CONHEÇA O AUTOR

          

         Depois de estabelecer-se na Internet desde 1999 escrevendo relatos de viagens em sites relacionados com o tema, em 2006 ter fundado o blog Fatos & Fotos de Viagens - um dos pioneiros da blogosfera de viagens - foi convidado a colaborar com matérias na Revista Viagem & Turismo (Editora Abril). Agora, Arnaldo prepara o lançamento de seu primeiro livro - "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" - ingressando na literatura com um livro encantador que, segundo o autor, é o primeiro de uma série.

Assim o autor define esta sua nova fase:

             "Livro é coisa séria. O que o leitor encontrará em "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia" é diferente do que lê aqui neste blog. Da narrativa ao estilo. Em vez de uma conversa baseada na informalidade, o livro mistura traços de coloquialidade e informalidade com uma escrita literária. Sobretudo com profundo respeito à arte de escrever. Passo a ser um escritor, mas é apenas uma outra maneira de me expressar sobre viagens, transmitir sem fantasias o mundo que vejo, isto é, como ele é, não como o imagino. A leitura revelará, todavia, aqui e ali, discrepâncias entre minhas expectativas e a realidade confirmada no destino. Segundo o poeta e ensaísta norte-americano Henry David Thoreau, "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro". Então, a partir deste meu primeiro, considero ter ingressado numa nova, deliciosa fase da minha vida.

Gente que escreve e encanta, fala sobre o autor:

Haroldo Castro:

            "Arnaldo Trindade Affonso é um dos viajantes equilibrados e sensatos que se lança escritor, o que, num Brasil de pouca leitura e onde a Literatura de Viagem não chega a ocupar meia estante nas livrarias, conta histórias que servirão de grande subsídio para qualquer leitor, além de ajudar a romper os preconceitos de que a África só oferece guerras, doenças e fome. Infelizmente, a riqueza cultural e natural do continente é quase sempre tão abafadas por notícias negativas que considero este livro um raio de luz na região."

Jornalista, fotógrafo, autor de “Luzes da África”, indicado para o Prêmio Jabuti 2013 na categoria Reportagens

Ronize Aline:

            "Minha opinião sobre o autor está refletida na resenha que escrevi de seu livro "Bom dia, Addis. Adeus Etiópia": ele escreve com o coração e demonstra respeito por tudo o que viu. Este livro, mais do que o relato de uma viagem à Etiópia, é uma viagem rumo a uma experiência de imersão e contemplação do outro. É como olhar para o diferente sem estranhamento ou indiferença."

Escritora, tradutora, jornalista, professora universitária e crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro

Rachel Verano

             "Neste livro, Arnaldo tem o poder de nos transportar a um dos cantos mais fascinantes e ainda intocados do planeta. Mas de maneira ao mesmo tempo delicada e profunda, pessoal, criando intimidade com os personagens, deixando o leitor perceber cheiros, sabores e sentir as emoções de suas descobertas. Do peso do ar à alegria de dobrar a esquina, o autor consegue transmitir todo seu fascínio de estar diante de algo realmente novo."

 Jornalista passou pelas redações das revistas Viagem & Turismo, Veja, VejaSP, Glamour, TAM e Vamos/LATAM

Davi Carneiro

             "Há uma frase atribuída ao grande viajante do século 14, talvez o maior escritor-viajante de todos os tempos, Ibn Battuta: “Viajar, primeiro te deixa sem palavras, depois te transforma num contador de histórias.” Suspeito, caro leito, ser este o caso do Arnaldo, um autêntico viajante que vem se mostrando, cada vez mais, um talentoso contador de histórias. Conheço-o e o sigo desde 1996, através do seu blog, aquele que, na minha opinião, é um dos melhores de viagens da internet brasileira, tanto pela excelência fotográfica quanto pela qualidade dos textos. Com um currículo andarilho de respeito (mais de 60 países, entre eles Quirguistão, Miamar, Irã e Uzbesquistão), Arnaldo tem o mérito de ir na contramão da blogosfera profissional e monetizada: de maneira simples, autêntica e independente, preza, principalmente, a credibilidade e a confiança de seu leitor." 

 Escritor, jornalista e colaborador de diversas revistas nacionais e estrangeiras

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Segunda-feira
Ago242015

CHIANG MAI, Tailândia - Assim é se lhe parece

Assim é (se lhe parece)...

              COSÍ è (se vi pare) ou "Assim é, se lhe parece", em português, é o título de uma peça de teatro do escritor italiano Luigi Pirandello. Foi escrita em 1917 e definida pelo próprio autor como uma "farsa filosófica". A obra trata da "verdade" como tema. E aborda especialmente o contraste entre realidade e aparência, verdadeiro e falso. Pirandello põe em cheque a ideia de uma realidade objetiva, algo que pode ser interpretado de modo unívoco, com racionalidade.

              Estivemos em Chiang Mai há quase 4 anos e ao retornar para escrever minhas impressões lembrei-me de que um destino jamais me pareceu tão perto do que seja se possa definir como "farsa'. Neste caso, turística. Ainda assim parece que foi ontem. E que dá-me vontade de viver novamente um momento que vivemos ali. Daqueles tão excepcionais que fazem as horas passarem vorazes. Aqueles que "comem" o tempo e nos fazem exclamar: "parece que foi ontem!". Mas não foi por Chiang Mai que vi as horas passarem tão rápidas. Foi uma piscina! que marcou minha estada em Chiang Mai. Não uma qualquer, senão a do Four Seaons Chiang Mai. Ali  vivemos momentos simples, sobretudo singelos. De relaxamento, de êxtase sensorial e de reflexões. Daqueles que todos temos em viagens e que costumam marcá-las ao ponto de os classificarmos como "experiência".  Dela observávamos diante de nós uma riqueza visual, um cenário idílico e exótico de trabalhadores vestidos à moda camponesa tradicional cultivando belíssimos campos de arroz. Observávamos confortável e tranquilamente a tudo. Tão relaxados quanto encantados. Desfrutávamos daquele prazer sabendo que acabaria. Que deixaríamos ao fim da estada tudo de tão lindo e inesperado que fez disso nosso momento mais marcante em Chiang Mai.

               Sobre viagens e destinos, é bem verdade que ambos mudam os viajantes. Mas também é que nós turistas mudamos os destinos. Não raro para pior. Sobretudo quando viajantes e destino não têm ética. Sobre Chiang Mai, devo dizer que as aparências me enganaram. Aainda que à maioria não. Mas viagens e destinos são assim mesmo, como malas e pessoas: particulares. Experiências pessoais são complexas, por isso perigoso de padronizá-las. Entretanto me surpreendi com a quase unanimidade de resenhas extremamente positivas em blogs de viagens sobre Chiang Mai. Sobretudo depois que voltei de lá e notei vivamente que o visto não me pareceu tão autêntico, espontâneo ou natural quanto o lido. Notadamente muito distante de sua classificação homogênea: "paraíso asiático".

