CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

              Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


COMENTÁRIOS
PROCURA
Quer ler outras viagens?
De onde chegam os visitantes
« A Internet e a democratização dos relatos de viagens | Main | Personalidade, o que não deveria faltar ao arrumar sua mala »
Terça-feira
Ago272013

SAFARI no Londolozi - Sabi Sands, África do Sul

                     O ROMANTISMO é um estado-de-espírito, a expressividade pessoal originada na imaginação de cada um. Para uns, uma tolice, para outros, um privilégio. São emoções e paixões que quem as tem, sente, percebe e identifica, vive e cultiva à sua própria maneira. Na sua forma e na intensidade, são particulares. Então, para os românticos, qualquer lugar do planeta é apropriado à comemoração de datas e eventos românticos. Elas sempre terão seu valor, serão guardadas num lugar macio da memória. Eu não fujo à regra. O romantismo para mim é um patrimônio. Ainda mais especial porque o compartilho com uma mulher encantadora.

O buquê da noiva

                     UMA estrutura turística que acolhe magnificamente, atrações para os viajantes mais exigentes, lodges luxuosos e românticos, safáris encantadores, experiências memoráveis, retiro, relaxamento e o encontro com animais fabulosos. Então, nada nos parecia mais adequado à comemoração do aniversário de minha doce Emília e de nosso casamento. Ainda que ir à África seja uma idéia que sempre nos atraia - não importa se para o Norte, o Centro, o Leste ou o Oeste - à África do Sul é um destino mais que perfeito pra nós.

                      "SÓ não pode chover", eu pensava, ainda que soubesse que na Mãe África o Inverno é a época das secas, a melhor Estação nesta parte do mundo para passarmos os nossos três dias na savana sul-africana, para nos dedicarmos aos safaris e à contemplação da natureza.  Tudo o que contávamos era com bom tempo, surpresas agradáveis, experiências marcantes e dias intensos e nesta escapada à África do Sul. Assim, fomos para a Londolozi Game Reserve, na província Mpumalanga, Skukuza, quase fronteira com Moçambique, na Sabi Sand Reserve, entre quase 2 milhões de hectares de reserva natural.  

Marula, ou Maroela em afrikaans, árvore imponente da savana, cujos troncos são arrasados pelos elefantes

         A Savana nos esperava. Pousamos às 7:20 da manhã no O.R Tambo International, aeroporto de Johannesburg, oito horas e dez minutos após a decolagem em São Paulo. Vôo rápido, confortável, especialmente se comparado ao tempo gasto no processo de imigração: agentes insuficientes e muitos passageiros resultaram numa espera de 60 minutos(!) na fila até que carimbassem nossos passaportes. 

 

Cessna 208B Caravan 1. Com asas suspensas, excelente para vôos panorâmicos

                RECUPERAMOS a pequena bagagem - restrita pelo regime de carga do vôo seguinte, em quantidade, peso, tipo e dimensões - e caminhamos para o lounge da Federal Air. Uma equipe simpática, um confortável salão com jardim ao ar livre, petiscos, café e sucos, além de bons banheiros e uma loja de presentes tornaram agradável a espera pelo vôo. Em quarenta minutos embarcávamos no pequeno (repito, pequeno) e desconfortável Cessna 208B Caravan 1, de 9 lugares e asas sobre o teto, uma característica favorável a vôos panorâmicos.


 Minutos depois da decolagem o Cessna 208B Caravan 1 sobrevoava os subúrbios de Joburg

           DECOLAMOS naquele que seria um belo vôo de 75 minutos até Londolozi. Atingimos a velocidade de cruzeiro e deixamos pra trás os subúrbios de Joburg e iniciamos o sobrevoamos sua zona rural. Em meia hora entrávamos no espaço aéreo da Great Limpopo Transfontier Park, enorme planície de savanas, em cujos 6 milhões de hectares estão diversas reservas particulares e o Kruger National Park.


"Só não pode chover", eu pensava, mas logo as nuvens se dissiparam e deram vistas ao Sand River


O Cessna 208B Caravan 1 preparando-se para o pouso no airstrip particular do Londolozi

 

     MESMO no fim do inverno a mata ainda é ressequida. Os verdes são escassos, sobressaem os galhos secos e longos, os agudos espinhos das Acacia Nigrescens, a árvore mais abundante da região. Suas folhas são saborosas e nutritivas, ao menos para as girafas. Mais tarde nos divertiríamos com seu curioso esforço para alcançar os mais doces e tenros ramos das copas. Elas esticam o que podem seus pescoços e as longas línguas, conseguem assim colher or ramos sem ferir a boca.

 

     QUANDO nos aproximamos do primeiro campo de pouso da rota, o piloto anunciou uma  simulação de um pouso, um sobrevôo sobre a pista de terra, a baixa altitude, a fim de que o barulho do monomotor espantasse uma girafa e uma família de javalis africanos que rondavam a airstrip de Sabi Sands! Não posso deixar de lembrar do quanto aquilo me pareceu uma curiosa, interessante circunstância, como uma apresentação ao que experimentaríamos por todos os dias seguintes: viver realmente num território proeminentemente selvagem, onde os humanos são minoria.

 

 

Nosso Land Rover no Londolozi

 

        POUSAMOS no meio do nada. E ainda que não fosse nossa hora de sair do avião, aparentávamos mais entusiasmo do que os 6 passageiros que desceram dele. Poucos passos depois, subiram no jipe e sumiram na mata em direção ao seu lodge. Nossa "lata de sardinha" decolou logo com seus dois últimos passageiros, nós, em direção ao airstrip do Londolozi, o campo de pouso privativo de nossa reserva, a porta de entrada para nossas "aventuras". Pelo mesmo motivo foi preciso sobrevoar a pista antes do pouso para torná-la livre de animais. Hienas, antílopes e felinos são os mais frequentes por ali, dado à baixíssima quantidade de pousos e decolagens. Até mesmo os arredios hipopótamos costumam pastar nos limites do campo. O pouso foi agradável e logo os pilotos abriam a pequena porta e nos auxiliava na saída do avião.


