MENSAGEM ao LEITOR
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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Sábado
Mar152014

ATACAMA - No Deserto, o triunfo da natureza  

O imensamente belo, sereno, misterioso e invulgar Deserto de Atacama

         NÃO bastasse a Cordilheira dos Andes - assustadoramente bela vista do avião - uma outra vastidão, imensamente bonita, serena, misteriosa e invulgar apimentava meu desejo de terminar o vôo Santiago-Calama. Sobretudo pousar logo! E então, prontamente vivenciar aquele triunfo, alegoria, verdadeira luxúria da natureza: o Deserto de Atacama.

         Ainda hoje não estou convicto de que a excitação era pelo encontro com o deserto ou pelo alívio ao fim de um vôo tão turbulento. Numa van, a caminho de San Pedro de Atacama, o "portão do deserto", a pouco mais de 100 quilômetros de distância, eu  refletia que se sair do avião fora um grande alívio, entrar no carro um reconforto.

Lagoas e vulcões da Trilha das Lagunas Altiplanicas (Salares do Altiplano) 

 Assim que nos afastamos de Calama em direção a San Pedro o cenário começou a mudar, revelar o que afinal se espera de um deserto: terra crua, aridez, poeira, montanhas e algum verde, rasteiro, como é próprio aos desertos. E quanto mais nos aproximávamos de Atacama, mais o cenário tornava-se invulgar e novo, a terra mostrava sua cor dominante e monocromática. Os tons do deserto agora iam aparecendo nas montanhas, mesmo com cumes nevados, nos vulcões acinzentados, nas lagunas ora verdes, ora azuis, nos planaltos ocres ou avermelhados, enfim, numa complexa natureza do deserto neste lado do mundo. A viagem foi mais rápida do que eu esperava e logo chegávamos ao Explora(*).

Salar de Atacama, Lagoa Chaxa 

           San Pedro de Atacama é a base para a exploração daquela exuberância natural atacamenha. Na periferia do vilarejo fica o Explora (*), distante 15 minutos a pé do agradável centrinho da cidade. Chegamos ao nosso quarto e tivemos uma surpresa: uma impactante vista  colossal pelo janelão espantosamente grande do quarto, uns dez metros de de vista escandalosa aberta para o Licancabur.

            A paisagem era arrebatadora, especialmente à luz da tarde. Víamos "rabos de raposa", muros de adobe e o vulcão espetacular ao fundo. O "encontro" foi tão emocionante, algo assim como deve ser para quem vê o mar pela primeira vez.  E ainda que todos os demais dias avistássemos o Licancabur - não apenas de nossa janela, mas de todo o Atacama - ele jamais perdeu seu encanto, sua misteriosa capacidade de magnetizar nosso olhar. Há mais de quarenta vulcões na região, entre ativos e inativos, mas nenhum, nenhum se iguala àqueles seis mil metros de Licancabur.

Licancabur, o vulcão. Simétrico, cônico, perfeito 

  Simétrico, cônico, perfeito, quase na Bolívia, mas parecia tão perto. Inacessível, assim eu o imaginava. Ao ponto de ninguém jamais ter ousado trilhá-lo. Mas que nada! Soube que a arqueóloga Ana María Barón nos anos 80 conduziu expedições aos vulcões da região, inclusive ao Licancabur. Mas ainda assim aquilo me parecia mais uma saga interminável do que uma trilha montanhosa até seu topo. É difícil sim, mas absolutamente possível subir ao topo do vulcão. Tudo, é claro, dependendo do preparo físico e entusiasmo psicológico do "aventureiro".

"Recepcionados" pelo Licancabur ao Atacama, ainda nem sabíamos o quanto mais aquele imenso deserto nos reservava. Sabiamos que eram gêiseres, cordilheiras, desertos, gargantas, fontes termais, lagos e salares e algo mais. Que estávamos em alguns dos contrastes paisagísticos e geológicos mais incríveis do planeta. E ainda que eu já estivesse irremediavelmente seduzido, só os conhecia por foto. E tudo já me parecia poético demais. Ainda que para um deserto, o dramatismo inóspito pudesse me sugeir.

Por vezes parece lunar, outras terrestre, algumas marciana

O Explora explora?