                QUE me desculpe o caro leitor que esperava encontrar aqui mais um relato positivo sobre Chiang Mai. Me desculpo porque sei que os freqüentes já sabem que não sou corrompido: escrevo sem compromisso com nada a não ser a verdade. Do que vi e senti. Não sou pago nem recebo mimos para descreever um lugar. Mas há leitores novos. Então para estes preciso dizer que estive muito longe de cair de amores por Chiang Mai, até mesmo que foi um dos lugares de que menos gostei em toda a Tailândia. Ainda que eu tenha me preparado para, afinal, um país todo comandado pela indústria do turismo que oferece aos estrangeiros ávidos por exotismo o que eles parecem procurar: falso travestido de autêntico. É assim com toda a Tailândia. De Bangkok a Chiang Mai, de Damnoen Saduak a Phuket.

 

                LI dezenas de blogs pessoais e profissionais, de revistas turísticas, páginas comerciais (confiáves e não), todos praticamente unânimes nas avaliações de Chiang Mai como "paraíso asiático". Nada mais natural que depois de visitar Chiang Mai algumas me parecessem tão suspeitas. Ingenuamente eu ainda achava que nesse meio virtual bloguístico ena imprensa relatos de viagens revelassem apenas o inequívoco, legítimo gosto, impressões e reflexões legítimas e pessoais de quem os escreve. Eu discordasse ou não delas. Todavia alguns me pareceram típicos exemplos de editores sem coragem de assumir posição crítica, desconforto perceptível de assumirem os riscos de posicionarem-se mal. Com o trade,  com a "comunidade" e com toda a blogosfera. E não me refiro aos blogs desgastados, aqueles já sem qualquerchance de serem confiáveis, exclusivamente comercias e sem opinião, comprometidos apenas com dinheiro. Também não aos blogs fúteis, os blogs vazios, tipo "modinha", "Daslu" ou "look do dia". Faço referência aos relatos deslumbrados. Não raro cheios de excessos que já na leitura parecem mesmo não corresponder à realidade do que viram quem os escreveu. Esses mesmos que recebem prêmio de "Melhor blog do ano"  de premiadores igualmente suspeitos. E assim segue a blogosfera perdendo valor e credibilidade na medida em que ganha audiência.

                 SE a Internet tornou possível a qualquer pessoa opinar sobre qualquer assunto, se esta é uma realidade incontornável no universo das pesquisas turísticas, também é que exige do turista online ser cada vez mais exigente, seletivo, desconfiado. Sobretudo não ingênuo em suas pesquisas. Tudo para não cair em armadilhas. A influência da Internet no processo de decisão da escolha de um destino é inquestionável, mas na medida em que tornou possível a qualquer “idiota da aldeia” (nas palavras de Umberto Eco) sentir-se num patamar superior, e segundo o mesmo escritor "tornar as pesquisas virtuais um drama, em que a Internet promoveu o tal 'idiota da aldeia' a portador da verdade" e os blogs tomaram o lugar que um dia foi privilégio da imprensa e do mau jornalismo nas revistas de viagens, o leitor rpecisa ter cuidado, muito cuidado. Nesse âmbito, na medida em que seus editores podem estar sendo pagos por um destino para descrevê-lo, é preciso atenção para não ser iludido ou emprenhar-se por afirmações suspeitas, fantasiosas, ilegítimas e consequentemente fazerem o leitor tomar de decisões erradas. Hoje, então, na medida em que os blogs perderam valor, nada é mais crucial que a seletividade na sua leitura. Especialmente para que todos saibam identificar o que nem sempre é fácil: promoção turística ou partilha genuína de experiências de viagem.

                 NADA é mais natural do que esperar o melhor de nossas  viagens. Afinal, elas custam caro e nelas colocamos as melhores expectativas. Refiro-me a quem não viaja de graça, pagao para descrever algo. Então, se decepções são naturais, é preciso fazermos nosso melhor para evitá-las. E o que é "fazer o melhor"?  Primeiramente, não sermos ingênuos. Infelizmente a imprensa e a blogsfera não são incorrompíveis. Depois, saber evitar as armadilhas, porque quanto maior o volume de informações, mais o turista está sujeito a elas. Pesquisas e leitura são o melhor modo de aprofundar o julgamento. E aprender a separar joio do trigo. Quanto mais lemos, mais devemos valorizar, incentivar prestigiar e elogiar quem viaja e escreve genuinamente. Quem tem o insano trabalho de publicar suas impressões genuínas e fotos num blog de viagens, Não importa o estilo ou a qualidade da escrita ou da imagem. Devemos impulsionar, incentivar quem o faz. E sugerir a outros viajantes que também escrevam sobre suas viagens. Há anos eu diria que esta é a única forma de recuperar da blogosfera profisisonal a credibilidade perdida. Hoje não. Estou certo de que ela está definitivamente perdida. Por isso é preciso compreender que nem todos que escrevem são independentes, que nem todos publicam opiniões francas e livres e que sobretudo acerca de Chiang Mai, nem tudo o que se lê merece não ter dúvidas quanto à legitimidade. 

             VISITEI alguns destinos sem muito esperar deles. No entanto fui regiamente recompensado. Destaco Cartagena das Índias e a toda a Síria, mas não seria tolo de restringir-me a estes tendo visitado 60 países. Alguns me desagradaram fortemente. Felizmente, poucos. Na verdade, dois. Melhor ainda, dois países num só: St. Martin e St. Maarten, ilha caribenha com muito pouco do que é ótimo no Caribe e excessos do que é infernal. Há dezenas de opções muito mais atraentes no Caribe.

              TAMBÉM tenho países e destinos que não chegaram às "vias de fato" do desapontamento. Mas que também estiveram muito longe de tornarem-se encantadores. O Irã foi um. Apesar de toda sua personalidade, peso hisórico e cultura fenomenais, de um povo extremamente acolhedor, educado e elegante, ainda que contido por viver num regime de cruéis limitações aos indivíduos e aos visitantes. Pior, comandado por religião. O Irã foi até bem entediante nos dois primeiros terços da viagem. Tudo me parecia "beautiful, but overrated", como dizem os americanos. Talvez porque eu tenha comitido o erro de visitar o Irã depois deSamarkanda, Khiva e Bukhara, no Uzbequistão. Todavia, seria uma ingenuidade estúpida dizer a alguém "não vá ao Irã". Seja porque motivo for. Apenas recomendo cuidados com avaliações excessivamente entusiasmadas. Tanto quanto as de Chiang Mai. E reduzir sua primeira visita a poucas cidades, às realmente importantes.  

