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BEM-vindo ao Fatos & Fotos de Viagens, um blog sem jabá e não vulgar

        EXISTE no viajar e no escrever relatos de viagens um terreno fértil para demonstrações de arrogância. É algo simplesmente disseminado. Tanto no mundo virtual quanto na literatura. Mas o que o maravihoso mundo da viagens precisa é de mais viajantes humildes, não de "especialistas" caga-regras que determinam de tudo: desde como arrumar sua mala ao único tipo que você deve comprar, do lugar que você tem que ir, caso contrário sua viagem será uma merda. Nunca tão maravilhosa como a dele. As classificações dos lugares também. Tem sobrado superficialidade a egocentrismo. Autores assim não percebem que tudo é muito subjetivo e pessoal, que a experiência e o prazer de alguém não será necessariamente igual ao de outro.  Sobretudo as necessidades.

      A blogosfera "profissional e "monetizada" vulgarizou-se e tornou-se banal. Carecemos de gente que escreva para motivar e inspirar, para alargar horizontes, de viajantes que "mostrem" os lugares em vez de "ensinarem" a viajar. Moderadamente, ponderadamente, sem afetação típica de deslumbrados que viajam pela primeira vez em classe executiva e precisam espalhar para o mundo em resenhas risíveis. Ao contrário, a blogosfera

       ESTE blog, ao contrário, não fez concessões à vulgarização dos blogs depois da "profissionalização" e da monetização de alguns. Ao contrário, este é um blog singelo, simples, pequeno, inexpressivo na blogosfera, não despesperado por audiência nem seu autor se dedica mais à sua divulgação nas redes sociais do que à escrita. Tento dar graça à leitura e consolidar algo que prezo muito: confiabilidade, credibilidade.

        COMECEI a viajar tarde, você sabe. Por falta de dinheiro. Até que um dia viajei pela primeira vez ao exterior. Eu tinha 35 anos. Fui assim apresentado ao então desconhecido mas fabuloso mundo das viagens. Jamais, todavia, pensaria visitar mais de 60 países, alguns muito improváveis à época. Irã, Uzbequistão, Myanmar, Etiópia, Quirguistão entre eles. Mas foi recentemente que compreendi que as viagens ficam pra sempre, não as coisas. E que é por esse mundo ser tão diverso, por cada país ser tão diferente, que me parece tão atraente e divertido.

       NÃO sou escritor profissional. Tampouco jornalista. Mas invejo esses profissionais por dominarem o idioma, a gramática e as palavras.  Ainda assim, faço meu melhor, meu caro, estimado, raro e precioso leitor. Então, peço-lhe que considere algo: que mesmo escrevendo com sensibilidade e responsabilidade, incorro em erros. Se quiser, aponte-os. Tanto gramaticais quanto de digitação. Como tenho revisor profissional, antes de publicar dou curso a incansáveis revisões. E também submeto-os ao crivo de minha esposa. Ainda assim, alguns nos escapam.

      SOU brasileiro, empresário e casado com a Emília do blog "A Turista Acidental" e desde que a conheci (e antes mesmo de nos casarmos), tornou-se a "mais-que-perfeita" companheira de vida, de idéias, de projetos e ideais, sobretudo encantadora, adorável e inspiradora companhia de viagens e de aventuras. Com ela compreendi o que significa "prazer de viajar". Foi (e continua sendo) minha melhor fonte de inspirações e de motivações. Tanto que qualifico minhas viagens como "antes e depois" da Emília e "antes e depois" da Índia. Foi com ela que percebi o que quis dizer Érico Veríssimo com "Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado certamente chegará mais longe." Somos pais de gêmeos - uma menina e um menino - nascidos em julho de 2015, e de um filho de 34 anos do meu primeiro casamento, em quem o gosto pelas viagens pareceincorporado. Não sou avô, mas as coisas estão bem encaminhadas neste sentido.

       HOJE com 64 anos (boa parte deles dedicados à família e ao trabalho), foi apenas aos 35 que pude começar a viajar internacionalmente. Desde então visitei 61 países, entre os quais alguns dos mais fascinantes e com os sítios mais admiráveis do planeta. Felizmente, para alguns deles ainda a salvo do turismo de massa, cujos excessos arruinam qualquer lugar. Em março de 2006, quando iniciei este blog, o fiz como meio de comunicação com a família e amigos. Anos mais tarde eu descobri o poder de contar histórias em textos e fotografias, e logo ele tomou outro rumo, provavelmente porque os leitores gostavam dos textos e das fotos, ou então porque na época havia pouquíssimos blogs.

       FIZ cerca de 90 viagens internacionais, voei por 40 cias. aéreas diferentes (algumas extintas) em 391 vôos para fora do Brasil e dentro de outros países e em todas as classes possíveis. Segundo Haroldo Castro - jornalista-fotógrafo-escritor que já esteve em 160 países -, o maior viajante que conheço, em seu teste "Viajologia" que se pode fazer em seu site, que considera não apenas a quantidade de países visitados, mas lugares, monumentos e patrimônios, além de transportes, experiências e situações difícieis porque passam os viajantes, alcancei "Mestrado em Viajologia". Mas isso não é nada diante de gente que lá já "graduou-se" em pós-doutorado.