No meio do nada, o campo de pouso do Londolozi

 

       - WELCOME to Londolozi! I´m Richard, your ranger for the next three days. Poderíamos imaginar uma recepção assim à porta do avião, nada mais natural. Entretanto, jamais que ela anunciasse uma companhia tão marcante, agradável e profissional dali por diante. O ranger é o funcionário dos game lodges responsável por conduzir os hóspedes nos safaris, a pé ou no jipe adaptado aos game drives - como chamam os safaris matinal e vespertino diários.

 

                     SÃO homens bem formados, conhecedores da fauna, flora e de todo o ecosistema da região. Admiram seu trabalho. Sobretudo amam os animais, fazem de tudo para preservá-los. Creio que reconhecem que eles são a razão de seu sustento. Nos safaris, acompanham-se dos trackers, seus ajudantes na tarefa de apontar direções a seguir, identificando trilhas e pagadas de animais.

 

Richie e Lucky, ranger e tracker em serviço seguindo rastros de leões 

            NOS despedimos dos simpáticos pilotos e seguimos Richard enquanto  carregava nossas malas para o jipe. O Land Rover modelo Defender 110 parecia novo, mas sem capota, para-brisa e bancos originais. Tudo retirado para a instalação de três fileiras de bancos. Eram nossas "arquibancadas" durante os safaris.

 

            A simpatia do ranger era numa escala incomum, agradou-nos porque notamos reciprocidade, imediata afinidade, identificação que teria uma importância que só ao fim da estada compreedeíamos e seria revelada. Subimos no Land Rover com a marca Londolozi na lataria e seguimos nosso caminho de terra, um curto trajeto até o lodge. Mais do que isso, a primeira atração, pois ouvíamos Richard contar as primeiras de tantas histórias e "causos", apontar-nos as primeiras belezas naturais da região. "Look at that clouds, looking like a paiting!" Sim, era lindo o céu com nuvens num formato incomum, parecendo uma pintura feita no céu.

 

 

 Sempre que chegávamos Erin esperava com toalhinhas quentes e umedecidas

 

         CINCO minutos gastamos do campo de pouso ao lodge. Estávamos numa área sem cercas por centenas de quilômetros, onde a vida selvagem é abundante e a natureza plena.  E que sempre imperaria sobre tudo mais. Seguimos a estrada poeirenta e eu já percebia sua incrível vibração, a atmosfera exclusiva, o caráter essencial de tudo o que viveríamos dali até o fim de nossa estada. Sentíamos sua energia, éramos absorvidos por ela, como o fomos por toda nossa estada. Olhei para trás e vi decolar o avião. Pensei em acenar para os pilotos, mas controlei a bobice. Uma nuvem de terra e nenhum sinal de civilização ficaram para trás...

 

O caminho tinha um cheiro específico, de Savana...

       O curto caminho tinha um cheiro. De um mato específico, de um ar puro e de uma temperatura agradável que também nos acompanharia por toda a estada. Mas havia um frescor incomum, de pureza da terra e do mato. Algo que nós, da cidade grande, não nos recordávamos bem. O clima era perfeito, o dia ensolarado, a temperatura amena. O ambiente não me parecia possívelmente melhor.  

 

Estilo africano contemporâneo. Bom gosto, discreção e elegância. Marcas registradas do Londolozi 

       ERIN - a gerente do lodge, nos esperava de pé. Seu sorriso branco era maior que sua estatura. Acenava para nós com uma das mãos e na outra segurava uma bandeja com toalhas quentinhas e umedecidas. Uma simpática recepção. Profissional, é claro, mas orientada para o hóspede sentir-se acolhido. Como numa casa de campo de uma família na savana africana, não num hotel.


       NO Londolozi Granite Suites não há Recepção, Concierge, recepcionistas ou porteiros. São poucos funcionários, ou então quase não os víamos. Não há check-in, mas acolhimento. E caloroso,  simpático, profissional, com toques de informalidade, sobretudo sem afetação, como tanto nos agrada. Natural, genuíno, personalíssimo e característico do Londolozi.

 

       MAIS tarde compreenderíamos o porquê ao conhecermos a história da propriedade, visitarmos seus bastidores, a vila de empregados, as ações conservacionistas e sociais da família Varty, proprietária e tocadora do negócio desde a década de 20. Todavia, a receptividade e a simpatia fazem parte da psiquê do povo local, não um privilégio do Londolozi.

 

 

Ênfase nos detalhes, objetos, tons discretos, crus e cinzas

 

         A maravilha natural, o lugar de excepcionais experiências, de encontros memoráveis com animais selvagens, sobretudo com pessoas inesquecíveis, sempre nos conduz às reflexões. No Londolozi, o conceito "safari fotográfico" vai além da observação e da fotografia. Ele exprime algo admirável, um avanço, resumido numa palavra encantadora, mas cujo conteúdo encerra ainda maior beleza: "conservacionismo".

 

         A conservação da natureza, o desenvolvimento sustentável, a recuperação de sistemas e espécies, o respeito e a preservação da fauna, enfim, do fabuloso patrimônio natural e ambiental daquela reserva são modelares. Reconhecida nacionalmente. Sobretudo depois que o Presidente Nelson Mandela visitou a propiredade dos Varty em 1992, conheceu seus propósitos e escreveu um discurso que ficou para a posteridade, como tantos outros daquele homem admirável:

 

“Londolozi representa um sonho de futuro, da preservação de natureza que eu desejo para nosso país.”

 

 

No deck do Londolozi, vista para o Sand River

 

                      ERIN nos levou ao lounge do Londolozi Granite Suites, um dos cinco do complexo. Decorado com bom gosto, em estilo contemporâneo africano, com ênfase nos detalhes, nos objetos, nos tons discretos, crus e cinzas, onde nada briga, sobretudo não se destaca na paisagem. Especialmente porque ela é permanente, descortina-se em cada canto, percebe-se de qualquer lugar, e tem impacto inesquecível assim que entramos em direção ao deck passando pelo lounge.

                      Que vista! Que ambiente!, eu exclamei baixinho.

