", parece seguir a via do diálogo, da moderação. Menos conservador que Ahmadinejad, o que é um grande alento. Mas ainda é pouco para sabermos como será o Irã depois de Rouhani. Alguns pensam ser uma ingênua esperança, mesmo depois de suas boas e recentes demonstrações de distensão em relação aos Estados Unidos.  

 Brasil com Z, não tão popular, mas querido

                  Da janela do avião eu via o solo aproximar-se. Uma série de lâmpadas urbanas se destacam e vão enchendo a janelinha. São nossas primeiras imagens de uma cidade imensa, de um país relativamente moderno e civilizado. À primeira vista - apesar das evidências arqueológicas registrarem a presença humana em Teerã desde 6000 A.C. a Capital mais parece uma megalópole moderna, do século XX, não um sítio tão antigo. As luzes dos carros estão acesas. São poucos ainda a trafegarem, mas nos fazem perceber as proporções da cidade. Dizem que a vida é agitada, que o trânsito é horrível, mas não ainda nesta hora do dia. 

Bazar de Tabriz, setor de tapetes

               O trem de pouso do Airbus da Emirates tocou discretamente o solo. Pousar ali pela primeira vez significava bem mais do que o prazer de concluir um vôo seguro. O avião taxiava e aproximava-se do gate do pequeno, moderno Aeroporto Internacional Imam Khomeini (IKA). Iniciamos o desembarque prontos para os bombardeios. Não os que Israel e Estados Unidos vivem prometendo ao Irã. Mas os bons, de imagens e ótimas impressões, da receptividade e da cultura, da tradição e da arquitetura persa, de tudo o que tanto nos encantou na viagem ao Uzbequistão, uma ótima introdução ao Irã.

Grande Bazar de Tabriz

                   Para os padrões internacionais, o aeroporto é vazio. O fluxo turístico é inexpressivo, ainda que enorme o potencial do país. Coisas de países que se isolam. Dizem que a hospitalidade iraniana é prática milenar, orgulho nacional, compromisso sagrado, parte da psiquê iraniana. Creio que ajuda o fato do Irã ainda não ter sido estragado pelo turismo de massa. Não deixa de ser favorável que muita gente ache arriscado, um contra-senso viajar ao Irã.

Romã, fruta nacional

                 Mas os esforços internacionais para isolar o país e forçá-lo a interromper seu programa de enriquecimento de urânio parecem provocar impacto positivo no turismo: o despertar da curiosidade do mundo, um "salto" no fluxo turístico para cerca de 3 milhões de "corajosos" visitantes anualmente. Que deixam 2 bilhões de necessários dólares na economia do país. O governo então olha docemente para o movimento. Dizem que a maioria dos turistas estrangeiros vem da China. Mas quem hoje em dia não vem da China? Brasileiros são traço nas estatísticas, lamentavelmente. Parte significativa dos visitantes vem da Europa. Especialmente franceses, os turistas mais descolados e aventureiros do planeta. Mas também alemães, italianos. Se encontrarmos algum brasileiro além de nós será delicioso. Já garantimos um, o privilégio inusitado de jantarmos com o Gabriel Britto e sua Márcia ao final de nossa viagem e começo da deles. Jantaremos em Teerã. O segundo será com a Fê Costta, brasileira que viaja mais que andorinha em migração e escreve o Viaggio Mondo. Não em Teerã, que já visitou recentemente, mas em Dubai, onde mora. Tivemos o privilégio de seu convite para um café e o aceitamos com imenso prazer.

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Enfim, entramos no Irã!

                 Foi experiência tranquila. E descontraída. Diferente do que poderia imaginar quem assistiu ao filme Argo: uma imigração inquisidora e lenta, feita por oficiais militares barbudos e com cara de maus, vestidos militarmente, num aeroporto de terceiro mundo. Curiosamente, está localizado em Ahmadabad, cidade a cerca de 30 km de Teerã. Para um grande aeroporto internacional, faltou um pouco de inspiração persa, sobrou monotonia.  Eu não esperava ver cartazes revolucionários anti-americanos espalhados nos corredores do aeropoto no caminho do avião aos balcões de imigração. Sei que ficam na cidade. Tampouco ser interrogado por soldados suspeitando de nossas pacíficas intenções turísticas, mas também não por agentes com fisionomias tão simpáticas, descontraídas mesmo com o avançado da hora. Estávamos na fila dos estrangeiros. A dos irananos estava bem cheia. À nossa frente apenas um casal de franceses enfrentava a formalidade da entrada no país. Não posso dizer que o coração batia no modo calmo, mas foi tão rápida e sem perguntas nossa imigração que fiquei quase decepcionado. A bagagem veio em tempo aceitável. Passamos pelo Raio X da alfândega sem problemas. Antes de sairmos ao saguão fui ao caixa do banco trocar uns dólares. O simpático atendente sugeriu que eu trocasse na cidade, onde a cotação era muito mais favorável que a dele!