Não tenho dúvidas de que o hotel mais famoso de Atacama seja bom. Mas também estou certo de que está longe de ser ótimo. E também de ser luxuoso. É comum que lhe classifiquem nessa categoria, ou então na de "luxo-rústico". Discordo de ambas. A simplicidade é o tom dominante, não o luxo, que efetivamente não há. Por isso o achei caro demais para o que proporciona. E ainda que relativamente confortável e equipado, que sua proposta esteja absolutamente correta (conforto sem se distanciar da essência do deserto), falta Internet nos quartos, não há ar condicionado e TV, o ventilador de teto é ruidoso, o mobiliário é rústico e o banheiro em ardósia e com cortina.

 

Todavia, o saldo foi positivo. Poucos os aspectos negativos. Entretanto, para um hotel com sua pretensão de classificação, sobretudo com os preços que cobra, não ter TVs e Internet nos quartos e servir uma comida mediana são pontos marcantes, ainda que pra mim TV não faça a menor diferença, mas a falta de sua companhia poderá ser entediante para muitos hóspedes em seus momentos de relaxamento no quarto, antes de dormir ou nos dias que tiraram para descansar das trilhas. A comida é mediana, mas não ruim. Tem boa apresentação, mas é grave ter sido sempre servida em porções insuficientes, ao ponto de às vezes não satisfazer.

 

O Explora e suas piscinas. Como tudo no hotel, rústicas e atraentes

            O hotel aparentemente é rústico demais quando comparado aos da concorrência do mesmo padrão. Mas seu status (ainda) lhe permite cobrar o que cobra, certamente também por sua localização, pelo pioneirismo, pela estrutura (caríssima!) e pela excelência das atividades relacionadas à exploração do deserto -  dos trekkings e passeios às cavalgadas e bicicletas. Provavelmente o Explora seria incomparávelmente superior aos seus concorrentes. A filosofia do empreendimento é defensável e elogiável, mas é a equipe do hotel, excepcionalmente atenciosa, simpática, prestativa e eficiente, foi o que eventualmente nos faria retornar.

Explora e Licancabur

           Fizemos todos passeios que quisemos sem qualquer restrição por parte dos organizadores, ainda que observadas suas recomendações, suas orientações e questões técnicas relacionadas com a necessidade de adaptação à altitude, aos graus de dificuldade das trilhas, às roupas e proteções necessárias contra a secura do ar, à altíssima incidência de raios ultra-violeta e às eventuais dificuldades de respiração devido à altitude.

Salares do Altiplano- Laguna Aguas Calientes

Há cerca de 50 possibilidades e meios de explorações a pé, a cavalo ou de bicicleta oferecidos pelo Explora. Ele aproveita e explora. Todos estão incluídos nos preços das diárias. São passeios que duram de algumas horas a um dia inteiro. Ou - no caso de travessias à Colômbia, por exemplo - alguns dias. Uns são de fácil execução, outros têm maior grau de dificuldade.

 

No final da trilha à Laguna Aguas Calientes, um piquenique ao ar livre

Todas, entretanto, são explorações quase inteiramente seguras e realizadas em grupos relativamente pequenos (os nossos tiveram quatro, seis e oito pessoas, respectivamente), com guias bilíngües em espanhol e inglês. Ou portunhol, já que provavelmente 80% dos hóspedes eram brazucas.  As explorações de um dia inteiro têm piqueniques ao ar livre, carinhosa e cuidadosamente arranjados pela equipe ao fim de cada jornada, produzidos e embalados na cozinha do hotel. Até prová-los não se imagina o quanto são úteis e agradáveis.


 

Explora

             O Explora(*) mantém o status de "ideal para a exploração do Deserto do Atacama".  Nisso sem dúvidas ele funciona soberbamente. Seus guias - contratados ou free-lancers - são profissionais com certificação Wilderness First Responder (WFR), o que lhes garante conhecimento e habilidade necessários a prestar socorro em lugares remotos.  E das cerca de 50 excursões à escolha do hóspede, cerca de 15 são muito populares, entre elas a subida ao Licancabur.

Janelas par

a o Licancabur

           No Explora leva-se quase uma vida dupla. Aparentemente pode haver certo antagonismo nisso, entre a condição de "explorador" e de hóspede de resort de "luxo" relaxando em suas piscinas fantásticas. Mas não, integram-se perfeitamente ambas as atividades.