Um dos três chalés do Londolozi Granite Suites. Vista para o Sand River até do banheiro

           ÀS margens do Sand River, a reserva é reconhecida entre as melhores do continente. Compartilha uma fronteira de 50 km com a Reserva Kruger.  É  uma imensidão, por onde circulam livremente os incríveis animais da savana. As cercas foram retiradas depois do empenho dos Varty em integrar as reservas da região.

 

           AO contrário do Parque Kruger, o trânsito aqui não é aberto ao público e não há estradas asfaltadas, cidades e tráfego de carros particulares. Apenasos  jipes especiais de cada game reserve. É o que faz a diferença. Além desta, não são muitos os hóspedes. A relação é de uma cama pra cada 167 hectares de terra. E cada reserva tem seus direitos sobre suas áreas, regras de safari e conduta, ainda que tudo esteja alinhado a conceitos comuns. Neste panorama, a Reserva Londolozi é pioneira no ecoturismo na África do Sul. Os Varty, proprietários da área desde 1926, a operam de um modo exemplar, tanto o complexo de lodges quanto as ambiciosas ações de conservacionismo e sociais.

 

 

Primeiro almoço, no deck do Londolozi Granite Suites

 

          CONVIDANDO-NOS a sentar numa das três mesas de refeição do deck, Erin começou a  nos passar o briefing de nossa estada, as atividades e serviços que o lodge dispunha para os hóspedes dos três chalés, cuja lotação máxima é de dois hospedes em seus 85 metros quadrados. As atividades vão além dos safaris. São de lazer, como yoga, massagens, caminhadas guiadas pela mata com rangers armados, observação de estrelas, aulas de tracking (identificação de pegadas), observação de pássaros e até uma noite dormindo numa barraca de camping.  

 

           OUVIMOS tudo ao sabor de uma taça de champanhe. Nossas malas já haviam sido levadas para nosso chalé. Erin também mencionou a cozinha do hotel, o tem padrão elevado de formação de seus chefs, que usam ingredientes cultivados localmente e preparam receitas familiares da família proprietária. O desjejum é no deck do prédio principal, mas pode ser no chalé. Ali também é local do almoço e do jantar, que também pode ser no boma, onde sempre há um evento comemorativo.

 

 

Bom gosto, discreção e elegância. Marcas registradas do Londolozi 

- Se vocês desejarem alguma comemoração especial, por favor nos digam com antecedência. Nós adoraremos a oportunidade de fazer algo memorável. Foi a deixa para eu lhe dizer que estávamos ali comemorando nosso aniversário de casamento e o de nascimento de minha doce Emília. Erin deu um sorriso e disse: "Não se preocupem, prepararemos algo especial e discreto!"

    

 

Com as crianças da creche-escola da Londolozi Village

 

             BOAS experiências de hospedagem não estão necessariamente atreladas a luxo e sofisticação, ao conforto, às vezes nem mesmo à propriedade. Ao contrário. Pelo menos para nós elas podem estar nas pessoas. Viajamos com muita freqüência e nos hospedamos em hotéis dos mais variados padrões. Dos mais inimaginávelmente simples - cuja categoria não poderíamos classificar sob nenhum critério oficial - aos mais sofisticados, onde até os mesmos os tais padrões revelam-se insuficientes. O critério de enquadramento por estrelas reforça minha convicção de que não precisamos dele. Ou de classificações oficiais. Mas ainda que internacional, aponta para a necessidade de estendê-lo para 6 e 7 estrelas, o que seria justo para classificar hotéis fora do comum. Aprendemos que não é o luxo necessariamente o que torna uma hospedagem uma experiência positiva e marcante.

 

O luxo pode estar nos detalhes, na paisagem da janela que invade a habitação, nos livros sobre a natureza...

             CONSIGO recordar-me de muitas em que os prazeres e alegrias estavam justamente na rusticidade e simplicidade. Ainda que experiências assim sejam pessoais, eu trabalho na indústria hoteleira, o que me confere condições de avaliar certas questões técnicas, sobretudo as que vão além dos prazeres do luxo e da beleza. Sabemos que cada categoria é preciso que os hóspedes tenham expectativas compatíveis, não fantasiosas. Posso então afirmar que nossa experiência no Londolozi Granite Suites passou a figurar entre as melhores que já tivemos, algo que poderia soar exagerado se apenas o luxo fosse levado em conta. Decididamente não é o que coloca este lodge na esfera do prazer total, nem o equipara em sofisticação, instalações e serviços ao La Mamounia de Marrakech, por exemplo. Ou do Four Seasons Sultan Ahmet de Istambul ou do Oberoi Udaivilas de Udaipur.

 

 

O luxo pode estar nessas criaturas fantásticas desfilando plácidamente diante de nossas janelas...

 

                      Londolozi significa "protetor de todos os seres vivos". A raiz da palavra está na lingua zulu, e reflete a ética de uma conservação ambiciosa que a família promove, através de ações reconhecidas no meio conservacionista internacional. Especialmente por uma gestão progressiva de reabilitação de terra e da vida selvagem, sobretudo pelo trabalho de conscientização e envolvimento da comunidade local. Há cinco modalidades de alojamento no Londolozi: Founders Camp, Pioneer Camp, Tree Camp, Varty Camp e Private Granite Suites. São diferentes conceitos para escolher, cada um com diferentes graus de luxo e intimidade, dependendo do gosto, necessidades, desejos e estilo de cada hóspede.


 

 

O luxo pode estar num rio pra chamar de nosso, numa piscina só pra nós...

 ____________________________________

 SAND, um rio pra chamar de nosso

 

- Não há chaves e fechaduras. Apenas esta tranca externa, à prova de babuínos, explicou Erin abrindo a grande porta de nosso chalé. Entramos numa sala de estar com um grupo de sofás, escrivaninha, aparador, poltronas e uma enorme janela envidraçada pela qual a paisagem invadia a habitação. À nossa frente, como uma extensão do chalé, o Sand River parecia só nosso, assim como os elefantes em manadas ao fundo, as pedras e as piscinas naturais onde à noite hipopótamos acomodavam-se, e de dia impalas pastavam quase tocando as imensas janelas.