Escrevo este blog sob uma perspectiva lúcida e sem concessões à monetização sem critérios

        Eliminei o contador de visitas deste blog quando marcava mais de 6 milhões. Audiência hoje em blog é decadente. Viajar, escrever e publicar algo que inspire e icentive o leitor é o que mais me motiva. NUNCA como blogueiro interventor nas viagens alheias, ou caga-regras dizendo como alguém deve viajar e que tipo de mala usar e essas chatices que definem as pessoas homogeneamente.Parece ser o que traz os leitores até aqui. Ou porque gostem de fotografia, para além da leitura odepórica, como eu. E por este blog não ter captulado à ambição e vaidade que levou tantos autores de blogs à monetização sem critérios, sobretudo enganando leitores, cada dia torna-se menorzinho e menos importante. Se continuarem assim, os blogs precisarão ser reinventados. Este aqui nasceu livre e assim será até morrer. Por enquanto estou sempre por aqui. Nem que seja em pensamento. Só não sei até quando.

         Agradeço a visita e os comentários e desejo boa viagem aos leitores.

Em tempo: este blog não integra nenhuma associação disfarçada de incentivos à monetização. Mas se um dia fundarem a ABBLI (Associação Brasileira de Blogs Livres e Independentes), por favor, me convidem!

#blogsemjaba

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Terça-feira
Jan272015

AKSUM, Etiópia. Da Arca da Aliança à Rainha de Sabá 

INTRODUÇÃO - Etiópia: retrato 3 por 4 de um país

Menino etíope, em algum lugar do presente, entre Turmi e Arba Minch

                 UMA nação como a Etiópia - ou Abissínia, na Antigüidade -, cuja história é tão longa, antiga e complexa que até mesmo seus tratados podem guardar erros, exige de um turista no mínimo respeito. Sobretudo quando escreve sobre o país. Todo temor é preciso, além de cultura e muita investigação científica para ter sucesso ao se resumir uma nação como esta. Justo o que me falta. Não só por sua especificidade, mas também pela singularidade: um calendário exclusivo (estão agora no ano 2007, não 2015) uma escrita idem, - denominada Ge’ez - com trinta séculos de existência, um idioma oficial incrível - o amárico, língua semítica falada como primeira língua, ou segunda por boa parte da população -, uma religião cristã, mas ortodoxa etíope desde o século IV, (então o primeiro grande império a adotar o cristianismo como religião oficial), com origem na cultura copta de raiz egípcia, surgida trezentos anos antes de Cristo. O povo jamais colonizado pelo Ocidente, tem 84 etnias e o mesmo número de línguas. O regime horário também é diferente: os etíopes contam a primeira hora do dia a partir do nascer do sol. Em tudo mais - arte, arquitetura, vestuário, música, gastronomia, literatura e todas as outras manifestações culturais que não me recordo exemplificar - não há paralelos. A Etiópia é só singularidade.

Encantadores olhos castanhos. O que revela esse olhar? Menino da Aldeia Karo, Turmi, sul da Etiópia

                Estima-se que ali nada menos do que a humanidade originou-se. Na espécie Homo sapiens. E abrigou, entre outros, o fabuloso reino de Aksum. Quase desconhecido, é verdade, mas importante. Estendia-se por uma região que ia até aos vizinhos Eritreia, Sudão, Djibouti, Somália e Somalilândia. A origem de Aksum remonta ao reino de Sabá, no Iêmen, que por volta do ano 1000 a.C. ia do Corno de África até a Península Arábica. Diferentes dinastias, de Aksum a Zagwe, de Oromo Yejju a Menelik II, deste a Haile Selassie, são apenas metros no mergulho de um poço sem fundo de conteúdo histórico. Ultrapassa em muito os limites da superficialidade tentar resumir esta nação e seu povo num retrato 3 por 4. Sobretudo com tantas etnias - entre as quais predominaram os semitas árabes -, especialmente os singulares povos do Vale do Omo.  

Por que é tão precioso esse país?

                A identidade, a história, a geografia e a cultura fazem da Etiópia um país turisticamente soberbo. Para além disso, um arqueólogo, antropólogo ou um turista comum não encontrariam melhor lugar no mundo para para embrenhar-se na densa história da origem da raça humana. Muitos já ouviram falar de Lucy, por exemplo. O esqueleto de uma mulher de 20 anos, descoberto em 1974, ossos de uma Australopithecus afarensis - o mais próximo que até então já se havia chegado do antecessor do ser humano - tinha 3,2 milhões de primaveras na época de sua descoberta, há 41. Definiu-se, a partir de então, que o homem surgiu naquele canto do mundo, a Etiópia.

Muito pode ser dito através de um olhar, mas nem todos conseguem decifrá-los...