        Quantos dias? Ficamos seis. Seriam necessários dez para concretizarmos o desejo de fazer todas as trilhas que queríamos, mas o tempo foi bastante, justinho, sobretudo porque estou certode que no sétimo dia eu sentiria o tédio batendo à nossa porta. Além disso, esticamos" a viagem em mais quatro dias, dois na simpática e curiosa Valparaíso, mais dois na Capital, Santiago.

Cactos colunares e centenários

       O regime do hotel é de pensão completa: três refeições e bebidas do cardápio incluídas. Os extras são raros, a não ser que peçam vinhos de primeira e massagens no SPA. As refeições têm todavia aparência melhor que o sabor, variaram entre mediana e relativamente saborosa durante nossa estada. Mas dizem ainda assim são melhores do que a maioria dos hotéis. Para nós, exceto pelo churrasco excepcional que o hotel proporcionou aos hóspedes uma determinada noite, a melhor refeição que tivemos foi fora da cidade. Há muitos, muitos e bons restaurantes em São Pedro, e quem hospeda-se no Explora (com pensão completa) acaba deixando de aproveitar as ótimas experiências culinárias fora do hotel.

Os prazeres de uma vida dupla no Explora: aventura e relaxamento  

            Um "equipo" de diretores de guias ocupa uma sala muito bem munida de mapas, tabelas de horários, dados e conhecimento de cada trilha. É nela que os hóspedes toda tarde combionam e acertam os detalhes das atividades para o dia seguinte. Tecnicamente os guias orientam detalhes de cada trilha, definindo e formando os grupo de trilheiros para as respectivas caminhadas. Apresentam seus graus de dificuldade e cacarterísticas técnicas, especialmente altitudes, distâncias e equipamento necessário.

Trilha Guatín a Puritama. Não parece, mas é no deserto

         Esta é a parte mais difícil: decidir-se por uma exploração, porque as opções e paisagens são variadas. Todavia, enhá as mais notáveis: os gêiseres de El Tatio, os Vales da Lua e da Morte, o Salar de Atacama, as Lagunas do Altiplano e a trilha Guatín a Puritama, para citar apenas entre as mais importantes.  

Menu do dia: trilhas, caminhadas, cavalgadas e bicicletas

           Há outras opções de hospedagem? Sim, claro, mas cuidado: alguns são boas, todavia ficam muito distantes de San Pedro de Atacama, o que pode fazê-lo arrepender-se de não estar a apenas uns quinze minutos a pé do vilarejo, para explorar seus restaurantes e atrações.

Trilha Lagunas Altiplanicas (Salares do Altiplano) - Laguna Tuyaito

         Talvez a experiência mais exclusiva num hotel de Atacama seja o Observatório do Explora. E de fato ela é absolutamente fantástica para quem gosta do firmamento e de astronomia. Com um telescópio potente, "visitamos" alguns pontos de nossa galáxia. A imaginação, as fantasias da  "viagem" pela imensidão infinita de Universo fica por conta de cada um, mas alí no Atacama encontram-se as melhores condições do mundo para a observação do espaço. Não por outro motivo lá estão o Observatório La Silla, o Very Large Telescope da Colina Paranal, o Observatório Gemini e o radiotelescópio Atacama Large Millimeter Array (ALMA), centros internacionais de pesquisa instalados no deserto.

Trilha das Lagunas Altiplanicas (Salares do Altiplano) Laguna Aguas Calientes 

 Porque um olhar poético sobre o deserto? Porque é deserto, mas nem tanto

Porque ao contrário do que nos sugerem os desertos - silêncio, desolação e morte -, o Atacama evoca sedução e vida, romantismo e poesia. É deserto, mas nem tanto. Chega mesmo a ser acolhedor, apesar de sua aridez escancarada. E tem sobre ele um céu como não há noutro lugar. Em sua terra, o silêncio é notável. E há até flores. Definitivamente não é um deserto comum, de dunas de areia, quase sem vida, como o Saara por exemplo, a não ser por aquele lagartinho estranho que fica trocando as patas entre o ar e a areia evitando queimá-las. Ou os besouros rola-bosta insetos detritívoros persistentes que tiram o sustento do cocô de camelos.