 

           - É preciso trancar a porta por dentro através deste fecho de três voltas, completou. "Babuínos rondam à noite e se conseguirem entrar aqui provocam uma destruição. Já os pequenos Blue Velvet Monkyes não destróem, apenas roubam pertences."

 

Os simpáticos e safadinhos Blue Velvet Monkyes

Erin seguiu nos apresentando o restante da habitação. Completamente independentes do corpo do hotel, elas são enormes, têm 85 m² de luxo discreto e conforto ostensivo. O maior luxo é a fabulosa vista para o rio. E tê-lo como nosso quintal provativo. A cada passo tudo ia nos absorvendo, da decoração aos detalhes, do conforto aos mimos. Uma infinidade de pequenas coisas agradavam ao olhar, convidavam à exploração; dos livros de arte e natureza aos mimos: uma adega, cafeteira Nespresso, frutas, snacks, refrigerantes, bebidas, produtos cosméticos, de banho, de banheira, toalhas mil, roupões, bolsa com apetrechos para ginástica e yoga, enfim, tudo o que convidava ao descanso e à contemplação, mas em meia hora teríamos o almoço e às três e meia da tarde nosso primeiro safari vespertino.

 

- À noite não é permitido circular fora da habitação, mas se precisarem de algo, basta chamar pelo telefone e alguém virá acompanhá-los. As portas internas que dão para a varanda devem ser trancadas também. Mas se precisarem de qualquer coisa, basta discarem 100 e mandaremos alguém.”, completou a gerente.

 

Talvez eu não pude disfarçar a expressão de surpresa. Ao notá-la, Erin imediatamente completou:

 

- Tudo está incluído, das bebidas aos snacks, também lavagem de roupas pessoais.


 

 

Zebras, um dos muitos encantadores animais da savana


Nem tanto nem tão pouco. Não é o luxo que destaca a propriedade, ainda que ele não seja pouco. É sua inspiração arquitetônica, seu partido. Inspirado na pedra, na rusticidade da savana africana, no meio ambiente que o circunda, usaram-se uma gama de materiais naturais, africanos, rústicos, tudo para criar uma atmosfera inegavelmente elegante e contemporânea, irresistivelmente acolhedora, em tons de cinza, preto e prata. A piscina aquecida privativa externa (ideal para casais em lua de mel ou comemorando datas especiais), a incrível vista para o Sand River, a exclusividade e a ênfase no espaço são absolutamente notáveis. O conforto, irretocável. Nem seriam preciso aquela incrível banheira externa na beira do rio e o chuveiro quente para banhos ao luar. E a Lua estava cheia!

  Leão. Bem de pertinho.

         Provavelmente não foi por casualidade que Londolozi foi a primeira reserva de caça do mundo a ter concedido o estatuto de Relais Chateaux, o que significa acomodações de luxo, excelente cozinha e um serviço excepcional. Mas a infra-estrutura do Londolozi Granite Suites é discreta, não privilegia grandes espaços comuns, senão a intimidade dos hóspedes, as habitações são o foco e a tranquilidade. E acesso à Internet é wifi, gratuito e de boa qualidade.


Girafas. Discretas, arredias, desconfiadas, nunca se aproximam...

 

          Ainda que seguros, os hóspedes são invasores neste mundo selvagem, esmagadora minoria entre as bestas ferozes que habitam a área. Descuidos podem nos tornar presas, provavelmente as mais saborosas. Mas viajar por aqui é seguro. Absolutamente seguro, desde que observadas as regras. Mesmo sabendo disso, e nos acostumando a ela, é constante a alternação entre paz e adrenalina. Nada mais sublime e apropriado para uma viagem de aventuras. O deleite de um retiro e relaxamento também é de encontros memoráveis, de momentos de romantismo e intimidade conciliados com de aventura e natureza. Não há como descrever a sensação de dormirmos nossa primeira noite ao som de hipopótamos rondando o rio fora de nosso chalé. E o medo de que algum animal entrasse nele. Nossa enorme, deliciosa cama com dossel, abertas todas as noites por funcionárias do hotel, parecia uma segurança maior que as trancas que elas fechavam enquanto jantávamos, assim como as cortinas.


  

Gnus

           Caçadores armados com fuzis ainda pagam um bom dinheiro para circular entre as savanas africanas e matar animais selvagens. Pagam porque a atividade ainda persiste. Legalmente. A prática me aprece estúpida, amoral, desprezível, abjeta e indefensável. Uma brutalidade, crueldade quem defendem os que satisfazem-se com prazeres insanos, baseado no prazer incompreensível de matar animais por esporte.

 

Guepardos. Um espetacular encontro com esses felinos em Londolozi

           Infelizmente a caça ainda não é uma lamentável lembrança do passado, senão algo que subsiste, que torna hoje o rinoceronte um animal com tentdência a desaparecer na África do Sul até 2020. Mas a humanidade tem seu lado bom, evolui, ainda que por vezes em limitada velocidade. E mostra que há esperanças: cresce exponencialmente o fluxo de safaristas com objetivos bem mais nobres, "caçadores" munidos de câmeras em busca de troféus bem mais doces, belos registros da vida animal.


 

 

Os "caçadores" de hoje, munidos de câmeras, buscam troféus bem mais doces


    _________________________________________

    Como é a experiência de um safari?

 

    Parte dos caçadores virou ambientalista em meados dos anos 1900. Só o Londolozi tem 82 anos de história nesta atividade. E ao longo do tempo construiu uma formidável equipe de rangers, rastreadores e naturalistas. Todos com grande conhecimento da área, não apenas de animais e seus costumes, mas de suas conexões com a flora e toda a natureza.  Os rangers são especializados em safáris fotográficos, posicionam o veículo para os clientes obterem melhores ângulo. As experiência é feita sob medida para atender às expectativas e preferências dos passageiros, ainda que se observe um certo ritmo. A reserva é famosa por vários documentários ali filmados e por sua elevada população de leopardos. O sucesso deve-se a uma combinação de fatores, mas a proximidade do Sand River - que flui através da reserva e atrai espécies selvagens - é primordial. Também a qualidade da pastagens e as práticas ecológicas ajudam a sustentar uma população grande e variada de fascinantes criaturas selvagens.


