CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


COMENTÁRIOS
PROCURA
Quer ler outras viagens?
De onde chegam os visitantes
« PRAGA, um feitiço | Main | ATACAMA - No Deserto, o triunfo da natureza »
Terça-feira
Mar252014

Cada vez se lê menos, se escreve pior e se quer ganhar mais fácil 

                  JABÁ é suborno

                  NÃO há nada melhor (nem mais digno) do que ganhar dinheiro honestamente, sobretudo com trabalho. E se o trabalho for bom, nem se fala. Esta é a glória dos bons profissionais para seus trabalhos remunerados. Blogs dão trabalho. Muito. Quem tem, sabe. E ainda que sejam poucas, há boas, honestas e bastante transparentes maneiras de remunerá-los: ganhar algum dinheiro sem vender a alma ao anunciante, sem ter que escrever post patrocinado (disfarçadamente ou não), ter a vida mediada pela monetização, escrever sobre viagens e destinos para os quais foi pago para fazer. Encher uma página com anúncios horrorosos também é lamentável, mas não é vergonhoso como aceitar jabá.

                  Mas nem todo blogueiro que pensa ganhar dinheiro com um blog age com respeito ao leitor. Tampouco à blogosfera. E muito menos ao mercado. O foco é apenas em seu bolso. E ainda que isso não seja privilégio da atividade (tem todo tipo de gente - de artista a profissional liberal - vendendo-se ao mercado, pagando /oue recebendo jabá. Às vezes até por vergonhosa merreca ou um mimo qualquer). A prática diferencia os desprezáveis dos respeitáveis.

                Vejo agora surgir uma nova modalidade nessa onda da monetização os blogs. A "onda" já dizimou meu interesse nos blogs faz tempo, eestou certo de que parte substancial dos leitores de blogs. A mais nova modalidade de monetização - pedir dinheiro ao leitor através de doação - ou “financiamento coletivo”, chama-se crowdfunding. Consiste em amigos, família e estranhos ajudarem um blogueiro a custear seu blog através de doações. Ajuda a mantê-lo e, eventualmente, até remunerar o blogueirro, dar lucro. É algo tão simples quanto genial, cujo maior mérito é ser transparente: se você gosta (e acha que deve), doa um dinheirinho e pronto! Sem constrangimentos, continua a ler seu conteúdo, todo satisfeito por que ajudou o autor do blog que tanto o agrada. Mas caso você não faça doação, também continuará a ter acesso livre ao mesmo blog, sem qualquer censura, restrição ou constrangimento. Bacana isso, não?

                 Se eu contribuí? Não. E nem o faria. Mesmo sendo transparente, apoiando a iniciativa, e até mesmo gostando de alguns blogs e de seus autores. Não o fiz, nem o faria. Também sem contrangimentos. Conceitualmente, quando um blog é posto no ar por inciativa própria , amadoristicamente, por prazer, passa-tempo, não vejo porquê devamos remunerá-lo quando seu autor decide cobrar pelo que fez e faz no meio do caminho. Seu patrimônio informativo é público. E gratuito. Se o publicou assim, foi porque quis. Eu não me sinto nem um pouco culpado (ou como recomenda uma leitora na caixa de comentários, "responsável") caso seu autor (por mais admirável que seja, não conseguindo mantê-lo, resolvesse encerrar seu blog, especialmente por não obter sucesso ao angariar soma necessária (ou esperada) para mantê-lo ativo. Comparo a prática a alguém tomar a iniciativa de jogar-se num trabalho voluntário, ter imenso desgaste físico, gasto de tempo e custo pessoal e financeiro e no meio do caminho resolvesse cobrar pelo que faz.

               Eu mesmo tenho imenso trabalho com o Fatos & Fotos de Viagens, todavia jamais cobraria a responsabilidade da minha remuneração aos leitores, sobretudo através de doações. É uma questão meramente conceitual: se meu trabalho sempre foi voluntário, mas algum dia eu não puder suportá-lo, e resolvesse ganhar dinheiro com ele, procuraria outra forma de remuneração, tão digna e transparente quanto a do crowdfunding). Provavelmente seria através de anúncios. Ou vendendo produtos produzidos por mim, desde que ambos não comprometessem a credibilidade do meu blog nem a de minhas opiniões. Mas, como tudo, se alguém deve ou não patrocinar e suportar um blog é questão pessoal.

               O crowdfunding é assunto passageiro. Como este blog e toda essa onda. Não tenho dúvidas. Mas ainda que eu olhe pra isso com atenção e respeito, estou convicto de que é muito pequena a possibilidade de alguém ganhar dinheiro (substancial e representativo, quero dizer) com um blog de viagens, sobretudo através de doações. É tão pequena a possibilidade que jamais passará de ser ridícila a quantia, o que não compensaria o custo do desgaste que ele acarreta ao blog, à blogosfera e ao mercado. É apenas mais uma tentativa equivocada da onda da monetização. Apenas mais uma entre tantas que ajudam a afundar os blogs de viagens. Blogs já foram populares. Ao redor deles reuniam-se multidões de fãs, de leitores e comentaristas. Formavam-se verdadeiras “comunidades” ao seu redor. Hoje não. É difícil pensar em mídia mais decadente no Brasil do que a blogosfera com fins lucrativos. Pior, o que era comunidade virou panelinha. Comentários já não há? Dois, no máximo três, fora as respostas do autor. Convenhamos, se para um blog amador o comentário é a remuneração do autor, paraos os profissionais ter tão irrisórios comentários (e às vezes nenhum!) em cada post é uma tragédia, realidade bem mais importante do que a quantidade de visitantes decrescente.

                Tirando os blogs de moda e os de cíticas de comidas (reconhecidamente os reis da jabalândia, os mais cara-de-pau nessa onda), o resto só cai em audiência, sobretudo na quantidade de comentários e interesse coletivo. Alguns por razões muito óbvias. Outros nem tanto. Mas o tema "viagem" jamais teve (nem terá) para a sociedade brasileira o mesmo "peso" de importântia e atração que os temas "moda" e "gastronomia".