O Vale é da Lua, mas às vezes parece Marte 

O Atacama é poético sim. E tal sensação vem de sua incrível diversidade de vida, naturais quanto humanas, da paisagem, do solo, que por vezes é de sal puro, de onde supõe-se que nada nasce, que se nasce não cresce, não vive nada. Mas numa laguna salar é possível ver flamingos alimentando-se de micro organismos, esvoaçando lindamente sobre as salgadíssimas águas de onde retiram a sobrevivência. E em alguns sítios plantam-se milho e quinua. E vêem-se raposas, coelhos e ouvem-se pássaros. Há lhamas, alpacas, vicunhas e, creio, mais nenhum outro camelídeo.

Raposa do Atacama, um raro exemplar da vida animal do deserto

Por vezes chega sua natureza é luxuriante, ainda que estejamos na retidão de um deserto. Foi assim que senti o deserto em Puritama, ainda que não seja ali apenas que o Atacama consagra-se em bem mais que um deserto, senão o triunfo da natureza impondo-se sobre tudo e todos. Um vasto deserto de raros, de doces, de envolventes momentos, de encantos do encontro com uma natureza curiosamente longe de ser inóspita, mas espantosamente atraente, sedutoramente convidativa. Quando estamos nele, só pensamos em ficar. Quando estamos longe, só em voltar.  

Deixar apenas pegadas, trazer apenas lembranças:  uma lei para o montanhista

Nós, apaixonados pela natureza das montanhas, pelos desertos, pelas trilhas, off-road e caminhadas, sempre dormíamos pensando que ele estaria ali, no dia seguinte, nos esperando. E nunca deixávamos de querer estar perto dele. Eu estava certo de que adoraria aquele deserto, mas não tanto quanto ele me cativou. Deserto, sublime deserto!, às vezes monocromático - como a Lua -, outras colorido: azuis, verdes e vermelhos como seu fosse uma terra tropical. Pode ser tanto extra-planetário quanto aqui mesmo da Terra.

Lhamas de tererê do Atacama

            Trilhas, trilhas e mais trilhas. Nossos dias no Atacama

         Nossa opção foi explorar ao máximo, enfrentar as dificuldades com determinação. Afinal, não fomos ali pra descansar ou relaxar. Então começamos nosso primeiro dia com uma caminhada de intensidade moderada, relativamente longa, de quase três horas: a Trilha Cuchabrache.

       Vimos formações naturais, os arredores do rio San Pedro, vegetação, fauna e flora, sítios arqueológicos, cruzamos planaltos arenosos, desfiladeiros erodidos por milhões de anos de ventos e cursos de água e retornamos ao hotel maravilhados. Extremamente entusiasmados ao fim de nossa primeira trilha, já estávamos ansiosos por marcar no hotel as seguintes

A primeira trilha, Cuchabrache

           Tanto o padrão dos guias quanto dos motoristas situam-se entre os melhores que se podem desejar. Desde o cuidado com o passageiro ao descer da vam (colocam um banquinho de madeira para pisarmos antes do chão!) às aulas de cultura atacamenha, de geologia, de geografia e arqueologia. É o que faz o Explora valer a pena.

A última trilha, o aparentemente interminável Vale da Lua

           Quem vai ao Deserto de Atacama o faz para penetar na sua beleza, para transitar por seus espaços, tocar no que for possível, deixar sua zona de conforto, tornar-se explorador no lugar de espectador, ingressar no território árido, cru e seco, para percorrer trilhas de diferentes graus de dificuldade, das mais fáceis às mais extenuantes. E também conhecer a cultura dos atacamenhos, chinchorros e aymaras, povos que habitam a região há 11.000 anos. Mesmo nas trilhas não se escapa de cruzar com sua cultura: ruínas, petroglifos, história, culinária e até artesanato.

Gêiser da Trilha Rio Blanco

           Mas cuidado! Tudo pode parecer lindo, mas não vá ao Atacama sem planejar. Era fim do Verão e a temperatura extremamente agradável, ao contrário do início da estação. O "calor" era suportável e à noite a temperatura descia uns dez graus. E ainda que seja comum ler "não chove há mil anos no Atacama", chove sim, mesmo que num curtíssimo espaço do ano, mas que pode infernizar a vida do visitante. Se pensar em ir no Inverno, lembre-se de que as temperatuas são negativas e há neve e gelo.

