CONHEÇA O AUTOR

 

         Depois de estabelecer-se na Internet - em 1999 - escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, e em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - Arnaldo foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo, da Editora Abril e, agora, prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando, assim, na literatura de viagens com um livro encantador, segundo o autor, o primeiro de uma série de pelo menos quatro que já planeja produzir, dois deles em plena fase.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui no blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de apenas uma "conversa" com o leitor, baseada na informalidade, o livro mistura traços desta coloquialidade e informalidade com os de uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, o que nada mais é do que uma outra maneira de me expressar sobre viagens e de transmitir ao leitor minhas impressões. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". A partir deste meu primeiro livro escrito, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase em minha vida. 

             Por bom tempo - antes de me decidir por publicar um livro - meu lado esquerdo do cérebro brigou com fúria contra o direito até certificar-se de que o leitor teria nos meus livro não os textos que escrevi no blog, porque, entre outros motivos, livro é coisa séria, e ninguém (ninguém de verdade!) merece ler posts de blogs reproduzidos em livros, especialmente textos efêmeros, perecíveis, descartáveis ou preocupados em agradarem "o mercado" e a blogosfera. Felizmente, ao que parece, posts continuarão restritos aos blogs e livros a serem livros. O tema da viagem parece ainda não ter-se banalizado na literatura universal, nem ter-se rendido às formas diversas da monetização.

           Minha ascensão na escrita de viagens com este trabalho literário não é exatamente uma novidade. Ainda que recentemente eu tenha notado a mente lampejar com a ideia: tornar-me um escritor de viagens. Todavia, ela sempre me rondou. Mesmo que a alguma distância. Não foram poucos os amigos, parentes e leitores do blog que há mais de dez anos recorrem à pergunta: “Por que não escrever um livro?”

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagens

Ronize Aline:

             "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária, crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

 


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Segunda-feira
Ago252014

GONDAR, Etiópia - A "Camelot" da África

                 A imaginação parece não ter fronteiras. Que nos digam os sonhos. Mas o mundo real sim, e são elas que separam o previsível do surpreendente.  Para o que serviriam, afinal, as viagens, se não para surpreender-nos? Quem olhar para as fotos deste post sem ler seu título perceberá que são castelos medievais. Não há pontos para dúvidas: têm torres, fossos, grossas muralhas defensivas e tudo mais o que era típico dessas construções na Idade Média no Velho Mundo. Logo, não estaríamos errados associá-los a paisagens toscanas e mediterrâneas. Mas o leitor suspeitaria que estão na África? Provavelmente não.

Tem torres com cúpulas o Castelo do Rei Fasiladas

                 Eu poderia começar descrevendo a beleza daquele luminoso dia em Gondar. Ou então o nosso giro a pé pela cidade, pela beleza natural rural da região das Montanhas Simien, suas colinas verdejantes pontilhadas de casas rústicas e gado pastando, pelas sinuosas estradas contornando seus picos e rochedos, sobre o mais delicioso spris (*) que provamos em todo o país ou sobre a incrível igreja ortodoxa Debre Birhan Selassie. Mas não, vou fazê-lo pelo mais inusitado encontro que tivemos na Etiópia, um de seus mais valiosos e surpreendentes patrimônios: o Recinto Real, com os Castelos de Gondar. Estávamos diante de uma das partes menos conhecidas da História, a despeito da compreensível atração que aquela arquitetura invulgar na Áftrica possa ocasionar.

                   Medievais. Castelos medievais na Etiópia, construções sem equivalentes em toda a África, mesmo a despeito de todo conhecimento histórico da humanidade, é surpreendente. O "estilo goderiano medieval" não deixará de surpreender nem o viajante mais informado. Gondar, alémd e tudo, é muito atraente turisticamente, seja por suas igrejas, por seus castelos ou pela natureza montanhosa que a rodeia. Mas é o Recinto Real seu sítio mais incomparávelmente surpreendente.

                  A história conta que a nação experimentou 200 anos de prosperidade, especialmente uma época de grande movimento comercial. E Gondar foi capital entre 1632 e 1855, o que favoreceu o desenvolvimento de um estilo renascentista próprio, expresso na arte, arquitetura, música, no ensino acadêmico e na literatura. Especialmente na época do Rei Fasilidas, imperador etíope que governou o país de 1632 a 1667, um período de aproximação entre o país africano e a europa, encerrando seu o longo isolamento. O Imperador Fasilides Alam Sagad foi um dos governantes mais notáveis da então Abissínia, antigo nome da Etiópia. Além de fundar a cidade de Gondar, tornou-a um dos centros de negócios mais significativos da África.