                 O “Zarpei - Diário, Fotos e Aventuras pelo Mundo”, por Adriano Teles (não conheço e jamais havia ouvido falar até epsquisar o assunto), foi o primeiro que conheci a adotar o crowdfunding. Agora o Gabriel quer viajar acaba de lançar seu blog às doações voluntárias.  Até mesmo o do Gabriel, a quem me cabe incentivar, torcer a favor, porque, volto a dizer, além de ser prática digna de suportar, sobretudo porque (ainda) é um blog para se levar a sério. Mas o assunto, por certo, renderá algum debate. E, naturalmente, obterá apoio de uns e desaprovação de outros. Todavia, estou me referindo ao crowdfunding como uma campanha decente para angariar fundos, limpa e transparente, sem subterfúgios ou meias-palavras. Como o Grabriel: claro, sério, objetivo e transparente. Nesse pântano de sacanagens em que se consagra a monetização dos blogs, o crowdfunding é uma bóia no mar de lama. E o Gabriel um sujeito que merece estar na bóia.

                Já há até sites especializados em crowdfunding no exterior. Conceitualmente alguns são um pouco mais amplos, como o Trevolta,  nova start-up cujo objetivo é suportar alguém que queira obter dinheiro através de doações para seus projetos. É bacana. É muito bacana. Eu, por exemplo, apoiaria projetos com os quais eu simpatizasse, desde que tivessem nascido com esse objetivo: remunerarem-se através de doações. O novo conceito - engenhoso, volto a dizer - de angariar fundos para financiar algum projeto por quem se inspire em idéias, trabalhos e projetos de terceiros, tem também no GoFundMe - The World’s #1 Personal Fundraising Websites – um crowdfunding pra qualquer pessoa e qualquer evento, e no Fundly, outro site de doações, opções para qualquer pessoa facilmente doar dinheiro on-line. O Fund your travel, por exemplo, é específico para quem busca fundos para empreender viagens. Viagens patrocinadas mas particulares. E quem pesquisar o assunto encontrará dezenas de outras alternativas. 

Blogs respeitáveis que ganham dinheiro

                Há outras maneiras bem mais trabalhosas de ganhar dinheiro com blogs. Entre elas a que mais apoio e simpatizo, e torço efusivamente pelo sucesso para que sejam rentáveis e remunerem verdadeiramente o trabalho: a venda de produtos produzidos pelo próprio blogueiro, como guias de viagens. É o caso do Tony Galvez , fotógrafo e viajante, que junto com sua esposa Cecília Galvez produzem guias de viagens extremamente bem feitos, ricamente ilustrados, bonitos e muito úteis. Tenho a maior admiração por eles porque são o melhor (quem sabe os únicos) exemplos notáveis de dignidade no trabalho, de profissionalismo, de seriedade, de compromisso com o leitor e de não adesão à onda da monetização e associações afins. Eles estão entre os raros blogueiros profissionais não vendidos. E em toda a sua trajetória jamais deram um passo com o qual eu discordasse. Fosse produzindo livros fotográficos encantadores, seja agora com os guias de viagem  mais bacanas e bem feitos de toda a blogosfera. São GUIAS de VIAGEM, não esses panfletinhos que se vêm por aí. É trabalho minucioso. O Passaporte BCN é um deles, primeiro trabalho bacana, caprichado e aparentemente tão cuidadoso quanto posso imaginar a capacidade do casal de fazer outros iguais. Acabaram de lançar os guias  Sevilha e Zaragoza, disponíveis no seu site para compras. Desejo tanto, mas tanto sucesso a ambos que vou comprar alguns exemplares para presentear amigos viajantes, aos que me pedem dicas de viagens paratais destinos.  Além de amigos pessoais que respeitamos e admiramos, Tony e Cecília são profissionais que enxergam os blogs de viagem da mesma maneira que eu. 

                 Mas os sintomas da perda de interesse na blogosfera não estão apenas no rumo que ela mesma tomou. A decadência, para mim, é um tanto mais óbvia: a saturação digital e a busca por novidades de quem usa a Internet. Todavia, os motivos da decadência nem sempre são tão evidentes. Ao menos não tanto quanto os que levaram (e ainda levam) ao declínio a banda mais antiga das redes sociais: Orkut, Facebook e Twitter, nesta ordem. A velocidade que acaba com alguns blogs não é igual a que acaba com outros, ainda que os efeitos não sejam tão devastadores para uns quanto para outros.

                  A base de toda rede social é, em si mesma, um dos motivos porque todas acabam morrendo: qualquer um publica o que deseja, com ou sem critérios: verdades, inverdades, superficialidades, conteúdo sério, mentiras, difamações, piadas, coisas romantiquinhas, mensagens bobinhas, comunicados importantes, banalidades, notícias consistentes, politicamente corretas, opostamente incorretas, assuntos genuínos ou publicados por jabá e/ou dirigidos pela monetização. Ainda que haja muito menos blogs caça-níqueis e blogueiros vendidos do que blogs e blogueiros honestos, as vantagens da liberdade de cada um fazer o que bem entende na Internet acarreta riscos e tem suas conseqüências em toda a blogosfera. Óbviamente, nem sempre positivas: todos colhem respectivamente seus frutos e a blogosfera passa a valer pelos ruins não pelos bons.

                  Como diz a matéria da Revista Época de 17 de Março (2014, edição 824) - “Chega de Facebook, cansados de estar em lugares onde todos estão, os usuários de Internet buscam alternativas no universo das redes sociais". E a mais popular de todas elas - Facebook - assim como os blogs, acabarão um dia.                

                   É por essa razão que os geniais criadores de mídias digitais inventam dezenas de outras, cada qual com sua peculiaridade, segmentação e especificidade. A matéria da revista relaciona 50 redes sociais criadas para quem quer fugir da mesmice. São opções ou quase desconhecidas ou estrondosamente populares. Todas atraentes para quem procura novidade e cansou-se de "postar", "curtir" e "cutucar", bobices ou não, até de expôr-se digitalmente. Quase todos se cansam da mesmice e da popularidade excessiva. E nesse mundo das redes sociais (entre as quais incluo os blogs), a popularidade pode ser tão desastrosa quanto o populismo é para a política. Todo pântano em que se escondem as imundícies um dia secam, e trazem à tona a sujeirada escondida abaixo da linha da superfície. E quem vive se vangloriando de seus milhares de likes e seguidores não percebe que nem um nem outro atestam qualidade, honestidade e transparência.

O fato é que estamos em crise!