              NA classe dos "já vistos" menciono Chiang Mai. Não chegou a desagradar, mas também não encantou. Todavia tem tudo para ser o destino perfeito pra quem gosta de boteco. E de "exotismos" como morder rabo de tigre, ver elefante pintar com a tromba, visitar "tribos típicas das montanhas" (pobres coitados fantasiados, morando em barracos montanheses, posando com cara de desgosto e sorriso amarelo para turistas), de bazares noturnos repletos de badulaques chineses (falsos e originais) e de souvenires cafonas. Mesmo que entre tudo isso encontre meia dúzia de barracas interessantes, especialmente de roupas tailandesas, Bem bacanas. E baratinhas. Que no entanto as usará apenas na Tailândia. Ou em casa. Ou no Carnaval. Chiang Mai é para quem não se incomoda com que tudo tenha sido feito para turista. Inclusive seus "bazares". Chiang Mai transforma-se numa Disneylândia asiática. Tal qual Damnoen Saduak, o mercado flutuante a uma hora de Bangkok, maior roubada turística tailandesa. Todavia Chiang Mai tem sua vibe, não posso negar. Creio que deva tocar mais aos jovens, oas mocilheiros, aos pouco viajados e aos não muito exigentes.

               ENTÃO, é possível gostar de Chiang Mai? Sim. Basta ir sem expectativas. E preparado para ver as coisas como elas são, não como sonhou. Ainda assim, quando me recordo de Chiang Mai, costumo exclamar "Parece que foi ontem!". Infelizmente não pelo destino, senão pela experiência com a hospedagem, o que "salvou" Chiang Mai de ir pra lista dos lugares onde eu jamais voltaria por gosto: St. Martin e St. Maarten.

               CHIANG Mai me pareceu tão descaracterizada e pervertida pelo turismo de massa que o desapontamento começou logo no percurso do aeroporto ao hotel. E durou até a saída para o Cambodia, onde visitamos os extraordinários templos de Angkor e a cidadezinha de Siem Riep. Quando retornei desta viagem compreendi porque é preciso desconfiar do que se lê na Internet e na imprensa.

                  SEPARAR o joio do trigo _____________________________________________________

            ESTENDA-SE a pesquisa aos idiomas inglês e espanhol e chagam-se a blogs com classificações maduras, imparciais, inspiradoras e reveladoras. Especialmente da blogosfera de Portugal e Espanha. Diferentemente da nossa, aquelas tornam-se melhores à medida que amadureceram. E mais criativas e inovadoras à medida que se profissionalizaram e comercializam seus espaços e produtos.

         NA blogosfera brasileira encontrei apenas um blog que não classificou Chiang Mai como "paraíso": o 360 meridianos. Neste blog li o seguinte depoimento de seus editores: "Sei que tem gente que morre de amores e eu já até me prometi uma segunda chance assim que eu desembarcar na Ásia de novo. Mas, no fundo, eu acho que ela é um exemplo dos mais nítidos do que a exploração do turismo de massa, sem planejamento e políticas públicas apropriadas, pode fazer com um lugar. "

                 PROCURANDO no Google por  "Chiang Mai a truly tourist trap" ou "Is Chiang Mai overrated?, ou ainda "Tourist Traps in Chiang Mai", encontram-se opiniões, fóruns, depoimentos e relatos de até 31 roubadas (!) não mencionadas sequer de passagem pelos que avaliaram tão bem o destino. Há tantos relatos não positivos que fiquei instigado a aprofundar-me. No blog Adventurous Kate - A solo female travel blog -  a autora avalia o destino com o sugestivo título: “Chiang mai is not for everyone“. E vai além, mencionando que Há muitas coisas para não amar em Chiang Mai, razão porque é hora de pegar pontos de vista alternativos às poéticas visões.”.  Kate também avalia a blogosfera ao dizer que percebe o motivo porque muitos autores de blogs levam seus leitores a sentirem-se tão atraídos por Chiang Mai: “devido à considerável comunidade de blogueiros que só elogia Chiang Mai universalmente bem porque são novos e não querem contestar, porque não escrevem com sinceridade sobre suas experiências para evitarem críticas, porque como novatos querem o apoio dos estabelecidos. É porque preferem mostrar uma Chiang Mai tão doce. Ironicamente, eu tenho muito mais em jogo e mesmo assim falo francamente.”  Mais ou menos o mesmo que conclui o blog Changes in Longitude na matéria "Purple Haze: Pollution in Chiang Mai".

                ISSO não deve confundir o leitor, senão orientá-lo a compreender que muito do que se lê na blogosfera, na Internet e na imprensa não retrata necessariamente o legítimo gosto pessoal de quem escreveu, profissionalmente ou não, porque nem tudo é legítimo, porque há conteúdo preso a compromissos comerciais. Então, antes de perder-se na abundância de “guias definitivos” de Chiang Mai que exploram as mesmas coisas, nos “TOP 10 of Chiang Mai”, em tanta informação subjetiva, compre um Lonely Planet que terá um bom guia. O resto é procurar por fotos e textos descompromissados.

                 POR este motivo não cansarei o leitor com descrições detalhadas, turísticas e exaustivas dos lugares a visitar.mas tentarei transmitir opinião desconectada da maioiria, uma perspectiva diferente de Chiang Mai para que o leitor faça como deve fazer: concluir segundo seu pensamento. 


 Chiang Mai - Verdades e mentiras  ____________________________________________

                  A Tailândia quase inteira tornou-se superestimada. O encanto natural em grande parte foi estragado pelo turismo de massa. O exotismo numa mercadoria a ser explorada turisticamente à exaustão, e o sexo pago andando bem juntinho com tudo isso. Todavia ainda é um país necessário a um turista. Há muita riqueza e enorme patrimônio de elevados interesses turísticos. Afinal, é a mais nova das antigas culturas do Sudeste Asiático e tem história atraente, às vezes romântica. O país é um um grande imã natural com forte capacidade de atrair turistas estrangeiros. Quem depois de visitar a Tailândia sonhar com experiências mais autênticas, deve pensar em Myanmar, no Laos, no Cambodia e no Vietnã também, embora este último esteja seguindo o mesmo processo da Tailândia. Mas ainda são bons exemplos do quanto tudo fica melhor com equilíbrio entre exigências e concessões. 