 

 

Nem precisava o Sol se pôr para a Lua aparecer em Londolozi

 

          Nosso único desafio foi a paciência. Mas a cada novo encontro houve sempre uma recompensa enorme, especial e diferente da anterior, assim como da seguinte. Tão assustador quanto memorável é estar tão perto de animais selvagens a poucos metros de nosso carro. Por vezes chega a ser desconcertante, ou inacreditávelmente possível. São fáceis de encontrar, mas difíceis fotografar. Neste caso, quanto maior o preparo e melhor o equipamento, mais belas serão as fotos. Mas não se pode negar que o fator sorte contribui: estar no lugar certo no momento perfeito.


Em todos os safaris vespertinos, antes do Sol se pôr, um drink servido no capô do jipe...

Elefantes são especialmente fotogênicos. Os mais comuns na reserva, depois dos antílopes. Também as girafas ficam espectaculares nas fotos. As possibilidades de encontros com rinocerontes, hipopótamos, búfalos, hienas, girafas, zebras, lagartos, javalis, cães selvagens e gnus são bem promissoras. Também com uma boa gama de pássaros. Os exemplares mais comuns são pequenos antílopes, cervos fast food dos felinos. Não é difícil recordar-se dos especiais da Nat Geo e do Discovery Channel. 

 

 

Quando o Sol se põe, é encantador vê-lo atrás das ressequidas árvores da Savana

 

                O Inverno é uma época especial (*). Os dias são amenos e secos, as noites esfriam até os 8 graus, o nível das águas é baixo, as folhas caem, abrindo a visibilidade através da mata. Manadas de elefantes em fase de reprodução espalham-se por todo o cerrado, buscam o que comer nesta estação menos verde. Temos a sorte de vê-los às margens do Sand River bem defronte à nossa janela, numa vista elevada sobre as rochas de granito em que foram construídas as suítes. Os dias em Londolozi são definidos por intensas atividades, mas são as estações da ano que definem o comportamento da principal: a observação dos animais.


 

 Experiência memorável: café da manhã surpresa encantadora, servido na savana

 


 

 Romântico para um, tenso para outro, inesquecível para ambos

 

                 A melhor época para observá-los é entre as chuvas de Verão e o frio do Inverno. Estamos no fim do Inverno, no fim de agosto, a melhor para os safaris. Os dias estão frescos, não chove muito e conseguimos econtrar muitos animais. O que não muda é a experiência. São sempre incríveis esses encontros. Sobretudo porque são respaldados por uma hospedagem das mais incríveis e uma equipe de primeira.

 

 

Mãe e filha, mais um dos inúmeros encontros memoráveis

 

          Nosso primeiro game da temporada, às 3 e meia da tarde, começou com Richard apresentando nosso tracker, o Lucky, mestre na arte de observar animais, de indentificar pegadas, de compreender seus hábitos. Profissionais, atenciosos e discretos, gostam do que fazem, sobretudo são simpáticos e parecem gostar de conhecer nova gente. Neste primeiro dia nos acompanhou um casal inglês, ela extremamente simpática, ele um disgusting britânico só. Tão antipático que por vezes o clima ficava desagradável entre todos. O espaço no jipe é suficiente pra dois passageiros em cada fileira de banco, o que permite colocarmos mochilas e equipamento fotográfico entre nós e no chão.

 

 

Hipopótamos. Há muitos em Londolozi

          O ranger nos explicava as regras de comportamento e segurança durante os safaris, mas apenas quando necessário. Basicamente nos dizia que os animais não interpretam o veículo como ameaçador, tampouco como presa. Que não conseguem distiguir a silhueta humana dentro no veículo enquanto sentados. Todavia, que em nenhuma hipóte-se alguém deve sair e levantar-se, quando o perigo de ataque torna-se real e efetivo. Outras explicações, como nos mantermos imóveis, em silêncio e não colocarmos braços ou pernas para fora do veículo quando algum felino cruzava a três metros de distância nosso veículo. Mas eram ditas discretamente, e apenas quando necessário. Logo partimos para a savana, o tracker sentado numa cadeira à frente do motor. Ele tem como função encontrar pegadas e outros vestígios de animais, apontado direções para o ranger-motorista seguir.

 

 

Passam perto, muito perto de nós

 

                      Em minha experiência anterior em safari na África não tive tanta facilidade de encontar quantidade e diversidade de animais como em Londolozi. Ver os "cinco grandes" é quase garantido. Mas as estrelas de Londolozi são os leopardos. Por alguns anos os Varty usaram suas terras como uma fazenda de caça privada. Quando John e Dave Varty herdaram as terras de seus avós, em 1968, mudaram radicalmente os destinos da propriedade e o propósito de caça, implantanto o que seria um modelo de conservação e exploração sustentável. Começaram com uma abordagem ecológica e de recuperação do habitat. Entre os arvoredos densos de árvores da savana, os Varty recriaram o hambiente ideal do leopardo. E investiram no povo local, os shangaan, para inserí-los no processo de conservação e, futuramente, no mercado de trabalho. Como a terra protegida, animais começaram a voltar para as áreas reabilitadas e os leopardos, tímidos e solitários por natureza, em maior número. E assim, em 1979, o primeiro deles foi visto na reserva. Comportou-se tão relaxadamente na presença do jipe e dos humanos que carregavam que os Varty, encantados com os animais, passaram a protegê-los, preservá-los, estudá-los e registrá-los.

Leopardos, patrimônio do Londolozi   

                    Desde então a história de cada um desses animais notáveis tem sido documentada em Londolozi. Passaram ao status de maior atração da reserva. São provavelmente o mais feroz, territorial e independente exemplo entre os grandes felinos, e extremamente agressivos, especialmente as fême-as quando com filhotes. Perigosas, não distinguem muito bem os homens dos babuínos, sua presa favorita. Entretanto, nos últimos 25 anos, os leopardos do Londolozi acostumaram-se à proximidade dos jipes e os seres humanos que carregam. Os leopardos masculinos têm área territorial entre de 20 a 30 quilômetros quadrados. As fêmeas, entre 9 a 11.