Às vezes, as distâncias parecem intermináveis e o final das trilhas, no infinito...

            As principais atrações - entre as cerca de cinquenta trilhas e explorações do Deserto de Atacama - são: o Vale da Lua, o Vale da Morte, o Salar de Atacama, as Lagoas Cejar e Chaxa, as Lagunas Altiplânicas Miscanti e Miñique, a Aldeia de Tulor, Pukara de Quitor, os povoados de Toconao e Machuca, o Gêiser de Tatio , o Salar de Tara e o Vulcão Licancabur são as mais atraentes.

           O Vale de la Luna e o Vale de la Muerte são os lugares onde as formações geológicas têm o aspecto mais extra-terrestre ao deserto. O Salar de Atacama - gigantesca região de sal - com as Lagunas Chaxa e Cejar, são um espetáculo. Foi ali que vimos o por do sol. E no Rio Puritama, uma das trilhas mais bacanas, de cenário variado, de  gargantas e rios a cactus colunares e deliciosas termas.

Guatín - Puritama. No final das trilha, uma surpresa deliciosa: o banho nas águas termais...

           O Atacama é como um templo para exploradores. O lugar onde podem melhor manifestar seu amor, admiração e respeito à natureza. Para escritores de viagens, uma profusão de adjetivos, para fotógrafos, a possibilidade de registrarem imagens tipo National Geographic.

Sobe-se. Sobe-se muito na Trilha Cuchabrache. Lá debaixo até aqui..

  Todo o Atacama é uma terra belíssima, desenhada por milhões de anos de processos geológicos e erosões, ora com a cara de Lua, ora com a verdadeira face da Terra. De uma vida animal surpreendente para lugar tão seco: pássaros, mamíferos e répteis. A vida selvagem limitada sim, mas linda e única. E sob a imensidão do céu de Atacama, arqueólogos exploram as camadas da terra procurando respostas e descobertas de antigas culturas e civilizações. E os astrônomos olham para os confins do mesmo céu - com telescópios de lentes ou de ondas radiofônicas - desvendam nas estrelas os segredos de uma dimensão espacial ainda insondável.

Deserto, sublime deserto...

            Do Céu à Terra é seco. Tanto quanto se pode sentir penetrar um ar rarefeito que a garganta resseca e os lábios racha. O Sol a pele queima. Até descascar. O ar rarefeito o peito aperta. Mas a despeito de todas estas dificuldades, de todo esforço físico que explorar o deserto nos exige, em nenhum outro lugar do planeta fui tão impelido a destrinchar até seu último grão de terra. Não o fiz, mas trouxe a vontade de voltar.

Trilha Rio Blanco. Fomos os primeiros turístas a percorrê-la

San Pedro de Atacama

Para chegar até lá não há dificuldade se o caminho escolhido for o mais fácil: de avião até Santiago do Chile, depois até Calama, e por fim uma viagem de hora e meia de carro até San Pedro de Atacama, simpático e pequeno povoado de construções de adobe, ruazinhas empoeiradas, com cerca de 3 mil habitantes. Mas vimos gente, brasileiros especialmente, indo de moto.

San Pedro de Atacama nasceu porque era parada para os colonizadores espanhóis no século XVIII. Hoje, além de base para explorações ao Deserto de Atacama, é o principal centro da cultura atacamenha. Os visitantes hospedam-se em pousadas simples ou hotéis completos, dentro e fora da cidade, mas ninguém resiste a reservar um dia para explorar - de dia e de noite - suas ruas, lojas, restaurantes e atrações.

Uma das muitas igrejinhas antigas da região

Caracoles é a rua principal do simpático vilarejo com boas opções de hospedagem, de comida, lojas para atividades no deserto e roupas e equipamentos de montanhismo, artesanato, agências de viagens e facilidades turísticas, especialmente telefone e internet. A cidadezinha é divertida, ainda que viva do turismo. Para hospedar-se há dos mais incríveis hotéis às mais simples pousadas e albergues. Ficamos no Explora (*), mas há outras opções de luxo e completas, como o Tierra Atacama, o Awasi e o Kunza(*).