                   Nós não, o Brasil, caro leitor. Em crise generalizada. De excelência, de qualidade, de credibilidade, de seriedade e às vezes de falta de vergonha na cara. No campo ds blogs, por exemplo, a crise é bárbara. Vejam só o e mail que recebi dia desses, de um tal "searchlaborator" (que diabos será isso?!) me oferecendo "post para o seu blog": 

 

                "Olá, Alexandre! (eu me chamo Arnaldo!). Primeiramente, parabéns pelo blog. Achei o conteúdo muito bacana e divertido de ler. (legal seria se ele não dissesse o mesmo pra todos). Estou trabalhando em nome da Sony (!) e gostaria de saber se posso oferecer (!!) um post para o seu blog (!!!). Seria sobre notebook e tablet, de como eles podem ajudar muito a vida de um viajante (!!!!). O post seria único e conteria um link para o site da Sony." (legal, de novo. A pobrezinha da Sony paga você pra oferecer propaganda de graça em blog alheio!)

                Estaria interessado? (não, obrigado, Marcelo!) Se sim, por favor, entre em contato no email.

 Saudações,

Caio Blanco

Online Marketing Researcher

www.searchlaborator

 Minha resposta:

 "Caio Blanco (foi duro resistir à vontade de chamá-lo de "Caio Neglo"), o Fatos & Fotos de Viagens não publica posts patrocinados nem propagandas gratuitas.De qualquer natureza, tenham ou não relação com o blog. De notebook a caminhões, de hotéis a destinos. Todavia, havendo interesse da Sony (ou de muitos outros anunciantes) em inserirem propaganda paga (através de anúncio ou banner), será um prazer desenvolvermos o assunto e avaliarmos uma proposta.

 Obrigado pela consulta."

                 Fico imaginando quantos blogs receberam mensagens semelhantes. E eventualmente quantos blogueiros encantaram-se com a idéia de talvez ganharem um mimo: um tablet da Sony, por exemplo. Nada contra empresa, ao contrário, sou fã de seus produtos. Se bem que no caso o que ele oferecia era apenas a honra de o Fatos & Fotos de Viagens figurar no site da gigante japonesa.

                 É claro que há exceções em todas as áreas, mas mediocridade e cara de pau assim são assustadoras. Pior, é generalizada, disseminada na sociedade, na política, no comportamento social, no comércio, na indústria, na forma de conduzir no trânsito, na imprensa, nos taxis, na educação, na formação profissional, na TV (onde vale até beijo gay pra salvar novela da mediocridade), no rádio, na música, escolas, universidades, na polícia, nas instituições governamentais, nos livros e revistas, nas redes sociais. Sobretudo na imprensa. Enfim, a pobreza intelectual é um fato, a incompetência uma realidade, a superficialidade uma lástima. E tudo me parece tão persistente quanto assustador, tão renitente quanto desanimador. Qualquer potencial criativo e inovador é arrasado pela busca desenfreada de popularidade e/ou dinheiro. Seja lá onde, como e quando for. Qualquer bobagem vende. Qualquer superficialidade vale. E tem apoio popular. E tudo é feito como se linearmente todos os cidadãos fossem desmiolados. Quem somos e para onde vamos com isso tudo? Para mim parece não haver resposta possível. A culpa é nossa, que dá audiência e importância a tudo isso, que somos seletivos, que não sabemos o que queremos, que aceitamos consumir qualquer porcaria. E por vezes até incentivar e aplaudir.

                 Os tempos são outros. Enquanto a Internet cresce e disputa interesse e atenção de cada vez mais leitores, e também as verbas do mercado publicitário (antes privilégio da imprensa, rádio e TV), e felizmente vai atingindo camadas cada vez mais populares do nosso Brasil, de outro lado, mas na mão inversa, descendo a ladeira, a imprensa encolhe e enxerga um futuro negro. Tarde damais? Provavelmente sim. Talvez não haja tempo para corrigir os rumos e apagar os excessos do passado. A culpa é só da Internet? Claro que não. E também não é tão simples assim de ser analisada, sobretudo definida, como a decadências dos blogs. Mas a mediocridade sim, sabemos que tem boa conta nessa história. Entretanto é sempre bom lembrar que as velhas mídias não são piores que as novas. As últimas também inventam suas notícias, aceitam propostas como do cara da agência de publicidade aí de cima, e pode ser tão medíocre, superficial e apoiar-se em tantas fontes não confiáveis quanto a velha mídia. E pode ser vendida, irresponsável e incompetente, ou viver da monetização e do jabá. A liberdade de pensamento, assim como a livre manifestação de idéias na Internet seria ainda mais válida e elogiável se não andasse trilhando os mesmos caminhos da velha imprensa. Ainda que a mediocridade não deixasse de existir apenas porque estamos na era digital. Ela é inerente ao ser humano. Felizmente a Internet acabou com o monopólio da informação e o cerceamento da opinião. Os tempos são outros, da Internet, onde cada um pode dizer o que quer e já não ser mais possível censurar como as seções de "Cartas dos Leitores" dos jornais e revistas, tentando conter opiniões.

                 No campo do jornalismo de viagens, a Revista Viagem & Turismo é apenas mais um exemplo dessa mediocridade que assola quase a totalidade da imprensa brasileira: a de janeiro de 2014 trouxe na capa a chamada "Santiago. Tá do caramba!" (meu Deus, que título do cara...mba!). A edição de fevereiro tinha "#partiu! Sul da Itália" (deu vontade de fazer um trocadilho com o #pqpartiu!, mas vou poupar o leitor). A de março, "Olé! Espanha" (!) é um arroubo de criatividade. Não vou nem comentar o conteúdo. Seria injusto, afinal, faz tempo que não leio a V&T e outras revistas do Grupo Abril que eu lia: de Veja à Quatro Rodas, de Duas Rodas à Viagem & Turismo. Não confio numa palavra, conteúdo e matéria de qualquer uma delas, simplesmente porque todas sucumbiram à monetização e ao popularesco. Qualidade é o que menos importa, então, nivela-se tudo por baixo achando que a classe que lê revista de viagens é necessariamente retardada mental apenas por ser popular. Boa parte da culpa é da própria Editora Abril - cujos cortes profundos na estrutura interna, com o intuito de amenizar os efeitos da queda de circulação de suas revistas - não é exclusivamente da "evolução" do mercado digital. Sabe quais as revistas mais cresceram na Editora? Caras, Mundo Estranho, Tititi e Minha Novela! O público também tem sua dose de cupa.