 

Não há perigo, desde que observemos as regras do safari

 

           A escuridão chega cedo no Inverno. E é notável na savana africana. É hora de voltarmos para o lodge, onde funcionários esperavam a todos, acabavam de preparar as atividades noturnas, iluminar os caminhos, arrumar o salão principal, acender as lanternas e velas para o jantar. De noite tudo fica especialmente bonito. Antes do jantar nos encontramos no salão principal e tomamos coquetéis, reecontramos outros hóspedes, confraternizamos, conversamos com nossos tracker e ranger, trocamos idéias sobre as atividades do dia e depois jantamos. Foram uma tarde e uma noite inesquecíveis. Tudo estava ótimo. Retiramo-nos cedo pra cama. O dia seguinte começaria cedo, às 5 da manhã.

 

 

 Lucky, o tracker

           ____________________________________________

          Por que "Big Five"?

 

          Quando se começa a pesquisar sobre safari africano, a primenira dúvida é quanto ao termo Big Five. Ele designa os animais africanos - leão, leopardo, rinoceronte, elefante e búfalo. E por não o hipopótamo, a zebra, a girafa, por exemplo? Eles também são grandes. É simples: o termo foi criado por caçadores, não para designar os safari tours. Refere-se aos animais de grande porte com maior dificuldade de matar, principalmente devido à sua ferocidade quando encurralados. Os operadores turísticos dos safari fotográficos simplesmente pegaram o termo big 5 e o transformaram num elemento de marketing. Todavia, os guias jamais deixam de dar importância a qualquer outro animal que não sejam os cinco grandes, simplesmente porque assumem que o turista ficará empolgado com todos, especialmente girafas e zebras. Todos têm suas belezas, mas eu também ficava muito encantado com as girafas e as zebras.

 

Os dias começam cedo, mas as recompensas são inevitáveis. Como o encontro com esta guepardo. às sete da manhã...

 

          Os dias começam cedo. Às cinco da manhã. Às 5:30 da manhã um leve desjejum nos é levado no chalé, suficiente para aguentarmos o retorno, quando um verdadeiro café-da-manhã acalmará nossa fome por volta das 9 e meia. Depois de um rápido gole no leite e no café, duas mordidas num biscoito e nas frutas, já nos sentamos no jipe. Durante o dia a temperatura chega aos 25, mas cedinho beira os 5 graus. Por isso colocam mantas e sacos de água quente (!). Ao fim da primeira centena de metros de estrada de terra já estamos no meio da savana africana. Estamos em safari, como sugere a palavra em swahili, algo extraordinário, exclusivo e inesquecível. A natureza tem seu ritmo. É ela, através dos animais, quem dita o nosso durante um safari. O objetivo é entrar em sintonia com ela, a fim de tirar o melhor proveito. Ao amanhecer a experiência é profundamente compensadora. Assim como testemunhar o pôr-do Sol. Ou as estrelas e o luar, sob um céu incrivelmente limpo no meio do nada. Ouvindo rugidos, sons de pássaros e vozes de animais, assistindo a vida selvagem seguir seu ritmo, sentindo seus cheiros no ar. Depois, ou nos retiramos para a privacidade ou fazemos algumas das atividades na mata ou no próprio lodge.

 

          _________________________________________

          The Village Walk. In the Footsteps Of Mandela 

 

Vila do Londolozi - Tradições preservadas, humanismo e conservacionismo

           Quando visitou Londolozi em 1992, Nelson Mandela logo percebeu o que estava sendo vivido pelos funcionários, o resultado de uma gestão em colaboração com a natureza e a coletividade, integrando todos com um só objetivo. Ao fim da visita, empolgado com o que vira, Mandela disse:

 

During my long walk to freedom, I had the rare privilege to visit Londolozi. There I saw people of all races living in harmony amidst the beauty that mother nature offers.

 

        Foi sob estes valores que Nelson Mandela apresentou à nossa nação os conceitos de Londolozi e o divulgou, replicando o que viu e conheceu em seu passeio pela Londolozi Village, a que todos os hóspedes são encorajados a experimentar. Assim o fizemos. E tivemos uma experiência marcante e inesquescível.

 

         _________________________________________

         Fotografando num game drive

 

                     Fotografar de dentro dos veículos requer estabilidade da câmera. É uma arte em si. Além da limitada possibilidade de disparos em 360 graus, precisa-se de ampla gama de distâncias focais para maximizar a possibilidade de boas fotos. Nem sempre isso é possível, mesmo com o veículo parado. Na África do Sul os veículos safari são abertos, isto é, sem tetos e janelas, o que é fantástico para os games, pois a sensação de estar dentro da cena é bem maior, além de tornar a mobilidade fotográfica maior. Não há espaço suficiente para uso do tripé no interior do veículos, mas um monopé é bastante adequado e útil. Alguns safaris de Zâmbia e Botswana adaptaram seus veículos com suportes de câmeras, outros fornecem sacos de feijão para apoio delas. 

           Pode haver tanto umidade quanto poeira, até mesmo chuva no caminho. Então o equipamento precisa de proteção e pincel e papel de limpeza.  É muito provável que se esteja fotografando em condições de luz abaixo da ideal. Isto significa que é preciso compensar com lentes rápidaa e manejo adequado dos níveis ISO, além, claro, de uma almofada para  firmar a câmera. Mas também é possível haver luz brilhante, o que  requer o uso de filtros e compensação desta luminosidade conhecendo a câmera e seu manejo. Os filtros skylight e haze são bons para proteger as lentes e melhorar as fotos. Os polarizing filters são úteis para fotografar lagos e rios, acentuando o azul do céu e as nuvens. Binóculos também são muito úteis e recomendáveis.

 

                       Então, se há um item indispensável aqui é uma câmera digital. Não importa qual o nível de habilidade do fotógrafo, nem de seu orçamento para a compra de equipamentos. O que importa de verdade é o gosto pela fotografia, ainda que o domínio do equipamento quase sempre resulte melhores registros. Qualquer pessoa pode fazer bos fotos, porque fotografia é exercício. No Londolozi há uma cultura fotográfica natural.