                    São 26 milhões por ano, segundo a última contabilidade. A Tailândia ocupa o décimo lugar entre os países mais visitados do mundo. Não é pouco. Entretanto é dos mais notáveis exemplos de concessões sobressaindo-se às exigências, onde o turismo atende mais aos interesses comerciais e à ganância sem limites do que ao bom senso e ao planejamento. Chiang Mai, por exemplo, pode ter sido o paraíso que a propaganda lhe atribui, mas se foi, era bem antes de tornar-se um destino turístico de massa. Não dá pra engolir os exageros sem indigestão: marqueteiros chegam a chamá-la de "Suiça do Oriente", uma referência ridícula às montanhas que a rodeiam. E muitos a chamam de uma cidade "tranquila" e "charmosa", ainda que refiram-se à segunda maior cidade da Tailândia.

Do predatório ao sustentável

                  A cidade é superestimada, mas não o bastante para ser dispensável. Absolutamente. Chiang Mai tem em lá seus encantos. Poucos para alguns, suficientes para outros. Eu fui com expectativas boas, mas reconheço que deveria ter ido sem elas, não lido antes os blogs com opiniões tão entusiasmadas deste "paraíso". A concentração de turistas e as lojinhas turísticas na área do "quadrado antigo" tornam sua parte histórica numa Disneylândia asiática, onde o turismo de massa fora de controle provoca ondas de vandalismo e especulações predatórias, que exterminam o genuíno e extraordinário, o meio ambiente e o patrimônio. Transformada numa caixa registradora do grande negócio turístico, num destino cheio de atividades “pega turista”, saturarm-na de mesmices turísticas, de atrações fabricadas, de albergues, de lavanderias, de bares, e cafeterias, de lojinhas de souvenir, de outdoors, de fachadas originais camufladas, de turismo sexual, de passeios em pobres elefantes, de seven elevens, hamburguerias, restaurantes pretensiosos, sujeira, armadilhas, de poluição, preços inflacionados, de aproveitadores que afujentam o povo local amigável. Mas a Tailândia toda é assim: leva do luxo ao lixo turístico em poucos passos.

                 PASSAMOS nossos dias em Chiang Mai entre templos e edifícios modernos ou antigos  descaracterizados, entre Starbucks e barracas de rua de produtos de terceira, tentando encontrar o que diziam ser o paraíso. Vi muitos templos bonitos, alguns entre horríveis edifícios e detrás de uma rede elétrica aérea poluente, parcialmente escondidos por atrações fabricadas para turistas, cartazes e outdoors. Entre mentiras mercadológicas como as "excursões" às tribos das montanhas, entre folhetos de propaganda que classificam alguns tours como “encontros mágicos”.  Mas se existe um lugar que vale a visita ao sul Chiang Mai são os sítios arqueológicos de Sukhotai.

                 O que percebi, não só nas montanhas, foi a consequência inevitável do turismo predatório: perda de autenticidade nos rituais, no folclore, nas cerimônias populares, nos produtos artesanais, em quase tudo do que foi original. Em todaa Tailândia, afinal. É o país dos mercados de rua e dos floating markets autênticos tornando-se eminentemente turísticos. O meljor exemplo, Damnoen Saduak, Onde tudo vai se tornando mercadoria, onde o artesanato antes produzido por comunidades tribais passou a ser em fábricas, com "operários" performáticos para turistas se encantarem com "exibições autênticas". E depois comprarem seus produtos. Onde nada quase parece escapar de uma atmosfera de falsa autenticidade e de franca orientação turística que está se infiltrando em toda a Tailândia. Ainda assim Bangkok está entre minhas sete cidades mais atraentes do mundo: Barcelona, Paris, Praga, Istambul, Sevilha e Rio de Janeiro.

CHIANG Mai vale a pena?  ___________________________________________________

                  ESTIVEMOS em Chiang Mai numa escapada desde Bangkok. Com a melhor das expectativas. Mas o que concluí foi que se um dia ali considerou-se um "paraíso asiático", hoje é cidade ocidentalizada e sem a mais remota associação ao que possa ter sido um paraíso ideal. É verdade que Bangkok também é cheia de turistas. E que em Chiang Mai todavia ainda não é tão aparentemente "sexual" e"alcoólica". E que ainda que ingenuamente, se vá atrás de templos, da natureza montanhosa, de atividades outdoor e sobretudo desejando-se distância das praias. E mesmo acabando vítima de alguma tourist traps como a visita às hilltribes, entre elas as "mulheres girafa", poderá gostar e divertir-se, mesmo que para além dos templos dourados Chiang Mai, encontre 7 Elevens, Starbucks e McDonalds beirando o que é centenário e histórico, valioso e genuinamente admirável. Ainda que andando por ruas sujas de lixo, vendo rios negros de poluentes, que não escape de perceber os efeitos negativos que as concessões inconsequentes da falta de proteção ao zoneamento do quadrado histórico ocasionaram. 

                DA cidade muito se ouve falar e ler. É a segunda maior da Tailândia. O marketing turístico sabe como explorar isso nomeando-a "culturalmente a mais significativa do país". É o que ajuda a levar 5 milhões de turistas por ano. Nacionais e estrangeiros. Apresenta-se uma personalidade e conteúdo autênticos, situados entre o que é urbano e o que é rural no país, e explora o imenso manancial de atividades turísticas da "mágica" de Chiang Mai, quando visitam os templos e vivem “aventuras” outdoor, entre elas trekkings, passeios de elefante (elefante turístico, mas elefante), observá-los pintando com a tromba e jogando futebol (nada menos natural entre os paquidermes), ou então em raftings para gringo ver, daqueles que o "aventureiro" daria nota 0,5 no quesito radicalidade, participando de uma "aventura" entre tigres (enjaulados, mas tigres) no Tiger Kingdom e interagindo com esses belíssimos animais sonolentos, deitando-se sobre eles, fazendo clássicas selfies com caras e bocas, e gracinhas tipo "morder o rabo". Há quem se divirta com isso, devo reconhecer.

Wat Phan Tao 

                SE na cidade os tesouros não estão escondidos, e assim não exigem mapas enigmáticos para que os encontremos, nem guias turísticos locais ou impressos, também é provável haver ao lado deles um aproveitador, um tout, uma futilidade barata à venda e uma roubadinha. De passarinhos presos em gaiolas que uma simpática e "auspiciosa" senhora nos "permite" soltar em troca de uns bhats. Ou lojinhas com imãs de geladeira.

         Chedi Luang

                   MAS como nem tudo costuma ser ruim pra sempre numa viagem, as coisas pra nós melhoravam incrivelmente quando voltávamos ao Four Seasons Chiang Mai.