                   Também não são fáceis as vidas da Editora Globo e da Folha de S. Paulo. A colunista social Danuza Leão, por exemplo, foi demitida. Ela e mais 40 colaboradores e empregados. Tudo bem que Danuza Leão seja sinônimo de superficialidade e assunto sem relevância, e por vezes tenha opiniões tão desastradas e escrevesse tanta merda quanto a colunista Hildegard Angel, do O Globo. Mas ambas faziam o maior sucesso, oque não é de espantar a ninguém no Brasil. Mas o fato é que também a imprensa está em crise. Não apenas a blogosfera. O Estadão também defenestrou Nelson Motta (se bem que esse tenha me surpreendido, ainda que merecesse, depois de cassificar comentaristas de sua coluna como "escoiceadores" e "relinchadores" apenas porque discordaram de suas opiniões). É assim também na Internet, especialmente nos blogs. O fato é que o Estadão definha, que o Valor Econômico - das editoras Folha e Globo-  diminui a redação e elimina encartes, que a Editora Abril passa por uma crise nunca experimentada e que a Internet segue promovendo sua devastação na mídia tradicional, sobretudo mais rapidamente nas que não acompanharam a tecnologia e fizeram pouco dela. Vivemos a moda da cultura do curto prazo, da pouca leitura, da informação ralinha. E todos caem, por méritos próprios ou da coletividade.

 Do merchandising ao jabá

                 O jabá - que extermina o jornalismo e já o fez com a indústria fonográfica - é uma ferramenta do demo: acaba exterminando os dois juntos: jabasista e jabaseiro. É o que acontece com a blogosfera. Quem olhar para ela com imparcialidade (sem interesse jabasístio, é claro) não deixará de estabelecer comparações entre a mediocrização generalizada da imprensa, das revistas de viagens brasileiras e a decadência dos blogs. Ambos já tiveram seus tempos de glória, hoje são apenas mais um exemplo de crise de identidade, do "vale tudo" pela propaganda e pela busca da monetização, não importa se ao custo da queda de qualidade editorial e do lay out, do conteúdo óbvio, dos títulos debilóides, do extermínio da credibilidade e de tudo mais que eu lamento tanto e há tanto tempo. Os blogs jabasísticos seguem seu caminho: cada dia mais vazios de conteúdo, mais guiados pelo jabá, sem a menor sem cerimônia tornando-se verdadeiros Amaury Jr. e seus programas ‘infomerciais’. Há quem goste, é claro. De ambos. De blogs caça-níquel e dos programas-jabá do Amaury Jr.

Jabá: prática de matérias patrocinadas que o leitor lê como se fossem dicas pessoais de blogueiros

                  A coisa funciona assim: blogueiros são contatados por agências de criação de conteúdo ou de propaganda ou de marketing e passam a pautar-se por marcas, produtos, serviços. Vivem para isso alguns. Como o carinha da Sony aí de cima fez, saem oferencendo tudo a todos e alguns aceitando. E tudo quanto possível passa a ser escrito por dinheiro. Ou por mimo. Daí começam a redigir e publicar matérias positivas sobre um produto, serviço ou marca que estejam lhes pagando. Alguém aí acredita na imparcialidade deles? Algum leitor aí acredita que um elogio patrocinado seja opinião verdadeira do blogueiro? Acreditando ou não, o autor do blog recebe o seu: dinheiro, viagem, hospedagem, passagem aérea, um bem material ou até mesmo um simples mimo, um presentinho, um notebookezinho ou um tabletzinho da Sony.

                 Antigamente, na imprensa, o jabazeiro era visto como picareta. Hoje há até associações que defendem o jabá, ainda que disfarçadamente: desde que seja claro que é jabá, vale tudo! Até aceitar jabá. E foda-se a credibilidade. Disfarçadamente a coisa é ainda mais séria: tentam ludibriar o leitor com matérias aparentemente isentas, mas que são verdadeiramente informações patrocinadas. O caso é que nem todo blogueiro é habilidoso e consegue disfarçar. Isso porque ainda tem leitor que acredita. Não, hoje não, a prática que invadiu parte da blogosfera de moda e era exclusiva dela agora faz carreira em parte da blogosfera de viagens profissional e amadora. Só que o mercado de viagens não vale um décimo de atenção que o de moda. E essa gente que acredita que ficará rica com blog de viagem parece esquecer-se de que credibilidade é tão difícil de construir quanto um castelo de cartas. E tão frágil quanto este. E em vez de pensar numa midia decente e nova, trabalhar efetivamente em algo sério, assiste os blogs despencarem em interesse e audiência fingindo não enxergar.E provavelmente culparão quem não tem culpa.

 Por que não levar a sério os blogs jabaseiros? Por que levar a sério e suportar os não jabaseiros?

                Porque no jabá não há lisura com o público leitor. Simplesmente. Ainda que nos blogs de viagem isso represente apenas a ponta do iceberg, seja apenas mais um lastimável exemplo da crise generalizada de excelência, de competência, de visão de longo prazo, de criatividade, de bom gosto, de seriedade e sobretudo de falta de vergonha. Especialmente porque o dinheiro - na versão jabá - ainda não se mostrou plenamente como "ferramenta do demo" na blogosfera de viagem. Mas é questão de tempo. E felizmente ainda não é a maioria dos blogs que entrou nessa de jabá.

 "Ainda falta entender se o jabá é aceito na blogosfera por não representar uma afronta aos leitores ou se, em vez disso, é praticado por ser uma interessante fonte de receita. Se a segunda opção for verdadeira, a pergunta futuramente talvez vá girar em torno do fim das verbas para essa finalidade." (blog e jabá por Cassio Politi)

                  Se compararmos as revistas de viagens e os blogs brasileiros às estrangeiras - Volta ao Mundo, a Viaje Mais, a Afar, a Mucho Viaje, a Lonely Planet, por exemplo - o resultado será ainda mais vergonhoso. Eu sei, sei muito bem que houve e continuará havendo quem defenda a V&T. Assim como associações que defendem e acolhem blogs que chupam conteúdo alheio. Aqui mesmo no blog há leitores que já elogiaram a revista. Mas não me importo. Essa gente um dia vai cair do salto alto. Também sou dado a escrever sobre minhas reflexões psico-filosóficas. E nem sempre o faço para agradar ou ser simpático, senão para registrar o que sou contra, o que desgosto, o que penso e os descaminhos dos blogs de viagens. Shame on you! Aliás, quando alguém vai fazer um blog "shame on you"(*) baseado nos blogs de viagens jabazeiros?