Pedaço de Persépolis no espetacular Museu Nacional do Irã, Teerã 

                 Lá fora, no saguão do aeroporto, nosso receptivo segurava uma placa com meu nome e nos dava boas vindas com um sorriso assim que acenamos. Em perfeito inglês. Podia até ser um barbudo mal encarado, mas não, era um jovem com ótima apresentação e polido. Nos disse "Bem-vindos ao Irã! Perguntei-lhe como seria em farsi e ele respondeu "Khosh Amadid'. Eu respondi-lhe "Mamnoon", obrigado, não muito convicto de minha pronúncia. Merci (do francês, mas como em “mêrci”), à maneira corriqueira.

                 Depois dos cumprimentos e apresentações, nos conduziu com simpatia, receptividade e profissionalismo ao carro que nos levaria pela madrugada ao nosso hotel. Um carro velho, do começo dos anos 90. E iraniano, como a frota do país, onde no porta-malas cabia apenas uma das nossas, metade ocupada pelo o enorme tanque de gáz natural, o combustível do motor.

               - Meu nome é Mojtaba, mas podem me chamar de Mojick, disse o jovem. “Fica mais fácil”, completou. Passou a explicar as atividades turísticas previstas para a tarde do nosso primeiro dia na Capital. Mas às três da manhã eu só pensava em dormir. Do aeroporto à cidade pegamos uma ótima rodovia de três pistas, sinalizada com placas em farsi e inglês. Passmos pelo enorme complexo onde fica o mausoléu de Komeini. Depois atravessamos avenidas largas, arborizadas, praças e parques públicos,  alguns edifícios altos. Mas não vimos os famosos murais de líderes religiosos e anti-americanos. Tudo ainda era desértico, escuro e fechado, próprio às madrugadas, mesmo de uma metrópole. Só conseguimos dormir às 4:00 da manhã. Acordamos às nove. Nosso dia começaria às 11:00.

                 Vou dormir, mas prometo voltar pra contar.

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(*) Notas:

 a) Hospitalidade: ainda que o estereótipo mais comum seja definir o povo iraniano linear e generalisticamente como “fundamentalistas que odeiam ocidentais” (especialmente americanos). Ainda que de fato haja cartazes e grafites gigantescos pelo país desejando a morte da América, definitivamente estou certo de que isto é exceção. E também não tenho dúvidas de que é uma imagem que boa parte do povo parece doida por mudar. Mas há um provérbio iraniano - “Visitantes são enviados de Deus” - que parece desenhar a base da incrível hospitalidade iraniana. Para os brasileiros a sensação será ainda mais notável. Somos um povo que atrai simpatia em quase todo o planeta. Talvez tenha sido este o motivo da imigração mais rápida e fácil porque já passei.

 Embora antes de vir para o Irã eu já soubesse dessa característica, nada superaria a experiência de viver com pessoas tão amigáveis, nem eu poderia jamais esquecer como fomos tratados durante o tempo em que estivemos no país. Do primeiro ao último minuto. Não houve um momento que alguém não tenha demonstrado hospitalidade. Não seria possível descreevr o tipo da enorme atenção e simpatia com que fomos recebidos. Foi como sê-lo em suas casas, quando ainda demonstram mais para que se seus convidados se sintam confortáveis e bem-vindos. Outra característica da personalidade dos iranianos é a cultura e a sofisticação: não conheço nenhum outro país onde as pessoas declamam poesia nas ruas.

 b) Clichês: evitá-los é fundamental para qualquer destino, especialmente ao escrever. Mas tratando-se do Irã, é preciso cuidado especial para não usá-los. Ler muito sobre o país ocasionalmente nos faz encontrá-los. O clichê mais comum é afirmar que o governo do Irã não é seu povo. É possível que tenham me escapado alguns e os encontrem aqui os leitores. Peço desculpas e que os apontem sem cerimônias. Entretanto, os mais óbvios, não encontrarão: "O Irã não é o que se espera"; "O Irã é uma terra de contradições"; "O Irã é um país exótico"; "O povo é  muito hospitaleiro"; "O Irã é um país de contrastes"; "Há fotos de heróis da revolução e de mártires por todo lado"; "O iraniano dirige como um louco"; "Os carros são velhos"; "Os cidadãos têm uma vida pública e outra privada". 