             LUCY é popular, mas poucos conhecem Ardi ou dele ouviram falar. Um Ardipithecus ramidus encontrado em 2009 perto de Afar, na mesma Etiópia, que então tornou-se o mais antigo ancestral humano de que se tem notícia, tirando da velha Lucy o posto de mais antigo hominídeo já descoberto. Com Ardi foi-se além, voltou-se 4,4 milhões de anos na história da humanidade. 

O simples mas interessantíssimo Museu Nacional de Adis-Abeba

                 As ossadas de ambos, ou melhor, as cópias dos originais que de tão preciosos guardam-se nos cofres-arquivo do museu, podem ser vistas no simples, mas interessantíssimo Museu Nacional de Adis-Abeba. Mais do que um aprendizado, a visita é uma viagem no tempo mais longíquo que podemos fazer.

Foi aqui nessas terras, nesse canto do mundo, que o homem surgiu

                É o que seria sufiente para considerar-se a Etiópia um país precioso, ainda que não do ponto-de-vista turístico. Bem além das importantíssimas descobertas relacionadas com a origem do homem, é nação maior do que se espera. Em minha imaginação revelava-se uma vastidão árida, semi-desértica, povoada de crianças desnutridas com barrigas inchadas e pobreza por todo lado. E sem grandes atrações turísticas, senão medianas. Ignorância, claro, pois o que encontrei foi um país verde, de fauna e flora belíssimos, de montanhas e vales exuberantes, de crianças cheias de energia, de sorrisos, curiosidade, de uma cultura rica e misteriosa, de uma história parruda e de um conjunto de atrações tão diversificadas quanto numerosas. Um país alegre, antes de tudo. Diferente do Irã, por exemplo. E não só de uma civilização fascinante, mas por uma terra de belos contrastes naturais, de uma fauna e flora abundantes, das rochosas Montanhas de Simien, da incrível Depressão de Danakil - 120 metros abaixo do nível do mar - e de tanto mais que o país tem a oferecer a quem o visita. É sim um dos lados mais remotos do continente, um destino quase aventureiro, mas sempre enriquecedor, deslumbrante e fartamente compensador para o turista.  

 

 Gente, especialmente as crianças, eliminam as piores imagens que se fazem da Etiópia....

             É verdade que parecem eternas as lembranças das terríveis imagens de criancinhas esquálidas com moscas pousadas em seus rostos, que o resultado da fome que assolou parte do país nos anos 80 - imagens que jamais esqueceremos - arranham o interesse de muitos conhecerem o país. Mas elas não conseguem reduzir a importância deste incrível destino turístico. Ainda que aquelas cicatrizes talvez jamais sejam esquecidas, que o país vá pagar eternamente seu preço por tê-la deixado acontecer.

             A Etiópia é um país pobre, é verdade. Em certas regiões, linearmente miserável. Seus Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) são ainda mais baixos do que os do Afeganistão. Apenas pouco mais de 10% da população têm acesso à rede sanitária e cerca de 35%  a água para beber. Mas nem por isso encontram-se crianças esqueléticas e famintas. Quase sempre as vi sorridentes. O que quer dizer que beleza e pobreza podem ser contrastes, nem sempre contradições. A Etiópia, por fim, é antes de tudo uma terra de homens, muheres e crianças especialmente bonitos.

Preciosa. Muito mais do que pelas descobertas relacionadas com a origem do homem

                 A Etiópia é um desses países que visitar significa aprender lições. Sobretudo por causa de sua autenticidade e exclusividade, por seus costumes e cultura. E no qual uma jornada consagra-se por exceder expectativas, onde a diversidade do que se tem para ver vai de hipopótamos a igrejas talhadas na pedra. Foi diferente, muito diferente do que eu pensava encontrar. Sobretudo dos estereótipos que teimavam em permanecer na minha memória.

Dos crocodilos e hipopótamos do Lago Chamo às Igrejas de Lalibela, Etiópia, "País soberbo!"

                Além de encantar as pessoas, o país as transforma. Sobretudo porque faz reavaliar conceitos, exceder expectativas, demolir preconceitos. Combinação sui-generis de história com cultura fenomenais, que qualquer um que as experimente se sentirá privilegiado na descoberta. Sobretudo a turistas apaixonados por viajar, que o fazem por gosto e a lugares incomuns, que exigente desafios e sacrifícios, mas tão autênticos na identidade e na história que um 3 por 4 da Etiópia seria "País soberbo!". 

Lalibela, estrela do turismo etíope, terra de mil e uma lendas...