 O Four Seasons Chiang Mai (*1)  __________________________________________________

                    TODO hotel incrível torna qualquer destino incrível ainda mais. Mas quando a hospedagem resulta mais importante, marcante, inesquecível, deliciosa que o destino, há algo de errado com o segundo. O Four Seasons Chiang Mai é como se fosse a essência da Tailândia. Na forma, nas cores, sabores, perfumes, na arte e na arquitetura. Pisos, tetos e paredes em madeira teca polida, roupas de cama em fino algodão siamês, objetos decorativos artísticos, espaçosas varandas em estilo lanna, vistas para campos de arroz, para montanhas do vale Mae Rim são apenas parte do que hospedar-nos no Four Seasons tornou-se uma de nossas mais inesquecíveis experiências.

             Inesquecíveis e saudosas. Decoração, estilo das espaçosas acomodações, fabuloso cenário, excepcional e belíssimo Spa, comida e serviço impecáveis, tamanho e o conforto dos banheiros, janelas com vistas incríveis, produtos de quarto deliciosos, jardins tropicais, silêncio e uma piscina absolutamente inebriante. Nem precisava daquelas varandas privativas e ao ar livre e cobertas, em madeira e com ventiladores de teto, poltronas e um sofá-cama estilo tailandês, lugar fabuloso para relaxamento com vistas para as montanhas, búfalos e campos de arroz. 

                  O Four Seasons Chiang Mai é extremamente aconchegante. E notável sua ambientação, um delicioso equilíbrio entre rusticidade e luxo. E depois da natureza que o circunda, das instalações, os serviços são suas maiores atrações. Um lindo pavilhão central conecta-se por caminhos inclinados e ajardinados às habitações. À noite - iluminados discretamente por lâmpadas elétricas e centenas de lamparinas a óleo - nada parece interfeir na natureza. E o céu então torna-se notável. O silêncio favorece o coaxar de sapos, o canto dos pássaros e o barulho gostoso dos grilos. Uma serenata!

                 A distância da cidade é ideal a quem procura tranquilidade, um refúgio e descanso, para famílias, viajantes sós e casais em Lua de Mel. Há um micro-ônibus que liga a cidade ao hotel e faz o caminho circular durante todo o dia em horários regulares. Para quem gosta de culinária há uma escola que ministra cursos em uma cozinha especial, onde diferentes programas são definidos para todo o ano. Como a própria rede o define, o Four Seasons Resort Chiang Mai é um novo conceito em resort de luxo, sobretudo porque incentiva a tranquilidade, o conforto, os serviços, a intimidade, as mordomias e o relaxamento.

                A exemplo da Capital, a única dificuldade de hospedar-se é escolher uma entre tantas possibilidades da extensa lista de meios de hospedagem. Para todos os gostos, padrões, exigências, estilos e orçamentos. Depois de algum trabalho reduzimos nossa seleção para cinco, os “big five resorts” de Chiang Mai: The Chedi, Sofitel, Four Seasons, Mandarin Oriental e Shangri-La. Ainda assim a escolha foi difícil, pois há concorrentes menores, muito atraentes e interessantes e a preços bem mais econômicos. Optamos pelo Four Seasons pela simpatia pessoal com a rede, pelas inesquecíveis experiências anteriores e pela ambientação. 

 CHIANG Mai, a cidade dos 300 Wats  __________________________________________________

                 EM 1296 o Rei Mengrai teve presságios. Convenceram-nos a estabelecer a sede do Reino Lanna em Chiang Mai. O início foi auspicioso, tanto que tornou-se segunda maior cidade da Tailândia. Hoje o número crescente de turistas é o que mais preocupa os que cuidam da preservação ambiental e cultural da cidade. São - como em qualquer lugar do mundo - os dois gumes da faca turística: os que temem pela perda de identidade dedicam-se a manter a singularidade, aquela nascida dos presságios do rei. O Lonely Planet - que considerou-a uma das 10 mais no mundo (!) - levou-nos ao encontro dos monumentos, das estátuas, dos templos, santuários, mercados, hotéis, restaurantes, bares e atividades.

                 Cercada por vestígios de sua antiga muralha e fosso, seus tesouros são os templos. Mesmo que para se chegar a eles tenhamos que passar por um centro feioso, moderno e cosmopolita. Dizem que é a mais artística cidade da Tailândia. Não posso afirmar nada mais do que ter notado um bom número de galerias e oficinas de arte e artesanato. A comida também é diferente da capital, mas tão saborosa quanto. Nos campos, há aldeias tribais, uma fazenda de elefantes e o que resta do verdadeiro sentido do que seja “interior” e rural no país. Para além dos prazeres visuais e gastronômicos, Chiang Mai é a “home of massage” na Tailândia: ali muitas técnicas desenvolveram-se e transmitiram-se para o mundo. A tradição ainda é viva, porque não é incomum ser vendida como “Capital dos Spas na Ásia”. onde é possível experimentar o mais completo mundo das massagem e tratamentos. Dos simples aos mais luxuosos.

                 Estrangeiros que aventuravam-se à cidade no auge do turismo de mochila em 1970, encontravam uma pacata vila com muito mais templos do que casas de hospedagem. 30 anos depois os templos tornaram-se menos impressionantes e a hotelaria desenvolveu-se. Do simples ao luxuoso, do exótico ao extravagante.

  Doi Suthep

                 SE é uma cidade ainda em transição, se muito de sua personalidade perdeu-se, se foi engolida pela nova identidade, a turística, pelos ocidentalismos e pela cultura moderna, pelo crescimento urbano, se tornou-se cosmopolita com seus Starbucks e Häagen-Dazs, ganhou infra-estrutura. E há quem ache isso positivo, ainda que a balança entre modernidade e tradição pese mais para a primeira, mantém-se uma atmosfera que atrai muitos para uma uma escapada desde Bangkok

                  Na Cidade Velha, a principal atração de Chiang Mai, uma visita leva a imaginar teria sido exótica há séculos. Tão repleta de templos confinados por um quadrado limitado por um fosso. É a Cidade Velha, mais descaracterizada do que eu poderia imagina, mas ainda com muitos motivos para nos encantarmos com o passado. Algumas das paredes originais permanecem. Foram os bastiões de outrora guardando os quatro cantos da cidade. Aqui e ali podem-se ver aberturas de seteiras por onde observavam-se eventuais exércitos invasores. A cidade velha é fácil de circular a pé e de tuk-tuk, mas também por motonetas e bicicletas que se podem alugar em toda esquina. É uma das explorações turísticas mais fáceis que já experimentei, e não requer nada mais do que informação prévia e boas caminhadas em linha reta co alguns poucos desvios.