 

Richard, nosso ranger, com sua Canon Mark II e uma Tele de 600 mm     

                        

                        Além dos hóspedes, rangers costumam fotografar, estão sempre à procura de bons registros e disponíveis para alguma assistência e orientação quanto às melhores maneiras de fotografar nos safaris. Assim, conversas sobre fotografia são frequentes. Quanto aos equipamentos, há inúmeras câmeras para escolha no mercado, e a diversidade de modelos e tipos dificulta a escolha do principiante. Se seu caso for em breve adquirir uma câmera, uma boa medida para acertar é ficar entre uma Canon e uma Nikon. São marcas que oferecem os melhores equipamentos e acessórios profissionais e semi-profissionais. E ambas se equivalem, nenhuma delas é muito melhor do que a outro.  Apesar de que o corpo de uma câmera ser importante para a qulidade de suas fotos, considere investir mais numa lente do que numa câmera. Uma lente determina mais a qualidade de uma foto do que um corpo de câmera. O corpo define mais a funcionalidade e os recursos enquanto estiver fotografando do que a qualidade.

 

O Land Rover Defender 110. Capota serrada e rifle para qualquer eventualidade 

          Quanto mais potente o zoon da câmera, melhor deverá ser o suporte da câmera. Naturalmente os passageiros do veículo desenvolvem seus protocolos para o manterem sem balanços e emprestando seus lugarem para uma vista melhor. Há inúmeras opções para apoio das câmeras, de almofadas (*1) a suportes fixos para as janelas do jipes (*2), além de monopés. Tripés, evidentemente, são desaconselháveis, já  que não há espaço no veículo. Usuários de câmeras 35mm precisam no mínimo de uma lente de zoom 70-200mm, rápida, além de uma grande angular. Especialmente de uma lente com VR (anti vibração). Este é um kit básico. Uma lente 70-300mm seria perfeita. Quem quiser ir além, pode ter uma zoom fixa de 300mm e extensores com 1.4 ou 2 vezes para ela ou para as zoons de menor alcance. Se o fotógrafo tem uma Nikon ou Cannon digital SLR full frame não precisará de tanto. Todavia se a câmera tiver fator de crop em seu sensor, vai precisar de um extensor por causa da redução da distância focal imposta pelo pequeno sensor CCD.  Não seria mal uma lente de 500 ou 600 mm como se vê na foto.

 

Usei uma Nikon D 800, de 36 Mp, full frame, com battery grip. E lentes zoom grande angular Nikon 24-300mm f/4.5-5.6, uma tele 70-200mm f/2.8D e uma tele 300mm f/2.8D, além de filtro polarizador circular em dias de céu claro e com nuvens. Uso com parcimônia recursos de correção posterior, com o software ACDsee 8.

_____________________________________

A despedida de Londolozi

 

- Good people atracts good things, nos disse Richard depois do inesperado encontro de um leopardo às margens do campo de pouso. Nós abíamos o que ele queria dizer. E sem comentarmos, ficamos tocados. Nos despedimos com um abraço e subimos no avião, sentindo uma enorme saudade dos maravilhosos dias que passamos em Londolozi.

 

O último encontro com um leopardo em nosso caminho para o campo de pouso

                      Do encantador jantar no boma em comemoração ao aniversário de minha doce Emília, das funcionárias que apresentaram-se cantando em coral músicas típicas em zulu enquanto carregavam um bolinho com velas, da deliciosa conversa com os dois outros casais e com o Richard, das histórias incríveis que ouvimos e da deliciosa comida que experimentamos.

  

O último jantar, no Boma do Londolozi Granite Suites

      Emocionados, nos despedimos de Richard e de Londolozi, profundamente marcados por aquilo que seria um retiro romântico na natureza selvagem da África do Sul e consagrou-se em mais numa incrível experiência de viagem e de vida.

 

  

      O pouso do nosso Cessna no airstrip de Londolozi anunciava o fim daquela encantadora escapada à África do Sul. Olhávamos para nós mesmos promentendo-nos que voltaríamos.

 

Olá! Obrigado pela visita!

____________________________

NOTAS importantes e úteis: 

 

Assim como esta, todas as nossas viagens são escolhas pessoais. Não recebemos patrocínio, suporte, apoio ou incentivo de terceiros. Em nenhuma circunstância ou sob qualquer pretexto. Nem mesmo disfarçadamente.

 

Para nós é uma alegria viajarmos espontâneamente. Sobretudo poder escrever sobre hotéis, destinos, cias. aéreas e operadoras turísticas por liberalidade, não por retribuição ou compensação.

 

Assim sendo, todos os produtos, pessoas, hotéis e serviços aqui mencionados não têm o conhecimento dos mesmos e não são recompensados de qualquer forma, anterior ou posteriormente à sua publicação.

 

Tanto quanto viajamos independentemente, emito minhas opiniões e faço escolhas. Cada link aqui citado, cada produto mencionado, comentado, revisado, resenhado, avaliado, reflete uma experiência pessoal. E é feito com a suposição de que o leitor saiba identificar os objetivos do blog, que os verificará com o fabricante, fornecedor ou prestador do serviço em questão. 

________________________________________

 

(*1) http://www.kirkphoto.com/Fat-Bag-Support.html

(*2) http://www.kirkphoto.com/Kirk_Window_Mount.html

Dicas de fotografia em safaris: (em inglês) http://www.luminous-landscape.com/essays/Safari-Tips.shtml

Bagagem: se parte de seu itinerário inclui vôos em aeronaves pequenas, há sérias restrições de à bagagem: peso (20 kg por pessoa), tipo (mala não rígida) edimensões. O espaço é restrito nas aeronaves e o piloto pode recusar-se a levar bagagem volumosa ou excessiva. Os tipos mais comuns de aviões são Cessna 208 Caravans ou Beachcrafts. Uma razoável quantidade de bagagem de mão e equipamento de câmera em geral é permitida dentro do avião. Elas vão ao fundo e no chão da aeronave.