                Falei aqui de Lalibela, de seu incrível conjunto de igrejas do século XII talhadas de cima pra baixo em rocha sólida, estrelas máximas do turismo etíope, "mecca" do cristianismo ortodoxo e de seus festivais. Também compartilhei textos e fotos sobre os castelos de Gondar, dos mosteiros do Lago Tana, em Bahir Dar, de Harar, da incrível cidade etíope muçulmana parada no tempo, das Montanhas Simien, de Adis Abeba, das tribos do Vale do Omo, das Cachoeiras do Nilo Azul e do nosso incrível passeio de barco no Lago Chamo, e do encontro com hipopótamos e crocodilos que o habitam, assim como alimentei hienas selvagens à noite. Mas ainda não da sagrada Aksum, cidade onde encontram-se preservados ótimos exemplares arquitetônicos do império aksumita, aquele que a despeito de sua importância poucos conhecem, mas que dominou a região do ano 1000 a.C. até o século 8 d.C. De tumbas a obeliscos, de uma curiosa e estilosa lista de monumentos únicos, ainda que em ruínas. E mais, muito mais além de ruínas.

 Aksum. Da Arca da Aliança à Rainha de Sabá, dias de incríveis histórias e descobertas  __

 

                 NA manhã do dia 16 de janeiro de 2014 voamos de Gondar a Aksum pela Ethiopian Airlines. Aksun fica bem perto da fronteira com o inimigo: a Eritréia. Precisamente a 150 km ao sul de Asmara, Capital do país com quem a Etiópia não mantém relações e fronteiras fechadas. Ao chegarmos, fomos diretamente para o Sabean Hotel. Não há nada melhor na cidade. E foi um dos melhores hotéis em que nos hospedamos no país, considerando, claro, seu padrão hoteleiro.

                   A poeirenta cidade não demonstra nas ruas sua importância histórica. E também nelas não desperta o interesse de seus visitantes. É sonolenta e pequena, quente e pouco movimentada. Por outro lado foi onde encontrarmos as melhores peças antigas (e legítimas), como oratórios etíopes e "cruzes de lalibela" para comprar. Novos e antigos.

Spris, delicioso suco de frutas puro e cremoso servido em camadas

                  Ao lado de nosso hotel, uma lojinha de spris, deliciosos, cremosos, refrescantes sucos de frutas típicos na Etiópia, servido em camadas,mais comumente de abacate, manga e mamão. Também estávamos e defronte ao melhor restaurante da cidade, um inusitado lugar de propriedade de um norte-americano de Dallas casado com uma etíope de Aksum.

"Cruzes de Lalibela", símbolos da igreja ortodoxa etíope usados nas procissões...

...e uma inesperada e autêntica feira de artesanato locam de Domingo

                  A Arca da Aliança, as Terras do Rei Salomão, o Mosteiro de Yeha, a Igreja Abba Aftse e as Stelas aksumitas

            O Império tinha capital na cidade de Axum, embora houvessem cidades maiores e mais prósperas como Adulis e Matara, na atual Eritreia. Seus reis acreditavam ser descendentes do rei Salomão e da rainha de Sabá. A cidade foi fundada por volta de 100 d.C., numa região já anteriormente habitada há milênios, onde por volta de 500 aC havia a cultura Da'amat, pré-Axumita, com fortes ligações culturais com a península Arábica, diz a história que por colonização de imigrantes sabeus vindos da península Arábica, com influências na cultura, na arquitetura e na língua adotada pelo o império, o ge'ez.

Os fabulosos, gigantescos obeliscos monolíticos de Aksum


                     Consideram os historiadores que o império foi um dos mais poderosos da região entre o Império Romano do Oriente e a Pérsia. Foi o terceiro império das civilizações clássicas do Vale do Nilo e sua extensão territorial de 6.400.000 quilômetros quadrados, em seu auge, no século IV d.C., controlava além da atual Etiópia, o sul do Egito e parte da Arábia, sul do atual Iêmem. Havia comércio marítimo e rotas que iam até o Ceilão desde o porto de Adulis (atual Eritreia).

Oratórios e Cruzes. Antigos ou não, os melhores que encontramos e trouxemos foram de Aksum

                Construíram-se palácios, templos e tumbas bem projetadas arquitetonicamente e com grande beleza de desenho. Aksum é bem mais famosa e conhecida por suas stelaes - os obeliscos misteriosos, altas torres monolíticas de pedra - do que por qualquer outra coisa. Mesmo até do que por ser onde se alega guardarem a bíblica (e supostamente existente) Arca da Aliança e também o supostamente lendário Palácio da Rainha de Sabá. Mas quase tudo em Aksum é misterioso e inventido, da Arca da Aliança, "guardada" a sete chaves numa capeta tosca, à Rainha de Sabá. Mas há muitas verdades em Aksum. Verdades absolutas e palpáveis. Entre elas as ruínas do império aksumita.

 O Mosteiro de Yeha e a Igreja Abba Aftse

Igreja Abba Aftse

                 Não longe de Aksum - lugar onde os italianos perderam uma grande batalha, 6000 homens e o domínio sobre a Etiópia -, fica o Mosteiro de Yeha, um dos lugares mais singelos e cativantes que visitei no país. Yeha, pequena cidade no norte da Etiópia, localizada na Zona Mehakelegnaw, Região de Tigray, seria apenas um lugarejo sem importância, não fosse considerarem-na o berço da civilização etíope. Dedicamos a manhã - uma bela, luminosa manhã - aos dois templos, depois de cruzarmos uma agradável estrada com belos panoramos naturais de vida rural, pastoreio, crianças e plantações.