Estereótipos levam tempo para se dissiparem da mente. Tempo e informação. É preciso muita leitura e pesquisa. Estereótipos fazem parte da natureza humana, infelizmente alguns arraigados demais. Eles existem quase sempre em relação a pessoas diferentes de nós. No caso do Irã, nada como uma viagem ao país para vermos como é notável nossa desinformação, para demoli-los arrasadoramente. 

 c) Turismo: de acordo com dados oficiais iranianos, cerca de 3.200.000 de turistas estrangeiros visitaram o Irã em 2012, embora as estatísticas não distinguam o que é turismo de negócios, de lazer ou de peregrinação religiosa. Apenas que a maioria vem de países asiáticos, especialmente China e Índia, mas incluindo aí as repúblicas da Ásia Central. A menor parte vem da América do Norte e da União Européia, especialmente da Alemanha, Itália, Bulgária, França e Bélgica. Brasileiros são traço nas estatísticas.

 d) Argo: o filme de Ben Affleck que conta a história do resgate de seis americanos sequestrados no Irã, é um bom filme de suspense, mesmo que a gente já conheça o final. A versão conta como foi o resgate em Teerã, em janeiro de 1980. Não é só uma boa história, mas útil para que se conheça as origens do confronto dos Estados Unidos com o Irã.

 e) Hijab: em persa a pronúncia é hejab, mas o significado é o mesmo do árabe hijab, "cobertura" ou "véu", mais precisamente o termo designa uma conduta de pureza e modéstia na religião islâmica. Por isso tomei a liberdade de usar ambas as pronúncias no texto. Embora o cabelo deva ser coberto, não precisa ter o lenço apertado em torno da cabeça. É bastante aceitável deixar uma parte dos cabelos livremente. A moda iraniana tem que ser respeitada, ainda que os limites precisos do vestuário feminino sejam uma incógnita de difícil compreensão para nós ocidentais: a despeito de todo o esforço da Polícia Moral, a sociedade iraniana frequentemente é incontrolável, ao menos pacificamente. Sempre que podem, jovens demonstram sua força e desejo em desrespeitá-la, o que significa dizer contrariar o islã, aquele praticado pela maioria dos iranianos, e que governa suas vidas pessoais, políticas, econômicas e jurídicas. Aquele mesmo islã que emana da atual - e conservadoríssima - Arábia Saudita. Desde 1979 a vida das mulheres no Irã mudou drásticamente. Décadas antes elas já não usavam véus nem precisavam esconder tanto seus corpos. Mas desde então, a revolução pareceu concentrar nos costumes o foco das mudanças revolucionárias.

Fontes: Chá de Lima da Pérsia http://azizamiran.blogspot.com.br/2012/06/o-hijab-no-ira-e-suas-variacoes.html

News About Iran http://iransnews.wordpress.com/2011/04/19/

 f) Segurança: salvo nas províncias de Sistan, Baluquistão e Khorasan, regiões de tráfico de drogas do Afeganistão, onde há crimes de roubo, morte e seqüestro, e em cidades como Zahedan, Zabol e Mirjaveh, particularmente perigosas, o Irã é tranquilo, seguro e amigável para o turista.

g) Internet: depois de quatro anos de bloqueio, o governo iraniano liberou nesta segunda-feira (16/09) o acesso de seus cidadãos ao Facebook e ao Twitter, de acordo com publicações nas contas de jornalistas vivendo no país. Essas redes sociais haviam sido proibidas em 2009, em decorrência dos protestos que marcaram a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Fonte: Folha Política -" Irã permite acesso a Facebook e Twitter pela primeira vez desde 2009. http://www.folhapolitica.org/2013/10/ira-permite-acesso-facebook-e-twitter.html

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A seguir:

Teerã - As primeiras lições da Pérsia

Reader Comments (9)

Eu não gostei do filme Argo. O final é banal e cheio de estereótipos, até mesmo um filme histórico. Pelo contrário, eu gostei muito do filme de animação, Perseopolis.
Vocês são corajosos e aventureiros!!!