O mundo é cheio de surpresas. A Internet, ainda mais!

                 Em termos de evolução, então, a Internet vive surpreendendo. Por exemplo: o crescimento vertiginoso dos livros digitais. Não nego que me surpreende perceber que em breve não teremos mais livros impressos, apenas os eletrônicos. Ou os de arte, de grande formato. Quem diria! Tudo me leva a crer que não vai passar do começo deste século o fim do ciclo iniciado por Gutemberg. Algo absolutamente impensável no século 19, que atingiu o topo no século 20 e começou a declinar no início do 21. O fim do livro impresso, ainda que apenas mais uma das surpresas que a evolução nos prega, é uma realidade, mas espero vivamente que não pegue a todos os livros. Pelo menos não os guias de viagens e os livros de arte.

                 Eu não fecho os olhos para este fato: o mundo editorial está como o CD para o fonográfico, como o Fax esteve para o e-mail, a fotografia digital para a analógica, o videotape para o Blue ray, o ICQ para Facebook e por aí vai. Sempre houve gente teimosa, como os de ontem que afirmavam que a fotografia digital jamais acabaria com as câmeras analógicas. Que o diga a Hasselblad - ícone das câmeras analógicas de altíssima qualidade - hoje produzindo apenas digitais! Algumas com 50 Mp, mais do que a fotografia analógica já conseguiu. Até o cinema tornou-se digital. Quem não aceita, sobretudo não comprende a evolução, anda feito o curupira, pra trás. Quem não se prepara para ela, torna-se uma Kodak.

                  E qual o rumo que a tecnologia tomará? Ninguém pode resumir isso, tampouco antever. Mas ela mesma pode nos dar sérias e consistentes pistas: o ICM (integração cérebro máquina), por exemplo, é uma parte da terceira fase da internet e dos softwares: haverá instrumentos inteligentes capazes de fazer sozinhos a gestão de uma empresa na rede. Programas de e-mails captarão informações e darão conta da agenda e da contabilidade das empresas. Tim Berners-Lee, físico que idealizou a internet, trabalha nisso e já há gente usando a tecnologia na Alemanha. Fantástico, não?

O boom da blogosfera acabou. Agora tudo circula pelas redes sociais

                 O universo da Internet, especialista em surpreender, é tão grande na velocidade das mudanças quanto na facilidade de ser descartável. Para alguns, todavia, é difícil acompanhá-las. Sobretudo compreendê-las. Mas quem precisa da Internet para manter-se ativo e visível, até sobreviver, não poderia alienar-se: se até bem pouco havia hipertextos e hiperleitores, hoje tudo é síntese, há minileitores tornando sucesso os que miniescritores escrevem pra eles. E todos - escritores e leitores - por imitação, vão seguindo o mesmo estilo. Como rebanhos tocados. Atualmente apenas os “envelhecentes” suportam mais do que os 140 caracteres do Twitter e as ainda mais sintéticas legendas de fotos do Instagram. Se existe algo mais fugaz que o ciclo de vida de uma foto “instagrada” na Internet, com menos segundos de vida, por favor me diga, prezado leitor. Como é de praxe na rede, ali elas seguem seu caminho para o esquecimento. Só que com um pouco mais de pressa.

                 No entanto, acredite, também estas mídias não estão aí pra sempre. Algumas já começam a apresentar sinais de fadiga. O Twitter, por exemplo, recebia 120 milhões de visitantes únicos por mês. Hoje não passa dos 89. É pouco? Claro que não, mas desce a ladeira a audiência. Só não enxerga quem tem cegueira digital. Mas a queda é sintomática. Assim acontece com os blogs: um dia foram, mas em pouco tempo deixarão de ser. Pouca gente dará bola pra eles, senão para o Twitter, Instagram, Facebook e cia. ou qualquer nova mídia que surgir. E surgirá. Saturação digital é isso aí: usuários da Internet vivem atrás de novidades e descartam o que não é com uma facilidade incrível. E simplesmente deixam de frequentar e comentar em blogs. Um blog vive de comentários, o "salário" do blogueiro. Se então tornam-se escassos, o autor perde o tesão. E o blog perde o sentido.

Sempre haverá blog com conteúdo bom e ruim. É o leitor quem decide qual vai seguir

                Felizmente o mundo é assim: nos permite mais escolhas do que podemos escolher. Eu escolhi não me deixar envolver pelas lorotas de blogueiros de modas, de viagens, de críticas gastronômicas, de vinhos, de filmes, tudo movido a mimo e jabá. Um mico que nem mesmo o jabazeiro mais cara de pau consegue disfarçar. É certo que eu adoraria ver sumir do mapa digital essa gente e os termos das empresas geradoras de conteúdo, coisas como “parceria”, “colaboração”, “guest post”, “post patrocinado”, “curtidas no Face“, "tuíte patrocinado", "searchlaborator", “publieditorial”, “publicidade”, “publipost”, "tag", "categorização", "conteúdos colaborativos" e "criação de conteúdo".

               Só não aprovaria ver sumirem a #faltadevergonhanacara e o #faltaoleodeperoba! Afinal, fãs falsos e comprados no Twiter e no Facebook não valem nada, não geram nada, não consomem nada, não produzem nada, a não ser para esses caras de pau. Ter 500.000 curtidas e fãs no face não implica nada. Nem audiência. Seja lá onde for, num blog, TV, jornal, revista ou rádio. Tudo lorota. Igual usar scripts para aumentar seguidores no twitter.

                  Para alguns todavia, é preciso mais tempo e esforço para crer que blogs e as mídias digitais correntes estão com os dias contados. Provavelmente também são os que não acreditavam no fim da Kodak, do Orkut, do Second Life, dos photoblogs, do ICQ, do MSN, do fax e, da fotografia analógica e, em breve, do telefone fixo. Foi com o fim do telex e a explosão do telefax, na década de 80, que aprendi a enxergar essas mudanças mais rapidamente. E perceber que se umas acabam, outras tomam seu lugar, evoluindo ou não. Então, sobre a Internet, jamais pensei que seu conteúdo e mídias fossem permanentes, senão que algumas são até bem fugazes.