     

Luminosa manhã em Aksum, a caminho do Mosteiro de Yeha

                Depois de tantos templos etíopes visitados nessa viagem, não esperava encontrar algo tão diferente, sobretudo pelas claras influências arquitetônicas iememitas. Por si, esse simples "detalhe" alimenta algumas velhas discussões entre a Etiópia e o Yemem: quem colonizou quem? As ruínas do templo tão importante e muito bem conservado está sob os cuidados de uma iniciativa arqueológica etíope-alemã. Felizmente.

Ruínas do Mosteiro de Yeha, em Aksum. Influências iemenitas na Etiópia

 Igreja Abba Aftse

                 Ao lado das ruínas do Mosteiro de Yeha está outra graciosa preciosidade: a Igreja Abba Aftse. Ao lado daquela templo maior, parece secundária. Ou desimportante. Mas ao contrário do que pode aparentar sua singeleza, é um tesouro. De preciosidades históricas (sobretudo livros religiosos antiqíssimos feitos em pergaminho, escritos à mão para oração), mas também de experiências pessoais. Fundada por Abba Aftse, um dos nove santos que levaram seu apostolado a vários lugares, do grupo de missionários que incrementaram o cristianismo etíope durante o final do século V, entre eles Abba Aftse, freqüentemente descreviam-nos como vindos da Síria, de Constantinopla, da Anatólia e até Roma.

Um zelador guarda as preciosidades religiosas do "museu" da Igreja Abba Aftse

 O Grande Templo de Yeha

                 Não é exatamente a ruína das ruínas, sobretudo pelos andaimes e obras de construção e reparo, a despeito da importância histórica, nem o que se possa chamar de atração turística atraente para a maioria, mas valeu a visita. Aprendi muito sobre aqiela arquitetura e maneiras construtivas, apontaram-me as similaridades com os templos iememitas. É a estrutura mais antiga de pé na Etiópia. Há uma torre construída no estilo de Sabá, datada por comparação com estruturas antigas na Arábia do Sul a cerca de 700 aC. Seu excelente estado aribui-se ao fato de que seus construtores originais fizeram uma construção forte em termos de alvenaria, colocada sobre fundações sólidas e solo firme e  rochoso. Atribuirem-lhe data arqueológica que começa em 800 A.C. Nada menos que contemporânea do Rei Salomão.

             Há um outro sítio, o Grat Beal Gebri, ao lado da Igreja, do outro lado da praça. Vale a visita, mas ainda que interessante, não é  impressionante.

Grat Beal Gebri, do outro lado da praça

             O serviço divino da Igreja Etíope celebra-se na língua, que tem Geez, o idioma da igreja desde a chegada dos nove Santos, que fugiram da perseguição pelo imperador bizantino após o Concílio de Calcedônia, em 451. Como este antiquíssimo exemplar feito a mão, mostrado na foto abaixo, exposto no "museu" da Igreja Abba Aftse. Mais tarde, Haile Selassie patrocinou traduções dessas Escrituras para o amárico, idioma oficial da Etiópia.

 A Arca da Aliança

                 A Arca da Aliança é uma das inúmeras histórias mal contadas na Etiópia. Mal contada não porque a história etíope seja uma combinação de fatos e mitos. Mas algumas são tão descaradamente inventadas, baseadas em crenças populares e transmitidas oralmente, anteriores à história autêntica, tão mal inventadas que não é possível levá-las a sério. Especialmente quando alguém nos tenta transmití-las como se fossem história, não folclore. Entre elas a diz que a rainha Sabá e o Rei Salomão tinham um aparelho que voava! Voava e os levava da Etiópia para Jerusalém. Outra que as patas do cavalo de São Jorge ficaram impressas na parede de rocha de uma igreja de Lalibela. A "história" da Arca - que jamais se viu ou se tocou, exceto Indiana Jones), diz que apenas um homem pode vê-la: seu guardião. Qualquer outro que a ver terá o corpo derretido. Não há o que estranhar, porque afinal, qual relgião sobreviveria sem incutir a seus fiéis o medo, a culpa, o castigo e a penitência? Sobretudo uma ortodoxa? História e lendas misturam-se. E como um nevoeiro, circulam pela cultura do país. Se você acredita, tudo bem.

Para quem acredita (mas jamais verá), a Arca fica ali dentro...

                A Arca teria sido levada de Israel por Menelik I, filho da Rainha de Sabá, da Etiópia, quando aos 21 anos foi a Israel visitar seu pai, o Rei Salomão de Israel. Originalmente a Arca teria ficado no Mosteiro de Tana Kirkos, no maior lago da Etiópia, fonte do Nilo Azul. Conta a mesma “história” etíope que o Rei Ezana mandou buscá-la de volta e colocá-la numa capela sagrada. Esta mesma aqui em Aksum. Num prédio onde apenas uma pessoa pode vê-la: o homem sagrado, guardião de todas as tradições religiosas. Hoje há um museu - o mais tosco que já conheci no mundo - onde guardam-se tesouros verdadeiros que podemos ver e tocar. De tão grande valor (alguns com mil anos de idade), tudo quase chega a ser mais impressionante pela falta de cuidado do que por sua importância histórica.