                 No meio dos quatro lados da cidade estão as portas originais. A principal delas é a Thapae, de frente para o Rio Ping, reconstruída junto com um trecho do paredão. Ela proporciona uam boa idéia de como teria sido a muralha original. A entrada para o Thapae Gate é atualmente um caminho de pedestres e ponto de partida para o passeio pela Cidade Velha.

                  Há outros portões, como Suan Dok e Puerk Chiang, e o fosso atual é uma atração "moderna" com fontes iluminadas e trânsito de carros. Há muitos templos para visitar na Cidade Velha. Mas o turista precisa selecionar os mais significativos. Não há dificuldade alguma nisso, ainda que entre um e outro sempre haja algum inesperado no caminho que o convide a visitar. Fizemos desse modo e perdemos a conta dos templos que entramos, entre eles o Wat Chiedi Luang, Wat Pan Tao, Wat Phra Singh e Wat Chiedi Man, belos exemplos de arte aplicada à arquitetura e à ornamentação de templos budistas. A maioria está em plena atividade, o que significa uma rígida exigência no modo de vestir-se e de comportar-se pelo turista.

Thapae Gate

                  Cada qual com sua história longa e significativa, o Wat Chiang Man por exemplo é o mais antigo, o Wat Chedi Luang, na Phrapokklao Road, o mais alto antes de ser destruído por um terremoto em 1545 (ou por algum exército invasor, dependendo de onde se pegue informação), cuja reconstrução restituiu parte da antiga glória. Embora aparente ser mais novo, seus ornamentos decorativos originais demonstram a verdadeira idade. Já o Chedi Luang tem significado especial: abrigou o objeto religioso mais importante da Tailândia, o Buda de Esmeralda, que agora está no Grande Palácio de Bangkok.

Thapae Gate

                 Ao lado do Chedi Luang fica o impressionante Wat Pan Tao, notável por ser inteiramente de madeira teca, embora sem o charme dos outros. Mas as elegantes esculturas de madeira que decoram o templo são um destaque que fazem valer a visita. Wat Phra Singh também é importante historicamente. Foi construído no século 14 para abrigar as cinzas de um rei, e por ser um dos maiores e um mais visitados da cidade. Seu nome significa templo do "Buda Leão". Apesar dos seus 600 anos está muito bem conservado, o mais conhecido por causa dos numerosos e extremamente ornados edifícios com telhados impressionantes e intrincada obra mural. O Wat Phra Singh é perfeito para passeios, para contemplação, para relaxamento e admiração. Nele vêm-se monges por toda parte, muitas vezes tímidos, outras ansiosos por treinarem seu inglês com os turistas. Entusiastas do budismo terão templos suficientes para conhecer na cidade: 51 ao todo.

                 O Wat Chiang Man é o mais antigo, construído em 1292, um exemplo excepcional da arquitetura Lanna, cujo chiedi de ouro rodeado por elefantes esculpidos faz dele um dos favorito entre os que estão mais afeitos à arquitetura e ornamentação do que à religião. Os telhados vermelhos, os entalhes ornamentais e o revestimento em folhas de ouro são mais novos que o restante da construção original, mas igualmente excepcionais. 

Doi Suthep

                  Fora dos seus limites fica um dos seus "tesouros", o Wat Phra That Doi Suthep. Phrathat Doi Suthep Rajvoravihara para os íntimos. É um complexo budista de 620 anos de idade. Mas foi o que menos gostei. Provavelmente pro causa de seu piso de porcelanato que quebra qualquer sonho de voltar 620 anos no tempo. Possivelmente não há nada de mais turístico em Chiang Mai do que uma visita ao famoso templo Wat Prah That Doi Suthep, o que significa estar num lugar com multidões que ali ascendem diariamente. Dizem que há uma hora perfeita para visitar o templo: ao nascer do sol, quando não há a massa de gente porque a maioria dos turistas não gosta de acordar cedo. Fica no topo de uma colina, a 1.100 m de altura. Tem vistas para a cidade, mas apenas quando a poluição do ar deixa. Chega-se a ele por uma escadaria de 306 degraus ou por um plano inclinado. Sugiro subir pelo segundo e descer pelo primeiro. Até chegar ao templo, de carro, depois de 40 minutos, dez quilômetros e 92 curvas da sinuosa estrada. Entre as atrações estão uma relíquia de Buda guardada num pagode de ouro. Achei a escadaria a mais interessante por causa das esculturas de serpentes qhe agem como corrimãos.

                 Há mercados organizados por tipo, além do Chiang Mai Night Bazaar. Esse é ruim, mas é bom pra comprar roupa hippie. Há os de alimentos e artigos domésticos, como o Worarot Market, conhecido também como Kad Luang, o principal mercado local, o Muang Markek Mai, atacadista e principal fornecedor de produtos frescos, especialmente interessante para quem gosta de comida e alimentos, o Sompet Market, na Lua Muang Road, um mercado de alimentos frescos particularmente interessante na seção de frutas. O Ton Payorm Market, de alimentos frescos e produtos domésticos, o Sanpakhoy Market, do outro lado do rio, na Charoen Muang, em direção à estação ferroviária, este um dos mais movimentados.

                  Os mercados de rua que funcionam aos sábados e domingos. Como o Walking Street Market, por exemplo. São uma instituição na cidade. Vendem arte e artesanato popular, roupas e comida de rua. Aparentemente coisa falsificada, mercadoria de terceira feita na China e coisa barata e vagabunda de gosto duvidoso. Pode ser uma experiência interessante, quanto mais você gostar de mercados como da 25 de Marçõ em São Paulo. Vale mais pelo convívio com o povo do que pelas compras. Embora o Night Bazaar seja o mais popular, outras opções de compras encontram-se ao longo da Nimmanhaemin Road Soi 1, com lojas de tecidos, galerias de arte e cafés. Na Charoenrat Road, a Vila Cini vende sedas sofisticadas de altíssima qualidade, móveis tradicionais do norte da Tailândia e objetos decorativos.