A igrejinha de Machuca, minúscula aldeia atacamenha

           Turisticamente falando, a cidedezinha tem na Igreja de San Pedro, bem antiga, do começo do século XVI, sua atração histórica mais importante. É bonita por dentro e por fora, ainda que extremamente simples e rústica. Feita por espanhóis, foi recentemente restaurada, inclusive o telhado feito de madeira de de cactus, que ameaçava despencar. O interior tem charme singelo, uma característica exclusiva das igrejas da região. 

           Outra atividade importante para quem quer conhecer um pouco da cultura atacamenha e pré-colombiana é uma visita ao Museo del Padre Le Paige, pequeno, mas bem curioso e mantido, com sortido acervo em exposição. Entre outras peças em grande número, os mais curisos são apetrechos para inalação de alucinégenos, comum entre os indígenas da região:  460 tabletas, encontradas nos diversos sítios arqueológicos.

Trilha Guatín - Punta del Inca

        Centro da cultura indígena do Atacama, um passeio de dia ou à noite em San Pedro está entre as atividades populares. Nós gostamos especialmente da praça da cidade, onde fiacam o prédio antigo da polícia, a prefeitura, a simpática igrejinha, o correio, o museu e o escritório de informações turísticas.

Deserto, sublime deserto: flores na Trilha Guatín - Punta del Inca

            É difícil escrever sobre o deserto sem parecer poético demais

            E também sem aparentar ser um artifício para atrair o leitor. Mas não foi uma idéia presumida, caríssimo visitante, senão fruto de algo que senti, de uma beleza comovente, da imponente força magnetizadora da natureza. E ainda que eu considere a pressa inimiga da qualidade, quando cheguei da viagem não consegui controlar a compulsão de escrever. E aqui estou a publicar, poucos dias depois, o único capítulo sobre o Atacama de uma viagem encantadora. Será que Pablo Neruda escreveu sobre aquele deserto? Vou pesquisar...

  Vicunha, esse animalzinho gracioso, é um camelídeo abundante no Atacama

             Vivo vivendo esse conflito: aprisionar a vontade de colocar logo tudo no papel digital e o risco da vontade passar. Mais do que a vontade de escrever, a de publicar. Quem tem um blog sabe o baita trabalhão que isso dá. E estou certo que é esta uma das razões porque os blogs de viagem estão definhando. Ainda que a passos de tartaruga, mas seguindo o rastro de um coelho.

             Além do desinteresse da massa de brasileiros sobre o tema "viagem", da cultura vigente do curto prazo - Twitter e Instagram -, da culpa dos blogueiros pela mediocrização de blogs que entraram nessa onda de monetização, um verdadeiro mico na blogosfera, não se esgotam nestes motivos a questão: o tema "viagem" nunca representou um décimo da atração e importância do tema "moda", gênero onde as chances de ganhar dinheiro são infinitamente superiores. Dinheiro, quero dizer. Não me refiro a trocados.

            É claro que eu gostaria que os bons blogs de viagem não morressem. Sou um dos pioneiros da blogosfera viajante, afinal. E deixo claro que ao me referir aos "bons blogs", não relaciono entre eles apenas os amadores honestos (os sem jabá), mas também os comerciais sérios, não direcionados por anunciantes ou por quem pague seus autores para escreverem sobre algum tema, mas àqueles cujo interesse efetivo está na produção de conteúdo isento, com qualidade. Sobretudo que não imitam a medíocre revista "viagem & turismo".

         Por do Sol na Laguna Chaxa 

            Por isso, enquanto houver gente com disposição de produzir coisas boas, de emitir opiniões honestas, de fazer blogs bem feitos e caprichados, sobretudo desvinculados a qualquer tipo de jabá, às viagens publicitárias, aos publiposts, senão em publicar pra quem gosta de ler coisas sérias e consistentes, ainda penso numa possível sobrevivência dos blogs de viagens. Neste caso, destaco o Viajar pelo Mundo, da Claudia Liechavicius (http://www.viajarpelomundo.com/). Foi nossa principal fonte de pesquisas e antes de viajarmos ao Atacama.