                  Durante a guerra contra o líder muçulmano Ahmed Gragn, em 1543, soldados portugueses ajudaram o imperador da Etiópia, Gelawdewos, filho do Imperador Lebna Dengel, instalando-se em torno do Lago Tana, onde permaneceram até o reinado do Imperador Susneyos (1607-1632).  Missionários das igrejas católicas espanhola e romana, assim como em 1622, missionários portugueses, converteram com êxito o Imperador Susneyos ao catolicismo. Nesta época a Igreja Ortodoxa da Etiópia enfrentou um desastre imprevisto, porque após a conversão ao catolicismo o imperador proibiu a fé ortodoxa, perseguindo e matando milhares de cristãos ortodoxos.

                Como era de se esperar, exceto ele próprio, o Imperador Susneyos, tornou-se profundamente impopular e a nobreza e o clero ortodoxo revoltaram-se contra ele. Em 1632, Susneyos foi forçado a transferir o trono para seu filho, o príncipe Fasiladas Alam Sagad, que assim que tornou-se imperador começou a reparar os danos causados pelo pai, primeiro restabelecendo a paz, reunindo Igreja e Estado, estabelecendo uma aliança entre a Igreja Copta Etíope e os Estados muçulmanos do país e expulsando os portugueses.  Todavia, mesmo sem eles, não se pode negar que a marca de nossos patrícios na arquitetura destes palácios-castelos, o qual mais tarde denominou-se "portugo-etíope".               

                  Mesmo sabendo o que visitaríamos, a sedutora imagem dos Castelos de Gondar me surpreendeu como se nada soubesse. A manhã era luminosa, fazia seus efeitos naquelas construções. E formavam imagens belíssimas que tornavam o conjunto um dos mais admiráveis que já experimentei. Diferentes da experiência antropológica que os encontros com as tribos do Vale do Omo representam, todavia de mesmo assombroso impacto.

  

                  Bem conservados, os castelos ficam numa pequena área na cidade de Gondar. O cerco fortificado que se assemelha aos dos castelos medievais europeus é um complexo intrigante. Construído pelo imperador e seus sucessores, ao longo dos anos foram adicionando-lhe construções até tornar-se um complexo de residências reais, edifícios administrativos, alojamentos de empregados, hospedaria para visitantes e animais, biblioteca, chancelaria e até alojamentos para leões de "estimação".

                  Antes do declínio, no final do século XVIII, a corte real tinha desenvolvido de um complexo fortificado chamado Fasil Ghebbi com seis edifícios, entre principais e auxiliares, rodeados por uma muralha de 900 metros de comprimento, com doze entradas e três pontes. Não à toa consagra-se um dos pontos turísticos mais notáveis e inesperados de toda a África e um Patrimônio da Humanidade nomeado pela UNESCO.

                  Diferentes versões da história contam que artesãos portugueses e etíopes os construiram.  A "cidade" teria esse estilo por influência de missionários jesuítas. Seja qual for a verdadeira versão, o Palácio de Fasilidas, por exemplo, um castelo-fortaleza quase intacto, tem torres e ameias inconfundíveis com outro estilo senão o medieval europeu. O Palácio do Rei Fasiladas foi a primeira construção do complexo, e Castelo de Mentewab, por exemplo, foi construído pelo Rei Bakaffa, imperador entre 1721 e 1730.

                 A maioria dos monumentos está bem preservada, tanto na autenticidade quanto no estado de conservação, ainda que algumas intervenções de conservação inadequadas, levadas a cabo entre 1930 e 1936, segundo a UNESCO, quando usaram cimento e concreto armado, tiveram impactos nos materiais originais. A situação inverteu-se parcialmente com os trabalhos de restauração realizados pela UNESCO na década de 1970, quando substituiram o concreto pela a mistura original de cal e cimento. Programas de conservação subseqüentes foram implementados desde 1990, a fim de manter-se a autenticidade do complexo.

 (*) Spris, delicioso suco de frutas puro e cremoso servido em camadas

Reader Comments (3)

Sua site é melhor do que qualquer enciclopédia. Eu gosto de consultar, porque eu aprendo muito sobre cultura, arte, estilo de vida e costumes. E, claro, eu sei sem sair de minha cadeira lugares que eu nunca pensei que existiam ou que o conhecido, nem fotos. Bjs.

5:18 | Unregistered CommenterCarmen

Gondar é mesmo uma surpresa, entre tantas que existem na Etiópia. Mesmo vendo fotos e nos preparando antes da viagem, é sempre um choque ver os lugares ao vivo. O recinto real de Gondar foi um deles: um lugar tão cheio de paz e belo, bem no centro da cidade e sua agitação. Mais ainda me lembro do spris, do almoço suspeito no boteco, da arquitetura art déco, do café antigo da esquina, da maravilha que foi chegar a Debre Birhan na saída da missa, que ambiente...e que beleza incrível! Não dava para imaginar que, depois do Lago Tana veríamos igrejas ainda mais bonitas.
Um beijo...

10:10 | Unregistered CommenterEmília

Mais um dos locais históricos nos confins do mundo, por onde não só passaram os Portugueses, como para o bem e para o mal intervieram.
As fotos e descrições estão óptimas; Mais um bom reporte, como sempre!
Abraço
Carlos

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