Maesa Elephant Camp   __________________________________________________________ 

O lado negro do turismo animal na Tailândia

                 Muitos têm o sonho de montar um camelo no deserto, cavalgar numa praia e fazer turismo nas costas de um elefante. Eu também já tive. E já os fiz. Todos eles. Todo mundo que vai Tailândia pensa andar em elefantes. Eu, inclusive. Mas só depois de ter feito isso duas vezes foi que percebi o quanto isso é perturbador.  É preciso saber a realidade por trás desses passeios. Especialmente os feitos em elefantes na Ásia. Eu evitarei a todos que puder daqui por diante. O Maesa Elephant Camp é mais um camp para passeios e atividades com esses animais. É um dos maiores, e dizem que goza de boa reputação no cuidado de seu rebanho, inclusive quanto ao aspecto da fertilidade, considerada alta, um que seria um bom sinal da saúde deles. Mas como toda atividade com animais, também há críticas e controvérsias relacionadas à sua exploração. Neste caso, com as caminhadas e shows nos quais eles são ensinados a dançar, pintar e jogar bola. Nada menos natural, e não notamos sinais de maus tratos evidentes, mas quando se tratam de animais, esses aprendizados e essas tarefas quase sempre estão relacionadas a algum tipo de maus tratos. Me perturba perceber que as pessoas não se sensibilizarem com isso. Estupidamente eu não resisti ao apelo turístico e fui ao Maesa Elephant Camp. Talvez porque fora mal informado, acreditando que ali estaríamos interagindo com os animais e não os montando para um passeio em suas costas e exibições infantis e ridículas que ficariam ma até para crianças executarem. Até hoje eu penso naqueles pobres animais e o que fazem com eles todos os dias nesses passeios e atividades. Não escrevo exatamente focado em turismo responsável, mas gostaria de pedir que oe leitores avaliassem melhor essas atividades em suas viagens. Eu mesmo já tive atividades não responsáveis, algumas especialmente chocantes, como visitar o deprimente zoológico de Karakol, no Quirguistão, por isso creio que ninguém deva visitar e incentivar lugares prejudiciais à vida selvagem.

                   Mas não sou especialista em elefantes. Num dado momento achei preocupante o fato do tratador descer do animal e deixar-nos sós sobre ele, caminhando seguindo o tratador. E dele portar uma ferramenta de ferro para tocar e bater no crânio do animal. É possível ver animais sendo alimentados e acariciá-los.

                 Se eu tivesse pensado melhor, não teria feito a montaria num elefante. Eles não são animais para serem montados por humanos em suas costas. Isso pode provocar-lher lesões nos pés e danos permanentes na coluna. Os animais destinados à exploração turística são abusados, mal tratados e comem mal. E são cheios de problemas psicológicos, além de físicos. Quando não estão trabalhando, são presos por correntes nos pés. Tudo para que nós, turistas, gastemos dinheiro para para enriquecer alguém, não eles. Se quiser ter uma experiência bacana com esses fabulosos animais, vá ao Elephant Nature Park, onde na natureza o turista poderá interagir com os animais alimentando-os e dando-lhes banho. Ou na Patara Elephant Farm, uma fazenda que resgata animais que foram mal tratados ou abandonados. A fazenda vive dos recursos dos turistas, que pagam para um dia de aprendizados e cudados dos animais.

Queen Sirikit Botanical Garden  ____________________________________________________

                 O objetivo deste jardim botânico é promover a investigação botânica, a biodiversidade e a conservação dos recursos naturais botânicos da região. Originalmente chamado jardim botânico Mae Sa, foi renomeada Sirikit, rainha da Tailândia, em 1994. É um lugar interessante, mas só vale a visita se for conjugada com a ida às tribos das montanhas, que não vale a pena. Caso queira arriscar-se a visitar as hill tribes, não deixe de no caminho passar pelo Jardim Botânico Real de Chiang Mai, lindíssimo. 

Hill tribes  ____________________________________________________________________

                Há muitas opções de trekkings próximos a Chiang Mai, sobretudo conjugadas com visitas ás tribos das montanhas. Algumas caminhadas são excelentes e outras horríveis.  A maioria dos roteiros visita quatro diferentes aldeias nas colinas da província de Chiang Mai: Akha, Palong, Karen e Lisu, cada qual com sua própria cultura. Lingua, vestimenta e costumes. Visitamos a Hmong village. Não gostamos.

                Para ser sincero, esta aldeia foi muito afetada pelo turismo, especialmente  porque seus habitantes estão envolvidos no comércio turístico. Optamos por visitar as hill tribes, tribos da montanha, cujos habitantes, dizem os guias de viagens, vivem como há séculos. Foi nossa pior experiência em toda a viagem, pois além de não gostarem de rebecer visitantes, os habitantes saem cedo para a lida na terra e não permitem que entrem em suas casas, nem vendem absolutamente nada do que produzem de artesanato. Evite se puder. Um tosquíssimo museu mostra como vivem, mas o desprezo com que olham os visitantes logo nos fez cair fora dali, constrangidos com o fato de que estávamos perturbando sua paz e atendendo a um apelo das agências e guias turísticos locais.

Por que não visitamos as Mulheres Girafa?  ___________________________________________

                  Porque ainda que o turismo seja uma atividade natural do ser humano, basicamente resulte da  curiosidade, que destinos turísticos tenham cada qual suas vocações, criam-se no seu rastro formas desprezíveis de turismo. A exploração de pessoas é uma delas. E neste caso, as “mulheres girafa” da Tailândia um dos mais notáveis. Costumo respeitar todos os gostos, ainda que discorde de muitos. E não escrevo para incutir responsabilidade social a ninguém. Todavia, quem desejar visitar as refugiadas birmanesas - denominadas “mulheres girafa” (o mau gosto já começa no nome) - deve saber do que se trata. Elas são escravas de um tipo de turismo sedento de qualquer coisa exótica, não importa a que preço. Parte desse mundo cão traz um tipo de turista - genuinamente desinformado ou que não está nem aí pra nada - que vai a Chiang Mai louco para embasbacar-se com algo tão efetivamente exótico quanto deprimente. Alguns tiram fotos ao lado delas, colocam nos seus pescoços os anéis, aprovam tudo e divertem-se pensando estar vivendo uma experiência "cultural" autêntica. Outros saem constrangidos ao conhecerem a realidade. Poucos percebem que nada mais fizeram do que incentivar a exploração humana. A tradição é a única fonte de renda dessas mulheres, com a qual exibem-se para um voyeurismo primitivo e condenável. Se quiser aprofiundar-se no tema, dê uma olhada na matéria "Vaidade, cultura ou tortura?", em Walk and Talk http://walkandtalk.com.br/oquetemotiva/vaidade-cultura-ou-tortura/

                  OUTRA tourist trap de Chiang Mai - o Tiger Kingdom  não sem motivos foi encerrada e seus animais removidos do “templo” por oficiais do Departamento de Parques Nacionais. Para  outro lugar onde  tenham condições mais apropriadas e fiquem longe de turistas 'mordendo' seus rabos. 