             Então, leitor, ainda que sua vista seja uma honra e seu comentário um privilégio, em vez de ficar aqui perdendo tempo no Fatos & Fotos de Viagens lendo essas ranzinices sobre a porcariada em que se transformou a blogosfera "monetizada" de viagens, vá correndo à seção "Chile" do Viajar pelo Mundo e encontre um excelente, completo, independente e sobretudo gratuito manual sobre aquele deserto chileno. São posts bem escritos, muitíssimo bem ilustrados com ótimas fotos, repletos de dicas e abordagem profunda e com personalidade acerca de San Pedro de Atacama, o Vale da Lua, o Vale da Morte, o Salar de Atacama, os Geiseres del Tatio, Machuca, Puritama, Guatin, Lagunas Altiplânicas e o Salar de Tara

Até mesmo no ressequido e inóspito Vale da Lua é possível uma visão romântica. Tudo depende do observador

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NOTAS

(*) Aqui não tem jabá. Não sou blogueiro que escreve por comissão, para pagar fam trips ou receber agrados, mimos, presentes e afins. Não faço viagens que não tenham sido nossa escolha. E os produtos e serviços aqui eventualmente mencionados não têm o conhecimento dos mesmos, não são recompensados de qualquer forma - anterior ou posteriormente à publicação - e se o fiz foi por liberalidade, com o intuito de informar o leitor. 

O Explora foi pago com nosso dinheiro. Foi escolha. Portanto, não viajamos a convite do hotel para depois escrever sobre ele. Nunca escrevo sobre o que quer que seja tento sido pago para isso. E se o fizesse seria apenas sobre viagens que já fiz (ou que faria independentemente).

Minhas opiniões são independentes, assim como as escolhas, elogios, críticas, menções e relatos. Não há qualquer compromisso a não ser com a informação, a motivação e a inspiração do leitor. Cada link ou produto citado é feito com a suposição de que o mesmo leitor saiba identificar ou perceba os objetivos do blog, sobretudo que as verificará com o fabricante, fornecedor ou prestador do serviço em questão.             

Reader Comments (13)

Uma delícia de relato e fotos, um convite irresistível, ainda mais porque esse é nosso tipo de destino, natureza exuberante. Achei muito interessante seu comentário sobre o Explora. Vivemos uma experiência quase idêntica no Pantanal, não vou falar o nome mas o hotel (no caso, pousada) mais badalado do território, que fica muito aquém das expectativas geradas por diárias estratosféricas. Não que seja ruim, não que a gente estivesse procurando mais luxo, longe disso. Simplesmente, o oferecido não condiz com o valor pago.

Grande abraço para o casal!

8:14 | Unregistered CommenterTony

Olá, Tony, um grande prazer "vê-lo" aqui e perceber que compreendeu inteiramente minha avaliação sobre o Explora, sobretudo que gostou do texto.

Obrigado e um carinhoso abraço com saudades à Cecília e parabéns pelo Passaporte BCN (http://www.passaportebcn.com/), o guia de vocês sobre Barcelona.

Grande Arnaldo, belo e poético post, como de costume. Obrigado pela inspiração! Estou indo pra lá no mês que vem, mas fico no Hotel Alto Atacama. Vamos ver se volto tão inspirado quanto você! :) Forte abraço do amigo.

Lindo!

Recomendo fortemente o post pela beleza das fotografias. O cenário é sublime, realmente, mas as fotos são tiradas com sutileza e bom gosto. Isso realmente é um destino que eu gostaria conhecer!!!

Eu estou mais atraída pelo continente americano, que pela África. Certeza que é porque é mais perto do meu país. Da África gostaria conhecer Madagascar, Ilha da Reunião, Cabo Verde, Ilhas Maurícias e Zanzibar, mas meus experiencias em Marrocos e na Argélia não foram muito bom.

5:07 | Unregistered CommenterCarmen

Sua opinião sobre o hotel parece muito interessante, especialmente para os viajantes que não querem ter uma surpresa e também não barata.

Arnaldo, desculpe, mas eu também acho excelente, completo e independente o seu fatosefotos!. Agora vou visitar o Viajar pelo Mundo... mas o seu blog é OK! Chapeau!

7:20 | Unregistered CommenterCarmen

Caro BRUNO VILAÇA, é sempre um privilégio "vê-lo" aqui, sobretudo ler um comentário como este. Fico orgulhoso de conseguir inspirar leitores de seu gabarito, e o agradeço por ter registrado o fato.