                 Por motivos óbvios acho ingenuidade (de alguns) e tolice (de outros) afirmarem que os blogs não estão cursando seu ciclo final de vida como meio de expressão, sobretudo pretensiosa e ainda mais tola a afirmação de que os blogs de viagens são a sétima maravilha do mundo digital, que interferem profunda e marcantemente no mercado turístico e de viagens, que influenciam fortemente o mundo e os milhões de viajantes brasileiros.

                 Quem quiser saber mais e melhor desta história (sobretudo para não ser engolido por ela), deveria ler “Adeus, Facebook – O mundo pós-digital”, de Jack London(*). O livro já valeria apenas pelos prefácios de Affonso Romano de Santana, Márcio Moreira Alves, Max Gheringer e Hélio Gurovitz. Mas não, o conteúdo é um lembrete. Especialmente para quem ainda acredita e investe em blogs e twitter como as mídias do futuro. Ou que no presente crê que durarão para a eternidade. Nada mais recomendável para "baixar a bola" de quem acredita que os blogs de viagem são mais importantes para o mercado turístico do que a descoberta de Lucy - fóssil de hominídio mais antigo já encontrado, na Etiópia - para a humanidade.

                 Todo mundo um dia se cansa da mesmice. E da popularidade excessiva. No mundo das redes sociais (onde incluo os blogs), a popularidade pode ser tão desastrosa quanto o populismo. Todo pântano em que se escondem as imundícies um dia secam e razem à tona a sujeirada. Em resumo, quantidade de likes e de seguidores, felizmente não atesta qualidade. Tampouco honestidade e transparência.

             João Kléber, apresentador de programas de TV como "Você na TV", "Te Peguei na TV" e "Teste de Fidelidade", é um exemplo de popularidade e sucesso estrondosos. Ninguém pode negar. Ainda que muitos desprezem tal gênero de popularidade e os caminhos para alcançá-la, já não me espantam pessoas que valorizam popularidade a qualquer custo. Nessa mesma mão já trafegaram o Ratinho, entre outros. João Kléber - em seu retorno à televisão aberta brasileira - mostra apenas que o gosto pelo vulgar e pelo popularesco consagra-se mais uma vez no que a TV brasileira realmente busca: audiência. A qualquer preço. Não necessariamente atrelada à qualidade. Então, não importa a que preço. Como em alguns blogs. Há quem os elogie, que os siga, suporte, admire e esteja lá no Face e tuíter dando likes, mostrando que quantidade estratosférica de fãs já não quer mais dizer bom gosto nem reconhecimento de qualidade.

                 Cansou dos blogs e Facebook? Não se preocupe! Você é apenas mais um saturado digital. Um ex-um viciado digital que passa a contar com novas alternativas. Para a Internet tem sempre alguém desenvolvendo novas alternativas. 

                  Portanto, não se surpreenda se o autor do Fatos & Fotos de Viagens encher o saco disso tudo e pular fora da blogsfera. Porque para inspirar e motivar o leitor, o autor precisa antes estar inspirado e motivado. Publiquei este post pelo mesmo motivo porque o faço há tempos: lamento que estejamos em crise. E também por ser ferrenhamente contrário ao jabá e à monetização, especialmente o que ambos estão fazendo com a blogosfera. O tema, claro, é sujeito ao contraditório. Estejam livres, então, leitores anônimos, disfarçados e escondidos ou não, para descerem o pau. Até pra falarem bem da Viagem & Turismo, o que, afinal, também não é novidade. Eu me divirto muito com as críticas. E sou ferrenho defensor da liberdade de expressão. Ainda que muitas sejam imensas tolices.

                 Obrigado, leitor, por vir até aqui. Parabéns, blogueiro que não entrou nessa. O Fatos & Fotos segue seu rumo, agonizando. Seu autor, vai muito bem, obrigado, mas para motivar e inspirar, precisa antes estar motivado e inspirado.

                 O último a sair, por favor apague a luz! E um grande abraço.

 NOTAS:

(*) Jack London, fundador da Booknet, primeiro negócio virtual de sucesso e famoso no Brasil, que mais tarde seria rebatizada de Submarino e se transformaria no maior site de e-commerce do Brasil. Hoje dedica-se agora ao cinema digital, tem previsões confiáveis para o futuro das tecnologias, fundou a Tix, empresa de comercialização de ingressos online,  a Armazém Digital, especializada em livros digitais, a Multicine, empresa especializada em “levar cinema para onde não tem cinema”. O homem que acreditou que o brasileiro poderia comprar livros pela rede há 14 anos, quando a internet apenas engatinhava, parece novamente estar um pouco adiantado na história empresarial. A digitalização dos filmes encontra resistências no setor. Igualzinho como na fotografia digital, a qualidade das imagens é questionada. A película ainda sobrevive como principal tecnologia do mercado: em 2008, dos 323 filmes lançados no Brasil, apenas 52 saíram no formato digital, segundo a Ancine. Mas London não tem dúvida de estar diante do futuro do cinema. Nos Estados Unidos, o digital avança com força: este ano, a AMC, uma das maiores redes dos EUA, anunciou que trocará todos os seus projetores por digitais até 2012. “As empresas ganham agilidade e podem programar vários filmes ao longo do dia”, diz.    FONTE: Pequenas empresas, grandes negócios.

http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI86692-17138-3,00-COMO+GANHAR+DINHEIRO+COM+A+REVOLUCAO+DIGITAL.html

 (*) Os blogs e o mercado

Obviamente que o crescimento dos blogs não passou despercebido pelo mercado publicitário e pelas grandes marcas. Hoje os principais blogs do país, principalmente os que falam sobre moda e beleza, são forrados de propagandas, sendo que esse veículo passou a ser parte importante da estratégia de marketing de muitas empresas. Porém, o problema não está no anúncio. O que tem dado o que falar na blogosfera e que já estampou as capas de jornais de todo o país, é o fato de que diversas blogueiras postam textos e informações que vêm das assessorias de imprensa e acabam indicando os produtos de seus anunciantes como se fosse uma “dica de amiga”. As meninas também recebem presentes das empresas, os chamados “jabás”, e em troca postam elogios à marca sem nem ao menos indicar para a leitora de que aquilo é um publipost.