 Os obeliscos aksumitas

                 Nos tempos antigos, sete destes monólitos de granito foram erguidos no mesmo lugar unida, o maior deles jamaois feito em qualquer lugar do mundo em nenhum tempo. Media mais de trinta e três metros de altura e pesava cerca de 500 toneladas. Caído em algum período remoto do passado, hoje encontra-se em pedaços no chão, junto de outros ainda de pé. O segundo maior tem cerca de vinte e quatro metros de altura e também caiu, tendo sido roubado durante a ocupação fascista italiana, por ordem do ditador Mussolini. O terceiro maior mede vinte e três metros ainda está no parque das stelas de Aksum.

Monolitos gigantes, feitos de peças únicas de granito


                Todos os monolitos gigantes são feitos de peças únicas de granito e têm decoração idêntica. Curiosa decoração que os faz assemelharem-se a casas de vários andares com portas e janelas. São obras finas tanto no estilo arquitetônico quanto na qualidade escultural. Dizem que lembram os desenhos dos palácios e casas de Aksum no tempo do império aksumita.

 Igreja de Santa Maria do Sião e a Arca da Aliança

                 Os etíopes acreditam (alguns juram de pés e mãos bem juntinhos) que guardam ali a Arca da Aliança. Depois de um tempo na Etiópia não se estranha tanto, afinal, é a crença que dá origem à história. É ela que exerce profunda influência na imaginação e na vida espiritual dos etíopes. Não é difícil constatar quando se tem um guia que diariamente nos demonstra isso.

                 A Arca, aquela mesma que nunca ninguém viu ou tocou e conteria as Tábuas da Lei entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai. A arca guardaria as Tábuas durante a caminhada dos judeus para  Israel, a Terra Prometida, em sua libertação do Egito. Volta e meia aparece uma nova teoria ou história empolgante e recheada de teorias sobre a fantástica, incrível, extraordinária Arca da Aliança. Uns são picaretas, outros sonhadores e especuladores ingênuos. Só que nãpo apresentam nem provas nem a bendita arca. O mais notável foi Ron Wyatt, que afirmou ter descoberto a Arca da Aliança. É mais uma fraude, sóm que essa das mais mirabolantes: a Arca da Aliança estaria enterrada numa gruta sob o furo da rocha onde teria sido fincada a cruz de Cristo. Mas como mentira pouca é bobagem, afirmava que por esse furo teria escorrido o sangue de Jesus até o propiciatório, ou tampa da arca, de onde ele (Ron Wyatt) teria colhido uma amostra, que mandou analisar. Os resultados provaram que o DNA seria de sangue de um homem nascido de uma virgem (!!) e que ele estaria vivo até hoje. Ron Wyatt é uma fraude, e se você fizer uma busca pelo nome do pretenso arqueólogo acrescentando as palavras "fraud" ou "hoax" irá encontrar vários sites em inglês que denunciam isso. A onda de mentiras do arqueólogo não termina na Arca da Aliança. O cara só faltou descobrir as osssadas de Adão e Eva, mas diz que descobriu até a Arca de Noé, outra que todo mundo sabe, mas ninguém viu. A ingenuidade é a porta para a fraude entrar nas pessoas...  

                De todo modo, em Aksun fica a Igreja de Santa Maria de Sião. Há, de fato, duas dessas igrejas, um velho e um novo, ambos localizados num espaçoso complexo murado diretamente em frente ao Parque das Estelas. Os mais velhos, um edifício retangular, foi colocado no início do século XVII pelo imperador Fasilidas. Depois uma estrutura moderna foi erguida nas proximidades pelo Imperador Haile Selassie, que inaugurou em companhia da Rainha Elizabeth II, em 1965. A estrutura mais velha, de longe a mais interessante, é onde ficam coroas reais, livros sagrados e outros objetos de grande valor. Nas proximidades estão as ruínas da Igreja original, que segundo a tradição foi erguida logo depois que o estado adotou o cristianismo como religião, no Século IV. Ali diz-se que está guardada a Arca da Aliança, que o visitante, claro, não pode visitar

 O Palácio e as piscinas da Rainha de Sabá


               Grande parte da história da Etiópia baseia-se na lenda da rainha de Sabá, da Etiópia, com o rei Salomão, de Israel. São histórias inventadas ou bíblicas transmitidas verbalmente por séculos antes de serem escritas. Muitos etíopes acreditam, entr tudomais de inacreditável que só eles acreditam, que a relação entre Sabá e Solomão resultou num filho, Ibn-al-Malik, ou Menelik I, fundador da dinastia salomônica de Aksum.  