O Atacama é o único "destino unanimidade" que conheci, mas ainda assim, reconheço que viajar é algo pessoal (e jamais deveria ser intransferível!). Portanto, ainda que eu deseje realmente que tenhas uma viagem encantadora,que o destino o magnetize como fez conosco, o que valem no final são sua opinião, sua experiência lá e as impressões que trouxer. Portanto, não deixe de retornar contando-as.

O Alto Atacama é um hotel extremamente atraente e bonito, muito reservado (no sopé de um morro e diante de um rio) e tem uma atmosfera muito agradável. Está bem distante de San Pedro, mas deixo a sugestão de visitar o vilarejo num dia (manhã ou tarde) livre.

Um grande abraço ao amigo e nossos votos de que tenha uma espetacular viagem em todos os aspectos.

CARMEN, você é sempre uma visitante que comenta, elogia com sinceridade, capta os objetivos do blog e, creio, concorda com eles. Assim, não posso deixar de registrar a satisfação com isso. Agradeço sinceramente sua visita e comentários.

Um grande abraço.

Que alívio! Dessa vez esse querido casal maneirou nas travessuras. Uma viagem de aventuras, sem sustos!

10:34 | Unregistered CommenterRosa

NEM tanto, ROSA, nem tanto, mas de fato as aventuras foram bem mais, digamos, comportadas! Grande abraço!

Arnaldo, seu blog é sensacional e inspirador.
Continue nos presenteando com belos textos e imagens.

E, claro, muita saúde para conseguir realizar cada vez mais viagens!

Igor

10:33 | Unregistered CommenterIgor

Obrigado, Igor. Agradeço a simpatia e os bons votos. Só não posso prometer que continuarei com os "belos textos e imagens".

Arnaldo, mais uma vez uma publicaçao maravilhosa, regada com aquelas emoçoes que sentimos quando realizamos uma viagem. Emoçoes que voce sempre consegue transmitir a todos seus leitores. Me has despertado Ira, he "babado" com cada linha sobre Etiopia..isso sem falar das belezas de Myamar. Sao somente alguns relatos que me vem a mente neste momento. Sigo seu blog a muitos anos, desde quando o Aquela Passagem de Rodrigo Purish recem começava a engatinhar e que me deu grandes palpites a minha primeira aventura ao Sudeste Asiático; quando o "Viaje na viagem" de Ricardo Freire era um projeto. Voces eram meus referentes tanto para estar ao dia sobre viagens em geral, como também para buscar referencias e idéias quando organizava viagens, minhas e para clientes.

Creio que uma vez, comentei que voce nao dá dicas, nao indica onde dormir, comer, etc,etc; você desperta a curiosidade de teus leitores e acredito firmamente que "essa" é a grande dica - despertar a curiosidade. Continue assim...

Adorei este post especialmente porque, como agente de viagens, através dele consegui informaçoes valiosas e sinceras sobre o Explora, entre outras informaçoes sobre a minha paragem preferida - o deserto, aparentemente morto mas tao cheio de vida. Continue assim.

Esperarei ansiosa suas impressoes sobre Moscou porque foi meu "lar" durante 15 anos e vou adorar ver a cidade que conheci tao bem através da tua escrita. Um abraço grande e continue assim.

19:44 | Unregistered CommenterRegina

Lindas imagens, como sempre. Saudades do Atacama.

Bom dia, Arnaldo!

Demorei para conseguir entrar no blog, pois na China os blogs não abrem... Passamos alguns dias por lá e achei que já fosse encontrar uma China mais aberta para o mundo, mas que nada! Tudo continua como antes.

Quero agradecer muito pelo carinho de ter mencionado o Viajar Pelo Mundo! Obrigada.

Compartilho com sua posição sobre blogs recheados de "jabá" e com matérias pagas. Fico muito feliz em poder escrever livremente, poder dar minha opinião honesta seja elogiando ou não determinada situação de viagem conforme minha vivência. Essa liberdade não tem preço. Nem consigo entrar em blogs com cara de "vendidos". Fico profundamente incomodada. Credibilidade é fundamental. É por isso que gosto tanto de ler seu blog e o da Emília. Textos emocionantes, inspirados, verdadeiros.

Obrigada mais uma vez.

Beijo no casal.

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