Mas no ano passado, surgiu o Shame on you, blogueira, um blog mantido pela mineira Priscila Rezende, conhecida como Titia Shame, que tem como objetivo destronar as rainhas da beleza na web e revelar todas as suas gafes: desde os looks cafonas, passando pelo show de horrores no “toscoshop”, pelos erros crassos de português, até chegar na crítica ferrenha aos jabás. Hoje, Titia Shame goza da confiança de mais de 40 mil pessoas que já curtiram sua página no Facebook, e foi ela quem descobriu e denunciou em seu blog o caso das blogueiras com a Sephora, assim como incentivou seus seguidores a fazerem a denúncia no órgão que regula a atividade publicitária brasileira.

 Shame on you  http://blogueirashame.com.br/

 

Reader Comments (12)

¡Oh, Dios mío! Eu lia avidamente o post. Não só porque é bem escrito, mas também por reflexões tão interessantes que você, Arnaldo, expõe sobre o mundo das redes sociais e internet.
(internet pode ser desgastante... e também exaustivo para os olhos ... todos os dias eu vejo pior. Eu só quer olhar para a natureza e não uma tela de computador)

Eu não sucumbiram ao Facebook, ou por outros meios, mas eu sim tem um interesse real no mundo dos blogs. Para mim são histórias de viagens curtas. Eu sempre amei livros de viagens e aventuras de Conrad, London (o escritor), Stevenson, Defoe ou as aventuras de piratas do Salgari. Por exemplo, muitos dos seus posts, Arnaldo, eles me lembram daqueles romances de aventura e viagens, eu li apenas alguns anos atrás, pouco antes de chegar, com força, em nossa vida: a internet.

Disculpe o meu portunhol...
Bjs

14:44 | Unregistered CommenterCarmen

Olá, Arnaldo!

Li com calma e atenção seu texto. Algumas observações que você fez já passaram muitas vezes pela minha cabeça. O nível de confiabilidade de um blog é algo a se prestar atenção.

Tenho um blog pequeno, mas que escrevo com carinho como forma de documentar minhas experiências e, quem sabe, ajudar a algum viajante que por lá apareça atrás de informações úteis.

E não foram poucas as vezes que ouvi de conhecidos “idéias” mirabolantes sobre o que fazer para torná-lo mais popular e, talvez, me render alguns trocados (mexer no layout, trocar o nome, fazer contatos, entrar em panelinhas...).

Mas tenho orgulho de dizer que cada hotel, cada passagem, cada jantar e cada passeio que fiz com meu marido nesse tempo de blog foram pagos com nosso dinheiro (resultado de muito trabalho por sinal).

Obrigada pelas suas colocações sinceras. Acompanho seu blog desde 2006 e ele é uma inspiração para mim.

Ana Paula

14:50 | Unregistered CommenterAna Paula

Arnaldo, como sempre, gostei muito do texto, de uma praticidade genial, sem rodeios.
Eu só consideraria usar a palavra responsabilidade em vez de culpa. Penso que seria mais adequado.
Não me deixe sem RÚSSIA (Moscou e S.Petersburg) (em Abril); estou ansiosa por fazer essa viagem através das suas fotos e texto!

11:33 | Unregistered CommenterRosa

Arnaldo,
Gostei do texto, honesto e direto como poucos tem coragem. Inconformados ou não com a bestialidade da mídia, espero que você continue com seu blog, dê esse presente a quem sabe o que lê.

12:42 | Unregistered CommenterElizabeth

Oi, Arnaldo!

Vim aqui para me atualizar das últimas aventuras e li este post. Fiquei feliz com o seu apoio. Porém, apesar de saber que você compreendeu a proposta, gostaria de reforçar aqui: em absolutamente nenhum momento, eu “decidi no meio do caminho passar a cobrar pelo que faço”. Eu não estou cobrando nada, tanto que o conteúdo continua lá, inteiro, livre, leve e solto para todos que quiserem lê-lo. Eu apenas abri um meio de receber contribuições de quem quiser e puder fazer isso. O meu produto (ou seja: a informação que eu produzi, que também forma guias, afinal) segue lá, gratuito. Quem quiser e puder paga quanto quiser e quanto desejar por ele. Quem não quiser ou não puder consome sem se preocupar e sem nenhuma mágoa nem julgamento do lado de cá.

Abraço! =)

Arnaldo,
Como sempre voce faz, quando "pensa em voz alta" , pensas alto e claro. É dificil hoje em dia entender o mundo louco dos blogs. Eu sou uma leitora de blogs a muitos anos, com um sonho de algum dia tomar vergonha na cara e criar meu próprio. Nao sou capaz porque reconheço minhas limitaçoes e minha falta de perseverança. A gente sempre fala que nao existe maior prazer na vida, que ganhar o nosso pao de cada dia fazendo aquilo que gostamos. Eu parcialmente faço aquilo que mais gosto, como agente de viagens, organizando e dando idéias aos meus clientes para suas experiencias de viagem. Tento fazer o que voce consegue sempre com seus textos - como mínimo, despertar a curiosidade do meu cliente. Completamente de acordo, quando dizes sobre o trabalho e tempo que sao dedicados na elaboraçao de um blog. E mais "trabalho" dá, quando queremos fazer BEM. Para mim é como um hobby e todo hobby, passatempo...Chamemos como queiramos, exige tempo, dedicaçao, gastos. O problema que eu vejo na internet em geral, é que esse "hobby" seja tranformado em uma "profissao". E falo isso em geral. Hoje em dia, já vi muitas empresas de turismo convidando a "blogueiros" em lugar de convidar aos agentes de viagens, que vendem diariamente esse producto. E aí está o problema, nós vendemos e os blogueiros criam tendencias, formam opiniao. Nós, que trabalhamos com seus produtos, devemos continuar vendo lindas fotografias ou fazer as nossas proprias descobertas. É triste! E o pior de tudo bastante desmotivador.