                O  Palácio da Rainha de Sabá, pouco menos que sua piscina, foram atrações medianas, porque de faro não há muito a ver, senão um labirinto de pedras e escombros, ainda que possam se ver seu quarto e banheiro. O que mais me agradou foi a natureza circundante. E os pássaros. Os belos e abundantes passarinhos da Etiópia.

Notas

1) A Eritréia, uma antiga colônia italiana na costa do Mar Vermelho, juntou-se à Etiópia em 1952. Dez anos mais tarde, a Eritréia perdeu a sua autonomia e se tornou uma província etíope. Este fato deu início a uma guerra de libertação, que durou até 1993, quando a independência da Eritréia foi reconhecida pelo governo etíope. A Etiópia e a Somália entraram em conflito, numa disputa de fronteiras, no início dos anos de 1960. Um cessar-fogo pôs fim à luta, em 1964. Mas, em 1977, a disputa recomeçou, desta vez em virtude do apoio da Somália aos guerrilheiros de Ogaden, região etíope de população majoritariamente somali e muçulmana. A Etiópia venceu a guerra, mas a guerrilha continuou, inclusive com ataques terroristas.

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Reader Comments (16)

Uma (belíssima) aula de história! Esse post despertou em nós ainda mais a vontade de conhecer a Etiópia.
Parabéns por desmitificar estereótipos ligados ao país e por fazer isso com elegância e simplicidade.

OBRIGADO novamente, pela visita, comentário e elogios.

Um beijo!

Olá, Arnaldo,

tenho acompanhado com muito interesse o teu blog. Belíssimo trabalho. Obrigada pelos textos e parabéns pelas fotos: são magníficas.

Esse texto sobre a Etiópia me traz à lembrança Karlheinz Böhm, o ator austríaco que ficou mundialmente conhecido como o Imperador Francisco José na lendária trilogia Sissi com a inesquecível Romy Schneider no papel principal.

Em um programa da TV alemã no ano de 1981 Böhm apostou que não conseguiria que cada terceiro telespectador alemão, austríaco ou suíço - os países onde tal programa era apresentado ao vivo simultaneamente - doasse um marco ou o equivalente na época nas moedas dos dois países para obras de benemerência.

Böhm de fato ganhou a aposta, pois não foi todo terceiro telespectador que doou alguma coisa, mas assim mesmo conseguiu a respeitável quantia de 1,2 milhões de marcos. Pela primeira vez ele visita então um campo de refugiados em Babile na Etiópia.

No mesmo ano ele funda a ong "Menschen für Menschen" (Pessoas para Pessoas) e a partir daí o auxílio à Etiópia se tornou o seu centro de vida e assim construiu uma obra bastante interessante.

Aqui a história toda desse projeto: http://www.menschenfuermenschen.org/#mainmenu/about-us/

Grande abraço
Renate

8:13 | Unregistered CommenterRenate

Obrigado, Renate, pela visita e comentário, por enriquecer o blog com sua informação. Parabéns pela bela galeria de fotos no Flickr. Vi cidades que absolutamente adoro, entre elas, Istambul.

Abraço.

Obrigado, Renate, pela visita e comentário, por enriquecer o blog com sua informação. Parabéns pela bela galeria de fotos no Flickr. Vi cidades que absolutamente adoro, entre elas, Istambul.

Abraço.

Seu relato meticuloso, inteligente e observador das suas viagens faz que o mundo da blogosfera se muito mais interessante. Quando leio seus textos sobre a Etiópia, Índia, Marrocos, Turquia, Egito, Malásia, Tailândia e muitos outros lugares, eu passo lá, por um momento, pois a paixão que coloca a escrita é contagiosa. Eu gosto que você explicar-me como esse mundo distante é desconhecido para mim...
Bravo!
Beijos para vocês

15:55 | Unregistered CommenterCarmen

Obrigado, Carmen, pela visita e pelo elogio.

Boa tarde, Sr. Arnaldo

Tudo bem?
Eu trabalho na área de marketing de uma agência de viagens - Senator Turismo.
Fiquei encantada com este post sobre a Etiópia, um lugar que vamos começar a divulgar e faremos treinamentos para que a gente se torne especializados em mais um lugar do mundo.
Somos especializados em Europa (principalmente Alemanha), Terra Santa e Índia. Fiquei maravilhada com as fotos e os relatos e gostaria de pedir a sua permissão para que eu possa usar algumas de suas imagens da viagem para divulgarmos em nosso site e em nossas redes sociais, tais como Facebook e instagram - colocando, claro, os devidos créditos.

Aguardo o seu retorno e deixo aqui os meus parabéns pelo belíssimo blog!

Laís.
lais@senator.com.br
www.senator.com.br

Olá, Laís, fico verdadeiramente muito honrado e grato por seu comentário e elogios, sobretudo por ser uma profissional do ramo de viagens. Sobre a Etiópia, estou seguro - depois de viajar de norte a sul no país - que trata-se de um destino muito atraente e com tamanha diversidade de atrações que os turistas mais experientes sem dúvidas têm grandes chances de se recompesarem pelos investimentos para irem até lá. O país, como pode ver no texto desta e de outras matérias publicadas aqui no blog, tem cultura, arquitetura, patrimônio humano e exotismo incomparáveis no mundo ou mesmo no continente africano.