 Notas

(*) Così è (se vi pare) ("Assim é, se lhe parece" em português) é o título de uma peça de teatro do escritor italiano Luigi Pirandello, escrita em 1917 e definida por ele mesmo como uma "farsa filosófica". A obra trata o tema da verdade, o contraste entre realidade e aparência, entre verdadeiro e falso. Pirandello põe em cheque a ideia de uma realidade objetiva que possa ser interpretada de modo unívoco através dos instrumentos da racionalidade. Fonte e origem: "Wikipédia, a enciclopédia livre".

O turismo é um importante fator econômico no Reino da Tailândia, contribuindo diretamente um valor estimado em 7,3% para o PIB da Tailândia em 2012. Quando se inclui os efeitos indiretos do turismo, que representaram 16,7% do PIB da Tailândia. Em 01 de junho de 2013, a revista Time relatou que Bangkok foi identificada como a cidade mais visitada do mundo pelo 2013 Destino Global das Cidades Index, enquanto o Aeroporto de Suvarnabhumi foi local mais com geotags do mundo no Instagram em 2013. A Autoridade de Turismo da Tailândia usa o slogan "Amazing Thailand" para promover a Tailândia internacionalmente. (fonte: FINSLAB http://finslab.com/enciclopedia/letra-t/turismo-na-tailandia.php)

(*1) Four Seasons: o conteúdo deste blog não é patrocinado por companhias aéreas, hoteleiras, de seguros de viagem, locadoras de automóvel, de reservas de hotéis ou qualquer outra empresa relacionada ou não com viagens e turismo. Esta matéria não foi revista ou aprovada nem é de conhecimento das cias., entidades, hotéis, serviços ou pessoas citadas em seu corpo. As opiniões expressas são exclusivas do autor e também não endossadas por qualquer pessoa ou entidade. Não escrevo posts patrocinados (clara ou disfarçadamente), não recebo 'brindes' ou mimos, não aceito convites para fazer coberturas positivas de qualquer evento (de lançamento de caminhões a classes executivas de cias. aéreas). Não recebo permuta ou qualquer vantagem, minhas viagens são auto-financiadas, não sou recompensado ou comissionado em nenhuma hipótese e a que título for por qualquer marca de produto ou serviço, mencionado aqui ou não. Tudo o que é publicado aqui é feito com a suposição de que o leitor saiba identificar os objetivos deste blog, sobretudo que verificará com o fabricante, fornecedor ou prestador do serviço em questão. Não publico matérias que não sejam de minha autoria,  não tenho ghost-writers nem escritores colaboradores esporádicos ou permanentes.   

Tenho esse blog desde 15 de Março 2006. O mantenho com o objetivo e princípio de compartilhar textos e imagens de minhas viagens e reflexões de vida pessoal, sobretudo para insiprar e motivar o leitor a viajar. Mas jamais para conduzí-lo nem tirar dele a melhor de todas as maneiras de ver um lugar: com seus própios olhos. A tarefa é prazerosa, ainda que trabalhosa e solitária. Não ganho nada com este blog a não ser satisfação pessoal e reconhecimento de alguns. Não ponho marca d'água nem assinaturas nas fotos porque estragam a imagem e são livres para serem usadas, desde que não comercialmente. Sou simples blogueiro de viagens sem pretensão maior do que continuar a ser assim.  Sigo e admiro blogs que cultuam a espontaneidade e a autenticidade, que prezam o simples prazer de compartilhar experiências de viagens, que não se afastam da simplicidade.

Reader Comments (4)

Arnaldo, eu também acho que o turismo de massa se tornou um sèrio problema em muitos lugares, mas o Mundo pra viajar cada dia é um pouco mais pequenho. Há lugares que agora, pelas circunstàncias actuales, não podem ser visitados ou são perigosos (guerras, terrorismo, etc). Eu não estou falando sobre a Tunísia, porque muitos outros países e cidades viveram em seus carnes ataques (Boston, Madrid, Paris, Casablanca, Londres, Nova Iorque) e turistas têm mantido indo. Um problema iria parar de visitar Tunísia ... mas agora mesmo a Síria que pessoa pode voltar para lá? Isso é assustador.
Sobre os tribos típicas das montanhas em Tailândia, que as faz diferentes a os tribos que pode encontrar em Kénia o em qualquer outro lugar da África? Por qué umas são turísticas e outras não?

7:51 | Unregistered CommenterCarmen

Parabéns pelo seu imenso e belíssimo trabalho! Descobri o seu blog através do blog "As viagens da Margarida" o qual também acompanho. E com sua permissão vou juntar o seu na lista de blogues que acompanho. Concordo consigo quando diz que é um trabalho solitário mas prazeiroso. Sem dúvida... dá muito trabalho são muitas horas mas o resultado final vale tudo. Reviver as nossas viagens e partilhá-las compensa as muitas horas. Apenas o prazer que nos dá. Comecei o meu projeto este ano em abril e gostaria muito, caso possa dispensar uns momentos, que visitasse o meu setepraias e se entender dê a sua opinião. No começo é importante o feed back. Obrigada e os maiores sucessos. Ana Paula

12:36 | Unregistered CommenterAna Paula

Obrigado, Ana Paula, pela visita e comentário. Sou muito orgulhoso de ter leitores frequentes do "outro lado do Atlântico". Certamente passarei em seu blog e registrarei minha ida por lá.

Um grande abraço, desejo-lhe sucesso na nova empreitada.

Olá! Hoje conheci o seu blog e sinto muito por não tê-lo conhecido antes de viajar para a Tailândia. Acabei de voltar de lá, há exatamente uma semana. Fui incluvise a Chiang Mai. Fui com meu marido e minha irmã mais velha. Passamos ao todo 23 dias, entre a Tailândia, Camboja e Vietnã. Em Chiang Mai foram duas noites, mas 1 dia e meio para conhecê-la. Na verdade, meio dia, porque passamos um dia completo no Elephant Nature Park (felizmente, li tudo sobre os maus tratos sofridos por esses incríveis animais, e decidi que não iria nunca subir nas costas de um elefante).
Enfim, eu também tenho um blog, mas ele não é de viagens propriamente dito, embora algumas de minhas viagens estejam lá, porque o meu foco é gastronômico e gosto de contar minhas experiências vividas pelo mundo afora (ou dentro de minha cozinha, haha). Em breve vou começar a escrever sobre essas experiências na Ásia.
Mas escrevo aqui para registrar que achei muito bom o seu texto, muito completo, verdadeiro, "pé no chão" e extremamente informativo, útil. lúcido. Vou explorar o restante de suas viagens e quem sabe, obter dicas valiosas para as minhas próximas aventuras. Pretendo ir ao Canadá no próximo ano, por um acaso você conhece?! Abraços!

17:54 | Unregistered CommenterLuciana

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