O pior dessa tendencia mundial, é que con os blogs, portales, etc...todo mundo acha que pode organizar uma viagem sozinho. Quando, para mim, deveriamos sempre contar com a ajuda nao de um agente de viagens; mas com um assessor. Sempre pensei, que a viagem nao começa quando voce sobe no aviao; mas sim quando voce escolhe o destino. E me parece maravilhoso que voce possa dividir essa ideia com um profissional, e como nao, com as ajudas desse universo de blogs. Já falei demais... Seus textos sao ótimos e em muitas ocasioes, me dá pena que nao está traduzido ao espanhol ou ao ingles...com certeza muita gente está perdendo em nao poder ler seus textos. Pense nisso!!! Nao desista do seu "hobby" ou melhor dizendo...da sua paixao. Repito: o importante é a curiosidade que voce desperta aos seus leitores...já onde comer, onde dormir, como chegar...estao os demais e o assessor de viagens.

Espero ansiosa sua experiencia em Moscou e Sao Peterburgo, porque vivi de 1984 a 1999 em Moscou e me encantaria descubrir a "minha cidade" atraves dos teus olhos.

Um beijo ASSIM de grande...

17:39 | Unregistered CommenterRegina

Prezado Arnaldo. Como sempre, um grande obrigado pelo carinho e o apoio. Ser fiel aos próprios principios e ser fiel ao leitor não é tão difícil assim. Mas fazer isso e ganhar dinheiro com um blog é a parte complicada. Você pauta seu trabalho por regras que não são seguidas por outros e aí acaba tendo que competir de forma desigual. O reconhecimento dos leitores (o mais importante!) chega, sem dúvida. Mas o reconhecimento das agências, PR e demais, que para quem quer ganhar a vida com seu site é essencial, é mais complicado. Em geral, hoje somos avaliados pela quantidade de seguidores que temos nas redes sociais (seguidores que, como é bem sabido, podem ser comprados com grande facilidade), porque é mais fácil pegar um número do que dedicar tempo a conhecer o trabalho de cada um. Para a gente está sendo especialmente difícil porque ainda temos que lidar com dois quesitos com os quais não temos nem familiaridade nem interesse: as panelinhas e as vaidades. Hoje você é idôneo porque pertence a tal ou qual panela, não pela qualidade do seu trabalho. Mas mesmo assim, continuamos em frente, fiéis às nossos princípios: um trabalho de qualidade, um compromiso absoluto com o leitor, uma transparência total em todas nossas ações e uma fe sólida na meritocrácia. Ao não participar nas panelas o caminho fica mais longo e demorado. Mas um dia chegamos lá.
Existem atalhos, mas não são para a gente. Vemos blogueiros cujo trabalho tínhamos em alta consideração tomando esses atalhos e ficamos tristes. Mas cada um é dono de sim mesmo. O Gabriel encontrou seu caminho, gostamos muito da decisão que ele tomou esperamos que seja bem sucedido. Grande abraço.

6:45 | Unregistered CommenterTony

Ah, Arnaldo!!!

Você como sempre arrebentando nos seus posts!

Outro dia mesmo estava pensando nisso. Viajo pela a blogosfera há tantos anos e tenho testemunhado esse encolhimento de qualidade e conteúdo nos blogs em prol da propaganda.

Uma reflexão mais que necessária.

Abraços,

Sandra

Olá Arnaldo,

faz tempo que acompanho seu blog e lembro que já tem BASTANTE tempo que você ameaçou o blog de estar agonizando.

Por isso, sempre me questionei se blogs são para quem lê ou pra quem escreve.

Lógico : é para ambos. Seus leitores (aqueles que permanecem com seu endereço na barra de favoritos ) estão satisfeitos, cagando pra mediocridade dos demais blogs (é tão fácil, é só não acessá-los) e você, Arnaldo, pelo persistência em manter o blog desde a primeira ameaça de definhamento até agora, acho que está mais pra Santinha Pureza, eu seja "eu góstio " , do que pra qualquer outra coisa.

Então, já que no fim do post você nos deixou a vontade para descer o pau, aqui vai : pára de reclamar e faz o que você faz de melhor, escreva para aqueles que queiram ler (como eu). Os medíocres não lerão seus posts nem até a quinta linha, e quem os lê até o fim não desconhece o mundo tosco em que vivemos(no sentido de conhecimento, cultura e moral).

Portanto, nos brinde com suas belíssimas fotografias, seus relatos "filosóficos" de um mundo que poucos de nós iremos conhecer (cá entre nós, viajar pros lugares que você viaja, com toda a infraestrutura pra não tornar um sonho num pesadelo, mesmo com planejamento financeiro, não é pra maioria dos mortais).

E quanto ao crowdfunding, sinceramente, isso me parece muito com os famosos chás-de-bebê e chás-de-panela, eventos que sempre me incomodaram, por parecerem os típicos "gozar com o p@u dos outros".

Abraços.

Olá Arnaldo!

Já adianto: não sou um seguidor do seu blog, e muito menos um 'comentador' de artigos virtuais.

Porém vez ou outra já vim parar aqui, sendo brindado por belos comentários de destinos que, um dia, terei o prazer de conhecer!

Resolvi comentar pois gostei e partilho da idéia central desse post: cada vez mais fica difícil encontrar publicações isentas e honestas por esse mundo afora chamado internet.

Assim, deixo meus votos para que continue encontrando motivações e inspirações para a manutenção desse!

Um forte abraço,

Rafael.

14:21 | Unregistered CommenterRafael

adorei!! Queria entrar em contato com vc!

20:30 | Unregistered CommenterCynthia

Confesso que entrei hoje no seu blogue, pela primeira vez, através de uma busca no Google. Li todo o seu texto, o qual, com uma certa alegria, só reforçou mais ainda a minha opinião sobre a "prostituição" na blogosfera :-(

Estou há um ano no mundo dos blogues de viagens, mas já estou de saco cheio de tanto jabá, plágio, falta de criatividade, pobreza linguística e outros defeitos que, infelizmente, inundam a internet. E sem falar nessa paranoia-narcisística de ter que gritar pro mundo inteiro quantos fãs, seguidores você tem no Facebook, Twitter, Instagram e por aí vai. Acrescento ainda os "autorretratos" e fotos de filhos no sofá que jogam Playstation, como se essas imagens fossem dignas de um blogueiro de viagem autêntico, o qual tem o discernimento de não publicar nada em vez de propagar lixos digitais...

Sou do velho ditado: Em poucos, mas em bons!

Parabéns pelo excelente artigo ☺

13:25 | Unregistered CommenterMaria

PostPost a New Comment

Enter your information below to add a new comment.
Author Email (optional):
Author URL (optional):
Post:
 
All HTML will be escaped. Textile formatting is allowed.