15:47 | Unregistered CommenterCarmen L.

Para si, Arnaldo e Emília, os meus desejos de que apesar de irem já com bastante informação , sejam muitas e muitas vezes confrontados com o factor Surpresa Boa, como nos aconteceu a nós. Irei lendo as suas impressões, que certamente alimentarão as nossas memórias .
Chegados da China há duas semanas (Yunnan), ainda dou comigo pensando...será que fui mesmo? Muito, muito bom! Um abraço e tudo de bom
Graça Lagrifa

Que delícia de viagem, Arnaldo! O Irã sempre esteve também nos meus sonhos viajantes e estou acompanhando com os olhos grudadinhos no meu Instagram as (sempre!) lindas fotos da querida Emília, ainda sonhando com uma viagem (em breve, espero) para lá. Que gostoso ler sobre sua excitação antes de pousar no Irã (as melhores viagens costumam começar com esse turbilhão de sentimentos ainda nos ares, não? ;) ) e primeiras impressões. E que feliz saber que jantarão em breve com Gabe e Márcia! Continuarei vidrada, acompanhando a linda viagem de vcs. Aproveitem!

CARMEN, ainda que possa parecer, não é exatamente uma aventura viajar pelo Irã. Sobre o filme Argos, reconheço ter sido parcial, todavia mostrou uma parte da história como ela ocorreu. Obrigado pela visita, sobretudo pelo comentário.

GRAÇA, obrigado por mais esse gentil comentário seu. Lembro-me bem do último e seus votos de sucesso nesta nossa viagem. Sim, viemos bem informados, mas NADA se compara a ver, sentir, presenciar, saborear e ouvir no lugar. Somos loucos para ir à China rural, o interior do país, especialmente Yunnan, que quase fomos quando visitamos o Uzbequistão. Muito grato pela visita e comentário.

MARI, muito gentil e simpático seu comentário. Foi mesmo o que senti ao chegarmos, pouco antes de pousarmos no Irã. Você também deve saber, como viajante contumaz, que essas coisas são corriqiueiras quando chegamos a lugares que desejamos muito.

Não sou adepto do Instagram, mas acompanho, claro, as fotos de minha mulher e os comentários. Espero que me visite aqui novamente nos próximos posts e possa tirar suas conclusões sobre o Irã. Até aqui (chegamos agora à noite em Shiraz) posso dizer que gostamos, mas que o Irã ainda não nos encantou. Mas ainda faltam Isfahan, Shiraz, Persépolis e Kashan.

Também estamos muito esperançosos de encontrarmos o casal Gabe Britto e Márcia. Mas ainda não sabemos se eles efetivamente estarão em Teerã no dia 26, porque seriam muitos dias de estada na Capital. Todavia, combinamos assim, e verdadeiramente seria um grande prazer o encontro e jantarmos pra trocarmos tantas informações e impressões sobre o Irã. Torça para que de fato ocorra o encontro! Um grande abraço, paz, saúde e sucesso.

Ficarei na torcida pelo encontro com Gabe e Márcia e, claro, ansiosa pelos relatos de tudo de Irã que vocês ainda têm pela frente (eu nem sempre comento, mas passo religiosamente para ler todos os seus posts ;) ). Boa viagem!

Nossa! É muito interessante ver que as diferenças são tantas, mas a vida parece tão igual em qualquer lugar do mundo.

Tenho curiosidade principalmente em ver o modo de viver dos jovens, das crianças.

Feliz viagem e descobertas para vocês!

9:53 | Unregistered CommenterRosa

Uma viagem tão acalentada não vai trazer desencanto. Aproveitem e nos deixe aproveitar também.

Arnaldo e Emília: só um pequeno conselho. Se pensam a sério ir a Yunnan, não demorem. Se querem AINDA conhecer um interior intocado, ou quase, não demorem. As alterações fazem-nas a um ritmo infernal e tudo o que é jenuíno, daqui a muito pouco, menos de um ano, já não o será. Tudo, mas mesmo tudo está a ser preparado para a invasão do turismo interno. Pudemos assistir a isso!
Um abraço
Graça Lagrifa

Caros amigos,
Boa tarde a todos, pois aqui 14:53 e estou
em Tabriz, uma hora de voo de Teerã capital.
Estou a 20 dias, se quiserem perguntar algo entre
Contato comigo. Aqui muito frio e muita neve
ainda. Abraços

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