Sobre as fotos, quero lhe dizer que também agradeço por julgá-las boas o suficiente para fazerem parte de um trabalho profissional e comercial tão importante como o seu. Todavia, preciso lhe dizer que este não é um blog comercial, isto é, não se publicam mantérias pagas sob nenhum pretexto (sei que não é essa sua proposta) e tampouco que eu seja fotógrafo profissional. Ainda assim, já as cedi gratuitamente em diferentes oportunidades para usos não comerciais.

Tratando-se do oposto, eu admitiria algum tipo de compensação, uma vez tratar-se do emprego de imagens (e eventualmente de textos) com fins comerciais, supondo que ambos (textos mais fotos) sejam para promover comercialmente o destino, ajudar a vender pacotes de viagens e tudo mais o que se relaciona com a fabulosa atividade de uma agência de viagens.

Assim, proponho que estude hipóteses viáveis de remuneração por meu trabalho, entre elas a minha contratação para escrever textos sobre a Etiópia (ou de quaisquer outros destinos que eu já tenha publicado aqui, evidentemente que adaptados às necessidades de seu negócio). Isto é, algum tipo de remuneração por usos de fotos aqui publicadas ou outras de que disponho. Cedendo-as gratuitamente eu estaria desvalorizando o trabalho de todos os fotógrafos profissionais que ganham o sustento com o que fotografam. Tratando-se de agência de viagens, estudo com prazer qualquer forma de permuta.

Um grande abraço e sucesso nesta empreitada etíope!

Que fotos sensacionais! Os olhos do menino da primeira imagem são absolutamente penetrantes, hipnotizantes. Etiópia está na minha lista para 2016, não vejo a hora.

Obrigado, Mari Campos, pela visita e comentário. A Etiópia é um país com muitas evariadas atrações, e também possibilidades de agradarum turista experiente. Apenas é preciso preparar-se para alojamentos bem simples. Se precisar de qualquer informação, estamos às ordens.

Olá Arnaldo!

Demais este seu relato, e o mais incrivel, é recente! Digo isso por que ando pesquisando muito sobre a Etiopia(mais especificamente Aksum e Lalibela) e poucos relatos ou informações encontrei.

Logo achar um relato deste ano e de um Brasileiro,é demais!

Estou planejando e "roteirizando" uma viagem para etiopia em outubro/novembro deste ano.

Além de me interessar muito por toda história e cultura religiosa/espiritualEetiope, sou um aficcionado por música em discos de vinil. Então estarei partindo a principio de São Paulo para Ghana para buscar por estes registros fonográficos da década de 60 da música de Ghana e região(Nigéria, Benin, Togo), e de lá pretendo seguir para a Etiópia, onde além de buscar por discos da música Etiope, também quero conhecer alguns pontos cruciais da cultura Etiope.

Minha ideia inicial é partir de Addis Ababa para Aksum por voo, e de Aksum para Lalibela por onibus(e gostaria de saber se você consegue me dizer se existe esta opção para este trecho, não encontrei em nenhum lugar informações de como ir de Aksum para Lalibela sem sem de avião - isso por que a distancia não chega a nem 400km) e depois retornar de Lalibela para Addis tambem por onibus(ai sei que existem onibus, e que levam cerca de 2 dias, o trecho).

E mais uma vez, parabens pela viagem incrivel e pelo relato!

Abraços

10:28 | Unregistered CommenterAlex

Alex, obrigado por seu comentário. Extremamente interessante. Nós quase fomos a Gana, Benin, Togo e Burkina Faso recentemente, mas por motivos de gravidêz de minha mulher resolvemos deixar pra ir numa outra oportunidade. De todo modo é bem bacana a idéia de comprar discos de músicas locais. Todavia posso adiantar que a música etíope é uma das piores que já ouvi! Não fomos de ônibus estes trechos porque as estradas são ruins e nos recomendaram os fazermos de avião.

Obrigado pela resposta Arnaldo!

E sobre a música Etiope, recomendo buscar artistas como Haiule mergia, Mulatu Astake e outros grande da música etiope dos anos 60&70, décadas de onde saíram peças originalíssimas e lindas do Jazz, Funk, Soul, Psych e musica instrumental em geral!

Abraços
https://www.youtube.com/watch?v=w6Q5VzSYHQI

16:26 | Unregistered CommenterAlex

Caro Arnaldo, parabéns pelo belo trabalho. Há muito nutro interesse por tudo que diz respeito a Etiópia. Após ler o seu texto, fiquei com muita vontade de viajar até lá. Entretanto, penso que nos dias que correm, deve ser um pouco arriscado. Será?
Abraços e continuação de um bom trabalho.

Cara Rose Lorena, não há nenhum conflito na Etiópia, portanto nenhum risco. É um país seguro e tranquilo, mas requer uma viagem programada.

Se precisar de ajuda, me consulte

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