Caça: http://www.hunteasterncape.com/page/gallery

http://www.africanskyhunting.co.za/

http://www.huntinglegends.com/trophy-gallery/hunting-plains-game/

Malária: http://www.siyabona.com/malaria-information-general-precautions-treatment.html

No Brasil, tomamos a medicação VIBRAMICINA 100 mg, vendida apenas com receita médica controlada. Consulte seu médico, porque há restrições diversas à medicação, sobretudo em caso de gravidez e crianças.

Clima: é normalmente 'seco' de abril a outubro. O período de inverno vai de maio a agosto. Durante este tempo, a altitude desempenha um fator importante a influenciarm nas temperaturas. Ao longo da costa, os dias geralmente são quentes mas a noites podem ser bem frescas. Sobre as áreas de 'highveld' (Kalahari, ao redor de Gauteng e algumas das províncias do Limpopo e Mpumalanga), enquanto as temperaturas do dia podem ser 'altas', à noite podem cair muito. Em setembro e outubro começa a esquentar com a proximidade do verão. Informação é a chave par ao sucesso de uma viagem. Assim como o planejamento. Por isso, neste caso, é preciso saber desde quando e como ir até questões de idades, que podem ser relevantes, também sobre questões de saúde (prevenção contra malária), o que levar e vestir e as severas restrições quanto a bagagem.

Hospedagem: a diversão é cara. Especialmente se contabilizada em valores diários, ainda que tudo esteja incluído, das três refeições ao dia às bebidas - vinhos, drinks, água e refrigerantes - e, claro, alojamento. Os serviços também: safaris, atividades, seguro, lavanderia, impostos, aulas de yoga, academia de ginástica e transfers.

Vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=M5J_0Zzd__4#at=141

http://www.youtube.com/watch?v=Y-TfC7u9XrA&feature=player_detailpage

http://www.youtube.com/watch?v=1-4TUcVY-DI

http://www.worldweatheronline.com/v2/weather.aspx?q=LDZ

_____________________________

Reader Comments (10)

Arnaldo parabéns pelo lindo post! Que lugar lindo e encantador. Ficamos com muita vontade de conhecer tambem! Desejo a vocês dois muito amor e muitas viagens! E vou deixar uma frase do Mário Quintana acho que mostra muito o sentimento de vocês: " as pessoas não se precisam, elas se completam ... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida" . Beijos Paula e família

16:12 | Unregistered CommenterPaula

Meu querido, um relato fiel desses poucos dias no meio da savana. Poucos, mas muitíssimos bem vividos.
Nada consegue descrever a emoção de estar tão próximo desses animais, da sua beleza, da sua natureza selvagem. E experiência que foi complementada pelo fato de termos escolhido o Londolozi, onde nos sentimos tão bem. Que lugar espetacular, todo o conjunto.
Obrigada por ter sido minha companhia neste aniversário inesquecível.
Um beijo...

22:34 | Unregistered CommenterEmília

Minha admiração por você, por vocês e pelo que você(s) fazem, aumenta a cada post. É preciso muita sensibilidade para se perceber a atmosfera de um lugar. Você faz isso de uma forma brilhante. Não consigo pensar em outro adjetivo. Brilhante.

0:17 | Unregistered CommenterAlcides

Dio santo, que post. Estou aqui sonhando com o texto e com as fotos. Beijos aos 2!

13:47 | Unregistered CommenterPatricia

Que viagem linda! Parabéns ao casal e especialmente à Emília pelo seu aniversário!
Que post lindo! Impossível não viajar com vocês com tamanha riqueza de detalhes e fotografias lindas (como sempre!).
Muitas felicidades para os dois queridos!

16:23 | Unregistered CommenterPaula*

Espectacular!Maravilhoso! Te acompanho a muito tempo e este post é um TOP 5. O lugar com certeza é deslumbrante por natureza, mas com certeza, teu post aumentou essa beleza por 1000. Um beijo e feliz aniversario atrasadissimo a Emilia e continue viajando e fazendo a gente viajar também. Um abraço

17:31 | Unregistered CommenterRegina

Em meio a tantas fotos lindas, tantas descrições apaixonadas e tantos animais fofinhos, queria agradecer a vocês por compartilharem todo esse encanto aqui. É muito bom ver um pouco dessa (e de outras) viagens fantásticas dos dois. Todas elas têm muita beleza e inspiração. Eu já admirava você antes de (felizmente) conhecer o blog pelo que o Alcides falava/fala e agora tenho uma visão ainda mais perplexa da sua sensibilidade. Parabéns. Sou sua fã, você é muito bom nisso. Deve ser de família...

21:38 | Unregistered CommenterMariana

Mesmo que eu não posso acreditar que você foi tão perto destes animais. Uma experiência inesquecível. Esse lugar é verdadeiramente prodigioso!!! Eu gosto muito das viagens de aventura que fazem vocês juntos.

Acho que é um delicioso prazer de ler esses textos acompanhados por essas belas fotos.

10:21 | Unregistered CommenterCarmen L.

Eram as fotos que faltavam no seu blog. Tomara que vocês tenha sido picados por essa paixão que é a Africa. O hotel é simplesmente deslumbrante. Esperando pelo Irã, boa viagem.

21:09 | Unregistered CommenterElizabeth

Parabéns, Arnaldo! Como sempre é um prazer ler o que você escreve. Sem contar a emoção, que é transmitida, como foi o caso quando vi o buque de noiva. Sem contar o lado técnico, que você expõe tão bem e que e tão útil a quem quer viver uma aventura como esta.

Vendo estes bichos magníficos, a vontade é, com certeza, viver esta experiência. Saber todos aqueles animais ao redor deve ser fantástico e emocionante. Como já falei antes, nao deixe de escrever, pois e muito útil e delicioso de ler.

Abraços,

Mariliana

15:03 | Unregistered CommenterMariliana

PostPost a New Comment

Enter your information below to add a new comment.
Author Email (optional):
Author URL (optional):
Post:
 
All HTML will be escaped. Textile formatting is allowed.